{"id":16009,"date":"2016-05-01T18:10:16","date_gmt":"2016-05-01T21:10:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=16009"},"modified":"2016-05-03T19:00:18","modified_gmt":"2016-05-03T22:00:18","slug":"bolhas-de-poesia-na-cena-para-as-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/bolhas-de-poesia-na-cena-para-as-criancas\/","title":{"rendered":"Bolhas de poesia na cena para as crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_16010\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/vento-forte2-e1462130426692.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-16010\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-16010 size-full\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/vento-forte2-e1462130426692.jpg\" alt=\"Vento Forte para \u00c1gua e Sab\u00e3o, montagem da Cia Fiandeiros de Teatro. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-16010\" class=\"wp-caption-text\">Vento Forte para \u00c1gua e Sab\u00e3o, montagem da Companhia Fiandeiros de Teatro. Foto: Rog\u00e9rio Alves\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Intensidade ou perman\u00eancia. H\u00e1 gente para tudo neste mundo. Uns preferem o furor e desfrutam com a m\u00e1xima magnitude tudo que a exist\u00eancia oferece. Outros optam pela dura\u00e7\u00e3o, sem grandes riscos. Na fic\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m acontecem lances assim. Com muitas possibilidades de grada\u00e7\u00e3o nas escolhas entre os dois pontos. Em <em>Vento forte para \u00e1gua e sab\u00e3o<\/em>, oitavo espet\u00e1culo e o segundo infanto-juvenil (o primeiro foi <em>Outra Vez, Era Uma Vez, de <\/em>2008) da Companhia Fiandeiros de Teatro, a bolha Bolonhesa tentou se preservar, ficar parada no seu cantinho, sem grandes emo\u00e7\u00f5es. Mas Arlindo, a rajada de vento, a seduziu com o an\u00fancio dos encantos do mundo. E Bolonhesa aceitou viver uma aventura incr\u00edvel, de tocar e ser tocada pela ess\u00eancia das coisas.<\/p>\n<p>A partir da met\u00e1fora dessa exc\u00eantrica amizade entre uma bolha de sab\u00e3o e uma rajada de vento, os dramaturgos Giordano Castro e Amanda Torres criaram um texto que descama o sentido\u00a0err\u00e1tico da vida e inexor\u00e1vel da morte, com uma roupagem l\u00fadica. O musical trata de assuntos considerados mais espinhosos para os pequenos, como rompimentos de rela\u00e7\u00f5es, trai\u00e7\u00f5es, dificuldades, decep\u00e7\u00f5es e luto.<\/p>\n<p>O diretor da companhia e do espet\u00e1culo Andr\u00e9 Filho aposta que \u00e9 poss\u00edvel dialogar sobre absolutamente tudo com os mi\u00fados. A\u00a0dramaturgia toma corpo com m\u00fasicas originais, nutridas de jazz e refer\u00eancias populares. E lembra que \u00e9 preciso nos reconciliarmos com nossas crian\u00e7as interiores, mais puras\u00a0e\u00a0fr\u00e1geis, mas tamb\u00e9m repletas de coragem.<\/p>\n<p>A pe\u00e7a est\u00e1 em cartaz no Teatro Hermilo Borba Filho, aos s\u00e1bados e domingos, \u00e0s 16h, at\u00e9 o final de maio. Participam dessa empreitada os atores Tiago Gondim, Daniela Travassos, Geysa Barlavento, K\u00e9llia Phayza, Victor Chitunda e Ricardo Angeiras.<\/p>\n<p>Na entrevista que segue, Andr\u00e9 Filho fala sobre a montagem de <em>Vento Forte para \u00c1gua e Sab\u00e3o, <\/em>al\u00e9m de<em>\u00a0<\/em>temas como cria\u00e7\u00e3o teatral e pol\u00edtica cultural no Recife.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o <\/strong><br \/>\nPe\u00e7a <em>Vento forte para \u00e1gua e sab\u00e3o<\/em><br \/>\n<strong>Quando:<\/strong> S\u00e1bados de domingos de maio, \u00e0s 16h<br \/>\n<strong>Onde:<\/strong> Teatro Hermilo Borba Filho &#8211; Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife<br \/>\n<strong>Quanto:<\/strong> R$ 5 (meia-entrada para todos nos dois primeiros fins de semana);\u00a0R$ 10 (restante da temporada)<br \/>\n<strong>Mais informa\u00e7\u00f5es:<\/strong> (81) 4141.2431 e 3355.3320<\/p>\n<div id=\"attachment_16030\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/IMG_9806-e1462312756177.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-16030\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-16030 size-full\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/IMG_9806-e1462312756177.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"430\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-16030\" class=\"wp-caption-text\">Andr\u00e9 Filho \u00e9 diretor da Cia. Fiandeiros. Foto: Daniela Travassos<\/p><\/div>\n<h2><strong>ENTREVISTA \/\/\u00a0ANDR\u00c9 FILHO<\/strong><\/h2>\n<p><strong>A passagem do texto \u00e0 cena \u00e9 um momento de escolhas. Quais as op\u00e7\u00f5es em <em>Vento Forte para \u00c1gua e Sab\u00e3o<\/em>? <\/strong><\/p>\n<p><em>Vento Forte para \u00c1gua e Sab\u00e3o<\/em> \u00e9 um texto que traz v\u00e1rias discuss\u00f5es interessantes. Uma delas, se n\u00e3o a mais importante, \u00e9 a tem\u00e1tica da morte. Este tema \u00e9 sempre repleto de muito tabu quando se escreve ou quando se encena para esse p\u00fablico espec\u00edfico. Mas a maneira inteligente e l\u00fadica que os autores encontraram me cativou. Resolvi seguir ent\u00e3o o caminho dessa discuss\u00e3o justamente pela contram\u00e3o, ou seja falar sobre morte a partir da vida, o sopro da cria\u00e7\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o com o divino que vem de nosso pulm\u00e3o. Procurei contrastar o macrocosmo e o microcosmo, aqui simbolizado pelo cl\u00e1ssico e pelo popular respectivamente, mas sem mensurar valores de import\u00e2ncia. Vida e morte, luz e sombra, aus\u00eancia e conte\u00fado, tudo se complementa, assim como tudo que existe no universo. Gosto muito da musicalidade que a pe\u00e7a me prop\u00f5e, neste sentido tamb\u00e9m procuramos dialogar com partituras populares e cl\u00e1ssicas, fazendo refer\u00eancias que v\u00e3o desde as antigas bandas de Jazz, at\u00e9 musicais mais contempor\u00e2neos.<\/p>\n<p><strong>Quais os caminhos que o texto indica? <\/strong><\/p>\n<p>O texto indica v\u00e1rias possibilidades de discuss\u00e3o al\u00e9m da vida e morte. Conceitos como tempo e espa\u00e7o, novas descobertas, eternidade e efemeridade. Estas s\u00e3o apenas algumas possibilidades. \u00c9 uma dramaturgia que n\u00e3o se prende apenas a cores, \u00e0 magia, ao encantamento.<\/p>\n<p><strong>Giordano Castro j\u00e1 disse que quando escreve n\u00e3o se preocupa com a cena, como as coisas v\u00e3o ser materializadas na cena. Como foi o processo de constru\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a? <\/strong><\/p>\n<p>Come\u00e7amos pela desconstru\u00e7\u00e3o de que teatro para crian\u00e7a tem que ser bobo. Um texto como <em>Vento Forte para \u00c1gua e Sab\u00e3o<\/em> requer um olhar desprovido de preconceitos sobre o que deve ser dialogado com o universo da crian\u00e7a. Nosso processo iniciou-se a partir da ideia do sopro da cria\u00e7\u00e3o, o sopro da palavra, do canto. Construir pontes entre coisas simples, como bolhas de sab\u00e3o, planetas, estrelas. Brincar com o cl\u00e1ssico e o popular esse foi o inicio do processo de constru\u00e7\u00e3o, que ainda est\u00e1 em processo.<\/p>\n<p><strong>Que valores voc\u00ea destaca na pe\u00e7a? <\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o gosto muito de destacar valores em uma obra de arte, prefiro falar em sintomas, valores soa para mim como algo pr\u00e9-definido e majorado como sendo o politicamente correto.\u00a0\u00c9 uma hist\u00f3ria muito simples, de uma bolha de sab\u00e3o e sua amizade com uma rajada de vento, duas entidades com ess\u00eancias t\u00e3o diferentes uma da outra, mas que ao mesmo tempo se complementam. A bolha necessita do vento para existir e por sua vez o ar necessita da bolha para justificar a sua fun\u00e7\u00e3o de sopro, de flutua\u00e7\u00e3o. Talvez esse seja o grande sintoma, a toler\u00e2ncia \u00e0s diferen\u00e7as. Esse fator que \u00e9 cada vez mais raro em nosso mundo de hoje.<\/p>\n<p><strong>Como a pe\u00e7a dialoga com o Brasil de hoje?<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil de hoje \u00e9 um pa\u00eds sem rumo pol\u00edtico, com pessoas se agredindo mutuamente por diferen\u00e7as raciais, religiosas, sexuais, pol\u00edticas. Falta-nos a capacidade da toler\u00e2ncia, a compreens\u00e3o de que por algu\u00e9m ser, ou pensar, diferente de n\u00f3s ele n\u00e3o precisa ser reprimido por isso. Nesse sentido acho a pe\u00e7a bem antenada com nosso momento atual. Falta-nos a capacidade de \u201cpoetizar\u201d, de olhar o outro n\u00e3o como um estrangeiro mas como um parceiro na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa. Que os ventos de um novo tempo nos levem, como bolhas de sab\u00e3o, a conhecer outros ares melhores que este em que estamos vivendo.<\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00c9 mais dif\u00edcil encenar para crian\u00e7as do que para adultos? <\/strong><\/p>\n<p>Sim, muito mais. N\u00e3o apenas pela quest\u00e3o do crit\u00e9rio da observa\u00e7\u00e3o que a crian\u00e7a tem sobre a pe\u00e7a. O olhar da crian\u00e7a \u00e9 sempre mais vertical que o olhar do adulto, justamente por estar livre de conceitos pr\u00e9-concebidos. Mas \u00e9 dif\u00edcil principalmente porque precisamos primeiro agradar a nossa crian\u00e7a interior, e esta muitas vezes est\u00e1 adormecida h\u00e1 bastante tempo. Trilhar este caminho at\u00e9 a crian\u00e7a que est\u00e1 dentro de n\u00f3s \u00e9 um labirinto escondido entre tantos preconceitos de adultos que \u00e0s vezes, durante esse caminho de descoberta, d\u00e1 vontade de desistir e queremos ir pelo caminho mais f\u00e1cil da caricatura. Esse foi, \u00e9 e sempre ser\u00e1 o maior desafio para quem trabalha com teatro para crian\u00e7as. \u00c9 um processo que leva tempo, mas bastante enriquecedor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><em><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 &#8220;A capacidade criativa dos nossos artistas de teatro \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00e9 inversamente proporcional\u00a0<\/strong><\/em><em><strong>\u00e0s a\u00e7\u00f5es \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0de\u00a0<\/strong><\/em><em><strong>nossos gestores p\u00fablicos para a cultura\u201d<\/strong><\/em><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que percebe\u00a0do teatro pernambucano atual?<\/strong><\/p>\n<p>A pergunta \u00e9 bastante ampla. Seria preciso um recorte mais objetivo para uma resposta mais precisa. H\u00e1 v\u00e1rios caminhos para responder.\u00a0Do ponto de vista da cria\u00e7\u00e3o, vejo que vivemos um momento bastante interessante se olhamos pela \u00f3tica dos grupos. S\u00e3o eles que v\u00eam oxigenando o debate mais intenso sobre o fazer teatral em Pernambuco. N\u00e3o vai aqui nenhuma cr\u00edtica a produtoras convencionais, absolutamente, mas a resist\u00eancia dos grupos em discutir quest\u00f5es espinhosas vem sendo o grande diferencial do nosso teatro. O trabalho continuado \u00e9 nosso grande trunfo. \u00c9 ele que nos d\u00e1 identidade, que nos alimenta de novas possibilidades e nos junta em torno de algo comum.\u00a0No entanto ainda persiste o d\u00e9ficit de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas especificamente para este segmento, houve avan\u00e7os \u00e9 verdade, mas ainda t\u00edmidos. Lamento profundamente que tenhamos perdido o bonde da hist\u00f3ria com a morte do Plano Municipal de Cultura. Ali t\u00ednhamos v\u00e1rias possibilidades de ver o Recife dar um salto qualitativo no nosso fazer teatral. O fechamento de casas de espet\u00e1culos, a precariedade dos equipamentos das que ainda funcionam, a n\u00e3o abertura de Edital de Ocupa\u00e7\u00e3o para o Teatro de Santa Isabel e mais recentemente a diminui\u00e7\u00e3o das linhas de cr\u00e9dito do SIC estadual, valores que j\u00e1 estavam defasados h\u00e1 mais de dez anos, s\u00e3o reflexos de que a capacidade criativa dos nossos artistas de teatro \u00e9 inversamente proporcional \u00e0s a\u00e7\u00f5es de nossos gestores p\u00fablicos para a cultura.\u00a0Mas o grande problema do nosso teatro n\u00e3o est\u00e1 na cena e sim na nossa falta de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Isso tem sido o grande entrave para uma melhoria nas nossas condi\u00e7\u00f5es de trabalho que se refletiria sem d\u00favida alguma num debate mais aprofundado de nossa est\u00e9tica local.<\/p>\n<p><strong>E o que \u00e9 feito para o p\u00fablico infantil no Recife? <\/strong><\/p>\n<p>Recife sempre teve uma tradi\u00e7\u00e3o de teatro para crian\u00e7a muito interessante. \u00a0H\u00e1 pessoas que trabalham s\u00e9rio neste segmento e fazem um trabalho com muita dignidade. A Companhia Fiandeiros, penso eu, deu uma contribui\u00e7\u00e3o importante para o teatro para inf\u00e2ncia em Pernambuco com a montagem do <em>Outra Vez, Era Uma Vez&#8230;<\/em> e agora estamos novamente buscando este p\u00fablico e estamos \u00e1vidos por encontr\u00e1-lo novamente.\u00a0Mas claro que existem tentativas que buscam dialogar mais com a televis\u00e3o e com o cinema do que com o teatro propriamente dito. A linguagem do teatro \u00e9 densa de significados n\u00e3o apenas de express\u00e3o, de luzes ou de cores. Nesse sentido vejo bons trabalhos sendo feitos, apesar de toda limita\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o para apresenta\u00e7\u00f5es e para ensaiar.\u00a0 Vi t\u00e3o bons trabalhos para a crian\u00e7a nos \u00faltimos anos, mas eles n\u00e3o conseguem se manter por um tempo mais longo. Cumprem temporada e se encerram rapidamente. Falta espa\u00e7os para apresenta\u00e7\u00f5es, espa\u00e7o para discuss\u00f5es, organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. O Funcultura precisa sistematizar linhas de a\u00e7\u00f5es que valorizem mais o teatro para inf\u00e2ncia e juventude, mas a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas financeira, creio se tratar tamb\u00e9m, como sempre, de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u201cQuando falo em organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica me refiro \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0especificamente ao nosso quintal, aqui no Recife\u201d<\/em><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E como voc\u00ea enxerga o teatro brasileiro? <\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o sei se conseguiria tra\u00e7ar um pensamento sobre o teatro brasileiro. O que eu acho bacana de observar \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel identificar o fen\u00f4meno do teatro de grupo se fortalecendo em todo pa\u00eds. Recentemente estivemos em contato com alguns grupos do Brasil, mais especificamente do Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo, Goi\u00e1s e Rio de Janeiro. As dificuldades s\u00e3o as mesmas que qualquer outro coletivo em qualquer lugar do Brasil. O que nos diferencia \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.\u00a0Em lugares como S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro h\u00e1 avan\u00e7os significativos na pol\u00edtica p\u00fablica, onde podemos ver grupos fazendo resid\u00eancias e participando ativamente da gest\u00e3o dos equipamentos administrados pelo Estado. S\u00f3 consigo ver um caminho para nosso teatro dentro do contexto nacional, \u00e9 o da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. E quando falo em organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica me refiro especificamente ao nosso quintal, aqui no Recife. N\u00e3o adianta fortalecer mobiliza\u00e7\u00f5es nacionais e esquecer de que \u00e9 aqui, a nossa casa que precisamos arrumar primeiro. \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o perceber que onde h\u00e1 um processo de forma\u00e7\u00e3o continuado em teatro o resultado est\u00e9tico \u00e9 nitidamente modificado.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a pe\u00e7a de teatro que voc\u00ea mais gostou de fazer? Como diretor e int\u00e9rprete? <\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 para especificar uma pe\u00e7a apenas, todas as pe\u00e7as que dirigi para a Companhia Fiandeiros t\u00eam em si momentos que foram marcantes no processo de cria\u00e7\u00e3o, <em>O Capataz de Salema<\/em> foi um momento bacana, <em>Vozes do Recife<\/em>, o <em>Outra Vez, Era Uma Vez&#8230;<\/em>, foi um momento bem bacana porque al\u00e9m de dirigir tamb\u00e9m escrevi o texto e fiz as m\u00fasicas, enfim. Tamb\u00e9m gostei muito do processo de <em>Noturnos<\/em>. Mas particularmente eu gostei muito da experi\u00eancia de ter montado <em>Vento Forte para \u00c1gua e Sab\u00e3o<\/em>, foi mais uma oportunidade de mergulhar na minha crian\u00e7a e de olhar o mundo atrav\u00e9s de seus olhos.\u00a0Fiz recentemente um trabalho como int\u00e9rprete, sob a dire\u00e7\u00e3o da professora Marianne Consentino que foi muito enriquecedor.\u00a0 Fizemos um solo a partir da obra <em>A Tempestade<\/em>, de William Shakespeare. Foi um momento muito especial pra mim e que eu destacaria.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 preciso para ser um \u201cbom\u201d encenador?<\/strong><\/p>\n<p>Um \u201cbom\u201d encenador? Poxa, como responder isso se n\u00e3o sou nem nunca pretendi ser um. Apenas procuro fazer um teatro que busca dialogar com a plateia, ser compreendido e me sintonizar com o mundo \u00e0 minha volta. Uma vez vi uma entrevista com Abujamra que ele dizia que \u201cser encenador \u00e9 a arte de ser dispens\u00e1vel\u201d. Acho que \u00e9 por a\u00ed. O que \u00e9 mais bacana \u00e9 que nosso trabalho \u00e9 completamente invis\u00edvel, quem brilha no palco \u00e9 o ator. O trabalho do diretor \u00e9 escrever no palco uma dramaturgia, escrita ou n\u00e3o, de maneira po\u00e9tica. Eu acho que para ser um bom encenador a primeira coisa que se tem a fazer \u00e9 compreender que seu trabalho \u00e9 invis\u00edvel e que a cada novo processo se volta \u00e0 estaca zero, do aprendizado. Quando isso n\u00e3o acontece corremos o risco de ficarmos repetitivos e presos ao passado. O tempo do teatro passa e n\u00e3o volta. N\u00e3o adianta. Quanto mais tentarmos voltar ao que nos deu brilho um dia, mais nossa luz se apagar\u00e1. Toda vez que penso nisso sinto quanto estou distante de ser um bom encenador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Intensidade ou perman\u00eancia. H\u00e1 gente para tudo neste mundo. Uns preferem o furor e desfrutam com a m\u00e1xima magnitude tudo que a exist\u00eancia oferece. 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