{"id":19371,"date":"2016-12-28T13:37:48","date_gmt":"2016-12-28T16:37:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=19371"},"modified":"2017-09-26T18:49:41","modified_gmt":"2017-09-26T21:49:41","slug":"fiac-segue-na-inquietude-de-seu-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/fiac-segue-na-inquietude-de-seu-tempo\/","title":{"rendered":"Fiac segue na inquietude de seu tempo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_19372\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-19372\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-19372\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/30456892932_3f7dc3c407_z-e1505821315614.jpg\" alt=\"N\u00f3s, do Grupo Galp\u00e3o. Foto: Fiac \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"600\" height=\"400\"><p id=\"caption-attachment-19372\" class=\"wp-caption-text\">N\u00f3s, do Grupo Galp\u00e3o. Foto: Fiac \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>&#8220;Para onde ir?&#8221;, debate-se o Grupo Galp\u00e3o, num movimento interno de auto purga\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m provoca pequenos abalos s\u00edsmicos pelo pa\u00eds com o espet\u00e1culo <em>N\u00f3s<\/em>. Os atores est\u00e3o vibrando&nbsp;sobre conviv\u00eancia em grupo, diferen\u00e7as, toler\u00e2ncias e afetos al\u00e7ados ao limite. Mas tamb\u00e9m da ambival\u00eancia, de um ethos desnudado frente ao p\u00fablico e que revela as contradi\u00e7\u00f5es do mundo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>A pe\u00e7a<em> N\u00f3s <\/em>\u00e9 a 23\u00aa produ\u00e7\u00e3o da trupe mineira em 34 anos de exist\u00eancia. O trabalho dirigido por&nbsp;Marcio Abreu \u2013 encenador da Companhia Brasileira de Teatro &#8211; com dramaturgia constru\u00edda coletivamente e texto assinado por&nbsp;Eduardo Moreira&nbsp;e pelo diretor, traduz inquieta\u00e7\u00f5es dos seus integrantes, os atores Eduardo Moreira, Antonio Edson, Chico Pel\u00facio, J\u00falio Maciel, Lydia Del Picchia, Paulo Andr\u00e9 e Teuda Bara.<\/p>\n<p>J\u00e1 no in\u00edcio da pe\u00e7a, a trupe chama para a ideia de comunh\u00e3o, quando Teuda Bara entoa &#8220;comendo a mesma comida, bebendo a mesma bebida, respirando o mesmo ar&#8221;, versos de <em>Lama<\/em>, de Paulo Marques e Ailce Chaves, um dos sambas-can\u00e7\u00f5es mais celebrados no repert\u00f3rio de fossa, gravado por Linda Rodrigues, Gilda Valen\u00e7a (em forma de fado), Maria Beth\u00e2nia e N\u00fabia Lafayette.<\/p>\n<p>Essa ideia de confraria se faz presente na prepara\u00e7\u00e3o da sopa, na frase c\u00eanica de Teuda Bara \u201c\u00c9 pra refrescar!\u201d, que salienta a import\u00e2ncia do encontro. As conversas entrecortadas aceleram para outros caminhos, de repeti\u00e7\u00f5es, perguntas, coreografias. Para conjecturar sobre o espa\u00e7o da partilha, da confraterniza\u00e7\u00e3o, de estar junto, da vontade da maioria, do respeito \u00e0 minoria. A encena\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>N\u00f3s<\/em> tamb\u00e9m rasga os tecidos da viol\u00eancia que contagiou o mundo e toca na crise da esquerda brasileira.<\/p>\n<p>Numa cena emblem\u00e1tica do espet\u00e1culo, a personagem de Teuda Bara \u00e9 escorra\u00e7ada, expulsa de forma agressiva, \u00e0 base de sopapos e pontap\u00e9s, apesar de sua resist\u00eancia. \u00c9 poss\u00edvel associar a cena ao afastamento da presidenta Dilma Rousseff, mesmo que tenha sido criada antes do impeachment. \u00c9 um momento angustiante que tra\u00e7a um arco da pol\u00edtica do micro ao macro.<\/p>\n<p>A encruzilhada que a pergunta inicial suscita, refor\u00e7ada pela expuls\u00e3o de Teuda Bara, me fez convocar pensadores para tentar entender quest\u00f5es caras cravadas em nossa carne pela eletrizante performance do grupo. Enxergo espelhada na cena uma cr\u00edtica da \u00e9tica indolor, na perspectiva do fil\u00f3sofo franc\u00eas Gilles Lipovetsky, que vem na esteira do esgotamento dos ideais e do decl\u00ednio da moral. Com o <em>self interest<\/em> do sujeito exaltado por Lipovetsky o dever \u00e9 diminu\u00eddo \u00e0s r\u00e9s do ch\u00e3o nessa sociedade p\u00f3s-dever, sem obriga\u00e7\u00f5es dif\u00edceis.<\/p>\n<p>Contra o minimalismo \u00e9tico de Lipovetsky (fincado na exalta\u00e7\u00e3o dos desejos, do ego, do individualismo hedonista e narcisista), pulsam na cena lampejos do que o te\u00f3rico da \u201cmodernidade l\u00edquida\u201d, o fil\u00f3sofo e soci\u00f3logo polon\u00eas Zygmunt Bauman chama de \u201cser-para\u201d, de que existe uma responsabilidade para com o outro, da alteridade.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, mesmo diante desse cen\u00e1rio movedi\u00e7o de incerteza e de relativismo moral, de liga\u00e7\u00f5es e de desligamentos, em que as pessoas se constroem e desmancham-se, h\u00e1 uma corrente que defende que n\u00e3o somos meros objetos a serem descartados. A constru\u00e7\u00e3o da democracia no jogo cotidiano se faz tamb\u00e9m do atrito entre figuras diferentes. A pe\u00e7a <em>N\u00f3s<\/em> pergunta antes de tudo terminar: como recome\u00e7ar ou come\u00e7ar algo novo? Alguma esperan\u00e7a na seara dos afetos, com o espelho refletindo o espectador antes do chamamento para a balada.<\/p>\n<p>O espet\u00e1culo<em> N\u00f3s<\/em> abriu o Festival internacional de Artes C\u00eanicas da Bahia \u2013 Fiac, realizado de 25 a 30 de outubro de 2016, em Salvador, e que nesse ano refor\u00e7ou a urg\u00eancia de tomar posi\u00e7\u00f5es cr\u00edticas diante da realidade. Uma edi\u00e7\u00e3o que assumiu a pol\u00edtica no seu sentido mais&nbsp;franco e humano, a micropol\u00edtica de todo dia comprometida com o coletivo, com aquilo que nos \u00e9 comum, nas palavras de Felipe Assis, um dos coordenadores gerais do Festival, ao lado de Ricardo Liborio.<\/p>\n<div style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-19373\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/30504993451_3e924b4f43_z-e1505821378557.jpg\" alt=\"P\u00e1tio do Institulo Goethe. Foto: Fiac \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"600\" height=\"400\"><p class=\"wp-caption-text\">P\u00e1tio do Goethe-Institut. Foto: Leonardo Pastor \/ Fiac \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Como posicionar discurso e a\u00e7\u00e3o, quebrando regras para criar outros jogos e novos modos de (re)existir em tempos de crise, como convocar a participa\u00e7\u00e3o coletiva foram disparadores da nona edi\u00e7\u00e3o do Fiac Bahia. A proposta \u00e9 de engajamento direto, em detrimento a esquemas de representa\u00e7\u00e3o. Uma convoca\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a; ou seja, um convite para \u201cmeter m\u00e3o\u201d, tanto no sentido figurado, quanto literal.<\/p>\n<p>Em conversa com o Felipe Assis, ele ressaltou a import\u00e2ncia dos trabalhos que se apresentam como resultado, mas tamb\u00e9m as atividades de forma\u00e7\u00e3o. A quebra da hierarquia foi um procedimento para valorizar tamb\u00e9m o processo. \u201cPorque os resultados podem servir a uma l\u00f3gica de mercado de produto. Mas a gente sabe que \u00e9 o tempo cont\u00ednuo de elabora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se conecta o processo da pr\u00e1tica art\u00edstica. E que nos \u00faltimos tempos se tem valorizado o lugar do processo em detrimento muitas vezes do resultado\u201d. Por isso que para ele uma atitude, uma postura pol\u00edtica pode ser em alguns casos mais relevante que o resultado est\u00e9tico muito bem-acabado e facilmente comercializ\u00e1vel.<\/p>\n<p>Aplica\u00e7\u00e3o variada de pr\u00e1tica art\u00edsticas na curadoria como risco, presen\u00e7a, m\u00faltiplas tradi\u00e7\u00f5es, narrativas fragmentadas, participa\u00e7\u00e3o estiveram na mira do festival. E em 2016 o Fiac deu relevo \u00e0 participa\u00e7\u00e3o como princ\u00edpio ativo. Para isso contou com um grupo gestor e curador ampliado, composta por 16 m\u00e3os que constru\u00edram a identidade do festival \u2013 coordena\u00e7\u00f5es geral, administrativa, t\u00e9cnica, log\u00edstica e de atividades formativas, al\u00e9m da assessoria jur\u00eddica e de comunica\u00e7\u00e3o. A equipe fez com que essas ideias pulsassem em todas as a\u00e7\u00f5es do festival, das quest\u00f5es pol\u00edticas e da coletividade.<\/p>\n<p>Ao longo de seis dias, a pergunta que norteou as a\u00e7\u00f5es do Fiac Bahia foi como reinventar a participa\u00e7\u00e3o coletiva diante de tantas rupturas? As respostas vieram de v\u00e1rias formas, principalmente nas tentativas de fortalecer v\u00ednculos comuns, entre artistas, produtores, p\u00fablico, sociedade. Tarefa dif\u00edcil, mas engendrada nas microrrela\u00e7\u00f5es de empoderamento.<\/p>\n<p>O festival se tornou \u201cuma rede que se retroalimenta e estabelece v\u00ednculos com outras iniciativas interessadas mais em perguntas do que em respostas&#8221;.&nbsp; Muitas a\u00e7\u00f5es foram feitas a partir dessa decis\u00e3o: de cria\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o visual e algumas oficinas, amplia\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio Internacional de Curadoria e Media\u00e7\u00e3o em Artes C\u00eanicas.<\/p>\n<p>As pe\u00e7as de divulga\u00e7\u00e3o refor\u00e7am a proposta de horizontalidade. O p\u00fablico e os participantes do Fiac Bahia foram convidados a personalizar cartazes e programas nos ateli\u00eas abertos de serigrafia, carimbo, est\u00eancil e xilogravura montados no P\u00e1tio do Goethe-Institut. A confec\u00e7\u00e3o desse material incorpora produ\u00e7\u00e3o industrial e artesanal e foi poss\u00edvel a partir da parceria da TANTO Cria\u00e7\u00f5es Compartilhadas com a Sociedade DA Prensa. O&nbsp;festival incentivou a \u201cmeterem m\u00e3o\u201d nesse processo e customizar ao mesmo tempo que provoca reflex\u00f5es sobre autoria, gesto art\u00edstico, ser artista e ser p\u00fablico.<\/p>\n<div id=\"attachment_19375\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-19375\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-19375\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/30664622845_334320f10e_z-e1505832032483.jpg\" alt=\"Festa em Casa: Ocupa\u00e7\u00e3o Coaty. Foto: Leonardo Pastor\" width=\"600\" height=\"400\"><p id=\"caption-attachment-19375\" class=\"wp-caption-text\">Festa em Casa: Ocupa\u00e7\u00e3o Coaty. Foto: Leonardo Pastor<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_19377\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-19377\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-19377\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/30343055730_2e0140a9bc_z-e1505837640176.jpg\" alt=\"Festa em Casa: Casa Preta - FIAC Bahia 2016. Foto: Leonardo Pastor\" width=\"600\" height=\"400\"><p id=\"caption-attachment-19377\" class=\"wp-caption-text\">Festa em Casa: Casa Preta &#8211; FIAC Bahia 2016. Foto: Leonardo Pastor<\/p><\/div>\n<p>O festival se espalhou por 12 espa\u00e7os de Salvador. Com exce\u00e7\u00e3o do Teatro Castro Alves, com capacidade para mais de mil pessoas (mas que na realidade funcionou no palco para p\u00fablico mais concentrado), os outros espa\u00e7os est\u00e3o voltados para plateias de at\u00e9 200 lugares, incentivando um conv\u00edvio mais pr\u00f3ximo da experi\u00eancia c\u00eanica. Foram utilizados Teatro e P\u00e1tio do Goethe-Institut, e Teatro Vila Velha, Teatro Martim Gon\u00e7alves, Espa\u00e7o Cultural Barroquinha, Teatro Martim Gon\u00e7alves, Teatro Experimental, Teatro Greg\u00f3rio de Mattos, Casar\u00e3o Barabad\u00e1, Casa Preta, Coaty e Oliveiras.<\/p>\n<p>Os sentidos de conviv\u00eancia, de se apropriar da cidade em seus casar\u00f5es carregados de hist\u00f3ria ganharam atitudes nos encontros noturnos do Fiac, com as \u201cFestas em Casa\u201d. Na dire\u00e7\u00e3o de dialogar com os projetos de ocupa\u00e7\u00e3o artistas de Salvador receberam artistas e p\u00fablico para contato mais pr\u00f3ximo. Um impulso para essa reinven\u00e7\u00e3o do coletivo, da possibilidade de compartilhamentos com instiga\u00e7\u00e3o festiva. Bandas e Djs de vozes e ritmos variados animaram o Casar\u00e3o Barabad\u00e1, Ocupa\u00e7\u00e3o Coaty,&nbsp;Oliveiras, Casa Preta.<\/p>\n<p>O exerc\u00edcio do pensamento cr\u00edtico teve atua\u00e7\u00e3o da DocumentaCena, com a participa\u00e7\u00e3o das casas Quest\u00e3o de Cr\u00edtica (RJ), Satisfeita, Yolanda (PE)? e Horizonte da Cena (BH), e de outros profissionais como Antropositivo (SP), Agora (RS), Barril (BA) e Precisa-se P\u00fablico (RJ).<\/p>\n<p>A programa\u00e7\u00e3o reuniu um leque de espet\u00e1culos posicionados de forma cr\u00edtica frente \u00e0s quest\u00f5es da contemporaneidade. Nessa 9\u00aa edi\u00e7\u00e3o, o Fiac quis sacudir o \u201cespectador\u201d para assumir um papel mais ativo, na cena ou fora dela. Chacoalhou.<\/p>\n<p>Seguem coment\u00e1rios sobre outros espet\u00e1culos que assisti durante o festival:<\/p>\n<p><strong>O BOBO<\/strong><\/p>\n<p>Caio Rodrigo mistura Yorick, da pe\u00e7a <em>Hamlet<\/em>, e a figura do bobo de <em>Rei Lear<\/em>, ambas de William Shakespeare, para criar um personagem que dispara sua metralhadora girat\u00f3ria, contra tudo e todos. E ele est\u00e1 no meio. O espet\u00e1culo <em>O Bobo<\/em>, do Teatro Terceira Margem, se arvora a dizer verdades antes de um suic\u00eddio anunciado. O ator est\u00e1&nbsp;em cena vestido apenas por uma cueca preta. A ironia que sai da sua boca e de seus gestos se esparrama pelo teatro e ele convoca trechos de obras de Albert Camus, Maquiavel, Caetano Veloso, fragmentos de ensaios filos\u00f3ficos para refor\u00e7ar sua muni\u00e7\u00e3o acusat\u00f3ria.<\/p>\n<p>O int\u00e9rprete joga com as teorias teatrais e envereda em seu discurso pelas ruelas do of\u00edcio do ator, questionando filigranas e trocando de m\u00e1scaras para defender seus pontos de vista.<\/p>\n<p>Caio Rodrigo anuncia a si pr\u00f3prio como codiretor rejeitado duas vezes na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, m\u00fasico amador e maconheiro, figurinista que n\u00e3o teve trabalho, ator\/criador meio frustrado e aspirante a professor da UFBA. Fic\u00e7\u00e3o com fundo de verdade?<\/p>\n<p>Cria\u00e7\u00e3o conjunta de Caio com o diretor teatral Daniel Guerra, <em>O Bobo<\/em> \u00e9 bom de provoca\u00e7\u00f5es metateatrais. Dividida em quadros, a pe\u00e7a circula por v\u00e1rias po\u00e9ticas e questiona o conceito da presen\u00e7a e a rela\u00e7\u00e3o entre artista e p\u00fablico. Algumas funcionam, outras nem tanto, como a \u201cpara quem se faz teatro?\u201d, que se torna uma quest\u00e3o prim\u00e1ria diante de todo o esfor\u00e7o de criar um mosaico inteligente e desafiador de pensamento c\u00eanico performado. A trilha sonora de Juracy do Amor (Beef), explora texturas, riffs de guitarra ao vivo e potencializa o clima do programa.<\/p>\n<p><strong>ENDOGENIAS<\/strong><\/p>\n<p>O t\u00edtulo <em>Endogenias<\/em> traduz o processo de valoriza\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios int\u00e9rpretes do Bal\u00e9 Teatro Castro Alves como criadores da companhia baiana de dan\u00e7a contempor\u00e2nea. O espet\u00e1culo \u00e9 formado por tr\u00eas coreografias distintas (<em>Generxs<\/em>, de Leandro de Oliveira;<em> Youkali<\/em>, de Konstanze Mello; e <em>D\u00ea L\u00edrios<\/em>, de Tutto Gomes), apresentadas com a plateia sentada no pr\u00f3prio palco da sala principal.<\/p>\n<p>Imagens e contextos do cotidiano s\u00e3o inspiradores da coreografia <em>Generxs <\/em>que cria um ambiente de embate para discutir o g\u00eanero, a identidade de g\u00eanero, a sexualidade, a rela\u00e7\u00e3o de poder entre masculino e feminino, o machismo. A obra de Leandro de Oliveira produz potentes movimentos e fluxos de imagens nas articula\u00e7\u00f5es das cenas sobre a criminaliza\u00e7\u00e3o e o preconceito; a toler\u00e2ncia relativa; e a celebra\u00e7\u00e3o. Em determinado momento da pe\u00e7a coreogr\u00e1fica, pessoas do p\u00fablico recebem bolinhas e s\u00e3o incentivadas a jogar em um personagem que assume sua homossexualidade. Em seguida, outro bailarino, montado em uma sand\u00e1lia plataforma, pega o microfone e parte para discutir com a plateia sobre o procedimento, questiona a a\u00e7\u00e3o e faz um discurso contra o preconceito.<\/p>\n<p>Tudo \u00e9 permitido sem censura ou julgamentos em <em>Youkali<\/em>, da core\u00f3grafa Konstanze Mello. \u00c9 um quadro bem sensual. O bar dan\u00e7ante se transforma em lugar ut\u00f3pico onde os seres podem realizar seus desejos. L\u00e1 n\u00e3o existe conflito, discrimina\u00e7\u00e3o, nem qualquer tipo de censura. A pe\u00e7a \u00e9 livremente inspirada na obra <em>Cabar\u00e9 Youkali<\/em>, do dramaturgo e poeta alem\u00e3o Bertolt Brecht (1898-1956), e do tamb\u00e9m alem\u00e3o, o compositor Kurt Weill (1900-1950). Sugere uma caverna p\u00f3s-moderna para onde se pode fugir da realidade opressiva e perversa.<\/p>\n<p><em>D\u00ea L\u00edrios<\/em>, de Tutto Gomes, trata das desilus\u00f5es amorosas e chega ao palco com um sotaque nordestino e as influ\u00eancias norte-americanas e europeias. Carrega um tom nost\u00e1lgico refor\u00e7ado pela m\u00fasica <em>Chorando e cantando<\/em> de Geraldo Azevedo. A coreografia tamb\u00e9m faz refer\u00eancias indiretas ao Movimento Armorial lan\u00e7ado pelo escritor paraibano Ariano Suassuna (1927-1914).<\/p>\n<div id=\"attachment_19378\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-19378\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-19378\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/30293349130_72dbd07d15_z-e1505838202559.jpg\" alt=\"Monica Santana questiona a invisibilidade, a visibilidade reduzida, os estere\u00f3tipos, o silenciamento, a exotiza\u00e7\u00e3o e a hipersexualiza\u00e7\u00e3o. \" width=\"600\" height=\"400\"><p id=\"caption-attachment-19378\" class=\"wp-caption-text\">M\u00f4nica Santana questiona a invisibilidade, os estere\u00f3tipos, o silenciamento e a hipersexualiza\u00e7\u00e3o da mulher negra<\/p><\/div>\n<p><strong>ISTO N\u00c3O \u00c9 UMA MULATA \u2013 SOLO PERFORM\u00c1TICO<\/strong><\/p>\n<p>No teaser do espet\u00e1culo <em>Isto n\u00e3o \u00e9 uma mulata<\/em>, a atriz M\u00f4nica Santana queima uma edi\u00e7\u00e3o de <em>Casa Grande &amp; Senzala<\/em>, de Gilberto Freyre, entre outros livros e revistas. Ela defende o procedimento como a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica contra a l\u00f3gica da democracia racial. Na pe\u00e7a, a atriz cita a famosa frase \u201cbranca pra casar, preta pra trabalhar e mulata para fornicar\u201d. \u00c9 contra esse tipo de discurso que a int\u00e9rprete levanta a performance, da inven\u00e7\u00e3o da mulher negra no Brasil.<\/p>\n<p>Antes de come\u00e7ar a sess\u00e3o, enquanto o p\u00fablico aguardava o chamado, uma mo\u00e7a circulava a limpar o ch\u00e3o. Achei estranho. Mas isso j\u00e1 fazia parte da performance, da demonstra\u00e7\u00e3o de invisibilidade dos papeis subalternos.<\/p>\n<p>O espet\u00e1culo se alinha com o processo de muitas mulheres negras e da pr\u00f3pria atriz. Dos procedimentos que adotou para ser notada, para parecer branca. Do autoengano de que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o preta assim \u00e0 consci\u00eancia da beleza e for\u00e7as negras, que n\u00e3o admite o exotismo a animaliza\u00e7\u00e3o nem a hipersexualiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A performance ironiza de forma potente a imagem da mulher negra nas artes e na m\u00eddia. <em>Isto N\u00e3o \u00e9 Uma Mulata<\/em> ataca clich\u00eas na representa\u00e7\u00e3o da mulher negra. E \u00e9 bastante contundente ao criticar os papeis redutores do trabalho dom\u00e9stico, da sensualidade da passista carnavalesca e do corpo exuberante.<\/p>\n<p>Como exerc\u00edcio de teatro pol\u00edtico, a pe\u00e7a tamb\u00e9m cumpre a fun\u00e7\u00e3o de falar de afetividade e solid\u00e3o, da feminilidade estilha\u00e7ada, de racismo. Enquanto pr\u00e1tica pol\u00edtica. <em>Isto N\u00e3o \u00c9 Uma Mulata<\/em> leva para o centro da discuss\u00e3o a invisibilidade, a visibilidade reduzida, os estere\u00f3tipos, e o silenciamento. Num tom empoderado, agressivo at\u00e9, de quem est\u00e1 pronta para o combate.<\/p>\n<div id=\"attachment_19379\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-19379\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-19379\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/30525948832_c84bf9d34c_z-e1505838451334.jpg\" alt=\"Ant\u00edgona Recortada\" width=\"600\" height=\"400\"><p id=\"caption-attachment-19379\" class=\"wp-caption-text\">Ant\u00edgona Recortada, do Grupo Bartolomeu de Depoimentos<\/p><\/div>\n<p><strong>ANT\u00cdGONA RECORTADA: CANTOS QUE CONTAM SOBRE POUSOS P\u00c1SSAROS<\/strong><\/p>\n<p>Os cl\u00e1ssicos s\u00e3o assim: t\u00eam f\u00f4lego para aceitar demandas contempor\u00e2neas, para afinar urg\u00eancias pol\u00edticas e crescer em po\u00e9ticas. Ocorre com <em>Ant\u00edgona recortada: cantos que contam sobre pousos p\u00e1ssaros<\/em>, montagem do N\u00facleo Bartolomeu de Depoimentos, que traz o mito grego de Ant\u00edgona para os tempos atuais. A trag\u00e9dia de S\u00f3focles serve de base para mostrar meninas da periferia, que organizam uma a\u00e7\u00e3o contra o exterm\u00ednio de seus irm\u00e3os pela a\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico.<\/p>\n<p>J\u00e1 faz 13 anos que o N\u00facleo Bartolomeu de Depoimentos surgiu com o intuito de tra\u00e7ar fluxos entre a cultura hip-hop com o teatro \u00e9pico. O grupo \u00e9 formado por Claudia Schapira, Eug\u00eanio Lima, Luaa Gabanini e Roberta Estrela D\u2019Alva.<\/p>\n<p>No texto original de S\u00f3focles, Ant\u00edgona defende o direito de enterrar o seu irm\u00e3o Polinices com todas as honras f\u00fanebres. Isso vai de encontro \u00e0s ordens de Creonte (a figura do Estado), que decidiu que somente o outro filho de \u00c9dipo, Et\u00e9ocles \u00e9 merecedor de tais honras, pois foi morto em combate pela defesa Tebas, cuja sucess\u00e3o do trono foi motivo da batalha entre os irm\u00e3os.<\/p>\n<p><em>Ant\u00edgona recortada<\/em> pega do original grego a discuss\u00e3o do direito de as periferias sepultarem dignamente seus mortos exterminados pelo tr\u00e1fico e com isso se insurge contra os chefes.<\/p>\n<p>As atrizes-MCs Luaa Gabanini e Roberta Estrela D\u2019Alva expressam com o corpo e a voz o trabalho de recolher os corpos dos meninos para promover o justo descanso. A palavra pronunciada ritmicamente (&#8220;spoken word&#8221;) pelas duas int\u00e9rpretes \u00e9 cercada, trancada e comentada nas batidas sintetizadas e misturadas pelo DJ Eug\u00eanio Lima, provocando uma potente experi\u00eancia sensorial. E nessa mistura sonora entram diversos sons, falas \u2013 como as de Juscelino Kubitschek e Lula &#8211; e m\u00fasicas de v\u00e1rios matizes, do MPB ao funk.<\/p>\n<p>Com texto e dire\u00e7\u00e3o de Claudia Schapira, a pe\u00e7a mira a viol\u00eancia exercida nas periferias e favelas, mas remete para as reivindica\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7as praticadas na ilegalidade ou ainda sob a capa da legalidade.<\/p>\n<div id=\"attachment_19380\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-19380\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-19380\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/30031039263_7b410a9069_z-e1505838628973.jpg\" alt=\"Artistas falam de um lugar que n\u00e3o existe mais\" width=\"600\" height=\"400\"><p id=\"caption-attachment-19380\" class=\"wp-caption-text\">Artistas falam de um lugar que n\u00e3o existe mais<\/p><\/div>\n<p><strong>N\u00c3O ME ENVERGONHO DO MEU PASSADO COMUNISTA<\/strong><\/p>\n<p>Sanja Mitrovi\u0107 (1978) e Vladimir Aleksi\u0107 (1977) nasceram em Zrenjanin, na Rep\u00fablica Socialista Federativa da Iugosl\u00e1via, atual S\u00e9rvia. Ela trabalha atualmente entre Bruxelas e Amsterd\u00e3. Ele voltou \u00e0 S\u00e9rvia para reconstruir sua vida. Amigos de inf\u00e2ncia, eles comungam da mesma mem\u00f3ria de um pa\u00eds que n\u00e3o existe mais. A partir dessas lembran\u00e7as pessoais, do passado socialista, do sentido de comunidade e da hist\u00f3ria do cinema iugoslavo, eles ergueram o espet\u00e1culo <em>N\u00e3o me envergonho do meu passado Comunista (I Am Not Ashamed of My Communist Past).<\/em><\/p>\n<p>O sentimento de perda desses dois artistas \u00e9 mostrado na pe\u00e7a numa mistura melanc\u00f3lica do auge ao colapso das empresas socialistas e o avan\u00e7o do conservadorismo. Sanja e Vladimir tra\u00e7am um di\u00e1logo entre cinema e teatro e utilizam uma s\u00e9rie de estrat\u00e9gias \u2013 de coment\u00e1rios em \u00e1udio, sincroniza\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea para criar uma cena f\u00edsica e elucida\u00e7\u00e3o do que \u00e9 fict\u00edcio ao entrela\u00e7ar suas experi\u00eancias de vida com as dos filmes, que formam um mosaico da hist\u00f3ria do territ\u00f3rio iugoslavo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Partindo da autobiografia da dupla, a pe\u00e7a exp\u00f5e as transforma\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas e afetivas impostas pelas guerras, o p\u00f3s-socialismo, o neoliberalismo. A devasta\u00e7\u00e3o da cidade natal dos artistas, que era uma pot\u00eancia econ\u00f4mica, atingiu a vida pessoal de cada um deles. Com arquivos de filmes que refletem uma multiplicidade de posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e culturais, eles projetam as contradi\u00e7\u00f5es da sociedade em que viveram.<\/p>\n<p>Os testemunhos reais est\u00e3o repletos de humor e de cr\u00edtica ao capitalismo desenfreado, dos perigos do nacionalismo, do racismo e do \u00f3dio, da iconografia da destrui\u00e7\u00e3o do Leste Europeu, e as identidades europeias numa \u00e9poca de grandes migra\u00e7\u00f5es globais.<\/p>\n<div id=\"attachment_19381\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-19381\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-19381\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/30628590226_3190a979b4_z-e1505838855319.jpg\" alt=\"Ator Eduardo Okamoto\" width=\"600\" height=\"400\"><p id=\"caption-attachment-19381\" class=\"wp-caption-text\">Ator Eduardo Okamoto<\/p><\/div>\n<p><strong>OE<\/strong><\/p>\n<p>Um poema para a cena que sintetiza 28 imagens oscilantes entre a tradu\u00e7\u00e3o do sonho e mem\u00f3ria, viv\u00eancia e imagina\u00e7\u00e3o, palavras e sil\u00eancios. O espet\u00e1culo <em>Oe<\/em> tem essa pretens\u00e3o grandiosa, apesar de sua apar\u00eancia simples. Traz um corpo altamente emotivo em gestos e express\u00f5es, mesmo as mais suaves. Esse solo com dramaturgia inspirada na obra do escritor japon\u00eas Kenzaburo Oe &#8211; vencedor do Nobel de Literatura de 1994, mais especificamente no livro <em>Jovens de um novo tempo, despertai!<\/em> trabalha com urg\u00eancias e impossibilidades. Ao identificar a amea\u00e7a da morte, um homem escreve para o seu filho primog\u00eanito, que possui&nbsp; defici\u00eancia intelectual, um livro contendo a defini\u00e7\u00e3o de todas as coisas existentes no mundo.<\/p>\n<p>O ator Eduardo Okamoto encara a vertigem terr\u00edvel de um pai dividido entre amor e culpa em rela\u00e7\u00e3o ao seu primog\u00eanito, um menino que sofre de uma defici\u00eancia intelectual cong\u00eanita e se sup\u00f5e eternamente dependente.<\/p>\n<p>O diretor Marcio Aurelio utiliza poucos recursos: cen\u00e1rio reduzido a alguns objetos, uma movimenta\u00e7\u00e3o desenhada e breves oscila\u00e7\u00f5es na voz. A dramaturgia de C\u00e1ssio Pires ergue epis\u00f3dios que n\u00e3o seguem uma ordem l\u00f3gica ou temporal.<\/p>\n<p>O filho s\u00f3 desenvolveu a fala depois dos seis anos de idade, aprendendo com o som dos p\u00e1ssaros. O menino aprendeu a tocar piano e, hoje, \u00e9 compositor respeitado no Jap\u00e3o e fora dele.<\/p>\n<p>O espet\u00e1culo prop\u00f5e um chamado para novas formas de cidadania, baseadas na responsabilidade intransfer\u00edvel de cada ser sobre suas a\u00e7\u00f5es: \u201c[h\u00e1 uma] conex\u00e3o existente entre a viol\u00eancia em escala mundial, representada por artefatos nucleares, e a viol\u00eancia existente no interior de um \u00fanico ser humano\u201d, escreve Kenzaburo Oe.<\/p>\n<p>Para dar vida a t\u00e3o profundo personagem, o ator Eduardo Okamoto realizou um est\u00e1gio em 2014, no Kazuo Ohno Dance Studio, localizado no Jap\u00e3o, transportando sensa\u00e7\u00f5es aos movimentos do corpo tirados do Butoh, dan\u00e7a japonesa criada por Tatsumi Hijikata e Kazuo Ohno.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Para onde ir?&#8221;, debate-se o Grupo Galp\u00e3o, num movimento interno de auto purga\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m provoca pequenos abalos s\u00edsmicos pelo pa\u00eds com o espet\u00e1culo N\u00f3s. Os atores est\u00e3o vibrando&nbsp;sobre conviv\u00eancia em grupo, diferen\u00e7as, toler\u00e2ncias e afetos al\u00e7ados ao limite. Mas tamb\u00e9m da ambival\u00eancia, de um ethos desnudado frente ao p\u00fablico e que revela as contradi\u00e7\u00f5es [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[1],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19371"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19371"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19371\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19387,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19371\/revisions\/19387"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19371"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19371"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19371"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}