{"id":18825,"date":"2017-05-31T17:08:59","date_gmt":"2017-05-31T20:08:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=18825"},"modified":"2017-05-31T17:09:48","modified_gmt":"2017-05-31T20:09:48","slug":"a-danca-do-cao-sem-pluma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/a-danca-do-cao-sem-pluma\/","title":{"rendered":"A dan\u00e7a do C\u00e3o sem Pluma"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_18826\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-18826\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-18826\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/33775631654_fbf69721e1_k-e1496257534558.jpg\" alt=\"O C\u00e3o sem Plumas. Foto: Cafi \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"600\" height=\"387\"><p id=\"caption-attachment-18826\" class=\"wp-caption-text\">Dan\u00e7a inspirada na obra de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto. Foto: Cafi \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto (1920\u20132000) admitiu que escreveu <em><strong>O C\u00e3o Sem Plumas<\/strong><\/em> sob o impacto de uma not\u00edcia que leu numa revista de que a expectativa de vida no Recife era de 28 anos, e, na \u00cdndia, de 29. Na obra composta entre 1949 e 1950, o escritor ergueu suas imagens po\u00e9ticas \u00e0 dist\u00e2ncia, da sua mem\u00f3ria do rio, pois nessa \u00e9poca, como diplomata, morava em Barcelona.<\/p>\n<p>O Recife que a lente do rio revela \u00e9 uma cidade sem cuidado, sem enfeites. A lama, a \u00e1gua quase estagnada do Capibaribe transforma o homem tamb\u00e9m em paisagem. O movimento moroso, quase estancado contagia o ser.<\/p>\n<p>O poema de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto \u00e9 a inspira\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo <em><strong>C\u00e3o sem Plumas<\/strong><\/em>, da Cia. de Dan\u00e7a Deborah Colker, que estreia neste s\u00e1bado e \u00e9 reapresentado no domingo, no Teatro Guararapes. Para erguer a montagem, a core\u00f3grafa veio a Pernambuco em 2015, quando percorreu o Capibaribe da nascente \u00e0 foz. E no ano passado, quando acompanhada por seus bailarinos, realizou uma resid\u00eancia art\u00edstica em v\u00e1rias cidades do estado &#8211; entre Sert\u00e3o, Agreste e&nbsp;Recife. E exibiu trecho da encena\u00e7\u00e3o no Marco Zero.<\/p>\n<p>Mas o processo criativo come\u00e7ou h\u00e1 quatro anos, quando Colker releu a obra de Cabral e se entusiasmou por lev\u00e1-la ao palco.<\/p>\n<div id=\"attachment_18828\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-18828\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-18828\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/33775673034_9afa1edab0_k-e1496259767754.jpg\" alt=\"Foto Cafi: Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"600\" height=\"400\"><p id=\"caption-attachment-18828\" class=\"wp-caption-text\">Foto Cafi: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>O primeiro espet\u00e1culo assinado por Deborah com tem\u00e1tica explicitamente brasileira tra\u00e7a o percurso do Rio Capibaribe, exp\u00f5e a pobreza da popula\u00e7\u00e3o ribeirinha, a destrui\u00e7\u00e3o da natureza, a gan\u00e2ncia das elites, a vida no mangue.<\/p>\n<p>O tom \u00e9 de cr\u00edtica, de coisas inconceb\u00edveis que acontecem pelo descaso dos governos. A vida Severina desse bicho-homem que segue pulsante na paisagem caudalosa, ganha os passos de uma coreografia que evoca a movimenta\u00e7\u00e3o dos caranguejos. O ge\u00f3grafo Josu\u00e9 de Castro (1908-1973), autor de <em>Geografia da fome<\/em> e <em>Homens e caranguejos<\/em>, investigou essas muta\u00e7\u00f5es. E o cantor e compositor Chico Science (1966-1997), principal nome do manguebeat, levou para a m\u00fasica pop os conceitos de Castro, para miscigenar uma das cria\u00e7\u00f5es musicais brasileiras mais potentes dos \u00faltimos tempos.<\/p>\n<div id=\"attachment_18829\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-18829\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-18829\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/33808740203_2bc4a26e99_k-e1496259912605.jpg\" alt=\"Foto: Cafi\" width=\"600\" height=\"400\"><p id=\"caption-attachment-18829\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Cafi<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_18830\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-18830\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-18830\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/34232702780_3336babe2c_k-e1496259927224.jpg\" alt=\"Dramaturgia e dire\u00e7\u00e3o do filme s\u00e3o de Cl\u00e1udio Assis. Foto: Cafi: Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"600\" height=\"400\"><p id=\"caption-attachment-18830\" class=\"wp-caption-text\">Dramaturgia e dire\u00e7\u00e3o do filme exibido ao fundo s\u00e3o de Cl\u00e1udio Assis. Foto: Cafi: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Cobertos e lama os bailarinos misturam na dan\u00e7a o maracatu e o coco, e tamb\u00e9m o samba, o jongo e kuduro. A trilha sonora original \u00e9 assinada pelos pernambucanos Jorge Du Peixe, da banda Na\u00e7\u00e3o Zumbi e Lirinha (ex-cantor do Cordel do Fogo Encantado, poeta e ator), al\u00e9m do carioca Berna Ceppas, que integra a equipe de Deborah desde <em>Vulc\u00e3o<\/em> (1994).<\/p>\n<p>O cinema amplifica o poder da obra, com cenas de um filme feitas por Deborah e pelo cineasta pernambucano Cl\u00e1udio Assis (diretor de<em> Amarelo Manga<\/em>, <em>Febre do Rato<\/em> e <em>Big Jato<\/em>). As imagens s\u00e3o projetadas no fundo do palco e produzem outras camadas nos corpos dos 13 bailarinos. Al\u00e9m do registro fotogr\u00e1fico feito por Cafi.<\/p>\n<p>No repert\u00f3rio do grupo est\u00e3o montagens mais pop como <em>Velox<\/em> (1995), <em>Rota<\/em> (1997) e <em>Casa<\/em> (1999). E os de apelo mais subjetivos, dos afetos como <em>N\u00f3<\/em> (2005), <em>Cruel<\/em> (2008), <em>Tatyana<\/em> (2011) e <em>Belle<\/em> (2014). Em 2009 Deborah elaborou <em>Ovo<\/em>, para o Cirque de Soleil. E no ano passado foi a diretora de movimento da cerim\u00f4nia de abertura das Olimp\u00edadas do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica<\/strong><br \/>\n<strong>Cria\u00e7\u00e3o, Coreografia e Dire\u00e7\u00e3o:<\/strong> Deborah Colker<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o Executiva:<\/strong> Jo\u00e3o Elias<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o Cinematogr\u00e1fica e Dramaturgia:<\/strong> Claudio Assis<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o De Arte e Cenografia:<\/strong> Gringo Cardia<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o Musical:<\/strong> Jorge Du Peixe e Berna Ceppas Participa\u00e7\u00e3o Especial Lirinha<br \/>\n<strong>Desenho De Luz:<\/strong> Jorginho De Carvalho<br \/>\n<strong>Figurinos:<\/strong> Cl\u00e1udia Kopke<br \/>\n<strong>Patroc\u00ednio:<\/strong> Petrobras<\/p>\n<p><strong>SERVI\u00c7O<\/strong><br \/>\n<em><strong>C\u00e3o sem Plumas<\/strong><\/em>, da Cia. de Dan\u00e7a Deborah Colker<br \/>\n<strong>Quando:<\/strong> 3 de junho (s\u00e1bado), \u00e0s 21h e 4 de junho (domingo), \u00e0s 20h<br \/>\n<strong>Onde:<\/strong> Teatro Guararapes &#8211; Centro de Conven\u00e7\u00f5es, s\/n, Olinda<br \/>\n<strong>Ingresso:<\/strong> Plateia: R$ 120 e R$ 60 (meia) para o setor 1, R$ 100 e R$ 50 (meia) para o setor 2 e R$ 80 e R$ 40 (meia) para o setor 3; Balc\u00e3o: R$ 50 e R$ 25 (meia), \u00e0 venda na bilheteria, nas lojas Chili Beans e no site Bilheteria Digital<br \/>\n<strong>Dura\u00e7\u00e3o:<\/strong> 1h10 minutos<br \/>\n<strong>Classifica\u00e7\u00e3o:<\/strong> Livre<br \/>\n<strong>Informa\u00e7\u00f5es:<\/strong> 3182-8020<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto (1920\u20132000) admitiu que escreveu O C\u00e3o Sem Plumas sob o impacto de uma not\u00edcia que leu numa revista de que a expectativa de vida no Recife era de 28 anos, e, na \u00cdndia, de 29. 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