{"id":26933,"date":"2025-09-17T17:20:21","date_gmt":"2025-09-17T20:20:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=26933"},"modified":"2025-09-17T17:20:21","modified_gmt":"2025-09-17T20:20:21","slug":"festival-estudantil-chega-aos-22-anos-revelando-talentos-contra-as-adversidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/festival-estudantil-chega-aos-22-anos-revelando-talentos-contra-as-adversidades\/","title":{"rendered":"Festival Estudantil chega aos 22 anos <\/br> revelando talentos contra as adversidades"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_26943\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-17-at-09.39.43-e1758140024517.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26943\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26943\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-17-at-09.39.43-e1758140024517.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"338\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26943\" class=\"wp-caption-text\">Auto da Barca do Inferno<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_26945\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-17-at-09.37.54-e1758140104218.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26945\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26945\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-17-at-09.37.54-e1758140104218.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"441\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26945\" class=\"wp-caption-text\">Ave Guriat\u00e3 encerra o festival<\/p><\/div>\n<p>Recife \u00e9 uma metr\u00f3pole que se orgulha de sua efervesc\u00eancia cultural. Exporta talentos, sedia grandes festivais, movimenta a economia criativa e forma plateias. E, ainda assim, um festival que cumpre um papel p\u00fablico evidente \u2014 dar palco e horizonte a quem est\u00e1 come\u00e7ando \u2014 segue batendo na mesma porta: sem edital espec\u00edfico, sem previsibilidade or\u00e7ament\u00e1ria, sem a seguran\u00e7a m\u00ednima para planejar com dignidade. De novo, a corda estica do lado de quem faz: corre atr\u00e1s de patroc\u00ednios pontuais, favores, cess\u00f5es emergenciais de espa\u00e7o e trabalho volunt\u00e1rio. \u00c9 nesse cen\u00e1rio contradit\u00f3rio que o <em><strong>22\u00ba Festival Estudantil de Teatro e Dan\u00e7a de Pernambuco<\/strong><\/em> (<em><strong>FETED<\/strong><\/em>) retorna ao Teatro Apolo, de 17 a 28 de setembro, carregando nas costas a responsabilidade que poderia (ou deveria?!) ser compartilhada&nbsp;com o poder p\u00fablico.<\/p>\n<p>Dirigido por Pedro Portugal, o <strong><em>Feted<\/em> <\/strong>completa 22 anos como uma ponte fundamental entre a forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica e a profissionaliza\u00e7\u00e3o. O festival re\u00fane grupos de escolas, projetos sociais, ONGs, coletivos independentes e universidades, oferecendo a estudantes e artistas iniciantes a oportunidade de apresentar seus trabalhos em um palco profissional, com toda a estrutura t\u00e9cnica, ilumina\u00e7\u00e3o adequada e, principalmente, diante de um p\u00fablico real.<\/p>\n<p>O <em><strong>Feted<\/strong> <\/em>pode ser encarado como um verdadeiro rito de passagem, tirando obras dos limites das salas de aula e laborat\u00f3rios de cria\u00e7\u00e3o para coloc\u00e1-las sob os holofotes de uma tradicional casa de espet\u00e1culos como o Teatro Apolo. Como destaca Pedro Portugal: &#8220;99% dos meninos e meninas que participam do <strong><em>Festival Estudantil<\/em><\/strong> nunca entraram num teatro&#8221;. Cada espet\u00e1culo apresentado representa meses de trabalho, descobertas, supera\u00e7\u00e3o de limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e, sobretudo, o amadurecimento art\u00edstico de jovens que podem estar definindo seus caminhos profissionais naqueles minutos de palco. E o que come\u00e7ou como um primeiro contato com os palcos profissionais j\u00e1 se transformou em trajet\u00f3rias consolidadas: nomes como <strong>Eduardo Machado<\/strong>, hoje professor e diretor reconhecido, <strong>Rubens Santos<\/strong> e <strong>Alexandre Guimar\u00e3es<\/strong>, que transitam entre teatro, cinema e televis\u00e3o, e o m\u00fasico Martins, todos passaram por esse mesmo ritual de inicia\u00e7\u00e3o no Teatro Apolo antes de construir carreiras s\u00f3lidas no cen\u00e1rio art\u00edstico nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_26939\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-17-at-09.41.41.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26939\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26939\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-17-at-09.41.41-e1758137550844.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26939\" class=\"wp-caption-text\">Jovem Guarda. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_26938\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-17-at-09.43.01-e1758137688771.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26938\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26938\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-17-at-09.43.01-e1758137688771.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"399\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26938\" class=\"wp-caption-text\">Sonho de uma noite de Ver\u00e3o. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_26941\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-17-at-09.42.19-e1758138446316.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26941\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26941\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-17-at-09.42.19-e1758138446316.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"397\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26941\" class=\"wp-caption-text\">P\u00fablico participa do j\u00fari em O sequestro da leitura<\/p><\/div>\n<p>A programa\u00e7\u00e3o 2025 reflete a pluralidade da cena estudantil pernambucana. Abre no dia 17 com <strong><em>Jovem Guarda<\/em><\/strong>, uma viagem nost\u00e1lgica pelos movimentos musicais que marcaram gera\u00e7\u00f5es, e segue alternando entre cl\u00e1ssicos adaptados e cria\u00e7\u00f5es autorais contempor\u00e2neas. <strong><em>Sonho de uma Noite de Ver\u00e3o<\/em><\/strong> traz Shakespeare para o dia 20, enquanto <em><strong>Auto da Barca do Inferno<\/strong><\/em> (27\/09) apresenta Gil Vicente com linguagem nordestina. A dan\u00e7a contempor\u00e2nea marca presen\u00e7a com <strong><em>Anjo Negro<\/em><\/strong>&nbsp;(25\/09), que mescla artes circenses em dez cenas sobre a trajet\u00f3ria de uma mulher negra em busca de identidade.<\/p>\n<p>Quest\u00f5es sociais urgentes marcam algumas montagens. <strong><em>Canto de Negro<\/em><\/strong> (26\/09) celebra ancestralidade e resist\u00eancia afro-brasileira atrav\u00e9s de m\u00fasica, dan\u00e7a e teatro, enquanto <em><strong>As Cr\u00f4nicas dos Gatos Sem Lar<\/strong><\/em> (27\/09) trabalha diversidade e inclus\u00e3o ao apresentar Sophia, uma gatinha com autismo que ensina amizade e empatia. <strong><em>O Sequestro da Leitura<\/em><\/strong> (24\/09) prop\u00f5e um julgamento c\u00eanico onde a pr\u00f3pria plateia participa como j\u00fari, questionando o papel da escola na forma\u00e7\u00e3o de leitores. A programa\u00e7\u00e3o ainda contempla <em><strong>Tr\u00eas Hist\u00f3rias<\/strong><\/em>&nbsp;(21\/09), que ressignifica cl\u00e1ssicos infantis em chave contempor\u00e2nea, abordando desde a pandemia at\u00e9 quest\u00f5es de superficialidade nas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O festival encerra sua programa\u00e7\u00e3o com <strong><em>Ave Gurit\u00e3<\/em><\/strong>, da Turma Citilante, espet\u00e1culo inspirado na obra <strong><em>Um Cordel para Menino<\/em><\/strong>, do poeta Marcus Accioly, e escrito pelo dramaturgo Robson Teles. A montagem, dirigida por Jos\u00e9 Manoel Sobrinho e Samuel Bennaton, \u00e9 resultado do trabalho de cria\u00e7\u00e3o com alunos do Curso de Interpreta\u00e7\u00e3o para Teatro (CIT) do Sesc Santo Amaro \u2014 um curso profissionalizante de dois anos que h\u00e1 d\u00e9cadas forma novos talentos para o mercado cultural pernambucano. A pe\u00e7a destaca a amizade e a <span style=\"font-size: 1rem;\">for\u00e7a da mem\u00f3ria, a <\/span><span style=\"font-size: 1rem;\">conex\u00e3o entre as pessoas e sua terra.<\/span><\/p>\n<p>Pedro Portugal admite, com franqueza, que n\u00e3o faz ideia de como consegue manter o festival funcionando apenas com recursos da bilheteria. Nos \u00faltimos 10 anos, os fomentos a eventos continuados n\u00e3o contemplaram o festival estudantil \u2014 uma iniciativa de apelo espec\u00edfico e talvez sem o glamour das pe\u00e7as comerciais com atores famosos. Mas eles s\u00e3o ainda uma semente de futuro, e este e outros festivais desta natureza precisam ser encarados como investimento cultural-afetivo A pol\u00edtica cultural precisa garantir meios para que quem est\u00e1 come\u00e7ando n\u00e3o desista no primeiro blackout. O Festival estudantil n\u00e3o \u00e9 &#8220;evento de ocasi\u00e3o&#8221;. A cidade fica devendo quando um festival como o <em><strong>Feted<\/strong><\/em> precisa, outra vez, &#8220;fazer na tora&#8221;.<\/p>\n<p><strong>O 22\u00ba Festival Estudantil de Teatro e Dan\u00e7a de Pernambuco acontece de 17 a 28 de setembro de 2025, no Teatro Apolo, Recife. Ingressos: R$ 20,00 (+ R$ 2,50 de taxa) dispon\u00edveis na Sympla.<\/strong><\/p>\n<h2>Programa\u00e7\u00e3o por dia (todas as sess\u00f5es no Teatro Apolo)<\/h2>\n<p><strong>17\/09\/2025 (quarta), 18h<\/strong><br \/>\n\u2022 <strong><em>Jovem Guarda<\/em><\/strong><br \/>\nSinopse: Uma viagem pelos movimentos musicais, \u00eddolos, programas de audit\u00f3rio, amores e costumes que marcaram duas d\u00e9cadas da cultura brasileira. Trazer a Jovem Guarda aos palcos \u00e9 celebrar a mem\u00f3ria de pais, tios, av\u00f3s e de uma gera\u00e7\u00e3o inteira.<\/p>\n<p><strong>18\/09\/2025 (quinta), 19h<\/strong><br \/>\n\u2022<em> Balaio de Mem\u00f3rias<\/em><br \/>\nSinopse: Linguagens variadas para entrela\u00e7ar hist\u00f3rias do grupo Balaio Teatral e de seus ancestrais, do humor f\u00edsico \u00e0 densidade dram\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>19\/09\/2025 (sexta), 19h<\/strong><br \/>\n<em>\u2022 O Sistema Morreu<\/em><br \/>\nSinopse: Num departamento burocr\u00e1tico operado por cinco funcion\u00e1rias \u2014 as \u201cMortes\u201d \u2014 soa a trombeta do Apocalipse. \u00c9 hora de fechar os registros. A internet cai. O sistema morre. Sinais de sabotagem.<\/p>\n<p><strong>20\/09\/2025 (s\u00e1bado), 16h<\/strong><br \/>\n<em>\u2022 Sonho de uma Noite de Ver\u00e3o<\/em><br \/>\nSinopse: Adapta\u00e7\u00e3o de Shakespeare. H\u00e9rmia ama Lisandro, mas Egeu quer o casamento com Dem\u00e9trio. Na floresta m\u00e1gica, Oberon e Tit\u00e2nia brigam e Puck multiplica equ\u00edvocos.<\/p>\n<p><strong>21\/09\/2025 (domingo), 16h<\/strong><br \/>\n<em>\u2022 Tr\u00eas Hist\u00f3rias<\/em><br \/>\nSinopse: Tr\u00eas cl\u00e1ssicos infantis em leituras contempor\u00e2neas:<br \/>\n<em>Os Porquinhos na Pandemia<\/em>: do confronto com o lobo \u00e0 decis\u00e3o de ajudar o doente.<br \/>\n<em>A Cigarra e as Formigas<\/em>: equil\u00edbrio entre divers\u00e3o e responsabilidade.<br \/>\nDona Baratinha: a busca por um amor que v\u00e1 al\u00e9m do superficial.<\/p>\n<p><strong>21\/09\/2025 (domingo), 19h<\/strong><br \/>\n\u2022 <em>De Noite, Sombras e Aus\u00eancias<\/em><br \/>\nSinopse: Drama psicol\u00f3gico e espiritual sobre duas irm\u00e3s unidas por la\u00e7os invis\u00edveis de dor e amor. Mem\u00f3rias fragmentadas, sil\u00eancios e presen\u00e7as que moldam a fam\u00edlia. Com Sophia Dantas e Gabriela Alencar; dire\u00e7\u00e3o de Thamiris Mendes; texto de Cesar Le\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>24\/09\/2025 (quarta), 19h<\/strong><br \/>\n<em>\u2022 O Sequestro da Leitura<\/em><br \/>\nSinopse: Em julgamento c\u00eanico, a \u201cEscola\u201d \u00e9 acusada de sequestrar a Leitura. Um j\u00fari formado pela plateia decide ap\u00f3s ouvir Escola, Leitura, Popula\u00e7\u00e3o, GRE, Promotor e Defesa.<\/p>\n<p><strong>25\/09\/2025 (quinta), 19h<\/strong><br \/>\n<em>\u2022 Anjo Negro<\/em><br \/>\nSinopse: Dan\u00e7a contempor\u00e2nea e artes circenses em dez cenas sobre a trajet\u00f3ria de uma mulher negra em busca de identidade e transcend\u00eancia. Aborda racismo, exclus\u00e3o, amor, perda e reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>26\/09\/2025 (sexta), 19h<\/strong><br \/>\n<em>\u2022 Canto de Negro<\/em><br \/>\nSinopse: M\u00fasica, dan\u00e7a e teatro celebram ancestralidade e resist\u00eancia afro-brasileira \u2014 dos por\u00f5es dos navios aos terreiros, quilombos e ruas.<\/p>\n<p><strong>27\/09\/2025 (s\u00e1bado), 16h<\/strong><br \/>\n<em>\u2022 As Cr\u00f4nicas dos Gatos Sem Lar<\/em><br \/>\nSinopse: Espet\u00e1culo infantil sobre diversidade e inclus\u00e3o. Sophia, uma gatinha com autismo, ensina amizade, empatia e respeito \u00e0s diferen\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>27\/09\/2025 (s\u00e1bado), 19h<\/strong><br \/>\n<em>\u2022 Auto da Barca do Inferno<\/em><br \/>\nSinopse: Adapta\u00e7\u00e3o do cl\u00e1ssico de Gil Vicente. S\u00e1tira do ju\u00edzo final num porto com duas barcas \u2014 anjos e dem\u00f4nios conduzem as almas ao destino \u2014 com linguagem inspirada no Nordeste.<\/p>\n<p><strong>28\/09\/2025 (domingo), 16h<\/strong><br \/>\n<em>\u2022 Escolinha de Bruxas<\/em><br \/>\nSinopse: Livre adapta\u00e7\u00e3o de Maria Clara Machado; dire\u00e7\u00e3o de Ant\u00f4nio Rodrigues e assist\u00eancia de Sonia Carvalho; conclus\u00e3o do curso de inicia\u00e7\u00e3o Despertar Teatral da C\u00eanicas Cia de Repert\u00f3rio.<br \/>\nElenco: Andr\u00e9 Arruda, Macena FYR, Caio Bento, Jesuane Franzon, Larissa Ferreira, Lisandra Batista, Rayo Vasconcelos, Rebeca Becs.<br \/>\nTemas: bullying, aceita\u00e7\u00e3o e poder transformador da empatia.<\/p>\n<p><strong>28\/09\/2025 (domingo), 19h<\/strong><br \/>\n<em>\u2022 AveGuriat\u00e3<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Servi\u00e7o&nbsp;<br \/>\n22\u00ba Festival Estudantil de Teatro e Dan\u00e7a de Pernambuco (Feted)<br \/>\nQuando: 17 a 28 de setembro de 2025<br \/>\nOnde: Teatro Apolo \u2014 Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife, Recife-PE<br \/>\nIngressos: pre\u00e7o \u00fanico de R$ 20,00 (+ R$ 2,50 de taxa) pela Sympla<br \/>\nDire\u00e7\u00e3o: Pedro Portugal<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>ENTREVISTA: PEDRO PORTUGAL<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_26934\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-17-at-07.19.40-e1758121634976.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26934\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26934\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-17-at-07.19.40-e1758121634976.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"549\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26934\" class=\"wp-caption-text\">Pedro Portugal, diretor do Festival EStudantil de Teatro e Dan\u00e7a de Pernambuco. Foto: self<\/p><\/div>\n<h2>&#8220;Continuo fazendo o Festival Estudantil porque sou teimoso&#8221;<\/h2>\n<p>Manuel Francisco Pedro Rodrigues \u00e9 um homem emotivo. Estava \u00e0s l\u00e1grimas quando soube que a abertura do festival estava com ingressos lotados, e destacou o esfor\u00e7o dos alunos artistas para garantir casa cheia. Conhecido artisticamente como Pedro Portugal, este portugu\u00eas dos A\u00e7ores que chegou ao Recife para estudar teatro na UFPE (1986) se tornou uma das figuras mais resilientes da cena cultural pernambucana. Desde 1979 atua como ator e produtor, mas \u00e9 \u00e0 frente do <strong><em>Festival Estudantil de Teatro e Dan\u00e7a &#8211; Feted<\/em><\/strong> que encontrou sua maior miss\u00e3o: h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas fomenta o est\u00edmulo \u00e0s artes nas escolas e revela novos talentos no estado. Aos 68 anos, n\u00e3o esconde a indigna\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o enfrentada pelo festival em contraste com sua fun\u00e7\u00e3o social: &#8220;Quando encontro as pessoas nas ruas, elas dizem: &#8216;Seu festival \u00e9 o mais importante de Pernambuco'&#8221;. Ele entende que uma iniciativa com tamanha relev\u00e2ncia social j\u00e1 deveria ter reconhecimento e apoio permanente. Com a franqueza que lhe \u00e9 caracter\u00edstica, \u00e0s vezes com um jeito rude de portugu\u00eas, ele admite que n\u00e3o faz ideia como leva adiante o <em><strong>Feted<\/strong> <\/em>apenas com recursos da bilheteria. Sobre a import\u00e2ncia cultural e social da sua iniciativa, \u00e9 categ\u00f3rico: &#8220;99% dos meninos e meninas que participam do <strong><em>Festival Estudantil<\/em><\/strong> nunca entraram num teatro&#8221;. Quando questionado sobre por que insiste em manter o festival funcionando contra todas as adversidades, responde sem hesitar: &#8220;Continuo fazendo, vou dizer por qu\u00ea: porque sou teimoso. Se a gente n\u00e3o fizer um ano, n\u00e3o faz mais&#8221;. Pedro n\u00e3o poupa cr\u00edticas ao sistema: &#8220;Poder p\u00fablico gosta de arte de massa, que lota, artistas nacionais. Quando \u00e9 de estudante, teatro local, o poder p\u00fablico mais que fecha os olhos&#8221;. Aos 22 anos de exist\u00eancia, o <strong><em>Feted<\/em> <\/strong>tem orgulho de ter revelado talentos como o professor e diretor Eduardo Machado, os atores de teatro, cinema e televis\u00e3o Rubens Santos e Alexandre Guimar\u00e3es, e o m\u00fasico Martins, abrindo portas para jovens que jamais imaginariam pisar num palco profissional e transformando sonhos em carreiras art\u00edsticas.<\/p>\n<div id=\"attachment_26936\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/4DOFETED-e1758128475696.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26936\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26936\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/4DOFETED-e1758128475696.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"168\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26936\" class=\"wp-caption-text\">Martins, Rubens Santos, Alexandre Guimar\u00e3es e Eduardo Machado, talentos que passaram pelo <strong>Feted<\/strong>. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_26935\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Design-sem-nome-1-e1758128958218.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26935\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26935\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Design-sem-nome-1-e1758128958218.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"375\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26935\" class=\"wp-caption-text\">Cl\u00e9a Borges (in memoria) e Cida Pedrosa: homenageadas do festival. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<h2><strong>Quem s\u00e3o os homenageados desta edi\u00e7\u00e3o do Festival Estudantil de Teatro e Dan\u00e7a de Pernabuco &#8211; Feted e por qu\u00ea?<\/strong><\/h2>\n<p>Cida Pedrosa \u00e9 uma mulher que est\u00e1 batalhando muito pela cultura na C\u00e2mara Municipal do Recife. Mesmo a C\u00e2mara n\u00e3o tendo dinheiro para a cultura \u2014 n\u00e3o tem or\u00e7amento para a cultura, que realmente a cultura \u00e9 complicada, a gente sabe \u2014 ela est\u00e1 fazendo muita coisa pela cultura, o que ela pode. E al\u00e9m disso, n\u00f3s precisamos de representantes da cultura na C\u00e2mara, principalmente na C\u00e2mara do Recife, na Assembleia Legislativa, na C\u00e2mara Federal, no Senado. A gente precisa de pessoas ligadas \u00e0 cultura. <strong>Cida Pedrosa \u00e9 uma mulher de cultura<\/strong>; al\u00e9m de lutar, ela tamb\u00e9m \u00e9 uma artista, uma poeta, uma poeta premiada. E a gente precisa homenagear enquanto as pessoas est\u00e3o entre n\u00f3s.<\/p>\n<p><strong>Cl\u00e9a Borges foi uma incentivadora da cultura pernambucana<\/strong>, com uma trajet\u00f3ria ligada ao teatro. Ela criou a Casa dos Artistas, que promoveu dois festivais de teatro no Recife, no Teatro Derby, da Pol\u00edcia Militar \u2014 anexo do Quartel do Derby, espa\u00e7o que abrigou a cena teatral at\u00e9 o final dos anos 1980. Por que l\u00e1 no Teatro Derby? Porque o Teatro Valdemar de Oliveira pegou fogo \u2014 <em>inc\u00eandio ocorreu em 1982<\/em>. E com 15 dias se reabriu o Teatro Derby, no quartel. Era um teatro muito simp\u00e1tico, muito interessante, e ficou muitos anos servindo como teatro para as nossas produ\u00e7\u00f5es locais. Al\u00e9m disso, ela foi uma incentivadora de tr\u00eas grandes espet\u00e1culos ao ar livre: dois no Recife e um em Guararapes. Foram os espet\u00e1culos <strong><em>Frei Caneca<\/em><\/strong> \u2014 que para mim deveria ter todo ano, fant\u00e1stico, muito bonito, eu vi algumas vezes \u2014, <strong><em>Auto de Natal<\/em> <\/strong>e a <strong><em>Batalha de Guararapes<\/em><\/strong>. Ent\u00e3o ela foi a incentivadora. Al\u00e9m disso, ela foi muito atuante no \u00e2mbito das artes c\u00eanicas. Ela foi uma mulher muito ligada ao teatro pernambucano. Esta \u00e9 a raz\u00e3o da homenagem a Cl\u00e9a Borges, que foi uma mulher que poucos se lembram. E a gente tem que resgatar as pessoas que fizeram alguma coisa pela arte, entendeu?<\/p>\n<blockquote><p><strong>Nota<\/strong>: Cl\u00e9a Borges foi primeira-dama do Recife no final da d\u00e9cada de 1970 e in\u00edcio dos anos 1980, e posteriormente primeira-dama de Pernambuco na d\u00e9cada de 1980, durante as gest\u00f5es de Gustavo Krause. M\u00e3e da vice-governadora Priscila Krause, ela morreu aos 72 anos no Recife, no dia 26 de fevereiro de 2021, em decorr\u00eancia da COVID-19.<\/p><\/blockquote>\n<h2>Em mais de 20 anos de Feted, qual a sua leitura do percurso do festival?<\/h2>\n<p>Olha, o festival foi <strong>criado para revelar, para descobrir novos talentos da cena pernambucana<\/strong>. E isso n\u00f3s conseguimos. T\u00eam 90% dos artistas locais, 90% dos artistas atuais \u2014 atores, artistas, t\u00e9cnicos \u2014 que passaram pelo festival. Para voc\u00ea ter uma ideia, Eduardo Machado, que hoje \u00e9 doutor, voc\u00ea deve conhecer, est\u00e1 dando aula na Bahia. Foi o primeiro negro professor de escola t\u00e9cnica no Mato Grosso. Foi o primeiro professor negro. E esse rapaz, n\u00f3s temos um orgulho enorme, porque ele passou pelo festival. E eu n\u00e3o tenho nenhuma d\u00favida de dizer a voc\u00ea: se n\u00e3o fosse o <strong><em>Festival do Estudante<\/em><\/strong>, ele n\u00e3o seria artista.<\/p>\n<h2>Por qu\u00ea, Pedro?<\/h2>\n<p>Vou dizer a voc\u00ea por qu\u00ea. Porque ele era um rapaz pobre, humilde, morava em Igarassu, um lugar muito distante do Recife. E ele come\u00e7ou a ver teatro atrav\u00e9s do festival. Claro, o talento dele. Sem talento, meu filho, ningu\u00e9m vai a canto nenhum, n\u00e3o. A\u00ed, o talento dele, o trabalho dele, porque ele era um rapaz que ia todo dia assistir aos espet\u00e1culos. Ele vinha de Igarassu, assistia ao festival todos os dias. Ent\u00e3o, s\u00f3 esse rapaz j\u00e1 vale a pena. Para voc\u00ea ter uma ideia, o primeiro espet\u00e1culo do <strong>Magiluth<\/strong>, que ainda era da Universidade, foi no <em><strong>Festival Estudantil<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>E outros artistas: o ator <strong>Rubens Santos<\/strong>, ele trabalhou em quase todos os filmes grandes e nacionais \u2014 <strong><em>O Agente Secreto<\/em><\/strong>, <strong><em>A Melhor M\u00e3e do Mundo<\/em><\/strong>, <em><strong>Partiu Am\u00e9rica<\/strong><\/em>, <strong><em>Bacurau<\/em><\/strong>, <em><strong>A Presepada<\/strong><\/em>, <strong><em>Aquarius<\/em><\/strong>. Encontrei com ele num filme&#8230; Ele me abra\u00e7ou, me beijou, me apresentou a um diretor, que \u00e9 de S\u00e3o Paulo, Rio, n\u00e3o sei de onde \u00e9, e disse: &#8220;Olha, se n\u00e3o fosse esse rapaz, eu n\u00e3o estaria aqui fazendo cinema, n\u00e3o seria ator&#8221;. Eu falei: &#8220;Rapaz, \u00e9 a minha doideira fazer um festival&#8221;. Expliquei o festival para o cara. A\u00ed o cara olhou para mim e disse: &#8220;Olha, foi por um doido como voc\u00ea que ousei ser cineasta&#8221;. Ent\u00e3o, essas coisas marcam a vida da gente, entendeu? Outro dia fui ver um espet\u00e1culo, <strong><em>O A\u00e7ougueiro<\/em><\/strong>, e Alexandre Guimar\u00e3es, que ganhou v\u00e1rios pr\u00eamios com a pe\u00e7a, me abra\u00e7ou e disse: &#8220;Pedro, voc\u00ea n\u00e3o sabe, mas eu comecei no festival estudantil&#8221;. Eu disse: &#8220;Que coisa boa&#8221;. E \u00e9 um espet\u00e1culo que est\u00e1 correndo o Brasil inteiro. Ganhou v\u00e1rios pr\u00eamios, ganhou o Pr\u00eamio Cenym. Eu n\u00e3o lembro muito os nomes, porque a cabe\u00e7a est\u00e1&#8230; 68 anos, o HD j\u00e1 est\u00e1 um pouco estragado. Mas tem muitos artistas que passaram, que hoje s\u00e3o artistas importantes na cena brasileira, que passaram pelo <em><strong>Feted<\/strong><\/em>. Quem tamb\u00e9m subiu ao palco pela primeira vez foi <strong>Martins<\/strong>, o cantor. Num espet\u00e1culo de teatro, ele era m\u00fasico. Uns, tenho certeza absoluta, se n\u00e3o fosse o <strong><em>Feted<\/em> <\/strong>n\u00e3o seriam artistas. Isso eu tenho certeza.<\/p>\n<h2><strong>Como voc\u00ea resumiria em n\u00fameros o impacto do festival?<\/strong><\/h2>\n<p>Quanto ao p\u00fablico, o nosso p\u00fablico sempre foi muito bom. Muito bom. N\u00f3s tivemos sempre casas razo\u00e1veis, boas. A gente teve um espet\u00e1culo que foi da escola Santa Em\u00edlia, de Olinda, que a gente teve que chamar a pol\u00edcia, porque n\u00e3o tinha mais lugar no teatro. A gente teve que chamar a pol\u00edcia, porque eles queriam quebrar o teatro para entrar, entendeu? Agora, o p\u00fablico atualmente est\u00e1 reduzindo. Agora, reduzindo n\u00e3o \u00e9 fracasso, n\u00e3o. Nunca tivemos um espet\u00e1culo com menos de 70 pessoas. O menor que tem \u00e9 70 pessoas.<\/p>\n<p>E n\u00f3s j\u00e1 trabalhamos tamb\u00e9m com v\u00e1rias cidades. J\u00e1 teve um ano que teve 12 cidades. E uma das cidades mais pobres do Brasil, n\u00e3o lembro o nome agora, participou com uma superprodu\u00e7\u00e3o. Esse rapaz veio por dois anos, at\u00e9 tinha um elenco muito legal, mas que era de muito longe. Ele agora enveredou, como muitos artistas, para as quadrilhas. Agora ele \u00e9 quadrilheiro. N\u00e3o quer saber mais de teatro, n\u00e3o. Est\u00e1 nas quadrilhas agora. Muitas pessoas tamb\u00e9m viraram para as quadrilhas, n\u00e9? Viraram quadrilheiros. Acho que d\u00e1 mais visibilidade, n\u00e3o sei. Ent\u00e3o, esses s\u00e3o os nossos n\u00fameros.<\/p>\n<p>O <em><strong>Feted<\/strong> <\/em>foi criado tamb\u00e9m, al\u00e9m dos novos talentos, para a gente levar gente que nunca foi ao teatro. A maioria das pessoas que v\u00e3o ao teatro ver o <strong><em>Festival Estudantil<\/em> <\/strong>s\u00e3o familiares que nunca pisaram no teatro, n\u00e3o sabem nem o que \u00e9 o teatro. Pelo contr\u00e1rio, falam mal do teatro, n\u00e3o sabem, n\u00e9? &#8220;Teatro, quero esse neg\u00f3cio. N\u00e3o, que neg\u00f3cio de teatro? Quer nada. Teatro n\u00e3o presta, n\u00e3o&#8221;. A\u00ed, as pessoas quando v\u00e3o ver, ficam felizes. Muita gente sai chorando. &#8220;Eita, meu filho est\u00e1 ali, minha sobrinha, meu namorado&#8221;. Enfim, que eles v\u00e3o prestigiar. Ent\u00e3o, tamb\u00e9m, o festival foi para isso. E realmente, isso eu tenho certeza que a gente conseguiu. E os atores&#8230; \u00c9 muita gente, muita gente. Porque s\u00e3o 22 anos, n\u00e9? Imagina, 22 anos, geralmente s\u00e3o 14 espet\u00e1culos. Em 10 dias, n\u00f3s fizemos 14 espet\u00e1culos. Ent\u00e3o v\u00ea quantas pessoas passaram pelo festival.<\/p>\n<h2>O que mudou no ecossistema cultural que afetou o festival?<\/h2>\n<p>A gente j\u00e1 deve ter trabalhado com mais de 25 cidades. J\u00e1 teve anos que vinha at\u00e9 de Petrolina. Este ano, n\u00f3s temos Recife, Vit\u00f3ria, Olinda, Ipojuca e Goi\u00e2nia. Ent\u00e3o, s\u00f3 este ano temos cinco cidades no festival. E outra coisa, como n\u00f3s n\u00e3o temos dinheiro, esse pessoal vem por conta pr\u00f3pria. O que \u00e9 que eles ganham? Cada ingresso que eles vendem, eles ganham R$ 12. O ingresso \u00e9 R$ 20. R$ 12 \u00e9 deles e R$ 8 \u00e9 do festival para fazer toda a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E voc\u00ea, se for algum dia, vai ver. N\u00f3s temos camisas. Tudo que voc\u00ea imaginar, o festival tem. &#8220;Pedro, como \u00e9 que voc\u00ea faz isso?&#8221; N\u00e3o sei n\u00e3o, parece que o meu dinheiro rende. Tem pessoas que t\u00eam milh\u00f5es e n\u00e3o fazem o que a gente consegue fazer com t\u00e3o pouco dinheiro, entendeu?<\/p>\n<p>Porque faz uns sete ou oito anos que a gente n\u00e3o tem patroc\u00ednio bom nenhum. De vez em quando temos umas migalhas \u2014 cinco mil, dez mil. Este ano mesmo n\u00e3o temos nada. At\u00e9 agora, nenhum real. Outra coisa: estou homenageando as pessoas, mas eu n\u00e3o pedi dinheiro a ningu\u00e9m. Eu estou homenageando uma vereadora. Eu n\u00e3o pedi um centavo \u00e0 vereadora. Z\u00e9 Manoel sabe, pode perguntar a ele. Eu estou homenageando a m\u00e3e da vice-governadora, Priscila, e n\u00e3o pedi um real.<\/p>\n<p>Agora, eu vou ter que dizer a ela, este ano, eu vou dizer: &#8220;Olhe, Priscila, est\u00e1 vendo o festival este ano, a gente faz sem dinheiro&#8221;. Ela ficou de ir na abertura; se ela for, vou dizer a ela, porque tenho tamb\u00e9m um certo contato com ela.<\/p>\n<p>Mas eu acho que tem certos festivais, como o <strong><em>Festival Estudantil<\/em><\/strong>, o <em><strong>Janeiro de Grandes<\/strong><\/em> , o <strong><em>FETEAG<\/em><\/strong>, o <strong><em>Reside<\/em><\/strong>, que j\u00e1 deviam ter um certo dinheiro, entendeu? Porque o <strong><em>Festival Estudantil<\/em><\/strong> concorre com v\u00e1rios festivais. E para a gente \u00e9 muito dif\u00edcil ganhar. A gente perde sempre, porque s\u00f3 se classifica um festival, entendeu, naquela categoria. A gente j\u00e1 botou no valor de 40 mil, de 30 mil, de qualquer valor, a gente perde. A\u00ed tem as cotas que s\u00e3o do interior, pessoas negras, que, presta aten\u00e7\u00e3o, eu sou a favor disso tudo. Agora eu tamb\u00e9m sou a favor do festival que tem mais de 20 anos ter pelo menos uma laminha. &#8220;Olha, voc\u00ea n\u00e3o ganhou, mas toma aqui X para voc\u00ea fazer&#8221;. Entendeu?<\/p>\n<p>Outra coisa: o festival deixou de ser competitivo. Por que deixou de ser competitivo? As pessoas querem a competi\u00e7\u00e3o. Se o festival fosse competitivo, ia ser briga das inscri\u00e7\u00f5es. Porque todo mundo diz: &#8220;N\u00e3o, eu n\u00e3o quero, eu n\u00e3o quero pr\u00eamio, eu n\u00e3o quero pr\u00eamio&#8221;. Mentira. Mentira. Todos querem pr\u00eamios. E eles reivindicam: &#8220;Pedro, por que voc\u00ea n\u00e3o faz o festival competitivo, ia ser melhor, n\u00e3o sei o qu\u00ea&#8230;&#8221;. Eu digo: &#8220;Minha gente, para ser competitivo, eu tenho que ter pelo menos 15 mil reais para fazer o festival competitivo&#8221;. Competitivo, 15 mil, o qu\u00ea? Tem que ter jurado, tem que ter trof\u00e9u, tem que ter o encerramento, entendeu? Ent\u00e3o, isso \u00e9 dinheiro. Isso \u00e9 dinheiro. Ent\u00e3o a gente come\u00e7ou a cair nesse ponto de n\u00e3o fazer competitivo por falta de grana mesmo, n\u00e3o foi outra coisa, n\u00e3o.<\/p>\n<h2>Como voc\u00ea descreveria o &#8220;DNA&#8221; do <em>Feted<\/em> hoje? \u00c9 o mesmo de quando come\u00e7ou?<\/h2>\n<p>O festival agora \u00e9 diferente. No come\u00e7o, a gente fazia dois espet\u00e1culos por dia. O tempo era uma semana s\u00f3, e a gente fazia dois por dia, de ter\u00e7a a domingo, dois espet\u00e1culos. Porque eu sempre dizia: &#8220;Olha, o festival \u00e9 de escola, n\u00e3o precisa de muita coisa. A gente quer mostrar o talento de voc\u00eas, mas n\u00e3o precisa de uma luz muito aprumada. Isso \u00e9 um festival estudantil, isso n\u00e3o \u00e9 um festival profissional&#8221;. A\u00ed, hoje em dia, ao contr\u00e1rio&#8230; o Teatro Apolo, como os outros teatros, n\u00e3o \u00e9 o Apolo s\u00f3&#8230; todos os anos, os t\u00e9cnicos trabalhavam em dois turnos, de manh\u00e3 e de tarde. Ent\u00e3o, n\u00f3s n\u00e3o pag\u00e1vamos os t\u00e9cnicos. Ontem, recebi uma liga\u00e7\u00e3o dizendo: &#8220;Olha, Pedro, agora os t\u00e9cnicos s\u00f3 trabalham um turno, de duas \u00e0s dez&#8221;. E os espet\u00e1culos est\u00e3o vindo com muito cen\u00e1rio, muita luz, est\u00e3o vindo praticamente profissionais. A\u00ed j\u00e1 teve problemas: &#8220;Mas Pedro, a gente tem luz para montar&#8221;, n\u00e3o sei o que \u00e9 isso. Minha gente, esse \u00e9 um festival estudantil. Tem gente que traz carreta. Carreta com cen\u00e1rio, com coisas grandes. Olha, tem espet\u00e1culo que diz assim: &#8220;Minha gente, como \u00e9 que esses caras fazem um festival de estudantes?&#8221; Entendeu? Ent\u00e3o o DNA mudou radicalmente. Antigamente os espet\u00e1culos eram mais simples e tinham grandes talentos. A gente via o ator. Hoje em dia tamb\u00e9m tem ator, mas ele est\u00e1 trazendo cen\u00e1rio, querendo luz sofisticada. Era muito mais simples. Ent\u00e3o, cada vez est\u00e1 se profissionalizando mais os espet\u00e1culos de estudantes. At\u00e9 os estudantes querem mais coisas. Antigamente, Teatro Apolo, vixe Maria, n\u00e3o tinha luz nenhuma. E se fazia dois espet\u00e1culos por dia. Hoje em dia tem uma luz bem melhor e para fazer um est\u00e1 dif\u00edcil. Entendeu? Ent\u00e3o, o DNA realmente melhorou a qualidade do cen\u00e1rio e da luz. Os espet\u00e1culos, n\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio. No come\u00e7o, os espet\u00e1culos, pelo menos os espet\u00e1culos que Igarassu trazia, eram espet\u00e1culos que n\u00e3o faziam feio em ficar em temporada. E \u00e9 todos os anos assim. O ano passado, eu vou ser bem sincero, s\u00f3 um espet\u00e1culo que foi muito fraco. Com o diretor, eu n\u00e3o vou dizer o nome, porque \u00e9 anti\u00e9tico. O diretor, que \u00e9 meu amigo, quis fazer uma coisa muito intelectual, sem os meninos saber o que estavam dizendo. A\u00ed eu peguei ele e disse a ele: &#8220;N\u00e3o fa\u00e7a mais espet\u00e1culo desse tipo, n\u00e3o, velho, porque os meninos est\u00e3o lendo o texto, est\u00e3o dando o texto, sem entender o que est\u00e1 dizendo, ent\u00e3o fica uma coisa falsa. Eu mesmo n\u00e3o entendi muito o teu texto, n\u00e3o&#8221;. E eram realmente meninos, de escola estadual. Ent\u00e3o dizer o texto sem saber o que \u00e9, n\u00e3o adianta, n\u00e3o.<\/p>\n<h2><em>Qual a situa\u00e7\u00e3o do FETED.PE com editais p\u00fablicos?<\/em><\/h2>\n<p>O problema dos editais \u00e9 que \u00e9 muito concorrido. Muito concorrido. Eu n\u00e3o vou botar a culpa no <strong>Funcultura<\/strong>, nas pessoas que est\u00e3o julgando, n\u00e3o. Eu perco, eu perco \u00e9 o seguinte: perder, perder. E eu sempre dou parab\u00e9ns a quem ganhou. Porque, na minha opini\u00e3o, \u00e9 o seguinte: todo cara que faz um projeto acha que o projeto dele \u00e9 o melhor projeto do mundo. Ent\u00e3o, o cara que ganhou, ele pensa igual a mim, que o projeto dele \u00e9 \u00f3timo. Entendeu? E outra coisa: <strong>o dinheiro \u00e9 muito pequeno para arcar com uma cena pernambucana toda<\/strong>. \u00c9 muito pouco. Pernambuco \u00e9 um estado enorme para pouco dinheiro. A prefeitura tamb\u00e9m. <strong>\u00c9 pouco dinheiro para a cultura, para a quantidade de artista que tem.<\/strong> Entendeu? E n\u00f3s temos essa dificuldade. Ent\u00e3o, \u00e9 o que eu disse. Eu vou dizer de novo: eu acho que devia ter uma reserva, n\u00e3o sei no Funcultura, onde fosse, uma reserva, X para os projetos que n\u00e3o foram aprovados, que t\u00eam mais de 10 anos. O nosso j\u00e1 tem 22, entendeu? Esses projetos que j\u00e1 \u00e9 calend\u00e1rio, j\u00e1 tem mais de 10 anos sem parar, como o nosso festival, nunca parou, nem na pandemia.<\/p>\n<p>Na pandemia n\u00f3s fizemos online, mas n\u00f3s n\u00e3o paramos nem um ano. Todos os anos n\u00f3s fizemos. O ano da pandemia, fizemos online. O resto todo presencial. Com dinheiro, sem dinheiro, n\u00f3s fizemos. Ent\u00e3o, a quest\u00e3o \u00e9 essa: \u00e9 muito dif\u00edcil voc\u00ea passar nos editais, porque a concorr\u00eancia \u00e9 muito grande. &#8220;Ah, Pedro, mas voc\u00ea est\u00e1 fazendo bem feito?&#8221; Estou. Quem faz o meu projeto \u00e9 uma pessoa que vive de projetos culturais. Entendeu? E ele j\u00e1 disse: &#8220;Pedro, eu acho que j\u00e1 vou desistir&#8221;, pois esse ano ele n\u00e3o colocou no Funcultura, acho que ele j\u00e1 disse, tem um trabalho para n\u00e3o ganhar, \u00e9 danado, mas ele j\u00e1 me disse: &#8220;Pedro, \u00e9 dif\u00edcil a gente ganhar, porque a concorr\u00eancia \u00e9 muito grande e tem as cotas, n\u00e9?&#8221;. Mais uma vez, eu n\u00e3o sou contra as cotas, mas deveria ter uma laminhinha para esses festivais, principalmente os festivais que n\u00e3o passaram, que j\u00e1 t\u00eam mais de 10 anos.<\/p>\n<h2>Por que o festival n\u00e3o tem dinheiro suficiente, mesmo com mais de 20 anos de exist\u00eancia?<\/h2>\n<p>Financeiramente eu falei: o dinheiro \u00e9 muito curto para muito artista, muita produ\u00e7\u00e3o no estado de Pernambuco. O dinheiro \u00e9 muito pequeno para todo mundo. E no caso dos festivais s\u00f3 passa um festival \u2014 estou falando do Funcultura \u2014 um festival em cada categoria, ent\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Outra coisa: quando t\u00eam pessoas na gest\u00e3o que nos recebem fica mais f\u00e1cil. Eu sempre digo o seguinte: nunca tem dinheiro para os mesmos e sempre tem dinheiro para os mesmos. T\u00eam pessoas que chegam l\u00e1 e recebem o dinheiro e acabou-se e t\u00eam pessoas como eu&#8230; Nesse ano n\u00f3s fomos atr\u00e1s de umas coisas e n\u00e3o conseguimos. Ent\u00e3o voc\u00ea est\u00e1 indo atr\u00e1s, est\u00e1? A gente tem h\u00e1 uns quatro anos que a gente faz o <strong><em>Cena Expandida<\/em><\/strong>. Paulinha (Paula de Renor) est\u00e1 no Rio Grande do Sul, mas eu e Arnaldo (Siqueira) fomos atr\u00e1s de patroc\u00ednio para a Cena Expandida e at\u00e9 agora n\u00e3o conseguimos. A hist\u00f3ria que eles dizem \u00e9 a seguinte: &#8220;Olha, o Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o pode dar dinheiro agora que j\u00e1 tem os editais, ent\u00e3o voc\u00eas t\u00eam que entrar nos editais&#8221;. Olha a\u00ed, um impasse danado&#8230; Quando eles querem ajudar \u2014 feito h\u00e1 tr\u00eas anos eles ajudaram \u2014 a Funda\u00e7\u00e3o de Cultura, e espero que ajude este ano, que a gente est\u00e1 esperando a resposta que n\u00e3o chegou, que era o seguinte: contrata os espet\u00e1culos, eles n\u00e3o d\u00e3o dinheiro. Mas para o festival estudantil n\u00e3o funciona, porque os espet\u00e1culos s\u00e3o amadores. E eu fa\u00e7o quest\u00e3o de dizer nas inscri\u00e7\u00f5es: o festival \u00e9 amador, \u00e9 de estudante que n\u00e3o ganha dinheiro, mas paga para estudar no festival. Mas daqui a pouco eles querem tamb\u00e9m cach\u00ea para se apresentar nas escolas.<\/p>\n<h2>Por que ainda \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil captar recursos para o Feted?<\/h2>\n<p>Sobre ir atr\u00e1s de dinheiro: eu j\u00e1 tento fazer parceria faz uns cinco ou seis anos. Eu quero muito, mas parceria precisa de algu\u00e9m que saiba captar, que saiba fazer um projeto bom. Entendeu? Para fazer o festival, eu fa\u00e7o. Este ano, inclusive, apareceu um grupo que quer conversar comigo depois do festival. Agora, \u00e9 preciso ser bem claro: a gente precisa de gente para ir atr\u00e1s de dinheiro.<\/p>\n<p>Quando o festival teve dinheiro \u2014 no \u00faltimo ano em que ganhamos no Funcultura, que eu nem sei mais quando foi, faz mais de dez anos \u2014 a gente fez tanta coisa. Voc\u00ea n\u00e3o faz ideia. Eu acho que foi a edi\u00e7\u00e3o mais importante que a gente fez. A gente organizou uma gincana. Levamos atores e diretores para o Teatro Luiz Mendon\u00e7a (no Parque Dona Lindu), que hoje est\u00e1 privatizado \u2014 mas isso \u00e9 outra hist\u00f3ria. Passamos uma manh\u00e3 inteira l\u00e1, cinco ou seis horas, mostrando como funciona o teatro: dire\u00e7\u00e3o, texto, direitos autorais, a engrenagem toda. Foi leve e muito formativo.<\/p>\n<p>Nesse mesmo ano, chamamos dois diretores \u2014 Quiercles Santana e Eron Villar (eu posso at\u00e9 errar nomes, mas eu sempre trabalho com os melhores da cidade) \u2014 para irem \u00e0s escolas ver os ensaios e dar dicas para os meninos. Eles iam pelo menos duas vezes a cada escola: no come\u00e7o do processo e quando estava perto do espet\u00e1culo ir para o festival. Foi um ganho enorme para o festival. Mas, sem dinheiro, a gente n\u00e3o consegue fazer isso; n\u00e3o d\u00e1 para contratar diretores. Ent\u00e3o foi uma conquista que o festival teve e perdeu por falta de patroc\u00ednio.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 que eu n\u00e3o v\u00e1 atr\u00e1s. Eu vou. Para voc\u00ea ter ideia, o Janeiro de Grandes Espet\u00e1culos, que \u00e9 um dos grandes festivais nacionais, n\u00e3o conseguiu captar na Lei Rouanet \u2014 nem com Paula de Renor e Carla Valen\u00e7a. Passava na Rouanet, mas n\u00e3o captava. N\u00e3o sei como \u00e9 que est\u00e1 agora. O FETEAG mesmo, que eu respeito demais \u2014 F\u00e1bio Pascoal vive nos festivais do mundo inteiro \u2014 tamb\u00e9m n\u00e3o consegue esse dinheiro todo, n\u00e3o. O festival dele \u00e9 grande, traz coisas grandes, mas o dinheiro que ele tem tamb\u00e9m \u00e9 curto para o que faz. Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o FETED que n\u00e3o tem dinheiro, n\u00e3o.<\/p>\n<p>E o F\u00e1bio \u00e9 um cara que sabe fazer projeto, sabe or\u00e7amento, sabe tudo, viaja muito. N\u00e3o \u00e9 um Pedro de Portugal, entendeu? Ele \u00e9 muito mais antenado do que eu.<\/p>\n<h2>Voc\u00ea pode dar um exemplo concreto de tentativa de parceria que n\u00e3o deu certo?<\/h2>\n<p>Eu conheci um rapaz muito inteligente, para mim fazia um texto \u00f3timo. Acho que seria um grande parceiro para mim. A gente botou no Funcultura no primeiro ano e n\u00e3o passou. A\u00ed ele disse que n\u00e3o podia trabalhar sem ganhar para fazer o projeto. Tem que ter dinheiro e n\u00e3o tem dinheiro para pagar, entendeu? Eu acho que seria um grande parceiro para fazer o festival.<\/p>\n<p>Mas a\u00ed, depois de uns dias, ele fez uma coisa que eu n\u00e3o gostei. Eu sou uma pessoa muito fiel aos meus amigos, muito grato, gra\u00e7as a Deus. As pessoas&#8230; a pessoa faz por mim, eu sou grato o resto da vida, eu sou muito grato. Ent\u00e3o ele fez uma coisa que eu n\u00e3o gostei. Foi: ele foi l\u00e1 para casa, a gente trabalhou dois dias fazendo projeto e depois foi para casa para colocar no Funcultura. Eu n\u00e3o vou dizer qual foi o projeto. Mas ele parou o projeto do festival para trabalhar no outro projeto. Perdeu o prazo de enviar o projeto do <strong><em>Feted<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>A\u00ed liguei para ele, dei um baile do caralho, disse que ele foi anti\u00e9tico. Eu acho um rapaz muito inteligente, seria um grande parceiro, mas ele fez essa merda comigo. E o projeto que ele fez, que era um espet\u00e1culo de teatro, o produtor n\u00e3o colocou tamb\u00e9m, perdeu o prazo. Ent\u00e3o ele ficou sem botar os dois projetos.<\/p>\n<p>Eu sou fiel aos meus amigos, todos, mesmo fazendo algumas safadezinhas eu sou fiel, entendeu? At\u00e9 um certo ponto, entendeu? Mas isso, infelizmente&#8230; n\u00e3o sei se \u00e9 bom, se \u00e9 ruim, mas \u00e9 assim.<\/p>\n<h2>Voc\u00eas j\u00e1 tentaram capta\u00e7\u00e3o em empresas privadas?<\/h2>\n<p>A gente nunca foi para as empresas privadas. A gente trabalha mais com os incentivos, porque \u00e9 aquela hist\u00f3ria: empresa privada tem que ter um padrinho, e isso n\u00f3s n\u00e3o temos. N\u00e3o posso dizer que algu\u00e9m disse n\u00e3o, porque n\u00e3o fui atr\u00e1s. Eu sou aquela pessoa que gosta de dizer a verdade.<\/p>\n<h2>Como funcionam os crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o nos editais que o Feted disputa?<\/h2>\n<p>Como eu falei para voc\u00ea, o problema n\u00e3o \u00e9 pontua\u00e7\u00e3o. Olha, n\u00f3s temos as pontua\u00e7\u00f5es legais, as contrapartidas n\u00e3o s\u00e3o boas. \u00c0s vezes tem uma ou outra. Uma vez botei um projeto que deram uma nota t\u00e3o baixa que eu fiquei&#8230; No ano que eu tamb\u00e9m n\u00e3o passei, ent\u00e3o botei uma ficha t\u00e9cnica top, uma equipe boa, e a nota&#8230; Vamos botar a nota 10. N\u00e3o quero que eles me vejam como uma pessoa com uma coisa dessa, entendeu? Ent\u00e3o \u00e9 como eu digo a voc\u00ea: o problema da Lei Rouanet \u00e9 captar. Voc\u00ea n\u00e3o consegue captar. A municipal, eu n\u00e3o posso participar porque sou funcion\u00e1rio. A estadual, que tem o Funcultura, j\u00e1 falei para voc\u00ea aquela hist\u00f3ria: o dinheiro \u00e9 curto e n\u00e3o d\u00e1 para todos.<\/p>\n<h2>Como foi a experi\u00eancia do Feted com a Lei Aldir Blanc?<\/h2>\n<p>O nosso Aldir Blanc s\u00f3 foi contemplado na pandemia, o resto n\u00e3o fomos contemplados. \u00c9 o que digo: \u00e9 muito festival e muita cota. E eu sou&#8230; at\u00e9 que eles querem dar cota a quem tem mais dificuldade. E o <strong><em>Festival Estudantil<\/em> <\/strong>n\u00e3o tem dificuldade? As cotas t\u00eam que ser dadas, acho importante as cotas, mas a gente fica amarrado nas cotas. Acho que deveria ter uma parte com cota e outra parte sem cota.<\/p>\n<h2>Qual foi o or\u00e7amento das \u00faltimas edi\u00e7\u00f5es e qual seria o ideal para o Feted?<\/h2>\n<p>Eu vou dizer dos \u00faltimos cinco anos: praticamente s\u00f3 com o dinheiro da bilheteria. &#8220;Pedro, como \u00e9 que voc\u00ea consegue fazer?&#8221; Eu n\u00e3o sei. Eu n\u00e3o fa\u00e7o ideia. E voc\u00ea, se for l\u00e1 um dia ver o festival, vai ver tudo: camisa e camisa. \u00c9 legal ver isso, que \u00e9 camisa de algod\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 aquela camisa de pl\u00e1stico. Camisa arrumadinha, tudo com os oito reais que sobra para n\u00f3s. Entendeu? Ent\u00e3o os \u00faltimos cinco anos, praticamente s\u00f3 com a bilheteria. Minha filha, como \u00e9 que voc\u00ea faz? N\u00e3o sei.<\/p>\n<p>Teve um ano que fui ser jurado em Sorocaba. O cara estava doido para ver o festival, mas eu n\u00e3o tenho dinheiro para trazer o cara. Junior Mosco, ele tem um festival em Sorocaba de estudante tamb\u00e9m, era feito pelo Sesi. Quando eu fui, foi pelo Sesi. Quando ele viu nosso material \u2014 cartaz, programas \u2014 ele ficou de boca aberta. Ele perguntou com quanto eu fazia o festival. A\u00ed fui dar um depoimento. O m\u00e1ximo do SIC Municipal \u00e9 50 mil. O Funcultura \u00e9 100 mil, o m\u00e1ximo. N\u00e3o, nesse tempo n\u00e3o tinha Funcultura. O SIC Municipal, o m\u00e1ximo \u00e9 50 mil, mas a gente ainda tem que captar, encontrar empresa. Nessa \u00e9poca era assim. A\u00ed me chamaram de mentiroso. Eu disse que tem ano que a gente faz com 10 mil e eles me chamaram de mentiroso. Eu levei material, programas que a gente fazia, etc. E ele me chamou de mentiroso e disse: &#8220;Aqui com 100 mil a gente n\u00e3o faz nada&#8221;.<\/p>\n<h2>O que a organiza\u00e7\u00e3o do <em>Feted<\/em> j\u00e1 tentou? Onde acertou e onde errou?<\/h2>\n<p>Claro que n\u00f3s temos sempre os nossos erros e a gente tenta acertar. Eu vou falar mais do que eu acerto. O nosso festival realmente \u00e9 um festival democr\u00e1tico, e tenho o maior prazer de dizer isso do nosso festival, porque pode ter festival democr\u00e1tico igual a gente, mas maior que o nosso, n\u00e3o. A gente sempre tenta mudar quando os grupos pedem. A gente s\u00f3 n\u00e3o pode mudar porque a maioria quer que seja competitivo. Infelizmente a gente n\u00e3o pode mudar, pois n\u00e3o tem dinheiro. Sen\u00e3o a gente j\u00e1 tinha feito competitivo h\u00e1 muitos anos. A gente deixou de fazer competitivo porque n\u00e3o ganhou nas leis de incentivo.<\/p>\n<p>Para voc\u00ea ter uma ideia, <strong>eu s\u00f3 ganhei tr\u00eas vezes o Funcultura<\/strong>. E o SIC Municipal eu n\u00e3o posso entrar porque sou funcion\u00e1rio. Antigamente podia. Eu acho um absurdo isso, pelo seguinte: eu sou funcion\u00e1rio, mas n\u00e3o sou eu que vou julgar. Mas tudo bem. \u00c9 a lei, a gente tem que respeitar. Eu sempre respeito as leis.<\/p>\n<h2>Por que continua fazendo o festival nessas condi\u00e7\u00f5es?<\/h2>\n<p>Continuo fazendo, vou dizer por qu\u00ea: <strong><em>porque sou teimoso<\/em><\/strong>. Se voc\u00ea fizer as contas do festival, n\u00e3o paga. Tem preju\u00edzo? N\u00e3o, at\u00e9 agora n\u00e3o. Mas a gente faz pouca coisa. Para fazer um festival grande, a gente teria que ter 100 mil para fazer o que a gente quer. E 50 mil para fazer meio bom. A gente tem s\u00f3 a bilheteria.<\/p>\n<p>Porque continuo fazendo: porque hoje em dia n\u00e3o fa\u00e7o mais teatro, n\u00e3o quero fazer mais produ\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as, ent\u00e3o a minha cacha\u00e7a \u00e9 o festival estudantil. Voc\u00ea sabe que um festival desse a gente passa pelo menos seis meses trabalhando. O cach\u00ea para mim deveria ser uns 30 mil reais e eu sobra mil reais, no m\u00e1ximo dois mil reais. E tenho impress\u00e3o que esse ano vai ter preju\u00edzo. Esse \u00e9 o motivo de continuar fazendo.<\/p>\n<h2>Voc\u00ea disse que estava muito cansado de realizar o festival nessas condi\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/h2>\n<p>Eu gostaria de fazer mais tr\u00eas anos para fazer 25 anos e acabar. Como falei, tem um pessoal que quer falar comigo sobre o festival para a gente debater. Se for legal, vamos fazer juntos, entendeu? Mas eu, Pedro Portugal, eu gostaria de fazer mais tr\u00eas anos para fazer 25 anos. Como dona Cl\u00e9a Borges falou com En\u00e9as Alvarez \u2014 cr\u00edtico de teatro e diretor do saudoso Festival de Teatro de Bolso \u2014 para fazer 15 anos e n\u00e3o acabar com 12. Eu quero ver se chega a 25. N\u00e3o sei se eu vou ter for\u00e7a, porque estou muito cansado.<\/p>\n<p>E agora os participantes est\u00e3o mais exigentes. Acho legal. Eles querem melhor estrutura, melhor luz, e sem dinheiro fica dif\u00edcil. E at\u00e9 para dar uma ajuda de custo. Sim, a gente tamb\u00e9m dava. Quando passava no Funcultura, a gente dava ajuda de custo para o transporte para o grupo do interior. N\u00e3o sei quanto era, porque faz mais de 10 anos que a gente n\u00e3o passa no Funcultura.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a gente \u00e9 de um tempo que a gente ia para os festivais e dormia nas escolas, no colchonete. Era uma farra danada. Eu me lembro disso. Jos\u00e9 Manoel participou muito. Eu participei de muitos festivais desses. Hoje em dia n\u00e3o, tem que ter hotel, ent\u00e3o fica uma coisa invi\u00e1vel. J\u00e1 pensou trazer 30 meninos para o festival para colocar no hotel? V\u00ea s\u00f3 essa conta, esse valor, entendeu? Ent\u00e3o at\u00e9 essas coisas, as coisas ficam melhorando, claro, mas o conforto&#8230; Eu sou a favor. Mas no nosso tempo a gente ia do jeito que dava: daqui para o Rio Grande do Sul, daqui para S\u00e3o Paulo. Quantas vezes Jos\u00e9 Manoel, com a Tr\u00eas Produ\u00e7\u00f5es, foi para S\u00e3o Paulo e soube o resultado no \u00f4nibus. Hoje n\u00e3o acontece mais isso, n\u00e3o.<\/p>\n<h2>Por que o Feted cobra ingresso se isso pode prejudicar a aprova\u00e7\u00e3o em editais?<\/h2>\n<p>\u00c9 o que digo: se a gente n\u00e3o fizer um ano, n\u00e3o faz mais. Se for esperar para fazer quando tiver dinheiro, \u00e9 melhor acabar de uma vez. Esse neg\u00f3cio de &#8220;m\u00ednimas condi\u00e7\u00f5es&#8221;, n\u00e3o. Ou faz ou n\u00e3o faz.<\/p>\n<p>Eu me lembro de uma coisa muito interessante nos primeiros anos do festival, at\u00e9 o quarto ou quinto. Nossa amiga presidente do SATED \u2014 Ivonete Melo \u2014 me disse: &#8220;Pedro, sabe por que seu festival n\u00e3o passa no Funcultura? Porque voc\u00ea cobra ingresso&#8221;. Nessa \u00e9poca eu cobrava um real. E eu disse para ela: &#8220;Se a gente n\u00e3o cobrar, o festival n\u00e3o faz mais. Porque se for esperar o dinheiro dos editais, a gente n\u00e3o vai fazer, entendeu?&#8221;. E eu perguntei a ela: &#8220;E voc\u00ea, como presidente do SATED, acha que com esse valor d\u00e1 para fazer o festival?&#8221;<\/p>\n<p>Os grupos est\u00e3o reclamando do Funcultura porque diz que n\u00e3o pode cobrar ingresso. Faz cinco apresenta\u00e7\u00f5es e acabou. Voc\u00ea ganha 80 mil \u2014 acho que o m\u00e1ximo \u00e9 80 mil para montar. Ent\u00e3o monta e acabou. O ingresso \u00e9 para tentar continuar.<\/p>\n<p>Eu sempre digo que o ator \u00e9 o mais sacrificado. O diretor tem o cach\u00ea dele. O cen\u00f3grafo tem o cach\u00ea dele, o iluminador, j\u00e1 est\u00e1 tudo na lei. Mas o ator \u00e9 sacrificado: ele passa n\u00e3o sei quanto tempo ensaiando de noite, o Recife do jeito que est\u00e1 violento, pegar um \u00f4nibus para ir para casa.<\/p>\n<p>Agora, os espet\u00e1culos que v\u00eam de fora, com as leis de incentivo, cobram 150 contos no Teatro do Parque. N\u00e3o tem espet\u00e1culo no Teatro do Parque, com lei ou sem, que cobre menos de 100 reais o ingresso. O m\u00ednimo 120. Agora quando \u00e9 a lei daqui, que \u00e9 de 80 mil por produ\u00e7\u00e3o, 80 mil d\u00e1 para fazer o qu\u00ea? A\u00ed eles querem que n\u00e3o cobre ingresso.<\/p>\n<h2>Quais s\u00e3o as vit\u00f3rias recentes que voc\u00ea celebra?<\/h2>\n<p>As vit\u00f3rias recentes \u00e9 passar nas ruas, ser reconhecido pelas pessoas: &#8220;Porra, bicho, eu fa\u00e7o teatro por sua causa&#8221;, ser abra\u00e7ado pelas pessoas, ser respeitado como produtor cultural. Isso s\u00e3o as vit\u00f3rias do dia a dia. Os artistas abra\u00e7ando, pessoas do passado ou que participaram um ano atr\u00e1s. As pessoas te acarinhar. Fica guardado no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>O que mudou no comportamento e engajamento dos participantes do festival ao longo dos anos?<\/h2>\n<p>Infelizmente n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o festival, n\u00e3o. \u00c9 tudo. Antigamente a gente sa\u00eda do teatro, dos espet\u00e1culos, ia para um barzinho tomar uma cerveja. \u00c0s vezes o que ganhava no teatro deixava no bar da frente. Mas a gente ia ser feliz, ter prazer. Hoje em dia as pessoas est\u00e3o muito individualistas. Acaba o espet\u00e1culo \u2014 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o Festival Estudantil, \u00e9 geral \u2014 o povo vai direto para casa. Praticamente n\u00e3o se conhece. Antigamente a gente era amigos.<\/p>\n<p>E o <strong><em>Festival Estudantil<\/em><\/strong> n\u00e3o fica atr\u00e1s. A gente todo ano tenta fazer uma reuni\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o, vai dois, tr\u00eas grupos. A gente teve este ano 30 inscri\u00e7\u00f5es para 14 vagas. Eu sempre digo: o <strong><em>Festival Estudantil<\/em> <\/strong>n\u00e3o \u00e9 meu, de Pedro Portugal, mas \u00e9 de quem faz os espet\u00e1culos, porque se n\u00e3o tiver inscri\u00e7\u00f5es n\u00e3o tem festival. Ent\u00e3o eu disse este ano que o festival depende das inscri\u00e7\u00f5es. Este ano n\u00e3o tem a mostra coreogr\u00e1fica porque n\u00e3o teve inscri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Como voc\u00ea avalia a mudan\u00e7a do p\u00fablico de teatro em Pernambuco ao longo dos anos?<\/h2>\n<p>Esse neg\u00f3cio de as pessoas acharem que tem muito festival&#8230; Mas hoje o teatro \u00e9 diferente de \u00e9pocas passadas. Antigamente passava tr\u00eas meses numa temporada. Quando digo antigamente \u00e9 20 anos atr\u00e1s, que j\u00e1 faz uma data. O Teatro do Parque passou 10 anos fechado e cinco para reformar, ent\u00e3o praticamente 15 anos fechado.<\/p>\n<p>Voc\u00ea tinha o Teatro do Parque, Apolo e Barreto J\u00fanior de quarta a domingo, ou de quinta a domingo. Quinta e sexta fazia um espet\u00e1culo. S\u00e1bado, tr\u00eas espet\u00e1culos: um de 16h, um de 18h30 e um de 21h. At\u00e9 que 21h n\u00e3o pode fazer mais, por causa da viol\u00eancia. O Teatro do Parque fazer de seis horas, aquele teatro est\u00e1 horr\u00edvel de assalto. E no domingo a gente tinha 10h da manh\u00e3, 4 horas da tarde, seis e meia e 9 horas. Tinha per\u00edodos que tinha 4 espet\u00e1culos no dia. Hoje os teatros s\u00f3 fazem um espet\u00e1culo por dia. Isso a\u00ed voc\u00ea j\u00e1 v\u00ea que a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de arcar com os teatros. Os teatros s\u00e3o os mesmos tr\u00eas e diminu\u00edram: de quatro espet\u00e1culos passou para um.<\/p>\n<p>E outra coisa: eu n\u00e3o sei at\u00e9 quando, acho que a continuidade de tr\u00eas meses com um espet\u00e1culo n\u00e3o sustenta mais, n\u00e3o. As pessoas est\u00e3o muito r\u00e1pidas. <strong>TikTok<\/strong>. E s\u00f3 v\u00e3o ao teatro quando \u00e9 um global. A \u00faltima pesquisa que foi feita de quem assistia teatro, quem ganhava eram os banc\u00e1rios. Hoje em dia, praticamente n\u00e3o existe mais banc\u00e1rio, e o banc\u00e1rio \u00e9 que ia ao teatro. E hoje em dia as pessoas s\u00f3 v\u00e3o para espet\u00e1culos de fora. Os mesmos \u00e9 que v\u00e3o aos espet\u00e1culos locais. A gente tem, infelizmente, pouca gente que vai ao teatro.<\/p>\n<p>Eu soube que vai entrar de novo a campanha &#8220;Teatro ao Vivo, V\u00e1 Ver&#8221;, uma campanha forte. Vamos ver se isso melhora. Mas tem que ter campanha forte para ver se tem uma estrat\u00e9gia boa. \u00c0s vezes eu digo 70 pessoas na plateia do Festival Estudantil e a\u00ed os funcion\u00e1rios do teatro dizem: &#8220;Pedro, aqui \u00e9 20, 30 pessoas&#8221;. \u00c9 verdade, \u00e9 mentira? N\u00e3o sei. \u00c9 o que dizem: as plateias est\u00e3o vazias.<\/p>\n<h2>Como voc\u00ea v\u00ea a rela\u00e7\u00e3o entre festivais e a sustentabilidade dos espet\u00e1culos hoje?<\/h2>\n<p>E os espet\u00e1culos est\u00e3o sendo feitos para ir pros festivais. Hoje em dia, para fazer um espet\u00e1culo, n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de bancar do seu bolso, porque fazer quatro, cinco apresenta\u00e7\u00f5es, como vai tirar despesa? N\u00e3o consegue, com esse valor. Ent\u00e3o os festivais se prestam para isso, os profissionais. O meu n\u00e3o est\u00e1 fora desse roteiro a\u00ed. Estou falando do Janeiro.<\/p>\n<p>A minha opini\u00e3o \u00e9: ter teatro nas cidades do interior fazia quinze dias, duas semanas, e o estado todo se tivesse teatro e se as pessoas fossem ver. Com incentivo. Vamos botar um profissional a\u00ed para dez cidades, faz um fim de semana em cada cidade. A\u00ed sim, eu estou a favor. A\u00ed fazia pelo menos 30 apresenta\u00e7\u00f5es. Se tivesse teatros para a produ\u00e7\u00e3o circular. A ideia \u00e9 essa: espet\u00e1culos circularem.<\/p>\n<h2>Por que o poder p\u00fablico n\u00e3o investe adequadamente no teatro local e estudantil?<\/h2>\n<p>Poder p\u00fablico gosta de arte de massa, que lota, artistas nacionais. Quando \u00e9 de estudante, teatro local, o poder p\u00fablico mais que fecha os olhos. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 municipal, n\u00e3o. \u00c9 municipal, estadual e federal: eles querem patrocinar grandes eventos. Esses eventos que d\u00e3o visibilidade. Eles querem ver grandes eventos. Simples assim.<\/p>\n<h2>Quem s\u00e3o os reais prejudicados pela falta de apoio aos festivais estudantis?<\/h2>\n<p>Quem ganha e quem perde \u00e9 o p\u00fablico, que deixa de ver coisas interessantes \u2014 n\u00e3o estou falando somente sobre o <strong><em>Festival Estudantil<\/em><\/strong>, mas no geral. Quem perde com a falta de cultura \u00e9 o p\u00fablico, e quem perde com a falta do <strong><em>Festival Estudantil<\/em><\/strong> s\u00e3o as escolas, que deixam de conhecer um teatro profissional como o Teatro Apolo.<\/p>\n<p>99% dos meninos e meninas que participam do <strong><em>Festival Estudantil<\/em> <\/strong>nunca entraram num teatro. N\u00e3o \u00e9 para fazer teatro, n\u00e3o \u00e9 para assistir. Muitas nunca entraram num teatro, num espa\u00e7o cultural como um teatro. Mas o poder p\u00fablico n\u00e3o tem interesse. Se acabar o festival \u00e9 menos um que vai deixar de encher o saco. Ent\u00e3o para o poder p\u00fablico, cada festival a menos, cada espet\u00e1culo a menos, cada palha\u00e7o a menos, cada artista a menos \u00e9 menos um para encher o saco dele para pedir dinheiro. Essa \u00e9 minha opini\u00e3o, n\u00e3o sei se estou errado.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o quem perde s\u00e3o as crian\u00e7as que deixam de ir ao teatro, os pais que deixam de ver os filhos em cena num teatro profissional. O p\u00fablico em geral. Geralmente quem participa \u2014 nem todos viram atores \u2014 mas todos ficam cientes do que \u00e9 um teatro, conhecem o teatro. Os meninos que fazem esporte, cultura, deixam de fazer coisa errada.<\/p>\n<h2>Se a cultura valoriza o festival nos discursos, por que isso n\u00e3o se traduz em apoio concreto?<\/h2>\n<p>Quando encontro as pessoas nas ruas, elas dizem: &#8220;Seu festival \u00e9 o mais importante de Pernambuco, novos talentos da cena pernambucana&#8221;. Mas adianta ser o mais importante e n\u00e3o ter dinheiro? \u00c9 o mais importante da boca para fora. E vou dizer uma coisa a voc\u00ea: se acabar o Festival Estudantil, como j\u00e1 acabaram outros, as pessoas n\u00e3o v\u00e3o sentir falta. Voc\u00ea sabe que a Mostra Brasileira de Dan\u00e7a acabou? E ningu\u00e9m sentiu falta, ningu\u00e9m fala. Quantos festivais acabaram? Ent\u00e3o se o nosso terminar&#8230; as pessoas n\u00e3o sentem falta, n\u00e3o. Isso \u00e9 muito triste.<\/p>\n<h2>Qual seria seu &#8220;ponto de ruptura&#8221;?<\/h2>\n<p>A ruptura ser\u00e1 bem pr\u00f3xima. Vou fazer mais tr\u00eas anos, gostaria. Mas sem dinheiro, do jeito que est\u00e1, n\u00e3o sei se consigo fazer mais tr\u00eas anos, porque os grupos est\u00e3o mais exigentes \u2014 com raz\u00e3o \u2014 eles querem coisas melhores e n\u00f3s n\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es financeiras, pois n\u00e3o temos patroc\u00ednio e n\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es de dar o que eles merecem. Isso est\u00e1 me deixando nervoso.<\/p>\n<p>E eu estou fazendo tudo. Tem uma menina que est\u00e1 me ajudando nas redes sociais que \u00e9 de gra\u00e7a, mas eu n\u00e3o gosto de coisa de gra\u00e7a. A gente d\u00e1 uma ajuda para o Uber e para o lanche, mas \u00e9 muito chato todo ano ficar pedindo: &#8220;Fa\u00e7a uma arte para mim&#8221;. O Z\u00e9 Manoel faz a apresenta\u00e7\u00e3o de Cida Pedrosa e Cl\u00e9a Borges, mas faz de gra\u00e7a; Albemar Ara\u00fajo faz mestre de cerim\u00f4nia de gra\u00e7a&#8230; Isso para mim \u00e9 muito desgastante. Estou ficando com vergonha na cara de chamar as pessoas sem pagar.<\/p>\n<h2>Qual \u00e9 a vis\u00e3o do festival para os pr\u00f3ximos tr\u00eas anos?<\/h2>\n<p>Para os pr\u00f3ximos tr\u00eas anos, o que a gente precisa \u00e9 de dinheiro, sen\u00e3o vai ficar essa situa\u00e7\u00e3o. Ainda fazemos debates ap\u00f3s o festival, r\u00e1pido. A gente tem um debate. Eu gostaria de dar curso como a gente fazia, de levar os diretores para as escolas, como a gente fazia. Fica muito dif\u00edcil fazer essas coisas que a gente gosta de fazer sem dinheiro.<\/p>\n<h2>O que voc\u00ea espera da conversa com o grupo interessado em parceria?<\/h2>\n<p>O que eu queria mesmo era que esse pessoal que vai conversar comigo ap\u00f3s o festival, se for uma pessoa que eu sinta seguran\u00e7a, a gente fazer uma parceria. Agora tem que ser uma pessoa que saiba fazer projeto bem feito para tentar ganhar alguns editais, ficar ligado em alguns editais, que eu sou desligado dessas coisas, e ir para frente. S\u00f3 n\u00e3o d\u00e1 para ficar mais um ano sem dinheiro, para dividir o que n\u00e3o tem.<\/p>\n<h2>Quais seriam os compromissos do Feted se conseguisse patroc\u00ednio adequado?<\/h2>\n<p>Se o festival tiver patroc\u00ednio, se tiver dinheiro, o nosso compromisso \u00e9, primeiro, voltar a ser competitivo, que \u00e9 uma reivindica\u00e7\u00e3o de 99% dos grupos. A\u00ed a gente tem que fazer se tiver dinheiro. \u00c9 isso que tem que fazer com eles. Por que a gente n\u00e3o faz competitivo? Que n\u00e3o tem dinheiro. Porque eles pedem, como eu disse, o festival \u00e9 democr\u00e1tico. Se o pessoal quer, infelizmente eu n\u00e3o sou muito a favor. Eu sou mais de mostra. Mas \u00e9 um pedido deles, mas eles gostam. Ent\u00e3o a gente tem que fazer isso.<\/p>\n<p>Segunda coisa: voltar a gincana, como a gincana. Passar uma manh\u00e3, uma manh\u00e3 grande. Manh\u00e3 de umas quatro ou cinco horas no teatro, conhecendo o teatro, tudo, entendeu? Com uma aula de teatro. Pode ser agora? A gente sempre bota pessoas que trabalham mais com a turma nessa parte \u2014 um ator para fazer essa visita, para que conhe\u00e7a a t\u00e9cnica \u2014 mas coisa alegre, leve, n\u00e3o seja aquela coisa pesad\u00e3o: &#8220;Isso aqui \u00e9 isso, aqui n\u00e3o&#8221;. Ent\u00e3o coisa leve.<\/p>\n<p>Voltar a fazer isso: voltar os diretores \u00e0s escolas, nas escolas. Mostrar: &#8220;Olha, a gente vem aqui duas vezes. No come\u00e7o do ensaio, consegue ensaiar. Olha, o texto \u00e9 assim, assim, assim. Tem que ter cuidado com direitos autorais, porque d\u00e1 cadeia se a Pol\u00edcia Federal&#8230; Ent\u00e3o voc\u00eas t\u00eam que perguntar primeiro: &#8216;Pode montar esse espet\u00e1culo?&#8217; Voc\u00ea tem que entrar em contato com o SBAT, entendeu?&#8221;. E depois, no fim: &#8220;Olha, o caminho \u00e9 esse, foi legal o espet\u00e1culo, entendeu?&#8221;. Ent\u00e3o a gente gostaria de voltar \u2014 os diretores voltarem \u00e0s escolas que est\u00e3o participando. Isso \u00e9 outro compromisso nosso.<\/p>\n<p>E outro compromisso tamb\u00e9m. Eu gosto de fazer umas fotos, e as fotos que mandam para mim s\u00e3o fotos muito ruins. Digo: &#8220;Minha gente, at\u00e9 de celular hoje tira fotos legais para redes sociais&#8221;. Mas as fotos que mandam s\u00e3o fotos escuras, horrorosas. Por isso, nosso compromisso seria fazer uma oficina de fotografia, inclusive ensinando a usar o celular para tirar fotos melhores para a divulga\u00e7\u00e3o dos espet\u00e1culos. Porque hoje em dia todo mundo tem celular e d\u00e1 para fazer material de qualidade, mas precisa ensinar a t\u00e9cnica b\u00e1sica. Isso melhoraria muito o material que os grupos enviam para a gente divulgar o festival.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recife \u00e9 uma metr\u00f3pole que se orgulha de sua efervesc\u00eancia cultural. 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