{"id":23366,"date":"2021-11-12T11:13:36","date_gmt":"2021-11-12T14:13:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=23366"},"modified":"2021-11-12T11:36:44","modified_gmt":"2021-11-12T14:36:44","slug":"como-eu-te-amo-critica-do-espetaculo-do-grupo-tapa-de-todas-as-maneiras-que-ha-de-amar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/como-eu-te-amo-critica-do-espetaculo-do-grupo-tapa-de-todas-as-maneiras-que-ha-de-amar\/","title":{"rendered":"Como eu te amo? <\/br>Cr\u00edtica do espet\u00e1culo do Grupo Tapa <\/br> \u201cDe Todas as Maneiras que H\u00e1 de Amar\u201d"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_23415\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/de-todas-as-maneiras_0491_foto-ronaldo-gutierrez-e1636680652740.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23415\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-23415\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/de-todas-as-maneiras_0491_foto-ronaldo-gutierrez-e1636680652740.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-23415\" class=\"wp-caption-text\">Brian Penido e Clara Carvalho na pe\u00e7a <strong>De todas as maneiras que h\u00e1 de amar<\/strong>. Foto: Ronaldo Gutierrez<\/p><\/div>\n<p><strong><em>Counting the Ways<\/em><\/strong> no original, a pe\u00e7a de 1976 escrita pelo dramaturgo norte-americano Edward Albee (1928-2016), tem seu t\u00edtulo inspirado no poema da inglesa Elizabeth Barrett Browning (\u201cHow do I love thee? Let me count the ways\u201d. Como eu te amo? Deixe-me contar os caminhos.\u201d). A montagem do Grupo Tapa leva o nome <strong><em>De Todas as maneiras que h\u00e1 de amar<\/em><\/strong>, uma alus\u00e3o \u00e0 m\u00fasica de Chico Buarque. O texto curto e el\u00edptico de Albee desdobra-se sobre o desvanecimento do amor depois de anos de conv\u00edvio. Ou o desgaste da rela\u00e7\u00e3o. Ou quem sabe, o fim do amor.<\/p>\n<p>Bem, a decomposi\u00e7\u00e3o sentimental na coexist\u00eancia de um casal longevo pode n\u00e3o fazer sentido para muitos. Rela\u00e7\u00e3o duradoura pode se traduzir em poucos meses atualmente. Casal pode n\u00e3o dizer muita coisa para os encontros l\u00edquidos dessa \u00e9poca sem muita liga. Uma fotografia, talvez. Mas o mundo \u00e9 assim, cheio de possibilidades.<\/p>\n<p>A pe\u00e7a de Albee conjectura sobre o que sobra de uma vida de casal ap\u00f3s d\u00e9cadas juntos. As reminisc\u00eancias deslizam entre instantes alegres, tristes, \u00e1cidos, indiferentes, profundos, triviais, corrosivos. Com uma pot\u00eancia de humor avassaladora.<\/p>\n<p>A encena\u00e7\u00e3o de Eduardo Tolentino de Araujo \u00e9 protagonizada por Clara Carvalho e Brian Penido. O espet\u00e1culo esteve em cartaz em 2020, mas foi interrompido por causa da pandemia. Voltou \u00e0 temporada presencial no Teatro Alian\u00e7a Francesa, onde fica at\u00e9 5 de dezembro, com sess\u00f5es sextas e s\u00e1bados, \u00e0s 20h e domingos, \u00e0s 17h.<\/p>\n<p>A pe\u00e7a \u00e9 quase um soneto teatral, com o tempo a modular as muta\u00e7\u00f5es do relacionamento e as mem\u00f3rias das personagens Ela e Ele. As escolhas feitas, as corros\u00f5es do potencial de humanidade e os pontos de incertezas quanto \u00e0s prefer\u00eancias do cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se pode estar totalmente convicto do que vir\u00e1.<\/p>\n<p>Ela reiteradamente pergunta se Ele ainda a ama. Ele l\u00ea jornal, divaga na poesia de WH Auden e faz perguntas reveladoras. Entre as quais, porque sua cama de casal de repente se tornou duas camas de solteiro, ou quantos filhos eles t\u00eam.<\/p>\n<blockquote>\n<h4>Edward Albee venceu tr\u00eas vezes o pr\u00eamio Pulitzer e cinco Tony Awards. Sua obra mais popular <span style=\"color: #999999;\"><strong><em>Quem Tem Medo de Virginia Woolf?<\/em><\/strong> <\/span>teve adapta\u00e7\u00e3o para o cinema em 1966 com Elizabeth Taylor e Richard Burton. No Brasil ele foi encenado algumas vezes: <span style=\"color: #999999;\">Quem Tem Medo de Virginia Woolf?<\/span>, (1965, com Cacilda Becker, Walmor Chagas, Lilian Lemmertz e Fulvio Stefanini; e 2000, Marieta Severo, Marco Nanini, F\u00e1bio Assun\u00e7\u00e3o e Silvia Buarque), <span style=\"color: #999999;\">Tudo no Jardim<\/span> (1969, com S\u00e9rgio Viotti, Sebasti\u00e3o Campos, Dina Lisboa e Maria Della Costa, com dire\u00e7\u00e3o de Fl\u00e1vio Rangel,); <span style=\"color: #999999;\">A Hist\u00f3ria do Zool\u00f3gico<\/span> (2001, com Jo\u00e3o Lima e Rafael Chami\u00e9, dire\u00e7\u00e3o de Yara de Novaes); <span style=\"color: #999999;\">A Cabra Ou Quem \u00c9 Sylvia?<\/span> (2008, com Jos\u00e9 Wilker); <span style=\"color: #999999;\">A Senhora de Dubuque<\/span> (2011, com Karin Rodrigues). Entre outros.<\/h4>\n<\/blockquote>\n<div id=\"attachment_23420\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/tapa-colagem-e1636683371272.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-23420\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-23420\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/tapa-colagem-e1636683371272.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"316\"><\/a><p id=\"caption-attachment-23420\" class=\"wp-caption-text\">O que aconteceu com aquela coisa chamada amor rom\u00e2ntico?&nbsp;<\/p><\/div>\n<p>As personagens de Albee t\u00eam como padr\u00e3o o desafio de se tornarem mais plenamente humanas, isso inclui cometerem atos cru\u00e9is. Ela tenta. Ele tenta.<\/p>\n<p>Paira um clima outonal. A dupla se aproxima dos absurdos, nos jogos de a\u00e7\u00e3o, com ludicidade. \u00c9 como Albee costumava dizer, a habilidade de fazer met\u00e1foras \u00e9 o fiel da humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Duas cadeiras, uma mesinha, um lustre no teto, \u00e0s vezes rosas. E palavras, muitas palavras num jogo agridoce. Dolorosamente engra\u00e7ada, a pe\u00e7a exp\u00f5e esse casal maduro lutando contra a rotina mon\u00f3tona, a demanda de individualidade na confus\u00e3o de conv\u00edvio t\u00e3o estreito.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">As personagens dan\u00e7am, conversam, monologam, falam direto com o p\u00fablico e em algum momento de si mesmas, artistas do Grupo Tapa, que foram casados na vida real. \u00c9 uma indica\u00e7\u00e3o do texto de Albee, esse momento de confiss\u00e3o. Nesta produ\u00e7\u00e3o, os dois atores t\u00eam sessenta e poucos anos. Se aproximam da faixa et\u00e1ria das personagens.<\/p>\n<p><strong><em>De Todas as maneiras que h\u00e1 de amar<\/em> <\/strong>tem uma hora de dura\u00e7\u00e3o e est\u00e1 dividida em cerca de vinte cenas curtas, algumas com apenas segundos de dura\u00e7\u00e3o. Cada uma vibra numa emo\u00e7\u00e3o da trajet\u00f3ria em comum, ou das mem\u00f3rias individuais das grandes mudan\u00e7as no mundo. Eu adoraria que essa produ\u00e7\u00e3o tivesse solu\u00e7\u00f5es diferentes para a liga\u00e7\u00e3o dos quadros, no lugar dos in\u00fameros blackouts. Mas n\u00e3o tenho a menor ideia do que seria.<\/p>\n<p>Enquanto a personagem Ela falava de sua adolesc\u00eancia, dos encontros com os garotos \u2013 todos iguais \u2013 e das fantasias sexuais que ficaram, um raio atravessou as possibilidades de caminhos da minha pr\u00f3pria vida. Os meninos com os quais eu n\u00e3o casei e toda a vida afetiva depois, as profiss\u00f5es que n\u00e3o segui e os fracassos depois. Sofri uma epifania, estou viva.<\/p>\n<p>Clara faz uma Ela luminosa Brian, um Ele desengon\u00e7ado, ambos cativantes em seus pequenos choques e pactos sociais. Os atores exploram bem as nuances da comovente rela\u00e7\u00e3o nas sobras da ilus\u00e3o rom\u00e2ntica, entre expectativas de camisas limpas, rosas murchas e infind\u00e1veis x\u00edcaras de ch\u00e1 .<\/p>\n<p><em>De tudo ficou um pouco<br \/>\nDo meu medo. Do teu asco.<br \/>\nDos gritos gagos. Da rosa<br \/>\nficou um pouco.<\/em><br \/>\npoetizou Carlos Drummond de Andrade em Res\u00edduo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o?! Voc\u00ea ainda <strong>se<\/strong> ama?<\/p>\n<p><strong>De todas as maneiras que h\u00e1 de amar<\/strong><br \/>\n<strong>Ficha T\u00e9cnica<\/strong><br \/>\n<strong>Texto<\/strong>: Edward Albee.<br \/>\n<strong>Tradu\u00e7\u00e3o<\/strong>: Augusto C\u00e9sar.<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o<\/strong>: Eduardo Tolentino de Araujo.<br \/>\n<strong>Elenco<\/strong>: Clara Carvalho e Brian Penido.<br \/>\n<strong>Fotos<\/strong>: Ronaldo Gutierrez.<br \/>\n<strong>Arte Gr\u00e1fica<\/strong>: Mau Machado.<br \/>\n<strong>Assessoria de Imprensa<\/strong>: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes.<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o de Produ\u00e7\u00e3o<\/strong>: Ariel Cannal.<\/p>\n<p><strong>Quando<\/strong>: Sexta e S\u00e1bado \u00e0s 20h, Domingo \u00e0s 17h, at\u00e9 5 de dezembro<br \/>\n<strong>Onde<\/strong>: Teatro Alian\u00e7a Francesa &#8211; Rua General Jardim, 182, S\u00e3o Paulo &#8211; S\u00e3o Paulo.<br \/>\n<strong>Dura\u00e7\u00e3o: <\/strong>60 min.<br \/>\n<strong>Classifica\u00e7\u00e3o<\/strong>: 14 anos.<br \/>\n<strong>Ingresso<\/strong>: entre R$ 30,00 e R$ 60,00 pelo <a href=\"https:\/\/bileto.sympla.com.br\/event\/69389\/d\/111927\">Sympla<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Counting the Ways no original, a pe\u00e7a de 1976 escrita pelo dramaturgo norte-americano Edward Albee (1928-2016), tem seu t\u00edtulo inspirado no poema da inglesa Elizabeth Barrett Browning (\u201cHow do I love thee? 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