{"id":164,"date":"2011-01-19T05:06:48","date_gmt":"2011-01-19T05:06:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=164"},"modified":"2011-01-20T03:13:36","modified_gmt":"2011-01-20T03:13:36","slug":"as-feridas-abertas-da-migracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/as-feridas-abertas-da-migracao\/","title":{"rendered":"As feridas abertas da migra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_180\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/novayas3.31.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-180\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-180\" title=\"No vayas a llorar\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/novayas3.31.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/novayas3.31.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/novayas3.31-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-180\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ivana Moura<\/p><\/div>\n<p>Era t\u00e3o dif\u00edcil compreender o que ela dizia! Na realidade, eu a admirava muito. Como algu\u00e9m, sem saber o idioma do pa\u00eds de destino, tem a coragem de se aventurar? Depois de um tempo de conviv\u00eancia, percebi que era a necessidade que convertia o medo em a\u00e7\u00e3o. Est\u00e1vamos numa cidadezinha no fim do mundo, mais precisamente nos Estados Unidos, no meio de uma neve gigante. Mas era um lugar tur\u00edstico, de muitos resorts e ofertas de emprego que pagavam em d\u00f3lar. Ela estava s\u00f3 com o marido. Tinha deixado os tr\u00eas filhos no M\u00e9xico com a m\u00e3e. \u00c0quela \u00e9poca, em 2007, j\u00e1 n\u00e3o os via h\u00e1 quatro anos. A saudade machucava e o sonho era o reencontro.<\/p>\n<p>Revivi todas essas mem\u00f3rias com a montagem <em>No vayas a llorar<\/em>, da companhia Teatro Viento de \u00c1gua, de Cuba, que se apresentou no 17\u00ba Janeiro de Grandes Espet\u00e1culos. S\u00e3o duas hist\u00f3rias andando em paralelo no mon\u00f3logo: a de uma m\u00e3e que sai de Havana para o M\u00e9xico e est\u00e1 ansiosa pela autoriza\u00e7\u00e3o para que o filho a acompanhe; e a de Antonia, abandonada por Juan, o marido que, depois de 11 anos de casamento, decidiu buscar uma vida melhor noutro pa\u00eds. No primeiro caso, fic\u00e7\u00e3o e realidade mant\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o estreita. A atriz Maribel Barrios, que inclusive \u00e9 chamada pelo pr\u00f3prio nome numa parte da encena\u00e7\u00e3o, sofreu para recuperar o filho h\u00e1 10 anos. A crian\u00e7a tinha quatro anos e ficou na ilha com uma tia.<\/p>\n<p>Ainda estou me questionando como essa montagem ter\u00e1 sido recebida em Cuba. Sim, porque ela \u00e9 direta, provocativa, sarc\u00e1stica at\u00e9. Relembra, por exemplo, principalmente em imagens, o ano de 1994, quando Clinton interveio para tentar evitar um \u00eaxodo maci\u00e7o de cubanos. Tamb\u00e9m lembra 1966, a Guerra do Vietn\u00e3 e os seus bombardeios.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio de desola\u00e7\u00e3o, de abandono, saudade e frustra\u00e7\u00e3o, \u00e9 interessante pensar como Boris Villar arquitetou o seu texto e a dire\u00e7\u00e3o. A plateia \u00e9 levada \u00e0 realidade dos personagens ou pelas fotografias projetadas num len\u00e7ol que parece uma colcha de retalhos ou pela \u2018balsa\u2019 de madeira que Antonia usa para navegar \u00e0 procura &#8211; desesperada &#8211; pelo marido, encontrando muitos mortos pelo caminho. As m\u00fasicas d\u00e3o o contraponto ou acentuam situa\u00e7\u00f5es. Lembram a religiosidade, as manifesta\u00e7\u00f5es culturais, e podem ser evidentemente tristes ou n\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_183\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/novayas4.41.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-183\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/novayas4.41.jpg\" alt=\"\" title=\"No vayas a llorar\" width=\"600\" height=\"400\" class=\"size-full wp-image-183\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/novayas4.41.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/novayas4.41-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-183\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ivana Moura<\/p><\/div>\n<p>Na constru\u00e7\u00e3o do texto, os personagens se sucedem, mas nada que indique uma previsibilidade. Ao contr\u00e1rio. E isso da mesma forma que ajuda a dar agilidade \u00e0 pe\u00e7a, pode dificultar a compreens\u00e3o, j\u00e1 que a atriz encena v\u00e1rios personagens na sua busca pelo companheiro.<\/p>\n<p>E a pe\u00e7a nos d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de que essa situa\u00e7\u00e3o de fuga de uma realidade continua a mesma. Ou de que essa dor ainda n\u00e3o sarou e, por isso, precisamos ouvir falar dela. Gritar, cantar, nos sujar com o sangue at\u00e9 de quem n\u00e3o est\u00e1 mais aqui. Fiquei com vontade de conhecer mais do teatro cubano. Algo que fugisse \u00e0 id\u00e9ia do ex\u00edlio.<\/p>\n<p>Ah, n\u00e3o sei como terminou a hist\u00f3ria da minha amiga mexicana. Se ela reencontrou os filhos, se demorou ou n\u00e3o para isso acontecer. Espero que ela os tenha pertinho agora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era t\u00e3o dif\u00edcil compreender o que ela dizia! Na realidade, eu a admirava muito. 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