{"id":13301,"date":"2015-01-27T18:32:18","date_gmt":"2015-01-27T21:32:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=13301"},"modified":"2015-01-27T18:32:18","modified_gmt":"2015-01-27T21:32:18","slug":"cada-um-carrega-sua-dor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/cada-um-carrega-sua-dor\/","title":{"rendered":"Cada um carrega sua dor"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_13304\" style=\"width: 625px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/L2710300-e1422392761249.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-13304\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/L2710300-e1422392761249.jpg\" alt=\"Marcelo Oliveira faz um personagem que briga com formigas. Fotos: Ivana Moura\" width=\"615\" height=\"400\" class=\"size-full wp-image-13304\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13304\" class=\"wp-caption-text\">Marcelo Oliveira faz um personagem que briga com formigas. Fotos: Ivana Moura<\/p><\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/image.jpg\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/image-150x150.jpg\" alt=\"image\" width=\"150\" height=\"150\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-13258\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/image-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/image-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/image-144x144.jpg 144w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/image.jpg 488w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a><em>Deixa ser eu<\/em>. O t\u00edtulo \u00e9 muito sugestivo e convoca tantas subjetividades. Obra imag\u00e9tica. Vem com uma torrente de desejos e revela camadas de dores, amor, apego, viol\u00eancia, abandono. O espet\u00e1culo ocupa a casa 300 da Rua da Gl\u00f3ria, no bairro dos Coelhos, a resid\u00eancia do ator e diretor Jorge Cl\u00e9sio. O lugar aceita as inquieta\u00e7\u00f5es dos artistas Marcelo Oliveira, Wagner Montenegro e Greyce Braga. S\u00e3o tr\u00eas hist\u00f3rias principais, tr\u00eas respiros e um ep\u00edlogo. E faz parte da Mostra Teatro em Casa.<\/p>\n<p>A primeira cena se passa em off, enquanto as tr\u00eas vozes discutem sobre proibi\u00e7\u00f5es e usam respostas da linguagem de rua (ou chulas, a depender dos ouvido de quem tem) para contrapor os interditos sociais. \u00c9 uma din\u00e2mica interessante. O p\u00fablico ajeitado na primeira sala, com as portes e janelas abertas, mas com grades como prote\u00e7\u00f5es, escuta, \u00e0s vezes ri. Paira uma tens\u00e3o c\u00eanica no ar.  <\/p>\n<p>Um homem solit\u00e1rio vive a matar formigas enquanto fala da sua experi\u00eancia insana de prosseguir vivo diante da aus\u00eancia de um irm\u00e3o \/ amigo \/ amado que que foi assassinado. Marcelo Oliveira interpreta na segunda cena (a primeira hist\u00f3ria) essa criatura fragilizada, que enfrenta um ex\u00e9rcito de formigas, enquanto exp\u00f5e sua afli\u00e7\u00e3o. Ele est\u00e1 sentado na cama e a plateia espalhada pela sala nas cadeiras e pelo ch\u00e3o. A dramaturgia clama por trabalhar melhor a po\u00e9tica desse ser em peda\u00e7os que fala de doces para os insetos enquanto sua vida \u00e9 muito amarga. H\u00e1 momentos de for\u00e7a, de constru\u00e7\u00f5es tocantes (frases, imagens e tempos), mas que se desmancha muito rapidamente pela quest\u00e3o da dramaturgia.<\/p>\n<p><div id=\"attachment_13305\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/L2710340-e1422393142239.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-13305\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/L2710340-e1422393142239.jpg\" alt=\"Greyce Braga como a cr\u00edtica de teatro.\" width=\"620\" height=\"369\" class=\"size-full wp-image-13305\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13305\" class=\"wp-caption-text\">Greyce Braga como a cr\u00edtica de teatro.<\/p><\/div><br \/>\nO segundo respiro \u00e9 mais engra\u00e7ado. Greyce Braga caricatura uma rep\u00f3rter \/ cr\u00edtica de um jornal \/ blog. E como \u00e9 f\u00e1cil satirizar esses seres em extin\u00e7\u00e3o que se dediquem ao of\u00edcio da cr\u00edtica de teatro!!! \u00c9 divertido o seu di\u00e1logo com o p\u00fablico, a inteira\u00e7\u00e3o com a cena local e sua desenvoltura salientando a pressa, a falta de paci\u00eancia e um olhar obtuso sobre seu objeto de an\u00e1lise. Engra\u00e7ado. <\/p>\n<p><div id=\"attachment_13307\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/L2710464-e1422393302287.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-13307\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/L2710464-e1422393302287.jpg\" alt=\"Viol\u00eancia dom\u00e9stica\" width=\"600\" height=\"338\" class=\"size-full wp-image-13307\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13307\" class=\"wp-caption-text\">Viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/p><\/div><br \/>\n\u201cEstava trabalhando\u201d repete a mulher para o marido v\u00e1rias vezes ao voltar para casa. A assist\u00eancia j\u00e1 havia sido deslocada para outra sala. E acompanha \u00e1vida o que em princ\u00edpio \u00e9 uma cena quente de dois amantes. Eles se deslocam para o quarto enquanto ouvimos os sons de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Um respiro tenso, terr\u00edvel se pensarmos que essas  coisas est\u00e3o mais pr\u00f3ximas da realidade do que da fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><div id=\"attachment_13308\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/L2710412-e1422393430495.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-13308\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/L2710412-e1422393430495.jpg\" alt=\"Wagner Montenegro como o travesti Jacinta\" width=\"600\" height=\"338\" class=\"size-full wp-image-13308\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13308\" class=\"wp-caption-text\">Wagner Montenegro como o travesti Jacinta<\/p><\/div><br \/>\nJacinta (Wagner Montenegro), a protagonista da segunda hist\u00f3ria \u00e9 um travesti que trabalha na Boa Vista, tem um romance com um padre e conta detalhes s\u00f3rdidos de seus encontros com homens casados. Narra que faz tudo por dinheiro e finge gozar, mas se contradiz revelando o desejo por uma rela\u00e7\u00e3o afetiva em outros termos. Sonha em ser atriz de Hollywood. O ator narra as desventuras de suas personagem, mas delimita seu espa\u00e7o de atua\u00e7\u00e3o em um pequeno espa\u00e7o entre o espelho e o v\u00e3o da porta. Precisa destacar mais as nuances dessa figura, para tirar o peso do clich\u00ea que ronda esse papel social. \u00c9 uma personagem facilmente reconhec\u00edvel.<\/p>\n<p><div id=\"attachment_13309\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/L2710466-e1422393533300.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-13309\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/L2710466-e1422393533300.jpg\" alt=\"\u00c9 \u00f3tima a atua\u00e7\u00e3o de Greyce Braga\" width=\"600\" height=\"338\" class=\"size-full wp-image-13309\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13309\" class=\"wp-caption-text\">\u00c9 \u00f3tima a atua\u00e7\u00e3o de Greyce Braga<\/p><\/div><br \/>\nIracema tomou como miss\u00e3o ensinar aos noivos da Igreja da Soledade como cuidar de flores. A crueza dessa personagem \u00e9 despetalada com a narra\u00e7\u00e3o de sua hist\u00f3ria, do marido, dos aprisionamentos, do lado dos espinhos das flores. A atua\u00e7\u00e3o de Greyce Braga \u00e9 comovente. Extrai a delicadeza de uma tarefa preservada no trato dessa mulher que foi oprimida, castigada e inventa outros par\u00e2metros para sobreviver. <\/p>\n<p>Tocantes s\u00e3o esses gritos, apelos, pedidos de socorro desses personagens, que situados no Bairro da Boa Vista\/ Coelhos se mostram nossos vizinhos, que ignoramos. Mas a intimidade deles est\u00e1 exposta ali, para esse pequeno grupo &#8211; que \u00e9 a plateia &#8211; acompanhar e refletir sobre a crueza desses dias que correm t\u00e3o solit\u00e1rios. A fluidez com que as cenas s\u00e3o organizadas no casar\u00e3o tamb\u00e9m leva para ressignifica\u00e7\u00f5es do nosso conv\u00edvio social e a falta de humanidade que deixamos escapar nas pequenas coisas. <\/p>\n<p>Eles, os personagens, podem ser qualquer um. E o elenco trabalha nesse campo sensorial, na proximidade. E o espectador pode sentir a respira\u00e7\u00e3o do int\u00e9rprete e suas pulsa\u00e7\u00f5es. E isso \u00e9 algo especial. <\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica<\/strong><br \/>\n<strong>Texto e Dire\u00e7\u00e3o:<\/strong> Marcelo Oliveira<br \/>\n<strong>Elenco:<\/strong> Greyce Braga, Marcelo Oliveira e Wagner Montenegro<br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o de arte:<\/strong> Greyce Braga, Marcelo Oliveira e Wagner Montenegro<br \/>\n<strong>Realiza\u00e7\u00e3o:<\/strong> Hazz\u00f4<\/p>\n<p><strong>SERVI\u00c7O<\/strong><br \/>\n<em>Deixa ser eu<\/em>, de Hazz\u00f4<br \/>\n<strong>Quando:<\/strong> Segunda (26) e ter\u00e7a (27), \u00e0s 20h<br \/>\n<strong>Onde:<\/strong> Casa Outrora \u2013 Rua da Gl\u00f3ria, 300, Boa Vista<br \/>\n<strong>Ingresso: <\/strong>R$ 20 e R$ 10<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deixa ser eu. O t\u00edtulo \u00e9 muito sugestivo e convoca tantas subjetividades. 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