{"id":19773,"date":"2018-03-18T13:20:29","date_gmt":"2018-03-18T16:20:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=19773"},"modified":"2018-03-18T13:20:29","modified_gmt":"2018-03-18T16:20:29","slug":"vamos-fugir-do-recife-a-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/vamos-fugir-do-recife-a-portugal\/","title":{"rendered":"Vamos fugir? Do Recife a Portugal"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_19774\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-19774\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-19774\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/27907638_1900285716648622_1948490839333564353_o-e1521386203586.jpg\" alt=\"foto: Ma\u00edra Arrais\" width=\"600\" height=\"328\"><p id=\"caption-attachment-19774\" class=\"wp-caption-text\">Algu\u00e9m pra fugir comigo. Foto: Ma\u00edra Arrais \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>O t\u00edtulo \u00e9 sugestivo. <strong><em>Algu\u00e9m pra fugir comigo<\/em><\/strong>. E nesses tempos de barb\u00e1rie chega a ser um alento contar com pessoas. Mesmo que seja s\u00f3 uma. Para confiar. Para partilhar. Para sonhar. Com a sensa\u00e7\u00e3o de que estamos cada vez mais vulner\u00e1veis diante das pol\u00edticas p\u00fablicas (e da falta delas),&nbsp;frente \u00e0 impunidade com os verdadeiros poderosos deste pa\u00eds (o espet\u00e1culo rasga o manto: desde sempre), com a constata\u00e7\u00e3o de que somos presas f\u00e1ceis quando lutamos por direitos ou criticamos, \u00e9 bom ir ao teatro.<\/p>\n<p>Ficar junto, conectar for\u00e7as talvez seja uma sa\u00edda. Sempre o talvez. <strong><em>Algu\u00e9m para fugir comigo<\/em> <\/strong>\u00e9 a primeira montagem profissional do Coletivo Resta 1 de Teatro, grupo recifense egresso de um Curso de Forma\u00e7\u00e3o do Sesc e que segue adiante. Esses verbos s\u00e3o importantes: caminhar, insistir, tentar. A pe\u00e7a dirigida por&nbsp;Analice Croccia e Quiercles Santana trabalha no campo da incerteza e isso cria pot\u00eancias.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria brasileira \u00e9 uma hist\u00f3ria de viol\u00eancias. O espet\u00e1culo investiga isso tamb\u00e9m, essa (de)forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social. A encena\u00e7\u00e3o combina cenas justapostas e intercambi\u00e1veis. Em comum, a opress\u00e3o; dos s\u00e9culos retrasado e passado e dos tempos atuais. De descaramento e cinismo. Entre quadros, os atores exercitam o grito de dor, rebenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Can\u00e7\u00f5es, prov\u00e9rbios, imagens, quadros isolados, literatura, cinema, hist\u00f3ria inspiram essa narrativa n\u00e3o-linear. H\u00e1 frestas de fatos reais contempor\u00e2neos e hist\u00f3ricos, do Brasil e da Europa. A corrup\u00e7\u00e3o, o trabalho escravo, recortes das metr\u00f3poles, a solid\u00e3o em sua porta, os preconceitos de todas as ordens irrompem como tem\u00e1tica, carne e movimento.<\/p>\n<p>Corrup\u00e7\u00f5es, chantagens, trai\u00e7\u00f5es est\u00e3o na base de enriquecimentos, manuten\u00e7\u00e3o do status quo. \u00c0s custas de vidas silenciadas de fato e metaforicamente.<\/p>\n<p>Mesmo com o gosto amargo de que nada, absolutamente nada sucede ap\u00f3s alguns crimes. Sigamos. Mesmo que o sentimento de impot\u00eancia diante da impunidade por pr\u00e1ticas de assassinato e tortura, de que o Estado dentro do Estado mudou quase nada.<\/p>\n<p>Essa montagem trabalha numa perspectiva ut\u00f3pica, para dizer chega de tanta brutalidade, de tanta arbitrariedade, de tanta injusti\u00e7a. \u00c9 um espet\u00e1culo sobre urg\u00eancias.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que os quadros t\u00eam estaturas diferentes e efeitos variados. H\u00e1 cenas suaves e outras que rasgam o nervo e fere o osso. Em uma dessas molduras aparece Liberdade, uma negra, escrava, presa, acorrentada. A constru\u00e7\u00e3o de camadas remete para o racismo declarado e impl\u00edcito e para tantas quest\u00f5es imprescind\u00edveis de identidades, espa\u00e7os e pertencimentos. Em outra situa\u00e7\u00e3o, uma mulher \u00e9 humilhada at\u00e9 a morte por autoridades policiais. \u00c9 uma cena dura, por tudo que representa e suscita.<\/p>\n<p>Entre as malas do cen\u00e1rio os atores convidam para essa viagem. Um percurso pela trajet\u00f3ria de dores brasileiras e de subjetividades do elenco. Na d\u00e9cada de 1980, Cazuza convidava \u201cVem comigo, no caminho eu explico\u201d. N\u00e3o sei se hoje h\u00e1 muito o que detalhar. Talvez sim. Mas \u00e9 tempo de limpar nossas lentes para as panor\u00e2micas e zoom. E principalmente \u00e9 premente&nbsp; fortalecer nossos melhores afetos, com o respeito que o ser humano merece.<\/p>\n<div id=\"attachment_19401\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-19401\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-19401\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/algu\u00e9m-para-fugir-e1507392134627.jpg\" alt=\"Algu\u00e9m para fugir comigo. Foto: Kleber Santana\/Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"600\" height=\"361\"><p id=\"caption-attachment-19401\" class=\"wp-caption-text\">Em frente, provoca a pe\u00e7a. Foto: Kleber Santana\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p><em><strong>Algu\u00e9m pra fugir comigo<\/strong><\/em><br \/>\n<strong>Dura\u00e7\u00e3o<\/strong>: 1h30min<br \/>\n<strong>Classifica\u00e7\u00e3o indicativa<\/strong>: 14 anos<\/p>\n<p><strong>Encena\u00e7\u00e3o<\/strong>: Analice Croccia e Quiercles Santana<br \/>\n<strong>Assist\u00eancia dramat\u00fargica<\/strong>: Ana Paula S\u00e1<br \/>\n<strong>Desenho de luz<\/strong>: Elias Mouret<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o musical<\/strong>: Katarina Menezes e Kleber Santana<br \/>\n<strong>Desenho de som<\/strong>: Kleber Santana<br \/>\n<strong>Prepara\u00e7\u00e3o de corpo e movimento<\/strong>: Patr\u00edcia Costa<br \/>\n<strong>Cenografia<\/strong>: Fl\u00e1vio Freitas<br \/>\n<strong>Adere\u00e7os<\/strong>: Gorett Cabral<br \/>\n<strong>Narra\u00e7\u00e3o<\/strong>: Zoraide Coleto<br \/>\n<strong>Artes digitais e gr\u00e1ficas<\/strong>: Analice Croccia<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica e produ\u00e7\u00e3o<\/strong>: Resta 1 Coletivo de Teatro<br \/>\n<strong>Elenco<\/strong>: Analice Croccia, Ane Lima, Ca\u00edque Ferraz, Claudiane Barros, Lu\u00eds Bringel, Pollyanna Cabral, Wilamys Rosendo<\/p>\n<p><strong>SERVI\u00c7O<\/strong><br \/>\nAlgu\u00e9m Pra Fugir Comigo &#8211; Rumo \u00c0 Portugal<br \/>\n<strong>Onde<\/strong>: Teatro Marco Camarotti &#8211; Recife, PE<br \/>\n<strong>Quando<\/strong>: 18 de mar\u00e7o de 2018, 17h<br \/>\n<strong>Ingressos<\/strong>: R$ 40,00 (+ R$ 4,00 taxa) \/ R$ 20,00 (+ R$ 2,00 taxa) \/ R$ 25,00 (+ R$ 2,50 taxa)<br \/>\nVendas at\u00e9 \u00e0s 15h no site sympla<br \/>\nhttps:\/\/www.sympla.com.br\/alguem-pra-fugir-comigo&#8212;rumo-a-portugal__256723<br \/>\nou no teatro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O t\u00edtulo \u00e9 sugestivo. 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