{"id":27567,"date":"2025-12-10T13:07:26","date_gmt":"2025-12-10T16:07:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=27567"},"modified":"2025-12-10T17:35:35","modified_gmt":"2025-12-10T20:35:35","slug":"memorias-em-dispersao-critica-ensaio-do-agora-por-ivana-moura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/memorias-em-dispersao-critica-ensaio-do-agora-por-ivana-moura\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias em dispers\u00e3o <\/br> Cr\u00edtica: Ensaio do agora <\/br> Por Ivana Moura"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_27568\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ensaio-do-agora-por-Ricardo_Maciel_61-scaled-e1765369581837.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-27568\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-27568\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ensaio-do-agora-por-Ricardo_Maciel_61-scaled-e1765369581837.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ensaio-do-agora-por-Ricardo_Maciel_61-scaled-e1765369581837.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ensaio-do-agora-por-Ricardo_Maciel_61-scaled-e1765369581837-300x202.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-27568\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Ensaio do agora<\/strong>, com Natali Assun\u00e7\u00e3o, Domingos Jr e Analice Croccia. Foto: Ricardo_Maciel \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>O teatro j\u00e1 testou muita coisa, a ponto de \u00e0s vezes parecer um laborat\u00f3rio saturado. Mas isso n\u00e3o significa que \u201ctudo\u201d foi testado. Em arte, o \u201cnovo\u201d raramente \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o absoluta; nasce da combina\u00e7\u00e3o singular de materiais conhecidos tensionados por um ponto de vista, um contexto, um gesto \u00e9tico, uma regra de jogo e mais\u2026 O in\u00e9dito vem do \u201ccomo\u201d e do \u201cporqu\u00ea\u201d, muito mais do que do \u201co qu\u00ea\u201d.<\/p>\n<p>P\u00f3s-dram\u00e1tico, documental, imersivo, participativo, site-specific, verbatim, teatro-jogo, teatro-cinema, biofic\u00e7\u00e3o\u2026 tudo isso j\u00e1 existe e segue f\u00e9rtil. Ainda assim, cada cria\u00e7\u00e3o reconfigura o campo: quando se escolhem certas regras, tempos, modos de estar com a plateia e um problema \u00e9tico-pol\u00edtico-po\u00e9tico, pode-se criar um dispositivo \u00fanico. Mas que tens\u00e3o ainda n\u00e3o explorada entre dramaturgia, jogo e presen\u00e7a poderia gerar algo \u00edmpar desse arranjo de regras, fric\u00e7\u00f5es e apostas?<\/p>\n<p>Chamemos Zygmunt Bauman e seu conceito de &#8220;modernidade l\u00edquida&#8221;, onde v\u00ednculos e identidades se tornam inst\u00e1veis. Quando as formas se dissolvem rapidamente, o desafio art\u00edstico se desloca: como criar presen\u00e7as duradouras em um mundo que privilegia o escorregamento?<\/p>\n<p>Byung\u2011Chul Han aprofunda o diagn\u00f3stico ao mostrar como a &#8220;sociedade do cansa\u00e7o&#8221; esvazia a experi\u00eancia atrav\u00e9s da hiperatividade. \u00c9 preciso negatividade: pausas, sil\u00eancio, ritmos que prolonguem a combust\u00e3o do sentido. Sem intervalos, n\u00e3o h\u00e1 resson\u00e2ncia (conceito de Hartmut Rosa) &#8211; aqueles momentos em que o mundo nos toca e respondemos, criando vibra\u00e7\u00e3o transformadora.<\/p>\n<p>\u00c9 a partir dessas premissas que analiso o espet\u00e1culo Ensaio do agora, exibido no <em><strong>OFFRec 2025<\/strong><\/em> compondo a programa\u00e7\u00e3o do <strong><em>24\u00ba Festival Recife do Teatro Nacional<\/em><\/strong>. A pe\u00e7a faz parte do projeto Contornos do tempo, com idealiza\u00e7\u00e3o e pesquisa de Natali Assun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_27573\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ensaio-do-agora-por-Ricardo_Maciel_242-scaled-e1765371824881.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-27573\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-27573\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ensaio-do-agora-por-Ricardo_Maciel_242-scaled-e1765371824881.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"415\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ensaio-do-agora-por-Ricardo_Maciel_242-scaled-e1765371824881.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ensaio-do-agora-por-Ricardo_Maciel_242-scaled-e1765371824881-300x208.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-27573\" class=\"wp-caption-text\">Natali Assun\u00e7\u00e3o, Domingos Jr numa cena de DR. Ricardo_Maciel \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>A cenografia disp\u00f5e mesa lateral, tel\u00e3o central com proje\u00e7\u00f5es e figurinos esportivos luminosos dos anos 1970, criando anacronismo visual. Os tr\u00eas atores &#8211; Analice Croccia, Domingos Jr e Natali Assun\u00e7\u00e3o &#8211; vestem esses figurinos que remetem a uma est\u00e9tica retr\u00f4.<\/p>\n<p>Anunciado como espet\u00e1culo documental nascido de conversas com nove mulheres 60+, a obra se prop\u00f5e a investigar narrativas reais de afeto, dor, desejo, trabalho, cuidado e reinven\u00e7\u00e3o. A quest\u00e3o central \u00e9 criar estruturas que sustentem o encontro com as vozes que chegam e com quem as escuta.<\/p>\n<p>A dramaturgia, constru\u00edda pelos tr\u00eas int\u00e9rpretes, estabelece um &#8220;entrelugar&#8221;. Natali Assun\u00e7\u00e3o revela que come\u00e7ou essa hist\u00f3ria com muitas d\u00favidas e algumas certezas. &#8220;As d\u00favidas v\u00e3o se multiplicando\u2026 e, com sorte, vamos sair daqui com mais perguntas do que respostas. [&#8230;] Eu falaria sobre as hist\u00f3rias de nove mulheres acima de 60 anos e tamb\u00e9m sobre a vida da escritora Sylvia Plath que se matou aos 30\u2026mas na sala de ensaio, como \u00e9 de costume, as coisas tomaram outros rumos&#8221;. Essa confiss\u00e3o metateatral sobre as metamorfoses do processo criativo poderia ter sido explorada como estrat\u00e9gia dramat\u00fargica central, transformando a instabilidade do processo em material c\u00eanico.<\/p>\n<p>Os depoimentos reconstitu\u00eddos em cena ou exibidos em grava\u00e7\u00f5es revelam momentos de genu\u00edna pot\u00eancia dram\u00e1tica. A mem\u00f3ria de Maria Jos\u00e9, que aos 17 anos se apaixonou por Amaro, de 25, mas foi impedida pelo pai de viver esse romance e for\u00e7ada a casar-se com outro homem, \u00e9 atravessada por uma melancolia que ressoa d\u00e9cadas depois. Sua reflex\u00e3o sobre &#8220;n\u00e3o ter tido tempo para si&#8221; ecoa as limita\u00e7\u00f5es impostas \u00e0s mulheres de sua gera\u00e7\u00e3o (e n\u00e3o somente), criando um di\u00e1logo t\u00e1cito com quest\u00f5es feministas contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da &#8220;penca de balangand\u00e3s&#8221; de Vera atua como uma poderosa met\u00e1fora hist\u00f3rica. O objeto &#8211; originalmente usado por mulheres escravizadas que compravam sua alforria atrav\u00e9s de pagamentos representados por frutas adicionadas \u00e0 penca &#8211; conecta mem\u00f3ria pessoal e hist\u00f3ria coletiva, movendo individual e pol\u00edtico em uma imagem marcante.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria de Raquel, que encontrou no teatro um ref\u00fagio contra o preconceito, especialmente atrav\u00e9s do acolhimento de Guilherme Coelho no Grupo Vivencial, constr\u00f3i um testemunho que dialoga diretamente com o pr\u00f3prio meio teatral. J\u00e1 a mem\u00f3ria narrada por Analice sobre abuso infantil, fuga para o convento e descoberta salvadora do teatro atinge picos de for\u00e7a expressiva.<\/p>\n<p>Contudo, essas hist\u00f3rias preciosas s\u00e3o constantemente interrompidas por procedimentos que fragmentam a experi\u00eancia sem criar uma din\u00e2mica produtiva de tens\u00f5es. O &#8220;jogo de perguntas e respostas&#8221; com metr\u00f4nomo a 60 BPM e o olhar pendular das atrizes criam um ritmo hipn\u00f3tico que poderia funcionar como contraponto \u00e0s narrativas, mas acaba sendo mais um elemento na satura\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias.<\/p>\n<div id=\"attachment_27571\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ensaio-do-agora-por-Ricardo_Maciel_110-scaled-e1765371555635.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-27571\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-27571\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ensaio-do-agora-por-Ricardo_Maciel_110-scaled-e1765371555635.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"378\"><\/a><p id=\"caption-attachment-27571\" class=\"wp-caption-text\">O que seria um document\u00e1rio sobre nove mulheres 60+ atravessado pela poesia de Sylvia Plath ganhou outros rumos na sala de ensaio Foto: Ricardo_Maciel \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_27572\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ensaio-do-agora-por-Ricardo_Maciel_83-scaled-e1765371612412.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-27572\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-27572\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ensaio-do-agora-por-Ricardo_Maciel_83-scaled-e1765371612412.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"421\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ensaio-do-agora-por-Ricardo_Maciel_83-scaled-e1765371612412.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ensaio-do-agora-por-Ricardo_Maciel_83-scaled-e1765371612412-300x211.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-27572\" class=\"wp-caption-text\">Mem\u00f3rias entrela\u00e7adas de um anivers\u00e1rio. Foto: Ricardo_Maciel \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>A ideia de que o presente \u00e9 um campo de for\u00e7as encontra na poeta Sylvia Plath (1932-1963) um contraponto estrat\u00e9gico. Ensaio do agora investiga o que se acumula e o que se apaga, o que d\u00f3i e o que pulsa, como o passado se insinua no hoje e como o hoje reinscreve o passado. Esse contraste entre intensidade breve e dura\u00e7\u00e3o longa poderia funcionar como mecanismo de refigura\u00e7\u00e3o, criando anacronismos que fazem o passado cintilar no presente.<\/p>\n<p>No entanto, ao assistir \u00e0 montagem, a ambi\u00e7\u00e3o conceitual da dramaturgia n\u00e3o se sustenta na transposi\u00e7\u00e3o c\u00eanica. A tentativa de dar conta de tantos assuntos, quest\u00f5es e procedimentos resulta numa experi\u00eancia que n\u00e3o entrega o que promete.<\/p>\n<p>Particularmente revelador \u00e9 o momento em que a dramaturgia confessa que a cena do jogo de audit\u00f3rio &#8220;foi constru\u00edda com o aux\u00edlio de intelig\u00eancia artificial&#8221; e que &#8220;o elenco tem emo\u00e7\u00f5es conflitantes sobre isso&#8221;. Essa transpar\u00eancia, embora interessante como gesto \u00e9tico, exemplifica a &#8220;positividade&#8221; excessiva de que fala Byung\u2011Chul Han: quando tudo deve ser dito, a experi\u00eancia teatral se aproxima de um relat\u00f3rio de processo criativo. A tentativa de \u201cabarcar o mundo\u201d de possibilidades, embora bem-intencionada, diluiu a pot\u00eancia dos elementos individuais.<\/p>\n<div id=\"attachment_27576\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ensaio-do-agora-por-Ricardo_Maciel_15-scaled-e1765373423899.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-27576\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-27576\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ensaio-do-agora-por-Ricardo_Maciel_15-scaled-e1765373423899.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"543\"><\/a><p id=\"caption-attachment-27576\" class=\"wp-caption-text\">Tricilomelo, uma brincadeira com as m\u00e3os que chama o p\u00fablico jovem para participar<\/p><\/div>\n<p>Parecia que a minha cr\u00edtica tinha terminado, mas resolvi esticar mais um pouquinho o texto.&nbsp;<\/p>\n<p>A aproxima\u00e7\u00e3o do elenco com a plateia se inicia j\u00e1 na entrada do p\u00fablico, com a organiza\u00e7\u00e3o da cena, escolha de playlist colaborativa e o tricilomelo. S\u00e3o op\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas para estabelecer um &#8220;encontro&#8221;, mas a experi\u00eancia revelou os riscos inerentes de escolhas mal calibradas.<\/p>\n<p>Quando solicitada a sugerir uma m\u00fasica, uma espectadora prop\u00f5e Naquela Mesa (can\u00e7\u00e3o gravada por Nelson Gon\u00e7alves em 1974), que \u00e9 prontamente executada. Posteriormente, um dos atores comenta que a m\u00fasica era &#8220;lenta&#8221;, gerando constrangimento para quem havia feito a sugest\u00e3o de boa-f\u00e9. Esse epis\u00f3dio exemplifica uma &#8220;fratura do pacto&#8221;, pois a espectadora se sentiu julgada publicamente como hierarquia de gosto, minando a conex\u00e3o que a encena\u00e7\u00e3o pretendia estabelecer. Similarmente, a convoca\u00e7\u00e3o da &#8220;juventude Mucilon&#8221; para a brincadeira do tricilomelo enquanto a encena\u00e7\u00e3o se professa falar de &#8220;mulheres velhas&#8221;, refor\u00e7a as divis\u00f5es geracionais dentro da audi\u00eancia. O tricilomelo \u00e9 um jogo com as m\u00e3os, que se assemelha a outros muito parecidos de gera\u00e7\u00f5es anteriores, mas \u00e9 apregoado com uma grande novidade.&nbsp;<\/p>\n<p>A formata\u00e7\u00e3o de &#8220;programa de audit\u00f3rio&#8221; chamado <em>Agora<\/em> se prop\u00f5e a ironizar a espetaculariza\u00e7\u00e3o da vida e a banaliza\u00e7\u00e3o de urg\u00eancias sociais. As perguntas sobre carga hor\u00e1ria, ganhos de entregadores, expectativa de vida de mulheres trans e cach\u00eas de artistas transformam a cena num tribunal pop, mas o humor n\u00e3o ganha a voltagem cr\u00edtica pretendida.<\/p>\n<p>Num dos quadros, identifiquei na interpreta\u00e7\u00e3o de Domingos Jr. um pastiche que remete \u00e0 atua\u00e7\u00e3o de Erivaldo Oliveira em montagens do Magiluth, como <em>Ensaio N\u00ba 1 \u2013 Morte e Vida<\/em> e <em>\u00c9dipo Rec<\/em>. A vocaliza\u00e7\u00e3o, entona\u00e7\u00e3o, pausas caracter\u00edsticas e o uso da sineta como se fosse um leque tra\u00e7am intertextualidade e sugere a influ\u00eancia do Magiluth na constru\u00e7\u00e3o c\u00eanica. Mas essa refer\u00eancia se dilui na constante varia\u00e7\u00e3o tonal entre ludicidade e trauma.<\/p>\n<p>As quest\u00f5es de temporalidade ganham complexidade na presen\u00e7a da poesia de Sylvia Plath, introduzida como contraponto entre intensidade breve (Plath, que partiu aos 30) com a dura\u00e7\u00e3o longa (mulheres que sustentam d\u00e9cadas de vida), mas essa pot\u00eancia permanece n\u00e3o realizada na sua totalidade.<\/p>\n<p>No 24\u00ba Festival Recife do Teatro Nacional, Ensaio do agora espelha nosso tempo fragmentado, mas falha em transformar essa fragmenta\u00e7\u00e3o em cr\u00edtica. Ao tentar abarcar todas as urg\u00eancias contempor\u00e2neas, o espet\u00e1culo perdeu a oportunidade de criar aquele momento de resson\u00e2ncia em que somos tocados e respondemos, deixando as preciosas hist\u00f3rias das nove mulheres soterradas numa encena\u00e7\u00e3o que n\u00e3o soube honrar sua pr\u00f3pria riqueza documental.<\/p>\n<p><strong>* A cobertura cr\u00edtica da programa\u00e7\u00e3o do 24\u00ba Festival Recife do Teatro Nacional \u00e9 apoiada pela Prefeitura do Recife.<\/strong><\/p>\n<h2>Ficha T\u00e9cnica&nbsp;<\/h2>\n<p><em><strong>Ensaio do Agora<\/strong><\/em><br \/>\n<strong>com<\/strong> Analice Croccia, Domingos J\u00fanior, Natali Assun\u00e7\u00e3o<br \/>\n<strong>Idealiza\u00e7\u00e3o e pesquisa<\/strong>: Natali Assun\u00e7\u00e3o<br \/>\n<strong>Cria\u00e7\u00e3o de luz e de v\u00eddeo<\/strong>: Canela Vermelha\/Domingos J\u00fanior<br \/>\n<strong>Edi\u00e7\u00e3o compila\u00e7\u00e3o das mulheres<\/strong>: Neto Soares<br \/>\n<strong>Edi\u00e7\u00e3o para as proje\u00e7\u00f5es e trilha sonora<\/strong>: Heidi Trindade<br \/>\n<strong>Arte<\/strong>: Analice Croccia<br \/>\n<strong>Figurino<\/strong>: Gabriela Holanda<br \/>\n<strong>Assist\u00eancia de produ\u00e7\u00e3o<\/strong>: Duda Ara\u00fajo<br \/>\n<strong>Produ\u00e7\u00e3o<\/strong>: Analice Croccia, Domingos Jr. e Natali Assun\u00e7\u00e3o<br \/>\n<strong>Realiza\u00e7\u00e3o<\/strong>: Mem\u00f3ria em chamas\/Natali Assun\u00e7\u00e3o<\/p>\n<div id=\"attachment_27575\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ensaio-do-agora-por-Ricardo_Maciel_350-scaled-e1765373321915.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-27575\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-27575 size-full\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ensaio-do-agora-por-Ricardo_Maciel_350-scaled-e1765373321915.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"660\"><\/a><p id=\"caption-attachment-27575\" class=\"wp-caption-text\">Domingos Jr. em cena do espet\u00e1culo <strong><em>Ensaio do Agora.<\/em><\/strong> Foto: Foto: Ricardo_Maciel \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O teatro j\u00e1 testou muita coisa, a ponto de \u00e0s vezes parecer um laborat\u00f3rio saturado. 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