{"id":21130,"date":"2019-10-09T16:17:39","date_gmt":"2019-10-09T19:17:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=21130"},"modified":"2019-10-09T16:17:39","modified_gmt":"2019-10-09T19:17:39","slug":"justeza-da-furia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/justeza-da-furia\/","title":{"rendered":"Justeza da F\u00faria"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_21135\" style=\"width: 635px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-21135\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-21135 size-large\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/FURIA_Lia-Rodrigues_\u00a9Sammi-Landweer-7147-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"625\" height=\"417\"><p id=\"caption-attachment-21135\" class=\"wp-caption-text\">A mais recente pe\u00e7a da core\u00f3grafa Lia Rodrigues transforma o palco num mundo de f(r)ic\u00e7\u00e3o em constante mudan\u00e7a. <strong>F\u00faria<\/strong> desloca-se nas fronteiras entre dan\u00e7a, performance, instala\u00e7\u00e3o e ritual, mirando tanto o imagin\u00e1rio como a consci\u00eancia do espectador. Foto: Sammi Landweer \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_21131\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-21131\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-21131 size-full\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/FURIA_Lia-Rodrigues_\u00a9Sammi-Landweer-4304-net-e1570640091148.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><p id=\"caption-attachment-21131\" class=\"wp-caption-text\">Os corpos de nove bailarinxs da companhia (Leonardo Nunes, Felipe Vian, Clara Cavalcante, Carolina Repetto, Valentina Fittipaldi, Andrey Silva, Karoll Silva, Larissa Lima e Ricardo Xavier) tra\u00e7am&nbsp; formas em meio \u00e0s roupas, sacos pl\u00e1sticos, sobras, em uma mistura de estruturas, cores e texturas. Foto: Sammi Landweer \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_21132\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-21132\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-21132 size-full\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/furia_lia-rodrigues_-c-sammi-landweer-8-231kb--e1570640161749.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><p id=\"caption-attachment-21132\" class=\"wp-caption-text\">Em <strong>F\u00faria<\/strong>, um mundo povoado de imagens de dor, beleza, viol\u00eancia, opress\u00e3o e liberdade se constr\u00f3i e se desmancha sem tr\u00e9gua, diante dos olhos da plateia. Foto: Sammi Landweer \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_21134\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-21134\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-21134\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/FURIA_Lia-Rodrigues_\u00a9Sammi-Landweer-3896-net-e1570640283344.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><p id=\"caption-attachment-21134\" class=\"wp-caption-text\">Um trecho de uma m\u00fasica tradicional dos povos ind\u00edgenas Kanak, da Nova Caled\u00f4nia, repetido infinitamente, acompanha grande parte da performance. Foto: Sammi Landweer \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Mis\u00e9ria, fome, escravid\u00e3o. Sabotagem, estupro, nega\u00e7\u00e3o. Tortura, drogas, crimes. Corpos dominados. Revolta. A trupe de Lia Rodrigues acusa a brutalidade da sociedade brasileira no espet\u00e1culo <em><strong>F\u00faria<\/strong><\/em>. A companhia da core\u00f3grafa est\u00e1 situada na Favela da Mar\u00e9, no Rio de Janeiro e o lugar de fala \u00e9 imprescind\u00edvel, no caso, para valorizar o engajamento. &nbsp;A favela, entendida por extens\u00e3o dos bairros negros e mais pobres a seus cidad\u00e3os desrespeitados em seus direitos civis e constitucionais.<\/p>\n<p><em><strong>F\u00faria<\/strong> <\/em>estreou em novembro de 2018 em parceria com o Festival de Outono de Paris no Th\u00e9\u00e2tre National de Chaillot (Paris) e no teatro Le Cenqquatre (Paris). &nbsp;A pe\u00e7a j\u00e1 passou por sete pa\u00edses, 16 cidades, em mais de 40 apresenta\u00e7\u00f5es, inclusive pelo Festival de Curitiba em mar\u00e7o. Fica em cartaz no Sesc Consola\u00e7\u00e3o, em S\u00e3o Paulo, de 10 de outubro at\u00e9 o dia 27 deste m\u00eas.<\/p>\n<p>A obra \u00e9 o 20\u00ba trabalho da Lia Rodrigues Cia de Dan\u00e7as e o nono ap\u00f3s a parceria do grupo com a Redes da Mar\u00e9, uma OSCIP (Organiza\u00e7\u00f5es da Sociedade Civil de Interesse P\u00fablico) criada e dirigida por moradores e ex-moradores da Mar\u00e9, que busca criar e executar projetos de impacto na trajet\u00f3ria dos moradores de \u00e1reas perif\u00e9ricas.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo <em><strong>F\u00faria<\/strong> <\/em>reflete bem a situa\u00e7\u00e3o do Brasil atual. Sentimento de perplexidade e indigna\u00e7\u00e3o. A opress\u00e3o escancarada. A inseguran\u00e7a est\u00e1 em toda parte e virou &#8220;lei&#8221; mais conhecida pelas pessoas comuns, amea\u00e7adas em suas vidas constantemente. &nbsp;No Brasil, um jovem negro \u00e9 assassinado a cada meia hora. Isso \u00e9 a barb\u00e1rie. Preservar a exist\u00eancia a qualquer custo&nbsp; \u00e9 o objetivo de muitas criaturas amea\u00e7adas,&nbsp; inclusive pelo poder do estado.<\/p>\n<p>No espet\u00e1culo, uma massa disforme de resqu\u00edcios coloridos toma forma de prociss\u00e3o de seres humilhados. Algo ganha for\u00e7a para um ataque r\u00edtmico. Muito do que \u00e9 assustador nas rea\u00e7\u00f5es humanas. Uma galeria de personagens onde o grotesco e o que j\u00e1 chamaram de beleza expressam o horror em suas cenas.<\/p>\n<p>A core\u00f3grafa brasileira luta h\u00e1 quarenta anos contra a discrimina\u00e7\u00e3o. Reflete desta vez sobre a viol\u00eancia no Brasil e trabalha a quest\u00e3o da alteridade, investiga as rela\u00e7\u00f5es de poder, lan\u00e7a luz sobre o contexto de acirramento e polariza\u00e7\u00e3o, destaca que muitas f\u00farias s\u00e3o atravessadas nos territ\u00f3rios em que pol\u00edcia invade favelas atirando de helic\u00f3pteros e matando at\u00e9 crian\u00e7as. &nbsp;H\u00e1 imagens de gente baleada, de rainha africana, de escravo arrastado. H\u00e1 puls\u00f5es do pensamento de escritoras negras como Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, Djamila Ribeiro e Sueli Carneiro, de livros que pensam as conex\u00f5es entre racismo e capitalismo como <em>Cr\u00edtica da raz\u00e3o negra<\/em>, de Achille Mbembe.<\/p>\n<p>No pa\u00eds onde um autocrata foi eleito (n\u00e3o por mim: #elen\u00e3o), a odiosidade \u00e9 projetada no espa\u00e7o dos notici\u00e1rios, \u00e9 mat\u00e9ria-prima das pol\u00edticas p\u00fablicas claramente de exterm\u00ednio; est\u00e1 presente nas declara\u00e7\u00f5es desprez\u00edveis de pol\u00edticos que envergonham a democracia e comprometem o presente e o futuro do pa\u00eds.<\/p>\n<p><em><strong>F\u00faria<\/strong> <\/em>tra\u00e7a uma confiss\u00e3o sucessiva da domina\u00e7\u00e3o de um corpo (social ou individual) sobre o outro. A exclus\u00e3o social gerou imagens duras, perturbadoras e violentas no palco. N\u00e3o nos esque\u00e7amos que a sordidez \u00e9 maior na real.<\/p>\n<h3>Servi\u00e7o<\/h3>\n<p><strong><em>F\u00faria<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Cria\u00e7\u00e3o<\/strong>: Lia Rodrigues<br \/>\n<strong>Assistente de cria\u00e7\u00e3o<\/strong>: Am\u00e1lia Lima<br \/>\n<strong>Dan\u00e7ado e criado em estreita colabora\u00e7\u00e3o com<\/strong>: Leonardo Nunes, Felipe Vian, Clara Cavalcante, Carolina Repetto, Valentina Fittipaldi, Andrey Silva, Karoll Silva, Larissa Lima, Ricardo Xavier.<br \/>\n<strong>Dramaturgia<\/strong>: Silvia Soter<br \/>\n<strong>Colabora\u00e7\u00e3o art\u00edstica e imagens<\/strong>: Sammi Landweer<br \/>\n<strong>Cria\u00e7\u00e3o de Luz<\/strong>: Nicolas Boudier<br \/>\n<strong>Produ\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o internacional<\/strong>: Th\u00e9r\u00e8se Barbanel\/Colette de Turville<br \/>\n<strong>Secret\u00e1ria<\/strong>: Gl\u00f3ria Laureano<br \/>\n<strong>Professoras<\/strong>: Am\u00e1lia Lima, Sylvia Barreto<br \/>\n<strong>Produ\u00e7\u00e3o Brasil<\/strong>: Corpo Rastreado \/ Gabi Gon\u00e7alves<br \/>\n<strong>Coprodu\u00e7\u00e3o<\/strong>: Chaillot \u2013 Th\u00e9\u00e2tre national de la Danse, CENTQUATRE-Paris, Fondation d\u2019entreprise Herm\u00e8s dans le cadre de son programme New Settings, Festival d\u2019Automne de Paris, MA sc\u00e8ne- nationale, Pays de Montb\u00e9liard, Les Hivernales &#8211; CDNC (Fran\u00e7a); K\u00fcnstlerhaus Mousonturm Frankfurt am Main, Festival Frankfurter Position 2019 \u2013BHF-Bank-Stiftung, Theater Freiburg, Muffatwerk\/Munique (Alemanha); Kunstenfestivaldesarts, Bruxelas (B\u00e9lgica); Teatro Municipal do Porto, Festival DDD &#8211; dias de dan\u00e7a (Portugal).<br \/>\nRealiza\u00e7\u00e3o: Sesc SP<br \/>\n<strong>Idealiza\u00e7\u00e3o<\/strong>: Lia Rodrigues Companhia de Dan\u00e7as com o apoio da Redes da Mar\u00e9 e do Centro de Artes da Mar\u00e9<br \/>\nLia Rodrigues \u00e9 artista associada ao Chaillot-Th\u00e9\u00e2tre national de la Danse e ao CENTQUATRE, Fran\u00e7a.<br \/>\n<strong>Agradecimentos<\/strong>: Zeca Assump\u00e7\u00e3o, In\u00eas Assump\u00e7\u00e3o, Alexandre Seabra, Mendel Landweer, Jacques Segueilla, equipe do Centro de Artes da Mar\u00e9 e da Redes da Mar\u00e9.<\/p>\n<p><strong>SERVI\u00c7O<\/strong><br \/>\n<em>F\u00faria<\/em><br \/>\nLia Rodrigues Companhia de Dan\u00e7as<br \/>\n<strong>Quando<\/strong>: 10 a 27 de outubro de 2019; quintas, sextas e s\u00e1bados \u00e0s 21h; domingos \u00e0s 18h<br \/>\n<strong>Onde<\/strong>: Teatro Anchieta (280 lugares) &#8211; Rua Doutor Vila Nova, 245, S\u00e3o Paulo &#8211; SP<br \/>\n<strong>Dura\u00e7\u00e3o<\/strong>: 70 minutos | N\u00e3o recomendado para menores de 18 anos<br \/>\n<strong>Ingresso<\/strong>: R$ 12,00 (trabalhador do com\u00e9rcio de bens, servi\u00e7os e turismo matriculados no Sesc e dependentes\/Credencial Plena) | R$ 20 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com defici\u00eancia, estudante e servidor de escola p\u00fablica com comprovante) | R$ 40,00 (inteira).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mis\u00e9ria, fome, escravid\u00e3o. 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