{"id":17834,"date":"2016-12-03T12:13:55","date_gmt":"2016-12-03T15:13:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=17834"},"modified":"2017-11-03T21:00:38","modified_gmt":"2017-11-04T00:00:38","slug":"poema-cenico-para-sylvia-plath","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/poema-cenico-para-sylvia-plath\/","title":{"rendered":"Poema c\u00eanico para Sylvia Plath"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_17845\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-17845\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-17845\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/ilhada-em-mim-sylvia-plath-_-djin-sganzerla-_-foto-kleyton-guilherme3_-e1480777506983.jpeg\" alt=\"Ilhada em Mim-Sylvia Plath. Foto: Kleyton Guilherme_\" width=\"600\" height=\"400\"><p id=\"caption-attachment-17845\" class=\"wp-caption-text\">Ilhada em Mim&nbsp;&#8211; Sylvia Plath. Foto: Kleyton Guilherme<\/p><\/div>\n<p>Por desespero, honra ferida, d\u00edvida, frusta\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, doen\u00e7a, desilus\u00e3o amorosa, desconforto irreconcili\u00e1vel com a vida, s\u00e3o tantos os motivos dos artistas suicidas. Escritores que decidiram romper com a exist\u00eancia formam listas nos quatro cantos do mundo. A escritora inglesa Virginia Woolf (1882 \u2013 1941), na manh\u00e3 de sexta-feira, 28 de mar\u00e7o de 1941, colocou pedras nos bolsos do casaco e caminhou pelo Rio Ouse para a morte. A poeta argentina Alfonsina Storni (1892-1938) se suicidou andando pelo mar, epis\u00f3dio transformado na can\u00e7\u00e3o <em>Alfonsina y el Mar<\/em>, gravada por Mercedes Sosa. O alem\u00e3o Heinrich Von Kleist (1777 \u2013 1811), poeta, romancista, dramaturgo e contista, conhecido pela novela <em>A Marquesa de O&#8230;<\/em> (1810), atirou-se ao pequeno rio Wansee. O fil\u00f3sofo franc\u00eas Ules Lequier (1814-1862) afogou-se na ba\u00eda de Saint-Brieuc.<\/p>\n<p>O poeta brasileiro Torquato Neto (1945-1972) no dia do seu anivers\u00e1rio de 28 anos, trancou-se no banheiro, vedou a porta e a janela com len\u00e7\u00f3is, abriu o g\u00e1s do chuveiro e se matou asfixiado.<\/p>\n<p>Sylvia Plath (1932 \u2013 1963) foi uma dessas artistas geniais, que teve a vida interrompida e a carreira alavancada com o suic\u00eddio aos 30 anos de idade. Ela colocou a cabe\u00e7a no forno, mas teve o cuidado de vedar as portas da cozinha com toalhas molhadas para evitar o vazamento para o quarto dos filhos Frieda e Nicholas.<\/p>\n<p>No espet\u00e1culo <em>Ilhada em Mim \u2013 Sylvia Plath<\/em>, o encenador Andr\u00e9 Guerreiro Lopes transp\u00f5e para a \u00e1gua a ideia da asfixia. Com Djin Sganzerla e o pr\u00f3prio Lopes no elenco, a pe\u00e7a exp\u00f5e o descompasso desses dois seres criativos e a carga destruidora do amor que condenou Plath \u00e0 morte.<\/p>\n<p>A montagem faz a \u00faltima apresenta\u00e7\u00e3o da temporada recifense neste s\u00e1bado, na Caixa Cultural (veja servi\u00e7o abaixo).<\/p>\n<div id=\"attachment_17846\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-17846\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-17846\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/ilhada-em-mim-sylvia-plath-_-djin-sganzerla-_-foto-kleyton-guilherme4_-e1480777689309.jpeg\" alt=\"Djin Sganzerla\" width=\"600\" height=\"400\"><p id=\"caption-attachment-17846\" class=\"wp-caption-text\">Djin Sganzerla<\/p><\/div>\n<p>Com o sentimento de inadaptabilidade aos pap\u00e9is cobrados pela sociedade, essa mulher chegou ao limite de sua experi\u00eancia humana. E o amor pelo poeta ingl\u00eas Ted Hughes (1930 \u2013 1998) desencadeou estados ps\u00edquicos abissais registrados em sua escrita.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da identifica\u00e7\u00e3o que algu\u00e9m fa\u00e7a com a po\u00e9tica de Sylvia Plath, com sua depress\u00e3o, com o conflito vivido pela escritora para ocupar os papeis mais prosaicos, a encena\u00e7\u00e3o<strong><em> Ilhada em Mim \u2013 Sylvia Plath<\/em><\/strong> imp\u00f5e um mundo de sonho com uma sucess\u00e3o de imagens produzidas. Visualmente desconcertante, o cen\u00e1rio comporta um espelho d\u2019\u00e1gua no piso, em que o mobili\u00e1rio parece submergir em v\u00e1rias cenas. Lembrei de Robert Wilson artista que transita com desenvoltura pelas artes c\u00eanicas, literatura, cinema, artes pl\u00e1sticas e da exposi\u00e7\u00e3o Video Portrait, que esteve no Brasil no come\u00e7o da d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Os atores Guerreiro Lopes e Sganzerla deslizam pelo espa\u00e7o coberto por uma fina camada de \u00e1gua, se jogam. Alguns objetos congelados, pendurados no teto &#8211; um sapato, um livro, um telefone, uma boneca e uma faca \u2013 v\u00e3o descongelando durante a sess\u00e3o.<\/p>\n<p>As pe\u00e7as do figurino, compostas pelo estilista Fause Haten, se colam ao corpo dos int\u00e9rpretes e d\u00e3o uma ideia de desintegra\u00e7\u00e3o, perda de cor e decomposi\u00e7\u00e3o. \u00c9 como se a protagonista fosse se livrando das camadas de aprisionamento.<\/p>\n<p>Mas enquanto vasculha os estados d\u2019alma dessa criadora desassossegada, a pe\u00e7a explora os embates entre os dois. O estado emocional de Sylvia, \u00e0 beira do precip\u00edcio, \u00e9 traduzido em potentes imagens em coreografias ou dos momentos congelados da fotografia still.<\/p>\n<p>Ted virou o editor p\u00f3stumo de Sylvia. Do livro <em>Ariel<\/em> de 1965 (vencedor do pr\u00eamio Pulitzer), suprime poemas que ele pondera como demasiadamente biogr\u00e1ficos. Al\u00e9m de ter destru\u00eddo um di\u00e1rio pessoal de Sylvia sob o argumento de proteger a intimidade dos filhos.<\/p>\n<p>A arrog\u00e2ncia dele \u00e9 apontada numa cena em que o personagem Ted Hughes amassa uma s\u00e9rie de escritos de Sylvia e os arremessa para longe. Os efeitos sonoros sincronizados com a destrui\u00e7\u00e3o dos papeis amplificam o significado do gesto.<\/p>\n<p>O andamento tenso desse v\u00ednculo segue uma coreografia e tra\u00e7a pinturas, com mergulhos n\u2019\u00e1gua, m\u00f3veis que afundam junto com a rela\u00e7\u00e3o conjugal,&nbsp;entre apelos e tentativas desesperadas, tormentos internos de Plath. Ela se arrasta carregando as dificuldades e a n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o de casos extraconjugais do marido.<\/p>\n<p>A Cia Lusco-Fusco n\u00e3o aju\u00edza a rela\u00e7\u00e3o, mas apresenta situa\u00e7\u00f5es que remetem \u00e0 complexidade da hist\u00f3ria e o comportamento dos envolvidos. D\u00e1 muni\u00e7\u00e3o para o espectador a prosseguir o quadro proposto pelo palco. A simbologia visual incentiva interpreta\u00e7\u00f5es sobre a ang\u00fastia existencial da autora de <em>A redoma de vidro<\/em> entre impulsos de cria\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O texto da jornalista Gabriela Mel\u00e3o \u00e9 baseado em fragmentos de textos dos dois escritores, al\u00e9m de trechos de entrevistas radiof\u00f4nicas do casal, com a tradu\u00e7\u00e3o projetada na parede. Mas o texto fica subjacente ao impacto das imagens e da gram\u00e1tica corporal.<\/p>\n<p>\u00c9 um espet\u00e1culo que desperta sensa\u00e7\u00f5es. A explos\u00f5es verbais curtas s\u00e3o acompanhadas pela trilha sonora de Gregory Slivar, que marca todo o espet\u00e1culo com modula\u00e7\u00f5es das puls\u00f5es de Plath. O desenho de luz de Marcelo Lazzaratto d\u00e1 a dimens\u00e3o e profundidade dos estados ps\u00edquicos. A interpreta\u00e7\u00e3o de Djin Sganzerla \u00e9 apaixonada, passional. Enquanto Lopes imprime frieza.<\/p>\n<p>A companhia teatral Est\u00fadio Lusco-Fusco montou <em>O Livro da Grande Desordem e da Infinita Coer\u00eancia<\/em>, inspirado nas obras Inferno e <em>Um Sonho<\/em>, de Strindberg (2013); <em>O Belo Indiferente<\/em>, de Jean Cocteau (2011\/12); <em>Estranho Familiar<\/em>, baseado no conto <em>O Espelho<\/em>, de Guimar\u00e3es Rosa (2010); <em>Tragicom\u00e9dia de um Homem Mis\u00f3gino<\/em>, de Evaldo Mocarzel (2008) e <em>Um Sonho<\/em>, de Strindberg (2007\/08).<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><br \/>\n<em><strong>Ihada em mim &#8211; Sylvia Plath<\/strong><br \/>\n<\/em><strong>Quando:<\/strong> De 1\u00ba a 3 de dezembro,\u00e0s 20h<br \/>\n<strong>Onde:<\/strong> na Caixa Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505, Recife Antigo),<br \/>\n<strong>Ingressos:<\/strong> R$ 20 e R$ 10 (meia), com vendas a partir do dia 1\u00ba de dezembro<br \/>\n<strong>Classifica\u00e7\u00e3o Indicativa:<\/strong> 12 anos<em><br \/>\n<\/em><strong>Dura\u00e7\u00e3o: <\/strong>60 minutos<\/p>\n<p><strong>Ficha T\u00e9cnica<\/strong><br \/>\n<strong>Texto<\/strong> Gabriela Mell\u00e3o<br \/>\n<strong>Direc\u00e3o e Cenografia<\/strong> Andr\u00e9 Guerreiro Lopes<br \/>\n<strong>Elenco<\/strong> Djin Sganzerla e Andr\u00e9 Guerreiro Lopes<br \/>\n<strong>Figurinos<\/strong> Fause Haten<br \/>\n<strong>Ilumina\u00e7\u00e3o<\/strong> Marcelo Lazzaratto<br \/>\n<strong>Concepc\u00e3o Sonora e Trilha Original<\/strong> Gregory Slivar<br \/>\n<strong>Assistente de Dire\u00e7\u00e3o e Dire\u00e7\u00e3o de Palco<\/strong> Rafael Bicudo<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o de Produ\u00e7\u00e3o<\/strong> Djin Sganzerla<br \/>\n<strong>Produ\u00e7\u00e3o<\/strong> Patricia Torres, Joyce Nogueira<br \/>\n<strong>Contra-regras<\/strong> Jair Nascimento, Henrique Dias Alves, Leo Braz,<br \/>\n<strong>Operac\u00e3o de Som<\/strong> Renato Garcia<br \/>\n<strong>Opera\u00e7\u00e3o de Luz<\/strong> Juarez Adriano<br \/>\n<strong>Assessoria de Imprensa<\/strong> Frederico de Paula \u2013 Nossa Senhora da Pauta<br \/>\n<strong>Fotos<\/strong>: Jennifer Glass, Wilson Melo, Cleyton Guilherme<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por desespero, honra ferida, d\u00edvida, frusta\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, doen\u00e7a, desilus\u00e3o amorosa, desconforto irreconcili\u00e1vel com a vida, s\u00e3o tantos os motivos dos artistas suicidas. Escritores que decidiram romper com a exist\u00eancia formam listas nos quatro cantos do mundo. A escritora inglesa Virginia Woolf (1882 \u2013 1941), na manh\u00e3 de sexta-feira, 28 de mar\u00e7o de 1941, colocou pedras [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[1],"tags":[4916,4917,4915],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17834"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17834"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17834\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19535,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17834\/revisions\/19535"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17834"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17834"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17834"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}