{"id":18970,"date":"2017-08-02T15:18:20","date_gmt":"2017-08-02T18:18:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=18970"},"modified":"2017-08-02T15:27:47","modified_gmt":"2017-08-02T18:27:47","slug":"magiluth-no-reino-feliz-da-dinamarca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/magiluth-no-reino-feliz-da-dinamarca\/","title":{"rendered":"Magiluth no reino feliz da Dinamarca"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_18980\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2017\/08\/02\/magiluth-no-reino-feliz-da-dinamarca\/dinamarca-por-bruna-valenca-grupo-magiluth-5-1\/\" rel=\"attachment wp-att-18980\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-18980\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-18980\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/DINAMARCA-POR-BRUNA-VALEN\u00c7A-GRUPO-MAGILUTH-5-1-e1501694971407.jpg\" alt=\"Magiluth estreia Dinamarca, 9\u00ba espet\u00e1culo do grupo. Foto: Bruna Valen\u00e7a\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-18980\" class=\"wp-caption-text\">Magiluth estreia Dinamarca, 9\u00ba espet\u00e1culo do grupo. Foto: Bruna Valen\u00e7a<\/p><\/div>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje que o Magiluth pensava em enveredar por uma dramaturgia cl\u00e1ssica. Lembro que, quando o grupo estava prestes a comemorar dez anos, o ator e dramaturgo Giordano Castro falava com entusiasmo em <em>Otelo<\/em>. A vida foi levando para outros caminhos, mas no processo de cria\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo anterior, <em>O ano em que sonhamos perigosamente<\/em> (2015), eles chegaram a cogitar utilizar trechos de Shakespeare em meio ao caos fragmentado que se tornou&nbsp;a encena\u00e7\u00e3o; na ocasi\u00e3o, Tch\u00e9kov se imp\u00f4s, cabia perfeitamente, e ocupou quaisquer poss\u00edveis espa\u00e7os. Ao decidirem continuar investigando o tempo presente, nas palavras do ator e diretor Pedro Wagner, &#8220;um terreno f\u00e9rtil para golpes, para uma direita extremamente conservadora que est\u00e1 tomando conta de todo os lugares do mundo&#8221;, chegaram a <em>Hamlet<\/em>.<\/p>\n<p><em>Dinamarca<\/em>, no entanto, que estreia nesta quarta-feira (2), no Teatro Marco Camarotti, no Sesc Santo Amaro, no Recife, n\u00e3o se trata de uma adapta\u00e7\u00e3o ou vers\u00e3o do bardo ingl\u00eas. Shakespeare foi ponto de partida, mas pelas palavras dos integrantes do grupo, talvez funcione mais como esteio ou trampolim. Trechos, frases e sentidos de Shakespeare est\u00e3o l\u00e1, mas n\u00e3o a linearidade, ou mesmo todos os personagens. &#8220;<em>Dinamarca<\/em> s\u00f3 existe porque existiu <em>O ano<\/em>. Entendemos que a maneira como a gente estava dialogando com o texto vinha da atmosfera e das coisas que t\u00ednhamos discutido enquanto dramaturgia ou exerc\u00edcio de cena para a cria\u00e7\u00e3o do <em>Ano<\/em>&#8220;, explica Pedro Wagner, que assume a dire\u00e7\u00e3o e, desta vez, n\u00e3o integra o elenco. &#8220;N\u00e3o foi uma escolha inicial de ter um olhar de fora para dirigir. O que aconteceu foi que passei muito tempo durante os ensaios fazendo outros trabalhos, no audiovisual, no teatro com Felipe Hirsch e, quando voltei, o jogo entre os meninos j\u00e1 estava muito estabelecido. Era dif\u00edcil conseguir me inserir. Foi incompet\u00eancia minha mesmo&#8221;, brinca. Est\u00e3o no elenco Giordano Castro, que tamb\u00e9m assina a dramaturgia, Erivaldo Oliveira, Lucas Torres, M\u00e1rio S\u00e9rgio Cabral e o estreante Bruno Parmera (que j\u00e1 estava em cena substituindo Pedro Wagner em apresenta\u00e7\u00f5es de <em>Luiz Lua Gonzaga<\/em>, mas ainda n\u00e3o tinha participado efetivamente de um processo de cria\u00e7\u00e3o com o grupo).<\/p>\n<p>O personagem disparador para as discuss\u00f5es que o grupo pretende levar \u00e0 cena foi Claudius, tio de Hamlet, que casa com a cunhada um m\u00eas depois da morte do rei, pai de Hamlet. &#8220;Ele fala pro Hamlet que est\u00e1 tudo bem, que ele \u00e9 como um filho, que Hamlet n\u00e3o pode ficar chorando pra sempre. Isso nos interessava, esse estado de saber que n\u00e3o est\u00e1 tudo bem, mas olhar no olho e fazer o outro acreditar nisso&#8221;, diz Wagner. No espet\u00e1culo, um grupo de pessoas participa de uma festa de casamento. Dizem beber, mesmo que n\u00e3o haja nenhuma bebida. Evitam conflitos. Querem viver momentos agrad\u00e1veis. &#8220;No <em>Ano<\/em>, aquele grupo estava no epicentro de um furac\u00e3o. Agora, estamos na periferia, e pensamos que esse furac\u00e3o n\u00e3o nos afeta. Vivemos em bolhas. Voc\u00ea s\u00f3 v\u00ea o que quer ver, s\u00f3 l\u00ea o que quer, e a\u00ed desperdi\u00e7amos a possibilidade de di\u00e1logo, de crescimento, de perceber que existem pontos revelantes do outro lado. Essas bolhas n\u00e3o s\u00e3o privil\u00e9gio da esquerda ou da direita&#8221;, defende&nbsp;Giordano Castro.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m uma tentativa de problematizar nossa identidade em rela\u00e7\u00e3o ao que nos parece um modelo a ser seguido. &#8220;Elsinore n\u00e3o cabe na Dinamarca contempor\u00e2nea, o povo mais feliz do mundo, que est\u00e1 em todas as listas de melhor distribui\u00e7\u00e3o de renda, qualidade de vida. O que seria tentar ser esse dinamarqu\u00eas aqui? Vestir essa camisa que n\u00e3o me cabe, mas que eu tento vestir mesmo assim?&#8221;, questiona o diretor. O que pode significar, por exemplo, Erivaldo Oliveira dizer que \u00e9 dinamarqu\u00eas, tem olhos azuis e cabelos ruivos? Mesmo sendo \u00f3bvio que n\u00e3o? A felicidade a todo custo, que se instaura teoricamente pela aus\u00eancia de conflitos, \u00e9 uma das quest\u00f5es em <em>Dinamarca<\/em>.<\/p>\n<p>Ainda&nbsp;que seja uma decorr\u00eancia do <em>O ano em que sonhamos perigosamente <\/em>( e n\u00e3o h\u00e1 a decis\u00e3o sobre uma poss\u00edvel trilogia) a rela\u00e7\u00e3o que o grupo vai tentar construir com o espectador \u00e9 outra. Digamos&#8230;mais palat\u00e1vel. Talvez pela dramaturgia menos entrecortada, menos cheia de refer\u00eancias, por uma constru\u00e7\u00e3o mais fluida de pensamento. Ainda assim, avisa Giordano Castro, &#8220;pedimos que as pessoas cheguem mais perto, mas n\u00e3o t\u00e3o perto assim&#8221;, ri. De qualquer forma, as influ\u00eancias, seja do pop, do brega, de f\u00e1cil identifica\u00e7\u00e3o e ades\u00e3o, presentes em muitos trabalhos do Magiluth, em certa medida est\u00e3o de volta. Pode aguardar David Guetta ou Leonardo Sullivan, por exemplo. &#8220;Quando o amanh\u00e3 chegar, vou te esperar sorrindo&#8221;, assumem em algum momento. Ser\u00e1 mesmo?<\/p>\n<div id=\"attachment_18981\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2017\/08\/02\/magiluth-no-reino-feliz-da-dinamarca\/dinamarca-por-bruna-valenca-grupo-magiluth-4\/\" rel=\"attachment wp-att-18981\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-18981\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-18981\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/DINAMARCA-POR-BRUNA-VALEN\u00c7A-GRUPO-MAGILUTH-4-e1501695123642.jpg\" alt=\"Espet\u00e1culo \u00e9 uma consequ\u00eancia da montagem anterior, O ano em que sonhamos perigosamente\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-18981\" class=\"wp-caption-text\">Espet\u00e1culo \u00e9 consequ\u00eancia da montagem anterior, O ano em que sonhamos perigosamente<\/p><\/div>\n<p>Um dos destaques no trabalho deve ser a trilha sonora executada ao vivo pelo duo Pachka, formado pelos m\u00fasicos Miguel Mendes e Tom\u00e1s Brand\u00e3o (os mesmos que trabalharam com a Remo Produ\u00e7\u00f5es em <em>Rei Lear<\/em>). Eles fazem m\u00fasica n\u00e3o s\u00f3 com instrumentos, mas com dispositivos eletr\u00f4nicos, e participaram de todo o processo de cria\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo ao lado do Magiluth. O grupo tamb\u00e9m contou com a colabora\u00e7\u00e3o de Giovana Soar e Nadja Naira, da Companhia Brasileira de Teatro, como provocadoras, e voltaram a trabalhar na dire\u00e7\u00e3o de arte com Guilherme Luigi.<\/p>\n<p>Depois das poucas apresenta\u00e7\u00f5es no Teatro Marco Camarotti (dias 2, 3, 5 e 6, \u00e0s 20h), o Magiluth&nbsp;segue para o Barreto J\u00fanior, no Pina. Provavelmente, no m\u00eas de setembro, o grupo faz uma temporada em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica<\/strong><br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o:<\/strong> Pedro Wagner<br \/>\n<strong>Dramaturgia:<\/strong> Giordano Castro<br \/>\n<strong>Elenco:<\/strong> Bruno Parmera, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, M\u00e1rio Sergio Cabral e Lucas Torres<br \/>\n<strong>Desenho de Som:<\/strong> Miguel Mendes e Tom\u00e1s Brand\u00e3o (PACHKA)<br \/>\n<strong>Desenho de Luz:<\/strong> Grupo Magiluth<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o de Arte:<\/strong> Guilherme Luigi<br \/>\n<strong>Fotografia:<\/strong> Bruna Valen\u00e7a<br \/>\n<strong>Design Gr\u00e1fico: <\/strong>Guilherme Luigi<br \/>\n<strong>T\u00e9cnico:<\/strong> Lucas Torres<br \/>\n<strong>Realiza\u00e7\u00e3o<\/strong>: Grupo Magiluth<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o:<\/strong><br \/>\n<em>Dinamarca<\/em><br \/>\n<strong>Quando: <\/strong>Quarta (2), quinta (3), s\u00e1bado (5) e domingo (6), \u00e0s 20h<br \/>\n<strong>Onde:<\/strong> Teatro Marco Camarotti, Sesc Santo Amaro<br \/>\n<strong>Quanto:<\/strong> R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)<br \/>\n<strong>Dura\u00e7\u00e3o:<\/strong> 1h20min<br \/>\n<strong>Classifica\u00e7\u00e3o <\/strong>: 16 anos<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje que o Magiluth pensava em enveredar por uma dramaturgia cl\u00e1ssica. 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