{"id":24125,"date":"2022-06-09T23:20:57","date_gmt":"2022-06-10T02:20:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=24125"},"modified":"2022-06-13T23:01:20","modified_gmt":"2022-06-14T02:01:20","slug":"o-texto-e-o-contexto-analise-da-leitura-dramatica-a-pedra-do-navio-por-sidney-rocha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/o-texto-e-o-contexto-analise-da-leitura-dramatica-a-pedra-do-navio-por-sidney-rocha\/","title":{"rendered":"Todo texto \u00e9 salvo quando \u00e9 lido<\/br> Resenha da leitura dram\u00e1tica A Pedra do Navio <\/br> Por Sidney Rocha*"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_24128\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/WhatsApp-Image-2022-06-09-at-17.42.57-e1654827175605.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-24128\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-24128\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/WhatsApp-Image-2022-06-09-at-17.42.57-e1654827175605.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"372\"><\/a><p id=\"caption-attachment-24128\" class=\"wp-caption-text\">Jo\u00e3o Augusto Lira, M\u00e1rcia Luz e Paulo de Pontes. Foto: Alexandre Sampaio \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_24129\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/WhatsApp-Image-2022-06-09-at-17.42.51-e1654827332515.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-24129\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-24129 size-full\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/WhatsApp-Image-2022-06-09-at-17.42.51-e1654827332515.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"352\"><\/a><p id=\"caption-attachment-24129\" class=\"wp-caption-text\">Atores leem pe\u00e7a de Jo\u00e3o Denys. Foto: Alexandre Sampaio \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p><strong>O texto e o contexto<\/strong><\/p>\n<p>Jo\u00e3o Denys escreveu <strong><em>A Pedra do Navio<\/em><\/strong> em 1979. O texto pode ser \u201clido\u201d em separado, mas faz parte de uma trilogia, do Serid\u00f3, e Jo\u00e3o Denys dedicou boas d\u00e9cadas a esse trabalho.<\/p>\n<p>Em 2007, o texto foi re-escrito e publicado na <em>Antologia do teatro nordestino<\/em> (Funda\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Augusto) e penso ser sobre essa vers\u00e3o que <strong>Conex\u00e3o 3&#215;4 artes &amp; atos<\/strong> trabalhou a leitura dramatizada, ontem, dia 8 de junho de 2022, no Teatro Luiz Mendon\u00e7a, no Recife.<\/p>\n<p>Em 1979, ainda sob a ditadura, era comum, s\u00f3 a um passo a menos do <em>obrigat\u00f3rio<\/em>, no Nordeste, o texto teatral ter algo das teorias de Bertolt Brecht ou do cinema de Glauber Rocha. Da est\u00e9tica da seca e da fome. <strong><em>A Pedra do Navio<\/em><\/strong> se ancorava nessas vozes, tanto quanto em teorias marxistas, comunistas, sertanistas, bem ou mal digeridas por quem as encenasse ou assistisse, al\u00e9m de ainda ventilar um pouco da est\u00e9tica do romance de 30 e do modernismo que, de algum modo, terminaram por paradoxalmente atrasar a moderniza\u00e7\u00e3o do palco no Brasil.<\/p>\n<p>O texto \u00e9, portanto, seu pr\u00f3prio contexto. Onde certo datismo n\u00e3o o reduz. Talvez o didatismo, a est\u00e9tica da manifesta\u00e7\u00e3o, sim.<\/p>\n<p>Vivia-se por aqui, na literatura, no cinema, no teatro, (n\u00e3o sei na pintura, mas logo falaremos dela) o m\u00e1ximo da ideia tosca do \u201cresgate\u201d cultural.<\/p>\n<p>Mas, nesse ponto dos \u201cares de manifesto\u201d, express\u00e3o de Alfredo Bosi, o teatro vence a literatura daqueles fins dos anos 1970, onde h\u00e1 bons textos, por\u00e9m a dramaturgia teatral dessa \u00e9poca, no Nordeste, \u00e9 menos <em>ensa\u00edstica<\/em> ou ret\u00f3rica.<\/p>\n<p>Vemos, hoje, de novo, um descambo dessa literatura para o discurso. O discurso pelo discurso. De novo com exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Pois bem<em>: <strong>A Pedra do Navio<\/strong><\/em>&nbsp;\u00e9 mais social que sociol\u00f3gico. No texto, o nordestino deixa de ser resultado de um determinismo biol\u00f3gico, algo eugenista, para ser definido, e isso tamb\u00e9m significa \u201creduzido\u201d, por um determinismo social. Eis o drama.<\/p>\n<p>J\u00e1 a trama come\u00e7a quando um \u00f4nibus atropela a prociss\u00e3o de Nossa Senhora, l\u00e1 em Currais Novos. Est\u00e1 montada em tipos populares como beatas, pedintes-pid\u00f5es cegos, pagadores de promessas, padres interesseiros, crentes, vi\u00favas, trabalhadores, pr\u00edncipes e princesas do sert\u00e3o m\u00e1gico.<\/p>\n<p>Pode-se pensar que o dramaturgo buscou criar uma atmosfera geral para contar o verdadeiro mundo dos trabalhadores, do povo oprimido por Deus e pelos \u201cdesembargadores\u201d do capitalismo, sob a alegoria da conscientiza\u00e7\u00e3o. Pensar numa urdidura dessas salvar\u00e1 o texto. Mas o texto n\u00e3o precisa de nossas senhoras nem de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A leitura \u00e9 sempre aberta. Todo texto \u00e9 salvo, e s\u00f3 \u00e9 salvo, quando \u00e9 lido. O resto \u00e9 opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Em <strong><em>A Pedra do Navio<\/em><\/strong> faltam personagens mais definidos. E o dramaturgo sabe cri\u00e1-los. Mas, e n\u00e3o preciso defender o texto, Denys talvez tenha preferido essa ideia mais dilu\u00edda, de personagens como uma hidrameba. Ou esses tipos se escondem nas coxias de seus dramas particulares para poder melhor aparecer a vi\u00fava Teodora, hero\u00edna morta a tiros pelos donos da mineradora e, depois, tomada por santa pelo povo, outro t\u00f3pos do imagin\u00e1rio nordestino.<\/p>\n<p>Aqui h\u00e1 nome a se considerar no contexto, que o <strong>Conex\u00e3o 3&#215;4&#8230;<\/strong> pode ressuscitar em suas leituras dramatizadas: o paraibano Altimar Pimentel. Ele escreveu a pe\u00e7a <em>Flor do campo<\/em>, encenada em 1987. O texto traz rela\u00e7\u00f5es claras com o assassinato da l\u00edder sindical Margarida Maria Alves, tamb\u00e9m por um tiro, por conta de sua luta pela reforma agr\u00e1ria, ao lado dos trabalhadores do campo. Esse feminic\u00eddio ocorreu em 1983. Jo\u00e3o Denys, como poeta, foi a\u00ed, portanto, algo prof\u00e9tico com sua Teodora?<\/p>\n<div id=\"attachment_24130\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/WhatsApp-Image-2022-06-09-at-17.42.49-e1654827536346.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-24130\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-24130\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/WhatsApp-Image-2022-06-09-at-17.42.49-e1654827536346.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"300\"><\/a><p id=\"caption-attachment-24130\" class=\"wp-caption-text\">Rinaldo Silva, M\u00e1rcia Luz, Breno Melo Paulo de Pontes, Jo\u00e3o Augusto Lira e Jeims Duarte&nbsp;<\/p><\/div>\n<p><strong>A leitura<\/strong><\/p>\n<p>Em <strong>Conex\u00e3o 3&#215;4: artes e atos<\/strong>, as atrizes Augusta Ferraz e M\u00e1rcia Luz e os atores Jo\u00e3o Augusto Lira e Paulo de Pontes montaram leituras dramatizadas, no Recife. Dali surgiram <em>As Cadeiras<\/em>, de Ionesco, de <em>A Hist\u00f3ria do Zool\u00f3gico<\/em> de Edward Albee, <em>Fala Baixo Sen\u00e3o Eu Grito<\/em> de Leilah Assump\u00e7\u00e3o a essa <em>A Pedra do Navio<\/em>, de Jo\u00e3o Denys. Em todos, a meu ver, outra conex\u00e3o, algo que me interessa muito: o teatro de texto.<\/p>\n<p>Outras rela\u00e7\u00f5es: o <em>zoo<\/em> do norte-americano Albee e as <em>cadeiras<\/em> do romeno-franc\u00eas Ionesco s\u00e3o do tutano do Teatro do Absurdo, coisa do fim dos anos 1950. <em>Fala baixo&#8230;<\/em>, da paulista Leilah Assump\u00e7\u00e3o, tem o tom confessional, \u00edntimo, talvez mais ao g\u00eanero pict\u00f3rico chamado de <em>conversa\u00e7\u00e3o<\/em>, no drama de duas personagens (como ocorre tamb\u00e9m em <em>As Cadeiras<\/em>).<\/p>\n<p>E, ent\u00e3o vem <strong><em>A Pedra&#8230;<\/em><\/strong>, do potiguar Jo\u00e3o Denys, o mais <em>coletivo <\/em>deles. E, penso, o mais dif\u00edcil de se \u201cler\u201d. Jo\u00e3o Denys, diretor e cen\u00f3grafo, constr\u00f3i sua cena a partir de luz e cen\u00e1rio muito peculiares. As cenas t\u00eam interrup\u00e7\u00f5es bem arbitr\u00e1rias. Algumas ocorrem simultaneamente. A estrutura do texto lembra a montagem e linguagem do cinema, com indica\u00e7\u00f5es de luz, cortes<em>, fade out, fade in, <\/em><em>split screen.<\/em><\/p>\n<p>Por isso, flora e <em>zoo <\/em>de Jo\u00e3o Denys exigem mais do elenco: leitores &amp; leitoras.<\/p>\n<p>O segredo da leitura (branca, dramatizada) \u00e9 sempre o tom. Pouca gente saber ler bem um texto. No teatro, quando a leitura dramatizada faz brilhar mais a dramatiza\u00e7\u00e3o que o texto ele-mesmo, isso pode ser um problema, a depender da exig\u00eancia da plateia.<\/p>\n<p>Por conta dessa estrutura do texto, do grande n\u00famero de personagens vividos por tr\u00eas vozes no palco, das simultaneidades, das caracter\u00edsticas dos personagens, repito: tipos, em <em><strong>A Pedra&#8230;<\/strong><\/em>, o elenco teve de se esfor\u00e7ar muito para esses tipos n\u00e3o descambarem ao mundo da caricatura, especialmente na cena da feira.<\/p>\n<p>Em apresenta\u00e7\u00f5es assim, o improviso pode se tornar um pesadelo.<\/p>\n<p>E se o elenco se deixar enganar pela rea\u00e7\u00e3o da plateia, fica sujeito a aumentar mais ainda o tom e exagerar na dramatiza\u00e7\u00e3o e, da\u00ed, para a caricaturiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um passo. Nas falas-rezas, nos trechos chupados das missas e das ave-marias, faltou melhor afina\u00e7\u00e3o e o un\u00edssono funcionaria mais.<\/p>\n<p>Em alguns momentos, numa das velhas de Lira, no cordelista e no americano (com sotaque algo <em>turco<\/em>), de Paulo, e na Teodora e sua boneca, de M\u00e1rcia, isso se pr\u00e9-anuncia.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o espet\u00e1culo tem rigor pr\u00f3prio, atores e atrizes t\u00eam muita estrada e conseguem estabelecer essa conex\u00e3o do autor com seu texto, do texto com o ouvinte e a dire\u00e7\u00e3o respeita cada uma dessas dic\u00e7\u00f5es. N\u00e3o vi as outras leituras, embora conhe\u00e7a o texto de maioria, mas esse coment\u00e1rio servir\u00e1 para as demais experi\u00eancias dessa temporada de <strong>Conex\u00e3o 3&#215;4<\/strong>&#8230;, creio.<\/p>\n<p>E sei que Jo\u00e3o Denys gostaria de ter visto a apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><em>O <\/em><\/strong><strong>extratexto:<\/strong><strong><em> a imagem<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Esses v\u00e1rios intradiscursos, intratextos, intercontextos, digamos, contribuem para justificar a inten\u00e7\u00e3o do grupo em ligar textos e imagens, que s\u00e3o discursos, tamb\u00e9m. A fil\u00f3sofa, psicanalista, feminista Julia Kristeva j\u00e1 disse bem: \u201cTodo texto se constr\u00f3i como mosaico de cita\u00e7\u00f5es, todo texto \u00e9 absor\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o de um outro texto.\u201d<\/p>\n<p>Uma leitura \u00e9 uma transforma\u00e7\u00e3o, antes de tudo. E absor\u00e7\u00e3o. Ler \u00e9 abstrair, adicionar e subtrair.<\/p>\n<p>O<strong> Conex\u00e3o 3&#215;4: artes e atos<\/strong> trouxe obras de Rinaldo Silva, Breno Melo e Jeims Duarte para o palco. E sua rela\u00e7\u00e3o com o texto de Jo\u00e3o Denys \u00e9 precisa como um GPS. Elas criam um tipo de cenografia fantasmag\u00f3rica para o espet\u00e1culo. Isso \u00e9 bom.<\/p>\n<p>O artista e escritor Breno Melo termina por nos apresentar uma tela onde se desfiguram personagens dos Currais Novos (bem velhos) do mundo. N\u00e3o sei se foi a inten\u00e7\u00e3o, mas a pintura de Breno Melo me fez apontar para as figuras de Vicente do Rego Monteiro e me fez projetar no tempo <em>Retirantes<\/em>, o quadro de Candido Portinari. Se aquelas figuras de Portinari t\u00eam um futuro, ele est\u00e1 na esqueletaria pintada por Breno Melo. A \u201ccena\u201d se conecta bem com o contexto da pe\u00e7a, dos mineradores, dos explorados, do povo, que o poder atropela todos os dias.<\/p>\n<p>Rinaldo Silva se apossa do verde-amarelo para sua bandeira sangrada \u00e0 faca e pisoteada de coturnos para se ligar ao texto justo nos momentos de inten\u00e7\u00f5es pol\u00edticas mais claras, quando algu\u00e9m confunde a luta por direitos como \u201ccoisa de comunista\u201d, sintoma brasileiro bem atual.<\/p>\n<p>Jeims Duarte, artista e pesquisador, oferece uma atmosfera mais mitol\u00f3gica. Para colocar luzes nas pedintes-cegas da feira, mas tamb\u00e9m no povo cego e para trazer alguma met\u00e1fora com a justi\u00e7a, o artista apresenta seu desenho <em>Tir\u00e9sias<\/em>, personagem tamb\u00e9m frequente no teatro surrealista, cujo mito tanto est\u00e1 ligado \u00e0 sexualidade quanto \u00e0 capacidade de profetizar.<\/p>\n<p>E a pe\u00e7a de Jo\u00e3o Denys tem algo de prof\u00e9tico, no que profetiza e mostra no \u201cHontem\u201d. Basta ver a rela\u00e7\u00e3o da trag\u00e9dia da pe\u00e7a com as trag\u00e9dias recentes do Recife, das chuvas. Da \u201crealeza\u201d visitando as v\u00edtimas. E de como a culpa, aqui e no texto, termina sendo sempre da v\u00edtima.&nbsp;<\/p>\n<p>Foi bom sair de casa para ver a leitura. Ainda estou confuso ao ver os rostos alguns sem m\u00e1scaras, no teatro real, e me equivoquei com uma fisionomia ou outra.<\/p>\n<p>Ao final, fiquei por ali, sentado, esperando o debate. Mania da minha gera\u00e7\u00e3o. Talvez a intera\u00e7\u00e3o entre artes pl\u00e1sticas e artes c\u00eanicas pudesse aparecer melhor na voz desses outros leitores, os pintores.<\/p>\n<p>Mas depois notei que o milagre j\u00e1 acontecera. Trazer aquele espet\u00e1culo foi essa prova.<\/p>\n<p>Tomo a liberdade, aqui, de ampliar a campanha do pix solid\u00e1rio.<\/p>\n<p>Mande um para a chave 81 999697145, da produ\u00e7\u00e3o. O valor fica a seu crit\u00e9rio.<\/p>\n<p>A temporada se encerrou ontem, mas creia em mim, vale mesmo ainda contribuir com esse trabalho.<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 1rem;\">* Sidney Rocha \u00e9&nbsp;<\/span>escritor.&nbsp;<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O texto e o contexto Jo\u00e3o Denys escreveu A Pedra do Navio em 1979. O texto pode ser \u201clido\u201d em separado, mas faz parte de uma trilogia, do Serid\u00f3, e Jo\u00e3o Denys dedicou boas d\u00e9cadas a esse trabalho. 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