{"id":25883,"date":"2024-11-23T12:18:18","date_gmt":"2024-11-23T15:18:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=25883"},"modified":"2024-12-28T03:36:20","modified_gmt":"2024-12-28T06:36:20","slug":"nanini-enaltece-arte-do-ator-critica-a-partir-da-peca-traidor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/nanini-enaltece-arte-do-ator-critica-a-partir-da-peca-traidor\/","title":{"rendered":"Nanini enaltece arte do ator <\/br> Cr\u00edtica a partir da pe\u00e7a Traidor"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_25884\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/WhatsApp-Image-2024-11-22-at-08.14.57-e1732306311228.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-25884\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-25884\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/WhatsApp-Image-2024-11-22-at-08.14.57-e1732306311228.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"399\"><\/a><p id=\"caption-attachment-25884\" class=\"wp-caption-text\">Marco Nanini e o boneco Nanin\u00e3o no espet\u00e1culo <em><strong>Traidor<\/strong><\/em>. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Marco Nanini subiu ao palco do Teatro do Parque, na Boa Vista, regi\u00e3o central do Recife, para abrir a programa\u00e7\u00e3o do 23\u00ba Festival Recife do Teatro Nacional com o espet\u00e1culo <em><strong>Traidor<\/strong><\/em>, de Gerald Thomas, na quinta-feira, (21\/11), com mais duas sess\u00f5es nos dias seguintes. <span style=\"color: #3366ff;\">Leia como foi a <a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/abertura-do-festival-recife-do-teatro-nacional\/\">abertura<\/a>.<\/span> O primeiro impacto dessa montagem \u00e9 o cen\u00e1rio, uma representa\u00e7\u00e3o visual pesada do caos e da fragmenta\u00e7\u00e3o presentes na dramaturgia e na encena\u00e7\u00e3o. Concebido por Fernando Passetti, o palco se apresenta como um mundo em ru\u00ednas, repleto de escombros e objetos desconexos que refletem o estado mental conturbado do protagonista. O elemento mais impactante \u00e9 um boneco gigante amarrado. Uma met\u00e1fora visual do personagem aprisionado em seus pr\u00f3prios del\u00edrios? De todo modo, o ator n\u00e3o se relaciona com o Nanin\u00e3o e em algum momento comenta. \u201cN\u00e3o consigo (olhar). \u00c9 muito fake\u201d,&nbsp;<\/p>\n<p>Espalhados pelo palco, encontram-se restos de colunas de concreto, adere\u00e7os variados, inclusive uma cafeteira largada, que o protagonista diz n\u00e3o ter nenhuma utilidade na cena e que at\u00e9 debocha que deve ser teatro &#8220;moderno&#8221;. A ilumina\u00e7\u00e3o transforma constantemente a percep\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio, alternando entre focos espec\u00edficos e ilumina\u00e7\u00e3o geral, contribuindo para o efeito de instabilidade. Este panorama amplifica a sensa\u00e7\u00e3o de um mundo em ru\u00ednas.<\/p>\n<p>Tudo parece t\u00e3o confuso. Tem obras assim. N\u00e3o sei por onde entrar. Me chamam, mas n\u00e3o me pegam. \u00c9 a terceira vez que assisto <strong><em>Traidor<\/em><\/strong>, t\u00edtulo que intriga e n\u00e3o entrega. A primeira vez foi na estreia no Teatro Antunes Filho, do Sesc Vila Mariana, em S\u00e3o Paulo, com todas aquelas pedras cenogr\u00e1ficas no caminho; uma segunda vez no mesmo teatro, com algumas altera\u00e7\u00f5es na montagem. E desta vez no Festival Recife do Teatro Nacional, onde o cen\u00e1rio fica mais concentrado. Esse festival bancado pela Prefeitura do Recife quase foi extinto; resgatado ano passado para o bem da cultura, pois \u00e9 um evento muito importante.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Com sua metralhadora falat\u00f3ria, o protagonista pula do mundo em guerra, com as bombas que explodem em Gaza, para as redes sociais que&nbsp; estilha\u00e7am imagens. A dramatugia\/encena\u00e7\u00e3o de Thomas brinca com a ideia de que a narrativa tradicional est\u00e1 morta. Ele estica at\u00e9 esgar\u00e7ar a convic\u00e7\u00e3o de que o teatro contempor\u00e2neo n\u00e3o comporta enredo e personagem convencionais. Em fragmentos desconexos, aciona o fluxo de consci\u00eancia de um homem beirando \u00e0 loucura, refletindo a cacofonia do mundo atual.<\/p>\n<p>Na constru\u00e7\u00e3o do protagonista, observa-se um vasto painel de refer\u00eancias culturais e liter\u00e1rias. Do vulto de Samuel Beckett ao niilismo do fil\u00f3sofo alem\u00e3o Friedrich Nietzsche, o personagem central incorpora elementos do enigm\u00e1tico Pr\u00f3spero, o mago desterrado da obra-prima shakespeariana <em>A Tempestade<\/em>, absorvendo sua solid\u00e3o e o dom\u00ednio sobre um reino que existe apenas na imagina\u00e7\u00e3o. Paralelamente, ele ressoa as ang\u00fastias de Joseph K., o emblem\u00e1tico anti-her\u00f3i de Kafka em <em>O Processo<\/em>, enredado em uma teia de absurdos burocr\u00e1ticos e dilemas existenciais. A caracter\u00edstica marcante do cabelo desgrenhado do renomado maestro brit\u00e2nico Leopold Stokowski (1882-1977) \u00e9 incorporada ao personagem como uma nota da genialidade ca\u00f3tica e da excentricidade art\u00edstica.<\/p>\n<p>&nbsp;&#8220;Roubei de Shakespeare. Sim, do Pr\u00f3spero de <em>A Tempestade<\/em>. Mas essa voz \u00e9 minha. At\u00e9 certo ponto, claro. Somos quem somos, at\u00e9 certo ponto. Isso tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 meu. \u00c9\u2026 de Kafka. Como veem, nada em n\u00f3s \u00e9 totalmente original. Mas nada \u00e9 inteiramente falso tamb\u00e9m. Estamos no meio. Do qu\u00ea? \u00c9 assim! O S\u00e9culo 21. Bem-vindos a essa zona!&#8221;, solta o personagem.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0 narrativa ficcional, Nanini, que atua em uma cadeira de rodas, explica ao p\u00fablico que ainda se recupera de uma cirurgia para a repara\u00e7\u00e3o do menisco \u2013 estrutura interna do joelho, \u2013 e que faz o seu melhor para que o p\u00fablico goste do espet\u00e1culo.<\/p>\n<p>Do espet\u00e1culo, h\u00e1 quem goste, h\u00e1 quem n\u00e3o. Mas da atua\u00e7\u00e3o do Nanini, da dignidade do seu trabalho, \u00e9 praticamente uma unanimidade. O que fica ao final \u00e9 uma comovente ode \u00e0 arte do artista da cena.&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_25886\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/WhatsApp-Image-2024-11-22-at-08.14.57-2-e1732351714299.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-25886\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-25886\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/WhatsApp-Image-2024-11-22-at-08.14.57-2-e1732351714299.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"399\"><\/a><p id=\"caption-attachment-25886\" class=\"wp-caption-text\">Marco Nanini atua em uma cadeira de rodas. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Em sua constru\u00e7\u00e3o dramat\u00fargica, Thomas tece fios de mem\u00f3rias, observa\u00e7\u00f5es mordazes e desabafos, entrela\u00e7ados com refer\u00eancias \u00e0 cultura pop e \u00e0 publicidade. Essa estrutura aparentemente ca\u00f3tica revela-se como um meticuloso exerc\u00edcio de autorrefer\u00eancia. As viv\u00eancias do autor &#8211; desde sua estadia em Nova York e a ang\u00fastia burocr\u00e1tica da imigra\u00e7\u00e3o at\u00e9 suas passagens por Punta Cana e elucubra\u00e7\u00f5es sobre a realidade brasileira &#8211; s\u00e3o destiladas em um mosaico autobiogr\u00e1fico.<\/p>\n<p>Na \u00faltima parte de <em>Um Circo de Rins e F\u00edgados<\/em>, de 2005, escrito e dirigido por&nbsp; Thomas, Nanini encerrava a pe\u00e7a com uma rever\u00eancia \u00e0 sua profiss\u00e3o: &#8220;Quando dizem que o ator n\u00e3o se emociona, est\u00e3o errados. A gente se emociona sim&#8221;. Esta frase retorna em <strong><em>Traidor<\/em><\/strong>: &#8220;A gente se emociona, a gente se emociona sim.&#8221; A repeti\u00e7\u00e3o desta afirmativa permeia diversos momentos da apresenta\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que o protagonista admite: &#8220;Gente, vamos ser honestos. S\u00e9rio. Eu vou parar com essa coisa de dizer &#8216;A gente se emociona sim&#8217;. \u00c9 truque. \u00c9 bobagem. \u00c9 efeito. Sim, sim, a gente se emociona sim, mas n\u00e3o precisa ficar afirmando isso na frente das crian\u00e7as n\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 provoca\u00e7\u00e3o em muitas escalas, essa dramaturgia erguida a partir de fragmentos, como se o personagem fosse um roteiro do Instagram, onde imagens passam rapidamente sem conex\u00e3o aparente entre si. Nesta estrutura, o encenador espalha sua erudi\u00e7\u00e3o pelo palco, transitando de um assunto a outro, citando artistas e conceitos na velocidade de um feed de rede social. \u00c9 como se Thomas tivesse mergulhado na piscina do conhecimento, desafiando o p\u00fablico a acompanh\u00e1-lo neste fluxo vertiginoso de informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div id=\"attachment_25889\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/WhatsApp-Image-2024-11-22-at-08.14.57-1-e1732365564907.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-25889\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-25889\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/WhatsApp-Image-2024-11-22-at-08.14.57-1-e1732365564907.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"399\"><\/a><p id=\"caption-attachment-25889\" class=\"wp-caption-text\">A cena do comercial da salsicha. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>A cr\u00edtica ao mercado e ao capitalismo neoliberal \u00e9 elaborada atrav\u00e9s de cenas em que o protagonista faz publicidade de salsichas vestido de mulher. Enquanto alguns podem considerar esses quadros hil\u00e1rios, eles tamb\u00e9m podem ser percebidos como irritantes, devido \u00e0s falsas inocentes exalta\u00e7\u00f5es f\u00e1licas embutidas na publicidade. Em um momento, o ator na propaganda da pe\u00e7a declara: &#8220;\u00c9 com chucrute no bumbum \u00e9 que se vai&#8230; \u00c9 isso a\u00ed&#8230;&#8221;. Em outra interven\u00e7\u00e3o comercial, ele se rebela: &#8220;N\u00e3o vou, n\u00e3o vou e n\u00e3o vou fazer mais um desses comerciais rid\u00edculos! Eu descobri tudo! Voc\u00ea acha que vai me tapear com chucrute no bum bum? Ora? Essa lingui\u00e7a n\u00e3o tem nada a ver com Chico Mendes e nem com Punta Cana. Tem a ver com&#8230; Tira isso tudo de mim, tira essa cozinha daqui&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Estas cenas satirizam a ind\u00fastria publicit\u00e1ria e questionam o papel do ator neste sistema, criando um contraponto ir\u00f4nico \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o recorrente sobre a emo\u00e7\u00e3o do ator.<\/p>\n<p>O humor, a ironia e o nonsense s\u00e3o oferecidos e alguns identificam e compram. A gravidade dos assuntos apontados se diluem na velocidade do processo de desumaniza\u00e7\u00e3o causado pela tecnologia e pela constante exposi\u00e7\u00e3o a trag\u00e9dias mundiais. Com isso, a pe\u00e7a escancara nossa rela\u00e7\u00e3o com a informa\u00e7\u00e3o na era digital, onde o Google substitui a leitura aprofundada e as redes sociais moldam nossas percep\u00e7\u00f5es. O protagonista, em um momento, exclama: &#8220;O Instagram \u00e9 pior do que as fogueiras da Inquisi\u00e7\u00e3o! O Facebook \u00e9 pior do que o Terceiro Reich!&#8221; &#8211; uma hip\u00e9rbole talvez, mas carregada desse sentimento de aliena\u00e7\u00e3o na era digital.<\/p>\n<p>Afirma\u00e7\u00f5es seguidas de nega\u00e7\u00f5es d\u00e3o o tom da montagem. E que ningu\u00e9m busque uma salva\u00e7\u00e3o. \u201cNada nessa hist\u00f3ria faz sentido. Nada. O corpo da minha m\u00e3e n\u00e3o foi jogado ao mar. (\u2026) N\u00e3o havia barco onde mor\u00e1vamos. N\u00e3o mor\u00e1vamos no litoral. N\u00e3o tinha praia\u201d, aponta o personagem.&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_25890\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/WhatsApp-Image-2024-11-22-at-08.14.56.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-25890\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-25890\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/WhatsApp-Image-2024-11-22-at-08.14.56-e1732368544300.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"399\"><\/a><p id=\"caption-attachment-25890\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Quatro atores coadjuvantes trabalham como elementos c\u00eanicos vivos, amplificando a atmosfera surreal da pe\u00e7a. Apollo Faria, Hugo Lobo, Marllon Fortunato e Wallace Lau formam o coro que executa uma variedade de a\u00e7\u00f5es perform\u00e1ticas em apoio ao mon\u00f3logo de Nanini.<\/p>\n<p>Suas interven\u00e7\u00f5es s\u00e3o diversas: iluminam o protagonista com lanternas, manipulam guarda-chuvas, simulam cenas de guerra, realizam coreografias em nudez e executam pantomimas. Essas a\u00e7\u00f5es t\u00eam inten\u00e7\u00e3o de preencher espa\u00e7os f\u00edsicos e metaf\u00f3ricos da pe\u00e7a.<\/p>\n<p>Complementando o elenco presencial, a voz em off de Fabiana Gugli interpreta uma diretora imagin\u00e1ria, funcionando como uma esp\u00e9cie de consci\u00eancia externa ou alter ego do protagonista ou do diretor.<\/p>\n<p>Embora os elementos adicionais em <strong><em>Traidor<\/em><\/strong> representem uma escolha est\u00e9tica e conceitual deliberada, \u00e9 plaus\u00edvel argumentar que a pe\u00e7a poderia funcionar bem como um mon\u00f3logo, prescindindo do cen\u00e1rio grandioso e do coro de atores. A dramaturgia autorreferencial de Thomas, aliada \u00e0 presen\u00e7a magn\u00e9tica de Marco Nanini, potencializada pelo uso eficiente do ponto eletr\u00f4nico, e real\u00e7ada pela ilumina\u00e7\u00e3o exuberante caracter\u00edstica do diretor, seriam mais que suficiente para sustentar a obra.<\/p>\n<p>A est\u00e9tica experimental de Gerald Thomas, que causou furor nas d\u00e9cadas de 1980, 1990 e 2000, revela-se paradoxal em <strong><em>Traidor<\/em><\/strong>. Sua estrutura e est\u00e9tica podem parecer nost\u00e1lgicas, um teatro particular que n\u00e3o dialoga plenamente com as sensibilidades atuais. Talvez seja justamente nessa aparente singularidade que resida seu fasc\u00ednio peculiar. O texto enigm\u00e1tico de Thomas, permeado de refer\u00eancias particulares e divaga\u00e7\u00f5es existenciais, serve como um ve\u00edculo para algo mais profundo: a revela\u00e7\u00e3o da humanidade de Marco Nanini.<\/p>\n<p>\u00c9 nos interst\u00edcios entre o personagem e o ator que <strong><em>Traidor<\/em><\/strong>&nbsp;encontra sua for\u00e7a. Nanini, figura ic\u00f4nica do teatro, cinema e televis\u00e3o brasileiros, traz para o palco n\u00e3o apenas sua t\u00e9cnica apurada, mas tamb\u00e9m fragmentos de sua pr\u00f3pria ess\u00eancia. A ambiguidade entre o real e o fict\u00edcio, caracter\u00edstica intr\u00ednseca do teatro, \u00e9 aqui elevada a um novo patamar, convidando o p\u00fablico a um exerc\u00edcio de percep\u00e7\u00e3o sobre onde termina o personagem e onde come\u00e7a o homem.<\/p>\n<p>Um epis\u00f3dio emblem\u00e1tico na estreia no Teatro Antunes Filho, do Sesc Vila Mariana, em S\u00e3o Paulo, ilustra perfeitamente essa dualidade. A queda acidental de Nanini no palco, um momento potencialmente catastr\u00f3fico, transformou-se em uma demonstra\u00e7\u00e3o pungente de sua grandeza profissional. Sua determina\u00e7\u00e3o em retornar e concluir o espet\u00e1culo demonstrou um poderoso compromisso com a arte e seu p\u00fablico. Leia sobre o <a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/nanini-leva-tombo-em-estreia-e-mesmo-assim-retoma-peca\/\">incidente<\/a>.<\/p>\n<p>Enfim, Nanini \u00e9 um grande ator que potencializa qualquer material com o qual trabalha. Nesta 23\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Festival Recife do Teatro Nacional, ele \u00e9 acarinhado por seus conterr\u00e2neos, sendo ele mesmo recifense que ainda na inf\u00e2ncia se mudou para o Rio de Janeiro. Sua presen\u00e7a no festival enriquece o evento e reafirma sua conex\u00e3o com suas ra\u00edzes pernambucanas.<\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica:<\/strong><br \/>\n<strong>Texto, dire\u00e7\u00e3o e concep\u00e7\u00e3o visual:<\/strong>&nbsp;Gerald Thomas<br \/>\n<strong>Ilumina\u00e7\u00e3o:<\/strong>&nbsp;Wagner Pinto<br \/>\n<strong>Cenografia:<\/strong>&nbsp;Fernando Passetti<br \/>\n<strong>Figurinos:<\/strong>&nbsp;Antonio Guedes<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o musical e trilha sonora:<\/strong>&nbsp;Al\u00ea Martins<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o de movimento:<\/strong>&nbsp;Dani Lima<br \/>\n<strong>Assistente de dire\u00e7\u00e3o:<\/strong>&nbsp;Samuel Kavalerski<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:<\/strong>&nbsp;Fernando Libonati<br \/>\n<strong>Coordena\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:<\/strong>&nbsp;Carolina Tavares<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>O<em>&nbsp;Satisfeita, Yolanda?<\/em>&nbsp;faz parte do&nbsp;<strong><em><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/projeto-arquipelago\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">projeto arquip\u00e9lago<\/a>&nbsp;<\/em><\/strong>de fomento \u00e0 cr\u00edtica, &nbsp;apoiado pela produtora&nbsp;<strong><a href=\"http:\/\/corporastreado.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Corpo Rastreado,<\/a>&nbsp;junto \u00e0s seguintes casas : CENA ABERTA, Guia OFF, Farofa Cr\u00edtica, Horizonte da Cena, Ru\u00edna Acesa e Tudo menos uma cr\u00edtica<\/strong><\/h2>\n<p><img src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-09-at-18.21.49-e1669690492534.jpeg\"><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marco Nanini subiu ao palco do Teatro do Parque, na Boa Vista, regi\u00e3o central do Recife, para abrir a programa\u00e7\u00e3o do 23\u00ba Festival Recife do Teatro Nacional com o espet\u00e1culo Traidor, de Gerald Thomas, na quinta-feira, (21\/11), com mais duas sess\u00f5es nos dias seguintes. 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