{"id":14898,"date":"2015-08-26T17:34:49","date_gmt":"2015-08-26T20:34:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=14898"},"modified":"2015-11-06T13:44:13","modified_gmt":"2015-11-06T16:44:13","slug":"teatro-do-parque-um-memorial-afetivo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/teatro-do-parque-um-memorial-afetivo-2\/","title":{"rendered":"Teatro do Parque &#8211; Um memorial afetivo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_14900\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/L2800458-e1440621257522.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-14900\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/L2800458-e1440621257522.jpg\" alt=\"Teatro do Parque. Foto: Ivana Moura\" width=\"400\" height=\"708\" class=\"size-full wp-image-14900\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-14900\" class=\"wp-caption-text\">Teatro do Parque. Foto: Ivana Moura<\/p><\/div>\n<p>&#8220;Fui de um tempo em que n\u00e3o havia ar-condicionado por l\u00e1 e isso n\u00e3o impedia a ida dos espectadores para ver, numa ante-sala do inferno, shows inesquec\u00edveis como o de Itamar Assun\u00e7\u00e3o; ou de Marlene cantando Brecht; ou de Egberto Gismonti (com gente gritando l\u00e1 fora, a plateia mais que lotada e ele pedindo para que os port\u00f5es fossem abertos para que o povo entrasse), numa apresenta\u00e7\u00e3o que durou at\u00e9 quase meia-noite. <\/p>\n<p>Fui de um tempo em que chovia tanto sobre a plateia quanto sobre o palco. Quando isso acontecia, ficava dif\u00edcil escutar o que falava a pessoa ao lado. E nem mesmo as intemp\u00e9ries deixavam a casa fechada por tanto tempo. E aconteciam shows, espet\u00e1culos e exibi\u00e7\u00e3o de filmes. <\/p>\n<p>Vi cenas de cinema sem ser exibido filme algum: a queda de uma vara de cen\u00e1rio (ou luz, j\u00e1 n\u00e3o me lembro) ao fundo de uma cena da montagem de Z\u00e9 Manoel para <em>As Filhas do Sol<\/em>; a curra n\u00e3o ensaiada do p\u00fablico para a leitura de <em>A Pedra do Reino<\/em>; o passamento de Beatriz Segall por conta do calor; um bailarino da Quasar Cia de Dan\u00e7a salvar a plateia de uma barata voadora; bal\u00e9s de morcegos no ar e passeios felinos em cenas que n\u00e3o lhe pertenciam.<\/p>\n<p>Subi uma \u00fanica vez naquele palco como ator em <em>Olinda Olanda Olindamente Linda<\/em>, que marcou a reabertura do Parque ap\u00f3s a \u00faltima reforma feita. Lembro da alegria e do orgulho ao me deparar com as pinturas descobertas e restauradas, das cadeiras das frisas cobertas de veludo vinho, da cortina novinha, do madeiramento do ch\u00e3o sem farpas ou pregos&#8230; A \u00faltima vez que estive trabalhando l\u00e1 foi como cen\u00f3grafo, numa curta temporada de <em>O Fogo da Vida<\/em>, de S\u00f4nia Bierbard.<\/p>\n<p>Vi bons filmes, a pre\u00e7o simb\u00f3lico, com plateias lotadas: mostras de Hitchcock e Bergman&#8230; Foi para l\u00e1 que levamos nossa Muriel (com dois anos), para ver o seu primeiro &#8211; <em>Les Triplettes de Belleville<\/em>. Tamb\u00e9m t\u00ednhamos que  levar repelente para n\u00e3o sermos sugado por nenhum Nosferatu em forma de mosquito.<\/p>\n<p>Como sobre todos os teatros dessa triste cidade, sempre pairou sobre ele a amea\u00e7a do descuido institucional. Triste mesmo. Rogo aos c\u00e9us que essa realidade seja modificada&#8230;&#8221;<\/p>\n<p><strong>Marcondes Lima, professor, diretor, ator, cen\u00f3grafo, figurinista<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;A primeira vez que pisei profissionalmente em um palco de Teatro foi no Teatro do Parque, em 1998, na estreia de <em>Sobrados e Mocambos<\/em>, da Cia. Teatro de Seraphim, dentro do Festival Recife do Teatro Nacional. De l\u00e1 pra c\u00e1, foram muitas alegrias, hist\u00f3rias, encontros, experi\u00eancias vividas naquele espa\u00e7o que hoje amarga o centen\u00e1rio triste de uma das mais belas arquiteturas teatrais que j\u00e1 vi. O abandono e o descaso da gest\u00e3o p\u00fablica calaram h\u00e1 cinco anos o Teatro do Parque, acostumado a receber a popula\u00e7\u00e3o recifense em festa para apreciar teatro, dan\u00e7a, exposi\u00e7\u00f5es, cinema, m\u00fasica, festivais e projetos de todo o tipo. <\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como lamentar qualquer tentativa de pol\u00edtica cultural que n\u00e3o priorize a hist\u00f3ria, o lugar. O primeiro sentido da palavra &#8220;cultura&#8221; est\u00e1 em &#8220;cultivo&#8221;. N\u00e3o se cultiva sem terra. N\u00e3o se faz cultura sem territ\u00f3rio. E o territ\u00f3rio do artista \u00e9 o palco. Em resposta \u00e0 isso, diversos espa\u00e7os nascidos das inciativas particulares de artistas e grupos est\u00e3o tomando for\u00e7a na cidade, como um grito, um respiro dos artistas e da cultura recifense que tanto t\u00eam a dizer de sua est\u00e9tica para a cidade. <\/p>\n<p>O Espa\u00e7o Fiandeiros, que \u00e9 o territ\u00f3rio do nosso Grupo, tinha pouco tempo de nascido quanto o nosso vizinho, o Teatro do Parque, fechou os seus port\u00f5es. Ainda n\u00e3o tivemos o prazer de dialogar artisticamente com o nosso vizinho centen\u00e1rio. Em 2012, pesquisei para minha monografia o Plano Municipal de Cultura da Cidade do Recife em um paralelo com a gest\u00e3o dos espa\u00e7os c\u00eanicos que estavam crescentes na cidade. Pude perceber diversos pontos de interse\u00e7\u00e3o na ideia de pol\u00edtica do plano e nas a\u00e7\u00f5es dos grupos que poderiam estar hoje atuando em rede, juntamente com os equipamentos culturais do nosso munic\u00edpio, a exemplo do que j\u00e1 est\u00e1 acontecendo com o di\u00e1logo entre esse espa\u00e7os e a\u00e7\u00f5es de festivais, projetos, interc\u00e2mbios entre os grupos, os artistas e a inciativa privada. Mas, infelizmente, as ideias at\u00e9 hoje n\u00e3o foram transformadas em a\u00e7\u00f5es. Enquanto trabalhamos todos os dias no nosso Espa\u00e7o, olhamos vizinhos ilustres: a pra\u00e7a Maciel Pinheiro, a casa de Clarice Lispector, o Teatro do Parque&#8230; que poderiam estar formando junto conosco, com a sede do Grupo Jo\u00e3o Teimoso e agora com a sede do Magiluth (rec\u00e9m chegados na vizinhan\u00e7a), um efervescente corredor cultural na cidade. Ao contr\u00e1rio disso, sofrem juntos o amargo gosto da falta de vontade pol\u00edtica.    <\/p>\n<p><strong>Daniela Travassos, atriz e diretora de produ\u00e7\u00e3o da Companhia Fiandeiros<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Ao contr\u00e1rio de muitos dos meus amigos, a minha rela\u00e7\u00e3o com o Teatro do Parque \u00e9 mais musical que teatral. Todas as vezes que passo na Rua do Hosp\u00edcio, sinto um aperto no peito, porque tem coisas na vida que n\u00e3o podemos mudar, mas nesse caso, podemos mudar sim. Se o poder p\u00fablico tivesse o m\u00ednimo de respeito \u00e0 cultura, aos artistas, aos produtores e ao povo, tudo poderia ser diferente. Ver um dos nossos patrim\u00f4nios culturais mais importantes fechados e no estado em que ele se encontra, \u00e9 de partir o cora\u00e7\u00e3o. Eu, particularmente, evito passar na frente, por que d\u00f3i mesmo, no fundo.<\/p>\n<p>Tive o prazer de trabalhar naquele Teatro no in\u00edcio de minha jornada como produtor, no projeto Seis e Meia, com a banda Malakaii e Max de Castro. Tamb\u00e9m presenciei shows memor\u00e1veis como o de Paulinho da Viola, Chico C\u00e9sar, Edson Cordeiro e Xangai. Cada vez temos menos espa\u00e7os e os espa\u00e7os que temos est\u00e3o mal tratados. O Teatro de Santa Isabel, Teatro Apolo, Teatro Hermilo, Teatro Barreto J\u00fanior seguem sua trajet\u00f3ria sofrendo com problemas de ilumina\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o, ar-condicionado, sonoriza\u00e7\u00e3o. Precisamos n\u00e3o s\u00f3 do Teatro do Parque de volta, precisamos de pol\u00edticas p\u00fablicas que protejam os nossos espa\u00e7os culturais.<\/p>\n<p><strong>Maur\u00edcio Spinelli, produtor e assessor de comunica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;O nome Parque n\u00e3o \u00e9 por acaso.<br \/>\nN\u00e3o&#8230; Ia ao teatro ver espet\u00e1culos, shows, filmes e, antes de entrar, ficava no Parque batendo papo com os amigos sobre teatro e afins. O Teatro do Parque era um espa\u00e7o para troca, aprendizados, emo\u00e7\u00f5es. Foi em seu jardim que assisti pela primeira vez a atriz Augusta Ferraz &#8211; e quis ainda mais ser atriz. L\u00e1 apresentei um dos espet\u00e1culos mais inesquec\u00edveis para mim, <em>Poemas Esparadr\u00e1picos<\/em>, e l\u00e1, muitas vezes, tive certeza que nasci para o meu of\u00edcio. Esperando ansiosa que os anjos que ali habitavam, os duendes e as fadas, espalhem amor na cabe\u00e7a dos governantes, para que eles reconhe\u00e7am a grandiosidade da hist\u00f3ria na vida de todos n\u00f3s.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Enne Marx, atriz, palha\u00e7a e produtora da Cia Anim\u00e9e e dos Doutores da Alegria<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Fui de um tempo em que n\u00e3o havia ar-condicionado por l\u00e1 e isso n\u00e3o impedia a ida dos espectadores para ver, numa ante-sala do inferno, shows inesquec\u00edveis como o de Itamar Assun\u00e7\u00e3o; ou de Marlene cantando Brecht; ou de Egberto Gismonti (com gente gritando l\u00e1 fora, a plateia mais que lotada e ele pedindo para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[4250],"tags":[990,4216,3166],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14898"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14898"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14898\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14901,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14898\/revisions\/14901"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14898"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14898"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14898"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}