{"id":18739,"date":"2017-05-09T15:05:41","date_gmt":"2017-05-09T18:05:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=18739"},"modified":"2017-05-09T15:05:41","modified_gmt":"2017-05-09T18:05:41","slug":"o-protagonismo-e-das-minas-meu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/o-protagonismo-e-das-minas-meu\/","title":{"rendered":"O protagonismo \u00e9 das minas, meu!"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_18744\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-18744\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-18744 size-full\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Utopyas-For-Every-Day-Life-\u00a9-Mayra-Azzi-10-1-e1494350653361.jpg\" alt=\"Utopyas For Every Day Life com Fl\u00e1via Pinheiro e Foto: Mayra Azzi \" width=\"600\" height=\"400\"><p id=\"caption-attachment-18744\" class=\"wp-caption-text\">Utopyas For Every Day Life com Fl\u00e1via Pinheiro e Carolina Bianchi. Foto: Mayra Azzi<\/p><\/div>\n<p>19h de uma segunda-feira chuvosa no Recife. Alagamentos nos pontos cr\u00edticos da cidade, como de costume. No Bairro Velho, no Museu de Artes Afro Brasil, Rua Mariz e Barros, 328, no sal\u00e3o no segundo andar, uma experi\u00eancia art\u00edstica potente completava tr\u00eas horas de dura\u00e7\u00e3o. Das 16 \u00e0s 19h acompanhamos a movimenta\u00e7\u00e3o ininterrupta de Fl\u00e1via Pinheiro e Carolina Bianchi em <em><strong>Utopyas To Everyday Life<\/strong><\/em>, numa instala\u00e7\u00e3o perform\u00e1tica que tem outra sess\u00e3o hoje como parte da programa\u00e7\u00e3o do <em>TREMA! Festival de Teatro<\/em>. Em tr\u00eas horas, as artistas dan\u00e7aram, se colocaram nos limites de suas for\u00e7as, palpitaram de vitalidade, se sensibilizaram com viol\u00eancia e levaram para o espa\u00e7o uma pulsa\u00e7\u00e3o art\u00edstica da imaterialidade do presente.<\/p>\n<p>O tempo que pautamos apressado ficou suspenso para o compartilhamento de afetos das performers. Muitos estados transitaram nesse per\u00edodo, estampados no rosto ou corpo das bailarinas. Des\u00e2nimo (talvez com tudo que ocorre no Brasil de hoje), tristeza (por um amor desfeito, por uma amizade rompida), seguidos por manifesta\u00e7\u00f5es de alegria, de perseveran\u00e7a, de dor, de for\u00e7a, de cansa\u00e7o, de prazer, de euforia, de combate ao desprazer, de reconfigura\u00e7\u00e3o de cren\u00e7a, de medo passageiro, de coragem sempre.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo fala dessa persegui\u00e7\u00e3o de utopias, que precisa de \u00e2nimo, que muitas vezes arranha, mas \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o de vida pelo encontro. Conflu\u00eancia&nbsp;das duas artistas, de S\u00e3o Paulo, do Recife e suas geografias n\u00f4mades. Em oposi\u00e7\u00e3o ao discurso dist\u00f3pico, essa utopia de fazer arte no pa\u00eds do futebol, de fundar outros territ\u00f3rios leg\u00edtimos com seus corpos e paix\u00f5es.<\/p>\n<div id=\"attachment_18745\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-18745\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-18745\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Utopyas-For-Every-Day-Life-\u00a9-Mayra-Azzi-11-e1494350796278.jpg\" alt=\"Trabalho no fluxo de destacar a produ\u00e7\u00e3o feminina\" width=\"600\" height=\"400\"><p id=\"caption-attachment-18745\" class=\"wp-caption-text\">Trabalho no fluxo de destacar a produ\u00e7\u00e3o feminina<\/p><\/div>\n<p>O espa\u00e7o&nbsp;com muitas janelas abertas permite olhar a realidade distanciada. Um brecha para quem estava dentro dessa <strong><em>Utopya<\/em><\/strong>. Sem nenhum apelo \u00e0 narratividade ou sucess\u00e3o de fatos, o poder das imagens constru\u00eddas por essas duas mulheres remete para o&nbsp;car\u00e1ter brutal do mundo, mas se exp\u00f5e em outra natureza. De car\u00e1ter inenarr\u00e1vel.<\/p>\n<p>Sim, elas caminharam pelas veredas da teoria para dar sustenta\u00e7\u00e3o a essas e outras utopias. Gilles Deleuze, Baruch Espinoza e Eduardo Galeano. Um detalhe aqui, um conceito acol\u00e1, uma frase inspiradora para compor esse lugar.<\/p>\n<p>Classificada pela dupla como&nbsp;instala\u00e7\u00e3o perform\u00e1tica em estado de dan\u00e7a, a pe\u00e7a surgiu da resid\u00eancia art\u00edstica em S\u00e3o Paulo, em janeiro. Durante 180 minutos elas se mexem ao som de uma playlist de m\u00fasicas grudadas na mem\u00f3ria da pele delas, a incendiar mol\u00e9culas de \u00e2nimo. Uma \u201cgoteira infinita\u201d caia em alguns pontos do sal\u00e3o.<\/p>\n<p>O p\u00fablico estava autorizado a se movimentar livremente pelo espa\u00e7o durante o ato art\u00edstico. Uma bailarina entrou no jogo, ajeitou os cabelos de Fl\u00e1via e se enroscou em contatos de carinho e for\u00e7a.<\/p>\n<p>Nesse processo&nbsp;fragmentado, as artistas correm riscos e aceitam os desafios, exploram possibilidades, aguentam as tens\u00f5es e diante de limites e impasses inventam novas possibilidades criativas. <em><strong>Utopyas to every day life<\/strong><\/em> transita por um espa\u00e7o \u2013 f\u00edsico e metaf\u00f3rico \u2013 em que os corpos se exercem sem l\u00f3gicas de prescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_18746\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-18746\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-18746\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Utopyas-For-Every-Day-Life-\u00a9-Mayra-Azzi-6-e1494350880397.jpg\" alt=\"Performance destaca como se manter vivo e digno\" width=\"600\" height=\"502\"><p id=\"caption-attachment-18746\" class=\"wp-caption-text\">Performance destaca como se manter vivo e digno<\/p><\/div>\n<p>Essa <strong><em>Utopya<\/em><\/strong> \u00e9 transforma\u00e7\u00e3o permanente. Uma guerra cotidiana para se manter vivo e inteiro, com lampejos de pequenos prazeres di\u00e1rios e o\u00e1sis encontrados no percurso. E o que n\u00e3o chega no fluxo, \u00e9 produzido com esfor\u00e7o f\u00edsico \/ intelectual \/ energ\u00e9tico para criar outra atmosfera.<\/p>\n<p>Muitos vieses pol\u00edticos podem ser captados na empreitada dessas mulheres que gritam com o suor dos poros contra o machismo e toda e qualquer viol\u00eancia contra a mulher. Que avan\u00e7am em pernadas para forjar nos deslocamentos a relev\u00e2ncia da produ\u00e7\u00e3o feminina.<\/p>\n<p>O corpo \u00e9 a arma de combate nesta sociedade heteronormativo. O campo de a\u00e7\u00e3o das meninas \u00e9 ocupado constantemente&nbsp;por elas, que correm saltam, dan\u00e7am, se unem e separam, transpiram, se machucam no atrito com o ch\u00e3o, com paredes. Se abra\u00e7am e se enroscam, perseguem aspira\u00e7\u00f5es, est\u00e3o em guerra, desconstroem-se, viram figuras de arte, tentam voar, ousam flutuar, se tornam mem\u00f3ria, cantam baixinho trechos de can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Elas se atrevem viver e fazer arte contrapondo o curso do capitalismo, que insiste em transformar tudo em mercadoria. Uma m\u00fasica, um olhar, uma pequena vit\u00f3ria diante dos limites do corpo e das tarefas estressante do cotidiano, alimentam os desejos, d\u00e3o asas aos impulsos criativos.<\/p>\n<p>Ao entrar nesse jogo, nessa sala, o espectador tem o direito de sair e voltar quantas vezes quiser ou permanecer no recinto o tempo inteiro. A escolha de movimento e posi\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o se estende ao p\u00fablico, que pode dan\u00e7ar, ficar sentado, deitar e fruir das no\u00e7\u00f5es de espet\u00e1culo e percep\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na estreia, um jovem macho branco e sem no\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 dan\u00e7ou como tamb\u00e9m quis competir com as garotas. Da goteira de \u00e1gua que caia do teto ele resolveu jogar pingos nas artistas. Tentou compor cenas e n\u00e3o entendeu que existem limites. Foi derrubado tr\u00eas vezes por Fl\u00e1via Pinheiro, numa performance incr\u00edvel da artista. Continuou com a provoca\u00e7\u00e3o, ou tentativa de roubar o protagonismo da performance, e foi derrubado pela dupla de artistas numa jogada que parecia uma partida de beisebol, aplaudida com entusiasmo pelo p\u00fablico.<\/p>\n<p><em><strong>Utopyas to every day life<\/strong><\/em> segue o caminho err\u00e1tico em que as fronteiras entre vida e arte s\u00e3o constantemente questionadas. E a poesia se inscreve nos corpos de Fl\u00e1via e Carolina, figuras inquietas que desafiam as formas convencionais de arte. E depois de tr\u00eas horas de trabalho, o espectador&nbsp;leva para casa seu tesouro secreto de imagens, ideias e sensa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Ficha T\u00e9cnica<\/strong><br \/>\n<strong>Cria\u00e7\u00e3o, Dire\u00e7\u00e3o e Perfomance:<\/strong> Carolina Bianchi e Flavia Pinheiro<br \/>\n<strong>Artistas Colaboradores:<\/strong> Marina Matheus, Lucas Vasconcellos, Pedro Gongom, Rodrigo Andreolli, The Macaquinhos (Andrez Lean Ghizze, Thereza Moura Neves, Fernanda Feliz e Caio Cesar)<br \/>\n<strong>Cenot\u00e9cnica:<\/strong> Rafael Limongelli e Z\u00e9 Andery<br \/>\n<strong>Fotos:<\/strong> Mayra Azzi<br \/>\n<strong>V\u00eddeos:<\/strong> Ricado S\u00eaco<br \/>\n<strong>Produ\u00e7\u00e3o:<\/strong> Carolina Bianchi e Flavia Pinheiro<br \/>\n<strong>Apoio:<\/strong> Trema Festival, Sesc S\u00e3o Paulo, Oficinas Culturais Oswald de Andrade SP, Sexto Andar (PE ) e Casa Liquida (SP)<br \/>\n<strong>SERVI\u00c7O<\/strong><br \/>\n<strong>Utopyas to Every Day Life<\/strong><br \/>\nQuando: Ter\u00e7a-feira, 9 de maio, das 16 \u00e0s 19h (O p\u00fablico pode chegar a hora que quiser dentro da dura\u00e7\u00e3o do trabalho)<br \/>\n<strong>Onde:<\/strong> MUAFRO &#8211; Museu de Artes Afro Brasil (Rua do Apolo, 121, Recife Antigo &#8211; Recife &#8211; PE)<br \/>\n<strong>Quanto:<\/strong> R$ 20,00 inteira e R$ 10,00 meia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>19h de uma segunda-feira chuvosa no Recife. 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