{"id":1858,"date":"2011-04-08T11:19:43","date_gmt":"2011-04-08T14:19:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=1858"},"modified":"2011-04-08T11:21:22","modified_gmt":"2011-04-08T14:21:22","slug":"teatro-do-amazonas-teatro-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/teatro-do-amazonas-teatro-do-mundo\/","title":{"rendered":"Teatro do Amazonas, teatro do mundo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1863\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/franciscocarlos1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1863\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/franciscocarlos1.jpg\" alt=\"\" title=\"Francisco Carlos\" width=\"600\" height=\"354\" class=\"size-full wp-image-1863\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/franciscocarlos1.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/franciscocarlos1-300x177.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1863\" class=\"wp-caption-text\">Francisco Carlos apresentou sete pe\u00e7as no Festival de Curitiba<\/p><\/div>\n<p>Dizem que o amazonense Francisco Carlos tem aproximadamente 40 pe\u00e7as escritas. Mas ele n\u00e3o sabe ao certo. Considera essa informa\u00e7\u00e3o uma lenda. Pode at\u00e9 ser. Mas foi o \u00fanico que ganhou uma pequena mostra dentro do Festival de Curitiba, tendo a oportunidade de apresentar sete montagens, sendo que, de uma delas, n\u00e3o foi realizada uma encena\u00e7\u00e3o propriamente dita, mas uma leitura dramatizada. O convite foi feito por Ivam Cabral, dramaturgo e ator da companhia Os Satyros, que organizou a chamada Conex\u00e3o Roosevelt, no Teatro HSBC, com pe\u00e7as prioritariamente da cena paulistana. <\/p>\n<p>O amazonense de sotaque caracter\u00edstico e \u00f3culos de aros pretos mora desde 2004 em S\u00e3o Paulo (come\u00e7ou a fazer teatro desde que tinha sete anos), mas ainda n\u00e3o conseguiu uma sede para os seus ensaios e apresenta\u00e7\u00f5es. Atualmente, se apresenta na Pra\u00e7a Roosevelt, no espa\u00e7o dos Satyros. Por isso, o convite para compor a grade curitibana.<\/p>\n<p>Mas independente das dificuldades \u2013 reveladas nos poucos recursos para montar as encena\u00e7\u00f5es &#8211; fazer teatro pra Francisco Carlos \u00e9 o mesmo que fazer rock and roll. \u201cS\u00f3 sei fazer isso. Foi a \u00fanica coisa que quis na vida\u201d. E pode ser que ele ainda n\u00e3o tenha proje\u00e7\u00e3o, mas as coisas j\u00e1 mudaram desde que ele montou <em>Banana mec\u00e2nica<\/em> (um dos espet\u00e1culos apresentados aqui em Curitiba) e recebeu uma cr\u00edtica elogiosa de um jornal de grande circula\u00e7\u00e3o. As pessoas apareceram e, com isso, houve a possibilidade de come\u00e7ar a produzir outros espet\u00e1culos.<\/p>\n<p>Os textos do Francisco Carlos podem assustar numa primeira observa\u00e7\u00e3o. Isso porque conseguem reunir refer\u00eancias filos\u00f3ficas, antropol\u00f3gicas, sociais e ainda cultura pop. As hist\u00f3rias n\u00e3o apresentam uma linearidade convencional ou tem personagens bem definidos. Mas h\u00e1 nelas um frescor de novidade, que mistura criatividade e capacidade de se relacionar com os problemas e situa\u00e7\u00f5es da contemporaneidade, e isso n\u00e3o de forma \u00f3bvia. <\/p>\n<p><strong><br \/>\n&#8220;Do meu teatro, acho que as pessoas t\u00eam que sair enfeiti\u00e7adas, tentadas, angustiadas, chocadas\u201d <\/strong><\/p>\n<p>Dentro do seu trabalho ele explica que h\u00e1 uma divis\u00e3o clara. Existem as pe\u00e7as consideradas \u201curbanas\u201d e aquelas do \u201cpensamento selvagem\u201d.  \u201cAs urbanas s\u00e3o aquelas focadas em situa\u00e7\u00f5es que vem do que Walter Benjamim refletiu sobre Baudelaire. De que as metr\u00f3poles trouxeram um novo tipo de humanidade, da multid\u00e3o. E essas montagens s\u00e3o as que tratam dos fen\u00f4menos urbanos extremos\u201d, diz. Fazem parte dessa classifica\u00e7\u00e3o, por exemplo, as montagens <em>Namorados da catedral b\u00eabada<\/em> e <em>Rom\u00e2nticos da Idade M\u00eddia<\/em> (as duas vistas na mostra Conex\u00e3o Roosevelt).<\/p>\n<div id=\"attachment_1865\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/romanticosblog.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1865\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/romanticosblog.jpg\" alt=\"\" title=\"Rom\u00e2nticos da Idade M\u00eddia\" width=\"600\" height=\"367\" class=\"size-full wp-image-1865\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/romanticosblog.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/romanticosblog-300x183.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1865\" class=\"wp-caption-text\">Rom\u00e2nticos da Idade M\u00eddia<\/p><\/div>\n<p>J\u00e1 da segunda classifica\u00e7\u00e3o, o melhor exemplo \u00e9 a tetralogia <em>Jaguar cibern\u00e9tico<\/em> (apresentada completa no Paran\u00e1), que teve sua primeira vers\u00e3o escrita em 1993, mas ainda n\u00e3o entrou em cartaz. \u201cVirou meu work in progress\u201d, conta. O personagem Jaguar, \u201cque seria meu Hamlet-Dion\u00edsio\u201d, atravessa as quatro montagens, aut\u00f4nomas, mas que t\u00eam uma linearidade e formam uma hist\u00f3ria completa. Essas pe\u00e7as, que ele n\u00e3o considera antropol\u00f3gicas, s\u00e3o \u201cum salto no abismo. \u00c9 o meu lugar mais criativo e produtivo\u201d, diz. As montagens, em geral, discutem etnografia, coloniza\u00e7\u00e3o, hist\u00f3ria, humanidade. <\/p>\n<div id=\"attachment_1867\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/jaguariv3.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1867\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/jaguariv3.jpg\" alt=\"\" title=\"Jaguar Cibern\u00e9tico - Ato IV\" width=\"600\" height=\"361\" class=\"size-full wp-image-1867\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/jaguariv3.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/jaguariv3-300x180.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1867\" class=\"wp-caption-text\">Jaguar Cibern\u00e9tico - Ato IV<\/p><\/div>\n<p>O Recife j\u00e1 conhece uma pe\u00e7a do Francisco Carlos enquadrada entre as do \u201cpensamento selvagem\u201d. Trata-se de <em>MuraOutside<\/em>, que foi lida durante durante o Festival Recife do Teatro Nacional em 2007. \u201cFoi uma experi\u00eancia muito legal. Est\u00e1vamos discutindo dramaturgia\u201d. Numa \u00e9poca de sua vida, ali\u00e1s, Francisco Carlos imaginou que o teatro n\u00e3o precisava mais de dramaturgos, com tantos materiais dispon\u00edveis na literatura. Mas mudou de ideia. \u201cA minha admira\u00e7\u00e3o era pela cena moderna. Ent\u00e3o entendi que, se eu escrevesse para esse tipo de cena, seria necess\u00e1rio\u201d. <\/p>\n<p>Depois disso, se preparou muito para escrever \u2013 n\u00e3o s\u00f3 na faculdade de Filosofia, j\u00e1 que diz que nos primeiros per\u00edodos j\u00e1 participava de festivais de teatro e isso atrapalhava, mas na literatura mesmo. \u201cUm dramaturgo precisa ter um projeto claro de dramaturgia. Os dramaturgos hist\u00f3ricos precisam realizar o que chamo de filosofia da cultura, uma reflex\u00e3o sobre a cultura do seu tempo\u201d. <\/p>\n<p><strong>V\u00ea s\u00f3 como s\u00e3o as pe\u00e7as dele:<\/strong><br \/>\n<strong>Banana mec\u00e2nica \u2013<\/strong> Tem como inspira\u00e7\u00e3o a chanchada (com\u00e9dia carnavalesca produzida no Rio de Janeiro nos anos 1940 e 1950) e o teatro de revista. Aborda \u201ca trag\u00e9dia urbana carnavalizada sobre mitos alucinantes, on\u00edricos, surrealistas e fantasiosos, por meio de temas e personagens que comp\u00f5em a mitologia do Carnaval carioca\u201d, como uma Chiquita-bacana-existencialista-sado-masoquista; seu filho-Ad\u00f4nis-Moleque-indigesto; um Pierrot-Ad\u00e3o-Melanc\u00f3lico; um marinheiro Genetiano; uma Eva-Disney; uma atriz-Medusa-Super-Ego; e um Z\u00e9-Pereira Baco.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2011\/04\/03\/vida-loka\/\">Namorados da catedral b\u00eabada &#8211; <\/a><\/strong>B\u00e1rbara B\u00eabada vive numa casa-adega em S\u00e3o Paulo. \u00c9 apaixonada por Dom Diogo, que satisfaz seus desejos sexuais com a vedete Sandra-Spotlight e tamb\u00e9m com um garoto de ar inocente, que engravida e \u00e9 enjaulado. Tem tamb\u00e9m um garoto-seguran\u00e7a que ela tirou da Febem e abrigou, e protege a casa do Porc\u00e3o, que j\u00e1 transou com B\u00eabada e aproveitou para assalt\u00e1-la. Outro personagem \u00e9 o Gato-Bruxo que faz uma por\u00e7\u00e3o m\u00e1gica para matar a vedete Sandra. Fala de viol\u00eancia, drogas, relacionamento, cultura pop.<\/p>\n<p><strong>Rom\u00e2nticos da Idade M\u00eddia \u2013<\/strong> Francisco Carlos diz que escreveu esta pe\u00e7a na d\u00e9cada de 1980. Por dificuldades em reunir o elenco, aqui em Curitiba foi realizada uma leitura dramatizada, ou melhor, um experimento c\u00eanico, inclusive com interfer\u00eancias do diretor. Ele diz que \u00e9 uma \u201ctrag\u00e9dia-pastiche\u201d, criada a partir da ideia de Umberto Eco de que estar\u00edamos vivendo uma nova Idade M\u00e9dia. S\u00e3o tr\u00eas casais, sendo que um deles \u00e9 o patriarca. <\/p>\n<p><strong>Jaguar Cibern\u00e9tico \u2013 <\/strong>S\u00e3o quatro atos:<em> Banquete Tupinamb\u00e1<\/em>, <em>Abor\u00edgene em metr\u00f3polis<\/em>, <em>Xamanismo the connection <\/em>e <em>Floresta de carbono: de volta ao para\u00edso perdido<\/em>. Embora sejam aut\u00f4nomas, as montagens conversam entre si. O personagem Jaguar, um \u00edndio, est\u00e1 em todas elas. Desde os conflitos com o homem branco, o enfrentamento com a terra estrangeira, a volta \u00e0 floresta. Essas obras conversam com muitas outras artes, como o cinema, os quadrinhos e at\u00e9 a moda. <\/p>\n<div id=\"attachment_1869\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/jaguarii4.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1869\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/jaguarii4.jpg\" alt=\"\" title=\"Jaguar Cibern\u00e9tico - Ato II\" width=\"600\" height=\"376\" class=\"size-full wp-image-1869\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/jaguarii4.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/jaguarii4-300x188.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1869\" class=\"wp-caption-text\">Jaguar Cibern\u00e9tico - Ato II<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dizem que o amazonense Francisco Carlos tem aproximadamente 40 pe\u00e7as escritas. 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