{"id":14908,"date":"2015-08-27T17:45:49","date_gmt":"2015-08-27T20:45:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=14908"},"modified":"2015-11-06T13:43:16","modified_gmt":"2015-11-06T16:43:16","slug":"teatro-do-parque-um-memorial-afetivo-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/teatro-do-parque-um-memorial-afetivo-3\/","title":{"rendered":"Teatro do Parque &#8211; Um memorial afetivo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_14917\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Teatro-do-Parque-e1440708302855.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-14917\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Teatro-do-Parque-e1440708302855.jpg\" alt=\"Enquanto a reforma n\u00e3o acaba, os frequentadores do local relembram hist\u00f3rias. Foto: Ivana Moura\" width=\"600\" height=\"339\" class=\"size-full wp-image-14917\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-14917\" class=\"wp-caption-text\">Enquanto a reforma n\u00e3o acaba, os frequentadores do local relembram hist\u00f3rias. Foto: Ivana Moura<\/p><\/div>\n<p>&#8220;Era um tempo de desejos inteiros. Um adolescer. Ia ao Teatro do Parque em busca do encontro. O cinema, os shows e um namorado t\u00e3o especial, que tudo se fazia cores e o Teatro, era espa\u00e7o do beijo e da vida em movimento. Ali tudo parecia poss\u00edvel. Ser feliz algo palp\u00e1vel. Ouvir os sons, passear pelas varandas e o jardim. T\u00e3o vivo!!! Um parque de buscas e eu com a jornada \u00e0 frente&#8230; A vida saudosa e na inten\u00e7\u00e3o de futuro o mais breve. <\/p>\n<p><strong>Luciana Lyra, atriz, diretora, professora<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o vou lembrar a primeira vez em que pisei os p\u00e9s no Teatro do Parque, em meus 25 anos de moradora do Recife, mas nunca esquecerei de seus corredores da frente lotados de gente em busca de ingressos em dia de cinema a pre\u00e7o m\u00f3dico ou de festivais lotados como os de teatro e dan\u00e7a da capital pernambucana. J\u00e1 at\u00e9 pisei no palco como artista \u2013 amadora, \u00e9 verdade, mas me achando a bailarina de verdade, quando fui aluna (sempre uma honra) da Academia M\u00f4nica Japiass\u00fa, de professores como a pr\u00f3pria M\u00f4nica, de outra xar\u00e1, a Lira (do Grupo Experimental de Dan\u00e7a), de Helo\u00edsa Duque (do Vias da Dan\u00e7a). Tenho um amigo dos tempos de col\u00e9gio, hoje morando bem longe daqui, que outro dia me confessou que recorda ter estado na plateia naquela noite, e que eu n\u00e3o estava nem fantasiada de odalisca de dan\u00e7a do ventre, nem de Madonna nos idos de Vogue, com corpete preto de renda e cinta-liga, dan\u00e7ando um jazz\u00e3o daqueles de jogar a perna l\u00e1 em cima (sim, guardo estes momentos na mem\u00f3ria com carinho, mas n\u00e3o sem alguma vergonha de t\u00ea-los enfrentado).<\/p>\n<p>Mas voltemos ao Parque e seu entorno. L\u00e1, fui \u00e0 primeira sess\u00e3o de cinema com um ex-amado para assistir ao filme franco-hollywoodiano <em>O Fabuloso Destino de Am\u00e9lie Poulain<\/em>. Era come\u00e7o de semana e o ingresso ficava ainda mais barato. Ele tinha ido naquele dia fazer a carteirinha de estudante (ainda era aluno do curso de Engenharia na faculdade, por muito pouco n\u00e3o havia sido jubilado) para disputar o direito \u00e0 meia-entrada, mas na hora H esqueceu o dinheiro e quem pagou os dois ingressos fui eu (na faixa de R$ 2 somados, isso l\u00e1 pelos meados de 2003). E a gente riu da situa\u00e7\u00e3o e se emocionou com a hist\u00f3ria de amor do filme vendo tudo do alto, sentados nas cadeiras laterais do primeiro andar.<\/p>\n<p>Na trajet\u00f3ria como rep\u00f3rter da editoria de cultura de jornal local, onde permaneci por 14 anos, perdi a conta de quantos espet\u00e1culos acompanhei ali. Da Mostra Brasileira de Dan\u00e7a, ao Festival Recife do Teatro Nacional, de obras dedicadas ao p\u00fablico adulto ou infantil, de Du Moscovis ao Palha\u00e7o Chocolate, passando por Duda Braz abalando nas sapatilhas de ponta em suas incont\u00e1veis piruetas e grupos de escolas ou profissionais dan\u00e7ando e interpretando, enfim&#8230;<\/p>\n<p>Quando o carioca Jos\u00e9 Mauro Brant trouxe um espet\u00e1culo de conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias e m\u00fasicas dos meus tempos de crian\u00e7a (se n\u00e3o me engano, <em>Contos, Cantos e Acalantos<\/em> ou algo assim), me emocionei na plateia, entrando em contato com a crian\u00e7a que mora dentro de mim, mas andava adormecida. <\/p>\n<p>Saudades das escadarias laterais, das cadeiras bem juntinhas umas das outras, dos camarins nos bastidores, de pegar fila para comprar pipoca, ir ao banheiro ou simplesmente para entrar. At\u00e9 para estacionar, era um caos. Teve uma \u00e9poca com o ar-condicionado quebrado (igualzinho ao Santa Isabel). Mas o que mais lembro \u00e9 da saudade.<\/p>\n<p><strong>Tatiana Meira, jornalista<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Teatro do Parque, o que est\u00e3o fazendo com voc\u00ea? A saudade n\u00e3o tem tamanho. Lugar ic\u00f4nico da cidade do Recife, o Parque era ponto de encontro de gente que consumia cultura em todos os n\u00edveis. Como n\u00e3o lembrar das sess\u00f5es de cinema a pre\u00e7os populares, do projeto Seis e Meia com excelentes shows de MPB e das pe\u00e7as de teatro, seja em temporadas ou em festivais. Vivi lindos momentos naquele lugar como artista e como p\u00fablico. Assisti <em>O Rei da Vela<\/em>, <em>A Vida \u00e9 Cheia de Som e F\u00faria<\/em>, <em>Melodrama<\/em>, <em>F\u00e1bulas<\/em> e tantos outros espet\u00e1culos que marcaram minha vida. Fui testemunha de um momento hist\u00f3rico, o protesto espont\u00e2neo do p\u00fablico na abertura do primeiro Festival de Teatro do Recife, na apresenta\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a <em>A Pedra do Reino<\/em>, com Ariano Suassuna e Arlete Sales (homenageada do festival) na plateia. Foi uma vaia como eu nunca vi na vida at\u00e9 hoje. Era o teatro vivo, pulsante. Foi o Teatro do Parque que abrigou a temporada do primeiro espet\u00e1culo para inf\u00e2ncia e juventude do nosso grupo, <em>Pin\u00f3quio e Suas Desventuras<\/em>, e tinha um p\u00fablico muito bom que consumia cultura naquele lugar. O seu centen\u00e1rio de portas fechadas, numa obra sem fim que ultrapassa os limites do descaso \u00e9 algo muito triste de se ver. O Teatro do Parque merece abrir suas portas, se encher de vida e trazer de volta ao Recife as pulsa\u00e7\u00f5es no cora\u00e7\u00e3o da cidade.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f4nio Rodrigues, ator e diretor da C\u00eanicas Cia de Repert\u00f3rio<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;No Teatro do Parque eu assisti minha primeira pe\u00e7a teatral, <em>Mito ou Mentira<\/em>, de Luiz Felipe Botelho. Vi tanta coisa boa no projeto Seis e Meia. Vi Elomar, Xangai e \u00c2ngela R\u00f4 R\u00f4. Vi pe\u00e7as infantis, vi dan\u00e7a e vi espet\u00e1culos na pracinha do Parque.  Vi uma multid\u00e3o assistir \u00e0 pe\u00e7a adulta <em>Concerto para Virgulino<\/em> dentro do festival Pe\u00e7a a Nota. Vi <em>Cinema Paradiso<\/em>. Vi e fui visto. Foi no Teatro do Parque que fiz, dentro do Festival Janeiro de Grandes Espet\u00e1culos, <em>A Terra dos Meninos Pelados<\/em>. Foi l\u00e1 que foi realizado o primeiro festival de v\u00eddeo do Recife e participei com o filme<em> Matar\u00e1s<\/em>, de Camilo Cavalcante.<br \/>\nO teatro era meio que nosso escrit\u00f3rio. Qualquer coisa:<br \/>\n&#8211; Vamos marcar no Teatro do Parque?<br \/>\nOu<br \/>\n&#8211; Eu te espero no Teatro do Parque.<br \/>\nQuando n\u00e3o:<br \/>\n&#8211; Que horas a gente se encontra no Teatro do Parque?<br \/>\nEra nossa refer\u00eancia.<br \/>\nEu te espero &#8230;<br \/>\nEu espero Teatro &#8230;<br \/>\nDo Parque&#8221;<br \/>\n  .<br \/>\nSamuel Santos, diretor do grupo O Poste Solu\u00e7\u00f5es Luminosas<\/p>\n<p><strong>Quer participar do nosso memorial? \u00c9 s\u00f3 enviar seu depoimento, texto, poema, v\u00eddeo, para o e-mail satisfeitayolanda@gmail.com .<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>Para acessar outros depoimentos, \u00e9 s\u00f3 acessar os links:<a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2015\/08\/25\/teatro-do-parque-um-memorial-afetivo\/\" title=\"Memorial 1\" target=\"_blank\"> Memorial 1<\/a> \/ <a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2015\/08\/26\/teatro-do-parque-um-memorial-afetivo-2\/\" title=\"Memorial 2\" target=\"_blank\">Memorial 2<\/a>.<br \/>\n<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Era um tempo de desejos inteiros. 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