{"id":26296,"date":"2025-04-25T15:17:20","date_gmt":"2025-04-25T18:17:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=26296"},"modified":"2025-04-25T15:28:28","modified_gmt":"2025-04-25T18:28:28","slug":"voce-esta-me-ouvindo-isso-e-um-estrondo-estetico-politico-critica-pai-contra-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/voce-esta-me-ouvindo-isso-e-um-estrondo-estetico-politico-critica-pai-contra-mae\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea est\u00e1 me ouvindo? <\/br>Isso \u00e9 um estrondo est\u00e9tico-pol\u00edtico <\/br> Cr\u00edtica: Pai contra m\u00e3e"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_26293\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Coletivo-Negro_Marcelle-Cerutti-6-1536x1024-1-e1745550570757.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26293\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26293\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Coletivo-Negro_Marcelle-Cerutti-6-1536x1024-1-e1745550570757.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26293\" class=\"wp-caption-text\">Aysha Nascimento e Fl\u00e1vio Rodrigues em cena de <em><strong>Pai contra m\u00e3e ou Voc\u00ea est\u00e1 me ouvindo?<\/strong> Foto: Marcelle Cerutti \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p><\/div>\n<p>Nem todos compreendem em profundidade palavras como atroz e impiedoso quando se referem ao arcabou\u00e7o do racismo entranhado na sociedade brasileira. E n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de cogni\u00e7\u00e3o. (Ou \u00e9???) De todo modo, o entendimento n\u00e3o atravessou o corpo (da branquitude). Por isso \u00e9 preciso dizer de novo, mostrar, para ver se desperta alguma sensibilidade adormecida. Voc\u00ea est\u00e1 me ouvindo?<\/p>\n<p>Os adjetivos s\u00e3o tentativas de nomear o inomin\u00e1vel. &#8220;&#8230;Cruel, desumano e aterrorizante \u00e9 a heran\u00e7a escravocrata materializada na mis\u00e9ria e nas desigualdades raciais e sociais que vivemos e convivemos at\u00e9 os dias atuais. Uma esp\u00e9cie de necropol\u00edtica (Mbembe, 2018) cotidiana acaba por decidir quem sobreviver\u00e1 ou n\u00e3o&#8221;, escreve J\u00e9 Oliveira, diretor e dramaturgo do espet\u00e1culo <em>Pai contra m\u00e3e ou Voc\u00ea est\u00e1 me ouvindo?<\/em>, no programa da pe\u00e7a.<\/p>\n<p>Nem todos sentem na pr\u00f3pria pele as feridas abertas que o sistema racista, patriarcal e mis\u00f3gino continua a infligir diariamente em nossa exist\u00eancia coletiva. O Coletivo Negro, com maestria, destrincha brechtianamente esse ros\u00e1rio de viol\u00eancias sist\u00eamicas na pe\u00e7a livremente inspirada no conto de Machado de Assis, <em>Pai contra m\u00e3e<\/em>, escrito em 1906 \u2013 uma obra que, mesmo ap\u00f3s mais de um s\u00e9culo, continua a ecoar verdades, pois as engrenagens opressoras permanecem erguidas, sustentando os alicerces de nossa coletividade fraturada.&nbsp;<\/p>\n<p>No conto <em>Pai contra M\u00e3e<\/em>, C\u00e2ndido Neves, o Candinho, um homem branco e \u201clivre\u201d, mas desempregado e afundado em d\u00edvidas, sobrevive de favor com sua esposa gr\u00e1vida, Clara, na casa de Tia M\u00f4nica. Pressionado pelo propriet\u00e1rio que exige o pagamento do aluguel atrasado e pela tia, que sugere entregar o rec\u00e9m-nascido \u00e0 roda dos enjeitados caso n\u00e3o obtenha recursos, ele se sente encurralado. Em seu desespero, Candinho se torna &#8220;capit\u00e3o do mato avulso&#8221; e recorre \u00e0 captura de uma escravizada fugitiva em troca da recompensa oferecida.<\/p>\n<p>&nbsp;J\u00e1 na vers\u00e3o c\u00eanica do Coletivo Negro, essa subjuga\u00e7\u00e3o ganha contornos contempor\u00e2neos e mais complexos: Osvaldo, homem negro rec\u00e9m-empregado como vigilante de supermercado, persegue Za\u00edra da Concei\u00e7\u00e3o, mulher negra retinta, ap\u00f3s um alerta do sistema de monitoramento que a acusa falsamente de furto. Ele a conduz \u00e0 for\u00e7a para um reservado do estabelecimento &#8211; uma esp\u00e9cie de senzala particular &#8211; onde a pressiona violentamente durante o interrogat\u00f3rio, provocando o aborto.&nbsp;<\/p>\n<p>O espet\u00e1culo exp\u00f5e brilhantemente a perspectiva interseccional de camadas sobrepostas de opress\u00e3o: Osvaldo, mesmo sendo negro, exerce poder institucional sobre Za\u00edra, por\u00e9m permanece subjugado pelo sistema capitalista neoliberal que o emprega precariamente. Esse intrincamento demonstra como ra\u00e7a, classe e g\u00eanero se entrela\u00e7am, criando hierarquias mesmo entre os historicamente oprimidos \u2013 mas reservando \u00e0s mulheres negras o lugar mais vulner\u00e1vel dessa estratifica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>O supermercado como cen\u00e1rio teatral estabelece um paralelo significativo entre a escravid\u00e3o hist\u00f3rica e as estruturas do capitalismo tardio. Enquanto no conto machadiano, a persegui\u00e7\u00e3o a Arminda ocorre abertamente nas ruas coloniais, o espa\u00e7o comercial funciona de forma mais sutil, por\u00e9m igualmente eficaz. As c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia, protocolos de seguran\u00e7a e monitoramento constante substituem as correntes f\u00edsicas do passado, mantendo, contudo, sua fun\u00e7\u00e3o essencial: limitar a autonomia e explorar o trabalho sob uma apar\u00eancia de normalidade e ordem social estabelecida. O que evidencia como pr\u00e1ticas opressivas se adaptam e se revestem de novas formas ao longo do tempo.<\/p>\n<p>A maternidade interrompida permanece como elemento central em ambas narrativas, mas com pot\u00eancias distintas. Se no conto original o aborto de Arminda \u00e9 narrado friamente com efeito calculadamente cortante, na pe\u00e7a teatral este fato torna-se nevr\u00e1lgico para o desfecho que projeta-se como um \u201cse liga, mano\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_26294\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Coletivo-Negro_Marcelle-Cerutti-scaled-1-e1745575440558.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26294\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26294\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Coletivo-Negro_Marcelle-Cerutti-scaled-1-e1745575440558.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"659\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26294\" class=\"wp-caption-text\">Thiago Sonho, Lua Bernardo e Maur\u00edcio Pazz: m\u00fasicos que tocam na pe\u00e7a. Foto: Marcelle Cerutti \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Criadas especificamente para o espet\u00e1culo, as composi\u00e7\u00f5es musicais operam como pontes temporais que conectam passado ao presente. Na tessitura c\u00eanica elaborada por J\u00e9 Oliveira, a dimens\u00e3o musical estabelece-se como uma dramaturgia sonora, onde letras e melodias constituem uma po\u00e9tica &nbsp;pr\u00f3pria da encena\u00e7\u00e3o, amplificando quest\u00f5es cruciais sobre ancestralidade e resist\u00eancia.<\/p>\n<p>A proposta musical posiciona-se como elemento estruturante da narrativa \u00e9pica, executada pelo trio formado por Lua Bernardo (baixo ac\u00fastico e el\u00e9trico, sopros e voz), Maur\u00edcio Pazz (bandolim, viol\u00e3o, guitarra, cavaco e voz) e Thiago Sonho (percuss\u00e3o, bateria, samplers e voz). Assinadas por Oliveira em parceria com Jonathan Silva \u2013 respons\u00e1vel pelas melodias \u2013 , as composi\u00e7\u00f5es articulam uma linguagem que atravessa tempos hist\u00f3ricos distintos, costurando o Brasil colonial ao contempor\u00e2neo atrav\u00e9s de estruturas r\u00edtmicas que funcionam como arquivo vivo da mem\u00f3ria afrodiasp\u00f3rica.<\/p>\n<p>Entre tradi\u00e7\u00f5es percussivas de matriz africana e experimenta\u00e7\u00f5es sonoras contempor\u00e2neas, entre jogos vocais que remetem aos cantos de trabalho e harmoniza\u00e7\u00f5es que dialogam com o jazz e a m\u00fasica experimental, a paisagem sonora da montagem refor\u00e7a o que o texto aponta: a persist\u00eancia dos sistemas de opress\u00e3o sob novas m\u00e1scaras.<\/p>\n<p>A m\u00fasica em <em>Pai contra M\u00e3e ou Voc\u00ea est\u00e1 me Ouvindo?<\/em> reivindica escuta e desestabiliza certezas \u2013 elementos fundamentais para uma obra que, longe de oferecer respostas consoladoras, insiste em formular as perguntas perturbadoras que a sociedade brasileira continua a evitar. Particularmente emblem\u00e1tica \u00e9 a composi\u00e7\u00e3o <em>Quem manda no mundo n\u00e3o muda<\/em>, concretizando sonoramente o argumento central da montagem.<\/p>\n<div id=\"attachment_26298\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Coletivo-Negro_Marcelle-Cerutti-11-2048x1365-1-e1745596903344.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26298\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26298\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Coletivo-Negro_Marcelle-Cerutti-11-2048x1365-1-e1745596903344.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26298\" class=\"wp-caption-text\">Fl\u00e1vio Rodrigues como narrador: Machado de Assis. Foto: Marcelle Cerutti \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>A vocaliza\u00e7\u00e3o de Fl\u00e1vio Rodrigues como narrador \u2014 um Machado de Assis materializado e retinto \u2014 provocou-me um impacto desconcertante logo nas primeiras cenas. O ator inicia sua atua\u00e7\u00e3o pelo caminho do estranhamento e do deboche calculado, uma escolha que potencializa os aspectos mais inc\u00f4modos do texto machadiano. Seu trabalho vocal evolui gradativamente, transformando o distanciamento ir\u00f4nico em uma contundente cr\u00edtica social, num movimento que espelha a pr\u00f3pria estrat\u00e9gia narrativa da pe\u00e7a. A decis\u00e3o de representar o autor como um homem negro retinto funciona como dispositivo c\u00eanico que robustece a identidade racial do escritor, frequentemente embranquecida pela historiografia tradicional.<\/p>\n<p>J\u00e9 Oliveira demonstra not\u00e1vel maturidade ao orquestrar os diversos elementos c\u00eanicos em uma narrativa coesa e impactante. O adensamento de sua po\u00e9tica como encenador (Farinha com A\u00e7\u00facar ou Sobre a Sustan\u00e7a de Meninos e Homens; Gota d\u2019\u00c1gua {Preta}) manifesta-se na precis\u00e3o com que articula m\u00fasica, atua\u00e7\u00e3o, cenografia e proje\u00e7\u00f5es, criando um todo integrado onde cada componente amplifica o efeito dos demais. Ao provocar questionamentos complexos, Oliveira confirma profunda compreens\u00e3o do teatro como espa\u00e7o de reflex\u00e3o pol\u00edtica. Com habilidade singular, o diretor equilibra momentos de densidade com necess\u00e1rios respiros po\u00e9ticos, conduzindo o p\u00fablico por uma experi\u00eancia teatral marcante.<\/p>\n<p>Um dos aspectos mais contundentes da encena\u00e7\u00e3o \u00e9 a coragem de apresentar racismo e classe como sistemas de opress\u00e3o interdependentes. A montagem n\u00e3o romantiza a negritude nem reduz as complexas rela\u00e7\u00f5es raciais brasileiras a esquemas simplistas. Ao contr\u00e1rio, escava as contradi\u00e7\u00f5es internas das desigualdades racializadas.<\/p>\n<p>Com agudeza cr\u00edtica, a encena\u00e7\u00e3o exp\u00f5e a fragmenta\u00e7\u00e3o interna da comunidade negra mencionada por Oliveira, explorando como determinados indiv\u00edduos n\u00e3o se reconhecem como negros ou negam a exist\u00eancia do racismo. Mais que isso, a obra desnuda os mecanismos de domina\u00e7\u00e3o que estrategicamente posicionam negros contra negros, mulheres contra mulheres ou pobres contra pobres, transformando potenciais aliados em advers\u00e1rios. Essas engrenagens conseguem &nbsp;fragmentar grupos que, unidos, poderiam desafiar os poderes opressivas.<\/p>\n<div id=\"attachment_26300\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Coletivo-Negro_Marcelle-Cerutti-3-1536x1024-1-e1745598119313.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-26300\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26300\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Coletivo-Negro_Marcelle-Cerutti-3-1536x1024-1-e1745598119313.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-26300\" class=\"wp-caption-text\">Elenco: Aysha Nascimento, Fl\u00e1vio Rodrigues e Raphael Garcia<\/p><\/div>\n<p>A cenografia concebida por Fl\u00e1vio Rodrigues traduz materialmente as met\u00e1foras sobre o corpo negro na sociedade brasileira. O uso do pl\u00e1stico como elemento central aparece potente em sua polissemia: ora sugere o mar que trouxe os escravizados, ora se transforma em envolt\u00f3rio que cobre corpos assassinados, ora sufoca como as estruturas opressivas que limitam a respira\u00e7\u00e3o social. Este material barato e descart\u00e1vel, funciona como alegoria para a objetifica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dos corpos negros no Brasil.<\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es ampliam a pot\u00eancia do cen\u00e1rio, estabelecendo conex\u00f5es imag\u00e9ticas entre o passado colonial e o presente neoliberal. Esta camada sobreposta aos elementos f\u00edsicos cria profundidades que enriquecem simultaneamente a experi\u00eancia est\u00e9tica e o impacto pol\u00edtico do espet\u00e1culo, evidenciando continuidades hist\u00f3ricas atrav\u00e9s de uma linguagem iconogr\u00e1fica contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o do elenco constitui um dos pilares de for\u00e7a da montagem. Aysha Nascimento, como a m\u00e3e escravizada, constr\u00f3i uma presen\u00e7a c\u00eanica que oscila entre a fragilidade imposta pela press\u00e3o social e a for\u00e7a interior de quem resiste. Seu corpo comunica tanto quanto suas palavras, numa performance f\u00edsica intensa que materializa o sofrimento e a resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Raphael Garcia, interpretando o pai endividado, navega com precis\u00e3o pelos territ\u00f3rios moralmente amb\u00edguos de seu personagem, evitando tanto a demoniza\u00e7\u00e3o simplista quanto a absolvi\u00e7\u00e3o f\u00e1cil.<\/p>\n<p>J\u00e1 Fl\u00e1vio Rodrigues, como narrador-Machado, estabelece um v\u00ednculo direto com a plateia que ora convida \u00e0 cumplicidade, ora provoca desconforto necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas atores demonstram not\u00e1vel cumplicidade c\u00eanica, que d\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0s complexas camadas do espet\u00e1culo.<\/p>\n<p><em>Pai contra M\u00e3e ou Voc\u00ea est\u00e1 me Ouvindo?<\/em> chega como um manifesto est\u00e9tico-pol\u00edtico que ressignifica a obra original de Machado de Assis \u00e0 luz das urg\u00eancias contempor\u00e2neas. No desfecho da obra, o Coletivo articula uma mensagem direta de conscientiza\u00e7\u00e3o, convocando especialmente a comunidade negra a fortalecer seus la\u00e7os de resist\u00eancia coletiva. O recado para os &#8220;manos se ligarem&#8221; evidencia a persist\u00eancia de uma l\u00f3gica perversa: nas disputas por sobreviv\u00eancia e dignidade, quem est\u00e1 em posi\u00e7\u00e3o de desvantagem estrutural inevitavelmente arca com o pre\u00e7o mais alto. Ent\u00e3o, o peso das crises econ\u00f4micas, da viol\u00eancia estatal e das injusti\u00e7as sociais recai desproporcionalmente sobre a popula\u00e7\u00e3o negra e perif\u00e9rica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Pai Contra M\u00e3e Ou Voc\u00ea Est\u00e1 Me Ouvindo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ficha T\u00e9cnica<\/strong><\/p>\n<p>Idealiza\u00e7\u00e3o, Concep\u00e7\u00e3o, Dramaturgia e Dire\u00e7\u00e3o Geral: J\u00e9 Oliveira<br \/>\nAssist\u00eancia de Dire\u00e7\u00e3o: Rodrigo Mercadante<br \/>\nAtua\u00e7\u00e3o: Aysha Nascimento \/ Fl\u00e1vio Rodrigues \/ Raphael Garcia<br \/>\nDire\u00e7\u00e3o de Movimento e Coreografia: Aysha Nascimento<br \/>\nDire\u00e7\u00e3o Musical: Guilherme Kastrup e J\u00e9 Oliveira<\/p>\n<p>Banda:<br \/>\nBaixo Ac\u00fastico e El\u00e9trico, Sopros e Voz: Lua Bernardo<br \/>\nBandolim, Viol\u00e3o, Guitarra, Cavaco e Voz: Maur\u00edcio Pazz<br \/>\nPercuss\u00e3o, Bateria, Samplers e Voz: Thiago Sonho<br \/>\nComposi\u00e7\u00f5es Originais: J\u00e9 Oliveira e Jonathan Silva<br \/>\nMelodias: Jonathan Silva<br \/>\nArranjos: Guilherme Kastrup, J\u00e9 Oliveira, Lua Bernardo, Maur\u00edcio Pazz e Thiago Sonho<br \/>\nPrepara\u00e7\u00e3o de canto: William Guedes<\/p>\n<p>Videografia: Bianca Turner<br \/>\nLight Designer: Matheus Brant<br \/>\nAssist\u00eancia e Opera\u00e7\u00e3o de Luz: Aline Sayuri<br \/>\nFigurinos: Eder Lopes<br \/>\nCostureira: Nininha Lopes<br \/>\nCenografia: Fl\u00e1vio Rodrigues<br \/>\nCenot\u00e9cnico: Wanderley Wagner<br \/>\nSerralheiro: Mauricio Batista<br \/>\nEngenharia de Som: Tom\u00e9 de Souza<br \/>\nContrarregras: China, Billy e Fl\u00e1vio Serafin<br \/>\nFotos: Marcelle Cerutti<br \/>\nIdentidade Visual: Murilo Thaveira<br \/>\nParticipa\u00e7\u00e3o em V\u00eddeo: Lilian Regina e Sidney Santiago Kuanza<br \/>\nEstudos te\u00f3ricos e oficinas: Aysha Nascimento, Fl\u00e1vio Rodrigues, J\u00e9 Oliveira e Raphael Garcia<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o Executiva: Catarina Milani<br \/>\nAssist\u00eancia de Produ\u00e7\u00e3o: \u00c9der Lopes<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o Geral: Gira Pro Sol Produ\u00e7\u00f5es \u2013 J\u00e9 Oliveira<\/p>\n<h2>O<em>&nbsp;Satisfeita, Yolanda?<\/em>&nbsp;faz parte do&nbsp;<strong><em><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/projeto-arquipelago\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">projeto arquip\u00e9lago<\/a>&nbsp;<\/em><\/strong>de fomento \u00e0 cr\u00edtica, &nbsp;apoiado pela produtora&nbsp;<strong><a href=\"http:\/\/corporastreado.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Corpo Rastreado,<\/a>&nbsp;junto \u00e0s seguintes casas : CENA ABERTA, Guia OFF, Farofa Cr\u00edtica, Horizonte da Cena,<\/strong><strong>&nbsp;Ru\u00edna Acesa e Tudo menos uma cr\u00edtica<\/strong><\/h2>\n<p><img src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-09-at-18.21.49-e1669690492534.jpeg\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nem todos compreendem em profundidade palavras como atroz e impiedoso quando se referem ao arcabou\u00e7o do racismo entranhado na sociedade brasileira. 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