{"id":26909,"date":"2025-09-12T18:19:18","date_gmt":"2025-09-12T21:19:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=26909"},"modified":"2025-09-12T18:41:52","modified_gmt":"2025-09-12T21:41:52","slug":"quando-a-imagem-pensa-antes-da-palavra-critica-enquanto-voce-voava-eu-criava-raizes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/quando-a-imagem-pensa-antes-da-palavra-critica-enquanto-voce-voava-eu-criava-raizes\/","title":{"rendered":"Quando a imagem pensa <\/br>antes da palavra <\/br> Cr\u00edtica: Enquanto voc\u00ea voava, <\/br>eu criava ra\u00edzes"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_26910\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/ENQUANTO-VOCE-VOAVA-EU-CRIAVA-RAIZESPhoto-Nana-Moraes-_-e1757691703670.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26910\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26910\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/ENQUANTO-VOCE-VOAVA-EU-CRIAVA-RAIZESPhoto-Nana-Moraes-_-e1757691703670.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26910\" class=\"wp-caption-text\">Andr\u00e9 Curti e Artur Luanda Ribeiro em momento de suspens\u00e3o a\u00e9rea, explorando a tens\u00e3o entre peso e leveza que caracteriza o espet\u00e1culo. Foto: Nana Moraes \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o da Cia. Dos \u00e0 Deux, <em><strong>Enquanto voc\u00ea voava, eu criava ra\u00edzes<\/strong><\/em> (com dire\u00e7\u00e3o e performance de Andr\u00e9 Curti e Artur Luanda Ribeiro), desloca a centralidade narrativa para um campo de experi\u00eancia t\u00e1til-visual-sonora. A obra fabrica estados de mundo em vez de contar hist\u00f3rias, materializando no palco o que Jacques Ranci\u00e8re denomina &#8220;redistribui\u00e7\u00e3o do sens\u00edvel&#8221; \u2014 isto \u00e9, uma reconfigura\u00e7\u00e3o das formas de percep\u00e7\u00e3o que determina o que pode ser visto, ouvido e pensado, alterando as fronteiras entre arte e vida, entre o est\u00e9tico e o pol\u00edtico.&nbsp;Essa redistribui\u00e7\u00e3o reprograma o olhar do espectador atrav\u00e9s de uma est\u00e9tica que privilegia o corpo como lugar primordial de conhecimento, onde a experi\u00eancia sensorial antecede e constr\u00f3i o pensamento.&nbsp;<\/p>\n<p>Nos primeiros minutos, imagens com lastro concreto \u2014 o jarr\u00e3o, a superf\u00edcie, o contorno humano \u2014 oferecem \u00e2ncoras de reconhecimento que logo se desfazem em metamorfoses cont\u00ednuas. A opera\u00e7\u00e3o revela maestria t\u00e9cnica no sentido mais elevado do termo. Aqui, a precis\u00e3o art\u00edstica funciona como m\u00e9todo de investiga\u00e7\u00e3o sens\u00edvel: o dom\u00ednio t\u00e9cnico libera possibilidades perceptivas que convocam a plateia a pensar com os sentidos e suportar a deriva sem a muleta do enredo. Essa precis\u00e3o constitui artesania refinada a servi\u00e7o de uma po\u00e9tica do imposs\u00edvel \u2014 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para que o espectador aceite a l\u00f3gica on\u00edrica da cena e se permita habitar um regime de percep\u00e7\u00e3o ampliado.<\/p>\n<p>Nos primeiros minutos, imagens com lastro concreto \u2014 o jarr\u00e3o, a superf\u00edcie, o contorno humano \u2014 oferecem \u00e2ncoras de reconhecimento que logo se desfazem em metamorfoses cont\u00ednuas. A opera\u00e7\u00e3o \u00e9, sim, virtuosismo pl\u00e1stico no sentido mais elevado do termo. Aqui, o virtuosismo funciona como m\u00e9todo de investiga\u00e7\u00e3o sens\u00edvel: a maestria t\u00e9cnica libera possibilidades perceptivas que convocam a plateia a pensar com os sentidos e suportar a deriva sem a muleta do enredo. Virtuosismo, neste contexto \u00e9 precis\u00e3o artesanal a servi\u00e7o de uma po\u00e9tica do imposs\u00edvel \u2014 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para que o espectador aceite a l\u00f3gica on\u00edrica da cena e se permita habitar um regime de percep\u00e7\u00e3o ampliado.<\/p>\n<div id=\"attachment_26911\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/52804184745_25e4f9a490_k-e1757696319786.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26911\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26911\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/52804184745_25e4f9a490_k-e1757696319786.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26911\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Enquanto voc\u00ea voava, eu criava ra\u00edzes, <\/strong>da Cia. Dos \u00e0 Deux. <\/em>Foto: Virginia Benevenuto<\/p><\/div>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o c\u00eanica revela precis\u00e3o milim\u00e9trica : transi\u00e7\u00f5es limpas, modula\u00e7\u00f5es de peso calculadas, uso da in\u00e9rcia como material composicional. Essa precis\u00e3o garante a possibilidade do risco. Curti e Ribeiro, suspensos em esferas met\u00e1licas ou desafiando a gravidade em coreografias a\u00e9reas, sustentam uma dial\u00e9tica entre controle e vertigem \u2014 \u00e9tica do of\u00edcio que torna veross\u00edmil o imposs\u00edvel: levitar sem fugir do ch\u00e3o, criar ra\u00edzes no ar.<\/p>\n<p>O risco f\u00edsico constitui condi\u00e7\u00e3o de verdade do gesto. Essa precis\u00e3o t\u00e9cnica delicada sustenta a liberdade po\u00e9tica. Tudo parece inevit\u00e1vel porque tudo \u00e9 rigorosamente constru\u00eddo.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o visual (Miguel Vassy e Laura Fragoso) atua como partitura invis\u00edvel que atravessa corpos e espa\u00e7o. As proje\u00e7\u00f5es ora encarnam, ora evaporam, deixando vest\u00edgios que funcionam como pistas de leitura. Esse regime de vest\u00edgio impede o esgotamento do sentido, evitando que significados expl\u00edcitos saturem a experi\u00eancia perceptiva. Cada figura nasce para desaparecer, gerando intervalos produtivos em que o espectador completa lacunas e participa ativamente da constru\u00e7\u00e3o de sentido.<\/p>\n<p>A luz recorta, erode, expande; a sombra escreve. A altern\u00e2ncia entre recorte preciso e penumbra respirada cria uma topologia m\u00f3vel que desloca continuamente os polos figura\/fundo. O palco deixa de constituir plano para tornar-se organismo vivo.<\/p>\n<p>A m\u00fasica original de Federico Puppi opera como for\u00e7a de modula\u00e7\u00e3o temporal, expandindo e contraindo a dura\u00e7\u00e3o c\u00eanica. A trilha sonora estabelece contraponto com as imagens, criando fric\u00e7\u00f5es produtivas entre som e gesto. Essa estrat\u00e9gia compositiva evita a redund\u00e2ncia audiovisual, gerando o que se pode denominar &#8220;terceiro corpo&#8221; \u2014 a dimens\u00e3o sonora da cena que impede o deslizamento para a beleza contemplativa e mant\u00e9m a experi\u00eancia em estado de tens\u00e3o criativa.<\/p>\n<div id=\"attachment_26912\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/52803224047_871fcb3ea1_k-e1757697029959.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26912\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26912\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/52803224047_871fcb3ea1_k-e1757697029959.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26912\" class=\"wp-caption-text\">Momento de fus\u00e3o entre corpo e proje\u00e7\u00e3o visual, evidenciando a integra\u00e7\u00e3o entre elementos performativos e tecnol\u00f3gicos da obra. Foto: Virginia Benevenuto<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_26913\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/52804233243_8bf85d4d33_k-e1757697063959.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26913\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26913\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/52804233243_8bf85d4d33_k-e1757697063959.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"900\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26913\" class=\"wp-caption-text\">Os performers exploram diferentes n\u00edveis espaciais, criando di\u00e1logo vertical entre enraizamento e eleva\u00e7\u00e3o. Foto: Virginia Benevenuto<\/p><\/div>\n<p>Proponho ler a obra como cartografia do abismo dom\u00e9stico. &#8220;Dom\u00e9stico&#8221; n\u00e3o pela trivialidade, mas porque imagens que sugerem materiais de casa (jarros, superf\u00edcies, contornos familiares) convertem-se em portais para o indiz\u00edvel. A cena captura o momento anterior ao s\u00edmbolo e o posterior ao reconhecimento, mapeando como o \u00edntimo se abre para o informe sem perder delicadeza.<\/p>\n<p>Em vez de representar deslocamentos (migra\u00e7\u00e3o, ex\u00edlio, pertencimento), a obra desenha condi\u00e7\u00f5es de deslocabilidade. N\u00e3o encena &#8220;quem parte&#8221; ou &#8220;quem fica&#8221;; fabrica gravidades que ora prendem, ora rarefazem. V\u00ednculo vira for\u00e7a, mem\u00f3ria vira massa, desejo vira vetor.<\/p>\n<p>&nbsp;Essa po\u00e9tica contesta a rigidez dicot\u00f4mica contempor\u00e2nea ao questionar as polaridades que moldam nossa compreens\u00e3o \u2014 liberdade\/pris\u00e3o, medo\/coragem, paralisia\/movimento \u2014, revelando-as como manifesta\u00e7\u00f5es de uma mesma ess\u00eancia din\u00e2mica. A fus\u00e3o entre voo e queda livre, numa a\u00e7\u00e3o \u00fanica, contraria uma \u00e9poca obsessivamente apegada a polariza\u00e7\u00f5es. Essa dissolu\u00e7\u00e3o das dicotomias emerge como reencantamento necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Os corpos que se lan\u00e7am no abismo n\u00e3o flutuam ou caem; flutuam enquanto caem. N\u00e3o existem fronteiras, hist\u00f3ria linear ou palavras \u2014 e precisamente nessa aus\u00eancia a obra floresce, permitindo proje\u00e7\u00f5es individuais em um universo de s\u00edmbolos compartilhados.<\/p>\n<div id=\"attachment_26914\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/52803225262_0179851bad_k.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26914\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-26914 size-full\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/52803225262_0179851bad_k-e1757698047722.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26914\" class=\"wp-caption-text\">Simultaneidade entre movimento ascendente e enraizamento. Foto: Virginia Benevenuto<\/p><\/div>\n<p>A obra trabalha opera\u00e7\u00f5es composicionais fundamentais que constituem as articula\u00e7\u00f5es de uma mesma arquitetura dramat\u00fargica. A elasticidade temporal manifesta-se na altern\u00e2ncia calculada entre suspens\u00e3o e precipita\u00e7\u00e3o, criando um pulso que organiza a expectativa sem depender de intriga narrativa \u2014 o tempo c\u00eanico respira, ret\u00e9m e libera, ancorando a dramaturgia no pr\u00f3prio ritmo da aten\u00e7\u00e3o. Simultaneamente, um contraponto t\u00f4nico governa a rela\u00e7\u00e3o entre os corpos: quando um performer enra\u00edza, concentrando peso e densidade, o outro se lan\u00e7a ao voo, rarefazendo-se em dire\u00e7\u00e3o ao alto, estabelecendo uma distribui\u00e7\u00e3o din\u00e2mica de for\u00e7as que transcende a ilustra\u00e7\u00e3o literal de opostos. Finalmente, o sil\u00eancio opera como campo ressonante, como subst\u00e2ncia densa que amplifica microvaria\u00e7\u00f5es gestuais, convertendo o m\u00ednimo em acontecimento e permitindo que cada modula\u00e7\u00e3o corporal se torne evento dramat\u00fargico significativo.<\/p>\n<p>A pe\u00e7a politiza a percep\u00e7\u00e3o, n\u00e3o o discurso, isto \u00e9 atrav\u00e9s da reorganiza\u00e7\u00e3o das formas de perceber, n\u00e3o atrav\u00e9s de conte\u00fados pol\u00edticos expl\u00edcitos. Convoca o reconhecimento, no pr\u00f3prio corpo, da gram\u00e1tica do deslocamento sem enunciar temas de migra\u00e7\u00e3o ou ex\u00edlio. Prop\u00f5e v\u00ednculos m\u00f3veis \u2014 ra\u00edzes provis\u00f3rias capazes de sustentar encontros no ar. Constitui uma pol\u00edtica do sens\u00edvel que reeduca a aten\u00e7\u00e3o: enraizar n\u00e3o significa imobilizar; voar n\u00e3o significa evadir.&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_26917\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/52804039644_d1fd0fa212_k-e1757702573658.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26917\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26917\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/52804039644_d1fd0fa212_k-e1757702573658.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26917\" class=\"wp-caption-text\">Explora\u00e7\u00e3o das possibilidades expressivas do objeto c\u00eanico em di\u00e1logo com as proje\u00e7\u00f5es. Foto: Virginia Benevenuto<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_26916\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/52804039874_bcc1765270_k.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26916\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26916\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/52804039874_bcc1765270_k-e1757702619944.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26916\" class=\"wp-caption-text\">Momento de integra\u00e7\u00e3o entre elementos t\u00e9cnicos e performativos. Foto: Virginia Benevenuto<\/p><\/div>\n<h2>Tens\u00f5es Produtivas e Limites Perceptivos&nbsp;<\/h2>\n<p>A economia de elementos verbais e a densidade imag\u00e9tica da obra, especialmente em seu in\u00edcio, exigem do espectador um regime de aten\u00e7\u00e3o sensorial, que nem todos os p\u00fablicos abra\u00e7am imediatamente, habituados \u00e0 centralidade narrativa do teatro textual. Essa fric\u00e7\u00e3o inicial, contudo, integra o dispositivo. A obra demanda tempo para reprogramar o olhar e alinhar corpo e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sua l\u00f3gica sensorial.<\/p>\n<p>A linguagem c\u00eanica da obra&nbsp; \u2014 que integra escolhas est\u00e9ticas e composicionais visuais, sonoras e corporais, conforme detalhamento dispon\u00edvel no programa da montagem \u2014 caracteriza-se por uma coes\u00e3o visual que instala uma superf\u00edcie de aparente fluidez e precis\u00e3o harmoniosa. Para que essa harmonia n\u00e3o dilu\u00edsse o mergulho tem\u00e1tico proposto, focado na explora\u00e7\u00e3o dos &#8220;abismos internos&#8221;, dos &#8220;medos, ang\u00fastias e feridas profundas&#8221; e da &#8220;uni\u00e3o do humano com o primitivo&#8221;, o trabalho aciona intencionalmente rupturas e disson\u00e2ncias. Essas se manifestam em pausas densas, ru\u00eddos inesperados e sombras m\u00f3veis que, ao quebrar a aparente homogeneidade, reintroduzem um contato mais direto entre a constru\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e o mergulho tem\u00e1tico da obra.<\/p>\n<p>Essa din\u00e2mica, ao convidar o espectador a uma aten\u00e7\u00e3o mais refinada \u00e0s nuances e disson\u00e2ncias, amplia o campo de leitura. Constitui uma estrat\u00e9gia que instiga a perceber al\u00e9m do imediatamente dado, a apreender as min\u00facias e as pequenas perturba\u00e7\u00f5es que permeiam a experi\u00eancia c\u00eanica, expandindo as camadas de sentido para territ\u00f3rios n\u00e3o-verbais de significa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Enquanto voc\u00ea voava, eu criava ra\u00edzes<\/strong> <\/em>expande um laborat\u00f3rio de percep\u00e7\u00e3o em que imagens pensam e afetos curvam o tempo. Com precis\u00e3o t\u00e9cnica delicada e imagina\u00e7\u00e3o formal ousada, a Cia. Dos \u00e0 Deux institui uma &#8220;coreografia da gravidade afetiva&#8221; que dissolve dicotomias existenciais em favor de uma cartografia do abismo, estabelecendo voo e raiz como tecnologias po\u00e9ticas de redistribui\u00e7\u00e3o do sens\u00edvel que desafiam os modos convencionais de habitar o mundo.<\/p>\n<h2>SERVI\u00c7O<\/h2>\n<p><strong><em>Enquanto voc\u00ea voava, eu criava ra\u00edzes<\/em><\/strong><br \/>\n12 a 13 de Setembro &#8211; Sexta e S\u00e1bado \u00e0s 20h<br \/>\nDe 16 a 20 de Setembro &#8211; de ter\u00e7a a s\u00e1bado, \u00e0s 20h<\/p>\n<p>CAIXA Culturral Recife &#8211; Av. Alfredo Lisboa, 505, Recife<br \/>\n<strong>Ingressos<\/strong>: R$ 30 e R$ 15,<\/p>\n<h4>&nbsp;<\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cria\u00e7\u00e3o da Cia. 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