{"id":23682,"date":"2022-02-09T16:34:40","date_gmt":"2022-02-09T19:34:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=23682"},"modified":"2022-02-14T05:24:50","modified_gmt":"2022-02-14T08:24:50","slug":"ole-ole-ola-severino-severino-critica-do-espetaculo-estudo-no1-morte-e-vida-do-grupo-magiluth","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/ole-ole-ola-severino-severino-critica-do-espetaculo-estudo-no1-morte-e-vida-do-grupo-magiluth\/","title":{"rendered":"Ol\u00e9, ol\u00e9, ol\u00e1, Severino, Severino <br\/> Critica do espet\u00e1culo Estudo N\u00ba1: Morte e Vida, <br\/> do Grupo Magiluth"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_23692\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/13.-Divulgacao-Estudo-N\u00b01_-Morte-e-Vida-Grupo-Magiluth-Credito_-Foto_Vitor-Pessoa_.jpeg-scaled-e1644426867755.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23692\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-23692 size-full\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/13.-Divulgacao-Estudo-N\u00b01_-Morte-e-Vida-Grupo-Magiluth-Credito_-Foto_Vitor-Pessoa_.jpeg-scaled-e1644426867755.jpg\" alt=\"Estudo-N\u00b01- Morte e Vida. Foto: Vitor Pessoa&nbsp; \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"600\" height=\"377\"><\/a><p id=\"caption-attachment-23692\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Estudo-N\u00b01- Morte e Vida<\/strong>. M\u00e1rio Sergio e Parmera, Erivaldo no ch\u00e3o. Fotos: Vitor Pessoa&nbsp; \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_23691\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/10.-Divulgacao-Estudo-N\u00b01_-Morte-e-Vida-Grupo-Magiluth-Credito_-Foto_Vitor-Pessoa_.jpeg-e1644427134491.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23691\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-23691\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/10.-Divulgacao-Estudo-N\u00b01_-Morte-e-Vida-Grupo-Magiluth-Credito_-Foto_Vitor-Pessoa_.jpeg-e1644427134491.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"443\"><\/a><p id=\"caption-attachment-23691\" class=\"wp-caption-text\">A montagem do Grupo Magiluth, com dire\u00e7\u00e3o de Luiz Fernando Marques, o Lubi, explora muitas camadas.&nbsp;<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_23687\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2.-Divulgacao-Estudo-N\u00b01_-Morte-e-Vida-Grupo-Magiluth-Credito_-Foto_Vitor-Pessoa_.jpeg-scaled-e1644427031558.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23687\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-23687\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2.-Divulgacao-Estudo-N\u00b01_-Morte-e-Vida-Grupo-Magiluth-Credito_-Foto_Vitor-Pessoa_.jpeg-scaled-e1644427031558.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-23687\" class=\"wp-caption-text\">Giordano Castro, em primeiro plano na pe\u00e7a-palestra<\/p><\/div>\n<p>Busco dialogar com o <strong><em>Estudo N\u00ba1: Morte e Vida<\/em><\/strong>, espet\u00e1culo do pernambucano Grupo Magiluth. Esse desejo de interlocu\u00e7\u00e3o tra\u00e7a um movimento contr\u00e1rio ao predom\u00ednio de intoler\u00e2ncia, condena\u00e7\u00f5es e cancelamentos desses tempos. Minha vontade \u00e9 sintonizar com as possibilidades de trocas, perseguindo delicadezas e ludicidade, mesmo para tratar de concretos de durezas, de barbarismos. Esperan\u00e7ando ampliar o c\u00edrculo. Esse texto que me atravessa, \u00e9 passado pelo rio Capibaribe, imagino que por outros rios: Tiet\u00ea, Sena, Tejo, at\u00e9 o Riacho do Ipiranga (onde, conta a Hist\u00f3ria oficial, foi gritada a independ\u00eancia do Brasil) e carrega muito da hidrografia soterrada. \u00c9 um ensaio ansioso, repleto de inc\u00f4modos, como o que sinto h\u00e1 semanas no bra\u00e7o direito de tendinite e outras dores de viver mais dif\u00edceis de traduzir.<\/p>\n<p>O Grupo Magiluth \u2013 com seus atores Bruno Parmera, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, M\u00e1rio Sergio Cabral, Lucas Torres e Pedro Wagner \u2013 \u00e9 uma trupe de homens, rapazes, meninos que fazem arte, que performam, que jogam cenicamente, posicionados (e movendo-se) de lugares para problematizar as masculinidades, o patriarcado, as quest\u00f5es estruturais que escamam de seus corpos, descontruindo. Observo esse universo, n\u00e3o o capto em sua plenitude movente, n\u00e3o s\u00f3 por ser mulher, mas por toda experi\u00eancia interseccional de identidade. Somos subjetividades n\u00e3o totalmente decifr\u00e1veis. E a arte faz um mergulho em \u00e1guas profundas, oferece e desfaz os sentidos em sequ\u00eancia, em paralelo ou de maneira aleat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Os artistas do Magiluth, seu diretor Luiz Fernando Marques, o Lubi, e o assistente de dire\u00e7\u00e3o e diretor musical Rodrigo Mercadante, essa turma toda cria, de modo arbitr\u00e1rio, os recursos expressivos a partir da pe\u00e7a-poema <em>Morte e Vida Severina \u2013 Um Auto de Natal<\/em>, de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto (1920-1999) para compor um caleidosc\u00f3pio das ru\u00ednas contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p>A palavra arbitrariedade vem determinada para falar de escolhas que n\u00e3o seguem r\u00e9guas, testa outras possibilidades. Tem a ver com impacto da sonoridade da l\u00edngua no corpo, na caixa preta, nas distor\u00e7\u00f5es de vozes da tecnologia digital. Convoca materialidade e seu oposto. Saussure sussurrando. Imagem ac\u00fastica, representa\u00e7\u00e3o da palavra. A partir das pontes do Recife desafia regras para desestabilizar certezas \u2013 de ideias, de soberanias, das cenas.<\/p>\n<p>Percebo o trabalho do Magiluth erguido feito um ensaio como estimou o fil\u00f3sofo, soci\u00f3logo, music\u00f3logo e compositor alem\u00e3o Theodor W. Adorno: um jogo aberto de linhas tem\u00e1ticas que se cruzam a partir da ideia de migra\u00e7\u00e3o, que exp\u00f5e tens\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es do real. Tudo isso encarado de frente, sem o impulso de sublima\u00e7\u00e3o. Perguntas e provoca\u00e7\u00f5es s\u00e3o expostas, num caldeir\u00e3o que ferve naquele territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>E agora me vem fortemente a imagem da intensa Elis Regina (1945 \u2013 1982), uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos, cantando <em>Aprendendo a jogar<\/em>, uma m\u00fasica de Guilherme Arantes. [Dig dig dig dig dig dag\u00e1 ah ah Dig dig dig dig dig dag\u00e1 ah ah (&#8230;) Vivendo e aprendendo a jogar &#8230; \/ Nem sempre ganhando \/ Nem sempre perdendo \/ Mas, aprendendo a jogar (&#8230;) \u00c1gua mole em pedra dura \/ Mais vale que dois voando (&#8230;)]. No show <em>Saudade do Brasil<\/em>, de 1980, Elis usava uma camiseta preta, com a imagem da bandeira do Brasil ao centro, escrito \u201cElis Regina\u201d, no lugar de \u201cordem e progresso\u201d. Como acontece com frequ\u00eancia nos regimes autorit\u00e1rios, a Ditadura Militar proibiu a int\u00e9rprete de usar o figurino, numa demonstra\u00e7\u00e3o fe\u00e9rica de Censura. Eita danou-se. Estou fazendo a minha dramaturgia. Tem v\u00eddeo na internet da cantora, que morreu h\u00e1 40 anos num 19 de janeiro.<\/p>\n<div id=\"attachment_23693\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6.-Divulgacao-Estudo-N\u00b01_-Morte-e-Vida-Grupo-Magiluth-Credito_-Foto_Vitor-Pessoa_.jpeg-scaled-e1644429308709.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23693\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-23693\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6.-Divulgacao-Estudo-N\u00b01_-Morte-e-Vida-Grupo-Magiluth-Credito_-Foto_Vitor-Pessoa_.jpeg-scaled-e1644429308709.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-23693\" class=\"wp-caption-text\">Parmera em primeiro plano e M\u00e1\u00b4rio Sergio ao fundo<\/p><\/div>\n<p>Ao se arriscar, <strong><em>Estudo N\u00ba1: Morte e Vida<\/em><\/strong> rejeita as formas bem-acabadas, d\u00e1 um passo al\u00e9m em alguma dire\u00e7\u00e3o, mas reaproveita antropofagicamente outros processos \/ estrat\u00e9gias de montagens anteriores da trupe e os atritos do real. O contato com o objeto disparador \u2013 a pe\u00e7a-poema de Jo\u00e3o Cabral \u2013 ganha diversas tessituras, amarra\u00e7\u00f5es, entradas, desenvolvendo uma rede que aponta para outras resson\u00e2ncias, ampliando alcances da obra cabralina.<\/p>\n<p>Dito de outro jeito, a pe\u00e7a \u00e9 uma transpira\u00e7\u00e3o de vitalidade c\u00eanica de artistas que sobreviveram \/ sobrevivem \u201cagarrados a caixas de isopor\u201d neste pa\u00eds afundado em tantas desgra\u00e7as. \u00c9 grito por dignidade, que segue de m\u00e3os dadas com poemas de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, <em>Morte e Vida Severina<\/em> e outros como <em>O Rio (ou Rela\u00e7\u00e3o da Viagem que faz o Capibaribe de Sua Nascente \u00c0 Cidade do Recife)<\/em> e <em>O C\u00e3o Sem Plumas<\/em>. \u00c9 forte nos nexos com o real \u2013 de que somos muitos Severinos \u2013, da uberiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores \u00e0s consequ\u00eancias palp\u00e1veis do Antropoceno, essas a\u00e7\u00f5es destrutivas cometidas contra o planeta Terra.<\/p>\n<p>O abra\u00e7o com Jo\u00e3o Cabral \u00e9 fato e fic\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 no tom cr\u00edtico nos v\u00ednculos aos problemas sociais, no mergulho no contexto humano e geogr\u00e1fico do Nordeste brasileiro, que espelha em estilha\u00e7os outros nordestes do mundo. As palavras que ressaltam o cotidiano de quem se vira com o m\u00ednimo comp\u00f5em quadros inspirados e inspiradores. O inabal\u00e1vel trabalho artesanal cabralino \u00e9 destacado pelo Magiluth em idas e vindas de signific\u00e2ncias. A abdica\u00e7\u00e3o do sentimentalismo l\u00edrico \u00e9 valorizada pelo grupo.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia de assistir ao espet\u00e1culo est\u00e1 plena de pequenos abalos s\u00edsmicos e da constata\u00e7\u00e3o no que se transformou o humano, do alto de sua arrog\u00e2ncia. E vem numa constru\u00e7\u00e3o de imagens de intensa plasticidade, sejam elas para os olhos, ouvidos ou outros sentidos.<\/p>\n<blockquote>\n<div id=\"attachment_23695\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/11.-Divulgacao-Estudo-N\u00b01_-Morte-e-Vida-Grupo-Magiluth-Credito_-Foto_Vitor-Pessoa_.jpeg.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23695\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-23695\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/11.-Divulgacao-Estudo-N\u00b01_-Morte-e-Vida-Grupo-Magiluth-Credito_-Foto_Vitor-Pessoa_.jpeg-e1644429616829.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"450\"><\/a><p id=\"caption-attachment-23695\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Vitor Pessoa&nbsp; \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p><strong>Publicado em 1955, <\/strong><em>Morte e Vida Severina<\/em><strong> \u00e9 um poema de g\u00eanero l\u00edrico que tra\u00e7a o percurso de Severino, um migrante nordestino que sai do Serra da Costela, (local fict\u00edcio, mas com caracter\u00edsticas id\u00eanticas ao sert\u00e3o pernambucano) em busca de uma vida menos \u201cSeverina\u201d no Recife capital. Na seca regi\u00e3o \u201cmagra e ossuda\u201d onde a personagem morava, morre-se de \u201cmorte Severina&#8221;: \u201cque \u00e9 a morte de que se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte; de fome um pouco por dia (de fraqueza e de doen\u00e7a \u00e9 que a morte Severina ataca em qualquer idade, e at\u00e9 gente n\u00e3o nascida)\u201d.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Sabemos que migra\u00e7\u00f5es existem desde sempre. Nas melhores hip\u00f3teses, por curiosidade, pela aventura, pela descoberta. H\u00e1 outras, n\u00e3o t\u00e3o prazenteiras. Situa\u00e7\u00f5es de seca ou altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas graves e aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas de enfrentamento dessas situa\u00e7\u00f5es, a exclus\u00e3o social e a falta de condi\u00e7\u00f5es para a sobreviv\u00eancia. As migra\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o tamb\u00e9m movimentos, revelam m\u00faltiplas \u201cgeometrias do poder\u201d. A montagem do Magiluth obliqua que as mobilidades dos sujeitos contempor\u00e2neos s\u00e3o desiguais e faz cintilar palavras como injusti\u00e7a, mis\u00e9ria, fome, pol\u00edtica, viol\u00eancia, fronteiras materiais e simb\u00f3licas, poder, uberiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pensado em fragmentos, que reflete de maneira multifacetada um painel de forma espiralar (salve Leda Maria Martins),\u2013 do cruzamento de ciclos do passado, presente e futuro \u2013 esse <em><strong>Ensaio n\u00ba 1<\/strong><\/em> desmantela a obviedade do que se pode se entender como Severino, Morte e Vida, Nordeste, nordestino, artista nordestino, Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto. De novo o farol de Adorno: para o fil\u00f3sofo o ensaio se situa na fronteira entre a filosofia e a arte. Rigor e representa\u00e7\u00e3o n\u00e3o-id\u00eantica, revelando na porosidade as contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em estudo publicado em 1950, que pensava a pintura de Joan Mir\u00f3, Jo\u00e3o Cabral j\u00e1 disse que desaprender \u00e9 fundamental, sair do automatismo da tradi\u00e7\u00e3o. Quebrar com procedimentos e hierarquias de valor na arte e na vida. Desaprendo frente \u00e0 cena do Magiluth.<\/p>\n<p>No campo do poema, Jo\u00e3o Cabral tra\u00e7a uma constela\u00e7\u00e3o de elementos heterog\u00eaneos. Ao estudar a obra do poeta pernambucano, o fil\u00f3sofo Benedito Nunes detecta que nesta m\u00e1quina do mundo, que \u00e9 o poema, Melo Neto trabalha \u00e0 maneira de um tear que tece num sentido e destece noutro os fios de diversas tramas complicadas. Em <em>O dorso do tigre<\/em> (1969) Nunes aponta que Cabral fabrica e destr\u00f3i, agrega e desagrega, mediante opera\u00e7\u00f5es diferentes, as v\u00e1rias pe\u00e7as da realidade social e humana. Enxergo essas a\u00e7\u00f5es cabralinas no palco.<\/p>\n<p>Acompanhemos o curso do rio, o discurso-rio do Marigluth.<\/p>\n<div id=\"attachment_23694\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/7.-Divulgacao-Estudo-N\u00b01_-Morte-e-Vida-Grupo-Magiluth-Credito_-Foto_Vitor-Pessoa_.jpeg-e1644429264925.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23694\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-23694\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/7.-Divulgacao-Estudo-N\u00b01_-Morte-e-Vida-Grupo-Magiluth-Credito_-Foto_Vitor-Pessoa_.jpeg-e1644429264925.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"406\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/7.-Divulgacao-Estudo-N\u00b01_-Morte-e-Vida-Grupo-Magiluth-Credito_-Foto_Vitor-Pessoa_.jpeg-e1644429264925.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/7.-Divulgacao-Estudo-N\u00b01_-Morte-e-Vida-Grupo-Magiluth-Credito_-Foto_Vitor-Pessoa_.jpeg-e1644429264925-300x203.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-23694\" class=\"wp-caption-text\">Os microfones, as proje\u00e7\u00f5es, o Magiluth joga com a ideia de pe\u00e7a-palestra<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_23688\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/5.-Divulgacao-Estudo-N\u00b01_-Morte-e-Vida-Grupo-Magiluth-Credito_-Foto_Vitor-Pessoa_.jpeg-e1644430337950.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23688\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-23688\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/5.-Divulgacao-Estudo-N\u00b01_-Morte-e-Vida-Grupo-Magiluth-Credito_-Foto_Vitor-Pessoa_.jpeg-e1644430337950.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"450\"><\/a><p id=\"caption-attachment-23688\" class=\"wp-caption-text\">A bandeira de Kiribati e as m\u00e3os levantadas num pedido de socorro em refer\u00eancia a outro espet\u00e1culo do grupo<\/p><\/div>\n<p>Na pe\u00e7a s\u00e3o explorados quatro marcos estil\u00edsticos: Metateatro, \u00c9pico, Documental e p\u00f3s-contempor\u00e2neo, em ac\u00famulos e part\u00edculas. Nessa dan\u00e7a est\u00e9tica, a correnteza traz mem\u00f3ria de outras obras magiluthianas: <em>Vi\u00fava, por\u00e9m honesta<\/em>; <em>O ano que sonhamos perigosamente<\/em>; <em>Dinamarca;<\/em>&nbsp;<em>Aquilo que meu olhar guardou para voc\u00ea<\/em>; <em>1 Torto<\/em>. S\u00e3o muitas camadas, numa polifonia que aponta para dentro, como a cena do modo de viver <em>hygge<\/em> (um bem-estar t\u00e3o acolhedor dos privilegiados) ou o foco de luz, uma reivindica\u00e7\u00e3o de M\u00e1rio Sergio em outra encena\u00e7\u00e3o que agora chega tranquilo.<\/p>\n<p>A polifonia aponta para Kiribati (ou Quiribati), na real um arquip\u00e9lago no Pac\u00edfico Central, com quase 120.000 habitantes. Assinala tamb\u00e9m os Severinos-Thiagos, Severinos-Galos, Severinas-Pretas. Dos rios que correm dentro de cada um de n\u00f3s. De Kiribati, j\u00e1 em 1989, um relat\u00f3rio da ONU alertou, que esse seria o primeiro pa\u00eds a ser devorado, em decorr\u00eancia da eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel dos mares, ou seja pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Existem outras correspond\u00eancias com o Severino sa\u00eddo da seca, como a escassez de \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/p>\n<p>Um humor carregado da goza\u00e7\u00e3o pernambucana (ir\u00f4nico, sagaz, malicioso, diria autoimune, cruel, que manga inclusive de nossa impot\u00eancia; talvez Roger de Renor possa traduzir melhor essa especificidade de humor), abarca o palco, em fluxos, mirando efeitos variados: gerar reflex\u00f5es e cr\u00edticas sociais, produzir jogos num cruzamento dos procedimentos c\u00eanicos das pe\u00e7as contempor\u00e2neas, desafiar qualquer m\u00e9todo absolutista.<\/p>\n<p>Quando navega nas \u00e1guas \u00e9picas tra\u00e7a um paralelo ente a palavra fome como necessidade de comer e o estado de morrer de fome, defendido como um assassinato. O tom mais pol\u00edtico lembra da montagem de Morte e Vida Severina, pelo TUCA, em 1965, que ganhou pr\u00eamio no festival de Nancy, na Fran\u00e7a. Esquadrinha que os privil\u00e9gios de hoje s\u00e3o consequ\u00eancia da usurpa\u00e7\u00e3o de antes.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Punk rock, hardcore, sabe onde \u00e9 que faz?<\/strong><br \/>\n<strong>L\u00e1 no alto Jos\u00e9 do Pinho. \u00c9 do caralho!<\/strong><br \/>\n<strong>Tem Devotos, 3\u00b0 Mundo que botam pra fuder<\/strong><br \/>\n<strong>Todo sentimento obtido em seu viver\u2026<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Quando chegar ao Recife essa cena deve explodir. O cen\u00e1rio \u00e9\u2026 Em 1988, Cannibal, Neilton e Celo Brown, formaram a banda de punk rock e hard-core Devotos do \u00d3dio (tempos depois o \u00f3dio do nome foi suprimido), no Alto Jos\u00e9 do Pinho, bairro da zona norte do Recife. A atua\u00e7\u00e3o do grupo foi fundamental para a mudan\u00e7a do perfil do morro. Com a assinatura de contrato com a Gravadora BMG, e o lan\u00e7amento do disco <em>Agora t\u00e1 valendo,<\/em> de 1997, a banda chega ao sucesso. Mais de 20 anos depois, o Grupo Magiluth constata que os direitos e lucros desse disco est\u00e3o reservados \u00e0 gravadora Sony Music, que em 2004 comprou a BMG. O Magiluth assinala: \u201cNem tudo o que o trabalhador produz a ele pertence.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 tudo muito engenhoso. A trupe convoca Marx, sem citar o Karl, exp\u00f5e os paradoxos e contradi\u00e7\u00f5es do capitalismo com os jogos do pr\u00f3prio teatro. Somos atingidos, alguns de n\u00f3s, pela ave-bala. O ouro-azul do jeans vem problematizar a no\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia econ\u00f4mica, de autonomia financeira.<\/p>\n<p>O polo industrial de jeans, em Toritama, \u00e9 uma esp\u00e9cie de China com um carnaval no meio. Esse ouro-azul est\u00e1 na roupa dos rapazes, e est\u00e1 repleto dos questionamentos levantados pelo document\u00e1rio <em>Estou me guardando para quando o Carnaval chegar<\/em>, de Marcelo Gomes. O filme n\u00e3o \u00e9 uma apologia ao empreendedorismo, ou n\u00e3o somente, nem um r\u00e9quiem saudosista de uma Toritama mais rural. Seus produtores de jeans batem no peito com orgulho que s\u00e3o \u201cdonos do pr\u00f3prio tempo\u201d, mesmo trabalhando 12 horas ou mais por dia. \u00c9&#8230; s\u00e3o muitas dobras.<\/p>\n<p>Em uma pot\u00eancia assombrosa, o ouro-azul se congrega com os entregadores de aplicativo, entre eles Thiago Dias, que trabalhava 12 horas por dia e morreu durante uma entrega aos 33 anos, v\u00edtima de AVC. Fato que se conecta com as Ligas Camponesas e os assassinatos de seus l\u00edderes.<\/p>\n<div id=\"attachment_23689\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/8.-Divulgacao-Estudo-N\u00b01_-Morte-e-Vida-Grupo-Magiluth-Credito_-Foto_Vitor-Pessoa_.jpeg-scaled-e1644431090162.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23689\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-23689\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/8.-Divulgacao-Estudo-N\u00b01_-Morte-e-Vida-Grupo-Magiluth-Credito_-Foto_Vitor-Pessoa_.jpeg-scaled-e1644431090162.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"424\"><\/a><p id=\"caption-attachment-23689\" class=\"wp-caption-text\">Essa cena do canavial, que cruza Michael Jackson com maracatu rural, vale muitas teses<\/p><\/div>\n<p><em>Michael Jackson do Canavial<\/em>, um v\u00eddeo que pode ser encontrado no Youtube, fornece rico material da cultura que se movimenta, sem abandonar totalmente a tradi\u00e7\u00e3o, mas utilizando as possiblidades do presente. O Magiluth confronta o caboclo de lan\u00e7a com o v\u00eddeo, em que a voz do astro do pop anima o trabalhador rural a seguir seus passos na dan\u00e7a. Ele canta que \u201cBillie Jean is not my lover\u201d, ela \u00e9 apenas uma garota e o menino n\u00e3o \u00e9 seu filho. Mais uma quest\u00e3o das mulheres n\u00e3o reconhecidas, e essa e uma problem\u00e1tica muito complexa, que apenas pontuo.<\/p>\n<p>O <strong><em>Estudo N\u00ba1: Morte e Vida<\/em><\/strong> utiliza as tecnologias, as proje\u00e7\u00f5es, justaposi\u00e7\u00f5es. Quebras de fronteiras se alimentam das pr\u00e1ticas teatrais, subverte, testa combina\u00e7\u00f5es. \u00c9 interessante saber que numa entrevista 1998, Jo\u00e3o Cabral disse que \u201cgostaria de ter sido cineasta\u201d. Sua composi\u00e7\u00e3o po\u00e9tica aproxima-se das teorias da montagem do cineasta Eisenstein ou do teatr\u00f3logo Bertolt Brecht.<\/p>\n<p>O Magiluth exp\u00f5e dados de pesquisa da internet sobre refugiados e migrantes que tentam fugir de guerras e tentar asilo oficial em pa\u00edses europeus. Em botes e em embarca\u00e7\u00f5es superlotadas e sem as m\u00ednimos condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a, esses humanos arriscam as pr\u00f3prias vidas (muitos barcos afundaram) sem nenhuma garantia de asilo oficial. Para outros, a travessia \u00e9 um neg\u00f3cio altamente lucrativo, que pode render por embarca\u00e7\u00e3o US$ 1 milh\u00e3o. S\u00e3o muitos tent\u00e1culos do capitalismo, em que a vida importa pouco. Ponte com Brecht.<\/p>\n<div id=\"attachment_23690\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/9.-Divulgacao-Estudo-N\u00b01_-Morte-e-Vida-Grupo-Magiluth-Credito_-Foto_Vitor-Pessoa_.jpeg-e1644427097562.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23690\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-23690\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/9.-Divulgacao-Estudo-N\u00b01_-Morte-e-Vida-Grupo-Magiluth-Credito_-Foto_Vitor-Pessoa_.jpeg-e1644427097562.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"450\"><\/a><p id=\"caption-attachment-23690\" class=\"wp-caption-text\">Deslocamento \u00e9 uma quest\u00e3o discutida na pe\u00e7a<\/p><\/div>\n<p>Em uma cena, depois de anunciar que Kiribati sumiu do mapa, afundou e de j\u00e1 ter citado um trecho do poema <em>O Rio<\/em> (Para os bichos e rios \/ nascer j\u00e1 \u00e9 caminhar), Giordano prop\u00f5e um jogo a M\u00e1rio Sergio e Parmera. Os dois, como representantes das duas maiores pot\u00eancias, ter\u00e3o que chegar a um acordo para salvar o mundo. \u00c9 um di\u00e1logo surreal, em que nenhuma parte cede, e a conversa vai ficando cada vez mais insana, com proposta de matar popula\u00e7\u00f5es inteiras de uma determinada regi\u00e3o. Em um jogo de afrontamento direto, o coletivo exp\u00f5e o esfacelamento da \u00e9tica, as engrenagens de manuten\u00e7\u00e3o de poder e a guerra como sa\u00edda para o impasse defendida sempre pelos capitalistas.<\/p>\n<p>Todos os dias temos not\u00edcias de demonstra\u00e7\u00f5es de desumanidades. Em 24 de janeiro o congol\u00eas Mo\u00efse Mugenyi Kabagambe, de 24 anos, foi assassinado a pauladas por um grupo de homens, na barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Mo\u00efse teria ido cobrar o pagamento de di\u00e1rias atrasadas no quiosque em trabalhava por comiss\u00e3o. No dia 19 de janeiro, o fot\u00f3grafo su\u00ed\u00e7o Ren\u00e9 Robert morreu aos 84 anos de hipotermia, ap\u00f3s longa exposi\u00e7\u00e3o ao frio intenso. Ele desmaiou em uma rua de Paris e ficou sem ajuda por nove horas. Esses dois fatos n\u00e3o s\u00e3o citados na cena do Magiluth. Mas ecoa no ar como espirito desse tempo, sim.&nbsp;<\/p>\n<p>A humanidade est\u00e1 doente, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas. Intoler\u00e2ncia, racismo e xenofobia s\u00e3o sintomas dessa deteriora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas apesar de todo esse quadro dif\u00edcil, <strong><em>Estudo N\u00ba1: Morte e Vida<\/em><\/strong> aponta para \/ e aposta na vida. No seu desejo de conv\u00edvio, o grupo convoca o espectador a atuar no jogo c\u00eanico no entusiasmado grito dos grevistas. Severino est\u00e1 sinalizando alguma sa\u00edda. Ol\u00e9, ol\u00e9, ol\u00e1, Severino, Severino.<\/p>\n<p>Depois de tantas palavras, o espet\u00e1culo prossegue reverberando de afetos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>* Assisti ao espet\u00e1culo <em><strong>Estudo N\u00ba1: Morte e Vida<\/strong><\/em> na estreia, dia 28 de janeiro e no domingo, dia 30 de janeiro.<br \/>\n** Nessas duas sess\u00f5es, o diretor-assistente\/ diretor musical Rodrigo Mercadante substituiu Lucas, que estava positivado com Covid-19 naquela semana.&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>Ficha t\u00e9cnica:<\/strong><\/span><br \/>\n<strong>Cria\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o:<\/strong>&nbsp;Grupo Magiluth<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o<\/strong>: Luiz Fernando Marques<br \/>\n<strong>Assistente de dire\u00e7\u00e3o e dire\u00e7\u00e3o musical:<\/strong>&nbsp;Rodrigo Mercadante<br \/>\n<strong>Dramaturgia:<\/strong>&nbsp;Grupo Magiluth<br \/>\n<strong>Elenco<\/strong>: Bruno Parmera, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres e M\u00e1rio Sergio Cabral<br \/>\n<strong>Produ\u00e7\u00e3o:<\/strong>&nbsp;Grupo Magiluth e Amanda Dias Leite<br \/>\n<strong>Produ\u00e7\u00e3o local:<\/strong>&nbsp;Roberto Brand\u00e3o<\/p>\n<p><em><strong>Estudo N\u00ba 1: Morte e Vida<\/strong><\/em>, com o grupo Magiluth<br \/>\n<strong>Quando:<\/strong>&nbsp;De 28 de janeiro a 6 de mar\u00e7o de 2022, sextas e s\u00e1bados \u00e0s 21h, domingos, \u00e0s 18h<br \/>\n<strong>Onde:<\/strong> Sesc Ipiranga (Rua Bom Pastor, 822 \u2013 Ipiranga \u2013 S\u00e3o Paulo SP)<br \/>\n<strong>Quanto:<\/strong> R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)<br \/>\n<strong>Classifica\u00e7\u00e3o indicativa:<\/strong>&nbsp;16 anos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Busco dialogar com o Estudo N\u00ba1: Morte e Vida, espet\u00e1culo do pernambucano Grupo Magiluth. 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