{"id":23549,"date":"2021-12-10T18:51:44","date_gmt":"2021-12-10T21:51:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=23549"},"modified":"2021-12-10T18:54:45","modified_gmt":"2021-12-10T21:54:45","slug":"um-tchekhov-que-denuncia-nossa-imobilidade-critica-do-espetaculo-por-que-nao-vivemos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/um-tchekhov-que-denuncia-nossa-imobilidade-critica-do-espetaculo-por-que-nao-vivemos\/","title":{"rendered":"Um Tchekhov que denuncia nossa imobilidade <\/br> Cr\u00edtica do espet\u00e1culo Por que n\u00e3o vivemos?"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_23551\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/pqnaovivemos-Foto-Nana-Moraes-e1639141640204.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23551\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-23551\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/pqnaovivemos-Foto-Nana-Moraes-e1639141640204.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-23551\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Por que n\u00e3o vivemos?<\/strong><\/em>, da companhia brasileira de teatro. Foto: Nana Moraes \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_23557\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/por-que-nao-vivemos-nana-e1639169986522.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23557\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-23557\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/por-que-nao-vivemos-nana-e1639169986522.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-23557\" class=\"wp-caption-text\">Josi Lopes e Camila Pitanga. Foto: Nana Moraes \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>\u201cPor Que N\u00e3o Vivemos?\u201d \u00e9 uma baita provoca\u00e7\u00e3o. Em muitos sentidos. Plena de acendimento. A frase-trecho, e t\u00edtulo dado pela companhia brasileira de teatro (grupo sediado em Curitiba e com conex\u00f5es com o mundo) ao texto de Anton Tchekhov (1860-1904), articula com os desejos de ser\/estar\/ir al\u00e9m e as armadilhas que nos enredamos na vida. O dramaturgo russo escreveu a hist\u00f3ria do professor Platonov quando tinha menos de 20 anos. O manuscrito foi descoberto nos arquivos do seu irm\u00e3o ap\u00f3s a morte do escritor e publicado em 1923. Em sua forma original, o manuscrito \u00e9 um pandem\u00f4nio sem t\u00edtulo, fragmentado, de 300 p\u00e1ginas de um melodrama, geralmente chamado de <em>Platonov<\/em>.<\/p>\n<p>Com encena\u00e7\u00e3o de Marcio Abreu e elenco formado por Camila Pitanga, Cris Larin, Edson Rocha, Josi Lopes, Kau\u00ea Persona, Rodrigo Bolzan, Rodrigo Ferrarini e Rodrigo de Od\u00e9, <em><strong>Por Que N\u00e3o Vivemos?<\/strong> <\/em>faz uma curta temporada no Teatro de Santa Isabel, no Recife, at\u00e9 domingo.<\/p>\n<p>Mergulhar no teatro de Abreu \u00e9 experi\u00eancia vigorosa ligada ao imponder\u00e1vel, ao risco, ao abismo. Todas as pe\u00e7as. Com aquecimentos diferentes. Em fluxo cont\u00ednuo ou com a densidade de um momento que repercute e produz outras dobras no corpo do espectador. Marcio Abreu \u00e9 uma das vozes mais criativas e l\u00facidas da arte na atualidade. Um artista incontorn\u00e1vel das artes vivas, que leva para a cena a pulsa\u00e7\u00e3o radical do humano permeado pelo di\u00e1logo com o real.<\/p>\n<p>Os discursos subterr\u00e2neos, as constela\u00e7\u00f5es das dramaturgias, a flu\u00eancia entre palavras, corpos, imagens, mem\u00f3rias, sons, a\u00e7\u00f5es, sil\u00eancios. Sua arte me interessa, para fazer alus\u00e3o \u00e0 montagem <em>Isso te interessa? <\/em>(2011), da francesa No\u00eblle Renaude. Sua arte ressoa em mim e me desperta de outros sentidos, agu\u00e7a minha sensibilidade.&nbsp;<\/p>\n<p>Ansiosa por assistir <em>Sem Palavras<\/em>, que j\u00e1 tra\u00e7a no t\u00edtulo um olhar diante das prele\u00e7\u00f5es de poderes caducos e nosso torpor horrorizado. Mas tamb\u00e9m embutido de energia para vibrar em outros acordes.<\/p>\n<div id=\"attachment_23558\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/por-que-nao-vivemos-teatro-e1639162652692.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23558\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-23558\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/por-que-nao-vivemos-teatro-e1639162652692.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-23558\" class=\"wp-caption-text\">O elenco \u00e9 composto por Camila Pitanga, Cris Larin, Edson Rocha, Josi Lopes (na imagem), Kau\u00ea Persona, Rodrigo Bolzan, Rodrigo Ferrarini e Rodrigo de Od\u00e9 (na imagem). Foto: Nana Moraes \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o de Giovana Soar, Nadja Naira e Marcio Abreu (feita a partir de uma tradu\u00e7\u00e3o original do russo por Pedro Augusto Pinto e de vers\u00f5es francesas) e a encena\u00e7\u00e3o acentuam o protagonismo feminino, a inquieta\u00e7\u00e3o da mulher em buscar mudan\u00e7as e enfrentar os pr\u00e9-conceitos.<\/p>\n<p><em><strong>Por que n\u00e3o vivemos?<\/strong><\/em> estreou em julho de 2019 no Rio de Janeiro, passou por Bras\u00edlia e Belo Horizonte. Em 2020, fez uma temporada curta em S\u00e3o Paulo, interrompida pela pandemia da Covid-9. Foi l\u00e1, no Teatro Cacilda Becker, que vi a pe\u00e7a.<\/p>\n<p>A cena inicial da chegada de convidados para a festa na casa da jovem vi\u00fava Anna Petrovna (Camila Pitanga) pode ser percebida, agora, como uma celebra\u00e7\u00e3o da retomada ao teatro presencial; ou a resist\u00eancia do teatro desde sempre. \u00c9 uma alegria. Mesmo que l\u00e1, como c\u00e1, essa gente se ame e se odeie, \u201cos \u2018her\u00f3is\u2019 tenham morrido de overdose\u201d e haja tanto de vilania e patifaria, de sentimentos mesquinhos e emo\u00e7\u00f5es pensadas nobres nas cadeiras do Santa Isabel quanto nesse mundo inundado de gente escorregadia como seres humanos, cheios de segredos e autoilus\u00e3o. Tchekhov e seus personagens que subvertem o que s\u00e3o e o que poderiam ter sido.<\/p>\n<p>Ambientada numa propriedade rural da jovem vi\u00fava Anna Petrovna (Camila Pitanga) a hist\u00f3ria se desenvolve durante uma grande festa de amigos, ou apenas conhecidos. Mikhail Platonov (Rodrigo de Od\u00e9), um ex-idealista que aparece ap\u00f3s muitos anos afastado, \u00e9 o retrato do aristocrata falido, que se tornou professor. Ele desestabiliza o jogo, principalmente pelo reencontro com Sofia, uma paix\u00e3o de juventude.<\/p>\n<p>\u201cAqui estamos\u201d, Anna diz a Mikhail. \u201cComo nos velhos tempos, brigando por coisas que n\u00e3o podemos mudar e provavelmente nem mesmo se pud\u00e9ssemos.\u201d<\/p>\n<p>As situa\u00e7\u00f5es que envolvem os personagens se repetem. As hipocrisias v\u00eam \u00e0 tona. Eles mentiram, eles sabem que mentiram, cada um que mente tem consci\u00eancia de que os outros sabem da trapa\u00e7a, mas todo mundo est\u00e1 fingindo que a verdade est\u00e1 sendo dita. Os burgueses festejantes e\/ou falidos, singulares figuras de Tchekhov. H\u00e1 uma crise na pr\u00e9-revolu\u00e7\u00e3o russa e as personas se posicionam inertes. N\u00f3s tamb\u00e9m estamos num beco sem sa\u00edda?<\/p>\n<div id=\"attachment_23555\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/por-que-nao-vivemos-x-e1639169743399.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23555\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-23555\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/por-que-nao-vivemos-x-e1639169743399.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-23555\" class=\"wp-caption-text\">Kau\u00ea Persona e Camila Pitanga Foto: Nana Moraes \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>A pr\u00e1tica reverbera na cena, em um looping cont\u00ednuo. Tudo se repete e a vida segue. Mas as apar\u00eancias n\u00e3o enganam, n\u00e3o, nas resson\u00e2ncias contempor\u00e2neas do mundo pol\u00edtico. \u00c9 uma selvageria da pe\u00e7a.<\/p>\n<p>A trilha de Felipe Storino, os figurinos de Paulo Andr\u00e9 e Gilma Oliveira e a cenografia de Marcelo Alvarenga, a luz de Nadja Naiara comp\u00f5em uma paisagem sonora e imag\u00e9tica repleta de redes nas v\u00e1rias dramaturgias.<\/p>\n<p>A arte produzida nesse contexto de opress\u00f5es e retrocessos, como o que vivemos atualmente tamb\u00e9m tem seu poder anunciador das ru\u00ednas de algumas estruturas no pa\u00eds que vive uma necropol\u00edtica.<\/p>\n<p>Mas reexiste uma \u00e9tica na est\u00e9tica. A textura do real numa a dramaturgia como campo expandido, que faz ressoar a dimens\u00e3o p\u00fablica do teatro e nos traz outras perguntas.<\/p>\n<p>Mas mesmo nesse jogo de apar\u00eancias tudo foi revelado. As figuras funestas destru\u00edram muito, mas n\u00e3o s\u00e3o invenc\u00edveis. Voltamos \u00e0 pergunta por que n\u00e3o vivemos como dever\u00edamos ter vivido, por que n\u00e3o vivemos aquilo que temos a potencialidade de viver?<\/p>\n<p>Temos alguns far\u00f3is. E \u00e9 hora de colocar a vida em outra perspectiva. De respeito a todos os seres viventes e ao planeta. \u201cReparar os vivos\u201d Para um devir futuro iluminado.<\/p>\n<div id=\"attachment_23554\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/por-que-nao-vivemos-foto-nana-moraes-28-e1639170156879.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23554\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-23554\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/por-que-nao-vivemos-foto-nana-moraes-28-e1639170156879.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-23554\" class=\"wp-caption-text\">Camila Pitanga e Rodrigo de Od\u00e9. Foto: Nana Moraes \/ Divulga\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/p><\/div>\n<p><em><strong>Por que n\u00e3o vivemos?<\/strong><\/em><br \/>\nDa obra Platonov, de Anton Tchekhov<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o:<\/strong> Marcio Abreu<br \/>\n<strong>Elenco:<\/strong> Camila Pitanga, Cris Larin, Edson Rocha, Josi Lopes, Kau\u00ea Persona, Rodrigo Bolzan, Rodrigo Ferrarini e Rodrigo de Od\u00e9<br \/>\n<strong>Adapta\u00e7\u00e3o:<\/strong> Marcio Abreu, Nadja Naira e Giovana Soar<\/p>\n<h2>Servi\u00e7o<\/h2>\n<p><em><strong>Por que n\u00e3o vivemos?<\/strong><\/em><br \/>\n<strong>Quando:<\/strong> De 9 a 12 de dezembro; de quinta-feira a s\u00e1bado, \u00e0s 19h, e no domingo, \u00e0s 18h<br \/>\n<strong>Onde:<\/strong> Teatro de Santa Isabel (Pra\u00e7a da Rep\u00fablica, s\/n, bairro de Santo Ant\u00f4nio)<br \/>\n<strong>Quanto:<\/strong> R$ 40 e R$ 20 (meia-entrada). Ingressos \u00e0 venda pelo site Sympla<br \/>\n<strong>Informa\u00e7\u00f5es<\/strong> (81) 3355-3323<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cPor Que N\u00e3o Vivemos?\u201d \u00e9 uma baita provoca\u00e7\u00e3o. Em muitos sentidos. Plena de acendimento. A frase-trecho, e t\u00edtulo dado pela companhia brasileira de teatro (grupo sediado em Curitiba e com conex\u00f5es com o mundo) ao texto de Anton Tchekhov (1860-1904), articula com os desejos de ser\/estar\/ir al\u00e9m e as armadilhas que nos enredamos na vida. 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