{"id":17790,"date":"2016-11-25T18:19:31","date_gmt":"2016-11-25T21:19:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=17790"},"modified":"2016-11-25T18:19:31","modified_gmt":"2016-11-25T21:19:31","slug":"greves-historicas-primeiros-apontamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/greves-historicas-primeiros-apontamentos\/","title":{"rendered":"Greves hist\u00f3ricas &#8211; primeiros apontamentos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_17792\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-17792\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-17792\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/o-p\u00e3o-e-a-pedra2-e1480085116798.jpg\" alt=\"Helena Albergaria faz Joana Paix\u00e3o \/ Jo\u00e3o Batista em O p\u00e3o e a pedra. Foto: Lenise Pinheiro \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"600\" height=\"400\"><p id=\"caption-attachment-17792\" class=\"wp-caption-text\">Helena Albergaria faz Joana Paix\u00e3o \/ Jo\u00e3o Batista em O p\u00e3o e a pedra. Foto: Lenise Pinheiro \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>H\u00e1 muitas entradas para leituras do espet\u00e1culo <em><strong>O p\u00e3o e a pedra<\/strong><\/em>, da Companhia do Lat\u00e3o, escrita e dirigida por S\u00e9rgio de Carvalho, em cartaz at\u00e9 domingo, no Teatro Hermilo Borba Filho, \u00e0s19h, dentro da programa\u00e7\u00e3o do 18\u00ba Festival Recife do Teatro Nacional. O mosaico complexo de contradi\u00e7\u00f5es sociais \u00e9 explorado pelo grupo em camadas e fissuras e problematiza\u00e7\u00f5es. A greve dos oper\u00e1rios do ABC Paulista em 1979 e os espelhamentos da crise pol\u00edtica atual tencionam o embate no palco dos pe\u00f5es com o cruel mundo do capital, a invisibilidade da mulher, da luta dentro da luta dos nordestinos no mapa da ditadura civil-militar brasileira.<\/p>\n<p>\u00c9 denso. E n\u00e3o permite simplifica\u00e7\u00f5es de her\u00f3is, salvadores da p\u00e1tria, bonzinhos versos vil\u00f5es. Os paradoxos da realidade atual se desdobram no palco a partir da greve hist\u00f3rica do final da d\u00e9cada de 1970, que projetou para o Brasil como for\u00e7a pol\u00edtica a figura de Luiz In\u00e1cio da Silva, o Lula, na \u00e9poca l\u00edder do Sindicato dos Metal\u00fargicos.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o do autor diretor S\u00e9rgio de Carvalho passa pelas \u201cdificuldades do aprendizado pol\u00edtico daqueles trabalhadores que enfrentaram a pol\u00edcia da ditadura e o aparato midi\u00e1tico patronal, num processo que durou 60 dias (15 dias de m\u00e1quinas paradas e 45 dias de \u201ctr\u00e9gua\u201d com mobiliza\u00e7\u00e3o dentro e fora das f\u00e1bricas). Sob relativa influ\u00eancia do imagin\u00e1rio desses grupos contradit\u00f3rios, o novo sindicalismo, a Igreja progressista e o movimento estudantil de esquerda, os oper\u00e1rios de <strong><em>O P\u00e3o e a Pedra<\/em><\/strong> travam um embate com a pr\u00f3pria vida coisificada\u201d&nbsp;<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>L\u00e1 para o meio da pe\u00e7a, um ator explica que a encena\u00e7\u00e3o foi erguida nos tumultuados primeiros meses deste ano e que Lula n\u00e3o ser\u00e1 representado. Uma aus\u00eancia que se faz presente como uma sombra do passado, no presente.<\/p>\n<p>O sumi\u00e7o do l\u00edder sindical que por dois dias saiu de cena em 1979 abre brechas para muitas especula\u00e7\u00f5es que pairam no ar do teatro. Desde negocia\u00e7\u00f5es isoladas com os patr\u00f5es, at\u00e9 a poss\u00edvel blindagem para n\u00e3o quebrado pela pol\u00edcia. Entre um ponto, muitas possibilidades expressadas por personagens da cena.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio em que for\u00e7as regressivas da pol\u00edtica brasileira que se alinharam com a grande imprensa e com o judici\u00e1rio e suas estranhas raz\u00f5es para depor um governo eleito democraticamente invade em ondas de pensamento enquanto acompanhamos a trajet\u00f3ria daquele grupo de trabalhadores fabris de S\u00e3o Bernardo do Campo, no ABC paulista. Na espiral do tempo, a conta do arranjo vai ser paga pelos trabalhadores cada vez mais acossados por uma realidade surrealista.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos caminhos para chegar ao cora\u00e7\u00e3o da greve. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel abarcar muitos em t\u00e3o pouco tempo. Assisti ao espet\u00e1culo ontem e as imagens, as palavras, os procedimentos est\u00e3o ruminando na minha cabe\u00e7a, os sentidos se erguem e assustam, s\u00e3o desfeitos, comungam com muitas quest\u00f5es. Preciso de dias, semanas, meses, para desembarcar a bagagem marxista do espet\u00e1culo.<\/p>\n<p>\u00c9 muito. \u00c9 tanto. \u00c9 eletrizante. \u00c0s vezes parece choque no nervo. A imagem da personagem Lu\u00edsa (Sol Faganello), uma militante universit\u00e1ria que adentra no campo dos metal\u00fargicos de S\u00e3o Bernardo do Campo com a ambi\u00e7\u00e3o de politizar os pe\u00f5es. O movimento mostra uma amazona montada em cavalo tr\u00eamulo, num ritmo fren\u00e9tico, ao som percussivo. \u00c9 um quadro potente inspirado&nbsp;no conto <em>Na galeria<\/em>, um texto curto de Franz Kafka, publicada no Brasil no livro <em>Um m\u00e9dico rural<\/em>. A narrativa do escritor tcheco \u00e9 visual e de tirar o f\u00f4lego. E \u00e9 incr\u00edvel como esse \u201cpoema em prosa\u201d, como chama o tradutor Modesto Carone, carrega quest\u00f5es importantes para a montagem. O conto exp\u00f5e uma hip\u00f3tese, cria uma oposi\u00e7\u00e3o; anula a primeira disposi\u00e7\u00e3o, apresenta outra. Din\u00e2mica&nbsp;semelhante faz a montagem.<\/p>\n<blockquote><p><em>&#8220;Se uma amazona fr\u00e1gil e t\u00edsica fosse impelida meses sem interrup\u00e7\u00e3o em c\u00edrculos ao redor do picadeiro sobre o cavalo oscilante diante de um p\u00fablico infatig\u00e1vel pelo diretor de circo impiedoso de chicote na m\u00e3o, sibilando em cima do cavalo, atirando beijos, equilibrando-se na cintura, e se esse espet\u00e1culo prosseguisse pelo futuro que se vai abrindo \u00e0 frente sempre cinzento sob o bramido incessante da orquestra e dos ventiladores, acompanhado pelo aplauso que se esvai e outra vez se avoluma das m\u00e3os que na verdade s\u00e3o martelos a vapor \u2013 talvez ent\u00e3o um jovem espectador da galeria descesse \u00e0s pressas a longa escada atrav\u00e9s de todas as filas, se arrojasse no picadeiro e bradasse o basta! em meio \u00e0s fanfarras da orquestra sempre pronta a se ajustar \u00e0s situa\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><em>Mas uma vez que n\u00e3o \u00e9 assim&#8230;&#8221;<\/em><\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_17794\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-17794\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-17794 size-full\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/O_Pao_e_a_Pedra_5_4-1-e1480107973919.jpg\" alt=\"Foto: S\u00e9rgio de Carvalho\" width=\"600\" height=\"400\"><p id=\"caption-attachment-17794\" class=\"wp-caption-text\">Os atores Rog\u00e9rio Bandeira (F\u00faria Santa) e Ney Piacentini (Arantes). Foto: S\u00e9rgio de Carvalho<\/p><\/div>\n<p>O c\u00edrculo do cen\u00e1rio instalado no centro do palco \u00e9 nomeado de espa\u00e7o da f\u00e1brica &#8211; da linha de montagem ao banheiro-, est\u00e1dio da Vila Euclides palco das assembleias sindicais e outros locais onde os trabalhadores se encontravam, de bares \u00e0 igreja.<\/p>\n<p>Os pe\u00f5es da lida v\u00e3o fazer a m\u00e1quina parar. Na sua luta eles est\u00e3o sempre amea\u00e7ados a serem marcados pelo ferro quente do capital. Nesse cen\u00e1rio masculino, a voz feminina est\u00e1 dilu\u00edda ganhando um sal\u00e1rio menor, carregando em sil\u00eancio o filho na barriga. E ganha destaque na metamorfose de personagem Joana Paix\u00e3o, papel defendido por Helena Albergaria, que se disfar\u00e7a de homem para poder receber os mesmos sal\u00e1rios que seus pares em situa\u00e7\u00f5es semelhantes.<\/p>\n<p>No elenco da pe\u00e7a est\u00e3o M\u00edriam (Beatriz Bittencourt), ocupada no in\u00edcio com o bronzeamento; Irene (\u00c9rika Rocha), o F\u00faria Santa (Rog\u00e9rio Bandeira) e Arantes (Ney Piacentini) imp\u00f5e um ritmo lento a pe\u00e7a, que me pareceu calculado para causar um efeito est\u00e9tico de inc\u00f4modo no espectador.<\/p>\n<p>Vou assistir novamente ao espet\u00e1culo.<\/p>\n<p>O texto vai continuar&#8230;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Companhia do Lat\u00e3o, Um tempo diferente, In: Programa O P\u00e3o e a Pedra \u2013 espet\u00e1culo da Companhia do Lat\u00e3o, 2016.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o:<\/strong><br \/>\n<strong><em>O p\u00e3o e a pedra<\/em><\/strong><br \/>\n<strong>Onde:<\/strong>Teatro Hermilo Borba Filho, (R. do Apolo, 121 &#8211; Recife)<br \/>\n<strong>Telefone:<\/strong> (81) 3355-3320<br \/>\n<strong>Quando:<\/strong> De 23 a 27 de novembro, \u00e0s 19h; de quarta a domingo.<br \/>\n<strong>Quanto:<\/strong> R$ 10 e R$ 5<br \/>\n<strong>Indica\u00e7\u00e3o et\u00e1ria:<\/strong> 16 anos<\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica:<\/strong><br \/>\n<strong>Autoria e Dire\u00e7\u00e3o:<\/strong> S\u00e9rgio de Carvalho<br \/>\n<strong>Elenco:<\/strong> Beatriz Bittencourt, Beto Matos, \u00c9rika Rocha, Helena Albergaria, Jo\u00e3o Filho, Ney Piacentini, Rog\u00e9rio Bandeira, Sol Faganello e Thiago Fran\u00e7a.<br style=\"box-sizing: border-box;\"> <strong>Assist\u00eancia de dire\u00e7\u00e3o:<\/strong> Beatriz Bittencourt<br style=\"box-sizing: border-box;\"> <strong>Dire\u00e7\u00e3o musical, composi\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Lincoln Antonio<br style=\"box-sizing: border-box;\"> <strong>Cenografia e figurinos:<\/strong> Cassio Brasil<br style=\"box-sizing: border-box;\"> <strong>Ilumina\u00e7\u00e3o:<\/strong> Melissa Guimar\u00e3es e Silviane Ticher<br style=\"box-sizing: border-box;\"> <strong>Dire\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:<\/strong> Jo\u00e3o Pissara<br style=\"box-sizing: border-box;\"> <strong>Assist\u00eancia de produ\u00e7\u00e3o:<\/strong> Ol\u00edvia Tamie<br style=\"box-sizing: border-box;\"> <strong>N\u00facleo de divulga\u00e7\u00e3o:<\/strong> Marcelo Berg<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 muitas entradas para leituras do espet\u00e1culo O p\u00e3o e a pedra, da Companhia do Lat\u00e3o, escrita e dirigida por S\u00e9rgio de Carvalho, em cartaz at\u00e9 domingo, no Teatro Hermilo Borba Filho, \u00e0s19h, dentro da programa\u00e7\u00e3o do 18\u00ba Festival Recife do Teatro Nacional. 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