{"id":15717,"date":"2016-04-02T14:36:26","date_gmt":"2016-04-02T17:36:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=15717"},"modified":"2016-04-03T09:36:46","modified_gmt":"2016-04-03T12:36:46","slug":"contra-as-garras-do-autoritarismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/contra-as-garras-do-autoritarismo\/","title":{"rendered":"Contra as garras do autoritarismo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_15718\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/oceano_victor-Haim.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-15718\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-15718\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/oceano_victor-Haim.jpg\" alt=\"Foto: Victor Haim\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/oceano_victor-Haim.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/oceano_victor-Haim-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-15718\" class=\"wp-caption-text\">Nem mesmo todo o oceano, da Cia Omond\u00c9. Foto: Victor Haim<\/p><\/div>\n<p>O espet\u00e1culo <em>Nem mesmo todo o oceano<\/em> transborda de vida, contradit\u00f3ria e humana na ambi\u00e7\u00e3o pelo poder (mesmo os pequenos e podres poderes). Exubera de lucidez, com doses generosas de ironia sobre a Hist\u00f3ria e seus pat\u00e9ticos e cru\u00e9is personagens. E extravasa de amor pelo Brasil, desejoso de um pa\u00eds mais justo.<\/p>\n<p>Adaptada do romance hom\u00f4nimo do escritor mineiro Alcione Ara\u00fajo e com uma dire\u00e7\u00e3o provocadora, potente e precisa de Inez Vianna a montagem utiliza uma lente de aumento. Meton\u00edmia. Da parte &#8211; o personagem Ele -, para o todo &#8211; os descaminhos, os atentados contra os direitos humanos, a invers\u00e3o de valores, a tirania. E com isso revela min\u00facias\u00a0s\u00f3rdidas.<\/p>\n<p>A encena\u00e7\u00e3o reflete e nos faz pensar (n\u00f3s espectadores neste momento de turbul\u00eancia no Brasil) sobre o per\u00edodo da ditadura militar &#8211; o pa\u00eds do futuro enlameado nos por\u00f5es do autoritarismo.<\/p>\n<p><em>Nem mesmo todo o oceano<\/em>, da Cia Omond\u00c9, cumpre temporada na Caixa Cultural Recife, at\u00e9 9 de abril, com sess\u00f5es de quinta-feira a s\u00e1bado, \u00e0s 20h. E \u00e9 imperd\u00edvel.<\/p>\n<p>Seis int\u00e9rpretes se multiplicam entre os diversos papeis, inclusive o protagonista Ele. Os atores Leonardo Br\u00edcio, Iano Salom\u00e3o, Jefferson Schroeder, Junior Dantas, Luis Antonio Fortes e Z\u00e9 Wendell se revezam num jogo fren\u00e9tico. A din\u00e2mica proposta pela encenadora e executada pelo elenco esfuma\u00e7a as fronteiras entre personagens, como a apontar a ess\u00eancia daquelas qualidades e defeitos em todos n\u00f3s. Cabendo a cada um eleger o que deve estar no comando.<\/p>\n<p>O palco vazio de cen\u00e1rios valoriza a presen\u00e7a do ator. A diretora p\u00f5e o ator em primeiro plano, o jogo e as interpreta\u00e7\u00f5es. A ditadura brasileira \u00e9 narrada a partir da trajet\u00f3ria de um m\u00e9dico ambicioso e alienado. Ele vem de uma inf\u00e2ncia humilde no Interior de Minas Gerais e vai estudar no Rio de Janeiro. Seus colegas de faculdade s\u00e3o perseguidos e presos e o mineiro prefere n\u00e3o entender o que est\u00e1 acontecendo, porque acredita que o problema n\u00e3o \u00e9 com ele. Sua \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com o seu pr\u00f3prio umbigo, ascens\u00e3o profissional, inser\u00e7\u00e3o social, em satisfazer seu ego.<\/p>\n<p>Ele pouco se importa com sua fam\u00edlia que ficou no interior de Minas. Quando passa a ganhar dinheiro, utiliza apenas para seus gastos. Acha suficiente o orgulho que deu aos seus ao galgar uma carreira de m\u00e9dico. Sua estrutura moral \u00e9 fr\u00e1gil. Deslumbrado com as apar\u00eancias e alimentando um\u00a0recalque, ele n\u00e3o vai deixar passar a oportunidade de se vingar. Do mundo que o exclui e ao qual ele tenta se agarrar.<\/p>\n<p>Quando ocupa o cargo de m\u00e9dico legista do DOI-Codi (\u00f3rg\u00e3o de repress\u00e3o do Ex\u00e9rcito) Ele passa a testemunhar as torturas e abalizar se o supliciado tem ou n\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de ser submetido a mais viol\u00eancia. Os personagens s\u00e3o fict\u00edcios, \u00a0mas t\u00e3o baseados na Hist\u00f3ria que chocam at\u00e9 a Comiss\u00e3o da Verdade.<\/p>\n<div id=\"attachment_15730\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/oceano_0802-e1459614010903.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-15730\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-15730 size-full\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/oceano_0802-e1459614010903.jpg\" alt=\"Nem mesmo todo o oceano\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-15730\" class=\"wp-caption-text\">Encena\u00e7\u00e3o exibe port\u00f5es da ditadura militar. Foto: Carlos Cabera<\/p><\/div>\n<p>H\u00e1 algo de <em>Mephisto<\/em>, longa-metragem do realizador h\u00fangaro Istv\u00e1n Szab\u00f3, nessa criatura de Alcione Ara\u00fajo.\u00a0 O filme \u00e9 inspirado no romance <em>Doktor Faustus<\/em> do escritor Klaus Mann, filho do consagrado Thomas Mann.<\/p>\n<p>O protagonista Hendrik H\u00f6fgen (papel defendido por Klaus Maria Brandauer) \u00e9 um ator alem\u00e3o ambicioso, que abandona antigos valores e amigos para se tornar \u2013 sem escr\u00fapulos \u2013 o maior ator do Terceiro Reich. Sua atua\u00e7\u00e3o como Mefist\u00f3feles na pe\u00e7a <em>Fausto<\/em>, de Goethe, o tornou um s\u00edmbolo cultural do regime nazista. Para isso ele trava um pacto com o &#8220;diabo&#8221;.<\/p>\n<p>O filme de 1981 foi premiado com o Oscar de Filme em L\u00edngua Estrangeira, Roteiro e Pr\u00eamio da Cr\u00edtica em Cannes. \u00c9 baseado na vida real do ator Gustav Gruendgens, mas ganha escala maior por interrogar sobre o papel de um artista na sociedade.<\/p>\n<p>Na Alemanha dos anos 1930, Hendrik H\u00f6fgen n\u00e3o se preocupa com pol\u00edtica; o que importava era\u00a0sua carreira, seu entendimento sobre o bolchevismo. Mas quando os nazistas ocupam o poder, ele n\u00e3o titubeia em fazer pe\u00e7as de propaganda do regime.<\/p>\n<p>Hoefgen se entrega \u00e0 ideologia do mal. E no final do filme exp\u00f5e o seu dilema: \u201cO que querem de mim? Eu sou s\u00f3 um ator\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_15731\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/espetaculo-nem-mesmo-todo-o-oceano--e1459614201751.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-15731\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-15731\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/espetaculo-nem-mesmo-todo-o-oceano--e1459614201751.jpg\" alt=\"Ritmo fren\u00e9tico na troca de papeis\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-15731\" class=\"wp-caption-text\">Ritmo fren\u00e9tico na troca de papeis<\/p><\/div>\n<p>At\u00e9 que ponto \u00e9 poss\u00edvel um cidad\u00e3o comum n\u00e3o se envolver com as quest\u00f5es de seu tempo? palpita a montagem. O protagonista de <em>Nem mesmo todo o oceano<\/em> tamb\u00e9m n\u00e3o tem afei\u00e7\u00e3o\u00a0por pol\u00edtica. Sob a capa da aliena\u00e7\u00e3o, Ele diz que s\u00f3 se interessa por sua pr\u00f3pria vida. Por seu umbigo. Por suas conquistas.<\/p>\n<p>Mas nos regimes totalit\u00e1rios qualquer um pode ser triturado. Inclusive aqueles que sacrificaram cren\u00e7as pol\u00edticas, religiosas e outras em nome de uma suposta sobreviv\u00eancia f\u00edsicia e social. O protagonista ir\u00e1 descobrir, tarde demais, que \u00e9 apenas uma pecinha numa grande engrenagem e sua elimina\u00e7\u00e3o n\u00e3o far\u00e1 a m\u00ednima diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>H\u00e1 cenas que fazem refer\u00eancias a fatos reais, como a invas\u00e3o ao pr\u00e9dio da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes, a Marcha da Fam\u00edlia com Deus pela Liberdade e o show Opini\u00e3o. E a encenadora dosa bem o tom cr\u00edtico da montagem, ao fazer um contraponto com\u00a0o farsesco de algumas cenas, que exibem o rid\u00edculo das a\u00e7\u00f5es e do pensamento da plutocracia.<\/p>\n<div id=\"attachment_15736\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/oceano12-e1459618385327.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-15736\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-15736 size-full\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/oceano12-e1459618385327.jpg\" alt=\"Personagens debocham de comportamentos da elite da \u00e9poca\" width=\"600\" height=\"407\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-15736\" class=\"wp-caption-text\">Personagens debocham de comportamentos da elite da \u00e9poca. Foto: Carlos Cabera<\/p><\/div>\n<p>Quando o p\u00fablico entra no teatro o elenco j\u00e1 est\u00e1 no palco, jogando com uma bola. A bola sai, mas o jogo continua nos deslocamentos dos atores em blocos, em parte ou isolados. A ilumina\u00e7\u00e3o revela essas condu\u00e7\u00f5es, seus c\u00edrculos e os claro\/escuro de uma hist\u00f3ria sem final feliz.<\/p>\n<p>Cada um do elenco tem algum momento de destaque. E nesse caso acima dos relevos, o mais importante \u00e9 o conjunto da atua\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m funciona com uma corrida de revezamento, ningu\u00e9m pode deixar o bast\u00e3o cair, sob o risco de comprometer toda a opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Nem mesmo todo o oceano<\/em> estreou em 2013, quando come\u00e7ou uma onda de protestos nas ruas. Falar de 1964 em 2016 \u00e9 de import\u00e2ncia vital, nesse di\u00e1logo entre arte e vida, arte e politica. O espet\u00e1culo pulsa nervoso, fren\u00e9tico, urgente como o Brasil desses tempos.<\/p>\n<p><u><strong>FICHA T\u00c9CNICA<\/strong> <\/u><br \/>\n<strong>Autor:<\/strong> Alcione Ara\u00fajo<br \/>\n<strong>Adapta\u00e7\u00e3o e Dire\u00e7\u00e3o:<\/strong> Inez Viana<br \/>\n<strong>Consultoria Dramat\u00fargica:<\/strong> Pedro Kosovski<br \/>\nE<strong>lenco: <\/strong>Cia Omond\u00c9 \u2013 Leonardo Bricio, Iano Salom\u00e3o, Jefferson Schroeder, Junior Dantas, Luis Antonio Fortes e Z\u00e9 Wendell<br \/>\n<strong>Figurino:<\/strong> Fl\u00e1vio Souza<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o Musical:<\/strong> Marcelo Alonso Neves<br \/>\n<strong>Ilumina\u00e7\u00e3o:<\/strong> Renato Machado<br \/>\n<strong>Assessoria de Imprensa:<\/strong> Ney Motta<br \/>\n<strong>Programa\u00e7\u00e3o Visual:<\/strong> Dulce Lobo<br \/>\n<strong>Assistentes de Dire\u00e7\u00e3o:<\/strong> Carolina Pismel, Debora Lamm e Juliane Bodini<br \/>\n<strong>Produ\u00e7\u00e3o Executiva:<\/strong> J\u00e9ssica Santiago e Rafael Faustini<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o de Produ\u00e7\u00e3o:<\/strong> Claudia Marques<br \/>\n<strong>Projeto<\/strong> da Cia Omond\u00c9<br \/>\n<strong>Patroc\u00ednio<\/strong> CAIXA<\/p>\n<p><strong>SERVI\u00c7O:<\/strong><br \/>\n<em>Nem mesmo todo o oceano<\/em><br \/>\n<strong>Onde:<\/strong> CAIXA Cultural Recife (Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife, Recife\/PE)<br \/>\n<strong>Quando:<\/strong> 31\/03 a 02\/04 e de 07 a 09\/04\/2016, de\u00a0Quinta a s\u00e1bado, \u00e0s\u00a020h.<br \/>\n<strong>Ingressos:<\/strong> R$ 10 e R$ 5 (meia)<br \/>\n<strong>Vendas:<\/strong> a partir das 10h do dia 30 (para as apresenta\u00e7\u00f5es de 31\/03 a 2\/04) e do dia 06 (para as apresenta\u00e7\u00f5es de 07 a 09\/04)<\/p>\n<p><strong>Informa\u00e7\u00f5es: <\/strong>(81) 3425-1915 \/ 3425-1900<br \/>\n<strong>Classifica\u00e7\u00e3o Indicativa: <\/strong>16 anos<br \/>\n<strong>Dura\u00e7\u00e3o:<\/strong> 80 minutos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O espet\u00e1culo Nem mesmo todo o oceano transborda de vida, contradit\u00f3ria e humana na ambi\u00e7\u00e3o pelo poder (mesmo os pequenos e podres poderes). 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