{"id":12583,"date":"2014-08-05T20:02:41","date_gmt":"2014-08-05T23:02:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=12583"},"modified":"2015-10-28T00:37:58","modified_gmt":"2015-10-28T03:37:58","slug":"amebas-caracois-e-outros-corpos-em-transito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/amebas-caracois-e-outros-corpos-em-transito\/","title":{"rendered":"Amebas, carac\u00f3is e outros corpos em tr\u00e2nsito"},"content":{"rendered":"<p>Por Daniele Avila Small &#8211; Revista Quest\u00e3o de Cr\u00edtica<br \/>\n(www.questaodecritica.com.br)<\/p>\n<div id=\"attachment_12585\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/image15-e1407265895476.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-12585\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-12585\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/image15-e1407265895476.jpg\" alt=\"Interc\u00e2mbio de grupos\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12585\" class=\"wp-caption-text\">Interc\u00e2mbio de grupos<\/p><\/div>\n<p>No dia 3 de agosto, no Centro Cultural S\u00e3o Paulo, aconteceu o primeiro encontro de interc\u00e2mbio entre companhias da IX Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo. A conversa foi breve, tendo em vista o potencial de assuntos e curiosidades, bem como o n\u00famero de participantes. Como o encontro aconteceu bem no come\u00e7o da Mostra, apenas um ou outro grupo tinha apresentado seu trabalho. Assim, a t\u00f4nica da conversa foi mais a de apresenta\u00e7\u00e3o e apontamento de quest\u00f5es da forma\u00e7\u00e3o de cada grupo do que a de uma troca art\u00edstica sobre quest\u00f5es est\u00e9ticas ou de pensamento sobre teatro. Participaram os integrantes dos seguintes grupos: Cia Experimentus Teatrais, de Itaja\u00ed, SC; GRRR (Grupo Risos, Raiva e Resist\u00eancia) da Fran\u00e7a e da Argentina; Contralviento Teatro, do Equador; e Redimunho, da cidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Uma das quest\u00f5es que logo se fez presente &#8211; e que me chamou a aten\u00e7\u00e3o porque tem me interessado particularmente &#8211; \u00e9 o que constitui um grupo na pr\u00e1tica. Foi o coment\u00e1rio de Susana Lastreto, do grupo GRRR, que suscitou a quest\u00e3o: ela disse (n\u00e3o me lembro das palavras exatas) que o GRRR \u00e9 um grupo mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9, pela natureza informal da sua constitui\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o me vem \u00e0 mente que esta na verdade deve ser a condi\u00e7\u00e3o da grande maioria dos grupos de teatro que n\u00e3o t\u00eam uma subven\u00e7\u00e3o do estado ou patroc\u00ednio constante. Cada grupo tem a sua din\u00e2mica de constitui\u00e7\u00e3o, sua pol\u00edtica interna e seu entendimento espec\u00edfico do que \u00e9 ser um grupo. Aquela ideia de um \u00fanico diretor com um grupo fixo e imut\u00e1vel de atores j\u00e1 me parece um pouco distante, quase velha &#8211; n\u00e3o apenas economicamente invi\u00e1vel, mas engessada do ponto de vista das possibilidades de tr\u00e2nsito entre compet\u00eancias t\u00e9cnicas.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, por exemplo, em que &#8211; fora rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es &#8211; os agrupamentos s\u00f3 conseguem patroc\u00ednio para montagens de novos espet\u00e1culos e, mais recentemente e em muito menor medida, para uma breve circula\u00e7\u00e3o, a continuidade do trabalho \u00e9 pautada por estas ocasi\u00f5es em que \u00e9 preciso muito jogo de cintura para conciliar agendas. Nos intervalos entre espet\u00e1culos patrocinados, a continuidade fica dissolvida, atravessada pelas demandas financeiras e por trabalhos pontuais em outros contextos. Nas outras capitais do Brasil, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 diferente. \u00c9 muito comum que o sustento dos integrantes venha de outras fontes que n\u00e3o o grupo. Com isso, quero dizer que n\u00e3o existe de fato um jeito certo de ser grupo, que ser grupo \u00e9 justamente essa tentativa, sempre meio amea\u00e7ada, de costurar uma continuidade na marra, com seus buracos, perdas e desvios.<\/p>\n<div id=\"attachment_12587\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/image16-e1407266755534.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-12587\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-12587\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/image16-e1407266755534.jpg\" alt=\"Patr\u00edcio Vallejos, do Contalviento Teatro, em primeiro plano. Foto: Fernanda Pessoa\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12587\" class=\"wp-caption-text\">Patr\u00edcio Vallejos, do Contalviento Teatro, em primeiro plano. Foto: Fernanda Pessoa<\/p><\/div>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o de Patr\u00edcio Vallejos, do Contalviento Teatro, ofereceu uma imagem que me parece bastante precisa: a ameba. Um grupo \u00e9 uma ameba na medida em que tem um n\u00facleo muito forte e uma forma male\u00e1vel. A ameba, uma forma de vida pr\u00e9-hist\u00f3rica, \u00e9 capaz de se desenvolver em ambientes diversos. Ela se alimenta por um processo de fagocitose &#8211; uma imagem coerente com a nossa maneira de se apropriar de materiais para a cria\u00e7\u00e3o e com a forma como um grupo \u00e0s vezes &#8220;captura&#8221; um colaborador. Numa breve pesquisa no Google, descubro que a ameba tem um recurso muito parecido com o nosso: em ambientes in\u00f3spitos, ela se transforma num cisto e assim sobrevive at\u00e9 poder ser ameba novamente.<\/p>\n<p>Outra associa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel seria com a condi\u00e7\u00e3o do caracol, que carrega a casa nas costas, como os artistas que n\u00e3o conseguem ter sede pr\u00f3pria &#8211; outro assunto levantado no debate e que, como apontado por Marcelo Bones, curador da Mostra, \u00e9 um problema em evid\u00eancia &#8211; ou que est\u00e3o sempre migrando ou tentando migrar, para apresentar seus trabalhos pelo mundo (um desejo quase un\u00e2nime).<\/p>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o de estrangeiro e migrante tamb\u00e9m foi levantada e comentada. E pode ser pensada n\u00e3o apenas no seu sentido literal. A identidade, tema em quest\u00e3o na Mostra e que foi amplamente discutido no debate que se seguiu ao encontro, com ainda outros integrantes de outros grupos, foi colocada como uma identidade tensa: uma tens\u00e3o a ser habitada.<\/p>\n<p><strong>* Esse texto faz parte da a\u00e7\u00e3o do DocumentaCena \u2013 Plataforma de Cr\u00edtica formada por Daniele Avila Small (Quest\u00e3o de Cr\u00edtica \u2013 Revista Eletr\u00f4nica de Cr\u00edticas e Estudos Teatrais), Ivana Moura (Satisfeita, Yolanda?), Luciana Eastwood Romagnolli (Horizonte da Cena), Maria Eug\u00eania de Menezes (Teatrojornal \u2013 Leituras de Cena), Pollyanna Diniz (Satisfeita, Yolanda?), Soaraya Belusi (Horizonte da Cena) e Valmir Santos (Teatrojornal \u2013 Leituras de Cena), que acompanha a IX Mostra Latino-americana de Teatro de Grupo<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Daniele Avila Small &#8211; Revista Quest\u00e3o de Cr\u00edtica (www.questaodecritica.com.br) No dia 3 de agosto, no Centro Cultural S\u00e3o Paulo, aconteceu o primeiro encontro de interc\u00e2mbio entre companhias da IX Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo. 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