{"id":26557,"date":"2025-06-07T18:47:58","date_gmt":"2025-06-07T21:47:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=26557"},"modified":"2025-06-08T12:22:20","modified_gmt":"2025-06-08T15:22:20","slug":"epifanias-cenicas-arte-e-politica-critica-ao-vivo-dentro-da-cabeca-de-alguem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/epifanias-cenicas-arte-e-politica-critica-ao-vivo-dentro-da-cabeca-de-alguem\/","title":{"rendered":"Epifanias c\u00eanicas: arte \u00e9 pol\u00edtica <\/br> Cr\u00edtica: Ao Vivo [Dentro da cabe\u00e7a de algu\u00e9m]"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_26558\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54569227785_3328ed8e00_c-e1749326187476.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26558\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26558\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54569227785_3328ed8e00_c-e1749326187476.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26558\" class=\"wp-caption-text\">Apresenta\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo Ao Vivo [Dentro da cabe\u00e7a de algu\u00e9m} em Porto Alegre. Foto: Adriana Marchiori<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_26561\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54568029082_6e2309ef27_c-e1749327148324.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26561\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26561\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54568029082_6e2309ef27_c-e1749327148324.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26561\" class=\"wp-caption-text\">Renata Sorrah e cia brasileira de teatro em Porto Alegre<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_26560\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54569125718_d00ff72e0b_c.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26560\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26560\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54569125718_d00ff72e0b_c-e1749326333841.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26560\" class=\"wp-caption-text\">Teatro Sim\u00f5es Lopes Neto, em Porto Alegre, lotado nas duas sess\u00f5es da pe\u00e7a. Foto: Adriana Marchiori<\/p><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-26-at-11.52.17.jpeg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26485 alignleft\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-26-at-11.52.17.jpeg\" alt=\"\" width=\"202\" height=\"97\"><\/a>Todo o mundo <strong>ama<\/strong> Renata Sorrah. Talvez n\u00e3o todo o mundo do mundo inteiro, porque h\u00e1 quem prefira exercitar sentimentos menos nobres. O que \u00e9 incontest\u00e1vel, por\u00e9m, \u00e9 que o p\u00fablico que lotou as duas sess\u00f5es do <em>Ao Vivo [Dentro da cabe\u00e7a de algu\u00e9m]<\/em>, no Teatro Sim\u00f5es Lopes Neto, em Porto Alegre, na quarta e quinta-feira, 4 e 5 de junho, na programa\u00e7\u00e3o do <em>Palco Girat\u00f3rio \u2013 19\u00ba Festival Porto Alegre<\/em>, vibrou numa emo\u00e7\u00e3o coletiva de admira\u00e7\u00e3o e carinho. Um fen\u00f4meno semelhante j\u00e1 havia sido testemunhado durante a temporada no SESI-SP, onde o espet\u00e1culo somou 64 apresenta\u00e7\u00f5es entre 22 de agosto e 1\u00ba de dezembro de 2024, atraindo cerca de 27.400 pessoas. Mas<strong> bah, tch\u00ea,<\/strong> essa experi\u00eancia no Rio Grande do Sul foi extraordin\u00e1ria. A atriz ga\u00facha Sandra Possani foi uma das pessoas&nbsp;que se emocionou do in\u00edcio ao fim da pe\u00e7a.<\/p>\n<p>Em Porto Alegre, alguns espectadores mais afoitos buscavam eternizar os momentos p\u00f3s-espet\u00e1culo em <em>selfies<\/em>. No contexto da pe\u00e7a, qualquer receio de que o p\u00fablico ga\u00facho, por vezes associado a um certo conservadorismo, fosse reticente com a linguagem contempor\u00e2nea da Companhia Brasileira de Teatro desfez-se por completo. A plateia, composta por amantes das artes e especialmente do teatro, mostrou-se aberta e disposta a mergulhar de cabe\u00e7a na proposta, permitindo-se expandir seus horizontes.<\/p>\n<p>Essa receptividade entusi\u00e1stica transformou-se em uma declara\u00e7\u00e3o coletiva de benqueren\u00e7a. Todas ali desejavam expressar, e o fizeram com uma ova\u00e7\u00e3o calorosa: &#8220;N\u00f3s amamos sua arte&#8221;. Muitos, naquele momento, sentiram-se conectados \u00e0s emo\u00e7\u00f5es que a can\u00e7\u00e3o <em>Beatriz<\/em> t\u00e3o bem entoa \u2013 aquela valsa composta por Edu Lobo, com letra de Chico Buarque, e eternizada na voz de Milton Nascimento: &#8220;&#8230; Olha \/ Ser\u00e1 que \u00e9 uma estrela \/ Ser\u00e1 que \u00e9 mentira \/ Ser\u00e1 que \u00e9 com\u00e9dia \/ Ser\u00e1 que \u00e9 divina \/ A vida da atriz \/ Se ela um dia despencar do c\u00e9u \/ E se os pagantes exigirem bis \/ E se o arcanjo passar o chap\u00e9u \/ E se eu pudesse entrar na sua vida&#8230;&#8221; \u2013 versos que capturam essa mescla de admira\u00e7\u00e3o distante e desejo de proximidade que tantos nutrimos por grandes artistas.<\/p>\n<p>Curiosamente, essa rela\u00e7\u00e3o entre p\u00fablico e celebridade o espet\u00e1culo questiona e desdobra. As falas da pe\u00e7a refletem essa obsess\u00e3o de forma cr\u00edtica e bem-humorada: Deixa ela&#8230; \u201cOlha como ela sorri. Olha como ela anda&#8230; olha como ela dirige o carro.&#8221; A dramaturgia e a encena\u00e7\u00e3o de Marcio Abreu jogam com o conceito de celebridade de forma sagaz, agenciando sua desconstru\u00e7\u00e3o. Em cena, a &#8220;estrela&#8221; Renata Sorrah \u00e9 instigada a ir al\u00e9m do que se espera de sua <em>persona<\/em> p\u00fablica, revelando a humanidade e as complexidades por tr\u00e1s do \u00edcone.<\/p>\n<p>As grandiosas proje\u00e7\u00f5es do rosto de Sorrah em cena atuam como um recurso est\u00e9tico impactante e como uma met\u00e1fora visual potente que, ao magnificar a figura da atriz a propor\u00e7\u00f5es monumentais, for\u00e7a o espectador a um escrut\u00ednio \u00edntimo sobre a constru\u00e7\u00e3o da celebridade. Essa magnifica\u00e7\u00e3o aprofunda o debate para al\u00e9m do universo est\u00e9tico e perform\u00e1tico, adentrando quest\u00f5es urgentes e contempor\u00e2neas, como a ascens\u00e3o de figuras desqualific\u00e1veis no campo pol\u00edtico e a cria\u00e7\u00e3o de um terreno f\u00e9rtil para a prolifera\u00e7\u00e3o desenfreada de desinforma\u00e7\u00e3o. A justaposi\u00e7\u00e3o da imagem da atriz \u2013 uma figura de culto no teatro, na televis\u00e3o e no cinema brasileiros \u2013 com a cr\u00edtica incisiva a esses fen\u00f4menos sociais e pol\u00edticos, estabelece um paralelo inquietante e insinua que a mesma lente cr\u00edtica agu\u00e7ada, aplicada ao estudo do culto de personalidades e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de \u00edcones, deve ser rigorosamente direcionada \u00e0 arena social e pol\u00edtica.<\/p>\n<div id=\"attachment_26563\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54569226525_9da0dd916d_c-e1749327844349.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26563\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26563\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54569226525_9da0dd916d_c-e1749327844349.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26563\" class=\"wp-caption-text\">Rodrigo Bolzan e Renata Sorrah. Foto: Adriana Marchiori<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_26562\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54569127828_d1838d7b4d_c-e1749327975234.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26562\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26562\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54569127828_d1838d7b4d_c-e1749327975234.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26562\" class=\"wp-caption-text\">B\u00e1rbara Arakaki, Rodrigo Bolzan, Bianca Manicongo (Bixarte), Renata e Rafael Bacelar.Foto: Adriana Marchiori<\/p><\/div>\n<p>Em um momento da encena\u00e7\u00e3o, Renata Sorrah remonta a uma epifania vivenciada na d\u00e9cada de 1970, no limiar de um ensaio rotineiro de <em>A Gaivota<\/em>, onde interpretava Nina. Nesse trajeto cotidiano, uma s\u00fabita e profunda clareza se manifestou. Uma epifania, em sua ess\u00eancia, \u00e9 isso: um lampejo de percep\u00e7\u00e3o t\u00e3o profundo e inesperado que uma verdade fundamental irrompe na consci\u00eancia, um ponto de inflex\u00e3o existencial que altera a perspectiva do indiv\u00edduo. Essa reminisc\u00eancia, meticulosamente partilhada com a plateia, irradia-se como feixes de luz que permeiam e moldam cada gesto, cada inten\u00e7\u00e3o e cada palavra proferida em cena. \u00c9 essa mem\u00f3ria fundacional que nutre a complexa engrenagem criativa do espet\u00e1culo, desempenhando o papel de um pilar que conecta a experi\u00eancia pessoal e \u00edntima da atriz e do elenco \u00e0s quest\u00f5es intr\u00ednsecas de dilemas e complexidades do viver e \u00e0 pr\u00e1tica art\u00edstica.<\/p>\n<p>A dramaturgia, elaborada a partir da pesquisa e cria\u00e7\u00e3o coletiva de Abreu, Nadja Naira, C\u00e1ssia Damasceno e Jos\u00e9 Maria, estrutura-se em complexos estratos subjetivos sobrepostos, que deliberadamente conduzem o espectador por intrincados deslocamentos temporais e fissuras na consci\u00eancia. A pe\u00e7a de Tchekhov move-se como um eco ressonante, uma matriz referencial e tem\u00e1tica que possibilita explorar os dilemas entre arte e vida, idealismo e realidade. As sequ\u00eancias articulam-se n\u00e3o por encadeamento causal tradicional, mas por associa\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas e excertos dial\u00f3gicos forjados em improvisa\u00e7\u00f5es, o que confere \u00e0 narrativa um car\u00e1ter fluido e em constante devir, resistindo a interpreta\u00e7\u00f5es fechadas. A experi\u00eancia perform\u00e1tica incorpora recursos metateatrais, como a autorreferencialidade ao ato de cria\u00e7\u00e3o e men\u00e7\u00f5es diretas ao processo de ensaio, desvelando a pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o da obra e convidando o p\u00fablico a refletir sobre a natureza da representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O elenco, composto por Rentata, Rodrigo Bolzan, Rafael Bacelar, B\u00e1rbara Arakaki e Bianca Manicongo (Bixarte), revela-se uma verdadeira constela\u00e7\u00e3o de talentos. Cada integrante concede voz \u00e0 sua singular viv\u00eancia e corporeidade, tecendo-as \u00e0 cena e enriquecendo a intrincada trama de subjetividades que a pe\u00e7a desdobra.<\/p>\n<h2>A Trajet\u00f3ria de uma Parceria Excepcional<\/h2>\n<p>Ao longo de mais de treze anos, a colabora\u00e7\u00e3o entre a Companhia Brasileira de Teatro, sob a dire\u00e7\u00e3o de Marcio Abreu, e a atriz Renata Sorrah firmou-se como um dos encontros mais inspiradores e influentes no panorama teatral contempor\u00e2neo brasileiro.&nbsp;<\/p>\n<p>O cap\u00edtulo inaugural dessa trajet\u00f3ria remonta a 2012, com <em>Esta Crian\u00e7a<\/em>, texto do dramaturgo franc\u00eas Jo\u00ebl Pommerat. Na montagem, a Companhia, com Sorrah e o elenco de Giovana Soar, Ranieri Gonzalez e Edson Rocha, explorou dez situa\u00e7\u00f5es-limite entre pais e filhos, valendo-se de estruturas fragmentadas e economia de gestos para revelar a urg\u00eancia das emo\u00e7\u00f5es familiares.<\/p>\n<p>Em 2015, a parceria firmou-se em <em>Krum<\/em>, texto de Hanoch Levin, onde a viol\u00eancia simb\u00f3lica e o humor \u00e1cido integraram-se \u00e0 pesquisa corporal e vocal do coletivo. O elenco contava com Cris Larin, Danilo Grangheia, Edson Rocha, Grace Pass\u00f4, Inez Viana, Ranieri Gonzalez, Renata Sorrah, Rodrigo Bolzan e Rodrigo Ferrarine. Naquele momento, se aprofundava uma linguagem teatral pautada na metalinguagem, na desarticula\u00e7\u00e3o de linearidades narrativas e na tens\u00e3o entre corpo, mem\u00f3ria e dic\u00e7\u00e3o, elementos que seriam mais explorados em trabalhos futuros.<\/p>\n<p>Com <em>Preto&nbsp;<\/em>(2017), a colabora\u00e7\u00e3o ascendeu a um novo patamar de excel\u00eancia art\u00edstica, com a participa\u00e7\u00e3o de Renata Sorrah no elenco, ao lado de C\u00e1ssia Damasceno, Felipe Soares, Grace Pass\u00f4, Nadja Naira e Rodrigo Bolzan\/Rafael Bacelar (em altern\u00e2ncia).<\/p>\n<div id=\"attachment_26565\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54568899536_c68f08cbfb_c-e1749327905473.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26565\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26565\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54568899536_c68f08cbfb_c-e1749327905473.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26565\" class=\"wp-caption-text\">Elenco da pe\u00e7a .Foto: Adriana Marchiori<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_26566\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54569226675_95bb8cc809_c-e1749330364940.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26566\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26566\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54569226675_95bb8cc809_c-e1749330364940.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26566\" class=\"wp-caption-text\">Quando Renata e Bianca trocam de texto para focar no lugar de fala. Foto: Adriana Marchiori<\/p><\/div>\n<p>Em <em>Ao Vivo [Dentro da cabe\u00e7a de algu\u00e9m]<\/em>, os artistas demonstram, com uma eloqu\u00eancia po\u00e9tica que ressoa profundamente, que o ato de criar \u00e9 intrinsecamente pol\u00edtico, pois a arte n\u00e3o \u00e9 apenas est\u00e9tica, mas uma express\u00e3o de ag\u00eancia e vis\u00e3o de mundo. Cada manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica aut\u00eantica, ao propor novas perspectivas e realidades, afirma a possibilidade tang\u00edvel de um mundo mais equitativo e sens\u00edvel. \u00c9 um gesto vital de resist\u00eancia contra a uniformiza\u00e7\u00e3o do pensamento, a imposi\u00e7\u00e3o de ideologias dominantes e as diversas formas de opress\u00e3o social e cultural, abrindo espa\u00e7o para a diversidade, a empatia e a transforma\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p>A vertente pol\u00edtica da montagem assume contornos n\u00edtidos no atual panorama brasileiro, marcado pela polariza\u00e7\u00e3o e pela emerg\u00eancia de discursos autorit\u00e1rios. A pe\u00e7a perscruta dilemas sociopol\u00edticos sem resvalar no didatismo ou no panfletarismo, incorporando coment\u00e1rios sobre a hist\u00f3ria recente do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em uma sequ\u00eancia de particular impacto, Renata Sorrah tece, por meio de frases concisas e incisivas, uma narrativa que imbrica eventos coletivos \u2013 a pris\u00e3o de Lula, as manifesta\u00e7\u00f5es feministas, o impeachment de Dilma, a primeira deputada trans no Congresso Nacional, a reelei\u00e7\u00e3o de Lula. A for\u00e7a dessa sequ\u00eancia reside na capacidade de evocar a mem\u00f3ria coletiva sem a necessidade de explica\u00e7\u00f5es exaustivas, confiando na intelig\u00eancia e na viv\u00eancia do p\u00fablico. Em um per\u00edodo em que a cultura e a liberdade ainda sentem o impacto dos ataques sistem\u00e1ticos empreendidos por aquele malfadado governo que nunca deveria ter ocupado o poder, a pr\u00f3pria exist\u00eancia desta encena\u00e7\u00e3o, com sua complexidade est\u00e9tica e seu compromisso com o pensamento cr\u00edtico, emerge como um gesto de insubmiss\u00e3o e como farol.<\/p>\n<p>Os corpos em cena configuram-se como territ\u00f3rios de discurso e resist\u00eancia, onde a presen\u00e7a se torna eloquente e irradiadora. A repeti\u00e7\u00e3o calculada de gestos e falas e a pluralidade interpretativa \u2013 exemplificada quando v\u00e1rios atores proferem o mesmo texto e reiteram o gesto \u2013 comp\u00f5em uma gram\u00e1tica teatral que desafia expectativas e convida o p\u00fablico a uma experi\u00eancia sensorial e intelectual, desmitificando o processo criativo. Uma cena emblem\u00e1tica dessa dimens\u00e3o surge quando uma atriz cisg\u00eanero, Renata, e uma atriz transg\u00eanero, Bianca Manicongo (Bixarte), trocam seus textos, uma discorrendo sobre corporalidades trans e a outra sobre etarismo, revelando como certos discursos, ao transitarem entre diferentes corpos, exp\u00f5em profundas contradi\u00e7\u00f5es sociais e a arbitrariedade de quem \u00e9 autorizado a falar sobre certas experi\u00eancias. Essa invers\u00e3o provoca um questionamento crucial: a quem realmente compete falar em nome do outro, e como a identidade de quem se expressa influencia decisivamente a percep\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o do que \u00e9 dito.<\/p>\n<div id=\"attachment_26569\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54568902161_767013372c_c-e1749330650621.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26569\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26569\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54568902161_767013372c_c-e1749330650621.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26569\" class=\"wp-caption-text\">Rafael Bacelar, montado de drag queen, faz um elogio ao lado esquerdo (do corpo). Foto: Adriana Marchiori<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_26570\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54569226455_c82d934152_c-e1749330628406.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26570\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26570\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54569226455_c82d934152_c-e1749330628406.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26570\" class=\"wp-caption-text\">Humor e cr\u00edtica na performance de Bacelar. Foto: Adriana Marchiori<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_26568\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54568902141_50e7afa7fa_c-e1749330684678.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26568\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26568\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54568902141_50e7afa7fa_c-e1749330684678.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26568\" class=\"wp-caption-text\">Int\u00e9rprete dubla Sacrifice, de Elton John. Foto: Adriana Marchiori<\/p><\/div>\n<p>Em sua sequ\u00eancia de dan\u00e7a de car\u00e1ter pol\u00edtico, Rafael Bacelar constr\u00f3i uma performance que reafirma a corporalidade como campo de disputa ideol\u00f3gica e express\u00e3o de identidades dissidentes. O artista inicia a cena ouvindo conselhos maternos em \u00e1udio enquanto se monta como drag queen perante os espectadores, estabelecendo uma intimidade transgressora com o p\u00fablico e borrando as fronteiras entre o pessoal e o pol\u00edtico. Essa a\u00e7\u00e3o convida o espectador a um espa\u00e7o de cumplicidade e sublinha a performatividade inerente \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da identidade. Em um surpreendente desdobramento c\u00eanico, esse \u00e1udio materno \u00e9 dublado, em v\u00eddeo projetado, por Renata Sorrah, que j\u00e1 havia estabelecido com Bacelar outra rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e-filho em cena de <em>A Gaivota<\/em>, criando uma camada adicional de intertextualidade e afeto que enriquece a narrativa. Durante a performance, ele tece um elogio po\u00e9tico ao lado esquerdo do corpo, instituindo uma met\u00e1fora expl\u00edcita que alude aos partidos de esquerda no Brasil, um gesto de clara filia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e art\u00edstica.<\/p>\n<p>Com humor perspicaz e cr\u00edtica incisiva, Bacelar provoca a plateia por meio de uma comunica\u00e7\u00e3o direta e desafiadora: encara os espectadores, setoriza a assist\u00eancia em &#8220;direita&#8221;, &#8220;esquerda&#8221; e &#8220;centr\u00e3o&#8221;, gerando uma tens\u00e3o permeada de comicidade que convida \u00e0 autoan\u00e1lise e ao riso nervoso. Essa intera\u00e7\u00e3o perform\u00e1tica for\u00e7a o p\u00fablico a confrontar suas pr\u00f3prias posi\u00e7\u00f5es e preconceitos. O cl\u00edmax da performance ocorre com uma potente dublagem da can\u00e7\u00e3o <em>Sacrifice<\/em>&nbsp;de Elton John, momento em que a plateia \u00e9 completamente arrebatada pelo <em>showman<\/em>, que transforma a vulnerabilidade em for\u00e7a e a arte em um grito de liberdade. S\u00e3o m\u00faltiplas tessituras que se entrela\u00e7am, constituindo uma viv\u00eancia que se configura como um manifesto corp\u00f3reo-pol\u00edtico pulsante e inesquec\u00edvel.<\/p>\n<div id=\"attachment_26564\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54568028067_65c97659cc_c-e1749328004878.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26564\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26564\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54568028067_65c97659cc_c-e1749328004878.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26564\" class=\"wp-caption-text\">Campo de atua\u00e7\u00e3o se expande e comprime no palco. Foto: Adriana Marchiori<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_26571\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54569083574_bdef6b2785_c-e1749331150509.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26571\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26571\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54569083574_bdef6b2785_c-e1749331150509.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26571\" class=\"wp-caption-text\">B\u00e1rbara Arakaki e Bianca Manicongo (Bixarte). Foto: Adriana Marchiori<\/p><\/div>\n<p>A visualidade de <em>Ao Vivo<\/em> transp\u00f5e o fluxo mental para o espa\u00e7o c\u00eanico, alternando entre abstra\u00e7\u00e3o e concretude. Em cena, os pr\u00f3prios atores manipulam estruturas minimalistas e m\u00f3veis, como cadeiras, mesas ou estantes de partitura, transformando-as em elementos cenogr\u00e1ficos din\u00e2micos que criam transi\u00e7\u00f5es entre distintos recortes de mem\u00f3ria e estados de consci\u00eancia. Essa manipula\u00e7\u00e3o \u00e9 funcional e perform\u00e1tica, sublinhando a maleabilidade da mente e a constru\u00e7\u00e3o subjetiva da realidade. A ilumina\u00e7\u00e3o, trabalhada com precis\u00e3o cir\u00fargica nos focos e varia\u00e7\u00f5es sutis de intensidade e cor, demarca e borra as fronteiras entre realidade e imagin\u00e1rio, salientando rupturas temporais e os jogos perform\u00e1ticos que desafiam a percep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico.<\/p>\n<div id=\"attachment_26575\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54568898251_ddf582327e_c-e1749331958533.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26575\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26575\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54568898251_ddf582327e_c-e1749331958533.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26575\" class=\"wp-caption-text\">Bianca Manicongo canta lindamente. Foto: Adriana Marchiori<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_26573\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54569086109_31a0d5a35d_c-e1749331882110.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26573\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26573\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/54569086109_31a0d5a35d_c-e1749331882110.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26573\" class=\"wp-caption-text\">Atriz cantora evoca o anseio por um pa\u00eds mais justo. Foto: Adriana Marchiori<\/p><\/div>\n<p><em>Ao Vivo<\/em> constr\u00f3i uma po\u00e9tica da reexist\u00eancia onde imagina\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria se tornam instrumentos de compreens\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o da realidade. As reflex\u00f5es sobre a perenidade da arte, o significado do of\u00edcio teatral e a efemeridade interpenetram-se com a cr\u00edtica sociopol\u00edtica, culminando em momentos de beleza e profundidade. Em passagem emblem\u00e1tica, Bianca Manicongo evoca o anseio por um pa\u00eds onde seja poss\u00edvel &#8220;beijar bocas, beber \u00e1gua limpa, abra\u00e7ar a floresta, brindar suas exist\u00eancias&#8221; \u2013 uma invoca\u00e7\u00e3o po\u00e9tica do desejo coletivo por um Brasil mais justo, acolhedor e em harmonia com a natureza, um manifesto de utopia poss\u00edvel que ressoa como um chamado \u00e0 a\u00e7\u00e3o e \u00e0 esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>A m\u00fasica pulsa e ressoa com extraordin\u00e1ria pot\u00eancia. A dramaturgia sonora, urdida por Felipe Storino, constitui um elemento estruturante da encena\u00e7\u00e3o, operando como um fio condutor emocional e narrativo. A sonoridade ecoa para a plateia e encontra na voz inconfund\u00edvel de Bianca Manicongo sua express\u00e3o mais sublime, especialmente na interpreta\u00e7\u00e3o de <em>Love is a Losing Game<\/em> de Amy Winehouse. H\u00e1 uma melancolia profunda nessa can\u00e7\u00e3o, que reflete o amor como um jogo de azar, uma aposta incerta, e ressoa com as vulnerabilidades e os riscos inerentes \u00e0 vida art\u00edstica e \u00e0 milit\u00e2ncia pol\u00edtica, particularmente para corpos dissidentes e historicamente perseguidos e amea\u00e7ados. Contudo, o espet\u00e1culo n\u00e3o se rende ao desalento; prefere o amor, mesmo com seus riscos, e encontra respiro na esperan\u00e7a suave que emana de can\u00e7\u00f5es como <em>Magrelinha<\/em> de Luiz Melodia \u2013 &#8220;E o p\u00f4r do sol renove e brilhe de novo os nossos sorrisos&#8221; \u2013 e nas interpreta\u00e7\u00f5es de <em>Come\u00e7aria Tudo Outra Vez<\/em> de Gonzaguinha. Esta jun\u00e7\u00e3o de melancolia e esperan\u00e7a, de cr\u00edtica e afeto, mergulha-nos na musicalidade que habita essa cabe\u00e7a, essa pe\u00e7a, esse ato de resist\u00eancia po\u00e9tica que \u00e9 <em>Ao Vivo &#8211; Dentro da Cabe\u00e7a de Algu\u00e9m<\/em>, consolidando a m\u00fasica como um pilar fundamental da experi\u00eancia.<\/p>\n<p>A epifania mencionada por Renata Sorrah projeta-se como met\u00e1fora para o pr\u00f3prio espet\u00e1culo: um momento de revela\u00e7\u00e3o, um instante de clareza em meio \u00e0 turbul\u00eancia. \u00c9 prov\u00e1vel que <strong>alguma<\/strong> epifania ressoe tamb\u00e9m no p\u00fablico, gerando instantes de ilumina\u00e7\u00e3o. Ao deixar o teatro, levamos conosco muitas coisinhas mi\u00fadas dessa obra complexa, mas tamb\u00e9m perguntas essenciais sobre nosso lugar no mundo e nossa responsabilidade perante a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Pollyanna Diniz tamb\u00e9m escreveu uma an\u00e1lise cr\u00edtica de <em>Ao Vivo [Dentro da cabe\u00e7a de algu\u00e9m]<\/em>&nbsp;no contexto do Festival de Curitiba, que pode ser acessada [<a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/manifesto-de-esperanca-critica-de-ao-vivo-dentro-da-cabeca-de-alguem\/\">aqui<\/a>].<\/h2>\n<h2>&nbsp;<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Ficha T\u00e9cnica<\/h2>\n<p><em>AO VIVO [dentro da cabe\u00e7a de algu\u00e9m]<\/em><br \/>\n<strong>Texto e Dire\u00e7\u00e3o Geral<\/strong>: Marcio Abreu<br \/>\n<strong>Pesquisa e Cria\u00e7\u00e3o<\/strong>: Marcio Abreu, Nadja Naira, C\u00e1ssia Damasceno e Jos\u00e9 Maria<br \/>\n<strong>Elenco<\/strong>: Renata Sorrah, Rodrigo Bolzan, Rafael Bacelar, B\u00e1rbara Arakaki, Bianca Manicongo (Bixarte)<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o de Produ\u00e7\u00e3o e Administra\u00e7\u00e3o<\/strong>: Jos\u00e9 Maria e C\u00e1ssia Damasceno<br \/>\n<strong>Ilumina\u00e7\u00e3o e Assist\u00eancia de Dire\u00e7\u00e3o<\/strong>: Nadja Naira<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o Musical e Trilha Sonora Original<\/strong>: Felipe Storino<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o de Movimento e Colabora\u00e7\u00e3o Criativa<\/strong>: Cristina Moura<br \/>\n<strong>Assist\u00eancia de Dire\u00e7\u00e3o e Colabora\u00e7\u00e3o Criativa<\/strong>: F\u00e1bio Os\u00f3rio Monteiro<br \/>\n<strong>Figurinos<\/strong>: Lu\u00eds Cl\u00e1udio Silva | Apartamento 03<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o Videogr\u00e1fica<\/strong>: Batman Zavareze<br \/>\n<strong>Cenografia<\/strong>: Batman Zavareze, Jo\u00e3o Boni, Jos\u00e9 Maria, Nadja Naira e Marcio Abreu<br \/>\n<strong>Assistente de Arte<\/strong>: Gabriel Silveira<br \/>\n<strong>Edi\u00e7\u00e3o de V\u00eddeo<\/strong>: Jo\u00e3o Oliveira<br \/>\n<strong>Capta\u00e7\u00e3o das Imagens para V\u00eddeos<\/strong>: Cac\u00e1 Bernardes | Bruta Flor Filmes<br \/>\n<strong>Design de Som<\/strong>: Chico Santarosa<br \/>\n<strong>Assist\u00eancia de Cenografia<\/strong>: Kau\u00ea Mar<br \/>\n<strong>T\u00e9cnica de V\u00eddeo, Luz e Programa\u00e7\u00e3o Videomapping<\/strong>: Michelle Bezerra, Ricardo Barbosa e Denis Kageyama<br \/>\n<strong>T\u00e9cnica de Luz e Som<\/strong>: Dafne Rufino<br \/>\n<strong>Fotos<\/strong>: Nana Moraes<br \/>\n<strong>Programa\u00e7\u00e3o Visual<\/strong>: Pablito Kucarz e Miriam Fontoura<br \/>\n<strong>Produ\u00e7\u00e3o Original<\/strong>: Sesi SP<br \/>\n<strong>Cria\u00e7\u00e3o e Produ\u00e7\u00e3o<\/strong>: Companhia Brasileira de Teatro<\/p>\n<h2>Este conte\u00fado foi produzido no contexto do&nbsp;<em>Palco Girat\u00f3rio \u2013 19\u00ba Festival Porto Alegre<\/em><\/h2>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo o mundo ama Renata Sorrah. Talvez n\u00e3o todo o mundo do mundo inteiro, porque h\u00e1 quem prefira exercitar sentimentos menos nobres. 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