{"id":23440,"date":"2021-11-20T18:22:52","date_gmt":"2021-11-20T21:22:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=23440"},"modified":"2023-09-17T22:26:57","modified_gmt":"2023-09-18T01:26:57","slug":"o-insuportavel-mau-cheiro-da-memoria-critica-do-espetaculo-suenos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/o-insuportavel-mau-cheiro-da-memoria-critica-do-espetaculo-suenos\/","title":{"rendered":"O insuport\u00e1vel mau cheiro da mem\u00f3ria <\/br>Cr\u00edtica do espet\u00e1culo Sue\u00f1o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_23443\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto-Joao-Caldas-Fo_146205press-scaled-e1637424299421.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23443\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-23443\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto-Joao-Caldas-Fo_146205press-scaled-e1637424299421.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"425\"><\/a><p id=\"caption-attachment-23443\" class=\"wp-caption-text\">Paulo de Pontes e Denise Weinberg; ao fundo, Jos\u00e9 Roberto Jardim e Michelle Boesche. Foto: Jo\u00e3o Caldas F\u00ba_<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_23442\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto-Joao-Caldas-Fo_145989press-scaled-e1637424361318.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23442\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-23442\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto-Joao-Caldas-Fo_145989press-scaled-e1637424361318.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"415\"><\/a><p id=\"caption-attachment-23442\" class=\"wp-caption-text\">Simone Evaristo e Leopoldo Pacheco. Foto: Jo\u00e3o Caldas F\u00ba\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Fora dos espa\u00e7os convencionais de edif\u00edcios teatrais ocorrem nessa p\u00f3s-ainda-pandemia, em S\u00e3o Paulo, algumas das experi\u00eancias mais desconcertantes e arrebatadoras. Uma delas acontece no quintal, na \u00e1rea externa do teatro Jo\u00e3o Caetano, na zona sul da capital paulista e se chama <em><strong>Sue\u00f1o<\/strong><\/em>. O texto e a dire\u00e7\u00e3o de Newton Moreno abrem trilhas de di\u00e1logos com uma Am\u00e9rica Latina&nbsp; ferida, mas n\u00e3o abatida, com suas veias sangrando, mas que pulsa de utopia nos subterr\u00e2neos.<\/p>\n<p><em><strong>Sue\u00f1o<\/strong> <\/em>ocupa seu lugar na constela\u00e7\u00e3o da <em>arte das emerg\u00eancias<\/em>, que articula estrat\u00e9gias dos saberes latinizados, dos pensamentos subalternos, das for\u00e7as de resist\u00eancia que n\u00e3o hesitam em se afirmar. Diante do avan\u00e7o dos agentes conservadores em escala global e dos retrocessos da democracia, o espet\u00e1culo toma posi\u00e7\u00e3o nos combates anticapitalistas, anticolonialistas e antipatriarcais na cena incorporada, dos corpos em a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pois \u00e9 no campo da luta e da cr\u00edtica \u00e0 realidade recente que <strong><em>Sue\u00f1o<\/em> <\/strong>avan\u00e7a na perspectiva de revitalizar o horizonte. Lembrando o professor e escritor portugu\u00eas Boaventura de Sousa Santos a luta \u00e9 um conceito de resist\u00eancia, atrav\u00e9s do qual uma m\u00ednima possibilidade de liberdade \u00e9 convertida em um impulso de liberta\u00e7\u00e3o. O grande combate e o pequeno combate.<\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 para esconder o fedor das ditaduras das Am\u00e9ricas. Mais que o \u201cinsuport\u00e1vel mau cheiro da mem\u00f3ria\u201d dos versos de Drummond, as vis\u00f5es do horror, os gritos desesperados repercutem na pe\u00e7a em atravessamentos sofridos e brutais. \u00c9 um diagn\u00f3stico radical nesse panorama de incertezas da democracia.<\/p>\n<p>Para tratar da complexidade do contexto contempor\u00e2neo Newton Moreno engenhosamente cria camadas envolventes, da pe\u00e7a dentro da pe\u00e7a, da ditadura chilena como ponto de resson\u00e2ncia do avassalador massacre autorit\u00e1rio na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Passado, presente e futuro se imbricam nesse manifesto po\u00e9tico-pol\u00edtico, como quer o dramaturgo\/ diretor, que cutuca nossa sensibilidade. Newton Moreno faz de sua indigna\u00e7\u00e3o, arte. Da sua revolta, teatro. Cria dispositivos que operam nas din\u00e2micas de produ\u00e7\u00e3o da vida. Os desafios s\u00e3o enormes.<\/p>\n<p>As dramaturgias v\u00eam com puls\u00f5es insubordinadas, quase revoltosas contra a realidade do passado e do presente, inquietas de futuros. Os contextos de ontem e de hoje s\u00e3o assustadores, sabemos.<\/p>\n<p>Mas como atesta o cr\u00edtico argentino Jorge Dubatti o teatro se configura como o espa\u00e7o de funda\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios de subjetividade alternativa, espa\u00e7os de resist\u00eancia, resili\u00eancia e transforma\u00e7\u00e3o, sustentados no desejo e na possibilidade permanente de mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Terreno f\u00e9rtil de pr\u00e1ticas micropol\u00edticas, micropo\u00e9ticas, o teatro contempor\u00e2neo latino-americano tem um papel fundamental no agu\u00e7amento dessa mem\u00f3ria traum\u00e1tica. O teatro \u00e9, sem d\u00favida, esse espa\u00e7o de an\u00e1lise cr\u00edtica, de reflex\u00e3o dos epis\u00f3dios pol\u00edticos da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<div id=\"attachment_23353\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto-Joao-Caldas-Fo_146475press-scaled-e1636130222316.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23353\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-23353\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto-Joao-Caldas-Fo_146475press-scaled-e1636130222316.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"570\"><\/a><p id=\"caption-attachment-23353\" class=\"wp-caption-text\">Michelle Boesche, Foto Jo\u00e3o Caldas F\u00ba_<\/p><\/div>\n<p>Uma enorme \u00e1rvore, com toda a carga de ancestralidade est\u00e1 fincada no centro do cen\u00e1rio desse <em><strong>Sue\u00f1o<\/strong><\/em>. Sua vis\u00e3o on\u00edrica abre portais para rotas individuais do esplendor do cair da tarde para a noite enigm\u00e1tica. Nesse ambiente o elenco \u2013 formado por Denise Weinberg, Leopoldo Pacheco, Michelle Boesche, Jos\u00e9 Roberto Jardim, Paulo de Pontes e Simone Evaristo, e o m\u00fasico Gregory Slivar \u2013 conduz um p\u00fablico de 30 pessoas por uma viagem desafiadora.<\/p>\n<p>O sonho instala, de acordo com Freud, um espa\u00e7o para realizar desejos inconscientes reprimidos. Muitos desejos circulam no ambiente da pe\u00e7a, provocados pelas traquinagens de Puck, a fada travessa; a luta contra a tirania, a for\u00e7a bruta, e as contradi\u00e7\u00f5es dos movimentos revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>O corpo dos atores est\u00e1 impregnado das impress\u00f5es sensoriais da experi\u00eancia de sufocamento, dos res\u00edduos das v\u00e1rias guerras travadas no cora\u00e7\u00e3o do povo. Entre o sonho e o momento desperto erguem-se as estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia. <em><strong>Sueno<\/strong> <\/em>atua como guardi\u00e3o da exist\u00eancia, um compromisso est\u00e9tico de investiga\u00e7\u00e3o e descobertas de caminhos, de camadas, de feixes de luz.<\/p>\n<p>Para erguer essa dramaturgia dura, forte, Moreno circulou pelo Uruguai, Argentina, Chile e Peru, visitou o Museu da Hist\u00f3ria e dos Direitos Humanos, em Santiago, e o Espacio Memoria, em Buenos Aires. Chocou-se com imagens e depoimentos de crian\u00e7as arrancadas das fam\u00edlias por ordens do general Augusto Pinochet ou do espa\u00e7o que serviu de centro de tortura argentino.<\/p>\n<p>Fez suas conex\u00f5es com a Opera\u00e7\u00e3o Condor (campanha de repress\u00e3o pol\u00edtica e terror de Estado, promovida pelos Estados Unidos, envolvendo opera\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia e assassinato de opositores implementada em novembro de 1975 pelas ditaduras de direita do Cone Sul: Argentina, Bol\u00edvia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai). Mergulhou nos arquivos da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, que investigou crimes repressivos dos militares brasileiros na ditadura, e releu obras como <em>As Veias Abertas da Am\u00e9rica Latina<\/em>, do uruguaio Eduardo Galeano, e <em>A Elite do Atraso<\/em>, do soci\u00f3logo Jess\u00e9 de Souza.<\/p>\n<p><strong>Mem\u00f3ria da viol\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>O ponto de vista \u00e9 do artista, do diretor, do ut\u00f3pico. Numa performance da mem\u00f3ria de quem est\u00e1 inscrito \u00e0 margem. Dos que foram v\u00edtimas do poder institucional. \u00c9 o conhecimento dos vencidos. Ao mesmo tempo p\u00f5e no centro da pulsa\u00e7\u00e3o a relev\u00e2ncia do fazer art\u00edstico e do fazer teatral. E isso diz muito da resist\u00eancia atual no Brasil e outros pa\u00edses atingidos pelos detratores da cultura, da ci\u00eancia, dos direitos humanos.<\/p>\n<p>Ao falar do horror dos rastros da ditadura, das atrocidades promovidas pelas elites, Newton levou para a cena a pr\u00e1tica da elite chilena exploradora de cobre, que devastou natureza e pessoas.<\/p>\n<div id=\"attachment_23358\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto-Joao-Caldas-Fo_146232press-scaled-e1636129775892.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23358\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-23358\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto-Joao-Caldas-Fo_146232press-scaled-e1636129775892.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"413\"><\/a><p id=\"caption-attachment-23358\" class=\"wp-caption-text\">Denise Weinberg e Jos\u00e9 Roberto Jardim. Foto Jo\u00e3o Caldas F\u00ba<\/p><\/div>\n<p>A pe\u00e7a corre de forma n\u00e3o linear, entrela\u00e7ando temporalidades num encadeamento dial\u00e9tico. Uma plasticidade que exp\u00f5e fendas profundas da ditadura escancarada, a crueldade e arbitrariedade dos tempos idos e seus reflexos no presente.<\/p>\n<p>Nesse metateatro, uma trupe teatral interrompe uma montagem de <em>Sonho de uma Noite de Ver\u00e3o<\/em>, de William Shakespeare, com o golpe militar de 1973 que dep\u00f4s o ent\u00e3o presidente Salvador Allende e que iniciou uma ditadura que se prolongou at\u00e9 mar\u00e7o de 1990 com Pinochet. O diretor Vine e sua companheira, a atriz Laura, que est\u00e1 gr\u00e1vida, resolvem fugir do pa\u00eds. Ela, filha de uma importante e conservadora fam\u00edlia do Chile, vai para a luta armada.&nbsp;<\/p>\n<p>E os atores, mat\u00e9rias-primas desse <strong><em>Sue\u00f1o<\/em><\/strong>?&#8230;<br \/>\nPr\u00f3spero, na pe\u00e7a <em>A Tempestade<\/em>, atenta que \u201cN\u00f3s somos feitos da mat\u00e9ria de que s\u00e3o feitos os sonhos; nossa vida pequenina \u00e9 cercada pelo sono\u201d.<\/p>\n<p>A atriz Denise Weinberg \u00e9 uma mulher de teatro e tem o dom\u00ednio do tempo e da dire\u00e7\u00e3o dos ventos, com todas as nuances. Ora rainha, ora personagem de Shakespeare. M\u00e3e alc\u00f3olatra, da elite chilena indulgente com as atrocidades. C\u00famplice do novo regime, mas que n\u00e3o \u00e9 poupada dos horrores provocados pela ditadura. Av\u00f3 arrependida, mas que mant\u00e9m o ran\u00e7o da alta sociedade. Ela nos transpassa com ego\u00edsmo concentrado dos rica\u00e7os e se descama do orgulho enquanto um mar revolto de emo\u00e7\u00f5es explode na cena.<\/p>\n<p>Laura, personagem de Michelle Boesche como filha, assume o protagonismo questionador ao governo, representando os jovens e as mulheres, duas for\u00e7as de resist\u00eancia e contesta\u00e7\u00e3o. A neta, criada sem saber sua verdadeira identidade, aparece com vis\u00f5es pol\u00edticas e sociais opostas \u00e0 de seus pais. As liga\u00e7\u00f5es ins\u00f3litas da m\u00e3o invis\u00edvel do sistema. Michelle imprime uma interpreta\u00e7\u00e3o com leveza e vigor.<\/p>\n<p>A entrega do ator Leopoldo Pacheco nos entrechos e a carga de cinismo e ignom\u00ednia do militar fac\u00ednora evidencia a face desses criminosos hist\u00f3ricos. Com uma grande atua\u00e7\u00e3o, ele nos coloca, n\u00f3s espectadores, num lugar bizarro de espichar a humanidade a esses infames malfeitores da humanidade quando eles perdem seu poder, mas n\u00e3o a \u00edndole cruel, e se disfar\u00e7am de coitados.<\/p>\n<p>Vine, o metadiretor do espet\u00e1culo, vivido por Jos\u00e9 Roberto Jardim, segue guarnecido de poesia e cria em seus del\u00edrios outros mundos. Com uma atua\u00e7\u00e3o contida, por vezes esf\u00edngica, Jardim segue sinalizando passagem, entre a defesa do teatro e o enfrentamento \u00e0s megacorpora\u00e7\u00f5es que buscam massacrar os ideais.<\/p>\n<p>Simone Evaristo assume o papel de Puck e outras interven\u00e7\u00f5es perform\u00e1ticas de forte apelo visual. Com suas agilidade e presen\u00e7a, ela funciona como o sal da terra, a equilibrar e desequilibrar o percurso de <em><strong>Sue\u00f1o<\/strong><\/em>.<\/p>\n<div id=\"attachment_23359\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto-Joao-Caldas-Fo_146263press-1-scaled-e1636130113876.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23359\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-23359\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto-Joao-Caldas-Fo_146263press-1-scaled-e1636130113876.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"462\"><\/a><p id=\"caption-attachment-23359\" class=\"wp-caption-text\">Paulo de Pontes. Foto: Jo\u00e3o Caldas F\u00ba \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>E o que dizer de Paulo de Pontes? Ele est\u00e1 pleno, iluminado, com total dom\u00ednio do seu of\u00edcio. Trafegando com desenvoltura pelos personagens, de Shakespeare, ou como um mineiro-ator. A cena dele transformado em asno com Denise \u00e9 um jogo magn\u00edfico. O ator mistura refer\u00eancias, can\u00f4nicas e populares, como a de Genival Lacerda, e subverte com propriedade as estratifica\u00e7\u00f5es. Paulo de Pontes, ator que acompanho h\u00e1 v\u00e1rios anos, est\u00e1 brilhante nesta pe\u00e7a, assumindo v\u00e1rios registros interpretativos com a mesma pot\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n<p>A encena\u00e7\u00e3o oferece ao espectador muitas gratifica\u00e7\u00f5es na condu\u00e7\u00e3o da f\u00e1bula, que permite chegar \u00e0 assombra\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie, mas salteada por on\u00edricas imagens. As fantasias visuais funcionam como amortecedores sensoriais. Os fluxos energ\u00e9ticos se cruzam em movimentos de revelar\/encobrir, em que todos os atores se desdobram num jogo de encaixe.<\/p>\n<p><strong><em>Sue\u00f1o<\/em> <\/strong>\u00e9 daqueles espet\u00e1culos que sentimos uma profunda gratid\u00e3o por ter sido erguido, com suas lembran\u00e7as dolorosas. \u00c9 uma pe\u00e7a perfeita? A cada mudan\u00e7a que o inquieto Newton Moreno faz poderemos dizer que \u00e9 mais que perfeita. Pois transborda e nega a categoria de perfei\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma montagem t\u00e3o humana a expor desumanidades e t\u00e3o teatro no sentido mais completo da palavra que ficamos extasiados em ver e rever.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>Ficha t\u00e9cnica:<\/strong><\/span><br \/>\n<strong>Dramaturgia e Dire\u00e7\u00e3o Geral:<\/strong> Newton Moreno<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o de Produ\u00e7\u00e3o:<\/strong> Emerson Mostacco<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o Musical:<\/strong> Gregory Slivar<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o de Movimentos<\/strong>: Erica Rodrigues<br \/>\n<strong>Elenco:<\/strong> Denise Weinberg, Leopoldo Pacheco, Paulo de Pontes, Jos\u00e9 Roberto Jardim, Michelle Boesche, Simone Evaristo, Gregory Slivar (m\u00fasico ao vivo)<br \/>\n<strong>Desenho de Luz:<\/strong> Wagner Pinto<br \/>\n<strong>Figurinos:<\/strong> Leopoldo Pacheco e Chris Aizner<br \/>\n<strong>Cen\u00e1rio:<\/strong> Chris Aizner<br \/>\n<strong>Visagismo:<\/strong> Leopoldo Pacheco<br \/>\n<strong>Assistente de Dramaturgia e Pesquisador:<\/strong> Almir Martines<br \/>\n<strong>Assistentes de Dire\u00e7\u00e3o:<\/strong> Katia Daher (primeira etapa) e Erica Rodrigues<br \/>\n<strong>Assistente de Produ\u00e7\u00e3o:<\/strong> Paulo Del Castro<br \/>\n<strong>Assistente de Luz:<\/strong> Gabriel Greghi<br \/>\n<strong>Adere\u00e7os e cenot\u00e9cnico:<\/strong> Z\u00e9 Valdir Albuquerque<br \/>\n<strong>Estrutura de box truss e arquibancadas:<\/strong> Fernando Hil\u00e1rio Oliveira<br \/>\n<strong>Desenho de som:<\/strong> Victor Volpi<br \/>\n<strong>Operador de Luz<\/strong>: Gabriel Greghi \/ Vin\u00edcius Rocha Requena<br \/>\n<strong>Operador som e Microfone:<\/strong> Victor Volpi<br \/>\n<strong>Palestrantes:<\/strong> S\u00e9rgio M\u00f3dena e Ricardo Cardoso<br \/>\n<strong>Assessoria de Imprensa:<\/strong> Pombo Correio \u2013 Douglas e Heloisa<br \/>\n<strong>Designer:<\/strong> Leonardo Nelli Dias<br \/>\n<strong>Fotos<\/strong>: Jo\u00e3o Caldas<br \/>\n<strong>Assistente de fotografia:<\/strong> Andr\u00e9ia Machado<br \/>\n<strong>Produ\u00e7\u00e3o Audiovisual:<\/strong> \u00cccarus<br \/>\n<strong>Apoio Paisag\u00edstico:<\/strong> Assucena Tupiassu<br \/>\n<strong>Costureiras:<\/strong> Lande Figurinos e Judite de Lima<br \/>\n<strong>Equipe de Montagem de Luz:<\/strong> Guilherme Orro \/ Thiago Zanotta \/ Lel\u00ea Siqueira<br \/>\n<strong>Equipe de Montagem Cen\u00e1rio:<\/strong> F.S. Montagens<br \/>\n<strong>Estagi\u00e1rios:<\/strong> Camila Coltri; Fernando Felix; Marcelo Ara\u00fajo; Bruna Beatriz Freitas; estagi\u00e1rio 5; estagi\u00e1rio 6<br \/>\n<strong>Produ\u00e7\u00e3o:<\/strong> Mostacco Produ\u00e7\u00f5es<br \/>\n<strong>Realiza\u00e7\u00e3o:<\/strong> \u201cHer\u00f3ica Companhia C\u00eanica\u201d, \u201cPr\u00eamio Z\u00e9 Renato de Teatro\u201d, \u201cSecretaria Municipal de Cultura\u201d e a \u201cPrefeitura de S\u00e3o Paulo \u2014 Cultura\u201d<br \/>\n\u201cEste projeto foi contemplado pela 12a Edi\u00e7\u00e3o do Pr\u00eamio Z\u00e9 Renato de Teatro para a cidade de S\u00e3o Paulo \u2013 Secretaria Municipal de Cultura\u201d<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o:<\/strong><br \/>\n<strong>Onde:<\/strong> Teatro Municipal Jo\u00e3o Caetano (Rua Borges Lagoa, 650, Vila Clementino, S\u00e3o Paulo)<br \/>\n<strong>Quando:<\/strong> de 05 de novembro a 05 de dezembro de 2021. <strong>Dias 25, 26 e 27<\/strong> de novembro, as apresenta\u00e7\u00f5es s\u00e3o no <strong>MIRADA<\/strong>, festival em Santos<br \/>\n<strong>Hor\u00e1rios:<\/strong> de ter\u00e7a a domingo, \u00e0s 18h<br \/>\n<strong>Ingressos<\/strong>: Entrada franca, com retirada na bilheteria uma hora antes do espet\u00e1culo.<br \/>\n<strong>Dura\u00e7\u00e3o:<\/strong> 150 minutos + 30 minutos de debate ap\u00f3s cada apresenta\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>Classifica\u00e7\u00e3o:<\/strong> 14 anos<br \/>\n<strong>Lota\u00e7\u00e3o:<\/strong> 30 lugares<br \/>\n<strong>Informa\u00e7\u00f5es:<\/strong> (11) 5573-3774 \/ 5549-1744<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fora dos espa\u00e7os convencionais de edif\u00edcios teatrais ocorrem nessa p\u00f3s-ainda-pandemia, em S\u00e3o Paulo, algumas das experi\u00eancias mais desconcertantes e arrebatadoras. Uma delas acontece no quintal, na \u00e1rea externa do teatro Jo\u00e3o Caetano, na zona sul da capital paulista e se chama Sue\u00f1o. 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