{"id":15284,"date":"2015-11-29T12:42:54","date_gmt":"2015-11-29T15:42:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=15284"},"modified":"2016-09-05T09:45:01","modified_gmt":"2016-09-05T12:45:01","slug":"valdi-coutinho-amante-do-teatro-futebol-e-carnaval","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/valdi-coutinho-amante-do-teatro-futebol-e-carnaval\/","title":{"rendered":"Valdi Coutinho: amante do teatro, futebol e Carnaval"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_15288\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/151122-Abertura-Festival-Teatro-Foto-Inaldo-Lins-04.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-15288\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-15288 size-full\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/151122-Abertura-Festival-Teatro-Foto-Inaldo-Lins-04-e1473078488811.jpg\" alt=\"Jornalista e cr\u00edtico teatral Valdi Coutinho, homenageado do Festival Recife do Teatro Nacional deste ano. Foto: Inaldo Lins\" width=\"600\" height=\"397\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-15288\" class=\"wp-caption-text\">Jornalista e cr\u00edtico teatral Valdi Coutinho, homenageado do Festival Recife do Teatro Nacional 2015. Foto: Inaldo Lins<\/p><\/div>\n<p>Talvez os artistas de teatro mais jovens de Pernambuco n\u00e3o conhe\u00e7am o trabalho de Valdi Coutinho. Aqueles com mais anos de estrada, certamente sim. Muitos desses, como bem disse Paula de Renor na abertura do Festival Recife do Teatro Nacional, no \u00faltimo dia 21 de novembro, iam \u00e0 reda\u00e7\u00e3o do jornal entregar o release impresso dos seus espet\u00e1culos. O jornal era possivelmente a principal ferramenta de divulga\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as.<\/p>\n<p>Como os tempos mudaram, os cr\u00edticos de teatro que atuam hoje em jornal n\u00e3o t\u00eam o mesmo prest\u00edgio e poder de persuas\u00e3o que Coutinho exerceu durante praticamente tr\u00eas d\u00e9cadas \u2013 1970, 1980, 1990. Ele assinou uma coluna di\u00e1ria no Diario de Pernambuco, al\u00e9m de escrever artigos mais longos e entrevistas. Impulsionou muitas carreiras numa \u00e9poca em que n\u00e3o existia internet ou m\u00eddias sociais. Fez muitos amigos e poucos inimigos. Foi um cr\u00edtico moderado: admite que preferia o sil\u00eancio quando considerava a qualidade do espet\u00e1culo muito comprometida.<\/p>\n<p>Por muitos anos, na labuta di\u00e1ria do jornalismo, se dividiu entre duas paix\u00f5es: o teatro e o futebol. Em entrevista ao <em>Satisfeita, Yolanda<\/em>?, Valdi Coutinho conta, por exemplo, que acompanhou quatro Copas do Mundo. Ele \u00e9 tamb\u00e9m apaixonado por Carnaval e \u00e9 um dos idealizadores do Baile dos Artistas.<\/p>\n<p>Homenageado do 17\u00ba Festival Recife do Teatro Nacional, em reconhecimento ao seu trabalho como jornalista, ator e incentivador do teatro pernambucano, Valdi Coutinho emocionado, na abertura do evento, disse que era o dia mais lindo de sua vida. Muita gente de teatro estava l\u00e1 para prestigiar esse tributo, como as atrizes Maria de Jesus Baccarelli, Suzana Costa, Ivonete Melo, os diretores Antonio Cadengue, Jo\u00e3o Denys e Jos\u00e9 Manoel Sobrinho.<\/p>\n<p><strong>ENTREVISTA \/\/ VALDI COUTINHO<\/strong><\/p>\n<p><strong>Valdi, voc\u00ea trabalhou muito anos no Diario de Pernambuco. Voc\u00ea fez parte da editoria de Esportes tamb\u00e9m? Como eram divididas suas tarefas?<\/strong><br \/>\nPassei quase 30 anos no DP e durante algum tempo me dividi entre Esportes, com o editor Adonias de Moura, e Viver &#8211; artes c\u00eanicas &#8211; com a editora Leda Rivas, o que n\u00e3o criava problema nenhum, pois os dois editores compreendiam minha simbiose entre o futebol e o teatro. Quando viajava, &#8211; e viajei muito, conheci toda a Am\u00e9rica do Sul, Estados Unidos, e fiz quatro Copas do Mundo (Argentina, Espanha, M\u00e9xico e It\u00e1lia), passando dois meses em cada um desses pa\u00edses,- era substitu\u00eddo na coluna di\u00e1ria de artes c\u00eanicas por jornalistas-colegas maravilhosos, tais como Sanelvo Cabral, In\u00eas Cunha, Marilourdes Ferraz, entre outros, e nunca houve problemas. Grato, ent\u00e3o a Leda Rivas e ao saudoso Adonias de Moura. Jos\u00e9 Maria, esse \u00faltimo foi quem me entregou\u00a0 a miss\u00e3o de fazer a coluna de artes c\u00eanicas (substituindo Adeth Leite, quando ele faleceu), todos os\u00a0dois de saudosa mem\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>No per\u00edodo em que voc\u00ea atuou, o teatro pernambucano era mais vibrante? Tinha mais proje\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, quando eu comecei a escrever sobre artes c\u00eanicas s\u00f3 havia o TAP, chamado de Jardim dos Oliveiras, o Tucap, Leandro Filho e seu teatro infantil. A\u00ed eu fui incentivando, abrindo espa\u00e7o, dando not\u00edcias sobre outras produ\u00e7\u00f5es e come\u00e7ou o rebuli\u00e7o, e passamos a ter um movimento teatral, chegando o Recife a ser o 3\u00ba polo de produ\u00e7\u00e3o teatral. Enfim, sem falsa mod\u00e9stia, o Recife come\u00e7ou a ter proje\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p><strong>Como foi o seu encontro com o teatro? Como ator, diretor, cr\u00edtico?<\/strong><br \/>\nNaquela \u00e9poca n\u00e3o existia Internet nem redes sociais. O jornalista tinha que estar por dentro de tudo, bem informado sobre o que ia escrever, e eu estava at\u00e9 demais, s\u00f3 assim tinha informa\u00e7\u00f5es, cr\u00edticas e resenhas para escrever sobre teatro, diariamente. Aos 10 anos j\u00e1 fazia teatro interpretando <em>Tarc\u00edsio, o m\u00e1rtir da Eucaristia,<\/em> no Semin\u00e1rio de Nazar\u00e9 da Mata, sob\u00a0a dire\u00e7\u00e3o do professor Higino. Depois, no Semin\u00e1rio de S\u00e3o Pedro, em Natal, comandava o show <em>X\u00f4 Arara, Arara Show<\/em>, aos domingos, para fugirmos da sala de estudos, \u00e0 noite. Aos 16 anos, na cidade de Gurupi, Goi\u00e1s, dirigi v\u00e1rios espet\u00e1culos musicais apresentados no Cine Boa Sorte, de sr. Mois\u00e9s, com coreografias, esquetes dram\u00e1ticos e c\u00f4micos, etc, que lotavam a casa. Quando jornalista, no Recife, fiz estreia na pe\u00e7a <em>A Falecida<strong>,<\/strong><\/em> de Nelson Rodrigues, pelo elenco dos aspirantes ao TAP, dire\u00e7\u00e3o de Valter de Oliveira. Depois fui presidente do Teatro Ambiente, do MAC, substituindo Petr\u00facio Nazareno, fundei o Teatro Experimental de Olinda, TEO, onde despontaram in\u00fameros talentos, como o hoje famoso Jos\u00e9 Manoel.E n\u00e3o parei mais, fazendo e escrevendo sobre teatro.<\/p>\n<p><strong>Uma cr\u00edtica de teatro ainda tem alguma serventia?<\/strong><br \/>\nUma cr\u00edtica de teatro ainda tem incomensur\u00e1vel valor n\u00e3o s\u00f3 para o p\u00fablico mas especialmente para os que fazem teatro.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea ainda escreve cr\u00edticas? O que voc\u00ea acha importante analisar?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o escrevo mais cr\u00edticas. Mas, acho tudo muito importante na cr\u00edtica, desde a an\u00e1lise do texto at\u00e9 da contrarregragem.<\/p>\n<p><strong>Como se forma um bom cr\u00edtico de teatro?<\/strong><br \/>\nUm bom cr\u00edtico, ao meu ver tem que compreender tudo, desde os bastidores at\u00e9 o produto final de uma encena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Uma das grandes pol\u00eamicas da produ\u00e7\u00e3o pernambucana foi a estreia, e a curta temporada, da montagem <em>Um Bonde chamado desejo<\/em>, da qual voc\u00ea era assessor de imprensa. A cr\u00edtica, num caso rar\u00edssimo, foi publicada duas vezes em p\u00e1gina inteira no JC, porque trocaram a assinatura do autor da mat\u00e9ria. E n\u00e3o era uma cr\u00edtica favor\u00e1vel ao espet\u00e1culo. O que diria sobre isso? <\/strong><br \/>\nNaquela \u00e9poca existia uma guerra demolidora, amarga, azeda, de bastidores. Conhe\u00e7o produtores que ligavam para os teatros a fim de saber quantas pessoas tinham ido ver o outro espet\u00e1culo em cartaz para compar\u00e1-lo com o seu.\u00a0<em>Um Bonde Chamado Desejo<\/em> foi v\u00edtima dessa disc\u00f3rdia, sobrou at\u00e9 pra mim, foram pedir minha cabe\u00e7a no jornal porque eu fiz assessoria de imprensa do espet\u00e1culo. Sofri muito\u00a0na \u00e9poca. Sobrou para a produtora e protagonista do espet\u00e1culo Suzana Costa, na \u00e9poca namorada do presidente da FCCR, injustamente perseguida. Foi uma baixaria. Sa\u00edmos inc\u00f3lumes dessa viol\u00eancia, o espet\u00e1culo fez sucesso e eu permaneci escrevendo sobre artes c\u00eanicas. N\u00e3o mexe comigo, eu n\u00e3o ando s\u00f3&#8230;<\/p>\n<p><strong>O que acha da cena teatral brasileira contempor\u00e2nea? Estamos mais ricos ou mais pobres artisticamente <\/strong><br \/>\nAcho que estamos mais pobres. O valor comercial do espet\u00e1culo prevalece, o p\u00fablico adora ver pintas no palco. Mas isso est\u00e1 passando gra\u00e7as a uma nova gera\u00e7\u00e3o que est\u00e1 chegando com excelentes espet\u00e1culos<\/p>\n<p><strong>Na sua carreira de cr\u00edtico tem algum texto que voc\u00ea se arrependeu de ter escrito. Por qu\u00ea? Ou alguma cr\u00edtica que voc\u00ea lamentou n\u00e3o ter escrito. Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o. Quando eu achava que o espet\u00e1culo era pobre demais eu simplesmente n\u00e3o fazia cr\u00edtica para n\u00e3o prejudic\u00e1-lo.<\/p>\n<p><strong>Quais as melhores pe\u00e7as que voc\u00ea j\u00e1 conferiu?<\/strong><br \/>\nAs melhores que conferi s\u00e3o muitas, mas eu destacaria as dirigidas por Antonio Cadengue, Carlos Bartolomeu, Jos\u00e9 Pimentel, Guilherme Coelho, Jos\u00e9 Francisco Filho, Geninha Rosa Borges,\u00a0entre outros, os citados s\u00e3o os melhores encenadores para mim.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tem alguma m\u00e1goa do teatro ou do jornalismo pernambucanos?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o tenho. M\u00e1goas e ressentimentos provocam c\u00e2ncer, infarto, depress\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o sei o que s\u00e3o esses sentimentos. Se houve, passaram, hoje eu vivo o presente e cada dia como se fosse o \u00faltimo.<\/p>\n<p><strong>O que voc\u00ea faz do seu tempo?<\/strong><br \/>\nAmo. A Deus, \u00e0 vida, ao mundo, antenado e animado pelas redes socais, pela Internet.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Talvez os artistas de teatro mais jovens de Pernambuco n\u00e3o conhe\u00e7am o trabalho de Valdi Coutinho. Aqueles com mais anos de estrada, certamente sim. 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