{"id":2418,"date":"2011-05-08T13:18:39","date_gmt":"2011-05-08T16:18:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=2418"},"modified":"2011-05-13T19:33:16","modified_gmt":"2011-05-13T22:33:16","slug":"essa-febre-contagia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/essa-febre-contagia\/","title":{"rendered":"Essa febre contagia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_2419\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Essa-febre-2.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2419\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Essa-febre-2.jpg\" alt=\"\" title=\"Essa febre que n\u00e3o passa\" width=\"600\" height=\"337\" class=\"size-full wp-image-2419\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Essa-febre-2.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Essa-febre-2-300x168.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2419\" class=\"wp-caption-text\">Ceronha Pontes e Hermila Guedes. Fotos: Ivana Moura<\/p><\/div>\n<p>\u00c0 primeira vista, o que liga os quadros de <em>Essa febre que n\u00e3o passa <\/em>s\u00e3o as tens\u00f5es de mulheres em acertos de contas com o passado, com o presente e com o futuro. Criaturas em situa\u00e7\u00f5es-limite, transbordando de afetos. <\/p>\n<p>\u00c9 a quarta montagem do Coletivo Angu de Teatro, depois de <em>Angu de sangue<\/em>, texto de Marcelino Freire; <em>\u00d3pera<\/em>, texto de Newton Moreno e <em>Rasif \u2013 Mar que arrebenta<\/em>, tamb\u00e9m texto de Freire. Desta vez cena \u00e9 ocupada s\u00f3 por mulheres. <\/p>\n<p>As atrizes Ceronha Pontes, Hermila Guedes, Hilda Torres, M\u00e1rcia Cruz, Mayra Waquim e N\u00ednive Caldas se desdobram em criaturas inventadas pela jornalista e escritora Luce Pereira.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 tocante, ora suave, ora ir\u00f4nico, ora cortante. Sempre belo. <\/p>\n<p>Dos 17 contos que comp\u00f5em o livro hom\u00f4nimo, o Coletivo escolheu cinco para encenar: <em>Cl\u00f3vis<\/em>, <em>Nomes<\/em>, <em>Talvez j\u00e1 fosse tarde<\/em>, <em>Um tango com Frida Kahlo<\/em> e <em>Dora descompassada<\/em>. Entre eles como uma liga org\u00e2nica, as passagens com breves depoimentos criados pelas pr\u00f3prias atrizes, sobre suas vidas pessoais: a rela\u00e7\u00e3o com a irm\u00e3, com a velhice, com o mundo. <\/p>\n<p><em>Essa febre que n\u00e3o passa<\/em> tem uma comunica\u00e7\u00e3o f\u00e1cil e contagiante. Tira o prosaico do cotidiano e nos fala de coisas muito caras que podem atingir a qualquer um, como dores de amores e separa\u00e7\u00f5es. Os recalques voltam furiosos ou apaziguados com o tempo, mas n\u00e3o com o esquecimento. As feridas reabertas fazem tremer o corpo vis\u00edvel e o invis\u00edvel tamb\u00e9m. <\/p>\n<p>A montagem do Angu insiste em algumas caracter\u00edsticas investigativas do coletivo, com o ator-narrador. Mas traz algumas varia\u00e7\u00f5es, tem uma tonalidade mais feminina, \u00e0s vezes mais fr\u00e1gil noutras de uma fortaleza insond\u00e1vel. <\/p>\n<p>Os contos de Luce Pereira j\u00e1 exp\u00f5em os nervos das personagens. E cativam na sua aparente simplicidade para falar do fim de relacionamento entre duas mulheres (e que poderiam ser quaisquer dois), com sua curva que vai da empolga\u00e7\u00e3o pelo desejo do duradouro no in\u00edcio \u00e0 desaten\u00e7\u00e3o com as pequenas coisas, tempos depois. Cl\u00f3vis como promessa de felicidade salienta na chegada sinais de desgaste da rela\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Noutro, a personagem se debate contra seu pr\u00f3prio nome, como se fosse um ferro de marcar gado, condenat\u00f3rio. Nomes para ela definem tudo. E essa figura com manias de grandeza adora os bonitos. Com criativas frases de efeito, um humor ir\u00f4nico e uma pontinha de cr\u00edtica social, a autora vai alinhavando a vida dos vizinhos, do pr\u00e9dio, do bairro.<\/p>\n<div id=\"attachment_2423\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre5.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2423\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre5.jpg\" alt=\"\" title=\"Essa febre que n\u00e3o passa\" width=\"600\" height=\"338\" class=\"size-full wp-image-2423\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre5.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre5-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2423\" class=\"wp-caption-text\">Mayra Waquim  na cena Nomes<\/p><\/div>\n<p>D\u00edvidas de afeto com uma tia pouco afeita a carinhos s\u00e3o contabilizadas no conto <em>Talvez j\u00e1 fosse tarde<\/em>. \u00c9 o mais duro, mais triste, mais cortante dos textos escolhidos para a montagem. E vai crescendo numa onda em que autocondena\u00e7\u00e3o \u00e9 confessada pelo bem que deixamos de fazer aos nossos queridos. Como a nega\u00e7\u00e3o de um beijo, abra\u00e7o ou coisa parecida. <\/p>\n<div id=\"attachment_2424\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre7.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2424\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre7.jpg\" alt=\"\" title=\"Essa febre que n\u00e3o passa\" width=\"600\" height=\"338\" class=\"size-full wp-image-2424\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre7.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre7-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2424\" class=\"wp-caption-text\">Marcia Cruz e Hilda Torres no quadro Talvez j\u00e1 fosse tarde <\/p><\/div>\n<p>Um caf\u00e9 com a irm\u00e3 e a explos\u00e3o de mem\u00f3rias, do desejo de crescer que n\u00e3o passou quando acabou a adolesc\u00eancia.  As reminisc\u00eancias compartilhadas com a mana que nunca a entendeu perfeitamente. E entre incompreens\u00f5es de uma e as revela\u00e7\u00f5es da outra a vontade de partir. \u201cQueria ter a alma de Frida Khalo, expulsar cores, escancarar por\u00f5es, viver todas as minhas heresias sem culpa, n\u00e3o fazer maldades com rapazes e misses\u201d. Elas riem por um momento c\u00famplices com hist\u00f3rias de crueldade. A ironia fina se instala.<\/p>\n<div id=\"attachment_2425\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre9.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2425\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre9.jpg\" alt=\"\" title=\"Essa febre que n\u00e3o passa\" width=\"600\" height=\"337\" class=\"size-full wp-image-2425\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre9.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre9-300x168.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2425\" class=\"wp-caption-text\">Ceronha Pontes e Mayra Waquim em Um tango com Frida Kahlo<\/p><\/div>\n<p>No conto que fecha o espet\u00e1culo, <em>Dora descompassada<\/em>, o desespero, a dor, o des\u00e2nimo, s\u00e3o maiores que a vontade de prosseguir o caminho sozinha. Quando descobriu que eles -enquanto casal &#8211; j\u00e1 n\u00e3o se pertenciam, ela faz um balan\u00e7o da rela\u00e7\u00e3o e n\u00e3o suporta a perspectiva de futuro. Desistir de tudo no fim de ano traz uma carga dram\u00e1tica para abrir as feridas n\u00e3o cicatrizadas do p\u00fablico.<\/p>\n<p>Enfim, um punhado de contos que percorrem estados de esp\u00edrito. Pode predominar uma melancolia, mas todos inquietam e fazem pulsar vida em suas m\u00faltiplas possibilidades. De que \u00e9 poss\u00edvel seguir em frente, de supera\u00e7\u00e3o, de ren\u00fancia. <\/p>\n<p>Esse material textual foi respeitado e valorizado na cena dirigida por Andr\u00e9 Brasileiro e Marcondes Lima. Os outros tr\u00eas espet\u00e1culos do grupo, dirigidos por Marcondes, s\u00e3o mais masculinos. <em>Essa febre<\/em> tem um t\u00f4nus mais feminino.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das atrizes Ceronha Pontes, Hermila Guedes, Hilda Torres, M\u00e1rcia Cruz, Mayra Waquim e N\u00ednive Caldas, est\u00e1 em cena a violoncelista Josi Guimar\u00e3es, que integra a cena e faz de seu instrumento, seu amado.<\/p>\n<p>Cortinas comp\u00f5em o cen\u00e1rio, representando camadas, ora revelando, ora escondendo, ora abrindo em fendas para essas mulheres contarem suas hist\u00f3rias. <\/p>\n<p>Feito ninfas elas aparecem despindo-se ou recompondo-se para anunciar as personagens que est\u00e3o por vir. <\/p>\n<p>Ceronha Pontes, Hermila Guedes protagonizam o casal de Cl\u00f3vis, o gato. Duas fortes atrizes explorando a cumplicidade de amor, seus rec\u00f4nditos insond\u00e1veis, num arco que vai da alegria, da euforia do encontro ao \u00e0 tristeza da separa\u00e7\u00e3o. Feito um bailado esse percurso \u00e9 desenhado com beleza, num jogo l\u00fadico de amorosidades que v\u00e3o se diluindo. O treinamento no chamado m\u00e9todo Viewpoints, ministrado pela paulista Amanda Lira como certeza deu sustenta\u00e7\u00e3o para o trabalho f\u00edsico. <\/p>\n<div id=\"attachment_2420\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre-4.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2420\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre-4.jpg\" alt=\"\" title=\"Essa febre que n\u00e3o passa\" width=\"600\" height=\"338\" class=\"size-full wp-image-2420\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre-4.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre-4-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2420\" class=\"wp-caption-text\">Quadro Clovis questiona como manter acesa a chama da paix\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Nesse quadro, a promessa de felicidade j\u00e1 desmoronou quando o bichano \u00e9 convidado a entrar. A representa\u00e7\u00e3o do gato \u00e9 bem resolvida. Hilda Torres faz o primeiro gato, o do pesadelo. E N\u00ednive Caldas faz Cl\u00f3vis lindamente, dengoso, esperto, c\u00famplice, mas acima de tudo felino. <\/p>\n<p>Mayra Waquim faz a artista pl\u00e1stica que errou no nome desde o nascimento e prossegue nas suas escolhas erradas e na inveja por nomes bonitos. Na frente da televis\u00e3o fazendo gin\u00e1stica, ou pintando seus quadros que n\u00e3o vendem mais nem na feirinha, ela desfia suas m\u00e1goas, pela imensa falta de sorte desde o batismo. E sua ojeriza por coisa de gente pobre, ela mesma instalada no pr\u00e9dio decadente. Ela mostra dom\u00ednio dessa personagem com sutilezas de detalhes. Como fazem todas as atrizes em algum momento do espet\u00e1culo.<\/p>\n<div id=\"attachment_2427\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre6.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2427\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre6.jpg\" alt=\"\" title=\"Essa febre que n\u00e3o passa\" width=\"600\" height=\"338\" class=\"size-full wp-image-2427\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre6.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre6-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2427\" class=\"wp-caption-text\">Mayra Waquim no papel da artista pl\u00e1stica <\/p><\/div>\n<p> Marcia Cruz incorpora n\u00e3o apenas uma velha, mas toda a velhice do mundo, de quem foi perdendo tudo e agora vive agregada na fam\u00edlia da irm\u00e3. Hilda Torres faz a sobrinha que narra a hist\u00f3ria de Bernarda e de sua inabilidade com os afagos. Ela s\u00f3 consegue traduzir os gestos amorosos nas lembran\u00e7as de datas e em qualquer mimo para os sobrinhos e sobrinhos-netos e quem mais vier. <em>Talvez j\u00e1 fosse tarde<\/em> d\u00e1 um n\u00f3 na garganta em sua poesia delicada para expor caminhos de nega\u00e7\u00f5es, de economias de afeto, de interdi\u00e7\u00f5es de amor. <\/p>\n<div id=\"attachment_2429\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Essa-febre8.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2429\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Essa-febre8.jpg\" alt=\"\" title=\"Essa febre que n\u00e3o passa\" width=\"600\" height=\"338\" class=\"size-full wp-image-2429\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Essa-febre8.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Essa-febre8-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2429\" class=\"wp-caption-text\">M\u00e1rcia Cruz, como Bernarda, ao fundo, e Hilda Torres<\/p><\/div>\n<p>Em <em>Um tango com Frida Kahlo<\/em> Ceronha Pontes volta \u00e0 cena para se digladiar com Mayra Waquim, esta no papel de Sofia. \u201cMas como \u00e9 que pode, dois pares de olhos nascidos do mesmo pai e da mesma m\u00e3e, olhar na mesma dire\u00e7\u00e3o e ver coisas t\u00e3o diferentes?\u201d, pergunta a atriz-narradora. Nas reminisc\u00eancias, quase uma vida inteira, entre crueldades com rapazes e misses e a incompreens\u00e3o da irm\u00e3. <\/p>\n<p>O encontro pulsa de vida, transbordante desde o primeiro cigarro aos 14 anos, do conselho do professor Otaviano Cruz para que partisse quando a asa botasse a \u00faltima pena. A narradora fala. Sofia ouve sem dizer palavras. O tom muda de acordo com as lembran\u00e7as. E elas dan\u00e7am belamente um tango.<\/p>\n<div id=\"attachment_2430\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre10.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2430\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre10.jpg\" alt=\"\" title=\"Essa febre que n\u00e3o passa \" width=\"600\" height=\"338\" class=\"size-full wp-image-2430\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre10.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre10-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2430\" class=\"wp-caption-text\">Acerto de contas entre irm\u00e3s<\/p><\/div>\n<p>Uma dor de amor pode ser fatal. <em>Dora descompassada<\/em> anuncia isso tristemente. Hermila Guedes faz essa mulher desesperada que ainda brinca de apar\u00eancias de fortaleza e dignidade. O homem que se foi \u00e9 representado por um par de sapatos. As outras atrizes comp\u00f5em a cena. Uma banheira branca \u00e9 instalada no meio do palco e define um quadro bel\u00edssimo de Dora na banheira tentando afogar as dores.<\/p>\n<div id=\"attachment_2431\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre13.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2431\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre13.jpg\" alt=\"\" title=\"Essa febre que n\u00e3o passa\" width=\"600\" height=\"312\" class=\"size-full wp-image-2431\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre13.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre13-300x156.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2431\" class=\"wp-caption-text\">Hermila Guedes, em primeiro plano, interpreta Dora descompassada<\/p><\/div>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o foi muito feliz ao criar pequenos mon\u00f3logos de passagem com depoimentos das atrizes sobre algo que tenha a ver com um dos contos. A montagem tamb\u00e9m forjou uma liga\u00e7\u00e3o entre personagens, mudando nomes, e fazendo refer\u00eancias a outras hist\u00f3rias. <\/p>\n<p>A trilha sonora e dire\u00e7\u00e3o musical s\u00e3o de Henrique Macedo que ajudar a expandir ou comprimir os tempos e dar as atmosferas  dos contos. <\/p>\n<p>Como nos espet\u00e1culos anteriores, as proje\u00e7\u00f5es s\u00e3o grandes aliadas da montagem, estabelecendo fortes liga\u00e7\u00f5es com o cinema e a mem\u00f3ria. Essa mem\u00f3ria \u00e9 salientada por fotos \u201creais\u201d das atrizes e de outras pessoas da equipe de momentos importantes de suas vidas. Esse trabalho est\u00e1 associado a luz que salienta as camadas dessas hist\u00f3rias e dessas mulheres.<br \/>\nOs figurinos trazem uma tonalidade pastel que \u00e0s vezes incomoda nesse apagamento que d\u00e1 as personagens. <\/p>\n<p>No fundo <em>Essa febre que n\u00e3o passa<\/em> \u00e9 um espet\u00e1culo sobre o amor, o amor idealizado que n\u00e3o tem correspond\u00eancia na vida e precisa da morte, desse perigoso, fr\u00e1gil e obscuro sentimento que nos move ou imobiliza. <\/p>\n<p>A encena\u00e7\u00e3o \u00e9 toda feita de cuidados e detalhes que o espectador vai descobrindo aos poucos. E encantando-se cada vez mais. <\/p>\n<p>Parab\u00e9ns a todos os envolvidos com essa febre. Muito boa a estreia na dire\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 Brasileiro, com seu olhar que capta as belezas e num transbordamento ou numa repeti\u00e7\u00e3o desesperadora como faz Dora ao ouvir ad infinitum <em>My way<\/em> como Frank Sinatra. <\/p>\n<p>O elenco afinado, talentoso e competente fertiliza a cena com emo\u00e7\u00e3o.  <\/p>\n<p><div id=\"attachment_2434\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre12.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2434\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre12.jpg\" alt=\"\" title=\"Essa febre que n\u00e3o passa \" width=\"600\" height=\"337\" class=\"size-full wp-image-2434\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre12.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essa-febre12-300x168.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2434\" class=\"wp-caption-text\">Espet\u00e1culo fica em cartaz aos s\u00e1bados e domingos<\/p><\/div><br \/>\n<strong>Servi\u00e7o:<\/strong><br \/>\n<em>Essa febre que n\u00e3o passa<\/em>, do Coletivo Angu de Teatro<br \/>\n<strong>Quando: <\/strong>temporada aos s\u00e1bados, \u00e0s 21h e domingos, \u00e0s 20h<br \/>\n<strong>Onde:<\/strong> Teatro Hermilo Borba Filho (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)<br \/>\n<strong>Ingressos:<\/strong> R$ 20 e R$ 10 (meia)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 primeira vista, o que liga os quadros de Essa febre que n\u00e3o passa s\u00e3o as tens\u00f5es de mulheres em acertos de contas com o passado, com o presente e com o futuro. Criaturas em situa\u00e7\u00f5es-limite, transbordando de afetos. \u00c9 a quarta montagem do Coletivo Angu de Teatro, depois de Angu de sangue, texto de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[1],"tags":[232,178,126,870,234,871,236,237,231,127,239,40,240,20,869,179,349,868,177,610],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2418"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2418"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2418\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2625,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2418\/revisions\/2625"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2418"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2418"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2418"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}