{"id":22890,"date":"2021-03-30T10:50:12","date_gmt":"2021-03-30T13:50:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=22890"},"modified":"2021-03-30T10:50:13","modified_gmt":"2021-03-30T13:50:13","slug":"as-duras-linhas-do-diario-de-um-ator-na-pandemia-critica-de-72-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/as-duras-linhas-do-diario-de-um-ator-na-pandemia-critica-de-72-dias\/","title":{"rendered":"As duras linhas do di\u00e1rio de um ator na pandemia <br\/>  Cr\u00edtica de 72 dias"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_22895\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/as-duras-linhas-do-diario-de-um-ator-na-pandemia-critica-de-72-dias\/50982231136_9bd042dd8d_c-2\/\" rel=\"attachment wp-att-22895\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-22895\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-22895\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/50982231136_9bd042dd8d_c-1-e1617055666703.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"334\"><\/a><p id=\"caption-attachment-22895\" class=\"wp-caption-text\">Paulo de Pontes registra cotidiano de um artista em isolamento em 72 dias. Foto: Keity Carvalho<\/p><\/div>\n<p><strong>* A a\u00e7\u00e3o Satisfeita, Yolanda? <\/strong><strong>no Reside Lab \u2013 Plataforma PE <\/strong><strong>tem apoio do Sesc Pernambuco<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Selo_final-e1616114268818.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-22778 alignleft\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Selo_final-e1616114268818.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"131\"><\/a><\/p>\n<p>A mat\u00e9ria da Folha de S. Paulo, publicada neste domingo, 28 de mar\u00e7o de 2021, registra: \u201cO Brasil voltou a bater recorde na m\u00e9dia m\u00f3vel de mortes por Covid neste domingo: 2.598. \u00c9 o maior n\u00famero desde o in\u00edcio da pandemia e um crescimento de 42% se comparado com a \u00faltima semana, o que indica tend\u00eancia de alta nos \u00f3bitos pela doen\u00e7a (&#8230;)\u201d.<\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o esper\u00e1vamos tamanha trag\u00e9dia. Nenhum pesadelo poderia ter previsto essa realidade. Para uma pessoa comum, n\u00e3o os estudiosos ou os infectologistas, ou gente da \u00e1rea, isso nunca passaria pela cabe\u00e7a, que estar\u00edamos vivendo uma pandemia nessas dimens\u00f5es. E, mais ainda, que duraria tanto tempo.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o do ano passado, quando do dia para a noite tudo fechou e pairava uma sensa\u00e7\u00e3o de incerteza e de inseguran\u00e7a diante de um risco que n\u00e3o conhec\u00edamos, fizemos proje\u00e7\u00f5es. Boa parte delas a partir da gravidade da situa\u00e7\u00e3o que acompanh\u00e1vamos pela televis\u00e3o na Europa e na \u00c1sia. Mesmo assim, irreais. No solo<em> 72 dias<\/em>, exibido na programa\u00e7\u00e3o do Reside Lab \u2013 Plataforma PE, o ator Paulo de Pontes conta que imaginou que o isolamento social duraria 15 dias. Um ano depois, o acachapante saldo de mais de 300 mil mortos no Brasil, ilus\u00f5es desfeitas, cen\u00e1rio devastador de guerra. No experimento, como diz o t\u00edtulo, foram 72 dias.<\/p>\n<p>O solo se estrutura como um di\u00e1rio de cria\u00e7\u00e3o gravado por um ator durante este per\u00edodo pand\u00eamico. Na conversa com um amigo do outro lado da tela, ele insiste que n\u00e3o precisa de companhia, que ficaria bem sozinho nas duas semanas que durariam aquela situa\u00e7\u00e3o mais grave. Como muitos de n\u00f3s privilegiados, nos agarramos \u00e0s possibilidades de encontrar coisas boas no meio de tudo aquilo: seria uma chance de parar um pouco, descansar, dedicar-se a atividades que n\u00e3o t\u00ednhamos tempo no cotidiano. Finalmente fazer yoga. Levanta a m\u00e3o quem se identifica! No caso do personagem, montar um espet\u00e1culo solo depois de tantos anos de carreira, de ter se empenhado sem intervalos aos projetos de outras pessoas. A metalinguagem se coloca como recurso de maneira muito fluida, quase intuitiva. Somos n\u00f3s, os espectadores, que estamos ali, aceitando o convite para acompanhar a pe\u00e7a sendo criada em tempo real, quando o pedido por companhia beira o desespero.<\/p>\n<p>O material dramat\u00fargico se apoia praticamente por completo no real e no autobiogr\u00e1fico. Paulo de Pontes \u00e9 um ator com uma carreira longeva e prof\u00edcua, com muitos personagens e projetos em seu repert\u00f3rio. De fato, quando come\u00e7ou a pandemia, ele estava morando no teatro, o espa\u00e7o da Casa Maravilhas, que serviu como cen\u00e1rio para a grava\u00e7\u00e3o. A dramaturgia foi criada em parceria com Quiercles Santana, que tamb\u00e9m assina a dire\u00e7\u00e3o. Virou um mergulho nos sentimentos e nas emo\u00e7\u00f5es cotidianas que foram se modificando ao longo dos dias arrastados do isolamento. Veio o cansa\u00e7o, a solid\u00e3o, o medo, a exaust\u00e3o.<\/p>\n<p>Diante do acirramento da crise, com o material da vida real pulsando, tamb\u00e9m surge a preocupa\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o dos artistas, a necessidade batendo \u00e0 porta, a sobreviv\u00eancia que se instaura como press\u00e3o diariamente. A campanha de demoniza\u00e7\u00e3o dos artistas como uma pol\u00edtica que vem sendo colocada em pr\u00e1tica h\u00e1 alguns anos, mas que agora sobe alguns degraus, fazendo jus e coro \u00e0 necropol\u00edtica implantada por este desgoverno, enfrentada por gente como Paulinho. Gente como os artistas que participaram do Reside. Que continuam se articulando, criando, conversando, resistindo, questionando &#8220;Quem mandou matar Marielle Franco?&#8221;, cansando, mas levantando a cabe\u00e7a no momento seguinte. E n\u00e3o por romantiza\u00e7\u00e3o, ato de bravura ou qualquer coisa que o valha, mas porque n\u00e3o h\u00e1 outra possibilidade. Porque o teatro \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o, faz falta ao corpo, ao esp\u00edrito.<\/p>\n<div id=\"attachment_22896\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/as-duras-linhas-do-diario-de-um-ator-na-pandemia-critica-de-72-dias\/50982231096_1135ea67ed_c\/\" rel=\"attachment wp-att-22896\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-22896\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-22896\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/50982231096_1135ea67ed_c-e1617055805109.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"363\"><\/a><p id=\"caption-attachment-22896\" class=\"wp-caption-text\">Experimento utiliza material biogr\u00e1fico. Foto: Keity Carvalho<\/p><\/div>\n<p>O experimento \u00e9 cru em sua natureza dramat\u00fargica. Escancara o cotidiano de muitos artistas durante a pandemia, que provavelmente passaram por situa\u00e7\u00f5es semelhantes. Mas essa dureza tamb\u00e9m nos afasta em certa medida, porque \u00e9 uma realidade que j\u00e1 nos \u00e9 muito pr\u00f3xima, que est\u00e1 em nossas pr\u00f3prias casas. Criado no calor do momento, o experimento ainda carrega uma car\u00eancia de elabora\u00e7\u00e3o po\u00e9tica, talvez sem\u00e2ntica, talvez em sua capacidade de abstra\u00e7\u00e3o. Faz falta transcender o cotidiano ou ser capaz de promover conex\u00f5es que n\u00e3o se atenham s\u00f3 aos fatos mais \u00f3bvios, mas se desprendam, possam ir al\u00e9m.<\/p>\n<p>Neste jogo, Paulo de Pontes \u00e9 um ator com estofo, que agarra a nossa aten\u00e7\u00e3o em <em>72 dias<\/em> sem nos permitir dispersar. As precariedades nessa experimenta\u00e7\u00e3o da linguagem do audiovisual, no isolamento imposto por uma pandemia, s\u00e3o incorporadas \u00e0 dimens\u00e3o processual do trabalho e fazem sentido, inclusive na condu\u00e7\u00e3o da dramaturgia. Afinal, trata-se de um ator que est\u00e1 se virando sozinho, como a grande maioria, para continuar criando, para n\u00e3o perder os la\u00e7os com alguma dimens\u00e3o de realidade. Para n\u00e3o perder a oportunidade da dimens\u00e3o da cura que o teatro nos proporciona a cada novo mergulho. Em <em>72 dias<\/em>, o teatro pulsa como necessidade, como linguagem que corre nas veias, que escorre pela c\u00e2mera. Corte seco e direto.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>Ficha t\u00e9cnica:<\/strong><\/span><br \/>\n<strong>Dramaturgia:<\/strong> Paulo de Pontes e Quiercles Santana<br \/>\n<strong>Diretor:<\/strong> Quiercles Santana<br \/>\n<strong>Atua\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o geral:<\/strong> Paulo de Pontes<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o de arte:<\/strong> C\u00e9lio Pontes<br \/>\n<strong>M\u00fasicas:<\/strong> Sonic J\u00fanior<br \/>\n<strong>T\u00e9cnico de som, luz e v\u00eddeo:<\/strong> Fernando Cal\u00e1bria<br \/>\n<strong>Streamer:<\/strong> M\u00e1rcio Fecher<br \/>\n<strong>Produ\u00e7\u00e3o executiva:<\/strong> M\u00e1rcia Cruz<br \/>\n<strong>Fotos:<\/strong> Keity Carvalho<br \/>\n<strong>Realiza\u00e7\u00e3o:<\/strong> Pontes Culturais e Cia Maravilhas de Teatro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* A a\u00e7\u00e3o Satisfeita, Yolanda? no Reside Lab \u2013 Plataforma PE tem apoio do Sesc Pernambuco A mat\u00e9ria da Folha de S. 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