{"id":20493,"date":"2019-05-03T23:58:31","date_gmt":"2019-05-04T02:58:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=20493"},"modified":"2019-05-05T01:38:21","modified_gmt":"2019-05-05T04:38:21","slug":"magiluth-vasculha-politica-nos-lacos-afetivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/magiluth-vasculha-politica-nos-lacos-afetivos\/","title":{"rendered":"Magiluth vasculha pol\u00edtica nos la\u00e7os afetivos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_20507\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-20507\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-20507\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/F34A9795-1-e1556810558758.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><p id=\"caption-attachment-20507\" class=\"wp-caption-text\">Apenas o Fim do Mundo, com o Grupo Magiluth, estreou no Sesc Avenida Paulista e celebra os 15 anos da trupe. Fotos: Cac\u00e1 Bernardes \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_20509\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-20509\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-20509\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/F34A9937-e1556811394399.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"258\"><p id=\"caption-attachment-20509\" class=\"wp-caption-text\">A a\u00e7\u00e3o se passa num domingo<\/p><\/div>\n<p>Dormi, e sonhei, envolta nas pulsa\u00e7\u00f5es de <strong><em>Apenas o Fim do Mundo<\/em><\/strong>, espet\u00e1culo do Grupo Magiluth, a partir do texto<em> Juste la Fin du Monde<\/em>, do franc\u00eas Jean-Luc Lagarce. Esses sonhos atravessados por pesadelos sinistros ocorreram ontem, semana passada ou durante todo o ano. As irrup\u00e7\u00f5es temporais embaralham essa narrativa complexa e prop\u00f5e uma experi\u00eancia rica de sensa\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o, na mem\u00f3ria, na fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O amor em sua plenitude, o que inclui camadas feias, deterioradas, todas as vulnerabilidades desse sentimento &#8211; que n\u00e3o cabe em si e por isso mesmo precisa do outro para circular \u2013 ronda a tem\u00e1tica dessa pe\u00e7a. \u00c9 uma montagem dura e terna, libertadora, mas dolorida. E nos empurra a um mergulho profundo para enxergar os rastros, os reflexos, os sinais que imprimimos nos mais chegados. \u00c9 assustador o que as palavras e os sil\u00eancios podem causar.<\/p>\n<p><strong><em>Apenas o Fim do Mundo<\/em><\/strong>, em cartaz no 13\u00ba andar do Sesc Avenida Paulista at\u00e9 5 de maio, maximiza o risco, essa ousadia que a trupe recifense se imp\u00f5e paulatinamente nos 15 anos de trajet\u00f3ria. O Magiluth iniciou as comemora\u00e7\u00f5es dos 15 anos com uma \u201cocupa\u00e7\u00e3o\u201d no Sesc Avenida Paulista. Foram apresentadas as montagens do repert\u00f3rio <em>Aquilo Que Meu Olhar Guardou<\/em> <em>para Voc\u00ea<\/em> (2012) e <em>Dinamarca<\/em> (2017). Al\u00e9m de oficinas e uma roda de conversa sobre o teatro nordestino (com Fernando Yamamoto e eu, Ivana Moura) .<\/p>\n<p>Com o texto de Lagarce, a palavra comanda o desafio. O dito e o n\u00e3o-dito com sua dor acumulada ao longo dos anos na teia de uma fam\u00edlia. De uma escrita delicada e sofrida, de uma economia l\u00edrica e avassaladora.<\/p>\n<blockquote><p>Eu entendi que esta aus\u00eancia de amor de que me queixo e que foi para mim sempre a \u00fanica raz\u00e3o das minhas covardias,<br \/>\nsem que nunca at\u00e9 ent\u00e3o a tivesse percebido,<br \/>\nque esta aus\u00eancia de amor fez sofrer sempre mais os outros do que eu. <strong>Luiz<\/strong>, fala de <strong>Apenas o Fim do Mundo<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Entendo que o Magiluth n\u00e3o renuncia ao aspecto pol\u00edtico de suas investiga\u00e7\u00f5es anteriores. Vislumbro um deslocamento de rota, uma escava\u00e7\u00e3o rumo \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do n\u00facleo duro do poder, o treinamento dessa atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u2013 a estrutura familiar. Longe de ser o para\u00edso na Terra, a fam\u00edlia \u00e9 uma coisa assombrosa, prodigiosa, impregnada de sentimentos que v\u00e3o dos mais sublimes aos mais s\u00f3rdidos.<\/p>\n<p>\u00c9 na ess\u00eancia da fam\u00edlia onde tudo come\u00e7a e prossegue em movimentos sem tr\u00e9gua. A pe\u00e7a convoca para investiga\u00e7\u00f5es do que \u00e9 fam\u00edlia. De que la\u00e7os emotivos e de compromisso est\u00e3o repletas essas ideias. A concep\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica de fam\u00edlia concebida por Freud postula-a como uma institui\u00e7\u00e3o humana duplamente universal. Lacan atribui \u00e0 fam\u00edlia a responsabilidade de agenciar o procedimento de humaniza\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, pela inven\u00e7\u00e3o da subjetividade.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que os novos contextos fazem composi\u00e7\u00f5es de fam\u00edlias bastante diferentes em quest\u00f5es de estrutura e din\u00e2mica &#8211; homoparentais; transparentais, monoparentais, fam\u00edlias institu\u00eddas pela ci\u00eancia.<\/p>\n<div id=\"attachment_20512\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-20512\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-20512\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/magiluth-apenas-o-fim-do-mundo.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"900\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/magiluth-apenas-o-fim-do-mundo.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/magiluth-apenas-o-fim-do-mundo-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/magiluth-apenas-o-fim-do-mundo-300x450.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><p id=\"caption-attachment-20512\" class=\"wp-caption-text\">Cena simult\u00e2nea em dois planos<\/p><\/div>\n<blockquote><p>&#8220;&#8230; diante de um perigo extremo, imperceptivelmente, sem<br \/>\nquerer fazer barulho ou cometer um gesto muito violento que acordaria o inimigo e que te destruiria imediatamente,<br \/>\n&#8230;<br \/>\nassumindo o risco e sem nunca ter esperan\u00e7a de sobreviver,<br \/>\napesar de tudo,<br \/>\nno ano seguinte,<br \/>\neu decidia voltar a v\u00ea-los, voltar atr\u00e1s,<br \/>\nvoltar sobre os meus passos e fazer a viagem,<br \/>\npara anunciar, lentamente, com cuidado, com cuidado e precis\u00e3o<br \/>\n&#8230;<br \/>\na minha morte pr\u00f3xima e irremedi\u00e1vel&#8230;&#8221;&nbsp; <strong>Luiz<\/strong>, fala de <strong>Apenas o Fim do Mundo<\/strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p>Enquanto outras produ\u00e7\u00f5es do grupo est\u00e3o impregnadas de preocupa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas expl\u00edcitas, da milit\u00e2ncia ou de refer\u00eancias a movimentos espalhados pelo mundo, em <em><strong>Apenas o Fim do Mundo<\/strong><\/em> esse car\u00e1ter escorre pelas brechas de uma poss\u00edvel pol\u00edtica que atinge corpos individuais nas guerras executadas contra alguns.<\/p>\n<p>Jean-Luc Lagarce morreu jovem, aos 38 anos, em 1995, v\u00edtima da Aids. H\u00e1, possivelmente, qualquer coisa de autobiografia em <strong><em>Apenas o Fim do Mundo<\/em><\/strong>. O protagonista da pe\u00e7a \u2013 Luiz &#8211; est\u00e1 doente, com uma perspectiva de morte pr\u00f3xima, mas que nunca \u00e9 nomeada no texto.<\/p>\n<p>Luiz (Pedro Wagner) volta \u00e0 casa materna, depois de uma d\u00fazia de anos fora, para contar que tem uma doen\u00e7a terminal. Ele nos conta \u2013 a n\u00f3s espectadores \u2013 mas n\u00e3o fala para a fam\u00edlia. D\u00e1 pra conjecturar sobre a par\u00e1bola do filho pr\u00f3digo.<\/p>\n<p>A M\u00e3e (Erivaldo Oliveira) utiliza todas as estrat\u00e9gias para que Luiz se sinta bem-vindo. O irm\u00e3o Ant\u00f4nio, guarda m\u00e1goa pelo que considera abandono, e reage com pequenas explos\u00f5es de viol\u00eancia. A irm\u00e3 Suzana, uma quase desconhecida para Luiz, oscila entre a m\u00e1goa e a excita\u00e7\u00e3o. Para completar o quadro, Catarina, a atenta mulher de Ant\u00f4nio, que tamb\u00e9m n\u00e3o conhecia o cunhado.<\/p>\n<div id=\"attachment_20529\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-20529\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-20529\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/erivaldo2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/erivaldo2.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/erivaldo2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><p id=\"caption-attachment-20529\" class=\"wp-caption-text\">Erivaldo Oliveira faz A M\u00e3e<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_20530\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-20530\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-20530\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pedro-wagner2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pedro-wagner2.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pedro-wagner2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><p id=\"caption-attachment-20530\" class=\"wp-caption-text\">Pedro Wagner faz Luiz<\/p><\/div>\n<p>Em <em>Necropol\u00edtica<\/em> (N-1 Edi\u00e7\u00f5es), o fil\u00f3sofo e pensador camaron\u00eas Achille Mbembe segue o pressuposto de \u201cque a express\u00e3o m\u00e1xima da soberania reside em grande medida, no poder e na capacidade de ditar quem pode viver e quem deve morrer\u201d, raz\u00e3o pela qual \u201cmatar ou deixar viver constituem os limites da soberania, seus atributos fundamentais.\u201d<\/p>\n<p>Ent\u00e3o \u201cser soberano \u00e9 exercer controle sobre a mortalidade e definir a vida como a implanta\u00e7\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o de poder.\u201d Nessa visada \u201ca soberania \u00e9 a capacidade de definir quem importa e quem n\u00e3o importa, quem \u00e9 \u2018descart\u00e1vel\u2019 e quem n\u00e3o \u00e9.\u201d<\/p>\n<p>Mas o que isso tem a ver com <em><strong>Apenas o Fim do Mundo<\/strong><\/em>, uma pe\u00e7a escrita por um franc\u00eas em 1990, traduzida para o portugu\u00eas por Giovana Soar, em 2005, sobre um filho que retorna \u00e0 casa materna para anunciar sua morte pr\u00f3xima? O que uma reuni\u00e3o familiar que fala sobre o amor diz sobre quem importa e que n\u00e3o importa?<\/p>\n<div id=\"attachment_20519\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-20519\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-20519\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/F34A9714-1-e1556819433191.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><p id=\"caption-attachment-20519\" class=\"wp-caption-text\">Proje\u00e7\u00e3o no come\u00e7o da pe\u00e7a<\/p><\/div>\n<p>No in\u00edcio das apresenta\u00e7\u00f5es s\u00e3o projetadas poucas frases. Uma diz respeito \u00e0 Aids e aos riscos atuais.<\/p>\n<p>Na p\u00e1gina da Fiocruz, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, est\u00e1 exposta uma linha do tempo sobre a epidemia da Aids.<\/p>\n<p>Alguns t\u00f3picos:<br \/>\n<strong>1977\/78<\/strong> &#8211; Estados Unidos, Haiti e \u00c1frica Central apresentam os primeiros casos da infec\u00e7\u00e3o, definida em 1982;<br \/>\n<strong>1982<\/strong> &#8211; Confirma\u00e7\u00e3o do primeiro caso de Aids no Brasil e identifica\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o por transfus\u00e3o sangu\u00ednea. Ado\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria do termo Doen\u00e7a dos 5 H &#8211; Homossexuais, Hemof\u00edlicos, Haitianos, Heroin\u00f4manos (usu\u00e1rios de hero\u00edna injet\u00e1vel), Hookers (profissionais do sexo em ingl\u00eas).<br \/>\n<strong>1983 <\/strong>&#8211; Uma reportagem publicada no jornal <em>Not\u00edcias Populares<\/em> traz como manchete: <em>Peste-Gay j\u00e1 apavora S\u00e3o Paulo. <\/em>\u00c9 a pior e a mais terr\u00edvel doen\u00e7a do s\u00e9culo \u2013 dois brasileiros mortos.<br \/>\n<strong>1986 <\/strong>&#8211; Cria\u00e7\u00e3o do Programa Nacional de DST e Aids do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<br \/>\n<strong>1989 <\/strong>&#8211; Pressionada por ativistas, a ind\u00fastria farmac\u00eautica&nbsp;<em>Burroughs Wellcome<\/em>&nbsp;reduz em 20% o pre\u00e7o do AZT no Brasil.<br \/>\n<strong>1990 <\/strong>&#8211; Cazuza morre aos 32 anos. Mais de 6 mil casos de Aids s\u00e3o registrados no pa\u00eds.<br \/>\n<strong>1991 <\/strong>&#8211; O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade d\u00e1 in\u00edcio \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o gratuita de antirretrovirais. A OMS anuncia que 10 milh\u00f5es de pessoas est\u00e3o infectadas pelo HIV no mundo. No Brasil, 11.805 casos s\u00e3o notificados<br \/>\n<strong>1997 <\/strong>&#8211; Morre o soci\u00f3logo Herbert de Souza, o Betinho.<br \/>\n<strong>1999 <\/strong>&#8211; O Governo Federal divulga redu\u00e7\u00e3o em 50% de mortes e em 80% de infec\u00e7\u00f5es oportunistas, em fun\u00e7\u00e3o do uso do coquetel anti-Aids. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade disponibiliza 15 medicamentos antirretrovirais.<br \/>\n<strong>2003 <\/strong>&#8211; O Programa Brasileiro de DST\/Aids recebe pr\u00eamio de US$ 1 milh\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Bill &amp; Melinda Gates em reconhecimento \u00e0s a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia no pa\u00eds, que abriga 150 mil pacientes em tratamento.<br \/>\n<strong>2004 <\/strong>&#8211; Recife re\u00fane quatro mil participantes em tr\u00eas congressos simult\u00e2neos: o V Congresso Brasileiro de Preven\u00e7\u00e3o em DST\/Aids, o V Congresso da Sociedade Brasileira de Doen\u00e7as Sexualmente Transmiss\u00edveis e Aids e o I Congresso Brasileiro de Aids. Mais de 360 mil casos de Aids s\u00e3o registrados no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O Programa Nacional de HIV\/Aids do Brasil \u00e9 reconhecido, at\u00e9 o ano passado, como exemplo no mundo inteiro. Entidades do setor receiam retrocessos nos direitos conquistados e na preven\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a no governo de Jair Bolsonaro. Acendeu o sinal vermelho sobre o futuro das pol\u00edticas de sa\u00fade no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Parece-me que o Magiluth tamb\u00e9m fala sobre isso. Dos corpos amea\u00e7ados, do que est\u00e3o na mira para serem destru\u00eddos, apagados. E as pol\u00edticas p\u00fablicas definem muitos desses caminhos. Para os alvos preferencias, as lutas s\u00e3o incessantes. E suponho que tudo come\u00e7a na fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Numa das conversas da fam\u00edlia de <em><strong>Apenas o Fim do Mundo<\/strong><\/em>, Catarina, a cunhada, conta sobre os filhos. O menino carrega o nome de Luiz.<\/p>\n<blockquote><p>CATARINA \u2013 Ele tem o nome do pai de voc\u00eas,<br \/>\neu acho, n\u00f3s achamos, n\u00f3s ach\u00e1vamos, eu acho que \u00e9 bom,<br \/>\nisso era do gosto do Ant\u00f4nio, era uma coisa, uma coisa que ele, que ele fazia quest\u00e3o,<br \/>\n&#8230;<br \/>\nNa minha fam\u00edlia h\u00e1 o mesmo tipo de tradi\u00e7\u00e3o, &#8230;<br \/>\no nome dos pais ou do pai do pai do <strong>filho macho<\/strong>, o primeiro rapaz, essas hist\u00f3rias todas.<br \/>\nE depois,<br \/>\ne j\u00e1 que voc\u00ea n\u00e3o tinha filhos,<br \/>\n&#8230;<br \/>\no Ant\u00f4nio diz que voc\u00ea n\u00e3o vai ter<br \/>\nj\u00e1 que voc\u00ea n\u00e3o tem nenhum filho,<br \/>\n\u00e9 sobretudo por isso,<br \/>\nj\u00e1 que voc\u00ea n\u00e3o vai ter nenhum filho,<br \/>\n&#8230;<br \/>\nparecia l\u00f3gico,<br \/>\nfoi o que nos dissemos, que n\u00f3s o cham\u00e1ssemos Luiz,<br \/>\ncomo o seu pai, e, portanto, como voc\u00ea.<\/p>\n<p>ANT\u00d4NIO: Mas voc\u00ea continua sendo o mais velho, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida nenhuma em rela\u00e7\u00e3o a isso.<\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 luta pol\u00edtica confessada no texto de Lagarce. As conspira\u00e7\u00f5es, boicotes e desejos inconfess\u00e1veis de vingan\u00e7a v\u00eam pela via do afeto, dessa liga\u00e7\u00e3o mais \u00edntima com os parentes, nutridos por um cromatismo de amor.<\/p>\n<div id=\"attachment_20532\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-20532\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-20532\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/vidra\u00e7a-magiluth1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/vidra\u00e7a-magiluth1.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/vidra\u00e7a-magiluth1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><p id=\"caption-attachment-20532\" class=\"wp-caption-text\">A cidade de S\u00e3o Paulo entra pelas vidra\u00e7as<\/p><\/div>\n<blockquote><p>(o que eu quero dizer)<br \/>\n\u00abno fim das contas\u00bb<br \/>\ncomo que por desencorajamento, como que por cansa\u00e7o de mim,<br \/>\nque eles me abandonaram sempre porque eu pe\u00e7o o abandono<br \/>\nEu acordava com a ideia estranha e desesperada e indestrut\u00edvel tamb\u00e9m<br \/>\nde que me amavam vivo como gostariam de me amar morto<br \/>\nsem nunca poder nem saber me dizer nada. <strong>Luiz<\/strong>, fala de <strong>Apenas o Fim do Mundo<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o compartilhada entre Giovana Soar &#8211; que traduziu o texto para uma montagem da Companhia Brasileira de Teatro em 2005, e Luiz Fernando Marques, Lubi, do grupo XIX maximiza compet\u00eancias. Giovana traz um olhar denso para o texto, uma aten\u00e7\u00e3o sutil aos detalhes perif\u00e9ricos, o cuidado com a fala e as inflex\u00f5es, ampliando as possibilidades de leitura desse pe\u00e7a complexa e profunda. Lubi tratou da encena\u00e7\u00e3o, da ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o c\u00eanico, inventou ambientes da cena naquela sala multiuso com uma criatividade impressionante. As cenas &#8211; nascem e desaparecem &#8211; em cada canto, com os solil\u00f3quios das personagens. Eles desenvolvem uma dire\u00e7\u00e3o envolvente, comp\u00f5em com seus atores cenas admir\u00e1veis.<\/p>\n<p>A disposi\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es nos c\u00f4modos fechados de uma casa e as din\u00e2micas entre as cenas s\u00e3o bem solucionados na apropria\u00e7\u00e3o da sala multiuso do Sesc Avenida Paulista. A varanda iluminada se abre para a cidade, remetendo ao confronto Metr\u00f3pole\/prov\u00edncia e de suas articula\u00e7\u00f5es e proje\u00e7\u00f5es de desejos das personagens. \u00c9 uma das paisagens mais ic\u00f4nicas de S\u00e3o Paulo e isso remete a muitas reflex\u00f5es sobre poder, capitalismo, m\u00e1quinas desejantes. O espet\u00e1culo foi erguido a partir da ideia de <em>site specific<\/em>, segundo o grupo.<\/p>\n<p><em>Site specific<\/em> \u00e9 um termo utilizado h\u00e1 d\u00e9cadas para designar obras tra\u00e7adas de acordo com o espa\u00e7o na sua concep\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o, transformando ou incorporando o espa\u00e7o ao trabalho. Atualmente pode ser qualquer trabalho c\u00eanico que ocorra fora de um teatro tradicional.<\/p>\n<div id=\"attachment_20535\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-20535\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-20535\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/vidra\u00e7a-magiluth2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/vidra\u00e7a-magiluth2.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/vidra\u00e7a-magiluth2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><p id=\"caption-attachment-20535\" class=\"wp-caption-text\">No fundo, a solid\u00e3o de tudo<\/p><\/div>\n<p>A trajet\u00f3ria do Magiluth est\u00e1 pontuada por cria\u00e7\u00f5es de dramaturgias pr\u00f3prias, montagens irreverentes de textos consagrados, com direito ao improviso, aos exageros, a expans\u00f5es de teatralidades. Em <strong><em>Apenas o Fim do Mundo<\/em><\/strong> o risco passa pela conten\u00e7\u00e3o. \u00c9 na modera\u00e7\u00e3o que reside o desafio. \u201cA dramaturgia de Lagarce \u00e9 poderosa, preponderante, quase insuport\u00e1vel\u201d, escreve Giovana Soar no programa.<\/p>\n<p>A palavra \u00e9 um olho d\u2019\u00e1gua que o elenco trata com sensibilidade para facilitar o rio caudaloso. Os atores fazem o jogo da presen\u00e7a com sutileza nas min\u00facias, nas ondula\u00e7\u00f5es. A viol\u00eancia interna das personagens garante uma dimens\u00e3o profunda e dolorosa.<\/p>\n<div id=\"attachment_20538\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-20538\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-20538\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/antonio2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"900\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/antonio2.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/antonio2-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/antonio2-300x450.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><p id=\"caption-attachment-20538\" class=\"wp-caption-text\">Espa\u00e7o m\u00ednimo cria sensa\u00e7\u00e3o de sufocamento<\/p><\/div>\n<p>Ap\u00f3s muitos anos longe da casa materna, sem contato com seus parentes, o escritor Luiz volta a sua cidade natal, para um almo\u00e7o em fam\u00edlia. Ele iria falar sobre morte iminente. \u00c9 um domingo, mas poderia ser a vida inteira, porque os procedimentos s\u00e3o os mesmos. Ao encarar o peso da figura materna, sua \u2013 praticamente desconhecida \u2013 irm\u00e3 mais nova Suzana, seu ciumento irm\u00e3o Ant\u00f4nio, e sua cunhada Catarina, ressentimentos vem \u00e0 tona.<\/p>\n<p>Todos os artistas brilham: Bruno Parmera, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres, M\u00e1rio Sergio Cabral e Pedro Wagner. Todos usam roupas do cotidiano, inclusive os que defendem personagens femininas. As palavras reverberam no corpo e no espa\u00e7a. Esse texto n\u00e3o realista, inspirado em analogias realistas permite que os artistas potencializem a presen\u00e7a.<\/p>\n<p>Pedro Wagner carrega um Luiz contido, que emana ondas de sentimentos em seus sil\u00eancios, em sua concentra\u00e7\u00e3o. O motor do seu \u201cganhar o mundo\u201d n\u00e3o fica claro &#8211; o abandono de que os parentes falam. Talvez o fato de ser homossexual tenha sido decisivo para a partida. Enquanto o prest\u00edgio do dramaturgo crescia, l\u00e1 fora, a fam\u00edlia acompanhava suas vit\u00f3rias atrav\u00e9s do notici\u00e1rio. O escritor s\u00f3 enviava cart\u00f5es postais nos anivers\u00e1rios com duas ou tr\u00eas frases.<\/p>\n<blockquote><p>o que a gente espera,<br \/>\n\u00e9 que o resto do mundo desapare\u00e7a com a gente,<br \/>\nque o resto do mundo poderia desaparecer com a gente,<br \/>\nse apagar, se devorar e n\u00e3o mais sobreviver \u00e0 mim.<\/p><\/blockquote>\n<p>Na cena 10, Luiz quase silente abre as comportas das palavras:<\/p>\n<blockquote><p>Que v\u00e3o fazer de mim quando eu n\u00e3o estiver mais aqui?<br \/>\nA gente gostaria de mandar, de reger, de aproveitar mediocremente da perturba\u00e7\u00e3o deles e conduzi-los um pouco mais.<br \/>\nA gente gostaria de ouvi-los, eu n\u00e3o os ou\u00e7o,<br \/>\nobrig\u00e1-los a dizer besteiras definitivas<br \/>\ne saber enfim o que eles pensam.<\/p><\/blockquote>\n<p>A figura materna suporta um peso, do conflito do amor \/ \u00f3dio dessa fam\u00edlia. Erivaldo Oliveira trabalha as contradi\u00e7\u00f5es dessa M\u00e3e, que tenta controlar as rela\u00e7\u00f5es humanas nessa casa, vislumbrar os segredos, entender os sil\u00eancios, as meias-verdades, as omiss\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 di\u00e1logos incr\u00edveis e solil\u00f3quios arrebatadores para todos os pap\u00e9is.<\/p>\n<div id=\"attachment_20533\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-20533\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-20533\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/antonio-magiluth.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"422\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/antonio-magiluth.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/antonio-magiluth-300x211.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><p id=\"caption-attachment-20533\" class=\"wp-caption-text\">Acerto de contas entre os irm\u00e3os Ant\u00f4nio (M\u00e1rio Sergio, em p\u00e9) e Luiz (Pedro Wagner, de costas)<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_20534\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-20534\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-20534\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/parmera.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/parmera.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/parmera-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><p id=\"caption-attachment-20534\" class=\"wp-caption-text\">Bruno Parmera faz a irm\u00e3 Suzana<\/p><\/div>\n<p>M\u00e1rio Sergio Cabral \u00e9 irm\u00e3o de Pedro Wagner e s\u00e3o tamb\u00e9m manos na fic\u00e7\u00e3o. Na pele de Ant\u00f4nio, M\u00e1rio S\u00e9rgio eleva o grau da emo\u00e7\u00e3o nas cenas de desabafos, que jorram de uma fonte profunda.<\/p>\n<p>Suzana, a irm\u00e3, \u00e9 feita por Bruno Parmera, que idealiza e deseja a vida do mais velho da prole. Giordano Castro aproveita bem o nervosismo e a submiss\u00e3o da cunhada, Catarina, com nuances interessantes. Giordano tamb\u00e9m investe no contraponto mais humorado em algumas cenas, para dar um respiro a tanta tens\u00e3o. Lucas Torres n\u00e3o disp\u00f5e de nenhum papel, mas cuida das mudan\u00e7as de cenas, deslocando objetos, respondendo pela contrarregragem e tocando bateria na banda.<\/p>\n<p>Mesmo o fato do elenco tocar mal os instrumentos da banda parece uma camada a mais. Enquanto a trilha sonora gravada assume a fun\u00e7\u00e3o de criar ambientes, a m\u00fasica tocada bate em outro lugar. Esse som causa ru\u00eddo&#8230; desconforto&#8230; como os insuport\u00e1veis inc\u00f4modos que fam\u00edlias de LGBTS provocam nos encontros que deveriam ser festivos. Aqueles vigilantes mais pr\u00f3ximos do desejo alheio&#8230; esses seres que trafegam freneticamente entre a intimidade e a estranheza.<\/p>\n<p>Na pe\u00e7a experimentamos estados de desconforto, nervosismo, sensa\u00e7\u00e3o de sufocamento. Claustrofobia que vem deles e atinge o p\u00fablico. Os mon\u00f3logos na tentativa de di\u00e1logos s\u00e3o fulminantes. O estranho familiar, de que fala Freud, produz esse sentimento de ultrapassagem, como o atropelamento de um estranho nem t\u00e3o desconhecido assim.<\/p>\n<p>Carregando o desassossego desse corajoso e implac\u00e1vel espet\u00e1culo intuo que a melhor op\u00e7\u00e3o ainda seja o amor, mesmo em segredo, mesmo que n\u00e3o pare\u00e7a justo, mesmo que machuque.<\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dire\u00e7\u00e3o: <\/strong>Giovana Soar e Luiz Fernando Marques<br \/>\n<strong>Assist\u00eancia de dire\u00e7\u00e3o: <\/strong>Lucas Torres<br \/>\n<strong>Dramaturgia: <\/strong>Jean Juc-Lagarce<br \/>\n<strong>Atores: <\/strong>Bruno Parmera, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, M\u00e1rio S\u00e9rgio Cabral e Pedro Wagner<br \/>\n<strong>Desenho de luz<\/strong>: grupo Magiluth<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o de arte: <\/strong>Guilherme Luigi<br \/>\n<strong>Fotografia: <\/strong>Est\u00fadio Orra<br \/>\n<strong>Design Gr\u00e1fico: <\/strong>Guilherme Luigi<br \/>\n<strong>Realiza\u00e7\u00e3o: <\/strong>Grupo Magiluth<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o:<\/strong><br \/>\n<em><strong>Apenas o fim do mundo<\/strong><\/em><br \/>\n<strong>Quando:<\/strong> de 11 de abril a 5 de maio, de quinta a s\u00e1bado, \u00e0s 21h, e aos domingos, \u00e0s 18h. <strong>Sess\u00f5es extras: <\/strong>1\u00ba\/05 (quarta-feira), \u00e0s 18h; 2\/5 (quinta), 3\/5 (sexta) e 4\/5 (s\u00e1bado), \u00e0s 17h. <strong>At\u00e9 05\/05<\/strong><br \/>\n<strong>Onde:<\/strong> Sesc Avenida Paulista\u2013 Arte II (13\u00ba andar)<br \/>\n<strong>Quanto: <\/strong>R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)<br \/>\n<strong>Dura\u00e7\u00e3o: <\/strong>1h40 min<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dormi, e sonhei, envolta nas pulsa\u00e7\u00f5es de Apenas o Fim do Mundo, espet\u00e1culo do Grupo Magiluth, a partir do texto Juste la Fin du Monde, do franc\u00eas Jean-Luc Lagarce. Esses sonhos atravessados por pesadelos sinistros ocorreram ontem, semana passada ou durante todo o ano. 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