{"id":2407,"date":"2011-05-07T10:44:22","date_gmt":"2011-05-07T13:44:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=2407"},"modified":"2011-05-07T10:44:22","modified_gmt":"2011-05-07T13:44:22","slug":"hoje-a-tristeza-nao-e-passageira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/hoje-a-tristeza-nao-e-passageira\/","title":{"rendered":"Hoje a tristeza n\u00e3o \u00e9 passageira"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_2414\" style=\"width: 440px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essafebre2.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2414\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essafebre2.jpg\" alt=\"\" title=\"Essa febre que n\u00e3o passa\" width=\"430\" height=\"313\" class=\"size-full wp-image-2414\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essafebre2.jpg 430w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/essafebre2-300x218.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 430px) 100vw, 430px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2414\" class=\"wp-caption-text\">Essa febre que n\u00e3o passa estreia hoje, no Hermilo. Foto: Ivana Moura<\/p><\/div>\n<p>As dores do corpo geralmente podem ser curadas ou, sen\u00e3o, ao menos minimizadas, com medicamentos. Mas e aquelas que te surpreendem ao tomarem propor\u00e7\u00f5es maiores? Que afetam corpo, cora\u00e7\u00e3o, alma? Que podem ser silenciosas ou fazerem estardalha\u00e7o? Pode parecer brega. Dram\u00e1tico. Incompreens\u00edvel. Ser\u00e1 mesmo? Perdas, saudades, paix\u00f5es, fam\u00edlia, descobertas, relacionamentos. Nada disso soa estranho a ningu\u00e9m. Por isso mesmo, talvez seja f\u00e1cil se identificar com o espet\u00e1culo <em>Essa febre que n\u00e3o passa<\/em>, quarta montagem do coletivo Angu de Teatro, que estreia hoje, no Hermilo Borba Filho, dentro do festival Palco Girat\u00f3rio. A pr\u00e9-estreia foi ontem, s\u00f3 para convidados. (Aguardem cr\u00edtica e muitas fotos!)<\/p>\n<p>Pela primeira vez na trajet\u00f3ria do grupo, a cena \u00e9 ocupada s\u00f3 por mulheres. Ceronha Pontes, Hermila Guedes, Hilda Torres, M\u00e1rcia Cruz, Mayra Waquim e N\u00ednive Caldas d\u00e3o vida a personagens criadas pela jornalista e escritora Luce Pereira. O espet\u00e1culo carrega ainda a import\u00e2ncia de outra primeira vez: Andr\u00e9 Brasileiro, ator e produtor, assumiu a dire\u00e7\u00e3o da montagem sob a &#8220;supervis\u00e3o&#8221; de Marcondes Lima (que tamb\u00e9m assina a dire\u00e7\u00e3o), diretor das tr\u00eas pe\u00e7as anteriores \u2013 <em>Angu de sangue<\/em>, <em>\u00d3pera<\/em> e <em>Rasif \u2013 Mar que arrebenta<\/em>. &#8220;Sempre houve abertura para os atores criarem, pensarem, discutirem luz, figurino, texto. Sempre foi muito democr\u00e1tico e isso me encorajou a dirigir <em>Essa febre<\/em>&#8230; com o Marcondes, porque eu precisava dele nisso tamb\u00e9m, filha!&#8221;, contou Andr\u00e9 Brasileiro numa conversa com jornalistas que reuniu atores, diretores e a escritora do livro que tem o mesmo nome da pe\u00e7a, usado como mat\u00e9ria-prima para a encena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O processo de <em>Essa febre&#8230;<\/em>, explica Marcondes Lima, foi colaborativo e autoral. As atrizes participaram da adapta\u00e7\u00e3o do texto, da constru\u00e7\u00e3o das cenas, das escolhas levadas ao palco. &#8220;A gente j\u00e1 tem sete anos de conviv\u00eancia. Ent\u00e3o nos conhecemos, a cara feia, o limite do abuso, a forma de trabalhar. Isso facilita&#8221;, diz. Apesar de que, tr\u00eas atrizes se agregaram ao coletivo para a montagem: Hilda, Mayra e N\u00ednive. Essa \u00faltima substitui Maeve Jinkings, que participou de grande parte do processo de produ\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o p\u00f4de integrar o elenco. &#8220;Antes de o coletivo nascer, j\u00e1 havia a proposi\u00e7\u00e3o de trabalharmos com o ator-narrador, de termos outra rela\u00e7\u00e3o com o encenador. Isso se consolidou e elas entraram no meio disso&#8221;, atesta Lima.<\/p>\n<p>&#8220;E funciona desse jeito? O que vai surgir, meu Deus?&#8221;. A primeira pergunta Luce Pereira conta ter feito a Andr\u00e9 Brasileiro quando soube como se dava a elabora\u00e7\u00e3o de um espet\u00e1culo no grupo. A segunda foi respondida quando ela participou de um encontro com o grupo no Hermilo Borba Filho, em fevereiro. &#8220;Voc\u00ea nunca imagina, como autora, o que vai encontrar. E principalmente porque eu sabia que tinha a interfer\u00eancia das experi\u00eancias das atrizes. O que eu vi, gostei muito. A coisa que me deixa mais feliz \u00e9 o envolvimento das atrizes com o texto. \u00c9 muito comovente. Elas falam com uma euforia, um carinho. S\u00f3 essa identifica\u00e7\u00e3o, j\u00e1 valeria&#8221;, diz Luce Pereira.<\/p>\n<p>O grupo escolheu cinco contos dos 17 que comp\u00f5em o livro da jornalista para encenar:<em> Cl\u00f3vis<\/em>, <em>Nomes<\/em>, <em>Talvez j\u00e1 fosse tarde<\/em>, <em>Um tango com Frida Kahlo<\/em> e <em>Dora descompassada<\/em>. &#8220;Marcelino (Freire, autor de <em>Angu de sangue<\/em> e <em>Rasif<\/em>&#8230;) escreveu mon\u00f3logos. Luce tamb\u00e9m tem mon\u00f3logos, mas s\u00e3o solil\u00f3quios, muito po\u00e9ticos e, sobretudo, cinematogr\u00e1ficos. Com Newton (Moreno, autor do texto de <em>\u00d3pera<\/em>), n\u00f3s tamb\u00e9m adaptamos, era um texto com narrador, uma narrativa \u00e9pica\u201d, explica Marcondes Lima. \u201cAs pessoas me dizem que \u00e9 poesia em prosa. N\u00e3o sei. Acho que \u00e9 um universo tecido com uma delicadeza diferente\u201d, explica Luce Pereira.<\/p>\n<p><strong>Doras descompassadas<\/strong><\/p>\n<p>O marido de uma delas perguntou por que aquele novo espet\u00e1culo estava &#8220;mexendo&#8221; tanto com ela. N\u00e3o entendia o choro, a sensibilidade agu\u00e7ada, a cumplicidade estabelecida entre o elenco. &#8220;N\u00f3s estamos lidando com coisas muito profundas&#8221;, tentava justificar. Para se ter uma ideia de como essas protagonistas est\u00e3o, durante a entrevista, foi s\u00f3 uma delas se emocionar para que o grupo todo come\u00e7asse a chorar tamb\u00e9m (incluindo os diretores). <\/p>\n<p>&#8220;O coletivo Angu tem me dado uma inseguran\u00e7a muito positiva. Eu sempre gostei de me distanciar dos personagens. De dizer eu manipulo, sou eu quem conduz, vou para l\u00e1, vou para c\u00e1, pode ser que com essa frase, a pessoa da terceira fila chore. Ensaiava at\u00e9 a exaust\u00e3o e tinha essa ilus\u00e3o do controle&#8221;, dep\u00f5e Ceronha Pontes. &#8220;Mas agora, a cada dia eu fico mais insegura. Teu texto me traz muito de n\u00f3s mesmas. Claro que tem que haver um distanciamento, \u00e9 teatro, \u00e9 uma &#8220;verdade artificial&#8221;. Mas aquelas criaturas que s\u00e3o suas, a gente conhece tamb\u00e9m. Isso me fragiliza, apesar de estar tudo bem ensaiado&#8221;, disse Ceronha \u00e0 escritora Luce Pereira. <\/p>\n<p>Sobre a escolha de quem iria interpretar qual personagem, M\u00e1rcia Cruz jura que n\u00e3o houve briga. &#8220;N\u00f3s escolhemos os contos e improvisamos todas. Mas existia aquela mais envolvida, o que n\u00e3o quer dizer que foi ela quem ficou com o papel. A Bernarda (do conto Talvez j\u00e1 fosse tarde) foi Ceronha quem me trouxe. N\u00e3o tinha dado aten\u00e7\u00e3o ao texto. Quando ela leu, eu enlouqueci, foi uma paix\u00e3o&#8221;, relembra.<\/p>\n<p>No processo de montagem, as atrizes tiveram um treinamento no chamado m\u00e9todo Viewpoints, ministrado pela paulista Amanda Lira. &#8220;\u00c9 um m\u00e9todo que te d\u00e1 mais consci\u00eancia do seu corpo e do espa\u00e7o que ele ocupa, a consci\u00eancia de saber o que voc\u00ea faz, de se relacionar com os outros em cena, o rito, o jogo de fala. Isso nos ajudou a trazer o que cada uma tinha para dar a essa montagem&#8221;, explicou Hermila Guedes. <\/p>\n<p>As improvisa\u00e7\u00f5es surgidas a partir das experi\u00eancias com o Viewpoints n\u00e3o necessariamente est\u00e3o em cena. &#8220;Mas nos deram a consci\u00eancia de que podemos recriar o movimento de algu\u00e9m para aquele personagem, n\u00e3o \u00e9 pl\u00e1gio&#8221;, complementou Mayra Waquim. &#8220;N\u00e3o era nada que n\u00f3s n\u00e3o fiz\u00e9ssemos antes, mas n\u00e3o t\u00ednhamos consci\u00eancia. Por isso foi t\u00e3o importante&#8221;, atesta N\u00ednive Caldas. O Viewpoints &#8220;casa&#8221; ent\u00e3o com o texto de Luce Pereira. &#8220;Foi com voc\u00ea (Luce) que aprendi que n\u00e3o tem mais nada genial do que a simplicidade&#8221;, finalizou Ceronha.<\/p>\n<p><strong>Curiosidades dessa febre!:<\/strong><br \/>\n&#8211; O projeto da montagem inicialmente contava apenas com tr\u00eas atrizes<\/p>\n<p>&#8211; Andr\u00e9 Brasileiro conheceu o texto de Luce Pereira quando fez uma leitura dram\u00e1tica com Gheuza Sena, a pedido da autora, dos contos <em>Cl\u00f3vis<\/em> e <em>Nomes<\/em>, durante um festival de literatura<\/p>\n<p>&#8211; Parte da m\u00fasica do espet\u00e1culo \u00e9 feita ao vivo pela violoncelista Josi Guimar\u00e3es. A trilha sonora e dire\u00e7\u00e3o musical s\u00e3o de Henrique Macedo<\/p>\n<p>&#8211; <\/em>No processo de composi\u00e7\u00e3o das personagens, al\u00e9m do m\u00e9todo americano Viewpoints, as atrizes entraram em contato com o universo do tango, presente n\u00e3o s\u00f3 em forma de dan\u00e7a no espet\u00e1culo<\/p>\n<p>&#8211; Para a encena\u00e7\u00e3o de um dos contos, Andr\u00e9 Brasileiro sonhava com uma banheira transparente. Marcondes Lima, que tamb\u00e9m assina cen\u00e1rios e figurino, bem que tentou&#8230;mas a banheira custava muitos d\u00f3lares. Depois de tanto procurar, encontraram a banheira (que n\u00e3o \u00e9 transparente, mas serviu bem!) que ganhou o apelido carinhoso de Paola<\/p>\n<p>&#8211; A montagem recebeu incentivos do edital da Eletrobr\u00e1s (R$ 398 mil) e do Pr\u00eamio Myrian Muniz (R$ 120 mil)<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o:<\/strong><br \/>\n<em>Essa febre que n\u00e3o passa<\/em>, do Coletivo Angu de Teatro<br \/>\n<strong>Quando:<\/strong> hoje, \u00e0s 20h, dentro do festival Palco Girat\u00f3rio. A partir de amanh\u00e3, come\u00e7a a temporada aos domingos, \u00e0s 20h; e aos s\u00e1bados, \u00e0s 21h<br \/>\n<strong>Onde:<\/strong> Teatro Hermilo Borba Filho (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)<br \/>\n<strong>Ingressos:<\/strong> R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada) para a apresenta\u00e7\u00e3o de hoje; durante a temporada, os ingressos custam R$ 20 e R$ 10 (meia)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As dores do corpo geralmente podem ser curadas ou, sen\u00e3o, ao menos minimizadas, com medicamentos. Mas e aquelas que te surpreendem ao tomarem propor\u00e7\u00f5es maiores? Que afetam corpo, cora\u00e7\u00e3o, alma? Que podem ser silenciosas ou fazerem estardalha\u00e7o? Pode parecer brega. Dram\u00e1tico. Incompreens\u00edvel. Ser\u00e1 mesmo? Perdas, saudades, paix\u00f5es, fam\u00edlia, descobertas, relacionamentos. Nada disso soa estranho a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[1],"tags":[232,178,126,870,234,871,236,237,231,127,239,40,240,20,869,179,349,868,177,610],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2407"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2407"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2407\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2417,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2407\/revisions\/2417"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2407"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2407"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2407"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}