{"id":13915,"date":"2015-06-10T20:09:56","date_gmt":"2015-06-10T23:09:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=13915"},"modified":"2015-10-28T02:51:49","modified_gmt":"2015-10-28T05:51:49","slug":"magiluth-para-doer-no-osso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/magiluth-para-doer-no-osso\/","title":{"rendered":"Magiluth para doer no osso"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_13923\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Magiluth-O-ano-em-que-sonhamos-perigosamente-Renata-Pires-1-e1433976529339.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-13923\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-13923 size-full\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Magiluth-O-ano-em-que-sonhamos-perigosamente-Renata-Pires-1-e1433976529339.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"397\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13923\" class=\"wp-caption-text\">Magiltuh estreia O ano em que sonhamos perigosamente. Foto: Renata Pires<\/p><\/div>\n<p>\u201cVoc\u00eas t\u00e3o muito &#8216;fudidos&#8217;, n\u00e9?\u201d. A pergunta, quase c\u00famplice, aos atores do Magiluth, veio do vigilante do Centro Apolo-Hermilo, no Bairro do Recife, onde foi ensaiado o novo espet\u00e1culo do grupo: <em>O ano em que sonhamos perigosamente<\/em>. A estreia \u00e9 nesta quinta-feira (11), \u00e0s 20h, no Teatro Apolo. O mesmo vigilante \u2013 que tamb\u00e9m fez outros coment\u00e1rios igualmente afetivos, sempre terminados por um \u2018n\u00e9?\u2019, do tipo \u201ca pe\u00e7a de voc\u00eas \u00e9 muito cabe\u00e7uda, n\u00e9?\u201d &#8211; foi um dos funcion\u00e1rios do Centro que acompanhou a intensa rotina de trabalho.<\/p>\n<p>Desde o segundo semestre do ano passado, com as apresenta\u00e7\u00f5es pelo pa\u00eds por conta do Palco Girat\u00f3rio e o aumento do pre\u00e7o das loca\u00e7\u00f5es de im\u00f3veis, o Magiluth entregou a sede que ocupava no Recife Antigo. Como n\u00e3o houve inscri\u00e7\u00f5es para o Programa Espa\u00e7o de Cria\u00e7\u00e3o, do Centro Apolo-Hermilo, o grupo foi convidado a ocupar o local. <\/p>\n<p>Em entrevista no Bar Central, em Santo Amaro, onde os atores de 30 e poucos anos circulam bastante, eles deixam claro, no entanto, a postura pol\u00edtica adotada pelo grupo: \u201ca gente continua sendo oposi\u00e7\u00e3o a essa Prefeitura e a esse Governo, principalmente pela atua\u00e7\u00e3o deles na Cultura, mas n\u00e3o podemos perder espa\u00e7os. N\u00e3o \u00e9 um favor. O Centro Apolo-Hermilo \u00e9 um espa\u00e7o nosso. Se a gente n\u00e3o se utiliza disso, eles v\u00e3o fechar. N\u00e3o \u00e9 uma oposi\u00e7\u00e3o cega. Estamos ocupando porque \u00e9 da cidade. N\u00e3o \u00e9 da Prefeitura. \u00c9 p\u00fablico\u201d, explica o ator e dramaturgo Giordano Castro. As cr\u00edticas \u00e0 gest\u00e3o n\u00e3o se ampliam aos funcion\u00e1rios do Centro, todos citados nos agradecimentos do programa do espet\u00e1culo. \u201cAs pessoas que administram o Centro tamb\u00e9m s\u00e3o artistas. Eles est\u00e3o l\u00e1 defendendo aquele local e aquele fazer. Os t\u00e9cnicos, por exemplo, s\u00e3o muito dispon\u00edveis\u201d, complementa Giordano.<\/p>\n<div id=\"attachment_13927\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Magiluth-O-ano-em-que-sonhamos-perigosamente-Renata-Pires-6-e1433976904616.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-13927\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Magiluth-O-ano-em-que-sonhamos-perigosamente-Renata-Pires-6-e1433976904616.jpg\" alt=\"Erivaldo Oliveira\" width=\"400\" height=\"604\" class=\"size-full wp-image-13927\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13927\" class=\"wp-caption-text\">Erivaldo Oliveira<\/p><\/div>\n<p><strong>Cena 2 \u2013<\/strong> <em>O ano em que sonhamos perigosamente<\/em>, t\u00edtulo emprestado do livro do fil\u00f3sofo esloveno Slavoj \u017di\u017eek (a pe\u00e7a n\u00e3o \u00e9 baseada na obra), \u00e9 o trabalho mais pol\u00edtico da trajet\u00f3ria de 11 anos do Magiltuh. Em <em>Aquilo que o meu olhar guardou para voc\u00ea<\/em> a cidade era um pano de fundo, mas vista de maneira bastante afetiva e simb\u00f3lica; nas performances realizadas em v\u00e1rios pontos no projeto <em>Interven\u00e7\u00f5es urbanas com m\u00eddias locativas<\/em>, a postura era bem mais cr\u00edtica. Foram detidos, por exemplo, quando resolveram mudar os nomes das ruas do Bairro do Recife: adesivaram todas as placas com o nome do ent\u00e3o governador Eduardo Campos. <\/p>\n<p>Em <em>O ano em que sonhamos perigosamente<\/em>, no entanto, a crise pol\u00edtica, social, econ\u00f4mica e existencial \u00e9 detonadora do espet\u00e1culo. As provoca\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas que ajudaram a construir o espet\u00e1culo come\u00e7aram quando Pedro Wagner, que assina dire\u00e7\u00e3o e dramaturgia, essa \u00faltima em parceria com Giordano, apresentou ao grupo a filmografia do grego Yorgos Lanthimos, especialmente o filme <em>Dente canino <\/em>(<em>Dogtooth<\/em>). \u201cNo filme, o pai tranca a fam\u00edlia dentro de uma casa. Ele faz as pr\u00f3prias regras, at\u00e9 vocabul\u00e1rio novo. E a premissa \u00e9 que eles s\u00f3 poderiam sair de casa quando o dente canino ca\u00edsse. Yorgos usa o microcosmo de uma fam\u00edlia para falar da Gr\u00e9cia e da situa\u00e7\u00e3o que o pa\u00eds vivencia\u201d, pontua o ator Erivaldo Oliveira.<\/p>\n<p>Passaram por outros filmes gregos como <em>Miss Violence<\/em> (Alexandros Avranas) e <em>Attenberg<\/em> (Athina Rachel Tsangari), chegaram a \u017di\u017eek, intelectual que consegue analisar, quase que concomitantemente, movimentos como a Primeira \u00c1rabe o Ocuppy Wall Street. Tamb\u00e9m leram Adorno. Revisitaram a Ditadura no Brasil, na Am\u00e9rica Latina. E se agarraram \u00e0 Deleuze, com suas \u201cm\u00e1quinas desejantes\u201d e \u00e0 no\u00e7\u00e3o de estrutura rizom\u00e1tica, onde elementos e conceitos entrecruzam-se, apresentam incid\u00eancias uns sobre os outros, se alteram. <\/p>\n<div id=\"attachment_13924\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Magiluth-O-ano-em-que-sonhamos-perigosamente-Renata-Pires-5-e1433976757997.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-13924\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Magiluth-O-ano-em-que-sonhamos-perigosamente-Renata-Pires-5-e1433976757997.jpg\" alt=\"Cinco atores do grupo est\u00e3o em cena\" width=\"600\" height=\"397\" class=\"size-full wp-image-13924\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13924\" class=\"wp-caption-text\">Cinco atores do grupo est\u00e3o em cena<\/p><\/div>\n<p><strong>Cena 3 \u2013<\/strong> Mas o espet\u00e1culo, mesmo cabe\u00e7udo (o vigilante deve mesmo estar certo), traz uma f\u00e1bula? Com come\u00e7o, meio e fim, n\u00e3o. O espet\u00e1culo, tentam explicar os atores, \u00e9 divido mais ou menos em tr\u00eas etapas: na primeira, cinco homens est\u00e3o buscando construir um momento belo. Ensaiam e treinam pra isso; na segunda, eles encenam trechos de Tch\u00e9kov (<em>A Gaivota<\/em>, <em>O jardim das cerejeiras<\/em> e <em>As tr\u00eas irm\u00e3s<\/em>); e a terceira&#8230;bom, nosso texto n\u00e3o podia ter <em>spoiler<\/em>. <\/p>\n<p>Mas eles j\u00e1 avisam que est\u00e3o jogando no n\u00edvel <em>hard<\/em>. \u201cAntes de chegar ao espet\u00e1culo que temos hoje, t\u00ednhamos outro. Todo montadinho. Foi quando paramos e nos questionamos. A gente &#8216;tava falando em Deleuze, em rizoma, mas ainda est\u00e1vamos presos a Arist\u00f3teles. Pera\u00ed: vamos sair do n\u00edvel 4 e vamos para o n\u00edvel 6. Bagun\u00e7ar tudo!\u201d, anuncia Giordano. <\/p>\n<p>Assim como para outros grupos da cena contempor\u00e2nea, o Magiltuh est\u00e1 mais preocupado com a presentifica\u00e7\u00e3o do ator do que com a constru\u00e7\u00e3o tradicional de um personagem. Criaram um jogo pr\u00f3prio, que vem se desenvolvendo ao longo dos trabalhos do grupo. \u201cN\u00e3o \u00e9 improviso. \u00c9 um trabalho de composi\u00e7\u00e3o, mas que est\u00e1 aberto. \u00c9 um risco. Todas as noites poderemos ter espet\u00e1culos diferentes\u201d, opina o ator Thiago Liberdade.<\/p>\n<p><strong>Cena Ad infinitum com ou sem hiatos \u2013<\/strong> Se voc\u00ea \u00e9 daqueles que detesta ser chamado ao palco, a possibilidade de ter que participar com uma frase que seja no espet\u00e1culo j\u00e1 te deixa tenso ou cansado, nem se preocupe. \u201cAqui a maneira de afetar foi exatamente n\u00e3o tentar aproxima\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico. N\u00e3o vamos te tocar, n\u00e3o vamos te olhar, n\u00e3o vamos fazer nada. Estamos aqui e voc\u00eas a\u00ed\u201d, adianta Castro. <\/p>\n<p>\u201cMas n\u00e3o v\u00e1 assistir com expectativas\u201d, \u00e9 o que diz Erivaldo Oliveira. \u201cTalvez algumas pessoas n\u00e3o entendam. Talvez n\u00e3o seja pra entender tudo. \u00c9 duro. N\u00e3o tem como lidar com esse tema de forma delicada, fazendo gra\u00e7a ou de maneira superficial\u201d, complementa. Incensados como grupo cult-pop-queridinho da cena contempor\u00e2nea, o Magiluth tem um p\u00fablico cativo \u2013 de artistas, mas principalmente de n\u00e3o artistas. Mas, se chegaram at\u00e9 aqui, \u00e9 porque n\u00e3o se furtaram ao risco, pautado naquela m\u00e1xima t\u00e3o conservadora da labuta di\u00e1ria. \u201cRapaz, a gente se problematiza, enfrenta as crises de todas as formas num processo desse. Mas, no final, a percebemos que s\u00f3 sabemos fazer isso: s\u00f3 sabemos fazer teatro. E queremos estar juntos, ali, no palco\u201d. <\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o:<\/strong><br \/>\n<em>O ano em que sonhamos perigosamente<\/em><br \/>\n<strong>Quando:<\/strong> Dias 11, 12, 18, 19, 25 e 26 de Junho de 2015, \u00e0s 20h<br \/>\n<strong>Onde:<\/strong> Teatro Apolo (R. do Apolo, 121 &#8211; Bairro do Recife)<br \/>\n<strong>Quanto:<\/strong> R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)<br \/>\n<strong>Informa\u00e7\u00f5es:<\/strong> (81) 3355-3320<\/p>\n<p><strong>Ficha T\u00e9cnica:<\/strong><br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Pedro Wagner<br \/>\n<strong>Dramaturgia:<\/strong>\u00a0Giordano Castro e\u00a0Pedro Wagner<br \/>\n<strong>Atores: <\/strong>\u00a0Erivaldo Oliveira,\u00a0Giordano Castro,\u00a0M\u00e1rio Sergio Cabral,\u00a0Pedro Wagner,\u00a0Thiago Liberdade<br \/>\n<strong>Prepara\u00e7\u00e3o corporal:<\/strong>\u00a0Fl\u00e1via Pinheiro<br \/>\n<strong>Desenho De Som:<\/strong>Leandro Oliv\u00e1n<br \/>\n<strong>Desenho De Luz:\u00a0<\/strong>Pedro Vilela<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o De Arte:\u00a0<\/strong>Fl\u00e1via Pinheiro<br \/>\n<strong>Fotografia:\u00a0<\/strong>Renata Pires<br \/>\n<strong>Design Gr\u00e1fico:\u00a0<\/strong>Thiago Liberdade<br \/>\n<strong>Caixas De Som:\u00a0<\/strong>Emanuel Rangel,\u00a0Jeffeson Mandu e\u00a0Leandro Oliv\u00e1n<br \/>\n<strong>T\u00e9cnico:\u00a0<\/strong>Lucas Torres<br \/>\n<strong>Realiza\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>Grupo Magiluth<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cVoc\u00eas t\u00e3o muito &#8216;fudidos&#8217;, n\u00e9?\u201d. 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