{"id":12873,"date":"2014-11-11T12:40:22","date_gmt":"2014-11-11T15:40:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=12873"},"modified":"2015-10-28T02:55:08","modified_gmt":"2015-10-28T05:55:08","slug":"militancia-na-gestao-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/militancia-na-gestao-publica\/","title":{"rendered":"Milit\u00e2ncia na gest\u00e3o p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_12881\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/Romildo2.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-12881\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/Romildo2.jpg\" alt=\"Romildo Moreira, chefe da Divis\u00e3o de Artes C\u00eanicas da Funda\u00e7\u00e3o de Cultura Cidade do Recife\" width=\"600\" height=\"433\" class=\"size-full wp-image-12881\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/Romildo2.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/Romildo2-300x216.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12881\" class=\"wp-caption-text\">Romildo Moreira, chefe da Divis\u00e3o de Artes C\u00eanicas da Funda\u00e7\u00e3o de Cultura Cidade do Recife<\/p><\/div>\n<p>O nome dele est\u00e1 vinculado a a\u00e7\u00f5es significativas no teatro pernambucano. Idealizou o Janeiro de Grandes Espet\u00e1culos, o Festival Recife do Teatro Nacional, o Circuito Pernambucano de Artes C\u00eanicas, realizado entre 2001 e 2006, participou da cria\u00e7\u00e3o do Centro Apolo-Hermilo, lutou pela climatiza\u00e7\u00e3o do Teatro do Parque e pela reforma do Teatro de Santa Isabel. Como gestor, o dramaturgo, diretor e ator Romildo Moreira j\u00e1 passou pela Prefeitura do Recife, pelo Governo do Estado de Pernambuco, pelo Minist\u00e9rio da Cultura e pela Secretaria da Cultura do Governo do Distrito Federal.<\/p>\n<p>Atualmente, Romildo Moreira \u00e9 o chefe da divis\u00e3o de Artes C\u00eanicas, na Funda\u00e7\u00e3o de Cultura Cidade do Recife. Por ironia, recentemente viu seus superiores tomarem a decis\u00e3o de cancelar a edi\u00e7\u00e3o 2014 do Festival Recife do Teatro Nacional e ainda de torn\u00e1-lo bienal, sendo realizado alternadamente com o Festival Internacional de Dan\u00e7a do Recife, evento que hoje est\u00e1 sob a responsabilidade de Moreira e que foi realizado no m\u00eas passado com apenas R$ 200 mil de desembolso da Prefeitura do Recife. O restante, R$ 450 mil, veio de parcerias constru\u00eddas pelo gestor e por sua equipe. <\/p>\n<p>Em entrevista ao <em>Satisfeita, Yolanda?<\/em>, Romildo Moreira diz que n\u00e3o foi consultado sobre as mudan\u00e7as nos festivais, admite que a Prefeitura do Recife possui um d\u00e9ficit de atua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da cultura, mas se diz motivado a continuar militando na atual gest\u00e3o. A entrevista foi concedida ao blog na semana passada.<\/p>\n<p><strong>ENTREVISTA \/\/ ROMILDO MOREIRA<\/strong><\/p>\n<p><strong>O que voc\u00ea achou do cancelamento do festival deste ano e da transforma\u00e7\u00e3o do festival em bienal? Como voc\u00ea, enquanto gestor que criou o festival, enxerga isso? <\/strong><br \/>\nN\u00e3o d\u00e1 para separar o artista Romildo Moreira, que esteve na gest\u00e3o que criou o festival e que coordenou tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es, do atual gestor, que voltou para a Funda\u00e7\u00e3o de Cultura, 13 anos depois. Acho que \u00e9 lament\u00e1vel. Depois de tanto tempo que o festival se mant\u00e9m como projeto anual, que ele tenha essa interrup\u00e7\u00e3o. J\u00e1 tive uma experi\u00eancia parecida: no terceiro ano consecutivo do festival, a gente optou por n\u00e3o torn\u00e1-lo bienal, quando surgiu essa proposta, porque n\u00f3s est\u00e1vamos com pouca verba e t\u00ednhamos o compromisso com o Minist\u00e9rio da Cultura para a reforma do Teatro de Santa Isabel. O festival era o \u00fanico recurso dispon\u00edvel na prefeitura at\u00e9 ent\u00e3o para a \u00e1rea das artes c\u00eanicas. Ent\u00e3o n\u00f3s nos reunimos com as entidades, chamamos algumas pessoas not\u00f3rias das artes c\u00eanicas, eu lembro bem, Germano Haiut, Reinaldo de Oliveira, discutimos essa proposta e vimos que n\u00e3o seria a melhor op\u00e7\u00e3o. Uma das discuss\u00f5es que a gente levantava era: havendo uma crise por algum motivo, no ano em que ele seria executado, o festival deixaria de acontecer n\u00e3o s\u00f3 um ano, mas por tr\u00eas anos. Nesta situa\u00e7\u00e3o atual, n\u00e3o sei quais os discursos de defesa dessa proposta e quais os discursos que foram postos contr\u00e1rios a essa bienalidade. Talvez tenham at\u00e9 me poupado, em fun\u00e7\u00e3o de que eu estava muito atarefado com a realiza\u00e7\u00e3o do Festival Internacional de Dan\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea foi consultado com rela\u00e7\u00e3o a essa decis\u00e3o? <\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o fui consultado. Precisamos esclarecer: mesmo que a gest\u00e3o cultural da Prefeitura seja uma s\u00f3 para a sociedade de modo geral, existem duas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que trabalham com ela. O Festival \u00e9 ligado ao Centro Apolo-Hermilo e o Centro Apolo-Hermilo \u00e9 ligado diretamente ao gabinete da secret\u00e1ria. Na minha inst\u00e2ncia de hierarquia, eu passo por outro segmento, que \u00e9 o da Funda\u00e7\u00e3o de Cultura. Isso tamb\u00e9m n\u00e3o impede que a gente sente, em comum acordo, para discutir. Mas eu n\u00e3o fui consultado; e a\u00ed, repito, talvez at\u00e9 em fun\u00e7\u00e3o das minhas atividades, que estavam muito fortes nesse per\u00edodo, em fun\u00e7\u00e3o do festival. Agora, se eu tivesse sido consultado, certamente teria defendido o contr\u00e1rio. Acho que n\u00e3o teria sido dif\u00edcil mostrar at\u00e9 o ponto de vista do preju\u00edzo pol\u00edtico para a institui\u00e7\u00e3o. Dezoito anos depois, tornar o festival bienal, quando nenhuma gest\u00e3o anterior se colocou neste lugar. <\/p>\n<p><strong>Qual o preju\u00edzo pol\u00edtico dessa decis\u00e3o?<\/strong><br \/>\nA Prefeitura do Recife est\u00e1 com um d\u00e9ficit muito grande dentro da hist\u00f3ria de sua participa\u00e7\u00e3o no universo cultural da cidade, em especial nas artes c\u00eanicas, que \u00e9 onde milito. Esse preju\u00edzo \u00e9 pol\u00edtico, quando isso acontece exatamente numa gest\u00e3o em que a secret\u00e1ria de Cultura \u00e9 uma pessoa de teatro, sens\u00edvel \u00e0s quest\u00f5es teatrais, uma gest\u00e3o cheia de pessoas de artes c\u00eanicas. \u00c9 dif\u00edcil para a sociedade entender como o cancelamento do festival \u00e9 uma necessidade inadi\u00e1vel; n\u00e3o fica muito claro. Esse preju\u00edzo se estende tamb\u00e9m ao lado art\u00edstico, porque passar dois anos alheios ao que est\u00e1 acontecendo em cena no pa\u00eds inteiro \u00e9 ruim para a hist\u00f3ria local, como uma cidade receptora de grandes espet\u00e1culos, atrav\u00e9s exatamente do Festival Recife do Teatro Nacional e do Janeiro de Grandes Espet\u00e1culos. O Janeiro de Grandes Espet\u00e1culos n\u00e3o supre sozinho essa necessidade. <\/p>\n<p><strong>Um dos argumentos utilizados por Carlos Carvalho, coordenador do festival, \u00e9 de que n\u00e3o ter\u00edamos um preju\u00edzo muito grande, j\u00e1 que a cidade possui muitos festivais. Mas sabemos que o Festival Recife do Teatro Nacional tem um perfil e um objetivo muito espec\u00edficos.<\/strong><br \/>\nAcho que passa exatamente pelo que voc\u00ea pontua: perfil. Quando o poder p\u00fablico percebe que ele cumpre um papel e define esse papel como uma fun\u00e7\u00e3o sua, ele n\u00e3o pode ser comparado a outros, tem que ter um diferencial. Temos que voltar mesmo \u00e0 hist\u00f3ria do festival: quando, nas tr\u00eas primeiras edi\u00e7\u00f5es, ele tinha uma curadoria enorme, um grupo grande de pessoas para pensar e realiz\u00e1-lo, do ponto de vista da programa\u00e7\u00e3o, era exatamente essa discuss\u00e3o que a gente levantava: qual o diferencial que o Festival Recife do Teatro Nacional tem para o Festival de Curitiba, para Porto Alegre, para os grandes festivais de teatro do pa\u00eds que existiam na \u00e9poca? E a gente via que a import\u00e2ncia que o festival iria adquirir para o cen\u00e1rio brasileiro, era exatamente esse seu perfil singular. A gente queria reunir, como reunimos, grandes espet\u00e1culos, tendo como mote para cada ano um ponto de vista, a partir desse olhar viriam os convites. O primeiro ano foi a reuni\u00e3o de grupos consolidados. Trouxemos pela primeira vez ao Recife, o Galp\u00e3o, o Lat\u00e3o, que estourou nacionalmente aqui no Recife, porque era muito conhecido por um gueto de intelectuais em S\u00e3o Paulo, mas \u00e0 medida que veio para c\u00e1, com dois espet\u00e1culos, despontou para o resto do Brasil &#8211; isso est\u00e1 no livro que o S\u00e9rgio de Carvalho escreveu quando o grupo completou 15 anos. \u00c9 este perfil de trazer o que de melhor se produz, na forma como originalmente foi produzido. Uma coisa n\u00e3o substitui outra. Mas sei que deve ter sido bem doloroso tamb\u00e9m para os diretores da secretaria e da funda\u00e7\u00e3o tomarem essa medida, mas \u00e9 lament\u00e1vel, porque quebra uma hist\u00f3ria.<\/p>\n<div id=\"attachment_12885\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/belga.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-12885\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/belga.jpg\" alt=\"Espet\u00e1culo belga L\u2019AssautdesCieux n\u00e3o viria ao Recife atrav\u00e9s de produtores independentes. Foto: Irandi Souza\/PCR\" width=\"600\" height=\"353\" class=\"size-full wp-image-12885\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/belga.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/belga-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12885\" class=\"wp-caption-text\">Espet\u00e1culo belga L\u2019AssautdesCieux n\u00e3o viria ao Recife atrav\u00e9s de produtores independentes. Foto: Irandi Souza\/PCR<\/p><\/div>\n<p><strong>O Festival Internacional de Dan\u00e7a foi realizado sob sua coordena\u00e7\u00e3o. Como voc\u00ea conseguiu viabilizar o festival financeiramente, j\u00e1 que a falta de verba seria um dos motivos pelos quais o Festival Nacional foi cancelado?<\/strong><br \/>\nA viabilidade do Festival de Dan\u00e7a este ano realmente foi muito dif\u00edcil. Este ano para a cultura no Brasil n\u00e3o foi f\u00e1cil e para Recife em especial. Politicamente houve uma ruptura entre o governo federal e o governo estadual e, consequentemente, com o municipal. Isso implicou na quest\u00e3o de verbas da Prefeitura. Para se ter uma ideia: parte dos recursos do Minist\u00e9rio do Turismo para o carnaval ainda n\u00e3o foi liberado, da mesma forma com o ciclo junino. Ou seja: a Prefeitura teve que arcar com despesas que n\u00e3o estavam pr\u00e9-or\u00e7adas para tal, teve que tirar de eventos pr\u00f3prios, como foi tirado do Festival de Dan\u00e7a. O Festival de Dan\u00e7a estava or\u00e7ado em R$ 700 mil, depois baixou para R$ 500 mil. Ele foi realizado com quase R$ 650 mil em desembolso direto, dos quais R$ 200 mil apenas foram da Prefeitura. O restante foi parceria. A programa\u00e7\u00e3o realizada no Pa\u00e7o Alf\u00e2ndega, por exemplo, se n\u00f3s f\u00f4ssemos pagar todas as despesas l\u00e1: aluguel de lin\u00f3lio, aluguel de som, aluguel do espa\u00e7o, por duas semanas, isso ultrapassaria R$ 50 mil e n\u00f3s conseguimos como parceria. O grupo da B\u00e9lgica, que veio com onze pessoas, o Minist\u00e9rio da Cultura da B\u00e9lgica pagou as passagens de ida e volta; o grupo do Sesc de Petrolina, com 22 pessoas, foram passagens de avi\u00e3o pagas pelo Sesc. Foram aportes que se somaram, para que o festival acontecesse, inclusive de forma grandiosa. N\u00e3o foi menor do que o do ano passado, muito pelo contr\u00e1rio, pela op\u00e7\u00e3o que fizemos de espalhar a programa\u00e7\u00e3o pela cidade inteira, essa programa\u00e7\u00e3o que foi realizada no Pa\u00e7o Alf\u00e2ndega, diariamente, pegando outro tipo de p\u00fablico, no hor\u00e1rio do almo\u00e7o, resultou muit\u00edssimo bem, tudo isso foi ampliando mesmo o volume do festival. O Pa\u00e7o do Frevo tamb\u00e9m, que foi outro parceiro, apoiador maravilhoso. O espet\u00e1culo da filha de Ant\u00f4nio Carlos N\u00f3brega, Maria Eug\u00eania, apresentado l\u00e1, at\u00e9 o cach\u00ea do espet\u00e1culo foi o pr\u00f3prio Pa\u00e7o quem pagou. Enfim, a gente saiu buscando parceiros para que, de fato, a gente politicamente cumprisse o prometido com a categoria. <\/p>\n<p><strong>Quem buscou essas parcerias? Quem fez essa produ\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nA Ger\u00eancia de Artes C\u00eanicas, n\u00f3s, sob minha responsabilidade.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas tiveram algum recurso vindo do setor de capta\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Prefeitura?<\/strong><br \/>\nA capta\u00e7\u00e3o de recursos institucional a gente tentou atrav\u00e9s das leis de incentivos, que foram poucas, mas n\u00e3o tivemos resposta positiva. Isso foi negocia\u00e7\u00e3o direta mesmo da Ger\u00eancia com os apoiadores. O chefe dessa divis\u00e3o de capta\u00e7\u00e3o de recursos \u00e9 Wellington Lima. Eu estive com ele, fizemos projeto para o BNDES e algum outro, que n\u00e3o foram aprovados. Mas essa capta\u00e7\u00e3o que resultou em verbas alocadas para o 19\u00b0 Festival Internacional de Dan\u00e7a do Recife veio atrav\u00e9s de negocia\u00e7\u00e3o direta com a Ger\u00eancia. <\/p>\n<p><strong>Como foi a negocia\u00e7\u00e3o com o Presidente da Funda\u00e7\u00e3o de Cultura para que o festival fosse realizado?<\/strong><br \/>\nQuando eu soube que s\u00f3 tinha R$ 200 mil em desembolso para realizar o festival \u2013 porque precisa ainda computar outros gastos, por exemplo, manter um Teatro como o Santa Isabel funcionando a semana inteira em fun\u00e7\u00e3o do festival, isso tem uma despesa muito grande, energia, funcion\u00e1rio, hora extra de funcion\u00e1rio. Mas, de desembolso mesmo, de or\u00e7amento para libera\u00e7\u00e3o de recursos, s\u00f3 tinha R$ 200 mil. Ent\u00e3o tinha duas op\u00e7\u00f5es: realiz\u00e1-lo fazendo a multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es, ou n\u00e3o realiz\u00e1-lo, porque o dinheiro, de fato, n\u00e3o atenderia \u00e0s necessidades. E eu, com a minha equipe, resolvemos arrega\u00e7ar as mangas e investir na realiza\u00e7\u00e3o dele. <\/p>\n<p><strong>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade art\u00edstica, n\u00e3o conseguimos acompanhar o festival, mas soubemos de espet\u00e1culos imperd\u00edveis; e, ao mesmo tempo, de espet\u00e1culos question\u00e1veis&#8230;<\/strong><br \/>\nRealmente, n\u00f3s tivemos umas oscila\u00e7\u00f5es, tivemos alguns espet\u00e1culos fracos mesmo. As pessoas at\u00e9 disseram: \u2018como uma comiss\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o deixa passar isso?\u2019. Mas, em compensa\u00e7\u00e3o, tivemos outros maravilhosos. Ficamos muito felizes. A exemplo do <em>Dois Mundos<\/em>, com a atriz e bailarina Mariana Muniz. Ela faz um espet\u00e1culo onde o corpo todo se expressa em libras; inclusive ela \u00e9 daqui, maravilhosa. O grupo da B\u00e9lgica, um espet\u00e1culo daquele nenhum produtor independente traz, um espet\u00e1culo que, para entrar em cena, voc\u00ea tem que adquirir tr\u00eas metros e meio de areia, um botij\u00e3o de g\u00e1s h\u00e9lio que custou R$ 930 s\u00f3 para encher o bal\u00e3o, comprar um monte de tralhas que n\u00e3o d\u00e1 para trazer da B\u00e9lgica, tem que comprar aqui, como p\u00e1 de constru\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<div id=\"attachment_12883\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/2Mundos.AndreaRegoBarros.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-12883\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/2Mundos.AndreaRegoBarros.jpg\" alt=\"2 Mundos, espet\u00e1culo de Mariana Muniz, foi destaque no Festival Internacional de Dan\u00e7a. Foto: Andr\u00e9a R\u00eago Barros\/PCR\" width=\"600\" height=\"335\" class=\"size-full wp-image-12883\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/2Mundos.AndreaRegoBarros.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/2Mundos.AndreaRegoBarros-300x167.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12883\" class=\"wp-caption-text\">2 Mundos, espet\u00e1culo de Mariana Muniz, foi destaque no Festival Internacional de Dan\u00e7a. Foto: Andr\u00e9a R\u00eago Barros\/PCR<\/p><\/div>\n<p><strong>Voltando \u00e0s decis\u00f5es da Prefeitura, o que foi divulgado \u00e9 que os Festivais de Dan\u00e7a e de Teatro ser\u00e3o bienais, realizados de forma alternada. Isso envolve o Festival de Dan\u00e7a, sob a sua batuta. Ele virou bienal \u00e0 sua revelia?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o diria \u00e0 minha revelia porque n\u00e3o tenho poder de decis\u00e3o. Tenho superiores. Tenho um cargo muito pequeno diante de quem tem as decis\u00f5es. Lamento n\u00e3o ter podido estar presente, para defender a manuten\u00e7\u00e3o dos festivais. Talvez eu tivesse argumentos suficientes para a gente rever. Para mim, seria muito mais coerente politicamente falando dentro de uma gest\u00e3o que tem esse elenco de pessoas envolvidas at\u00e9 a medula com a quest\u00e3o da cultura na cidade, como a secret\u00e1ria Leda Alves. Seria muito mais f\u00e1cil a gente sentar com a comunidade e dizer: \u201colha, este ano n\u00e3o d\u00e1 para fazer porque n\u00e3o tem dinheiro. A gente n\u00e3o quer colocar as pessoas para trabalhar e n\u00e3o saber se vai poder pagar. Isso n\u00e3o \u00e9 uma coisa respons\u00e1vel, n\u00e3o seria uma atitude respons\u00e1vel. Mas, a gente vai se comprometer com voc\u00eas que, no ano seguinte, a gente faz o festival, tentar at\u00e9 alocar mais recursos, trazer mais parceiros, para fazer o festival \u00e0 altura, como a cidade merece\u201d. Acho que as pessoas entenderiam que este ano era imposs\u00edvel fazer, porque foi um ano de Copa, um ano que teve muitos problemas de infraestrutura na cidade, por causa das chuvas, foi um ano at\u00edpico, com coisas que justificam a queda de arrecada\u00e7\u00e3o da Prefeitura. Agora, o que acho que a gente fica devendo, de fato, \u00e9 tomar uma medida dessas que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de ser aceita pela comunidade, sem ter tido esse di\u00e1logo, essa oportunidade. <\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea j\u00e1 conversou com o presidente depois disso? Voc\u00ea acha que essa \u00e9 uma decis\u00e3o revers\u00edvel? Voc\u00ea vai tentar fazer o Festival Internacional de Dan\u00e7a ano que vem?<\/strong><br \/>\nAinda n\u00e3o. Se for uma decis\u00e3o superior, n\u00e3o posso me opor, muito pelo contr\u00e1rio, tenho que acatar, porque n\u00e3o sou secret\u00e1rio de Cultura, presidente da Funda\u00e7\u00e3o ou prefeito do Recife. A possibilidade de voltar a ser anual, acho que tem muito mais a ver com a mobiliza\u00e7\u00e3o da comunidade art\u00edstica do que da nossa pr\u00f3pria interfer\u00eancia l\u00e1 dentro. N\u00e3o sei quais os argumentos que levaram a se ter essa decis\u00e3o, eu n\u00e3o ouvi, pode ser at\u00e9 que essa minha aus\u00eancia nessa reuni\u00e3o tamb\u00e9m tenha me deixado sem argumentos suficientes para defender essa posi\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o ouvi os discursos que levaram a essa decis\u00e3o, n\u00e3o sei quais foram. Sei que falta de dinheiro existe, mas gostaria mesmo que fosse revista essa posi\u00e7\u00e3o e que a gente tivesse no pr\u00f3ximo ano tanto o festival de dan\u00e7a quanto o de teatro. At\u00e9 mesmo porque ambos os festivais j\u00e1 t\u00eam inscri\u00e7\u00f5es em leis de incentivo para o ano de 2015. Ent\u00e3o vai ficar muito dif\u00edcil se um dos projetos que enviamos para uma dessas leis de incentivo for aprovado e a gente n\u00e3o realiz\u00e1-lo. Ainda tem uma situa\u00e7\u00e3o delicada, na medida em que se tornou p\u00fablico isso, porque se uma comiss\u00e3o que vai analisar os projetos de 2015 sabe que o nosso festival passou a ser bienal, \u00e9 \u00f3bvio que ela n\u00e3o vai votar no nosso. J\u00e1 existe um preju\u00edzo. Politicamente \u00e9 dif\u00edcil tramitar agora com projetos pr\u00e9vios para um festival que deixou de ser anual, quando a gente j\u00e1 tinha perspectiva de realiz\u00e1-lo ano que vem.<\/p>\n<p><strong>Na nota que anunciou o cancelamento do Festival Nacional, a Prefeitura aproveitou para anunciar o fomento \u00e0s artes c\u00eanicas. Os artistas sabem do seu empenho, desde o encontro que voc\u00ea teve com a classe no Forte das Cinco Pontas, no in\u00edcio do ano, para que o fomento fosse retomado. Mas como, neste momento, voc\u00ea vai defender esse fomento, com um valor que n\u00e3o \u00e9 o ideal e que pode ser visto como um \u2018cala a boca\u2019 para os artistas?<\/strong><br \/>\nEle j\u00e1 estava previsto. A gente precisa fazer um hist\u00f3rico disso tamb\u00e9m. No \u00faltimo ano que o fomento saiu foi de R$ 20 mil. Quando se descontava os percentuais de praxe, de um desembolso p\u00fablico, isso ficava um valor t\u00e3o irris\u00f3rio&#8230; Mas o poder p\u00fablico trabalha com or\u00e7amentos e a gente n\u00e3o pode pensar num or\u00e7amento ilus\u00f3rio, a gente tem que pensar um or\u00e7amento real, vi\u00e1vel, poss\u00edvel. Ent\u00e3o, obviamente, paulatinamente, esses valores v\u00e3o melhor atendendo \u00e0s necessidades. Sei que R$ 33 mil, dependendo do tipo de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 um aporte pequeno, mas \u00e9 alguma coisa. At\u00e9 mesmo porque o fomento n\u00e3o impede que um projeto contemplado capte recursos noutras fontes, como o Funcultura. Estamos dando uma pequena parte para incentivar. Fomento n\u00e3o \u00e9 um patroc\u00ednio, \u00e9 um aporte de apoio mesmo. <\/p>\n<p><strong>Ele n\u00e3o viabiliza. Ele fomenta&#8230;<\/strong><br \/>\nN\u00e3o produz, ele fomenta. Ele d\u00e1 o incentivo, n\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o. O Funcultura sim, se voc\u00ea consegue aprovar 100% do seu projeto, \u00e9 um patroc\u00ednio. Agora como foi dito e discutido nesse encontro em fevereiro do ano passado, a gente tinha uma verba de R$ 300 mil. Como dividir? At\u00e9 porque, ele tinha sido pensado em valores diferentes, para teatro e dan\u00e7a era um e para circo era outro. E l\u00e1, nesse encontro, as pessoas de circo n\u00e3o foram favor\u00e1veis a esse desn\u00edvel de valores e conseguiram sensibilizar todos, de que n\u00e3o deveria ser assim. Agora a ideia \u00e9 que, paulatinamente, a gente v\u00e1 adequando esses valores, at\u00e9 mesmo porque a infla\u00e7\u00e3o existe, \u00e9 real, est\u00e1 voltando, ent\u00e3o a gente precisa fazer com que essas verbas n\u00e3o estacionem. Agora, nunca vai ser suficiente para a montagem. Vai ser sempre uma verba de apoio e nem \u00e9 um apoio t\u00e3o pequeno, para iniciar uma produ\u00e7\u00e3o, j\u00e1 cumpre um bom papel.<\/p>\n<p><strong>R$ 33 mil sem descontos?<\/strong><br \/>\nA gente est\u00e1 querendo que saia via Fundo, o que tem um implicador burocr\u00e1tico, porque o Fundo \u00e9 controlado pelo Conselho Municipal de Cultura. Ele tem uma liga\u00e7\u00e3o direta com o Conselho. De forma que, se pudermos liberar esses recursos atrav\u00e9s do Fundo Municipal de Cultura, ele sai como pr\u00eamio; caso contr\u00e1rio, o fomento \u00e9 dado com os descontos normais, de praxe. Mas estamos tentando que ele saia como pr\u00eamio do Fundo.<\/p>\n<p><strong>N\u00f3s sabemos que, desde sempre, a falta de espa\u00e7os ou a precariedade dos espa\u00e7os<\/strong><br \/>\nExiste j\u00e1 h\u00e1 algum tempo, isso n\u00e3o \u00e9 recente, n\u00e3o vem dessa gest\u00e3o atual, um departamento chamado Goe, Ger\u00eancia de Opera\u00e7\u00e3o de Espa\u00e7os, que n\u00e3o est\u00e1 ligada diretamente \u00e0s artes c\u00eanicas. Ent\u00e3o todos os teatros, museus, galerias, bibliotecas, os espa\u00e7os f\u00edsicos da \u00e1rea de cultura s\u00e3o gerenciados por esse departamento. Existe sempre algum di\u00e1logo entre a Divis\u00e3o de Artes C\u00eanicas e esse departamento. No caso do Barreto J\u00fanior, em especial, ele n\u00e3o est\u00e1 fechado. Est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias para uso. De forma que os produtores que o buscam sabem que o ar-condicionado de l\u00e1 n\u00e3o tem mais retorno. J\u00e1 foi feito agora o processo de levantamento de custos para a compra de um novo equipamento, porque ali \u00e9 em cima do mar e a maresia acabou com toda a estrutura da m\u00e1quina. Agora, no Festival, n\u00f3s usamos o teatro. Teve um custo enorme para colocar aqueles ar-condicionados port\u00e1teis, que s\u00e3o alugados para eventos. Colocamos seis aparelhos, quatro no audit\u00f3rio, um nos camarins e um no palco. Ficou um clima agrad\u00e1vel. Mas, por exemplo, uma produ\u00e7\u00e3o independente que v\u00e1 cumprir temporada n\u00e3o vai conseguir arcar com essa despesa para tirar de bilheteria.<\/p>\n<p><strong>Qual a previs\u00e3o?<\/strong><br \/>\nA partir do primeiro semestre de 2015. Essa foi uma not\u00edcia recente, que o pr\u00f3prio diretor do teatro, Marcelino Dias, me passou. Que o GOE j\u00e1 est\u00e1 fazendo esse processo de custos, para abrir processo de compra, os tr\u00e2mites burocr\u00e1ticos. Segundo Marcelino, vai ser adquirido no primeiro semestre de 2015.<\/p>\n<p><strong>Porque al\u00e9m dos festivais, a casa abre edital para ser ocupado, faz parte da pol\u00edtica de ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. Ent\u00e3o at\u00e9 o fim do primeiro semestre isso n\u00e3o vai acontecer?<\/strong><br \/>\nParece que \u00e9 para bem antes, pelo que Marcelino me passou. Esse processo de compra se encerraria ainda este ano; no Janeiro de Grandes Espet\u00e1culos provavelmente ele n\u00e3o vai estar instalado, mas a ideia \u00e9 que logo ap\u00f3s carnaval, o teatro j\u00e1 esteja com o equipamento. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O nome dele est\u00e1 vinculado a a\u00e7\u00f5es significativas no teatro pernambucano. 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