{"id":27465,"date":"2025-11-26T12:16:55","date_gmt":"2025-11-26T15:16:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=27465"},"modified":"2025-11-26T12:17:40","modified_gmt":"2025-11-26T15:17:40","slug":"teatro-que-reescreve-a-historia-critica-restinga-de-canudos-por-pollyanna-diniz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/teatro-que-reescreve-a-historia-critica-restinga-de-canudos-por-pollyanna-diniz\/","title":{"rendered":"Teatro que reescreve a hist\u00f3ria <\/br> Cr\u00edtica: Restinga de Canudos <\/br> Por Pollyanna Diniz*"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_27468\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/teatro-que-reescreve-a-historia-critica-restinga-de-canudos-por-pollyanna-diniz\/restinga-de-canudos-1-marcos-pastich\/\" rel=\"attachment wp-att-27468\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-27468\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-27468\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/RESTINGA-DE-CANUDOS-1-MARCOS-PASTICH-scaled-e1764166453393.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-27468\" class=\"wp-caption-text\">Restinga de Canudos, da Cia do Tijolo, no Festival Recife do Teatro Nacional. Foto: Marcos Pastich<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cNordeste \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o. Nordeste nunca houve! N\u00e3o! Eu n\u00e3o sou do lugar dos esquecidos. N\u00e3o sou da na\u00e7\u00e3o dos condenados! N\u00e3o sou do sert\u00e3o dos ofendidos!\u201d. No final da d\u00e9cada de 1970, seis anos antes do fim da ditadura militar no Brasil, Belchior lan\u00e7ava <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Conhe\u00e7o o meu lugar<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Um dos versos cita \u201cBotas de sangue na roupa de Lorca\u201d, em refer\u00eancia ao poeta e dramaturgo Federico Garc\u00eda Lorca, assassinado por militares durante a guerra civil espanhola em 1936. Na noite de domingo de 23 de novembro de 2025, o ator e diretor Dinho Lima Flor, nascido em Tacaimb\u00f3, no Agreste pernambucano, morador da cidade de S\u00e3o Paulo h\u00e1 mais de 30 anos, emprestou sua voz \u00e0 m\u00fasica de Belchior no Teatro Luiz Mendon\u00e7a, no bairro de Boa Viagem, capital pernambucana.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em poucos minutos, a apresenta\u00e7\u00e3o \u00fanica da pe\u00e7a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Restinga de Canudos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, da Cia do Tijolo, no Festival Recife do Teatro Nacional, que durou cerca de tr\u00eas horas, iria acabar, mas continuaria ressoando. Requerendo o direito \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o e \u00e0 poesia. Entrela\u00e7ando o tempo da mem\u00f3ria, do presente e de um futuro que qui\u00e7\u00e1 possamos inventar. Revisando o passado como o conhecemos, como nos foi contado nos livros did\u00e1ticos e nos jornais. Reivindicando o direito de enterrar corpos \u2013 e cabe\u00e7as decapitadas \u2013 de brasileiros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&nbsp;A hist\u00f3ria, nos lembra o texto do espet\u00e1culo, est\u00e1 acontecendo agora e logo ali pertinho: \u00e9 s\u00f3 voltar uma m\u00e3e, uma av\u00f3, uma bisav\u00f3. Nesse movimento, estamos de frente para pessoas pretas escravizadas no Brasil. Estamos diante da Lei de Terras, de 1850, que beneficiou latifundi\u00e1rios e impediu o acesso dos negros \u00e0s terras. Vemos a comunidade de Belo Monte, liderada por Ant\u00f4nio Conselheiro, tomar forma em 1893, no Sert\u00e3o da Bahia. As tentativas de massacre a partir de 1896 pelo Ex\u00e9rcito brasileiro do povo que se reuniu ali. O exterm\u00ednio de 25 mil pessoas em dois anos, 1896 e 1897. O lan\u00e7amento do livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Os Sert\u00f5es<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, publicado cinco anos depois, que transformaria essa hist\u00f3ria \u2013 qual hist\u00f3ria mesmo? A partir de qual vi\u00e9s? \u2013 em literatura e tornaria seu autor, Euclides da Cunha, defensor da Rep\u00fablica e do progresso, imortal da Academia Brasileira de Letras e membro do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico Brasileiro.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Restinga de Canudos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> nos coloca hoje, de frente ao a\u00e7ude Cocorob\u00f3 \u2013 como diz uma das m\u00fasicas in\u00e9ditas da trilha sonora \u2013 , que inundou Belo Monte em 1969, durante a ditadura civil-militar. No site do Departamento Nacional de Obras Contras as Secas, vinculado ao Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o e do Desenvolvimento Regional, a inunda\u00e7\u00e3o de Canudos n\u00e3o \u00e9 questionada: s\u00e3o apresentadas vers\u00f5es de especialistas que dizem que aquele seria o melhor lugar para a constru\u00e7\u00e3o da barragem. Pelo contr\u00e1rio, h\u00e1 um tom de celebra\u00e7\u00e3o do \u201cmovimento da vida, onde antes era seca, passou a ser fonte de \u00e1gua e subsist\u00eancia para o povo sertanejo\u201d. N\u00e3o bastava exterminar a popula\u00e7\u00e3o de Belo Monte. Era preciso inund\u00e1-la, apag\u00e1-la, faz\u00ea-la desaparecer. E ainda usar para isso a rela\u00e7\u00e3o entre a seca, que ajudou a construir a ideia que o Brasil possui de Nordeste, e a \u00e1gua, que chega gra\u00e7as \u00e0 \u201cbenevol\u00eancia\u201d do Estado brasileiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pe\u00e7a da Cia do Tijolo mergulha em Canudos e, ao fazer isso, mergulha dentro da gente \u2013 diz o texto se referindo \u00e0 equipe que se dedicou a erguer o trabalho a partir de estudos e ensaios que levaram mais de um ano. Criada em 2008, com integrantes oriundos de grupos significativos da cena de S\u00e3o Paulo, especialmente o Ventoforte, a Cia do Tijolo \u00e9 um coletivo de teatro de pesquisa que pode ser caracterizado pela verticaliza\u00e7\u00e3o das suas investiga\u00e7\u00f5es, que perpassam a rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica, e que resultam em trabalhos c\u00eanicos que, geralmente, possuem tempo expandido.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O espet\u00e1culo de estreia, de 2008, era sobre Patativa do Assar\u00e9 e, desde ent\u00e3o, se dedicaram a figuras hist\u00f3ricas como Federico Garcia Lorca, Paulo Freire, Dom Helder C\u00e2mara, montaram a obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Guar\u00e1 Vermelha<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, de Maria Val\u00e9ria Rezende e, agora, esquadrinharam a Guerra de Canudos. O primeiro trabalho de rua do grupo, estreado em 2022, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Corteja Paulo Freire<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, foi apresentado no Parque Dona Lindu, no s\u00e1bado, 22 de novembro, tamb\u00e9m dentro da programa\u00e7\u00e3o do festival.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Restinga de Canudos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, estavam em cena no Recife <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Dinho Lima Flor, Rodrigo Mercadante, Karen Menatti, Maria Alencar, Jaque da Silva, Artur Mattar, Danilo Nonato, Vanessa Petroncari, Leandro Goulart e Jo\u00e3o Bertolai, al\u00e9m dos m\u00fasicos Marcos Coin, Nanda Guedes e Ju Vieira. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Alguns elementos s\u00e3o marcantes na constru\u00e7\u00e3o c\u00eanica do espet\u00e1culo, como a m\u00fasica, inclusive com composi\u00e7\u00f5es autorais de Jonathan Silva; e o cen\u00e1rio, que tem assinatura da companhia e de Douglas Vendramini, cujo principal elemento \u00e9 o bambu, v\u00e1rios deles, movimentados pelo elenco a cada cena.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O espet\u00e1culo come\u00e7a celebrando a possibilidade de exist\u00eancia instaurada pelo arraial de Belo Monte. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Antes de ser guerra, Canudos era festa, diz o texto. Mesa farta com promessa de man\u00e1s: o cuscuz com leite foi compartilhado entre todos da plateia logo no in\u00edcio do espet\u00e1culo. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">De mala e cuia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, forr\u00f3 de Fl\u00e1vio Leandro, famoso na voz de Fl\u00e1vio Jos\u00e9, e agora na regrava\u00e7\u00e3o do projeto<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> Dominguinho<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, de Jo\u00e3o Gomes, Mestrinho e Jota.P\u00ea, tocado e cantado pelo grupo, lembrou que nesse arraial sobra espa\u00e7o para quem estiver disposto a chegar e a compartilhar. Onde come 1, comem 2, comem 3, se a l\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 a neoliberal. As cenas partem da festa, mas podem se transformar em aulas das professoras de Belo Monte, em emboscadas no meio do Sert\u00e3o, em encontros in\u00e9ditos de personagens hist\u00f3ricos.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_27469\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/teatro-que-reescreve-a-historia-critica-restinga-de-canudos-por-pollyanna-diniz\/restinga-de-canudos-2-marcos-pastich\/\" rel=\"attachment wp-att-27469\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-27469\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-27469\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/RESTINGA-DE-CANUDOS-2-MARCOS-PASTICH-scaled-e1764166602995.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-27469\" class=\"wp-caption-text\">Dinha Lima Flor interpreta Ant\u00f4nio Conselheiro. Foto: Marcos Pastich<\/p><\/div>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Restinga de Canudos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 teatro que reescreve a hist\u00f3ria. O espet\u00e1culo n\u00e3o se contenta com as vers\u00f5es oficiais: a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 escovar a hist\u00f3ria a contrapelo, como prop\u00f5e Walter Benjamin, questionando a historiografia, se insurgindo contra as l\u00f3gicas que decantaram e foram repetidas ao longo das d\u00e9cadas. Trata-se de instaurar um ambiente de exerc\u00edcio dial\u00e9tico, que prop\u00f5e o questionamento e a tomada de posi\u00e7\u00e3o ao espectador. O que fazer, por exemplo, com um capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito que assassinou, sem motivos, a sangue frio, um jovem preto? A viol\u00eancia da vingan\u00e7a seria capaz de aplacar o desejo por justi\u00e7a?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse processo de investigar a hist\u00f3ria, encontros se tornam poss\u00edveis gra\u00e7as \u00e0 fic\u00e7\u00e3o. Duas professoras de Belo Monte \u2013 professoras em tempos de paz, combatentes e enfermeiras em tempos de guerra \u2013, interpretadas por Karen Menatti e Maria Alencar, personagens&nbsp; respons\u00e1veis por narrar a hist\u00f3ria, t\u00eam a chance de se encontrar e discutir com Euclides da Cunha, vivido por Rodrigo Mercadante, enviado pelo jornal O Estado de S. Paulo em 1897 para cobrir a Guerra de Canudos. Foram dois meses de cobertura, textos publicados sob a categoriza\u00e7\u00e3o de \u201cDi\u00e1rio de uma expedi\u00e7\u00e3o\u201d. Desse tempo, Euclides da Cunha esteve em Salvador por 23 dias, esperando autoriza\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito para seguir para a regi\u00e3o do conflito. As duas atrizes e o ator que fazem a cena desse debate desceram do palco para que a discuss\u00e3o se desse na plateia, em meio aos espectadores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que se revela nessa conversa \u00e9 a imagem de dois Brasis: o Norte do atraso e do messianismo (O Nordeste seria institu\u00eddo em 1941, na primeira divis\u00e3o regional do Brasil, e abrangia os estados de Alagoas, Para\u00edba, Rio Grande do Norte, Cear\u00e1 e Pernambuco) e o Sul do progresso e da civiliza\u00e7\u00e3o (o Sudeste s\u00f3 foi oficializado em 1970). O primeiro seria miscigenado, o outro, branco, mesmo que essa brancura n\u00e3o fosse necessariamente comprovada pela apar\u00eancia f\u00edsica. S\u00e3o ideias e oposi\u00e7\u00f5es de Brasis que o livro de Euclides da Cunha, mesmo que tenha assumido a barb\u00e1rie da Rep\u00fablica em Belo Monte, ajudou a estruturar, assim como a pr\u00f3pria ideia do que viria a ser o Nordeste.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_27470\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/teatro-que-reescreve-a-historia-critica-restinga-de-canudos-por-pollyanna-diniz\/restinga-de-canudos-3-marcos-pastich\/\" rel=\"attachment wp-att-27470\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-27470\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-27470\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/RESTINGA-DE-CANUDOS-3-MARCOS-PASTICH-scaled-e1764166751794.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-27470\" class=\"wp-caption-text\">Coletivo reconta a hist\u00f3ria do arraial de Belo Monte. Foto: Marcos Pastich<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO sertanejo \u00e9 antes de tudo um forte\u201d, trecho de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Os Sert\u00f5es<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> que se tornou m\u00e1xima, n\u00e3o diz tudo sobre a categoriza\u00e7\u00e3o de sertanejo que o autor propunha. \u00c9 preciso ler o trecho inteiro, se deparar com o preconceito em rela\u00e7\u00e3o aos \u201cmesti\u00e7os neurast\u00eanicos do Litoral\u201d, e \u00e0 apar\u00eancia e postura do sertanejo, \u201cH\u00e9rcules quas\u00edmodo\u201d. Para Euclides da Cunha, o progresso inevit\u00e1vel trazido pela Rep\u00fablica livraria o povo da loucura messi\u00e2nica. As professoras prop\u00f5em outra forma de organiza\u00e7\u00e3o social e discutem a validade desse progresso que esmaga as popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em determinado momento, uma cis\u00e3o na fic\u00e7\u00e3o se estabelece. A encena\u00e7\u00e3o \u00e9 momentaneamente suspensa para abrir espa\u00e7o ao ensino formal. Em cada apresenta\u00e7\u00e3o, uma professora \u00e9 convidada pela produ\u00e7\u00e3o para subir ao palco e falar sobre Canudos. Aqui no Recife, a convidada foi a professora de literatura Renata Pimentel, que fez um percurso inspirador indo de Silvia Federici e da inven\u00e7\u00e3o do amor rom\u00e2ntico que nos subjuga como mulheres ao patriarcado, passando pelas guerreiras de Tejucupapo, pela resist\u00eancia \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o, seja qual for a l\u00edngua do colonizador, por Paulo Freire e por Ant\u00f4nio Bispo dos Santos que, inclusive, \u00e9 citado no texto do espet\u00e1culo, na aproxima\u00e7\u00e3o entre coloniza\u00e7\u00e3o e adestramento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Depois desse momento, a encena\u00e7\u00e3o volta a se estruturar, numa opera\u00e7\u00e3o dif\u00edcil de retomada, que se potencializa gra\u00e7as a mais um encontro ficcional: Ant\u00f4nio Conselheiro e Euclides da Cunha. Dinho Lima Flor e Rodrigo Mercadante, em atua\u00e7\u00f5es sens\u00edveis e tocantes. Mas \u00e9 preciso falar das mulheres nesse espet\u00e1culo, de Karen Menatti, de sua voz e atua\u00e7\u00e3o lindas; da versatilidade, coragem e compet\u00eancia de Maria Alencar, substituta de Od\u00edlia Nunes, pernambucana que n\u00e3o conseguiu participar desta apresenta\u00e7\u00e3o. E de todos os \u00f3timos atores que assumem pap\u00e9is coadjuvantes, mas que s\u00e3o esteio nesse espet\u00e1culo que funciona como uma ciranda, tem cad\u00eancia, tem respiro, tem profundidade, demanda tempo de exist\u00eancia. Jonathan Silva, m\u00fasico e compositor das m\u00fasicas in\u00e9ditas do espet\u00e1culo, tamb\u00e9m n\u00e3o conseguiu estar no Recife e faz falta, mas o grupo contou com m\u00fasicos \u00f3timos que assumem a tarefa de transformar m\u00fasica em dramaturgia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O espet\u00e1culo da Cia do Tijolo \u00e9 um mergulho duro e l\u00facido na nossa hist\u00f3ria e, ao mesmo tempo, l\u00fadico, po\u00e9tico, musical, inspirador. \u00c9 emocionante acompanhar tanta gente no palco \u2013 atores e m\u00fasicos \u2013 construindo, desconstruindo e reconstruindo o arraial de Belo Monte com os bambus manejados pelo elenco como se uma dan\u00e7a colaborativa se estabelecesse. \u00c9 o teatro de grupo, de pesquisa, que resiste, que insiste, que faz sentido de existir. Sabe quando voc\u00ea vai ver uma pe\u00e7a e n\u00e3o entende muito bem o porqu\u00ea aquelas pessoas est\u00e3o dedicadas \u00e0quele projeto? Isso n\u00e3o acontece com a Cia do Tijolo: \u00e9 um teatro de pertin\u00eancia para o nosso tempo e \u00e9 lindo de ver.<\/span><\/p>\n<p><strong>*A cobertura cr\u00edtica da programa\u00e7\u00e3o do 24\u00ba Festival Recife do Teatro Nacional \u00e9 apoiada pela Prefeitura do Recife<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>Ficha t\u00e9cnica:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><em>Restinga de Canudos<\/em>, da Cia do Tijolo<br \/>\n<strong>Cria\u00e7\u00e3o e dramaturgia:<\/strong> Dinho Lima Flor e Rodrigo Mercadante<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o geral:<\/strong> Dinho Lima Flor<br \/>\n<strong>Elenco:<\/strong> Dinho Lima Flor, Rodrigo Mercadante, Karen Menatti, Maria Alencar, Jaque da Silva, Artur Mattar, Danilo Nonato, Vanessa Petroncari, Leandro Goulart e Jo\u00e3o Bertolai<br \/>\n<strong>M\u00fasicos:<\/strong> Marcos Coin, Nanda Guedes e Ju Vieira<br \/>\n<strong>Movimento e corpo:<\/strong> Viviane Ferreira<br \/>\n<strong>Composi\u00e7\u00f5es originais:<\/strong> Jonathan Silva<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o musical:<\/strong> Cia. do Tijolo e William Guedes<br \/>\n<strong>Desenhos:<\/strong> Artur Mattar<br \/>\n<strong>Cen\u00e1rio:<\/strong> Cia. do Tijolo e Douglas Vendramini<br \/>\n<strong>Assist\u00eancia de cenot\u00e9cnica:<\/strong> Tati Garcez e Gonzalo Dorado<br \/>\n<strong>Figurino:<\/strong> Cia. do Tijolo e Silvana Marcondes<br \/>\n<strong>Ilumina\u00e7\u00e3o:<\/strong> Cia. do Tijolo e Rafael Ara\u00fajo<br \/>\n<strong>Som:<\/strong> Hugo Bispo<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:<\/strong> Garcez Produ\u00e7\u00f5es (Suelen Garcez)<br \/>\n<strong>Produ\u00e7\u00e3o executiva:<\/strong> Suelen Garcez<br \/>\n<strong>Assist\u00eancia de produ\u00e7\u00e3o:<\/strong> Tati Garcez<\/p>\n<div id=\"attachment_27471\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/teatro-que-reescreve-a-historia-critica-restinga-de-canudos-por-pollyanna-diniz\/restinga-de-canudos-4-marcos-pastich\/\" rel=\"attachment wp-att-27471\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-27471\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-27471\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/RESTINGA-DE-CANUDOS-4-MARCOS-PASTICH-scaled-e1764166886983.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-27471\" class=\"wp-caption-text\">A cria\u00e7\u00e3o e a dramaturgia s\u00e3o de Dinho Lima Flor e Rodrigo Mercadante. Foto: Marcos Pastich<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cNordeste \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o. Nordeste nunca houve! N\u00e3o! Eu n\u00e3o sou do lugar dos esquecidos. N\u00e3o sou da na\u00e7\u00e3o dos condenados! N\u00e3o sou do sert\u00e3o dos ofendidos!\u201d. No final da d\u00e9cada de 1970, seis anos antes do fim da ditadura militar no Brasil, Belchior lan\u00e7ava Conhe\u00e7o o meu lugar. 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