{"id":13097,"date":"2014-12-09T09:32:52","date_gmt":"2014-12-09T12:32:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=13097"},"modified":"2015-10-28T02:55:00","modified_gmt":"2015-10-28T05:55:00","slug":"entidades-discutem-crise-na-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/entidades-discutem-crise-na-cultura\/","title":{"rendered":"Entidades discutem crise na cultura"},"content":{"rendered":"<p>Desde que a Prefeitura do Recife divulgou oficialmente, no dia 29 de outubro, a not\u00edcia de que o Festival Recife do Teatro Nacional (FRTN) n\u00e3o seria realizado em 2014 e passaria a acontecer em edi\u00e7\u00f5es bienais, sendo alternado com o Festival Internacional de Dan\u00e7a, muita coisa j\u00e1 se passou. A Lei Or\u00e7ament\u00e1ria Anual (LOA) de 2015, por exemplo, foi aprovada na C\u00e2mara de Vereadores com uma redu\u00e7\u00e3o de 16% nos recursos conjuntos da Secretaria de Cultura e da Funda\u00e7\u00e3o de Cultura Cidade do Recife (FCCR), o que significa R$ 17 milh\u00f5es a menos para a cultura. Por outro lado, finalmente o prefeito Geraldo J\u00falio assinou a autoriza\u00e7\u00e3o para o in\u00edcio das obras no Teatro do Parque, fechado desde 2010.<\/p>\n<p>Mas antes que a LOA fosse assinada e o an\u00fancio com rela\u00e7\u00e3o ao Teatro do Parque realizado, a equipe de Cultura da Prefeitura do Recife precisou apagar um inc\u00eandio. A secret\u00e1ria de Cultura, Leda Alves, e o presidente da FCCR, Diego Rocha, al\u00e9m de Carlos Carvalho, respons\u00e1vel pelo Apolo-Hermilo e, consequentemente, pela realiza\u00e7\u00e3o do FRTN, e Romildo Moreira, gestor de artes c\u00eanicas, se reuniram, no dia 10 de novembro, com as entidades representantes do setor de Artes C\u00eanicas. Queriam atenuar a crise gerada pelo an\u00fancio da n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o do festival sem que a classe art\u00edstica fosse, ao menos, ouvida. <\/p>\n<p>Foi depois dessa reuni\u00e3o que o <em>Satisfeita, Yolanda?<\/em> conversou com os representantes oficiais da classe. Participaram dessa conversa Paulo de Castro, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Produtores de Artes C\u00eanicas de Pernambuco (Apacepe), Ivonete Melo, presidente do Sindicato dos Artistas e T\u00e9cnicos em Espet\u00e1culos de Divers\u00e3o no Estado de Pernambuco (Sated-PE), Feliciano F\u00e9lix, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Realizadores de Teatro de Pernambuco (Artepe), e Roberto Xavier, presidente da Federa\u00e7\u00e3o de Teatro de Pernambuco (Feteape). Na entrevista, eles falaram n\u00e3o s\u00f3 sobre o atual momento na cultura do Recife, mas tamb\u00e9m se posicionaram com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00f5es pol\u00eamicas, como a crise na representatividade das entidades perante os artistas. <\/p>\n<p>Nesta ter\u00e7a-feira (9), as associa\u00e7\u00f5es e sindicatos v\u00e3o novamente se reunir com Leda Alves e com Diego Rocha. Garantiram que, depois da conversa, v\u00e3o convocar a classe art\u00edstica. <\/p>\n<div id=\"attachment_13103\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/entrevista12.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-13103\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-13103 size-full\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/entrevista12.jpg\" alt=\"Entidades e associa\u00e7\u00f5es da classe art\u00edstica v\u00e3o conversar com Leda Alves nesta ter\u00e7a-feira. Foto: Ivana Moura\" width=\"600\" height=\"825\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/entrevista12.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/entrevista12-218x300.jpg 218w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/entrevista12-300x412.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13103\" class=\"wp-caption-text\">Entidades e associa\u00e7\u00f5es da classe art\u00edstica v\u00e3o conversar com Leda Alves nesta ter\u00e7a-feira. Foto: Ivana Moura<\/p><\/div>\n<p><strong>Entrevista \/\/ Entidades representativas das Artes C\u00eanicas em Pernambuco<\/strong><\/p>\n<p><strong>Qual foi o caminho para que essa primeira reuni\u00e3o com a secret\u00e1ria de Cultura e o presidente da Funda\u00e7\u00e3o de Cultura tenha acontecido?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Feliciano F\u00e9lix &#8211;<\/strong> Depois que saiu a not\u00edcia de que n\u00e3o haveria o festival de teatro do Recife, toda a classe art\u00edstica come\u00e7ou a se movimentar; come\u00e7aram a acontecer reuni\u00f5es em v\u00e1rios segmentos. As pr\u00f3prias entidades se juntaram e fizeram uma nota de rep\u00fadio. Foi feita uma reuni\u00e3o no Espa\u00e7o Caramiolas, com v\u00e1rios artistas de v\u00e1rias linguagens, onde foi tirado um documento contundente. Tudo isso chegou, obviamente, ao conhecimento da secret\u00e1ria. Ela convocou as entidades para conversar. Recebemos of\u00edcio por escrito assinado pela pr\u00f3pria secret\u00e1ria para todas as entidades de artes c\u00eanicas. Na verdade, ela chamou a gente depois que o mal estar e a movimenta\u00e7\u00e3o estavam instalados na cidade.<\/p>\n<p><strong>Como foi essa reuni\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Feliciano F\u00e9lix &#8211;<\/strong> Na reuni\u00e3o, a secret\u00e1ria, o presidente da Funda\u00e7\u00e3o de Cultura do Recife e Carlos Carvalho tentaram explicar, justificar. Mas era para ter feito isso antes de ter dito que o festival seria cancelado. As entidades puderam falar e todas foram contundentes no sentido de que n\u00e3o concordam que os festivais de teatro e de dan\u00e7a sejam bienais.<\/p>\n<p><strong>Houve um pedido de desculpas formal para a classe? A secret\u00e1ria se desculpou por n\u00e3o ter ouvido a classe antes de tomar uma decis\u00e3o dessas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ivonete Melo &#8211;<\/strong> Ela se desculpou, dizendo que era uma pessoa democr\u00e1tica, que antes de tudo era atriz, portanto n\u00e3o sabe como isso aconteceu e nem o porqu\u00ea, j\u00e1 que ela \u00e9 da \u00e1rea.<\/p>\n<p><strong>Ela disse que vai acatar o pensamento da classe?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ivonete Melo &#8211;<\/strong> N\u00e3o. Ela marcou uma reuni\u00e3o para o dia 9.<\/p>\n<p><strong>Paulo de Castro &#8211;<\/strong> O festival tem que voltar ano que vem. Agora a gente v\u00ea que \u00e9 absurdamente il\u00f3gico fazer um festival. A gente compreende. Pela incompet\u00eancia deles, mas compreendemos. A discuss\u00e3o \u00e9 que, no pr\u00f3ximo ano, as coisas sejam normalizadas. Mas acho que precisamos sair das quest\u00f5es culturais e ir para as quest\u00f5es pol\u00edticas. N\u00e3o temos que estar discutindo se \u00e9 Carvalho (Carlos), se \u00e9 Leda (Alves), se \u00e9 aquele presidente que eu n\u00e3o sei nem o nome. A gente tem que focar no prefeito. Est\u00e1 claro que a ideia do prefeito \u00e9 que ele n\u00e3o tem nada a ver com a cultura. Todas as situa\u00e7\u00f5es culturais da cidade, e eu n\u00e3o falo s\u00f3 da dan\u00e7a e do teatro, falo da cultura pernambucana, ele cortou tudo, em todos os \u00e2mbitos. At\u00e9 os ciclos! Se era um gasto x, est\u00e1 menos x. Porque isso? Porque a gente n\u00e3o fala, n\u00e3o grita, n\u00e3o chama o prefeito para uma a\u00e7\u00e3o mais contundente. O prefeito tem que entender o que \u00e9 cultura, porque eu sei que ele n\u00e3o entende, e tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 obrigado a entender n\u00e3o. Mas ele \u00e9 obrigado a compreender. E a gente n\u00e3o pode continuar como na prefeitura anterior. Perdemos quatro anos. Mas tamb\u00e9m j\u00e1 perdemos dois agora. S\u00e3o seis anos perdidos. \u00c9 a hora de chegar para o prefeito e dizer: &#8220;prefeito, a gente precisa falar com voc\u00ea&#8221;. Ainda mais nessa \u00e9poca?! Era bom que ele viesse vestido de Papai Noel, para falar com a gente. Talvez surtisse algum efeito, ele entendesse do qu\u00ea a cultura precisa. J\u00e1 que o Natal \u00e9 uma \u00e9poca t\u00e3o boa e o Papai Noel um personagem important\u00edssimo. Eu acho, prefeito, que voc\u00ea deveria convocar os artistas da cidade para uma conversa, at\u00e9 para voc\u00ea entender o processo. Porque voc\u00ea tem uma mulher na secretaria que sabe tudo, mas n\u00e3o tem poder. A\u00ed n\u00e3o adianta, prefeito. Voc\u00ea tem um cara que voc\u00ea colocou na Funda\u00e7\u00e3o que \u00e9 uma pessoa sua, mas n\u00e3o entende do m\u00e9tier. \u00c9 necess\u00e1rio que voc\u00ea respalde essas pessoas, para que elas tenham um conv\u00edvio decente com a classe. Principalmente em se tratando de uma mulher como Leda Alves, uma mulher que sabe exatamente o que pode fazer. A quest\u00e3o hoje est\u00e1 centralizada no senhor prefeito. Ele tem que dizer alguma coisa. A gente n\u00e3o pode viver de bicicletas. \u00c9 preciso ter algo mais do que bicicletas.<\/p>\n<p><strong>Beto Xavier \u2013 <\/strong> Teve uma quest\u00e3o colocada na reuni\u00e3o do Conselho Municipal de Cultura que \u00e9 bem interessante. Essa quest\u00e3o do Festival foi s\u00f3 a cereja do bolo. Porque vem acontecendo v\u00e1rias coisas, teatros fechados, reformas que n\u00e3o tem data nem para come\u00e7ar e nem para terminar, os editais dos ciclos culturais, que n\u00e3o incluem teatro. E n\u00f3s, enquanto Feteape, temos uma preocupa\u00e7\u00e3o mais geral. Esse festival sendo transformado em bienal, pode causar o esfriamento e a descontinuidade disso. A Feteape tem como exemplo o projeto Todos Ver\u00e3o Teatro, que sempre aconteceu em janeiro. Depois houve um acordo para que ele fosse para mar\u00e7o e, quando chegou mar\u00e7o, a prefeitura disse que n\u00e3o tinha dinheiro por causa do carnaval. E deu-se esse esfriamento. Temo que isso aconte\u00e7a agora.<\/p>\n<p><strong>Qual a posi\u00e7\u00e3o de voc\u00eas na pr\u00f3xima reuni\u00e3o? J\u00e1 que \u00e9 uma quest\u00e3o muito mais ampla e n\u00e3o estamos discutindo pessoas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Feliciano F\u00e9lix &#8211;<\/strong> O posicionamento das entidades \u00e9 dizer que n\u00e3o concorda que esses festivais sejam bienais. A outra quest\u00e3o que temos que ficar atentos \u00e9 que existe um Plano Municipal de Cultura para a cidade do Recife, que foi aprovado em 2009. \u00c9 um plano para dez anos, v\u00e1lido at\u00e9 2019, e est\u00e1 sendo descumprido pela Prefeitura do Recife. Se voc\u00ea tem um Plano Municipal de Cultura que diz quais s\u00e3o as pol\u00edticas estruturadoras que devem ser implementadas e l\u00e1 fala que os festivais n\u00e3o anuais, fora os outros eventos que foram cancelados&#8230; Na hora que a Prefeitura n\u00e3o cumpre um plano que \u00e9 lei, ela corre, inclusive, o risco de ser enquadrada por improbidade administrativa.<\/p>\n<p><strong>Essa \u00e9 uma quest\u00e3o complicada. Esse plano realmente foi aprovado e sancionado por Jo\u00e3o da Costa em 2009, mas n\u00e3o h\u00e1 nenhum decreto regulamentando esse plano. Ent\u00e3o, juridicamente, esse plano n\u00e3o teria valor. Diante disso, o que voc\u00eas pretendem fazer?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Feliciano F\u00e9lix &#8211;<\/strong> Juridicamente \u00e9 uma quest\u00e3o para ver com quem entende. Mas politicamente \u00e9 muito ruim descumprir um documento que \u00e9 fruto da luta, da batalha. Foram muitas reuni\u00f5es, incans\u00e1veis, escutas com o movimento cultural, finais de semana inteiros discutindo, com todas as entidades, n\u00e3o s\u00f3 de artes c\u00eanicas. Politicamente, independente dessa quest\u00e3o jur\u00eddica, tem uma import\u00e2ncia muito grande na constru\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica p\u00fablica de cultura, na democratiza\u00e7\u00e3o do acesso, do fomento, da forma\u00e7\u00e3o. Isso tem que ser levado em considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Paulo de Castro &#8211;<\/strong> E ser\u00e1 levado, F\u00e9lix. Se a gente admitir que nos quatro anos do outro prefeito, ele conseguiu fazer, como \u00e9 que esse que veio com toda for\u00e7a pol\u00edtica, o homem que veio abrir todas as portas do crescimento&#8230;eu n\u00e3o acredito! Quando ele for comunicado e entender o que est\u00e1 acontecendo, ele n\u00e3o vai fazer uma besteira desses. O festival de teatro, por exemplo, \u00e9 insignificante financeiramente, inclusive. Um projeto de R$ 1 milh\u00e3o, que \u00e9 nacional, que abre mercado de trabalho. Mas a gente tamb\u00e9m n\u00e3o disse ao prefeito o mercado de trabalho que a gente abre. O prefeito pode achar que abriu centenas de vagas com as bicicletas. Eu diria a ele que n\u00f3s abrimos milhares com nossos processos culturais. Muito mais que a Fiat, por exemplo! Quantos empregados tem a Fiat? Quantas pessoas n\u00f3s empregamos por ano? Ent\u00e3o essas coisas, numa discuss\u00e3o aberta, tranquila, sem nenhuma viol\u00eancia, sem nenhum sentido de direita e esquerda, de A ou B. A gente discute cultura. N\u00e3o quero discutir teatro, quero discutir a cultura como um todo, puxando do Estado o dever que \u00e9 dele e que est\u00e1 no Plano.<\/p>\n<p><strong>Feliciano F\u00e9lix &#8211;<\/strong> Se existir uma decis\u00e3o pol\u00edtica, vontade pol\u00edtica, n\u00e3o precisa Plano nenhum. \u00c9 s\u00f3 fazer. Outra coisa que a gente observa \u00e9 que os recursos para a cultura est\u00e3o diminuindo ano a ano. A gente est\u00e1 at\u00e9 com um documento: <em><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/events\/719632144800516\/permalink\/726776597419404\/\" title=\"Carta ao povo do Recife pela retomada e fortalecimento das pol\u00edticas p\u00fablicas de cultura na cidade do Recife\" target=\"_blank\">Carta ao povo do Recife pela retomada e fortalecimento das pol\u00edticas p\u00fablicas de cultura na cidade do Recife<\/a><\/em>. Esse foi o documento escrito a partir da reuni\u00e3o de artistas de v\u00e1rias linguagens no Caramiolas. Foi feito um levantamento e a cultura tem sofrido cortes. E h\u00e1 uma proje\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o de 16% em rela\u00e7\u00e3o a esse ano.<\/p>\n<p><strong>Essa situa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o pr\u00f3prio Feliciano est\u00e1 dizendo que os valores destinados \u00e0 cultura foram diminuindo ao longo do tempo, e pensando que essa prefeitura est\u00e1 a\u00ed h\u00e1 dois anos, chegamos a essa situa\u00e7\u00e3o por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo de Castro &#8211;<\/strong> Pela fragilidade da pr\u00f3pria classe, claro. O governador e o prefeito eles n\u00e3o t\u00eam culpa de nada. Porque o foco deles \u00e9 outro. At\u00e9 porque eles n\u00e3o entendem de cultura e nem acham que pol\u00edtica cultural d\u00e1 voto. Quem tem que mostrar isso a ele somos n\u00f3s. Nunca vou dizer que fulano de tal, que \u00e9 o governador, o prefeito, \u00e9 culpado das coisas. Eu posso at\u00e9 dizer coisas piores a eles, mas jamais isso. Porque isso \u00e9 uma quest\u00e3o de discuss\u00e3o pr\u00f3pria da categoria e \u00e9 uma exig\u00eancia. Afinal de contas, pagamos os tributos normais e somos as pessoas que criamos a cultura desse pa\u00eds. N\u00e3o \u00e9 qualquer coisa n\u00e3o. N\u00f3s temos um valor que deve ser mensurado, pensado e repensado, e respeitado, antes de tudo.<\/p>\n<p><strong>Feliciano F\u00e9lix &#8211;<\/strong> Concordo, mas h\u00e1 falta de sensibilidade por falta do governo e aten\u00e7\u00e3o para a cultura. Porque se eles tivessem aten\u00e7\u00e3o, por mais que houvesse a fragilidade da classe&#8230;a coisa n\u00e3o estaria como est\u00e1. Porque a aus\u00eancia deles na reuni\u00e3o do Conselho Municipal de Cultura?<\/p>\n<p><strong>Paulo de Castro &#8211;<\/strong> Porque n\u00e3o interessa! Eles n\u00e3o v\u00eaem a\u00ed nenhuma motiva\u00e7\u00e3o. E outra coisa, os secret\u00e1rios v\u00e3o tomar conta das suas secretarias para criar e deixar as marcas deles, como se as marcas deles fossem uma coisa importante para a cidade, quando muito mais importante seria eles verem o que a popula\u00e7\u00e3o quer e fazer os projetos que a popula\u00e7\u00e3o necessita, seja em qualquer setor, no esgoto ou na cultura, no que for. Mas a\u00ed vem um secret\u00e1rio, cria uma hist\u00f3ria, \u00e9 eleito com n\u00e3o sei quantos milh\u00f5es de votos; e a sociedade se abestalha e n\u00e3o diz: n\u00e3o \u00e9 isso que a gente quer n\u00e3o, pelo amor de Deus, a gente quer outras coisas. Agora a gente tem que dizer, porque sen\u00e3o eles n\u00e3o v\u00e3o ouvir, n\u00e3o v\u00e3o saber.<\/p>\n<p><strong>Quero fazer uma pergunta nesse sentido. Voc\u00eas esperaram que a Prefeitura divulgasse, e muito mais motivada pela imprensa, quase em novembro, que n\u00e3o haveria festival. Quando todo mundo j\u00e1 falava sobre isso, j\u00e1 havia um burburinho na cidade, isso corria \u00e0 boca mi\u00fada. Porque voc\u00eas esperaram ver que o festival n\u00e3o ia acontecer para tomar uma atitude?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ivonete Melo \u2013<\/strong> Eu mesma s\u00f3 vim saber depois que saiu na imprensa. At\u00e9 ent\u00e3o, nem boca mi\u00fada eu tinha escutado.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o as associa\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o acompanhando o que est\u00e1 acontecendo na cidade&#8230;. Porque um festival nacional gera articula\u00e7\u00f5es&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Feliciano F\u00e9lix \u2013<\/strong> A gente n\u00e3o acreditava que houvesse esse descaso.<\/p>\n<p><strong>Paulo de Castro \u2013<\/strong> A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 essa. A quest\u00e3o \u00e9 articula\u00e7\u00e3o. As entidades elas n\u00e3o podem estar desarticuladas entre si e elas est\u00e3o. E n\u00e3o tem problema de dizer isso.<\/p>\n<p><strong>Ivonete Melo &#8211;<\/strong> E voc\u00ea sabia que n\u00e3o ia ter o festival atrav\u00e9s de quem?<\/p>\n<p><strong>Paulo de Castro &#8211;<\/strong> Atrav\u00e9s do jornal, dos amigos.<\/p>\n<p><strong>Se voc\u00ea est\u00e1 em novembro e nada aconteceu&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo de Castro \u2013<\/strong> Se a gente est\u00e1 articulado, a gente sabe disso antes. Quando eles falassem no festival, a gente pediria uma reuni\u00e3o. O que vai ter? A gente tem que estar cobrando. \u00c9 uma surpresa e o milagre acaba sendo dela, porque foi Leda quem convocou a gente. A gente ia meter o pau no jornal e ia ficar por isso mesmo e n\u00e3o ia ter. Ent\u00e3o, nesse ponto, tenho que argumentar que Leda foi a salva\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, porque ela viu, \u00e9 uma mulher democr\u00e1tica, uma mulher que respira cultura, da classe, viu: \u201cp\u00f4, como \u00e9 que se faz isso sem nem convocar, para saber o que se pensa?\u201d. O erro \u00e9 nosso, porque temos que voltar a ter articula\u00e7\u00e3o como t\u00ednhamos h\u00e1 20 anos. Nada acontecia nessa cidade sem a gente saber. Quando Jarbas (Vasconcelos) tentou, imaginou, que ia pegar os teatros da cidade para vender, n\u00e3o deu 24 horas, a gente deu uma press\u00e3o nele, parou tudo. Agora n\u00e3o adianta se mobilizar s\u00f3 quando tiver o crime. Quer dizer, s\u00f3 depois que uma pessoa morre, n\u00f3s chegamos? \u00c9 preciso tamb\u00e9m que a gente chame a categoria que n\u00e3o est\u00e1 participando, que \u00e9 a maioria, at\u00e9 porque desacredita, mas se desacredita \u00e9 um problema deles, eles t\u00eam que ver e abrir os horizontes, porque a gente precisa estar junto, presidente de entidade n\u00e3o resolve nada sozinho n\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Os artistas n\u00e3o se v\u00eaem representados pelas entidades \u2013 tanto \u00e9 que surgiram v\u00e1rios movimentos, diferentes reuni\u00f5es aconteceram desde o an\u00fancio que n\u00e3o haveria festival. Como \u00e9 que voc\u00eas v\u00e3o lidar com essa falta de representatividade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ivonete Melo &#8211;<\/strong> O sindicato n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 os presidentes n\u00e3o. Paulo tem raz\u00e3o. Porque a classe falar \u00e9 uma coisa e chegar at\u00e9 as entidades e dizer o que quer, como quer e vamos agir, \u00e9 outra coisa, entendeu? Os presidentes sozinhos n\u00e3o resolvem nada n\u00e3o. Resolvem com a classe. Por exemplo: se a classe sabia disso h\u00e1 muito tempo, porque n\u00e3o foi l\u00e1? A classe n\u00e3o falou l\u00e1, na avalia\u00e7\u00e3o, quando terminou o festival ano passado?<\/p>\n<p><strong>Mas quem deveria ter permanecido cobrando isso n\u00e3o eram as entidades? Como pessoas jur\u00eddicas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo de Castro \u2013<\/strong> Tamb\u00e9m. Mas a classe tamb\u00e9m tem todo o direito, assim como temos de tirar um governante, a classe tem direito de tirar um Paulo de Castro, por exemplo. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m de se dizer que, de uns quinze anos para c\u00e1, a classe s\u00f3 pensa no umbigo. O que \u00e9 que eu tenho? O que \u00e9 que eu posso? At\u00e9 porque a situa\u00e7\u00e3o financeira est\u00e1 ruim. Quero s\u00f3 fazer um par\u00eantese de que a situa\u00e7\u00e3o financeira do Brasil \u00e9 realmente muito ruim e ficar\u00e1 pior e quem pensa que \u00e9 brincadeira vai se dar mal. Voltando \u00e0 categoria, tenho todas as culpas do mundo, mas estou aberto a discuss\u00f5es. Mas n\u00e3o pode querer s\u00f3 abra\u00e7ar teatro. N\u00e3o se resolve pol\u00edtica cultural abra\u00e7ando teatro.<\/p>\n<p><strong>Ivonete Melo \u2013<\/strong> E sozinho, fazendo as coisas sozinho.<\/p>\n<p><strong>Paulo de Castro &#8211;<\/strong> E discutindo as quest\u00f5es em mesa de bar. Tem que fazer uma assembleia e chamar quem voc\u00ea acha que est\u00e1 errado. Convoque uma assembl\u00e9ia da Apacepe, do Sindicato, pra ver se n\u00f3s n\u00e3o fazemos?<\/p>\n<p><strong>Ivonete Melo &#8211;<\/strong> Nunca nos negamos.<\/p>\n<p><strong>Paulo de Castro &#8211;<\/strong> Mas o mundo hoje \u00e9 outro. H\u00e1 30 anos, n\u00e3o tinha nem o celular. E a gente combinava uma reuni\u00e3o em 24 horas. Hoje a gente tem isso aqui e n\u00e3o consegue juntar cinco pessoas, porque cinco pessoas t\u00eam duzentas coisas pra fazer. O mundo virou. Essa tecnologia afastou as pessoas.<\/p>\n<p><strong>Voltando \u00e0 quest\u00e3o: o que voc\u00eas pretendem na pr\u00f3xima reuni\u00e3o na Prefeitura do Recife?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo de Castro<\/strong> A gente vai l\u00e1 provar por A+B que n\u00e3o h\u00e1 o menor problema da Funda\u00e7\u00e3o ou da Secretaria fazer o festival anualmente, porque o problema financeiro n\u00e3o \u00e9 verdade. O problema \u00e9 a gest\u00e3o entender que \u00e9 importante e colocar a grana na Loa, entendeu? Como quando eles querem, colocam. Quando o governo quer fazer uma a\u00e7\u00e3o, o dinheiro chega antes. Quando o governo, seja Prefeitura, Governo do Estado ou Federal, ele quer fazer uma a\u00e7\u00e3o que precisa pagar antes as pessoas, ele arruma o dinheiro e paga. Agora, quando n\u00e3o quer, s\u00f3 pode pagar com 60 dias, com 90 dias. Ai vira essa brincadeira. Porque a coisa mais f\u00e1cil do mundo \u00e9 dizer que o \u00f3rg\u00e3o \u00e9 emperrado. Claro que o \u00f3rg\u00e3o \u00e9 emperrado. Mas quando a pessoa quer decidir politicamente, desemperra tudo em 24 horas.<\/p>\n<p><strong>Mas e para al\u00e9m dos festivais, as outras quest\u00f5es, como o SIC, o Fomento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo de Castro<\/strong> Essa \u00e9 a pr\u00f3xima reuni\u00e3o. A gente n\u00e3o vai discutir s\u00f3 festival n\u00e3o. A gente tem que discutir: \u201colhe, essa grana que estava aqui e faz tanto tempo que n\u00e3o entra. E agora voc\u00eas dizem que vai ser R$ 33 mil?\u201d N\u00e3o pode ser dessa forma. Ent\u00e3o a gente tem que discutir isso. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso n\u00e3o. Tem uma s\u00e9rie de coisas que n\u00e3o s\u00e3o mais feitas. N\u00e3o se faz mais nada, acabou tudo.<\/p>\n<p><strong>Ivonete Melo &#8211;<\/strong> O Hermilo mesmo tinha. O Aprendiz Encena, O solo do outro, que isso tudo \u00e9 forma\u00e7\u00e3o, oficina. Tem uma s\u00e9rie de coisas que nada mais acontece.<\/p>\n<p><strong> Paulo de Castro &#8211; <\/strong> Mas veja bem. L\u00e1 no Hermilo, tem v\u00e1rias oficinas. Podem n\u00e3o ser as que j\u00e1 estavam na cabe\u00e7a da gente. Mas est\u00e1 l\u00e1. O problema \u00e9 de quem est\u00e1 no Hermilo e que olhar ele quer pro Hermilo. Isso passa tamb\u00e9m por quem est\u00e1 dirigindo. E se ele est\u00e1 s\u00f3 e n\u00e3o tem nenhuma cobran\u00e7a, se a gente n\u00e3o vai atr\u00e1s, ele vai fazendo, \u00e9 natural. Dizer: \u201colha, a gente precisa fazer um curso com os t\u00e9cnicos. Os t\u00e9cnicos est\u00e3o morrendo a\u00ed e n\u00e3o est\u00e3o repassando para os jovens&#8221;. S\u00f3 que essa coisa toda requer muito tempo da gente e a gente n\u00e3o ganha um tost\u00e3o pra isso. E chega um momento que, por exemplo, \u201choje eu n\u00e3o posso, porque vou fazer um palha\u00e7o na casa de algu\u00e9m pra ganhar 300 contos\u201d. E voc\u00ea na mesma hora dissipa a discuss\u00e3o. Isso acontece direto. Se voc\u00ea colocar uma reuni\u00e3o agora \u00e0 noite e conseguir juntar 20 pessoas, voc\u00ea sobe aos c\u00e9us.<\/p>\n<p><strong>Diante dessa falta de mobiliza\u00e7\u00e3o, o que voc\u00eas v\u00e3o fazer? Voc\u00eas pretendem acionar o Minist\u00e9rio P\u00fablico?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Feliciano F\u00e9lix &#8211;<\/strong> O cancelamento dos festivais foi apenas a gota d\u00b4\u00e1gua. Tem uma s\u00e9rie de problemas que vem h\u00e1 muito tempo. O Teatro do Parque fechado h\u00e1 tanto tempo; o Barreto J\u00fanior n\u00e3o recebe espet\u00e1culos por causa do ar condicionado. A gente n\u00e3o tem casas de espet\u00e1culo pra fazer nossos espet\u00e1culos. Na minha opini\u00e3o falta planejamento, falta previs\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria para cobrir essas a\u00e7\u00f5es. Acho que falta clareza da pol\u00edtica p\u00fablica pensada por essa gest\u00e3o para que a gente possa entender e acompanhar.<\/p>\n<p><strong>Paulo de Castro &#8211;<\/strong> N\u00e3o tem. O cara est\u00e1 no teatro, faz a pol\u00edtica para o lugar. Mas n\u00e3o \u00e9 um pensamento, uma ideia que seja jogada para a sociedade, esse \u00e9 o pensamento geral.<\/p>\n<p><strong>Esse n\u00e3o seria um problema da secret\u00e1ria, n\u00e3o seria ela a respons\u00e1vel por pensar ou chamar as pessoas, os estudiosos, a academia, e tra\u00e7ar esse plano para a sociedade discutir?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Feliciano F\u00e9lix &#8211;<\/strong> E n\u00e3o precisa come\u00e7ar do zero, porque j\u00e1 existe o Plano Municipal de Cultura.<\/p>\n<p><strong>Paulo de Castro<\/strong> Porque esse pensamento, do maior grau que \u00e9 a secret\u00e1ria, ele n\u00e3o \u00e9 verdade. O pensamento tem que ser o da categoria. O que \u00e9 que n\u00f3s queremos que a secret\u00e1ria fa\u00e7a? Eu vejo que \u00e9 diferente. N\u00e3o \u00e9 o que a secret\u00e1ria vai fazer para a gente e sim o que n\u00f3s queremos que ela fa\u00e7a. Se ela traz uma coisa boa e que nos interessa, claro que a gente vai , mas a gente n\u00e3o tem que ouvir a secret\u00e1ria. Ela \u00e9 que tem que nos ouvir. Ela \u00e9 paga para ouvir e fazer o trabalho. Outra coisa: ela n\u00e3o \u00e9 paga para executar o trabalho n\u00e3o. Ela tem que contratar as pessoas certas da cidade para produzir determinado evento ou espet\u00e1culo, porque a qualifica\u00e7\u00e3o deles l\u00e1 n\u00e3o \u00e9 essa.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas pretendem acionar o Minist\u00e9rio P\u00fablico?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo de Castro &#8211;<\/strong> No momento, na minha opini\u00e3o, de jeito nenhum. O Minist\u00e9rio P\u00fablico \u00e9 para pessoa f\u00edsica. Como entidade, tem que pensar, discutir, pra ver quais s\u00e3o as possibilidades. Se for para partir para a briga depois, n\u00f3s partimos.<\/p>\n<div id=\"attachment_13105\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/entrevista2.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-13105\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/entrevista2.jpg\" alt=\"Paulo de Castro, Roberto Xavier, Ivonete Meo e Feliciano F\u00e9lix\" width=\"600\" height=\"390\" class=\"size-full wp-image-13105\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/entrevista2.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/entrevista2-300x195.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13105\" class=\"wp-caption-text\">Paulo de Castro, Beto Xavier, Ivonete Meo e Feliciano F\u00e9lix<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que a Prefeitura do Recife divulgou oficialmente, no dia 29 de outubro, a not\u00edcia de que o Festival Recife do Teatro Nacional (FRTN) n\u00e3o seria realizado em 2014 e passaria a acontecer em edi\u00e7\u00f5es bienais, sendo alternado com o Festival Internacional de Dan\u00e7a, muita coisa j\u00e1 se passou. 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