{"id":24721,"date":"2022-11-17T12:42:26","date_gmt":"2022-11-17T15:42:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=24721"},"modified":"2022-11-17T12:42:26","modified_gmt":"2022-11-17T15:42:26","slug":"as-mais-belas-e-instigantes-criticas-teatrais-livro-na-plateia-de-mariangela-alves-de-lima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/as-mais-belas-e-instigantes-criticas-teatrais-livro-na-plateia-de-mariangela-alves-de-lima\/","title":{"rendered":"As mais belas, e instigantes, cr\u00edticas teatrais  <\/br> Livro &#8220;Na Plateia&#8221;, de <\/br> Mariangela Alves de Lima"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_24722\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/mariangela-alves-de-lima-foto-Gabriela-Bilo-divulgacao-scaled-e1668694725306.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-24722\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-24722\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/mariangela-alves-de-lima-foto-Gabriela-Bilo-divulgacao-scaled-e1668694725306.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"410\"><\/a><p id=\"caption-attachment-24722\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">A cr\u00edtica teatral <strong>Mariangela Alves de Lima<\/strong> lan\u00e7a livro em S\u00e3o Paulo. Foto: Gabriela Bil\u00f3 \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/span><\/p><\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Na d\u00e9cada de 1990, com internet limitada, e nem pensar nas redes sociais como existem hoje, euzinha, l\u00e1 no Recife ansiava pelos dias em que eram publicadas as cr\u00edticas de <strong>Mariangela Alves de Lima<\/strong>, no jornal <em>O Estado de S\u00e3o Paulo<\/em>. Seguia o ritual de ir \u00e0 banca de revistas e lambuzar os dedos com aquela tinta t\u00edpica. Ficava menos interessada com as outras sess\u00f5es. Uma ou outra coisa chamava minha aten\u00e7\u00e3o dentro daquela estrutura de pensamento conservador.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Os textos da cr\u00edtica, ensa\u00edsta e pesquisadora eram lareira que, para mim, se tornavam maiores que o pr\u00f3prio jornal. Eu que j\u00e1 trabalhava no <em>Diario de Pernambuco<\/em>, um centen\u00e1rio pernambucano, e al\u00e9m de reportagens, ensaiava minhas pr\u00f3pria cr\u00edticas.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Os artigos de Alves de Lima, na maioria sobre espet\u00e1culos de S\u00e3o Paulo, se alumiavam das p\u00e1ginas do matutino paulistano e alimentavam a minha imagina\u00e7\u00e3o, o amor pelo teatro, a vontade de aprender a ponto de ficar repleta de pulsa\u00e7\u00f5es que gerassem an\u00e1lises seguindo o fluxo de reflex\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o plenas do meu pr\u00f3prio corpo. Meu desejo era, quem sabe um dia, escrever t\u00e3o bem quanto ela, de um jeito transparente, com um di\u00e1logo acolhedor, <em>sem lacra\u00e7\u00e3o<\/em>, tra\u00e7ando pontes. Desejos s\u00e3o desejos. E foram. O texto da Mari\u00e2ngela \u00e9 \u00fanico e inigual\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Quando Mari\u00e2ngela foi demitida do <em>Estad\u00e3o<\/em>, depois de 40 anos de of\u00edcio, ocorreram protestos \u2013 inclusive abaixo-assinado &#8211; por parte da classe art\u00edstica, coisa incomum na pr\u00e1tica da cr\u00edtica teatral brasileira. Foi um choque a decis\u00e3o administrativa do jornal, como registra o jornalista Valmir Santos, na reportagem <a href=\"https:\/\/teatrojornal.com.br\/2011\/12\/a-demissao-de-mariangela-alves-de-lima-40-anos-de-critica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a demiss\u00e3o de Mariangela Alves de Lima &#8211; 40 anos de critica<\/a> no <a href=\"https:\/\/teatrojornal.com.br\/\">TeatroJornal<\/a>. Esse movimento de defesa da cr\u00edtica reafirmou o papel singular exercido por ela, como tamb\u00e9m os la\u00e7os de afetos constru\u00eddos com os artistas da cena e o p\u00fablico ao longo de sua trajet\u00f3ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Isso faz parte da hist\u00f3ria.<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><strong style=\"color: #000000; font-size: 1rem;\">Mariangela Alves de Lima<\/strong><span style=\"color: #000000; font-size: 1rem;\"> nasceu em 1947, em S\u00e3o Paulo. \u00c9 da primeira turma da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da USP, onde estudou Artes C\u00eanicas, especializando-se em <\/span><strong style=\"color: #000000; font-size: 1rem;\">Cr\u00edtica Teatral<\/strong><span style=\"color: #000000; font-size: 1rem;\">.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Dentre seus mestres formadores destacam-se S\u00e1bato Magaldi, Jac\u00f3 Guinsburg e D\u00e9cio de Almeida Prado.<br \/>\nNo jornal <em>O Estado de S. Paulo<\/em>&nbsp;se estabeleceu como uma das maiores cr\u00edticas de teatro do Brasil.<br \/>\nAtuou no <em>Estad\u00e3o<\/em> durante quarenta anos, de 1972 a 2011. Escreveu e publicou incont\u00e1veis textos, cr\u00edticas e ensaios, com destaque para o livro que organizou com Jac\u00f3 Guinsburg e Jo\u00e3o Roberto Faria: <strong>Dicion\u00e1rio do teatro brasileiro<\/strong>.<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O livro <strong><em>Mariangela Alves de Lima: Na Plateia<\/em><\/strong> (Edi\u00e7\u00f5es Sesc S\u00e3o Paulo) re\u00fane 290 textos de sua autoria, escritos entre 1972 e 2011 e publicados no Estad\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O lan\u00e7amento oficial ocorre neste 17 de novembro, quinta-feira, \u00e0s 19h, no Sesc Consola\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 agendada uma conversa entre a &nbsp;autora da obra, o dramaturgo Jos\u00e9 Eduardo Vendramini, o ator e diretor teatral Alexandre Mate e o jornalista e cr\u00edtico Valmir Santos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/image1.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-24727 size-medium aligncenter\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/image1-156x300.png\" alt=\"\" width=\"156\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/image1-156x300.png 156w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/image1-300x578.png 300w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/image1.png 440w\" sizes=\"(max-width: 156px) 100vw, 156px\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><span style=\"color: #000000;\">\u201c<em>Com as express\u00f5es art\u00edsticas em constante procura por sensa\u00e7\u00f5es e elementos novos, o certo \u00e9 que a cr\u00edtica continua tendo relev\u00e2ncia para a evolu\u00e7\u00e3o dos movimentos que surgem a todo o instante\u201d.&nbsp;<br \/>\n<\/em><strong>Danilo Santos de Miranda <\/strong><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Os escritos tra\u00e7am um panorama abrangente da produ\u00e7\u00e3o de Mariangela e conta com organiza\u00e7\u00e3o de Marta Raquel Colabone, historiadora, psicanalista e gerente de Estudos e Desenvolvimento do Sesc SP, com colabora\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Eduardo Vendramini, dramaturgo e professor em\u00e9rito do Departamento de Artes C\u00eanicas da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da USP. A Cole\u00e7\u00e3o Sesc de Cr\u00edticas j\u00e1 lan\u00e7ou colet\u00e2neas de S\u00e1bato Magaldi, Macksen Luiz e Jefferson Del Rios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O livro se ocupa da an\u00e1lise de uma parte importante da hist\u00f3ria do teatro brasileiro.&nbsp;<\/span><span style=\"color: #000000;\">Como Mariangela esteve na plateia das principais montagens teatrais &#8211; da d\u00e9cada de 1970, no auge da ditadura militar, at\u00e9 o per\u00edodo de redemocratiza\u00e7\u00e3o e o novo s\u00e9culo \u2013 a colet\u00e2nea inclui cr\u00edticas de v\u00e1rios per\u00edodos e criadores. Entre eles, espet\u00e1culos dirigidos por Eduardo Tolentino de Ara\u00fajo, Jos\u00e9 Celso Martinez Corr\u00eaa, Antunes Filho, Fauzi Arap e Gerald Thomas, e escritos por Nelson Rodrigues, Oduvaldo Vianna Filho, Pl\u00ednio Marcos e Lu\u00eds Alberto de Abreu; com atua\u00e7\u00f5es de Cleyde Y\u00e1conis, Fernanda Montenegro, Mar\u00edlia P\u00eara e Marilena Ansaldi; al\u00e9m de espet\u00e1culos dos grupos Asdr\u00fabal Trouxe o Trombone, Tapa, Galp\u00e3o, Armaz\u00e9m Companhia de Teatro, Cia. dos Atores e Teatro de Vertigem; entre muitos outros importantes encenadores, atores e grupos.<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u201c<span style=\"color: #000000;\"><em>Exigente, generosa, questionadora, suas cr\u00edticas revelam as contradi\u00e7\u00f5es da produ\u00e7\u00e3o teatral, o papel pol\u00edtico que a profiss\u00e3o engendra. Criativa, por vezes atrevida, \u00e9 uma esp\u00e9cie de rep\u00f3rter elucidativa das mudan\u00e7as ocorridas no teatro nacional junto a mergulhos profundos no car\u00e1ter espec\u00edfico de cada espet\u00e1culo\u201d.&nbsp;<\/em><\/span><span style=\"color: #000000;\"><strong><br \/>\nMarta Raquel Colabone <\/strong>e<strong> Jos\u00e9 Eduardo Vendramini<\/strong><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Valmir Santos, jornalista e cr\u00edtico que assina a orelha do livro, lembra que Mariangela \u00e9 a primeira mulher a figurar na <em>Cole\u00e7\u00e3o Cr\u00edticas<\/em> das Edi\u00e7\u00f5es Sesc SP, e que a perspectiva feminista \u00e9 outra janela recorrente nos escrut\u00ednios da autora, \u201cpermeados ainda de humor, elogio ao potencial do sil\u00eancio em cena, sedu\u00e7\u00e3o pela intelig\u00eancia e convic\u00e7\u00e3o de que, no palco, como na poesia, o pouco vale muito\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O professor-pesquisador da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no Instituto de Artes da Unesp Alexandre Mate considera o trabalho de Mariangela \u201cmonumental\u201d, nos sentidos quantitativo e, sobretudo, qualitativo. No seu pref\u00e1cio, ele destaca que al\u00e9m de se deparar com \u201ccensuras e cerceamentos de toda ordem e monta\u201d, Mariangela acompanhou \u201ctotal mudan\u00e7a de consignas na produ\u00e7\u00e3o teatral paulista, no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, das tem\u00e1ticas das obras, dos paradigmas est\u00e9ticos\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Num artigo para a revista <strong><em>Camarim<\/em><\/strong>, de 2005, Alves de Lima ponderava que \u201cs\u00e3o menos aguerridos os cr\u00edticos de hoje, tratam mais da resson\u00e2ncia das obras do que de par\u00e2metros judicativos. S\u00e3o talvez menos generosos porque declinaram da responsabilidade do devir do teatro. No entanto quando alguns deles, ainda invocando as t\u00e1buas da lei, separam as boas das m\u00e1s ovelhas, aquela parte da nossa subjetividade onde reside a hist\u00f3ria faz coro a uma personagem de Brecht: \u201ca verdade \u00e9 filha do tempo, e n\u00e3o da autoridade\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Vamos ao bate-papo. Sempre temos algo aprender com a discreta Mariangela Alves de Lima, que alimenta a humidade das grades figuras humanas.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Servi\u00e7o<br \/>\nLan\u00e7amento<\/strong> livro <strong><em>Na Plateia<\/em><\/strong>, bate papo com Mariangela Alves de Lima, &nbsp;Jos\u00e9 Eduardo Vendramini, Alexandre Mate e Valmir Santos e sess\u00e3o de aut\u00f3grafos<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><strong>Quando: <\/strong>Dia 17 de novembro, quinta-feira, a partir das 19h<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Entrada gratuita<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><strong>Sesc Consola\u00e7\u00e3o: <\/strong><span style=\"font-size: 1rem;\">Dr. Vila Nova, 245 &#8211; Vila Buarque (<\/span><a style=\"font-size: 1rem; color: #000000;\" href=\"about:blank\">https:\/\/www.sescsp.org.br\/unidades\/consolacao\/<\/a><span style=\"font-size: 1rem;\">)<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na d\u00e9cada de 1990, com internet limitada, e nem pensar nas redes sociais como existem hoje, euzinha, l\u00e1 no Recife ansiava pelos dias em que eram publicadas as cr\u00edticas de Mariangela Alves de Lima, no jornal O Estado de S\u00e3o Paulo. 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