{"id":21414,"date":"2020-05-06T21:42:48","date_gmt":"2020-05-07T00:42:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=21414"},"modified":"2020-05-07T11:17:22","modified_gmt":"2020-05-07T14:17:22","slug":"animo-para-artistas-da-cena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/animo-para-artistas-da-cena\/","title":{"rendered":"Edital de emerg\u00eancia confere \u00e2nimo para artistas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_21438\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-21438\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-21438\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/colagem-ita\u00fa-e1588799826686.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><p id=\"caption-attachment-21438\" class=\"wp-caption-text\">Alguns selecionados do edital Arte como respiro: m\u00faltiplos editais de emerg\u00eancia: Herminia Mendes, PE (foto: Rog\u00e9rio Alves); J\u00e9ssica Teixeira, CE (Reprodu\u00e7\u00e3o do FB); N\u00facleo Bartolomeu de Depoimento, SP (foto: Divulga\u00e7\u00e3o); Clowns de Shakespeare, RN (foto: Bruno Soares): Maikon K, PR (foto: reprodu\u00e7\u00e3o do FB)<\/p><\/div>\n<p>O n\u00famero de inscritos no edital Arte como Respiro: m\u00faltiplos editais de emerg\u00eancia &#8211; Artes C\u00eanicas, do Ita\u00fa Cultural, nos oferece uma dimens\u00e3o da crise no setor cultural diante da paralisa\u00e7\u00e3o das atividades relacionadas \u00e0 \u00e1rea. Entre os dias 6 e 10 de abril, na busca por sobreviv\u00eancia, mais de 7.200 propostas foram recebidas.<\/p>\n<p>Dessas, o instituto escolheu 200, 80 a mais do que estava previsto. A grande maioria dos projetos &#8211; 158 &#8211; j\u00e1 foram ou ser\u00e3o produzidos neste per\u00edodo de quarentena; outros 42 s\u00e3o grava\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias ao isolamento.<\/p>\n<p>No Nordeste, 37 propostas foram selecionadas, sendo dez de Pernambuco. Uma delas \u00e9 da atriz e diretora Herm\u00ednia Mendes, que escrutina os sintomas dessa \u00e9poca atrav\u00e9s de janelas poss\u00edveis, inclusive dos aplicativos da Internet. <em>Poesia Perform\u00e1tica \u2013 Peda\u00e7os<\/em> questiona perspectivas de olhares e cria paralelos dos retalhos de gentes e coisas, deixando rastros, as mortalidades pelos cantos, cabelos pela casa, unhas cortadas, os len\u00e7\u00f3is amarfanhados, escritos na parede, o reflexo no espelho.&nbsp;<\/p>\n<p><em>Onde est\u00e1 todo mundo?<\/em> \u00e9 a proposta de montagem de um &#8220;espet\u00e1culo virtual&#8221; do Coletivo Angu de Teatro, do Recife, com texto in\u00e9dito de Marcelino Freire. A encena\u00e7\u00e3o ser\u00e1 dirigida virtualmente por Marcondes Lima, que est\u00e1 morando em Portugal. Os atores Andr\u00e9 Brasileiro, Gheuza Sena, Ivo Barreto, Luis Cao, Lilli Rocha e o pr\u00f3prio Marcondes atuam de suas casas, utilizando como cenografia, figurino e maquiagem o material de que disp\u00f5em neste momento. O trabalho dos atores vai ser gravado e depois editado por Tadeu Gondim.<\/p>\n<p>A proposta \u00e9 exibir uma &#8220;Live farsesca&#8221;, que n\u00e3o ocorre, porque ningu\u00e9m chega para o programa, nem o autor Marcelino Freire, nem seus personagens. O trabalho brinda uma parceria exitosa entre autor e grupo no ano em que o livro <em>Angu de Sangue<\/em> completa 20 anos de lan\u00e7amento \u2013 sendo<em> Angu de Sangue<\/em> o primeiro espet\u00e1culo do Coletivo Angu e que deu nome ao bando.<\/p>\n<p><em>Op\u00e1, Uma Miss\u00e3o<\/em>, \u00e9 um mon\u00f3logo da atriz e diretora L\u00edvia Falc\u00e3o, que convocou para essa investiga\u00e7\u00e3o art\u00edstica sua Palha\u00e7a Zanoia, uma benzedeira, descendente direta da xam\u00e3 mais velha, de terras distantes, que j\u00e1 foi lugar de abund\u00e2ncias e milagres. Para encontrar a d\u00e1diva-diamante escondida em seu corpo, Zanoia carrega por miss\u00e3o das antepassadas a de rir de si mesma nas &#8216;sete dire\u00e7\u00f5es&#8217;: Leste, Oeste, Norte, Sul, Acima, Abaixo e Dentro. \u00c9 uma cria\u00e7\u00e3o coletiva, de L\u00edvia, de Silvia G\u00f3es e Andrea Macera, que agora aceita o desafio de seguir virtualmente durante o isolamento.<\/p>\n<p>No Cear\u00e1, um dos projetos escolhidos \u00e9 da atriz, produtora e diretora cearense J\u00e9ssica Teixeira, que traz para o debate o seguinte questionamento: &#8220;Ser artista solo mulher e com defici\u00eancia no Brasil antes e durante o isolamento. E depois?&#8221;.&nbsp; Sua investiga\u00e7\u00e3o pessoal atua no seu pr\u00f3prio corpo estranho, numa pesquisa sobre &#8220;Corpo Imposs\u00edvel&#8221;, mola propulsora para a cria\u00e7\u00e3o do seu primeiro solo <em>&#8220;E.L.A&#8221;<\/em>. Nesse trabalho, que fez temporada no Sesc Pompeia, em S\u00e3o Paulo, no ano passado, e agora vai estar dispon\u00edvel online, a artista desestabiliza e potencializa outros corpos e olhares. A pe\u00e7a investe em quest\u00f5es como beleza, sa\u00fade, pol\u00edtica, feminilidade e acessibilidade, utilizando v\u00eddeo, artes pl\u00e1sticas e dramaturgia atrav\u00e9s de colagens e textos autobiogr\u00e1ficos que refletem acerca da aceita\u00e7\u00e3o e do nosso lugar no mundo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/corpo-estranho-lirico-e-politico-critica-do-espetaculo-e-l-a\/\"><strong>Confira a cr\u00edtica do espet\u00e1culo <em>&#8220;E.L.A&#8221;<\/em><\/strong><\/a><\/p>\n<p>Um dos projetos aprovados no Rio Grande do Norte \u00e9 do grupo Clowns de Shakespeare. A atual circunst\u00e2ncia de confinamento social imposta pela pandemia do COVID-19 confere \u00e0 fic\u00e7\u00e3o fant\u00e1stica <em>Abrazo<\/em> uma curiosa concretude. Imagine um lugar onde est\u00e3o proibidos os abra\u00e7os? H\u00e1 tr\u00eas meses essa ideia s\u00f3 poderia ser encarada como ditatorial. A proposta da montagem era justamente essa: uma obra sem palavra, v\u00e1rias reflex\u00f5es sobre repress\u00f5es e cerceamento de liberdade. O espet\u00e1culo infanto-juvenil <em>Abrazos<\/em> \u2013 inspirado em <em>O Livro dos Abra\u00e7os<\/em>, de Eduardo Galeano \u2013 foi<strong><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/caixa-cultural-recife-agente-da-censura\/\"> censurado<\/a><\/strong> na temporada na Caixa Cultural em Pernambuco, em 2019.<\/p>\n<p>O v\u00eddeo da encena\u00e7\u00e3o ser\u00e1 disponibilizado online na \u00edntegra, acompanhado de uma a\u00e7\u00e3o de desdobramento a partir de tr\u00eas pontos de vista: do grupo, do p\u00fablico e de convidados. Essas repercuss\u00f5es podem chegar no formato de textos (dram\u00e1tico, po\u00e9tico ou em prosa), v\u00eddeo ou can\u00e7\u00f5es, propondo uma atualiza\u00e7\u00e3o da provoca\u00e7\u00e3o de <em>Abrazo<\/em>. O grupo tamb\u00e9m vai instigar o p\u00fablico a enviar material para os Clowns. Alguns parceiros, como Eduardo Moreira (Grupo Galp\u00e3o\/MG), Maurice Durozier (Th\u00e9\u00e2tre du Soleil\/Fran\u00e7a), Ana Correa (Yuyachkani\/Peru), e outros, participam da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Sul, 19 projetos ser\u00e3o apoiados. Um deles \u00e9 do artista da performance, Maikon K, que vive em Curitiba, e pesquisa formas de expans\u00e3o da consci\u00eancia, tendo o corpo e sua capacidade de alterar percep\u00e7\u00f5es como centro. O trabalho <em>Proteja-se (Medita\u00e7\u00e3o)<\/em> \u00e9 o um registro de uma performance curta, feita com o celular, com cerca de 4&#8217;30\u2019. Maikon K prop\u00f5e uma a\u00e7\u00e3o de limite e resist\u00eancia, ao vestir um preservativo na sua cabe\u00e7a, respirando at\u00e9 que o l\u00e1tex se rompa. Com o trabalho, o artista fricciona tempo atual em meio \u00e0 solid\u00e3o, necessidade de proteger-se do mundo exterior e do contato com outrxs, a ang\u00fastia, o sufocamento, a persist\u00eancia, a busca por sobreviv\u00eancia e f\u00f4lego.<\/p>\n<p>Da regi\u00e3o Sudeste, 126 projetos foram aprovados, sendo 82 de S\u00e3o Paulo, estado com o maior n\u00famero de selecionados no pa\u00eds. Um deles \u00e9 do N\u00facleo Bartolomeu de Depoimentos, que avan\u00e7a nas proposi\u00e7\u00f5es do espet\u00e1culo <em>Terror e Mis\u00e9ria no Terceiro Mil\u00eanio &#8211; Improvisando Utopias<\/em>. Na pe\u00e7a, nove atores e dois DJs ensaiam confinados em um teatro. O debate deriva da dramaturgia de Bertolt Brecht para aventar a fal\u00eancia contempor\u00e2nea. Novas quest\u00f5es foram colocadas com o advento da pandemia. Inspirada nas ideias do fil\u00f3sofo camaron\u00eas Achille Mbembe, o grupo desafia o neoliberalismo\/ necroliberalismo como sistema que sempre operou com um aparato de ca\u0301lculo, e agora exp\u00f5e outra face ainda mais terr\u00edvel: o que \u00e9 mais importante a economia ou a vida? A necropol\u00edtica segue operando de maneira global para decidir quem tem direito \u00e0 vida.&nbsp;<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/nucleo-bartolomeu-desafia-o-fascismo\/\">Confira mat\u00e9ria sobre Terror e Mis\u00e9ria no Terceiro Mil\u00eanio &#8211; Improvisando Utopias.<\/a><\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_21437\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-21437\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-21437\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Galiana-Brasil_foto-Andr\u00e9-Seiti-e1588799402540.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><p id=\"caption-attachment-21437\" class=\"wp-caption-text\">Galiana Brasil. foto Andr\u00e9 Seiti \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p><strong>ENTREVISTA \/\/ GALIANA BRASIL, gestora de Artes C\u00eanicas do Ita\u00fa Cultural<\/strong><\/p>\n<p><strong>Primeiramente acredito que os artistas reconhecem o esfor\u00e7o do <em>Arte como respiro: m\u00faltiplos editais de emerg\u00eancia<\/em>, mas de que forma o instituto pretende avan\u00e7ar no apoio aos artistas durante o per\u00edodo de pandemia da Covid-19?<\/strong><br \/>\nPenso que as a\u00e7\u00f5es de apoio come\u00e7aram ainda antes do edital, com a decis\u00e3o de manter pagamentos de cach\u00eas de todos os grupos e artistas que tinham agenda confirmada para apresenta\u00e7\u00e3o neste semestre, para que pudessem contar com esse respiro financeiro com compromisso de mais adiante, a partir do segundo semestre, acomodarmos nova agenda de programa\u00e7\u00e3o. Passado o edital \u2013 ou em paralelo \u00e0 execu\u00e7\u00e3o dos trabalhos selecionados, ainda faremos curadorias, convites e manteremos programa\u00e7\u00e3o no site e plataformas parceiras.<\/p>\n<p><strong>Foram mais de 7,2 mil inscri\u00e7\u00f5es de todo o pa\u00eds, sendo selecionados 200 trabalhos de 25 estados. Que an\u00e1lise \u00e9 poss\u00edvel fazer desses n\u00fameros? Sobre pol\u00edticas culturais no Brasil? Sobre a atua\u00e7\u00e3o do Ita\u00fa Cultural?&nbsp;<\/strong><br \/>\nOlha, eu penso que j\u00e1 havia uma crise instaurada antes, pr\u00e9-pandemia, e esse estado agora&nbsp; sangrou mais vivamente um setor que j\u00e1 vinha sofrendo com a aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas, de interrup\u00e7\u00f5es e falta de continuidade de projetos, or\u00e7amento incerto e precarizado e tantos ataques que maculam a no\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica p\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>Quais os crit\u00e9rios foram adotados para escolher esses selecionados?<\/strong><br \/>\nO edital foi concebido em dois eixos. No primeiro, que permitia inscri\u00e7\u00e3o de trabalhos produzidos antes da pandemia, t\u00ednhamos um \u00fanico requisito de partida que era uma solicita\u00e7\u00e3o para que o artista olhasse para essa obra \u201cantiga\u201d e propusesse algo que pudesse refletir no tempo presente, na forma que tivessem melhor condi\u00e7\u00e3o de fazer \u2013 um texto cr\u00edtico, uma reflex\u00e3o, um bate-papo com os criadores que poderia ser atrav\u00e9s de live \u2013 achamos importante essa inser\u00e7\u00e3o porque subir um v\u00eddeo de um trabalho feito l\u00e1 atr\u00e1s &#8211; registro filmado de espet\u00e1culo &#8211; \u00e9 algo bem menos complexo do que conceber e se desafiar a criar algo em situa\u00e7\u00e3o de isolamento, com os recursos e possibilidades que se tenha, como foi o eixo segundo do edital. Afora esse crit\u00e9rio mais objetivo que aplicamos no eixo 1, para ambos os eixos consideramos a relev\u00e2ncia da proposta para o momento, a capacidade de comunica\u00e7\u00e3o com diferentes p\u00fablicos, o hist\u00f3rico do grupo\/artista e sua rela\u00e7\u00e3o com aquele segmento.<\/p>\n<p><strong>O que podemos entender como \u201campla representatividade\u201d do resultado?<\/strong><br \/>\nA diversidade de territ\u00f3rios, de segmentos nas linguagens. De termos contemplado trabalhos de performance, teatro de anima\u00e7\u00e3o, dan\u00e7a e teatro para crian\u00e7as. O fato de termos artistas com corpos desviantes, LGBTs, em especial trabalhos com protagonismo de artistas trans, artistas com defici\u00eancia, proponentes ind\u00edgenas, trabalhos de cultura popular \u2013 mamulengo, maracatu -, trabalhos vindos de favelas, zona rural, agreste, circo tradicional. Os trabalhos de int\u00e9rpretes e coletivos negros com for\u00e7a de n\u00famero e conte\u00fado. Essa tentativa real de interferirmos nas assimetrias que ainda parece t\u00edmida nos n\u00fameros finais, mas que sabemos que \u00e9 uma batalha frente \u00e0s for\u00e7as hegem\u00f4nicas de s\u00e9culos, basta considerar, apenas no quesito regionalidade, que mais de 64% dos inscritos foram da regi\u00e3o Sudeste.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00eas est\u00e3o trabalhando no Ita\u00fa Cultural durante esse per\u00edodo de quarentena?<\/strong><br \/>\nEstamos trabalhando remotamente tanto quanto intensamente, desde uns dias antes do an\u00fancio oficial de isolamento aqui em S\u00e3o Paulo. Estamos tamb\u00e9m em articula\u00e7\u00e3o com grupos, artistas, veiculando e programando diversos projetos no nosso site, que tem sido palco virtual de todas as linguagens art\u00edsticas. Apenas alguns exemplos das Artes C\u00eanicas, encerramos recentemente as inscri\u00e7\u00f5es para a EAD <em>Dramaturgia Negra \u2013 A Palavra Viva<\/em>, com a professora Dione Carlos e, a partir de s\u00e1bado (dia 9), estrearemos a s\u00e9rie virtual \u201cCamarim em Cena\u201d, sendo este primeiro programa com a atriz Maria Alice Vergueiro.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 existe uma agenda para a exibi\u00e7\u00e3o dos projetos selecionados? Ser\u00e3o divididos por blocos? Quais ser\u00e3o as categoriza\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nEstamos trabalhando justamente nessa acomoda\u00e7\u00e3o, nesse momento p\u00f3s an\u00fancio dos selecionados. Em breve teremos essas informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea consegue vislumbrar a\u00e7\u00f5es (articula\u00e7\u00f5es, pensamentos), dentro ou fora do instituto, do que fazer para que os artistas, nesta realidade de capitalismo, n\u00e3o fiquem t\u00e3o vulner\u00e1veis economicamente, como a maioria vive agora?<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 a pergunta mais dif\u00edcil de ser respondida, Yolandas. A pessoa que vos fala tamb\u00e9m nunca viveu algo assim e, porque humana, tamb\u00e9m se sente vulner\u00e1vel e sente medo. Desde que come\u00e7ou o isolamento trabalhamos intensamente na busca de formas de apoio e rede de prote\u00e7\u00e3o para o setor, que n\u00e3o se encerrar\u00e1 na cria\u00e7\u00e3o de um edital, at\u00e9 porque a situa\u00e7\u00e3o parece longe de suavizar. Vamos combinar que, se a ideia \u00e9 despertar a esp\u00e9cie, vemos que ainda tem muita gente dormindo ou num estado de nem uma coisa nem outra, o que \u00e9 um tanto pior. Penso que precisaremos rever pensamentos de base (que tem a ver com tua pr\u00f3xima pergunta), e isso vale para toda a cadeia \u2013 do artista ao gestor. \u00c9 nesse ponto que estamos agora, e isso \u00e9 mais dif\u00edcil porque n\u00e3o h\u00e1 distanciamento, ent\u00e3o a tend\u00eancia \u00e9 encarar o momento com os instrumentos do \u201cantes\u201d. Por\u00e9m, certamente, eles parecer\u00e3o insuficientes, ent\u00e3o precisaremos de novos significados para apoio, aporte, parceria&#8230; eu n\u00e3o tenho essas respostas, mas outras tantas d\u00favidas, eu tenho problemas e eles s\u00e3o motor para quem pesquisa, ent\u00e3o vamos juntes criar formas para nos conectarmos com esse devir.<\/p>\n<p><strong>A discuss\u00e3o do momento \u00e9 se o material que circula online por artista da cena, performance, pode ser considerado teatro. Se realmente existe teatro sem presen\u00e7a, sem o compartilhamento do tempo que arde no calor da hora entre artistas e p\u00fablico. O que voc\u00ea pensa sobre isso?<\/strong><br \/>\nAcho a discuss\u00e3o pertinente, e n\u00e3o apenas pelo momento, mas, considerando a origem e natureza do teatro que \u00e9 sim arte do encontro, da presen\u00e7a. Tal tensionamento, inclusive, n\u00e3o tem nada de novo, por\u00e9m, a chegada desse v\u00edrus, forma de cont\u00e1gio e suas consequ\u00eancias trazem um car\u00e1ter de imposi\u00e7\u00e3o, de urg\u00eancia que sim, nos atravessa como algo inaugural. E penso que vai ser interessante \u2013 ou condicionante -, deslocar esse desconforto e tentar \u201cencarn\u00e1-lo\u201d em formas de fazer, porque o horizonte pr\u00f3ximo sugere a cria\u00e7\u00e3o de novos protocolos para conviv\u00eancia. Particularmente n\u00e3o estou pronta para imaginar uma exist\u00eancia sem encontro, mas preciso estar preparada \u2013 e mesmo motivada \u2013 a ampliar essa no\u00e7\u00e3o de encontro, o que talvez seja chave importante para acessar essa nova dimens\u00e3o de nossa exist\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de inscritos no edital Arte como Respiro: m\u00faltiplos editais de emerg\u00eancia &#8211; Artes C\u00eanicas, do Ita\u00fa Cultural, nos oferece uma dimens\u00e3o da crise no setor cultural diante da paralisa\u00e7\u00e3o das atividades relacionadas \u00e0 \u00e1rea. Entre os dias 6 e 10 de abril, na busca por sobreviv\u00eancia, mais de 7.200 propostas foram recebidas. 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