{"id":18302,"date":"2017-01-28T15:47:37","date_gmt":"2017-01-28T18:47:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=18302"},"modified":"2017-01-28T17:44:37","modified_gmt":"2017-01-28T20:44:37","slug":"grito-pelo-empoderamento-feminino-primeira-versao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/grito-pelo-empoderamento-feminino-primeira-versao\/","title":{"rendered":"Grito pelo empoderamento feminino &#8211; primeira vers\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_18303\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-18303\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-18303 size-full\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Grito-com-Coletivo-Soma-fotografia-de-Wellington-Dantas-e1485613620438.jpg\" alt=\"Coletivo Soma. Foto: Wellington Dantas\/ Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"600\" height=\"902\"><p id=\"caption-attachment-18303\" class=\"wp-caption-text\">Coletivo Soma. Foto: Wellington Dantas\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Uma clima sombrio. Uma atmosfera de temor, de espreita, de persegui\u00e7\u00e3o tra\u00e7a as primeiras linhas do espet\u00e1culo <em><strong>Grito<\/strong><\/em>, do recifense Coletivo Soma, que estreou nessa sexta-feira (27), dentro da programa\u00e7\u00e3o do Janeiro de Grandes Espet\u00e1culos. As atrizes\/bailarinas Anne Costa e Marta Guimar\u00e3es representam, nos momentos iniciais, o medo de mulheres que andam nas ruas do Recife na volta do trabalho ou de qualquer outra atividade que precisem fazer a p\u00e9. Com pequenos deslocamentos no palco, correndo em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es elas delineiam um quadro assustador. O desenho de luz de Natalie Revoredo materializa de forma quase t\u00e1til essas ambienta\u00e7\u00f5es e mudan\u00e7as de conjunturas. Essa luz \u00e9 quase um personagem.<\/p>\n<p>\u00c9 inevit\u00e1vel lembrar de casos recentes de estupros no Recife, de uma empres\u00e1ria no bairro das Gra\u00e7as e de uma estudante universit\u00e1ria, no Parnamirim. Casos esses bem explorados pela m\u00eddia. Mas sabemos que h\u00e1 muitos outros n\u00e3o registrados. Ent\u00e3o perguntamos: o que o governo do Estado de Pernambuco e a prefeitura do Recife est\u00e3o fazendo para garantir a seguran\u00e7a dos cidad\u00e3os e para impedir que casos como esses se repitam? E n\u00e3o aceitamos fal\u00e1cias como respostas. Reajam ao <strong>Grito<\/strong>.<\/p>\n<p>Os shorts com motivos policiais e a camiseta regata branca do figurino aludem ao treinamento militar, com suas rotinas de condicionamentos f\u00edsicos brutos e de pouco exerc\u00edcio de sensibiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nas demonstra\u00e7\u00f5es de marchas, elas cantam <em>Mulher Rendeira<\/em> e <em>Acorda Maria Bonita<\/em>, duas can\u00e7\u00f5es de Virgulino Ferreira da Silva, o famoso Lampi\u00e3o, em parceria com Antonio Alves dos Santos, conhecido como Volta Seca e apontado como o mais jovem integrante do bando. <em>Mulher Rendeira<\/em> se transformou numa esp\u00e9cie de hino do canga\u00e7o. E ambas as m\u00fasica receberam centenas de vers\u00f5es, e est\u00e3o na trilha sonora do filme <em>O Cangaceiro<\/em>, de Lima Barreto (1953).<\/p>\n<p>Essa sequ\u00eancia das duas m\u00fasicas e desses primeiros movimentos j\u00e1 oferece um material rico para an\u00e1lise da encena\u00e7\u00e3o projetada em seu prop\u00f3sito de discutir a situa\u00e7\u00e3o da mulher e desmontar os discursos machistas entranhados na nossa sociedade. Depois da quarta vez que voc\u00ea ouve \u201cAcorda, Maria Bonita\/Levanta, vai fazer o caf\u00e9\u201d na entona\u00e7\u00e3o dessas meninas, sua escuta n\u00e3o vai ser a mesma para essa m\u00fasica.<\/p>\n<p>Os encadeamentos de Jogos de guerra, com repeti\u00e7\u00f5es de pulos e rolamentos exercem metonimicamente puls\u00f5es da forma\u00e7\u00e3o do macho que manda e\/ou recebe humilha\u00e7\u00e3o; e de f\u00eameas que assumem papeis id\u00eanticos. Os movimentos repetitivos provocam seus espasmos.<\/p>\n<div id=\"attachment_18303\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-18303\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-18304\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Grito-com-Coletivo-Soma-foto-Wellington-Dantas-e1485613587449.jpg\" alt=\"Atrizes\" width=\"600\" height=\"399\"><p id=\"caption-attachment-18303\" class=\"wp-caption-text\">Coletivo Soma. Foto: Wellington Dantas\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o de Lilli Rocha (muito boa estreia da atriz e bailarina nessa fun\u00e7\u00e3o) e a dramaturgia caminham por terrenos de mais intimidade, onde o corpo da mulher \u2013 esse material sagrado \u2013 \u00e9 infringido, ultrajado, desrespeitado, violado, transformado em mercadoria.<\/p>\n<p>S\u00e3o cenas fortes, nas quais os corpos das garotas criam imagens potentes para traduzir o horror que o f\u00edsico feminino sofre na corrente do machismo e do capitalismo que busca transformar tudo em objeto de consumo, inclusive o desejo. A privacidade \u00e9 projetada no terreno da pele tocada e no som dos sussurros. A montagem ganha propor\u00e7\u00f5es sensoriais.<\/p>\n<p>Pol\u00edtico, esse <strong><em>Grito<\/em><\/strong> desafia o espectador a olhar essa complei\u00e7\u00e3o desnuda. Mas aquele territ\u00f3rio corporal tem dono, de quem o carrega. Que alardeia em alto e bom som que faz do seu pr\u00f3prio corpo o que quiser.<\/p>\n<p>As lutas s\u00e3o tantas e di\u00e1rias, que o tempo de alerta \u00e9 todo o tempo. Para que essa mulher j\u00e1 consciente de sua identidade, de seus direitos, de sua for\u00e7a, de sua garra, n\u00e3o sucumba aos apelos, \u00e0s press\u00f5es, \u00e0s car\u00eancias de se deixar usar pelo outro, pelo grupo, pelo sistema.<\/p>\n<p><em>Grito<\/em> \u00e9 um espet\u00e1culo que brada uma urg\u00eancia. Pela dignidade feminina. E precisa continuar a vociferar enquanto houver tentativas de servid\u00e3o. E n\u00e3o \u00e9 apenas um jogo de cena. Mas a produ\u00e7\u00e3o coerente do envolvimento no debate sobre g\u00eanero. E de um ano da pesquisa V<em>er-ter: Um olhar sobre os sentimentos perif\u00e9ricos<\/em>, desenvolvida pelo Coletivo Soma.<\/p>\n<p>Forte, corajoso, de uma poesia inc\u00f4moda, a pe\u00e7a coreogr\u00e1fica articula entregas, vasculha segredos, mexe com feridas, prop\u00f5e curas, empodera a mulher e encanta como arte.<\/p>\n<p><strong>FICHA T\u00c9CNICA<\/strong><br \/>\n<strong>Concep\u00e7\u00e3o:<\/strong> Coletivo Soma<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o coreogr\u00e1fica e dramat\u00fargica:<\/strong> Lilli Rocha<br \/>\n<strong>Orienta\u00e7\u00e3o da pesquisa te\u00f3rica:<\/strong> Kiran Gorki<br \/>\n<strong>Orienta\u00e7\u00e3o da pesquisa corporal:<\/strong> Henrique Lima<br \/>\n<strong>Desenho de luz:<\/strong> Natalie Revoredo<br \/>\n<strong>V\u00eddeos:<\/strong> Dani Neves<br \/>\n<strong>Edi\u00e7\u00e3o:<\/strong> Xico Pessoa<br \/>\n<strong>Int\u00e9rpretes-criadoras:<\/strong> Anne Costa e Marta Guimar\u00e3es<\/p>\n<p><strong>SERVI\u00c7O<\/strong><\/p>\n<p>Espet\u00e1culo <em><strong>Grito<\/strong><\/em>, do Coletivo Soma<br \/>\n<strong>Quando:<\/strong> Sexta (27) e s\u00e1bado (28), \u00e0s 20h; e domingo (29), \u00e0s 19h<br \/>\n<strong>Onde:<\/strong> Espa\u00e7o Experimental \u2013 Rua Tomazina, 199, Bairro do Recife<br \/>\n<strong>Quanto:<\/strong> R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Vendas: bilheterias do Teatro de Santa Isabel e do Espa\u00e7o Experimental<br \/>\n<strong>Classifica\u00e7\u00e3o et\u00e1ria:<\/strong> a partir dos 18 anos<br \/>\n<strong>Dura\u00e7\u00e3o:<\/strong> 45 min<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma clima sombrio. Uma atmosfera de temor, de espreita, de persegui\u00e7\u00e3o tra\u00e7a as primeiras linhas do espet\u00e1culo Grito, do recifense Coletivo Soma, que estreou nessa sexta-feira (27), dentro da programa\u00e7\u00e3o do Janeiro de Grandes Espet\u00e1culos. 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