{"id":27808,"date":"2026-03-06T17:16:58","date_gmt":"2026-03-06T20:16:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=27808"},"modified":"2026-03-06T17:16:58","modified_gmt":"2026-03-06T20:16:58","slug":"mitsp-2026-a-batalha-pela-sobrevivencia-entre-a-consagracao-europeia-e-a-urgencia-decolonial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/mitsp-2026-a-batalha-pela-sobrevivencia-entre-a-consagracao-europeia-e-a-urgencia-decolonial\/","title":{"rendered":"MITsp 2026: <\/br>A batalha pela sobreviv\u00eancia <\/br> entre a consagra\u00e7\u00e3o europeia <\/br> e a urg\u00eancia decolonial"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_27813\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Historia-da-Violencia_Foto-de-Arno-Declair-16-e1772796937305.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-27813\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-27813\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Historia-da-Violencia_Foto-de-Arno-Declair-16-e1772796937305.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"401\"><\/a><p id=\"caption-attachment-27813\" class=\"wp-caption-text\"><strong><em>Historia da Viol\u00eancia<\/em><\/strong>, com o escritor franc\u00eas \u00c9douard Louis (de costas) dirigido pelo alem\u00e3o Thomas Ostermeier. Foto: Arno Declair \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_27810\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Quem-matou-meu-pai_Foto-de-Jean-Louis-Fernandez-4-e1772798248706.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-27810\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-27810\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Quem-matou-meu-pai_Foto-de-Jean-Louis-Fernandez-4-e1772798248706.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-27810\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Quem matou meu pai<\/strong>. Foto: Jean Louis Fernandez \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_27812\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Vigiada-e-Punida_-Foto-de-Maxim-Pare-Fortin-2-e1772798285758.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-27812\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-27812\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Vigiada-e-Punida_-Foto-de-Maxim-Pare-Fortin-2-e1772798285758.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-27812\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Vigiada e Punida<\/strong><\/em>, da canadense Safia Nolin, sobre \u00f3dios nas redes sociais. Foto: Maxim Pare Fortin&nbsp;<\/p><\/div>\n<p>Onze anos incendi\u00e1rios. Assim a <strong><em>MITsp \u2013 Mostra Internacional de Teatro de S\u00e3o Paulo<\/em><\/strong> se apresenta em 2026 como uma chama que resiste. Sob o mote da &#8220;viol\u00eancia e suas diversas formas de enfrentamento&#8221;, o festival se desenha como um espelho das fraturas, tens\u00f5es e urg\u00eancias do nosso tempo, ao mesmo tempo em que a pr\u00f3pria mostra trava uma luta visceral pela sobreviv\u00eancia em meio a um cen\u00e1rio de recursos em decl\u00ednio.<\/p>\n<p>A identidade visual desta edi\u00e7\u00e3o, assinada pelo designer pernambucano H\u00e9lter Pess\u00f4a, materializa essa urg\u00eancia atrav\u00e9s de um elemento simples e potente: o fogo. Uma caixa de f\u00f3sforos resguarda a possibilidade de mudar o estado das coisas. Diante das incertezas, a arte persiste e o gesto teatral irradia como fa\u00edsca flamejante, potencializando a\u00e7\u00f5es de diversidade e democracia. Tr\u00eas palitos de f\u00f3sforo s\u00e3o um &#8220;lembrete de que essa chama n\u00e3o pode se apagar&#8221;, um convite para o mergulho nas profundezas do que o teatro ainda pode ser.<\/p>\n<p>A estrutura curatorial da <strong><em>MITsp 2026<\/em><\/strong> pode ser lida a partir de duas grandes linhas de for\u00e7a que operam em tens\u00e3o constante: a consagra\u00e7\u00e3o europeia, ancorada no prest\u00edgio de um teatro intelectualizado, de grande circula\u00e7\u00e3o internacional, que disseca as viol\u00eancias do Ocidente com precis\u00e3o cir\u00fargica, e a urg\u00eancia decolonial, uma for\u00e7a que emerge da necessidade, da luta pela exist\u00eancia e da resist\u00eancia de corpos e territ\u00f3rios historicamente silenciados. Essas linhas revelam, na verdade, as contradi\u00e7\u00f5es estruturais do pr\u00f3prio festival: entre o desejo de ser uma ponte global e a realidade de uma institui\u00e7\u00e3o brasileira operando com menos de 30% do or\u00e7amento necess\u00e1rio; entre a legitimidade do c\u00e2none europeu e a urg\u00eancia de vozes que n\u00e3o podem esperar por reconhecimento internacional.<\/p>\n<p>A primeira linha de for\u00e7a \u00e9 encabe\u00e7ada pela dobradinha entre o escritor franc\u00eas \u00c9douard Louis e o diretor alem\u00e3o Thomas Ostermeier. O d\u00edptico formado por <strong><em>Hist\u00f3ria da Viol\u00eancia<\/em><\/strong> &#8211; que parte de um estupro sofrido pelo autor para falar de homofobia e racismo &#8211; e <strong><em>Quem Matou Meu Pai<\/em><\/strong> &#8211; onde Louis exp\u00f5e como a desigualdade destruiu seu pai &#8211; funciona como uma contundente an\u00e1lise social. Esses nomes&nbsp; &#8211; Thomas Ostermeier, \u00c9douard Louis e Milo Rau &#8211; representam um&nbsp; teatro europeu que circula em festivais de renome mundial (Avignon, Veneza, etc). Eles s\u00e3o o &#8220;establishment do teatro contempor\u00e2neo&#8221;, operando dentro de um circuito j\u00e1 legitimado, com recursos, infraestrutura e visibilidade garantidos. A presen\u00e7a de Milo Rau com <strong><em>A Carta<\/em><\/strong> refor\u00e7a essa curadoria que aposta no teatro como testemunho pol\u00edtico, onde a fic\u00e7\u00e3o e a vida se confundem na forma\u00e7\u00e3o de um ator entre gera\u00e7\u00f5es e conflitos, para refletir sobre as estruturas de poder.&nbsp;Embora essas obras sejam criticamente relevantes &#8211; dissecando homofobia, racismo e hipocrisia das democracias ocidentais &#8211; elas o fazem atrav\u00e9s de uma est\u00e9tica j\u00e1 consagrada e, de certa forma, &#8220;segura&#8221; para um grande festival internacional.<\/p>\n<p>Contrapondo a hegemonia europeia, emergem &#8220;lugares de enuncia\u00e7\u00e3o mais perif\u00e9ricos&#8221; que carregam uma pot\u00eancia distinta. <strong><em>Do Lado de C\u00e1<\/em><\/strong>, do congol\u00eas Dieudonn\u00e9 Niangouna, traz a perspectiva do ex\u00edlio e do artista cindido entre dois mundos &#8211; uma vinda celebrada por Antonio Ara\u00fajo, idealizador e diretor art\u00edstico da <strong><em>MITsp<\/em><\/strong>, como uma &#8220;vit\u00f3ria&#8221; ap\u00f3s o trauma de sua participa\u00e7\u00e3o virtual em 2019, impedida pela persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em seu pa\u00eds.<\/p>\n<p><em><strong>Vigiada e Punida<\/strong><\/em>, da canadense Safia Nolin com dire\u00e7\u00e3o de Philippe Cyr, transforma o \u00f3dio mis\u00f3gino e gordof\u00f3bico das redes sociais em mat\u00e9ria c\u00eanica, oferecendo uma resposta \u00e0 viol\u00eancia contempor\u00e2nea. Mas talvez a presen\u00e7a mais&nbsp; &#8220;radicalmente necess\u00e1ria&#8221; seja a abertura de processo de <strong><em>Tr\u00eas Esta\u00e7\u00f5es e um Corpo<\/em><\/strong>, do artista palestino Mohammed Al Qudwa com dire\u00e7\u00e3o da brasileira Martha Kiss Perrone. Em meio a um &#8220;genoc\u00eddio em curso&#8221;, a obra surge como um testemunho urgente e fragmentado. A escolha de apresentar um trabalho em constru\u00e7\u00e3o, sobre um corpo que sobrevive a cinco guerras, coloca o teatro em seu estado mais urgente e necess\u00e1rio: &#8220;o de dar nome ao indiz\u00edvel, de insistir na exist\u00eancia diante da aniquila\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<div id=\"attachment_27814\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Mandinga-Major-Ball-Ballroom_Foto-de-Alass-Derivas_-6-e1772800550572.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-27814\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-27814\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Mandinga-Major-Ball-Ballroom_Foto-de-Alass-Derivas_-6-e1772800550572.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-27814\" class=\"wp-caption-text\"><strong><em>Mandinga Major Ball Ballroom<\/em><\/strong> integra a <strong><em>PERFORMA12h<\/em><\/strong>. Foto: Alass Derivas \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Se a ala internacional tematiza a viol\u00eancia, os espet\u00e1culos nacionais respondem com estrat\u00e9gias de resist\u00eancia. A <strong><em>MITbr \u2013 Plataforma Brasil<\/em><\/strong> se firma como &#8220;uma mostra que luta pela democracia e reconhece a diversidade das vozes, ocupando todos os espa\u00e7os&#8221;, nas palavras do produtor Guilherme Marques, um dos idealizadores e diretor geral de produ\u00e7\u00e3o. Aqui, a urg\u00eancia decolonial se torna protagonista.<\/p>\n<p>Da <strong><em>Convocat\u00f3ria MITbr &#8211; Plataforma Brasil<\/em><\/strong>, em <strong><em>TA &#8211; Sobre Ser Grande<\/em><\/strong>, o Corpo de Dan\u00e7a do Amazonas se inspira na cosmologia Tikuna para discutir a resili\u00eancia dos povos origin\u00e1rios. <strong><em>Para Mariela<\/em><\/strong> celebra quatro d\u00e9cadas do Grupo Sobrevento tecendo uma po\u00e9tica da imigra\u00e7\u00e3o boliviana que, a partir de objetos cotidianos e sonoridades ancestrais, aponta a tens\u00e3o entre sonhos de simplicidade e as complexidades do deslocamento. Em <strong><em>Ep\u00edlogo<\/em> <\/strong>(PR), a dupla chameckilerner usa corpos de idades e habilidades diversas para &#8220;dinamitar o etarismo e a ditadura do corpo padr\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o da <strong><em>PERFORMA12h<\/em><\/strong>&nbsp;&#8211; uma virada noturna dedicada a artistas negros que vibram na &#8220;resist\u00eancia festiva&#8221; -, com curadoria de Rodrigo Severo, materializa a festa como t\u00e1tica de sobreviv\u00eancia e afirma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Neste conjunto est\u00e3o <strong><em>Apari\u00e7\u00e3o, Nego Fugido de Acupe<\/em><\/strong> (BA), que reencena a aboli\u00e7\u00e3o sob a \u00f3tica quilombola, ressignificando a hist\u00f3ria atrav\u00e9s de uma encena\u00e7\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que coloca os negros como protagonistas da conquista da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura; e <strong><em>Mandinga Major Ball<\/em><\/strong> de Puma Camill\u00ea (BA), um ritual contempor\u00e2neo de celebra\u00e7\u00e3o e den\u00fancia que articula sabedorias ancestrais \u00e0s urg\u00eancias do presente pela perspectiva LGBTQIAPN+, afirmando o corpo como linguagem pol\u00edtica, arquivo vivo e estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia atrav\u00e9s do di\u00e1logo entre capoeira e vogue.<\/p>\n<p>Essa energia se anuncia em outros espet\u00e1culos da <strong><em>MITbr<\/em><\/strong>. Na aba <strong><em>Espet\u00e1culos Convidados<\/em><\/strong>, <strong><em>Vogue Funk<\/em><\/strong> (RJ), da carioca Patfudyda, funde baile funk e vogue ball, festejando a pot\u00eancia criativa de corpos perif\u00e9ricos e dissidentes. Das vielas para os palcos, dos fios emaranhados dos postes ao fio dental das gatas: baile funk e vogue ball se cruzam neste espet\u00e1culo de dan\u00e7a. Originados em contextos geogr\u00e1ficos e cronol\u00f3gicos distintos, os movimentos t\u00eam em comum a origem perif\u00e9rica e predominantemente preta, al\u00e9m de serem s\u00edmbolos de resist\u00eancia cultural, pol\u00edtica e social. Tamb\u00e9m nesta aba, <em><strong>Filoctetes em Lemnos<\/strong><\/em>, de Vinicius Torres Machado, dirigido por Marina Tranjan, acompanha Filoctetes: her\u00f3i, mas n\u00e3o o suficiente para suportar a dor de uma ferida que n\u00e3o cicatriza. A partir do mito grego, o artista apresenta a mat\u00e9ria do pr\u00f3prio corpo ap\u00f3s a retirada de parte do seu nervo ci\u00e1tico e musculatura posterior, em decorr\u00eancia do tratamento de um tumor, tratando da fragilidade corporal como experi\u00eancia encarnada<\/p>\n<p>A <em><strong>MITbr<\/strong> <\/em>tamb\u00e9m apresenta aberturas de processo que revelam outra dimens\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o teatral contempor\u00e2nea. Wagner Ant\u00f4nio, com <strong><em>SSOL \u2013 Paisagem 03<\/em><\/strong>, exp\u00f5e o laborat\u00f3rio de uma dramaturgia visual onde luz, som e v\u00eddeo atuam como linguagens ativas &#8211; uma investiga\u00e7\u00e3o de dez anos sobre como integrar essas linguagens em espa\u00e7os instalativos que borram as fronteiras entre passado, presente e futuro. Cris Meirelles e Jaya Batista, com <strong><em>Jukybox<\/em><\/strong>, compartilham uma cria\u00e7\u00e3o em processo que emerge das festas populares e das viv\u00eancias LGBTQIAPN+, onde a performance c\u00eanico-musical se constr\u00f3i a partir de laborat\u00f3rios como a Jukermesse e o Bailarico da Juky \u2014 experimentos que dialogam com manifesta\u00e7\u00f5es populares como festividades e protestos. Essas aberturas de processo exp\u00f5e as constru\u00e7\u00f5es com suas fraturas, os riscos e as escolhas que constituem a cria\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_27831\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/SSOL-Paisagem-03_Foto-de-Micaela-Wernicke-10-e1772826473548.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-27831\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-27831\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/SSOL-Paisagem-03_Foto-de-Micaela-Wernicke-10-e1772826473548.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-27831\" class=\"wp-caption-text\"><strong>SSOL Paisagem 03<\/strong>, do Wagner Ant\u00f4nio. Foto: Micaela Wernicke<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_27825\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/cavucada-conexoes-centro-oeste-e1772814923906.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-27825\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-27825\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/cavucada-conexoes-centro-oeste-e1772814923906.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"246\"><\/a><p id=\"caption-attachment-27825\" class=\"wp-caption-text\"><strong><em>Cavucada \u2013 A Festa N\u00e3o Ser\u00e1 Amanh\u00e3<\/em><\/strong>. Foto: Patr\u00edcia Almeida<\/p><\/div>\n<p>No projeto <strong><em>Conex\u00f5es Centro-Oeste<\/em><\/strong>, com curadoria de Galiana Brasil e Carlos Gomes, do Ita\u00fa Cultural, <strong><em>Cavucada \u2013 A Festa N\u00e3o Ser\u00e1 Amanh\u00e3<\/em><\/strong> (MS), da Cia Dan\u00e7urbana, dissolve o palco e transforma o teatro em pista de dan\u00e7a, um ato pol\u00edtico em si. A Cia Dan\u00e7urbana comemora mais de duas d\u00e9cadas de trajet\u00f3ria na pista de dan\u00e7a. Sem divis\u00e3o entre palco e plateia, artistas e p\u00fablico rememoram juntos coreografias presentes no repert\u00f3rio da companhia, al\u00e9m de se movimentarem embalados por sonoridades festivas de diferentes estilos. O espet\u00e1culo-festa, cujo t\u00edtulo faz refer\u00eancia a um passo de dan\u00e7a do brega funk, passeia por elementos presentes no hip-hop, no vogue, na dan\u00e7a contempor\u00e2nea e em coreografias do TikTok. A obra privilegia o encontro, ressaltando seu potencial pol\u00edtico e art\u00edstico, e valoriza a liberdade de cada int\u00e9rprete.<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o do <strong><em>Conex\u00f5es Centro-Oeste<\/em><\/strong> \u00e0 <em><strong>MITbr<\/strong> <\/em>evidencia um movimento importante de &#8220;descentraliza\u00e7\u00e3o do olhar&#8221;, trazendo para S\u00e3o Paulo a produ\u00e7\u00e3o de artistas de Bras\u00edlia, Goi\u00e1s e Mato Grosso. Trabalhos como <strong><em>Atr\u00e1s das Paredes<\/em><\/strong>, focado na viol\u00eancia dom\u00e9stica , <strong><em>galhada<\/em><\/strong> e <strong><em>Cabe\u00e7a de Toco <\/em><\/strong>(refletindo sobre colapso ambiental), e <strong><em>Republikkk<\/em><\/strong> e <strong><em>Encruzilhada <\/em><em>N\u00e3o \u00c9 Beco <\/em><\/strong>(processando a heran\u00e7a pol\u00edtica de um Brasil polarizado) ampliam a geografia do festival enquanto questionam a pr\u00f3pria centralidade de S\u00e3o Paulo como epicentro da produ\u00e7\u00e3o teatral brasileira.<\/p>\n<p>Ao longo da <em><strong>MITsp<\/strong><\/em>, tr\u00eas mostras acontecem na cidade de S\u00e3o Paulo, de forma paralela, com trabalhos e processos art\u00edsticos nacionais voltados ao p\u00fablico em geral e a programadores nacionais e internacionais: a <strong><em>Farofa do Processo<\/em><\/strong>, o <strong><em>Instituto Capobianco<\/em><\/strong> e o <strong><em>iBT &#8211; Instituto Brasileiro de Teatro<\/em><\/strong>. A programa\u00e7\u00e3o de cada evento poder\u00e1 ser consultada em suas respectivas redes sociais e sites, com dias e hor\u00e1rios dispon\u00edveis e abertos ao p\u00fablico.<\/p>\n<h2>Pr\u00e1tica da cr\u00edtica<\/h2>\n<p>Um microcosmo da luta pela pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia da cr\u00edtica teatral se refletiu na negocia\u00e7\u00e3o para o retorno da <em><strong>Pr\u00e1tica da Cr\u00edtica<\/strong><\/em>, eixo de reflex\u00e3o que acompanha a mostra. Ap\u00f3s a aus\u00eancia do formato em 2025, uma carta aberta da AICT-Brasil (Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Cr\u00edticos de Teatro) e uma pergunta de um integrante da associa\u00e7\u00e3o durante a coletiva pressionaram a organiza\u00e7\u00e3o a fazer um esfor\u00e7o a mais como demonstra\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia deste espa\u00e7o. O diretor Antonio Ara\u00fajo confirmou a parceria, mas revelou suas limita\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias: &#8220;Neste momento a quest\u00e3o que a gente vai conversar \u00e9 sobre o tamanho desta parceria&#8221;, disse ele em fevereiro.<\/p>\n<p>A\u00e7\u00f5es realizadas nos prim\u00f3rdios do festival, como a contrata\u00e7\u00e3o de cr\u00edticos residentes de outras regi\u00f5es para uma cobertura remunerada e integral do festival, n\u00e3o se concretizaram diante da escassez de verbas. A exist\u00eancia da cr\u00edtica, assim como a do pr\u00f3prio festival, est\u00e1 atrelada \u00e0 disponibilidade de recursos. A cr\u00edtica, como definiu um integrante da AICT, \u00e9 &#8220;quase que a prima pobre da cena teatral&#8221;, lutando para caminhar junto.<\/p>\n<p>A <em><strong>Pr\u00e1tica da Cr\u00edtica<\/strong><\/em> retorna em um novo modelo &#8220;piloto&#8221;, menor, com cobertura cr\u00edtica em texto e v\u00eddeo realizada por quatro integrantes da AICT residentes em S\u00e3o Paulo: Daniel Guerra (coordenador), Artur Kon, Amilton de Azevedo e Malu Barsanelli. Essas cr\u00edticas textuais ser\u00e3o disponibilizadas no site da <strong><em>MITsp<\/em><\/strong>, enquanto p\u00edlulas cr\u00edticas em v\u00eddeo circular\u00e3o no Instagram da <em><strong>MITsp<\/strong> <\/em>e da AICT-Brasil. A curadoria geral da <strong><em>Pr\u00e1tica da Cr\u00edtica<\/em><\/strong> \u00e9 coordenada por Daniel Guerra, Guilherme Diniz, Ferdinando Martins e Julia Guimar\u00e3es, com colabora\u00e7\u00e3o de integrantes da AICT-Brasil.<\/p>\n<p>A programa\u00e7\u00e3o de duas mesas fazem parte da <strong>Pr\u00e1tica da Cr\u00edtica,<\/strong> oferecendo espa\u00e7os de reflex\u00e3o sobre a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica e sobre as obras apresentadas. A primeira mesa, <strong><em>Autonomia na Cr\u00edtica Contempor\u00e2nea: Paradoxos, Disputas e Dissensos<\/em><\/strong>, acontece em 9 de mar\u00e7o, segunda-feira, das 14h \u00e0s 15h30, no iBT &#8211; Instituto Brasileiro de Teatro (1\u00ba andar), com entrada gratuita e reserva de ingresso pela Sympla. Re\u00fane Ivana Moura, Kil Abreu, Luciana Romagnoli, Marcos Alexandre, Wellington Junior e Valmir Santos para irradiar sobre os espa\u00e7os de autonomia para a cr\u00edtica teatral contempor\u00e2nea, a precariza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do of\u00edcio, as rela\u00e7\u00f5es entre autonomia e dissenso, e o lugar da cr\u00edtica na esfera p\u00fablica brasileira, etc.<\/p>\n<p>A segunda mesa, <strong><em>Cenas Contempor\u00e2neas: Panoramas Cr\u00edticos<\/em><\/strong>, ocorre em 15 de mar\u00e7o, domingo, das 13h \u00e0s 14h, no TUSP, tamb\u00e9m com entrada gratuita e reserva pela Sympla, propondo que integrantes da <strong><em>Pr\u00e1tica da Cr\u00edtica<\/em><\/strong> debatam aspectos dos espet\u00e1culos apresentados e, a partir deles, quest\u00f5es est\u00e9tico-pol\u00edticas sobre a cena teatral contempor\u00e2nea. Participam Amilton de Azevedo, Artur Kon, Daniel Guerra&nbsp; e Malu Barsanelli&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_27821\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/1772811694675134-e1772811779917.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-27821\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-27821\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/1772811694675134-e1772811779917.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"347\"><\/a><p id=\"caption-attachment-27821\" class=\"wp-caption-text\">Guilherme Marques e Antonio Ara\u00fajo. Foto Silvia Machado \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Apesar da pot\u00eancia curatorial e das novidades, um velho fantasma assombra os bastidores da <em><strong>MITsp<\/strong><\/em>: a precariedade financeira estrutural que define &#8211; e limita &#8211; cada decis\u00e3o tomada. Guilherme Marques exp\u00f5e a fratura entre o desejo e a realidade. Com um or\u00e7amento captado de R$ 3,7 milh\u00f5es, o festival opera com menos de 30% do que seria necess\u00e1rio (R$ 13 milh\u00f5es) para cumprir sua voca\u00e7\u00e3o original de apresentar 15 produ\u00e7\u00f5es nacionais e 15 internacionais. Essa realidade imp\u00f5e uma curadoria oculta, ditada n\u00e3o apenas pela relev\u00e2ncia art\u00edstica, mas pelo custo.<\/p>\n<p>O que torna essa situa\u00e7\u00e3o ainda mais reveladora \u00e9 a estrutura de financiamento que a sustenta. Diferentemente de festivais europeus como Avignon &#8211; que operam com \u20ac17 milh\u00f5es (cerca de R$ 105 milh\u00f5es) em grande parte subsidiados pelo Estado &#8211; a <em><strong>MITsp<\/strong> <\/em>depende fundamentalmente de capta\u00e7\u00e3o privada. Essa diferen\u00e7a de escala vai al\u00e9m da quest\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria, ela define modelos distintos de autonomia curatorial, de capacidade de risco art\u00edstico e de possibilidade de experimenta\u00e7\u00e3o. A <em><strong>MITsp<\/strong> <\/em>persiste apesar de. Persiste apesar da escassez, apesar de um sistema que for\u00e7a seus curadores a negociar &#8220;o tamanho da parceria&#8221; com a cr\u00edtica, com os artistas, com a pr\u00f3pria possibilidade de exist\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Servi\u00e7o<br \/>\nMITsp &#8211; Mostra Internacional de Teatro de S\u00e3o Paulo &#8211; 11\u00aa Edi\u00e7\u00e3o<br \/>\n06 a 15 de mar\u00e7o de 2026<br \/>\nPrograma\u00e7\u00e3o completa no site www.mitsp.org<\/h2>\n<div id=\"attachment_27822\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-06-at-13.00.37-e1772813005959.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-27822\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-27822\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-06-at-13.00.37-e1772813005959.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"672\"><\/a><p id=\"caption-attachment-27822\" class=\"wp-caption-text\">Identidade visual criada pelo designer pernambucano H\u00e9lter Pess\u00f4a<\/p><\/div>\n<ul>\n<li>\n<h3>A cobertura da MITsp que ser\u00e1 realizada pelo <em>Satisfeita, Yolanda?<\/em> s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel gra\u00e7as a a\u00e7\u00e3o entre amigos que colaboraram com apoio afetivo, material e financeiro para o&nbsp; deslocamento, estadia e outras despesas da cr\u00edtica Ivana Moura do Recife para S\u00e3o Paulo.<br \/>\nAgradecemos ao apoio e \u00e0 parceria de Paula de Renor, Carla Estefan, Nilza Lisboa, Ricardo Flor\u00eancio, Ronaldo Correia de Brito, Andr\u00e9 Brasileiro, Tadeu Gondim, Lina Rosa Vieira, Pollyanna Diniz, Carla Valen\u00e7a, Marcelo Canuto, Arquimedes Amaro, Eneida Moura, Elisabete Moura, Eliane Moura, Everson Melqu\u00edades, Dione Barreto, Maria Paula Costa R\u00eago, Cida Pedrosa, Silvia Sabadell, Ely Anna Oliveira, Ana Paula Andrade, F\u00e1tima Holanda, J\u00fanior Sampaio, Celso Curi, Wesley Kawaai, Silvana Meireles, Inoc\u00eancia Galv\u00e3o&#8230;<\/h3>\n<\/li>\n<li>\n<h3>O <em>Satisfeita, Yolanda?<\/em> passa a aceitar apoios financeiros diretos para sua manuten\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que n\u00e3o dispomos de editais ou outras verbas de suporte neste momento. Quem desejar colaborar com esta casa, que completa 15 anos exist\u00eancia neste ano de 2026, pode depositar qualquer valor na chave PIX (81) 99996-2372.<br \/>\nArigato!<\/h3>\n<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Onze anos incendi\u00e1rios. Assim a MITsp \u2013 Mostra Internacional de Teatro de S\u00e3o Paulo se apresenta em 2026 como uma chama que resiste. 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