{"id":16150,"date":"2016-05-13T11:55:10","date_gmt":"2016-05-13T14:55:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=16150"},"modified":"2016-05-14T13:00:25","modified_gmt":"2016-05-14T16:00:25","slug":"o-armazem-perscruta-a-ausencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/o-armazem-perscruta-a-ausencia\/","title":{"rendered":"Os g\u00eanios fabricados pelo mercado de arte"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_16156\" style=\"width: 625px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/inutil-a-chuva-Mauro-Kury.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-16156\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-16156 size-full\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/inutil-a-chuva-Mauro-Kury.jpg\" alt=\"inutil-a-chuva-Mauro-Kury\" width=\"615\" height=\"336\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/inutil-a-chuva-Mauro-Kury.jpg 615w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/inutil-a-chuva-Mauro-Kury-300x164.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 615px) 100vw, 615px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-16156\" class=\"wp-caption-text\">In\u00fatil a chuva investiga o poder da aus\u00eancia e os mecanismos da arte contempor\u00e2nea. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>A aus\u00eancia pesa feito chumbo na nova montagem do Armaz\u00e9m Cia. de Teatro. <em>In\u00fatil a Chuva<\/em> tra\u00e7a questionamentos existenciais, art\u00edsticos e pol\u00edticos a partir do desaparecimento do pai. Ele deixou uma carta de suic\u00eddio e sumiu, sem que seu corpo fosse encontrado. Suas pinturas, at\u00e9 ent\u00e3o ignoradas pela ind\u00fastria cultural, s\u00e3o al\u00e7adas ao patamar de obras de arte geniais. O espet\u00e1culo faz tr\u00eas apresenta\u00e7\u00f5es no Recife, no Teatro de Santa Isabel, hoje e amanh\u00e3, \u00e0s 20h, e domingo, \u00e0s 18h.<\/p>\n<p>O desaparecimento provoca uma reviravolta na fam\u00edlia em todos os aspectos. Entre sentimentos enraizados eclode um debate sobre a arte contempor\u00e2nea e sua legitima\u00e7\u00e3o, que margeia toda a pe\u00e7a. \u00a0O sucesso p\u00f3stumo refor\u00e7a essa reflex\u00e3o sobre os mecanismos no mercado das artes, muito pertinente para os dias que correm.<\/p>\n<p>O texto escrito a quatro m\u00e3os, por Paulo de Moraes e seu filho Jopa Moraes, exp\u00f5e essa fam\u00edlia que rema em busca da presen\u00e7a e da resolu\u00e7\u00e3o da d\u00favida. O\u00a0pintor diletante teria se matado ou simplesmente largado a mulher, Lotta (Patr\u00edcia Selonk), e a prole, formada por Slavoj (Leonardo Hinckel), Claude (Tom\u00e1s Braune) e Sarah (Andressa Lameu)? Al\u00e9m desses personagens aparecem a jornalista Vivian (Amanda Mirasci), que quer descobrir o que est\u00e1 por tr\u00e1s da\u00a0repentina valoriza\u00e7\u00e3o da obra e um amigo do desaparecido, Matthias (Marcos Martins).<\/p>\n<p>Com ilumina\u00e7\u00e3o assinada por Maneco Quinder\u00e9, figurinos de Rita Murtinho e dire\u00e7\u00e3o musical de Ricco Viana, o espet\u00e1culo mergulha em sombras dessas almas atormentadas diante da aus\u00eancia.<\/p>\n<p><iframe width=\"625\" height=\"352\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pDGN1imzplc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe width=\"625\" height=\"352\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cJpSTUhvTkM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>In\u00fatil a Chuva<\/em><\/p>\n<p><strong>Ficha T\u00e9cnica<br \/>\nDire\u00e7\u00e3o:<\/strong> Paulo de Moraes<strong><br \/>\n<strong>Dramaturgia:<\/strong> <\/strong>Paulo de Moraes e Jopa Moraes<strong><br \/>\n<strong>Elenco:<\/strong> <\/strong>Patr\u00edcia Selonk, Andressa Lameu, Leonardo Hinckel, Tom\u00e1s Braune, Marcos Martins e Amanda Mirasci<strong><br \/>\n<strong>Ilumina\u00e7\u00e3o:<\/strong> <\/strong>Maneco Quinder\u00e9<strong><br \/>\n<strong>Cenografia:<\/strong> <\/strong>Paulo de Moraes e Carla Berri<strong><br \/>\n<strong>Figurinos:<\/strong> <\/strong>Rita Murtinho<strong><br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o Musical:<\/strong> <\/strong>Ricco Viana<strong><br \/>\n<strong>Design Gr\u00e1fico:<\/strong> <\/strong>Jo\u00e3o Gabriel Monteiro e Jopa Moraes<strong><br \/>\n<strong>Produ\u00e7\u00e3o de V\u00eddeos:<\/strong> <\/strong>Jo\u00e3o Gabriel Monteiro<strong><br \/>\n<strong>Fotos:<\/strong> <\/strong>Mauro Kury e Jo\u00e3o Gabriel Monteiro.<strong><br \/>\n<strong>Assistente de Dire\u00e7\u00e3o:<\/strong> <\/strong>Lisa Eiras<strong><br \/>\n<strong>T\u00e9cnico de Montagem:<\/strong> <\/strong>Regivaldo Moraes<strong><br \/>\n<strong>Prepara\u00e7\u00e3o Corporal:<\/strong> <\/strong>Ma\u00edra Maneschy e Patr\u00edcia Selonk<strong><br \/>\n<strong>Produ\u00e7\u00e3o Executiva:<\/strong> <\/strong>Fl\u00e1via Menezes<strong><br \/>\n<strong>Produ\u00e7\u00e3o:<\/strong> <\/strong>Armaz\u00e9m Companhia de Teatro<\/p>\n<p><iframe width=\"625\" height=\"352\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UK7Y7eKhfxI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>SERVI\u00c7O<\/strong><br \/>\n<em>In\u00fatil a chuva<\/em>, do Armaz\u00e9m Companhia de Teatro<br \/>\n<strong>Onde<\/strong>: Teatro de Santa Isabel &#8211; Pra\u00e7a da Rep\u00fablica, s\/n, Santo Ant\u00f4nio<br \/>\n<strong>Quando:<\/strong> Hoje e amanh\u00e3, \u00e0s 20h e domingo, \u00e0s 18h<br \/>\n<strong>Quanto:<\/strong> R$ 40 e R$ 20 (meia) &#8211; quem tem Cart\u00e3o Petrobras tem 50% de desconto na compra de at\u00e9 dois ingressos<br \/>\n<strong>Informa\u00e7\u00f5es:<\/strong> 3355-3323<\/p>\n<h2><strong>ENTREVISTA \/\/ PAULO DE MORAES<\/strong><\/h2>\n<div id=\"attachment_16158\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/PAULOMORAES-e1463149795896.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-16158\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-16158\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/PAULOMORAES-e1463149795896.jpg\" alt=\"Paulo Moraes \u00e9 diretor do Armaz\u00e9m de Teatro, que nasceu no Paran\u00e1 e se estabeleceu no Rio\" width=\"600\" height=\"338\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-16158\" class=\"wp-caption-text\">Paulo Moraes \u00e9 diretor da Armaz\u00e9m Companhia de Teatro, que nasceu no Paran\u00e1 e se estabeleceu no Rio<\/p><\/div>\n<p><strong>Paulo de Moraes, voc\u00ea j\u00e1 comentou que o Armaz\u00e9m, prestes a completar 30 anos, \u00e9 mais do que um trabalho, \u00e9 uma escolha de vida. Quais as principais surpresas e atropelos do caminho?<\/strong><br \/>\nTrabalhar em grupo \u00e9 um exerc\u00edcio constante de \u201cvaloriza\u00e7\u00e3o do coletivo\u201d, de percep\u00e7\u00e3o do outro. \u00c9 preciso estar atento. Talvez essa seja a maior dificuldade, estar sempre atento ao outro, ao movimento do outro, aos desejos do outro. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, muitas vezes a gente perde o p\u00e9, a gente se desequilibra. Mas \u00e9 preciso essa disposi\u00e7\u00e3o, esse querer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><em><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0&#8220;A gente quer construir um mundo particular \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/strong><\/em><em><strong>que leve o espectador ao jogo&#8221;<\/strong><\/em><\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Existe uma filosofia que norteie essa trajet\u00f3ria?<\/strong><br \/>\nExistem coisas que s\u00e3o princ\u00edpio e s\u00edntese no trabalho do Armaz\u00e9m. A tentativa de criar um universo teatral particular a partir de refer\u00eancias cruzadas est\u00e1 na origem do grupo. Quando a gente come\u00e7a um trabalho, a gente n\u00e3o quer montar uma pe\u00e7a, a gente quer construir um mundo particular que leve o espectador ao jogo, \u00e0 arena. E a gente vai se cercando de parceiros que ativam esse pensamento. No caso de <em>In\u00fatil a Chuva<\/em>, a pintura de Ushio Shinohara,\u00a0a narrativa fincada na quebra do tempo feita pelo cineasta Richard Linklater, a prosa c\u00f4mica e amarga de David Foster Wallace.\u00a0H\u00e1 um mundo que queremos refletir e, mesmo que a gente j\u00e1 tenha quase 30 anos de trajet\u00f3ria, continuamos inseridos neste mundo. A tentativa de que forma e conte\u00fado sejam algo quase indissoci\u00e1vel continua sendo o centro da nossa busca. O que norteia o trabalho \u00e9 sempre a sala de ensaio, as discuss\u00f5es sobre o mundo, sobre a arte, sobre os amores que atravessaram nossas vidas no \u00faltimo ver\u00e3o, sobre o depoimento que queremos deixar sobre o nosso tempo. A arte est\u00e1 ligada \u00e0 ideia do homem de conseguir estender o tempo.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas j\u00e1 vieram ao Recife com v\u00e1rios espet\u00e1culos, eu diria que a maior parte do repert\u00f3rio. Como o Armaz\u00e9m percebe o p\u00fablico da cidade?<\/strong><br \/>\nQue del\u00edcia voltar pra Recife sempre, uma cidade com tantos artistas importantes, originais. Com grupos pelos quais temos muito carinho, com amigos que a gente sempre reencontra. A gente esteve a\u00ed, pela primeira vez, no ano 2000, apresentando <em>Alice Atrav\u00e9s do Espelho<\/em>, no Festival de Recife. E foi um acontecimento. Os ingressos se esgotaram muito rapidamente e o p\u00fablico fez um abaixo-assinado para novas apresenta\u00e7\u00f5es. Era uma fila imensa de gente sem ingresso aguardando antes da cada apresenta\u00e7\u00e3o. Desde l\u00e1, sempre que temos um novo trabalho, Recife \u00e9 &#8211; junto com Belo Horizonte &#8211; a primeira cidade que queremos visitar.<\/p>\n<p><strong>Atualmente voc\u00eas s\u00e3o patrocinados pela Petrobras. Qual o papel de um patrocinador como a Petrobras para a manuten\u00e7\u00e3o e processo criativo do grupo?<\/strong><br \/>\nEssa parceria que temos com a Petrobras j\u00e1 ha tantos anos, tem sido fundamental na consolida\u00e7\u00e3o do trabalho da companhia. Por qu\u00ea? Primeiro, porque nunca houve uma interfer\u00eancia art\u00edstica em nossos projetos. Sempre estivemos \u00e0 vontade para contar as hist\u00f3rias que nos representassem, sem nenhum empecilho. E, depois, porque \u00e9 um patroc\u00ednio que visa circula\u00e7\u00e3o, que quer levar o teatro para lugares muito diferentes, por um pre\u00e7o bastante acess\u00edvel ou, muitas vezes, de gra\u00e7a, contribuindo para forma\u00e7\u00e3o de plateia. Aqui mesmo no Recife, muitos ingressos foram oferecidos a escolas e ONGs. N\u00e3o \u00e9 um patroc\u00ednio que te amarra. Tem sido, isso sim, libertador. E isso se deve muito \u00e0s pessoas que trabalham com patroc\u00ednio cultural l\u00e1 dentro da Petrobras e que tem uma vis\u00e3o aguda sobre a import\u00e2ncia deste tipo de manuten\u00e7\u00e3o. Agora, \u00e9 claro que eu gostaria que muito mais coletivos tivessem tamb\u00e9m essa oportunidade. Faltam mais projetos, faltam pol\u00edticas p\u00fablicas e sobram pessoas talentosas e que t\u00eam muito a dizer.<\/p>\n<p><strong>O t\u00edtulo de uma obra diz muito e voc\u00eas tem t\u00edtulos incr\u00edveis. <em>In\u00fatil a chuva<\/em>, me parece, traz uma desesperan\u00e7a no t\u00edtulo. Isso procede?<\/strong><br \/>\nPara n\u00f3s o t\u00edtulo, ao contr\u00e1rio, \u00e9 esperan\u00e7oso. O t\u00edtulo refere-se a um momento, j\u00e1 no fim da pe\u00e7a, em que alguns personagens seguem remando apesar da chuva que os alcan\u00e7a no caminho. \u00c9 in\u00fatil que a chuva caia. Eles v\u00e3o seguir remando, v\u00e3o seguir em frente. Mas todo t\u00edtulo est\u00e1 aberto a um monte de leituras. E \u00e9 bom que seja assim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 &#8220;A suposta &#8216;reconstru\u00e7\u00e3o&#8217; dessa obra e dessa \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 vida a partir de fragmentos incompletos \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0norteia o espet\u00e1culo&#8221;<\/em><\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A pe\u00e7a \u00e9 formada por oito quadros vivos. O aspecto visual ganha mais relev\u00e2ncia na montagem?<\/strong><br \/>\nEsses oito quadros, que estruturam a dramaturgia e a encena\u00e7\u00e3o, n\u00e3o aparecem no espet\u00e1culo exatamente como quadros vivos \u2013 \u00e0 moda do Bob Wilson, por exemplo. N\u00e3o \u00e9 um <em>tableau<\/em>. Em <em>In\u00fatil A Chuva<\/em>, esses quadros s\u00e3o parte da obra-imaginada de um pintor desaparecido, todos pintados anos antes do momento que a a\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica se desenrola de fato. \u00c9 como se esses quadros do passado agora voltassem materializados no palco e na vida desses personagens (que est\u00e3o, querendo eles ou n\u00e3o, extremamente ligados a esse sujeito pintor). A cada momento, os quadros surgem de uma forma distinta, \u00e0s vezes aparecem como imagem, outras como reflex\u00e3o filos\u00f3fica, m\u00fasica, dan\u00e7a. A suposta \u201creconstru\u00e7\u00e3o\u201d dessa obra e dessa vida a partir de fragmentos incompletos norteia o espet\u00e1culo, de certa maneira. Ent\u00e3o, sim, h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o com a visualidade da montagem muito ligada a esses quadros. A partir da luz do Maneco, dos poucos elementos c\u00eanicos, das cores do figurino. Mas acredito que h\u00e1 uma organicidade um equil\u00edbrio muito grande entre essa visualidade e o ator como figura determinante da cena.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>A dramaturgia \u00e9 assinada por voc\u00ea e seu filho Jopa Moraes? Sua mulher tamb\u00e9m \u00e9 atriz do Armaz\u00e9m. Quais as dores e delicias de trabalhar em fam\u00edlia?<\/strong><br \/>\nO teatro \u00e9 formador de fam\u00edlias, n\u00e3o \u00e9 assim? T\u00e3o natural isso pra mim. Quando o Armaz\u00e9m veio de Londrina pro Rio, em 1998, tentando conseguir melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho pro grupo, durante um bom tempo moramos quase todos no mesmo apartamento. Mesmo depois, cada um em seu canto, a ess\u00eancia de uma rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima e viva continua. O Jopa cresceu em contato com essa gente de teatro, sempre participando das conversas, sempre nas viagens que o grupo fez por esse Brasil imenso e fora do pa\u00eds tamb\u00e9m, assistindo tanta gente bacana por esses palcos, \u00e9 natural que ele v\u00e1 encontrando seu lugar como criador tamb\u00e9m. E a parceria entre n\u00f3s dois na dramaturgia s\u00f3 me alimentou de coisas positivas. J\u00e1 a Patr\u00edcia, \u00e9 muito mais que minha mulher, al\u00e9m de ser fundadora da companhia, \u00e9 uma das atrizes mais importantes do Brasil. E isso n\u00e3o sou eu que digo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <em>&#8220;Acho que o bacana de uma an\u00e1lise de teatro \u00e9 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0quando tenta compreender e interpretar o \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0evento teatral a partir daquilo que ele tem \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0e n\u00e3o pela l\u00f3gica do que est\u00e1 faltando&#8221;<\/em><\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Li algumas cr\u00edticas sobre o espet\u00e1culo e que falam de inefici\u00eancia da dramaturgia, principalmente no que se refere ao acabamento de personagens. O que voc\u00ea diria sobre isso?<\/strong><br \/>\nTamb\u00e9m li cr\u00edticas muito positivas e que enxergavam na dramaturgia e em sua estrutura qualidades muito interessantes. Em uma das primeiras vers\u00f5es do texto, a personagem Lotta, em uma conversa com uma curadora de um grande museu, dizia: \u201cEm arte, sempre vai ter algu\u00e9m para gostar (ou n\u00e3o) do que um outro algu\u00e9m faz. \u00c9 por isso que n\u00e3o se pode levar muito a s\u00e9rio um elogio.\u201d Acho que o mesmo vale para algumas cr\u00edticas negativas. O \u00faltimo espet\u00e1culo da companhia, <em>O Dia em que Sam Morreu<\/em>, recebeu pr\u00eamios na Fran\u00e7a, na Esc\u00f3cia, em S\u00e3o Paulo e no Rio. E isso n\u00e3o impediu que alguns cr\u00edticos achassem a dramaturgia esgar\u00e7ada demais. Quem est\u00e1 certo? Acho que o bacana de uma an\u00e1lise de teatro \u00e9 quando tenta compreender e interpretar o evento teatral a partir daquilo que ele tem e n\u00e3o pela l\u00f3gica do que est\u00e1 faltando. A obra que o autor quis fazer, n\u00e3o a que est\u00e1 na cabe\u00e7a do cr\u00edtico. A partir da\u00ed, pode haver di\u00e1logo. Para n\u00f3s, eu e Jopa, a dramaturgia da pe\u00e7a \u00e9 completamente calcada na constru\u00e7\u00e3o de personagens. Ou, melhor dizendo, nas situa\u00e7\u00f5es em que os personagens encontram uns ao outros e na maneira como v\u00e3o revelando suas diferen\u00e7as e particularidades a partir da presen\u00e7a desse outro. E, sim, acreditamos muito na pot\u00eancia deles.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A aus\u00eancia pesa feito chumbo na nova montagem do Armaz\u00e9m Cia. de Teatro. In\u00fatil a Chuva tra\u00e7a questionamentos existenciais, art\u00edsticos e pol\u00edticos a partir do desaparecimento do pai. 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