{"id":13773,"date":"2015-05-24T16:30:06","date_gmt":"2015-05-24T19:30:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=13773"},"modified":"2015-05-24T16:30:06","modified_gmt":"2015-05-24T19:30:06","slug":"todo-dia-morre-um-sam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/todo-dia-morre-um-sam\/","title":{"rendered":"Todo dia morre um Sam"},"content":{"rendered":"<p><div id=\"attachment_13774\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/sam1-e1432492349773.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-13774\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/sam1-e1432492349773.jpg\" alt=\"Os m\u00e9dicos (Otto Jr.) e Arthur, (Ricardo Martins) e ao fundo o enfermeiro Samuel (Jopa Moraes).  Fotos: Jo\u00e3o Gabriel Monteiro\/ Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"600\" height=\"399\" class=\"size-full wp-image-13774\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13774\" class=\"wp-caption-text\">Os m\u00e9dicos (Otto Jr.) e Arthur, (Ricardo Martins) e ao fundo o enfermeiro Samuel (Jopa Moraes).  Fotos: Jo\u00e3o Gabriel Monteiro\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div> Um trecho da m\u00fasica de Z\u00e9 Ramalho ficou martelando minha cabe\u00e7a durante a apresenta\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo <em>O dia em que Sam morreu<\/em>. \u201cOh, eu n\u00e3o sei se eram os antigos que diziam \/ Em seus papiros Papillon j\u00e1 me dizia \/ Que nas torturas toda carne se trai\u201d, canta o menestrel em <em>Vila do Sossego<\/em>. Na pe\u00e7a da Armaz\u00e9m Companhia de Teatro \u00e9 a partir da ju\u00edza Samantha (papel de Patr\u00edcia Selonk), \u00e0  espera de um transplante de cora\u00e7\u00e3o, que \u201cfatalmente \u2026 o nervo se contrai\u201d. <\/p>\n<p>O espet\u00e1culo disseca em v\u00e1rios aspectos a \u00e9tica nas rela\u00e7\u00f5es profissionais e sociais, o fio da navalha e os limites flex\u00edveis quando a ideia \u00e9 cortar a pr\u00f3pria pele. A montagem faz a \u00faltima sess\u00e3o desta curta temporada no Recife, hoje, \u00e0s 19h, no Teatro Luiz Mendon\u00e7a, no Parque Dona Lindu. \u00c9 uma encena\u00e7\u00e3o instigante.<\/p>\n<p>Mas vamos situar melhor essa trama. <em>O dia em que Sam morreu <\/em>se passa, na maior parte do tempo, num hospital em que os pacientes endinheirados est\u00e3o alojados nos quartos e os doentes mais pobres ocupam os corredores. Al\u00e9m do hospital, a cenografia de Paulo de Moraes e Carla Berri tamb\u00e9m se transforma em quarto do casal, motel e outros espa\u00e7os tem bom apelo visual. <\/p>\n<p>Nesse microcosmo s\u00e3o reveladas as falcatruas, o jogo sujo para alcan\u00e7ar o poder, as trai\u00e7\u00f5es, as drogas conferindo pot\u00eancias.<\/p>\n<p>O personagem do t\u00edtulo pode ser qualquer uma das tr\u00eas figuras da pe\u00e7a de apelido Sam. O enfermeiro Samuel (Jopa Moraes) que depois de testemunhar os m\u00e9todos question\u00e1veis e at\u00e9 criminosos do cirurgi\u00e3o Benjamin (Otto Jr.) invade o hospital armado de um discurso inflado e anarquista, duas pistola e vontade de fazer justi\u00e7a com as pr\u00f3prias m\u00e3os.<\/p>\n<p>A ju\u00edza Samantha se recusa em princ\u00edpio a receber privil\u00e9gio proposto pelo marido, m\u00e9dico do hospital, de furar a fila do transplante do cora\u00e7\u00e3o. O terceiro \u00e9 um velho palha\u00e7o, sem gra\u00e7a, Samir (Marcos Martins), que sofre de Alzheimer.<\/p>\n<p>Os autores Paulo de Moraes e Maur\u00edcio Arruda Mendon\u00e7a inventam cenas que se entrecruzam e personagens que se relacionam em rede para expor a complexidade dessas quest\u00f5es \u00e9ticas. \u00c9 muito interessante que a Armaz\u00e9m venha desenvolvendo h\u00e1 anos uma dramaturgia pr\u00f3pria, em que pulsam preocupa\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p>Dessa vez est\u00e3o l\u00e1 um sistema corruptor e as injusti\u00e7as, um Brasil sintonizado com um mundo de protestos, recoberto por uma carga de pessimismo dos destinos. S\u00e3o questionamentos importantes, urgentes, para cada um da plateia refletir sobre o papel que quer desempenhar. <\/p>\n<p><div id=\"attachment_13775\" style=\"width: 1210px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/sam2.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-13775\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/sam2.jpg\" alt=\"O dia em que Sam morreu coloca o capitalismo c\u00ednico em confronto com o idealismo juvenil\" width=\"1200\" height=\"520\" class=\"size-full wp-image-13775\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/sam2.jpg 1200w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/sam2-300x130.jpg 300w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/sam2-1024x443.jpg 1024w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/sam2-624x270.jpg 624w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/sam2-900x390.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13775\" class=\"wp-caption-text\">O dia em que Sam morreu coloca o capitalismo c\u00ednico em confronto com o idealismo juvenil<\/p><\/div><br \/>\nA pe\u00e7a tem uma estrutura complexa. Mas os n\u00facleos duros dos dramas s\u00e3o mais envolventes do que as explica\u00e7\u00f5es por onde a dramaturgia e a encena\u00e7\u00e3o escorrem. Parecem bordas excedentes. E o tempo \u00e9 esticado em exposi\u00e7\u00f5es desnecess\u00e1rias. Perde o impacto. <\/p>\n<p>Lembro da cena com a prostituta Sofia (Lisa Eiras), que busca um tratamento digno para o pai, e seu amante, o m\u00e9dico Arthur, (Ricardo Martins; marido da ju\u00edza), quando ele salta com um papo sobre o que \u00e9 o amor e o que eles significam. E ela devolve dizendo que ele deixe essa conversa de amor para a mulher e que eles transem.  <\/p>\n<p>O elenco defende bem seus papeis. Otto Jr explora o cinismo e mau-caratismo do m\u00e9dico. Ricardo Martins \u00e9 aquele ser d\u00fabio entre a subservi\u00eancia e o oportunismo. Marcos Martins faz o papel mais dif\u00edcil, do palha\u00e7o sem humor. Patr\u00edcia Selonk exp\u00f5e as d\u00favidas da justi\u00e7a. Lisa Eiras comp\u00f5e a filha e a amante. Jopa Moraes encanta com seu idealismo juvenil, sua postura rebelde, mesmo que parte do seu discurso soe bastante deslocado.<\/p>\n<p>A m\u00fasica de Ricco Viana d\u00e1 o tom, ressalta os conflitos. Os manequins sublinham a po\u00e9tica dos cad\u00e1veres, fruto de um sistema em que a crueldade predomina. A ilumina\u00e7\u00e3o de Maneco Quinder\u00e9 marca as mudan\u00e7as, alinha e desalinha as tens\u00f5es. <\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><br \/>\nEspet\u00e1culo <em>O dia em que Sam morreu<\/em>, com Armaz\u00e9m Cia de Teatro (RJ)<br \/>\n<strong>Onde:<\/strong> Teatro Luiz Mendon\u00e7a\/Parque Dona Lindu<br \/>\n<strong>Quando:<\/strong> Sexta(22\/05) e s\u00e1bado(23\/05) \u00e0s 20h; Domingo(24\/05) \u00e0s 19h<br \/>\n<strong>Ingressos:<\/strong> R$ 40 inteira e R$ 20 meia-entrada<br \/>\n<strong>Ponto de venda:<\/strong> quiosque ingresso Prime no Shopping RioMar(t\u00e9rreo)<br \/>\n<strong>Informa\u00e7\u00f5es:<\/strong> 3039.4042\/3355.9821<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um trecho da m\u00fasica de Z\u00e9 Ramalho ficou martelando minha cabe\u00e7a durante a apresenta\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo O dia em que Sam morreu. \u201cOh, eu n\u00e3o sei se eram os antigos que diziam \/ Em seus papiros Papillon j\u00e1 me dizia \/ Que nas torturas toda carne se trai\u201d, canta o menestrel em Vila do Sossego. 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