{"id":23650,"date":"2022-01-28T14:42:41","date_gmt":"2022-01-28T17:42:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=23650"},"modified":"2022-01-28T15:14:21","modified_gmt":"2022-01-28T18:14:21","slug":"morte-e-vida-severina-na-visao-do-magiluth","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/morte-e-vida-severina-na-visao-do-magiluth\/","title":{"rendered":"Morte e Vida Severina na vis\u00e3o do Magiluth"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_23651\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Estudo1-Morte-e-vida-664x332-1-e1643374614718.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23651\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-23651\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Estudo1-Morte-e-vida-664x332-1-e1643374614718.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"300\"><\/a><p id=\"caption-attachment-23651\" class=\"wp-caption-text\">Estudo1 Morte e vida. Foto: Vitor Pessoa \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Pernambuco \u00e9 um celeiro de escritores e poetas, com obras importantes para a literatura brasileira. Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto (1920-1999) \u00e9 um dos grandes, adverte de cara o ator Giordano Castro ao ser perguntado sobre a escolha do texto. O centen\u00e1rio do poeta pernambucano ocorreu em 2020 no auge do isolamento social. Se o mundo n\u00e3o tivesse parado, a montagem do Grupo Magiluth inspirada em <em>Morte e Vida Severina \u2013 Um Auto de Natal<\/em> teria estreado para celebrar os 100 anos do autor de <em>O C\u00e3o Sem Plumas<\/em>. Muita coisa pifou com a pandemia da Covid-19. O trabalho do Magiluth, que primeiro seria um espet\u00e1culo de rua, ganhou outras fei\u00e7\u00f5es durante esse percurso. Chega ao palco do Teatro Ipiranga, em S\u00e3o Paulo, como <strong><em>Estudo N\u00ba1: Morte e Vida<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>Com encena\u00e7\u00e3o de Luiz Fernando Marques, Lubi, parceiro da trupe pernambucana desde 2012 e diretor dos espet\u00e1culos <em>Aquilo que meu olhar guardou para voc\u00ea<\/em> e <em>Apenas o Fim do Mundo<\/em>, esse \u00faltimo juntamente com Giovana Soar, essa quase \u201cpe\u00e7a-palestra\u201d, vale-se do livro como disparador para discuss\u00f5es das migra\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas, a quest\u00e3o clim\u00e1tica, da seca, e a repercuss\u00e3o na vida de pessoas de v\u00e1rias partes do planeta. Perpassada pela pol\u00edtica, a montagem expande a figura do Severino para fluxos mundiais de deslocamentos.<\/p>\n<p>O estudo do t\u00edtulo exp\u00f5e elementos que muitas vezes ficam ocultos nas encena\u00e7\u00f5es, como os sistemas de som e luz. A dire\u00e7\u00e3o musical \u00e9 de Rodrigo Mercadante, que refor\u00e7a a ideia dos ciclos de vida e morte da pe\u00e7a em sua trilha, com sonoridades originais e m\u00fasicas de artistas do punk e do hardcore de Pernambuco.<\/p>\n<p>O retirante Severino, protagonista da pe\u00e7a cabralina, se apresenta como sujeito individual e coletivo. Ao investigar as migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas, o <em><strong>Estudo N\u00ba1: Morte e Vida<\/strong> <\/em>cavouca as perspectivas geogr\u00e1ficas, simb\u00f3licas e humanas dos impulsos que se deslocam.<\/p>\n<h1>Entrevista || Giordano Castro&nbsp;<\/h1>\n<p><strong>Por que Jo\u00e3o Cabral?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 importante levar em considera\u00e7\u00e3o que Pernambuco \u00e9 um estado com muitos escritores, muitos poetas que t\u00eam uma obra important\u00edssima para a literatura brasileira. E de um car\u00e1ter est\u00e9tico muito inovador e peculiar. Cada um tem uma identidade muito forte. Dentre eles, Jo\u00e3o Cabral \u00e9 um dos que chama bastante aten\u00e7\u00e3o para a gente por causa da quest\u00e3o do rebuscamento da pr\u00f3pria escrita. Algo que ele levava com muito cuidado e muita aten\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 conhecido por ser um poeta que lapidava muito os seus trabalhos e que ainda assim conseguia manter uma dureza naquilo ele falava.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, <em>Morte e Vida Severina<\/em> &#8211; apesar de ser uma obra que Jo\u00e3o Cabral n\u00e3o era muito carinhoso por ela &#8211; guarda uma c\u00e9lula muito potente de apontamentos de caminhos para abrir discuss\u00f5es. \u00c9 como se dentro daquele poema-pe\u00e7a ele abrisse muitas quest\u00f5es. Ele n\u00e3o fala apenas sobre um homem que se v\u00ea na necessidade de migrar por problemas naturais e da seca, o que n\u00e3o seria pouca coisa, mas ele coloca quest\u00f5es sobre o trabalho, sobre o pr\u00f3prio homem, sobre a caracter\u00edstica desse homem, sobre a terra, sobre a reforma agr\u00e1ria. Enfim, s\u00e3o muitos apontamentos e talvez esse trabalho tenha chamado a aten\u00e7\u00e3o da gente por causa disso. E dentro do Magiluth cada um foi atravessado por algo diferente, ent\u00e3o acaba sendo uma poesia muito plural de abordagem. E a pr\u00f3pria palavra, a forma como ele, Jo\u00e3o Cabral, como escolhe as palavras dentro do seu poema e como aquelas palavras t\u00eam uma maneira de organizar aquela poesia. A escolha foi por uma quest\u00e3o est\u00e9tica mesmo e tamb\u00e9m por uma quest\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>As migra\u00e7\u00f5es e travessias s\u00e3o marcas de cada tempo, que traduzem coloniza\u00e7\u00f5es e buscas por territ\u00f3rios. Como o Magiluth atualiza esses movimentos nesta montagem?<\/strong><\/p>\n<p>As quest\u00f5es de migra\u00e7\u00e3o e de travessia como voc\u00ea fala, de fato, s\u00e3o coisas que continuam acontecendo. Desde a ideia da exist\u00eancia humana at\u00e9 os dias de hoje a necessidade de migrar se faz. A gente sempre entende isso como um movimento pol\u00edtico. Nas migra\u00e7\u00f5es hoje temos encontros com outros Severinos. O Severino que Jo\u00e3o Cabral aborda, nordestino, ganha ares mundiais. A gente entende hoje que os Severinos n\u00e3o s\u00e3o somente outros sotaques, mas outras l\u00ednguas. As quest\u00f5es clim\u00e1ticas que fizeram com que o Severino do Morte e Vida sa\u00edsse da sua regi\u00e3o, hoje atinge e vai continuar atingindo e piorando para cada vez mais outras pessoas. Ser\u00e3o outros Severinos saindo de Quiribati, que v\u00e3o come\u00e7ar a sair das cidades mais baixas do mundo depois do aquecimento global, com o derretimento das geleiras e o aumento dos oceanos. Ser\u00e3o Severinos americanos, italianos, recifenses. E essas quest\u00f5es clim\u00e1ticas, elas est\u00e3o &#8211; hoje e ontem &#8211; absolutamente ligadas \u00e0s quest\u00f5es pol\u00edticas &#8211; como o homem politicamente usa a natureza, como como tudo isso interfere em ganhos, na estrutura, est\u00e1 tudo interligado<\/p>\n<p><strong>O que essa pandemia trouxe para o trabalho de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nA pandemia, o que a gente consegue falar em muitas camadas. Ela foi desesperadora no come\u00e7o, for\u00e7ar o Magiluth a uma s\u00e9rie de situa\u00e7\u00f5es, parar as atividades e tudo mais. Depois ela foi uma descoberta para gente, o que gerou os tr\u00eas trabalhos online \u2013 (uma trilogia de experimentos sensoriais em confinamento, composta pelas obras <em>Tudo que coube numa VHS<\/em>, <em>Todas as hist\u00f3rias poss\u00edveis<\/em> e <em>Vir\u00e1<\/em>)<\/p>\n<p>Mais especificamente falando do <strong><em>Estudo N\u00ba1: Morte e Vida<\/em><\/strong>, a pandemia deu um molde po\u00e9tico para o trabalho. O trabalho come\u00e7ou a ser pensado no final de 2019, passou por muitas possibilidades. Esse espet\u00e1culo j\u00e1 foi pensado, por exemplo no princ\u00edpio, de um espet\u00e1culo de rua; depois foi pensado para se fazer no palco; depois ele virou o estudo. E a cada retomada por causa da pandemia, a gente tamb\u00e9m se encontrava com uma nova proposta po\u00e9tica. E a\u00ed eu acho que o resultado \u00e9 uma soma de todos os momentos. Eu acho que a gente conseguiu amontoar todos eles.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>Ficha T\u00e9cnica<\/strong><\/span><br \/>\n<strong>Cria\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o:<\/strong> Grupo Magiluth<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o<\/strong>: Luiz Fernando Marques<br \/>\n<strong>Assistente de dire\u00e7\u00e3o e dire\u00e7\u00e3o musical:<\/strong> Rodrigo Mercadante<br \/>\n<strong>Dramaturgia:<\/strong> Grupo Magiluth<br \/>\n<strong>Elenco<\/strong>: Bruno Parmera, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres e M\u00e1rio Sergio Cabral<br \/>\n<strong>Produ\u00e7\u00e3o:<\/strong> Grupo Magiluth e Amanda Dias Leite<br \/>\n<strong>Produ\u00e7\u00e3o local:<\/strong> Roberto Brand\u00e3o<\/p>\n<p><em><strong>Estudo N\u00ba 1: Morte e Vida<\/strong><\/em>, com o Grupo Magiluth<br \/>\n<strong>Quando:<\/strong> De 28 de janeiro a 6 de mar\u00e7o de 2022, sextas e s\u00e1bados \u00e0s 21h, domingos, \u00e0s 18h<br \/>\n<strong>Onde:<\/strong> Sesc Ipiranga )Rua Bom Pastor, 822 \u2013 Ipiranga &#8211; S\u00e3o Paulo SP)<br \/>\n<strong>Quanto:<\/strong> R$ 40(inteira) e R$ 20 (meia)<br \/>\n<strong>Classifica\u00e7\u00e3o indicativa:<\/strong> 16 anos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pernambuco \u00e9 um celeiro de escritores e poetas, com obras importantes para a literatura brasileira. 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