{"id":25134,"date":"2023-07-31T03:05:19","date_gmt":"2023-07-31T06:05:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=25134"},"modified":"2023-07-31T12:02:30","modified_gmt":"2023-07-31T15:02:30","slug":"eldorado-dos-carajas-em-avignon-da-franca-critica-do-espetaculo-antigone-in-amazoniapor-viviane-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/eldorado-dos-carajas-em-avignon-da-franca-critica-do-espetaculo-antigone-in-amazoniapor-viviane-dias\/","title":{"rendered":"Eldorado dos Caraj\u00e1s em Avignon da Fran\u00e7a <\/br>Cr\u00edtica do espet\u00e1culo Antigone in Amazonia<\/br>Por Viviane Dias*"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_25137\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/347304_64b3e77d79813-scaled-e1690691175603.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-25137\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-25137\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/347304_64b3e77d79813-scaled-e1690691175603.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-25137\" class=\"wp-caption-text\">Frederico Araujo na tela e na cena no papel de militante do MST. Ele tamb\u00e9m interpreta Ant\u00edgona no palco presencial. Foto: Christophe Raynaud de Lage<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_25144\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/antigone-christophe-raynaud-de-lage-e1690782853197.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-25144\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-25144\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/antigone-christophe-raynaud-de-lage-e1690782853197.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-25144\" class=\"wp-caption-text\">Kay Sara no v\u00eddeo. Foto Christophe Raynaud de Lage\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/logo-arquipe\u0301lago--e1669689165758.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-24736 alignleft\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/logo-arquipe\u0301lago--e1669689165758.png\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"84\"><\/a>Um cl\u00e1ssico nunca acaba de dizer o que tem para dizer, nos lembra \u00cdtalo Calvino. Sua for\u00e7a est\u00e1 na possibilidade de nos ajudar a ler, com todos os nossos sentidos (e os dele), o tempo que nos \u00e9 dado a viver e de sermos afetados com a profundidade e o impacto que nossas m\u00eddias contempor\u00e2neas n\u00e3o alcan\u00e7am. M\u00eddias que ainda determinam o que pode ser visto. E aquilo que n\u00e3o pode. O teatro, na borda entre os mundos vis\u00edveis e invis\u00edveis, arte da religa\u00e7\u00e3o entre territ\u00f3rios nem sempre conectados, como raz\u00e3o-emo\u00e7\u00e3o, Europa-&#8220;resto do mundo&#8221;, nos ajuda a tra\u00e7ar os fios dos pactos que ganham as suas for\u00e7as por serem escondidos. Com sua sagacidade de produzir racioc\u00ednios bastardos, uniu Ant\u00edgona &amp; Amaz\u00f4nia, numa experi\u00eancia marcante, proposta pelo diretor su\u00ed\u00e7o Milo Rau, sua trupe, artistas brasileiros e o MST, o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra. E o massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s, o holocausto da floresta brasileira, o agroneg\u00f3cio predat\u00f3rio e suas alian\u00e7as com o poder que destroem toda a vida e a guerra contra os povos ind\u00edgenas que n\u00e3o cessou desde a invas\u00e3o europeia foram vistos, com o apoio da trag\u00e9dia grega, por um p\u00fablico majoritariamente europeu, que lotou o Teatro de Ved\u00e8ne, na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Ved\u00e8ne \u00e9 a 20 minutos de Avignon, no \u00f4nibus. Era preciso um deslocamento do numeroso p\u00fablico do festival at\u00e9 a pe\u00e7a. Um deslocamento que, reflito, j\u00e1 fez parte da experi\u00eancia do atento espectador europeu que deve sair tamb\u00e9m de seus territ\u00f3rios habituais para vislumbrar o espanto de um novo mundo-Par\u00e1. O gigante estado brasileiro, de cultura riqu\u00edssima e um dos campe\u00f5es de viol\u00eancia, no universo-Amaz\u00f4nia. Quando se ouve c\u00e1 e l\u00e1 neste planeta se falar da Amaz\u00f4nia &#8211; na TV, no jornal, na rede social &#8211; \u00e9 poss\u00edvel permitir que a anestesia do nosso tempo nos conforte: a floresta \u00e9 t\u00e3o longe&#8230; No teatro, o etnoc\u00eddio ind\u00edgena e da floresta teve rostos, vozes, calor, m\u00fasica. O que \u00e9 sil\u00eancio se fez presente. Nos unindo numa experi\u00eancia \u00fanica em que a realidade se apresentou em toda sua nudez crua, no palco: a floresta caminhou!<\/p>\n<p>Na chegada ao teatro, o MST, o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, um gigante na hist\u00f3ria brasileira dos \u00faltimos anos, que h\u00e1 d\u00e9cadas faz o imposs\u00edvel, enfrentando toda sorte de viol\u00eancias f\u00edsicas e ps\u00edquicas &#8211; ou falando em brasileiro, de assassinatos a campanhas difamat\u00f3rias &#8211; fincou a bandeira naquele territ\u00f3rio. Ocupou Avignon, a trag\u00e9dia grega, o mundo europeu. Uma fa\u00e7anha em termos de deslocamento do imagin\u00e1rio&#8230;por segundos me lembrei da bandeira fincada do homem na lua&#8230; devaneios&#8230;o MST est\u00e1 ligado a grandes ousadias, coisas imposs\u00edveis como &#8230; mexer na estrutura agr\u00e1ria de uma ideia de na\u00e7\u00e3o que nasceu da grande propriedade, da monocultura e da escravid\u00e3o. Era uma bandeira de um outro mundo &amp; vermelha fincada num territ\u00f3rio quase-imposs\u00edvel, sim.<\/p>\n<p>Ant\u00edgona, a eterna voz contra a viol\u00eancia patriarcal e todo universo de valores associados a ela, que h\u00e1 s\u00e9culos j\u00e1 denuncia a arrog\u00e2ncia do antropoceno \u2013 produto cultural desta antiguidade cl\u00e1ssica e que se espalha como v\u00edrus no mundo, se acreditando maior que as leis da natureza &#8211; vai se revelando uma trag\u00e9dia que sim, hoje pode ter a face da Amaz\u00f4nia. Come\u00e7ou na Gr\u00e9cia, mas queima a Amaz\u00f4nia at\u00e9 hoje! Na Tebas de S\u00f3focles, dois irm\u00e3os em lados opostos de uma guerra se matam e o tirano Creonte ordena que um deles, Polinice, que lutou para reconquistar a cidade perdida por um acordo rompido na fam\u00edlia, n\u00e3o fosse enterrado. Ant\u00edgona, a filha de \u00c9dipo e Jocasta desafia o poder estabelecido para honrar leis mais antigas que as de Creonte, e celebrar os ritos f\u00fanebres de seu irm\u00e3o. Na constru\u00e7\u00e3o das pontes entre o ontem e o hoje, a mistura de cenas ao vivo, no teatro e imagens de um document\u00e1rio gravado pela equipe em Eldorado do Caraj\u00e1s, permite ao p\u00fablico tecer di\u00e1logos entre tempos e espa\u00e7os, entre as palavras do trabalhador rural do Par\u00e1, dos ind\u00edgenas e as de S\u00f3focles, entre os eternos desmandos do poder de sempre: a destrui\u00e7\u00e3o patriarcal que n\u00e3o cessa h\u00e1 s\u00e9culos e s\u00f3 muda de nome e terra.<\/p>\n<p>Embora anunciado que a ind\u00edgena Kay Sara viveria Ant\u00edgona, em Avignon Ant\u00edgona foi vivida no palco pelo ator brasileiro Federico Ara\u00fajo, que nos conta tamb\u00e9m ter enfrentado viol\u00eancias in\u00fameras pelo mesmo conjunto de valores que mata Ant\u00edgona, por sua orienta\u00e7\u00e3o sexual e por sua ascend\u00eancia ind\u00edgena e preta. Um ator que se reveza ainda em outros papeis e d\u00e1 voz a si mesmo, est\u00e1 no palco e no v\u00eddeo e tece, com compet\u00eancia, suas passagens entre a fic\u00e7\u00e3o e a realidade, Gr\u00e9cia antiga e Brasil hoje.<\/p>\n<p>Algumas op\u00e7\u00f5es da montagem, entretanto, nos parecem esvaziar o poder concentrado do mito Ant\u00edgona para revelar a dor da Amaz\u00f4nia. A escolha da atriz Sara De Bosschere no papel do tirano Creonte e n\u00e3o um homem reduz camadas de sentidos da trag\u00e9dia. A encena\u00e7\u00e3o perde a oportunidade de relacionar mais profundamente o territ\u00f3rio daquele conflito cl\u00e1ssico e a trag\u00e9dia amaz\u00f4nica de hoje &#8211; os tais pactos escondidos entre patriarcado e poder de destrui\u00e7\u00e3o da terra e tudo que tem nela. Mas em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo Creonte, um ponto sagaz da pe\u00e7a \u00e9 faz\u00ea-lo se comportar como um neoliberal moderno, tentando apagar o antagonismo daquilo que Ant\u00edgona representa: quer que ela fa\u00e7a acordos com o poder, concilie o inconcili\u00e1vel &#8211; como os h\u00e1bitos normalizados de consumo contempor\u00e2neos e a preserva\u00e7\u00e3o da vida no planeta.<\/p>\n<p>Uma das grandes protagonistas das narrativas que se cruzam no trabalho \u00e9 a carism\u00e1tica dona Maria Zelzuita, sobrevivente do massacre, com sua sabedoria da terra, matriarca que nos conta sua hist\u00f3ria de ontem e hoje, no document\u00e1rio. Kay Sara, no v\u00eddeo, tamb\u00e9m se torna Ant\u00edgona e s\u00f3 ou junto com C\u00e9lia Maracaj\u00e1 criam intensas cenas. Pinturas, adere\u00e7os, vestes e uma forte presen\u00e7a unem o teatro, rito ancestral \u00e0 cultura ancestral brasileira nos proporcionando momentos de impactante prazer est\u00e9tico, ao mesmo tempo em que contaminando, de maneira contundente, o massacre que jamais cessou contra os ind\u00edgenas no Brasil ao mito de Ant\u00edgona. Quantos corpos ind\u00edgenas jamais foram enterrados?<\/p>\n<div id=\"attachment_25138\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/347311_64b3e87f41b57-scaled-e1690691392514.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-25138\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-25138\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/347311_64b3e87f41b57-scaled-e1690691392514.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"713\"><\/a><p id=\"caption-attachment-25138\" class=\"wp-caption-text\">Ailton Krenak interpreta Tir\u00e9sias, em v\u00eddeo. Foto: Christophe Raynaud de Lage \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>O fil\u00f3sofo nativo brasileiro Ailton Krenak como Tir\u00e9sias, o vidente m\u00edtico, \u00e9 uma escolha genial da <em>Ant\u00edgona na Amaz\u00f4nia<\/em>, uma sugest\u00e3o de Z\u00e9 Celso. Ailton, uma das vozes mais l\u00facidas de nosso tempo, merece mais e mais espa\u00e7o para suas mensagens que, como as de Tir\u00e9sias, nem sempre s\u00e3o f\u00e1ceis de ouvir e que, decididamente, o poder estabelecido n\u00e3o quer escutar. Na trag\u00e9dia grega, n\u00e3o escutar Tir\u00e9sias leva todos ao desastre. Entretanto, a aproxima\u00e7\u00e3o destes dois mitos n\u00e3o se realiza completamente na encena\u00e7\u00e3o &#8211; fica uma sensa\u00e7\u00e3o de que a figura de Krenak, especialmente seu enorme poder autoral, um semeador de futuros, poderia ter tido mais presen\u00e7a no trabalho, uma vez que sua imagem \u00e9 evocada no projeto.<\/p>\n<p>Como era de se esperar, uma das cenas mais fortes \u00e9 a encena\u00e7\u00e3o do massacre que ocorreu em 1996 em Eldorado do Caraj\u00e1s, matando 21 pessoas. A grava\u00e7\u00e3o foi feita este ano, no anivers\u00e1rio triste do evento, com atores e sobreviventes, como perpetua\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, um di\u00e1logo ainda com a tradi\u00e7\u00e3o coral e art\u00edstica cultural do MST, com suas m\u00edsticas. Mas assistir a cena nos impacta n\u00e3o pela fic\u00e7\u00e3o em si, mas pelos transbordamentos insuspeitos da encena\u00e7\u00e3o na realidade: durante a grava\u00e7\u00e3o, um grupo de policiais acompanhou o processo, num jogo tenso entre os planos da vida e da arte. Na imagem de seus rostos, ao assistirem \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o &#8220;teatral&#8221; do evento, sua rea\u00e7\u00e3o, como meton\u00edmia de uma corpora\u00e7\u00e3o associada ao poder, nos prova finalmente a tese de Hamlet. No texto de Shakespeare, Hamlet intu\u00eda que a cena do assassinato de seu pai feita diante do assassino seria gatilho que o revelasse publicamente culpado por sua rea\u00e7\u00e3o emocional, por sua perturba\u00e7\u00e3o. Os rostos dos policiais que assistiam \u00e0 encena\u00e7\u00e3o talvez tenham sido uma das imagens mais perturbadoras daquele momento, presenciadas por toda a plateia do teatro. Um jogo de espelhos&#8230;<\/p>\n<p>Cabe ainda destacar a presen\u00e7a sutil e forte do ator-m\u00fasico Pablo Casella que nos recebe, conduz a narrativa, aproxima o p\u00fablico do contexto do Brasil e tece, especialmente com Frederico, a linha da hist\u00f3ria do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, bem como cria atmosferas que nos permitem saltar um oceano, e do teatro ao document\u00e1rio.<\/p>\n<p>No final o Brasil se separa da Gr\u00e9cia. Na Ant\u00edgona, de S\u00f3focles, \u00e0 viol\u00eancia de Creonte se seguem suic\u00eddios &#8211; de seu filho, de sua esposa. Na Ant\u00edgona na Amaz\u00f4nia, a encena\u00e7\u00e3o em parceria com a luta sem fim do MST parece nos dizer que n\u00e3o temos este &#8220;privil\u00e9gio&#8221;: a ideia de constru\u00e7\u00e3o de uma nova realidade num pa\u00eds colonizado n\u00e3o admitiria a desist\u00eancia!<\/p>\n<p>No \u00faltimo momento em que a equipe de Milo Rau gravava em Eldorado do Caraj\u00e1s, no anivers\u00e1rio do massacre deste ano, num projeto que come\u00e7ou em 2020 e foi parado pela pandemia, o Th\u00e9\u00e2tre de l&#8217; Opprim\u00e9 de Paris, dirigido por Rui Frati e ligado \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o de Augusto Boal, tamb\u00e9m trabalhava l\u00e1, junto com a Universidade Federal do Par\u00e1, num grande evento organizado pela juventude do MST o &#8220;Acampamento Pedag\u00f3gico Oziel Alves Pereira&#8221;, que reuniu cerca de 400 jovens vindos de todo norte do Brasil. A viagem, envolvendo intensa troca art\u00edstico-pedag\u00f3gica com os trabalhadores rurais, faz parte da gesta\u00e7\u00e3o de seu novo trabalho &#8220;Massacres&#8221; entrecruzando experi\u00eancias que o coletivo sediado em Paris teve: no enclave de Shatila, no L\u00edbano, lugar da chacina contra os refugiados palestinos em setembro de 1982, presenciando uma situa\u00e7\u00e3o cada vez pior com a chegada de refugiados s\u00edrios; aos massacres brasileiros na selva e na cidade: em Eldorado de Caraj\u00e1s e tamb\u00e9m na Penitenci\u00e1ria do Carandiru, em S\u00e3o Paulo, com o assassinato de 111 presos, em outubro de 1992, pelo estado de S\u00e3o Paulo; e ter\u00e1 em setembro no Chile, estudando os massacres ao povo chileno no golpe militar contra Salvador Allende, em 1974, com apoio dos Estados Unidos. Um trabalho cujo texto em processo vai ser lido, numa primeira abertura p\u00fablica, em S\u00e3o Paulo, pelo Th\u00e9\u00e2tre de l&#8217;Opprim\u00e9, dia 12 de setembro deste ano. Hist\u00f3rias todas que n\u00e3o podem ser simplesmente esquecidas para que os mortos \u2013 alguns cujos corpos jamais foram encontrados \u2013 n\u00e3o somente possam ser honrados. Mas que nos ajudem a olhar e romper os pactos que permitiram seus tristes fins.<\/p>\n<h4>* Viviane Dias \u00e9 doutora em Artes C\u00eanicas pela ECA-USP e com um doutorado Sandu\u00edche na Paris VIII. Dramaturga, diretora, atriz e jornalista.<\/h4>\n<h4>A leitura da pe\u00e7a <em>Massacres<\/em>, do Th\u00e9\u00e2tre de L&#8217;Opprim\u00e9, acontecer\u00e1 em S\u00e3o Paulo, no dia 12 de setembro pr\u00f3ximo, \u00e0s 20h. Gratuito. No Teatro Estelar. R. 13 de maio, 120.<\/h4>\n<div style=\"position: relative; width: 100%; display: inline-block;\">\n<p><iframe style=\"border: none; position: absolute; top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%;\" src=\"https:\/\/www.theatre-contemporain.net\/embed\/v4aHqmIq\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"padding-top: 56.25%;\">&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Este texto integra o&nbsp;<strong><em><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/projeto-arquipelago\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">projeto arquip\u00e9lago<\/a>&nbsp;<\/em><\/strong>de fomento \u00e0 cr\u00edtica, com apoio da&nbsp;<strong><a href=\"http:\/\/corporastreado.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Corpo Rastreado<\/a>.<\/strong><\/h2>\n<p><img src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-09-at-18.21.49-e1669690492534.jpeg\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um cl\u00e1ssico nunca acaba de dizer o que tem para dizer, nos lembra \u00cdtalo Calvino. Sua for\u00e7a est\u00e1 na possibilidade de nos ajudar a ler, com todos os nossos sentidos (e os dele), o tempo que nos \u00e9 dado a viver e de sermos afetados com a profundidade e o impacto que nossas m\u00eddias contempor\u00e2neas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[1],"tags":[7448,7489,7484,7415,7490,7485,7488,5835,7414,7491,7486,7487,7495],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25134"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25134"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25134\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25149,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25134\/revisions\/25149"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25134"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25134"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25134"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}