{"id":15530,"date":"2015-12-28T15:43:00","date_gmt":"2015-12-28T18:43:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=15530"},"modified":"2016-02-12T13:02:01","modified_gmt":"2016-02-12T16:02:01","slug":"a-tentativa-de-cristalizar-a-memoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/a-tentativa-de-cristalizar-a-memoria\/","title":{"rendered":"A tentativa de cristalizar a mem\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_15535\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/fam\u00edlia-museu-e1455215971142.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-15535\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-15535\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/fam\u00edlia-museu-e1455215971142.jpg\" alt=\"Espet\u00e1culo resgata hist\u00f3ria de fam\u00edlia do autor e diretor. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o TUSP\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-15535\" class=\"wp-caption-text\">Espet\u00e1culo resgata hist\u00f3ria de fam\u00edlia do autor e diretor. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o TUSP<\/p><\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/bienal-usp2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-15305\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/bienal-usp2-150x140.jpg\" alt=\"bienal-usp2\" width=\"150\" height=\"140\" \/><\/a><\/p>\n<p>Tudo que \u00e9 presente, logo ali, no pr\u00f3ximo instante, j\u00e1 se mostra passado. Assim \u00e9 mesmo a vida. J\u00e1 no teatro, pensando especificamente no enredo dram\u00e1tico, presente, passado e futuro est\u00e3o circunscritos dentro dos limites da sess\u00e3o de um espet\u00e1culo. Talvez por isso, analisando sob esse aspecto, esses tempos tenham a possibilidade de se tornar mais cristalizados, palp\u00e1veis. Ainda assim, por outro vi\u00e9s, o teatro \u00e9 a arte do ef\u00eamero, do que foi e j\u00e1 n\u00e3o \u00e9, da impossibilidade da repeti\u00e7\u00e3o. O argentino Ariel Zagarese recorreu n\u00e3o s\u00f3 ao teatro, mas ao conceito de museu, para resgatar a hist\u00f3ria do seu pr\u00f3prio pai e da sua fam\u00edlia, l\u00e1 pelas d\u00e9cadas de 1980 e 1990, no espet\u00e1culo <em>Fam\u00edlia Museu<\/em>, apresentado na II Bienal Internacional de Teatro de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Logo que as portas da sala de espet\u00e1culo s\u00e3o abertas, podemos caminhar pelo espa\u00e7o e observar, contemplar, tal qual um museu tradicional, os objetos de uma cole\u00e7\u00e3o: uma m\u00e1quina de barbear, fotos, caixa de ferramentas, por exemplo. Uma das especificidades, no entanto, \u00e9 que aquela exposi\u00e7\u00e3o conta com a presen\u00e7a de um homem, meia-idade, sentado, lendo o jornal. A tens\u00e3o entre os tempos come\u00e7a a se estabelecer exatamente ali. Quando os objetos remetem a um passado, mas o corpo se faz presente.<\/p>\n<div id=\"attachment_15537\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/fam\u00edlia-museu2-e1455216050596.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-15537\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-15537\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/fam\u00edlia-museu2-e1455216050596.jpg\" alt=\"Montagem come\u00e7a com exposi\u00e7\u00e3o de objetos\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-15537\" class=\"wp-caption-text\">Montagem come\u00e7a com exposi\u00e7\u00e3o de objetos<\/p><\/div>\n<p>O homem, interpretado por Alejandro Ruaise, \u00e9 Rub\u00e9n Carlos Zagarese (1948-1999), pai do diretor e dramaturgo Ariel Zagarese, cujo papel ficou sob a responsabilidade de Manuel Reyes Montes. H\u00e1 ainda a m\u00e3e e a irm\u00e3 do ator, vividas pelas atrizes Sabrina Loza e Manuela Iseas. Os atores se apresentam e dizem ao p\u00fablico quais ser\u00e3o os seus personagens. A rela\u00e7\u00e3o entre representa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o-representa\u00e7\u00e3o, no entanto, n\u00e3o tem outros desdobramentos para al\u00e9m desse momento inicial da pe\u00e7a.<\/p>\n<p>A escritura c\u00eanica de <em>Fam\u00edlia Museu<\/em> se prop\u00f5e pontuada por fric\u00e7\u00f5es e pontos de encontro\/embate. Nessa hist\u00f3ria, o p\u00fablico se questiona o tempo inteiro sobre fic\u00e7\u00e3o e realidade; principalmente quando as mem\u00f3rias que s\u00e3o levadas \u00e0 cena s\u00e3o, de fato, a tentativa de reconstru\u00e7\u00e3o de um passado visto sob um \u00fanico olhar, o do dramaturgo\/diretor, pontuadas pela atua\u00e7\u00e3o de outras pessoas. Na constru\u00e7\u00e3o da cena, \u00e9 o passado \u201cmuseu\u201d que logo vira presente, mas traz lembran\u00e7as a muitos dos espectadores, o que de fato se materializa como presente em cena, o que h\u00e1 de fic\u00e7\u00e3o a partir dessa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Nesse caminho permeado por afetos e desencontros, o foco est\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o familiar. No cotidiano que poderia ser o de qualquer fam\u00edlia. A briga entre os irm\u00e3os, as quest\u00f5es que permeiam o casamento, mas, principalmente, a falta de di\u00e1logo. O pai \u00e9 retratado como algu\u00e9m distante, endurecido pela vida, que faz pouca quest\u00e3o de construir sentimentos, como na cena em que o garoto tenta ajuda-lo a consertar o carro. S\u00e3o elementos trazidos pela dramaturgia que, em alguma medida, aproximam o p\u00fablico da montagem, embora o espet\u00e1culo n\u00e3o consiga superar um estado, digamos, de certa conformidade e apatia.<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es\/fric\u00e7\u00f5es que poderiam surgir na aproxima\u00e7\u00e3o entre teatro e vida real, entre os elementos do real no espa\u00e7o da fic\u00e7\u00e3o, n\u00e3o extrapolam os limites, de maneira que possam, de fato, trazer tens\u00e3o \u00e0 rela\u00e7\u00e3o com o espectador. \u00c9 uma linha de dramaturgia que se mostra monoc\u00f3rdica, sem pontos de virada ou oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar de tratada de forma sens\u00edvel, a abordagem fica t\u00e3o localizada no microuniverso familiar, que as outras dimens\u00f5es que poderiam surgir a partir da proposta da montagem, da dramaturgia e da pr\u00f3pria encena\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tomam vulto. Aqui, o que acontece de fato \u00e9 que o particular, o autorreferente, n\u00e3o se torna universal e sa\u00edmos com a sensa\u00e7\u00e3o de que a proposi\u00e7\u00e3o foi mais interessante do que a sua realiza\u00e7\u00e3o em cena.<\/p>\n<div id=\"attachment_15538\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/fam\u00edlia-museu-3-e1455216102477.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-15538\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-15538\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/fam\u00edlia-museu-3-e1455216102477.jpg\" alt=\"Montagem se limita \u00e0s quest\u00f5es familiares\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-15538\" class=\"wp-caption-text\">Montagem se limita \u00e0s quest\u00f5es familiares<\/p><\/div>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica:<\/strong><br \/>\n<strong>Texto: <\/strong>Ariel Zagarese<br \/>\n<strong>Elenco:<\/strong> Manuela Iseas, Sabrina Loza, Manuel Reyes Montes, Alejandro Ruaise<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o:<\/strong> Ariel Zagarese<br \/>\n<strong>Cenografia:<\/strong> Ariel Vaccaro<br \/>\n<strong>Ilumina\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica:<\/strong> Jessica Tortul<br \/>\n<strong>Assist\u00eancia de dire\u00e7\u00e3o:<\/strong> Julia Troiano<br \/>\n<strong>Coreografia<\/strong>: Pablo Lugones<br \/>\n<strong>Produ\u00e7\u00e3o:<\/strong> Javier Torres Dowdall<\/p>\n<p><strong>&#8212;&#8211;<\/strong><\/p>\n<p>Escrito no contexto da <a href=\"http:\/\/www.usp.br\/bienaldeteatro\/2015\/\" target=\"_blank\">II Bienal Internacional de Teatro da USP<\/a> (27\/11 a 18\/12).<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>DocumentaCena \u2013 Plataforma de Cr\u00edtica<\/strong>\u00a0articula ideias e a\u00e7\u00f5es do site\u00a0<em>Horizonte da Cena<\/em>, do blog\u00a0<em>Satisfeita, Yolanda?<\/em>, da\u00a0<em>Quest\u00e3o de Cr\u00edtica \u2013 Revista Eletr\u00f4nica de Cr\u00edticas e Estudos Teatrais<\/em>\u00a0e do site\u00a0<em>Teatrojornal \u2013 Leituras de Cena<\/em>. Esses espa\u00e7os digitais reflexivos e singulares foram consolidados por jornalistas, cr\u00edticos ou pesquisadores atuantes em Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo. A DocumentaCena realizou cobertura da Mostra Internacional de Teatro de S\u00e3o Paulo, a MITsp (2014 e 2015); do Cena Contempor\u00e2nea \u2013 Festival Internacional de Teatro de Bras\u00edlia (2014 e 2015); da Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo, em S\u00e3o Paulo (2014 e 2015); e do Festival de Cenas Curtas do Galp\u00e3o Cine Horto, em Belo Horizonte (2013).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo que \u00e9 presente, logo ali, no pr\u00f3ximo instante, j\u00e1 se mostra passado. Assim \u00e9 mesmo a vida. J\u00e1 no teatro, pensando especificamente no enredo dram\u00e1tico, presente, passado e futuro est\u00e3o circunscritos dentro dos limites da sess\u00e3o de um espet\u00e1culo. 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