{"id":12251,"date":"2014-05-31T12:29:58","date_gmt":"2014-05-31T15:29:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=12251"},"modified":"2015-10-28T02:55:21","modified_gmt":"2015-10-28T05:55:21","slug":"a-curadora-do-palco-giratorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/a-curadora-do-palco-giratorio\/","title":{"rendered":"A curadora do Palco Girat\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2014\/05\/06\/palco-giratorio-mais-enxuto-no-recife\/palcogiratorioyolandaslogo1-2\/\" rel=\"attachment wp-att-12182\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-12182 alignleft\" alt=\"Palco Girat\u00f3rio\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/PalcoGiratorioYolandaslogo1.jpg\" width=\"200\" height=\"172\" \/><\/a><\/p>\n<p>Um circuito de artes c\u00eanicas que engloba 126 cidades nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal. Os n\u00fameros de dimens\u00f5es continentais s\u00e3o do Palco Girat\u00f3rio, programa idealizado e bancado pelo SESC, que se revela n\u00e3o s\u00f3 um quebra-cabe\u00e7as log\u00edstico, mas tamb\u00e9m um recorte significativo do que se produz em artes c\u00eanicas no Brasil. Este ano, 20 grupos, companhias e coletivos de todo o pa\u00eds est\u00e3o no projeto. H\u00e1 espet\u00e1culos do Acre, do Piau\u00ed, da Bahia, do Rio Grande do Sul. Al\u00e9m da circula\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m s\u00e3o promovidos debates ao final dos espet\u00e1culos, oficinas e rodas de conversa intituladas Pensamento Girat\u00f3rio. No Recife, h\u00e1 o festival Palco Girat\u00f3rio, que acontece durante todo o m\u00eas de maio, a Aldeia Velho Chico &#8211; mostra de cultura em Petrolina -, e ainda a circula\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios espet\u00e1culos por unidades do Sesc no interior. &#8220;Nenhum grupo passa inc\u00f3lume no Palco Girat\u00f3rio&#8221;, acredita Galiana Brasil, a representante pernambucana na rede de 32 curadores que idealizam essa programa\u00e7\u00e3o do Palco anualmente. Conversamos com a atriz, professora e gestora cultural sobre como se d\u00e1 esse processo de escolha, a participa\u00e7\u00e3o dos artistas pernambucanos no projeto e a for\u00e7a do programa como pol\u00edtica cultural.<\/p>\n<div id=\"attachment_12333\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/GalianaBrasil.FotoRenataPires1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-12333\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/GalianaBrasil.FotoRenataPires1.jpg\" alt=\"Galiana Brasil. Foto: Renata Pires\" width=\"600\" height=\"397\" class=\"size-full wp-image-12333\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/GalianaBrasil.FotoRenataPires1.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/GalianaBrasil.FotoRenataPires1-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12333\" class=\"wp-caption-text\">Galiana Brasil. Foto: Renata Pires<\/p><\/div>\n<p><strong>Entrevista \/\/ Galiana Brasil<\/strong><\/p>\n<p><strong>Como foi o processo de escolha dos espet\u00e1culos para a circula\u00e7\u00e3o nacional este ano? Podemos dizer que alguma linguagem se destacou?<\/strong><br \/>\nO processo \u00e9, via de regra, marcado pelo atrito, pelo debate caloroso. \u00c9 sempre assim, por conta da escolha do SESC em apostar no seu corpo t\u00e9cnico. Vez por outra surge algu\u00e9m (desavisado) que prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de um edital. De fato, seria menos complexo, mas a maioria dos t\u00e9cnicos do SESC \u2013 principalmente aqueles que tiveram a chance de ver esse processo nascer-, criou gosto pela coisa. \u00c9 outra pol\u00edtica, outra pr\u00e1tica discursiva. Todo artista que se submete aos processos seletivos, via editais, conhece o gosto amargo da burocracia, ver um projeto ser exclu\u00eddo por conta da aus\u00eancia de uma, entre dezenas de assinaturas, uma certid\u00e3o negativa vencida. Acho muito importante numa \u00e9poca assim existir alguma forma diferente de praticar pol\u00edtica cultural. Ademais, \u00e9 um paradoxo t\u00e3o significativo uma institui\u00e7\u00e3o extremamente burocr\u00e1tica, como o SESC, investir num corpo curatorial de t\u00e9cnicos. D\u00e1 muito mais trabalho para quem seleciona, acredite, mas, para quem n\u00e3o est\u00e1 ali de forma burocr\u00e1tica, ap\u00e1tica, \u00e9 um exerc\u00edcio pol\u00edtico sofisticado, um espa\u00e7o de aprendizado incr\u00edvel. Quanto aos \u201cdestaques\u201d, penso que mais que algum g\u00eanero, a grande for\u00e7a foi a da diversidade geogr\u00e1fica, a resposta \u00e0 l\u00f3gica perversa da hegemonia das regi\u00f5es Sul\/Sudeste. Este ano tivemos grupos oriundos de diferentes estados do Nordeste \u2013 Pernambuco, Para\u00edba, Cear\u00e1, Bahia, Piau\u00ed; da regi\u00e3o Norte h\u00e1 grupos do Acre, Tocantins; h\u00e1 o Centro-Oeste com o Mato Grosso e o Mato Grosso do Sul. Para quem \u00e9 dado \u00e0 pesquisa hist\u00f3rica, sugiro uma visada no cat\u00e1logo do Palco Girat\u00f3rio, na sess\u00e3o \u201cgrupos e espet\u00e1culos que passaram pelo Palco\u201d &#8211; ali consta o registro ano a ano. A virada do projeto se deu com a cria\u00e7\u00e3o dessa curadoria nacional, a partir da gest\u00e3o compartilhada do projeto, em todas as suas fases. Como num grito de guerra, bradamos, em 2006, em meio \u00e0 euforia do recorte emblem\u00e1tico que se deu na sele\u00e7\u00e3o dos grupos daquele ano, o bord\u00e3o \u201cmudamos o sotaque do Palco Girat\u00f3rio\u201d, e isso se deu, porque assumimos que o Brasil n\u00e3o tem sotaque oficial \u2013 muito menos o teatro! Ele \u00e9 m\u00faltiplo, misturado e diverso. E gostamos disso.<\/p>\n<p><strong>Conhecer as indica\u00e7\u00f5es feitas por cada curador e discutir essas propostas deve ser, talvez, um dos momentos mais interessantes do Palco. Ser\u00e1 que voc\u00ea poderia lembrar grupos que conheceu, ou teve mais informa\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s dessas discuss\u00f5es, e que te marcaram, te surpreenderam, ou continuam fazendo coisas interessantes at\u00e9 hoje?<\/strong><br \/>\nAs indica\u00e7\u00f5es acontecem em um processo que antecede o encontro presencial que chamamos de &#8220;An\u00e1lise Pr\u00e9via&#8221;. \u00c9 quando cada representante dos estados indica at\u00e9 cinco grupos\/espet\u00e1culos, que podem ser de qualquer lugar do Brasil \u2013 ou seja, o curador n\u00e3o est\u00e1 limitado a indicar espet\u00e1culos apenas de seu estado, contanto que ele tenha visto o trabalho presencialmente, pois essa \u00e9 condi\u00e7\u00e3o primeira para uma indica\u00e7\u00e3o. At\u00e9 o ano passado, esses espet\u00e1culos eram distribu\u00eddos para todos os curadores em v\u00eddeos, e suas informa\u00e7\u00f5es em cds (tamb\u00e9m projetos, folders e clippings impressos) que deveriam ser previamente analisadas antes do encontro nacional. A partir deste ano, inauguramos uma ferramenta virtual, e a an\u00e1lise pr\u00e9via se dar\u00e1 a partir desse canal. Quando nos reunimos para o encontro de curadoria \u2013 que dura cerca de dez dias -, j\u00e1 assistimos quase tudo em v\u00eddeo, mas sabemos o quanto se perde assistindo teatro em v\u00eddeo, por isso que a \u201cdefesa\u201d de quem est\u00e1 indicando pesa muito, \u00e9 o que define a aposta coletiva. Da\u00ed o SESC investir na ida de grupos de curadores a diversos festivais ao longo do ano, para que mais gente possa assistir aos trabalhos que estar\u00e3o circulando nas indica\u00e7\u00f5es. Por isso tamb\u00e9m nosso investimento, aqui no SESC Pernambuco, em trazer curadores dessa rede para o Janeiro de Grandes Espet\u00e1culos \u2013 para que conhe\u00e7am a produ\u00e7\u00e3o pernambucana; da\u00ed tamb\u00e9m assistirmos, durante o encontro, a uma m\u00e9dia de 08 a 10 espet\u00e1culos presencialmente. S\u00f3 nesse processo, de an\u00e1lise pr\u00e9via, com m\u00e9dia de oitenta trabalhos de todos os cantos do pa\u00eds, temos acesso a uma cartografia de grupos luxuosa. Eu sempre soube da pot\u00eancia dos grupos em S\u00e3o Paulo, por exemplo, mas foi nessa curadoria que conheci a for\u00e7a do teatro catarinense. Ano passado fui chamada para participar da comiss\u00e3o de sele\u00e7\u00e3o de um pr\u00eamio estadual do governo de Santa Catarina e fiquei perplexa: simplesmente conhecia quase toda a produ\u00e7\u00e3o que estava concorrendo e \u00e9 conseq\u00fc\u00eancia, exclusivamente, da minha a\u00e7\u00e3o junto ao Palco Girat\u00f3rio. Porque o edital era estadual, ent\u00e3o, al\u00e9m dos grupos de Florian\u00f3polis, havia muitos grupos do interior e eu reconheci in\u00fameros trabalhos, grupos de Chapec\u00f3, Crici\u00fama, Jaragu\u00e1 do Sul.<\/p>\n<p><strong>Qual a for\u00e7a do Palco para a trajet\u00f3ria de um grupo? Quais exemplos poder\u00edamos dar?<\/strong><br \/>\nPenso que nenhum grupo passa inc\u00f3lume no Palco Girat\u00f3rio. Ou ele potencializar\u00e1 sua energia criadora \u2013 inferindo mudan\u00e7as, inspirando cria\u00e7\u00f5es, friccionando as rela\u00e7\u00f5es pessoais, ou ele revelar\u00e1 suas mais profundas fragilidades \u2013 inferindo mudan\u00e7as, friccionando as rela\u00e7\u00f5es pessoais&#8230; Porque o contato humano \u00e9 por demais intensificado. S\u00e3o contatos com diversos p\u00fablicos, de forma quase ininterrupta. O grupo se apresenta e j\u00e1 senta pra uma roda de bate-papo. No dia seguinte, provavelmente ter\u00e1 uma oficina, um pensamento girat\u00f3rio, ou seja, mais contato com outros p\u00fablicos, com os artistas locais, e depois o grupo entra numa esfera de conviv\u00eancia t\u00e3o intensa que, de alguma forma, gera algum estranhamento. A privacidade nesse circuito \u00e9 quase zero. Por conta dos custos do projeto, as hospedagens precisam ser coletivas (duplos ou triplos), com algumas exce\u00e7\u00f5es devido \u00e0 condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica, ou limita\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, obviamente. Vi um grupo cuiabano rec\u00e9m criado, cheio de som e f\u00faria, chegar de forma estrondosa, com um trabalho lindo apresentado na mostra Cariri e, no ano seguinte, ganhar o Brasil pelo Palco Girat\u00f3rio. N\u00e3o resistiu e acabou junto com a circula\u00e7\u00e3o. Sempre digo isso aos grupos selecionados, porque tem gente que fantasia. \u00c9 muita transpira\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 glamour. O Sesc n\u00e3o \u00e9 a CVC e o Palco n\u00e3o \u00e9 a Rede Globo, n\u00e3o \u00e9 uma viagem de f\u00e9rias e muito menos um circuito de estrelas. De vez em quando, entram uns coletivos meio \u201cdesavisados\u201d, \u00e0s vezes \u00e9 um diretor, um t\u00e9cnico. Lembro que, h\u00e1 alguns anos, no Festival Palco Girat\u00f3rio de Fortaleza, uma core\u00f3grafa queria cobrar cach\u00ea quando soube que o projeto previa um bate-papo ap\u00f3s cada apresenta\u00e7\u00e3o. Antigamente, eu ficava pra morrer, hoje acho at\u00e9 engra\u00e7ado! Porque, no primeiro \u201cchoque de realidade\u201d \u2013 e ele vai se dar, afinal, estamos no Brasil -, ou a pessoa se transforma, ou \u201cpede pra sair\u201d. Tempos atr\u00e1s, um artista questionou a acomoda\u00e7\u00e3o de um hotel, argumentando que n\u00e3o estava \u00e0 altura de um \u201cdoutor da USP\u201d. A gente ainda escuta coisas desse tipo. E olha que \u00e9 mais que sabido o perfil de grupo que interessa a esse projeto. Mas, afinal, trabalhamos com o humano, e tamb\u00e9m nos equivocamos, temos, em todas as esferas, muito o que aprender. Lembrei de um grupo que se desfez depois da circula\u00e7\u00e3o, gostaria de ressaltar aqui outros que, durante a circula\u00e7\u00e3o, tiveram inspira\u00e7\u00e3o para novos trabalhos, entraram em gesta\u00e7\u00e3o durante o projeto \u2013 como o Pedras, do Rio de Janeiro, que teve inspira\u00e7\u00e3o para o <em>Mangiare<\/em>, a partir da diversidade de sabores que experimentaram enquanto cruzavam o Brasil; e a cia. Munguz\u00e1, que circulou ano passado com o <em>Luis Antonio Gabriela<\/em> e tamb\u00e9m ficou bastante contaminada para nova cria&#8230; vamos aguardar o que vem por a\u00ed.<\/p>\n<div id=\"attachment_12340\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/viuva.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-12340\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/viuva.jpg\" alt=\"Muitos curadores j\u00e1 conheciam o trabalho Vi\u00fava, por\u00e9m honesta, do Magiluth. Foto: Renata Pires\" width=\"600\" height=\"397\" class=\"size-full wp-image-12340\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/viuva.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/viuva-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12340\" class=\"wp-caption-text\">Muitos curadores j\u00e1 conheciam o trabalho Vi\u00fava, por\u00e9m honesta, do Magiluth. Foto: Renata Pires<\/p><\/div>\n<p><strong>Quais os argumentos utilizados para a defesa do Magiluth e do Peleja, grupos que representam Pernambuco na circula\u00e7\u00e3o nacional este ano? Como foi a recep\u00e7\u00e3o dos outros curadores?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o dois grupos completamente diferentes do ponto de vista funcional e de suas linguagens po\u00e9ticas. Fato que somou muito para o retrato final dos grupos dessa sele\u00e7\u00e3o 2014 e que revelou uma diversidade de trabalho de grupo bastante significativa da produ\u00e7\u00e3o pernambucana. O Magiluth vinha de um ano de bastante exposi\u00e7\u00e3o, o que ajudou muito, pois muitos curadores tinham assistido a mais de um trabalho deles, tanto na semana de curadores do Janeiro de Grandes Espet\u00e1culos 2013, como numa curta temporada que fizeram no Rio de Janeiro. A leitura deles do <em>Vi\u00fava, por\u00e9m honesta<\/em> foi o grande trunfo, a abordagem libertadora, a coragem de assumir os \u201cerros\u201d, os desvios. A confus\u00e3o ordenada na po\u00e9tica do caos despertou, nas pessoas, uma possibilidade de ver Nelson trabalhado de uma forma diferente, o que gerou a vontade de ver esse grupo desafiado em outras pra\u00e7as, medir seu f\u00f4lego em uma circula\u00e7\u00e3o de grandes contrastes como \u00e9 o Palco Girat\u00f3rio. Uma aposta na irrever\u00eancia planejada. O grupo Peleja tem todo o \u201cperfil\u201d para o projeto \u2013 o que nem sempre quer dizer muita coisa, visto que a quantidade de grupos com qualidade de trabalho \u00e9 sempre maior do que o projeto pode abarcar-, porque tem um trabalho de pesquisa de linguagem obsessivo, persistente, n\u00e3o \u201catira para todos os lados\u201d, n\u00e3o trabalha por edital, como tantos coletivos da atualidade. Venho acompanhando o trabalho deles h\u00e1 um certo tempo, as possibilidades de a\u00e7\u00e3o formativa s\u00e3o extremamente relevantes, necess\u00e1rias ao projeto. Cada artista tem sua pesquisa individual e isso \u00e9 posto \u00e0 prova. J\u00e1 vi o grupo em apresenta\u00e7\u00f5es, j\u00e1 vi seus artistas em mesas de discuss\u00e3o, ministrando oficinas e a forma com que encaram o of\u00edcio \u00e9 digna de nota. Penso que contribuir\u00e3o bastante tanto para o crescimento da cena como para o fortalecimento das rela\u00e7\u00f5es \u00e9ticas intr\u00ednsecas a um projeto dessa monta.<\/p>\n<div id=\"attachment_12342\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/peleja8.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-12342\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/peleja8.jpg\" alt=\"Gaiola de moscas, do grupo Peleja, est\u00e1 circulando pelo pa\u00eds. Foto: Pollyanna Diniz\" width=\"600\" height=\"450\" class=\"size-full wp-image-12342\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/peleja8.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/peleja8-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12342\" class=\"wp-caption-text\">Gaiola de moscas, do grupo Peleja, est\u00e1 circulando pelo pa\u00eds. Foto: Pollyanna Diniz<\/p><\/div>\n<p><strong>Como voc\u00ea seleciona essas indica\u00e7\u00f5es aqui em Pernambuco? Existe uma \u201cpress\u00e3o\u201d dos grupos? Como \u00e9 o relacionamento com eles? Voc\u00ea tenta assistir a tudo? Algum grupo j\u00e1 ficou \u201cna agulha\u201d ou na \u201crepescagem\u201d desde o ano passado? J\u00e1 tem uma ideia do que vai levar este ano para a roda de debates?<\/strong><br \/>\nSim, houve grupos que foram selecionados, mas ficaram no stand-by, no caso de alguma desist\u00eancia\/impossibilidade de algum dos grupos, assim como houve grupos que entraram depois de mais de um ano de defesa. \u00c0s vezes, n\u00e3o \u00e9 o momento, tem que saber recuar, tem que saber se vale a pena repetir a indica\u00e7\u00e3o. Tem que entender quando n\u00e3o d\u00e1 mais. \u00c9 um jogo, h\u00e1 que se conceber estrat\u00e9gias. A sele\u00e7\u00e3o \u00e9 processual. Antes de tudo, entendo que todo grupo queira participar de um projeto como o Palco Girat\u00f3rio, mas n\u00e3o acredito em grupo que fa\u00e7a trabalho para o Palco Girat\u00f3rio. Enxergado por essa lente o projeto fica muito menor. \u00c9 ele quem est\u00e1 a servi\u00e7o do teatro, o teatro \u00e9 muito maior. \u00c0s vezes, vejo que o grupo tem potencial e fico observando, acompanhando a postura, a atua\u00e7\u00e3o, o repert\u00f3rio. Mas tem uma quest\u00e3o delicada que se imp\u00f5e: n\u00e3o existe o of\u00edcio de curador no quadro de SESC, de nenhum SESC do Brasil. Com exce\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, que envia os t\u00e9cnicos (principalmente para fora do pa\u00eds) para festivais e mostras o ano inteiro \u2013 independentemente do Palco Girat\u00f3rio, em que eles passaram a trabalhar um dia desses-, com o intuito de identificar, negociar e trazer grupos, todos nosotros somos estimulados a acompanhar a programa\u00e7\u00e3o c\u00eanica de nosso estado como \u201cmais uma atribui\u00e7\u00e3o\u201d do cargo &#8211; de t\u00e9cnico de cultura, de gerente de cultura, de assessor de teatro, ou de Professor de Teatro, como \u00e9 o meu caso hoje, no SESC \u2013 PE. N\u00e3o h\u00e1 uma gratifica\u00e7\u00e3o ou algum acr\u00e9scimo salarial. Porque, sabemos, o papel do curador, sua fun\u00e7\u00e3o na contemporaneidade, \u00e9 algo relativamente novo, que vem sendo bastante debatido e, dentro do SESC, \u00e9 um processo inaugural. Penso que temos crescido muito, conseguido um espa\u00e7o de discuss\u00e3o e de escuta privilegiado na institui\u00e7\u00e3o, temos alcan\u00e7ado ganhos importantes, como um suporte financeiro para compra de ingressos de espet\u00e1culos de teatro e dan\u00e7a, ou o acompanhamento a festivais nacionais de grande relev\u00e2ncia, ao menos uma vez por ano. Mas ainda n\u00e3o \u00e9 o suficiente para estar na obriga\u00e7\u00e3o de acompanhar toda a programa\u00e7\u00e3o do estado. Temos uma gama de servi\u00e7os e a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e burocr\u00e1ticas ligadas a diversas outras a\u00e7\u00f5es de que precisamos dar conta. Toda a an\u00e1lise pr\u00e9via dos espet\u00e1culos do palco, eu fa\u00e7o na minha casa, durante as noites, nos fins de semana, e essa super hora extra n\u00e3o \u00e9 computada, n\u00e3o faz parte de minha carga de trabalho no SESC, que comporta 40 horas semanais, das 8h da manh\u00e3 \u00e0s 17h, de segunda a sexta-feira. Quem est\u00e1 em temporada nesse hor\u00e1rio?<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea avalia a for\u00e7a do Palco pelo pa\u00eds? Pergunto isso porque aqui em Pernambuco, sabemos o qu\u00e3o importante \u00e9 o projeto. Mas quando converso, por exemplo, com amigos de Belo Horizonte ou Curitiba, \u00e9 como se o Palco n\u00e3o fosse t\u00e3o significativo. Voc\u00ea acha que isso tem a ver com a rela\u00e7\u00e3o dos festivais espec\u00edficos de cada cidade?<\/strong><br \/>\nAcho que quase nada no Brasil se efetiva de forma homog\u00eanea. Ainda bem, n\u00e3o? O projeto tem papel, for\u00e7a e impacto completamente diverso em cada pra\u00e7a. Existe h\u00e1 17 anos, e, no in\u00edcio, era composto por cinco ou seis estados que, junto ao Departamento Nacional, aderiram ao projeto. Literalmente \u201ccompraram\u201d a ideia, pois aderir significa repartir os custos. Pernambuco est\u00e1 nisso desde o primeiro ano. Todas essas cidades que voc\u00ea mencionou, pertencem a estados que entraram anos depois (h\u00e1 menos de 4 anos). Os Departamentos Regionais do SESC, em todo o Brasil, trabalham com o princ\u00edpio de autonomia de gest\u00e3o. E quanto mais constru\u00e7\u00e3o e menos imposi\u00e7\u00e3o, tanto melhor. Ressalte-se o poder de sedu\u00e7\u00e3o do projeto que hoje, no ano de 2014, arrebanhou todos os estados para, juntos, trabalharem na composi\u00e7\u00e3o desse caleidosc\u00f3pio transgressor.<\/p>\n<p><strong>O que norteou a escolha dos espet\u00e1culos convidados para o festival deste ano?<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m da sele\u00e7\u00e3o de representantes da curadoria nacional que assistiram \u00e0 semana de curadores no Janeiro de Grandes Espet\u00e1culos, houve um recorte curatorial defendido por t\u00e9cnicos do Sesc de Casa Amarela, Santa Rita, Piedade e Santo Amaro \u2013 a partir de trabalhos que participaram de mostras e projetos do Sesc-PE-, al\u00e9m de grupos que sab\u00edamos estar em processo conclusivo e convidamos para estrear o espet\u00e1culo no festival.<\/p>\n<div id=\"attachment_12344\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/cordelina.polly_.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-12344\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/cordelina.polly_.jpg\" alt=\"Od\u00edlia Nunes, que ano passado participou da circula\u00e7\u00e3o do Palco com a Duas Companhias, estreou Cordelina. Foto: Pollyanna Diniz\" width=\"600\" height=\"386\" class=\"size-full wp-image-12344\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/cordelina.polly_.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/cordelina.polly_-300x193.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12344\" class=\"wp-caption-text\">Od\u00edlia Nunes, que ano passado participou da circula\u00e7\u00e3o do Palco com a Duas Companhias, estreou Cordelina. Foto: Pollyanna Diniz<\/p><\/div>\n<p><strong>Sentimos que a programa\u00e7\u00e3o este ano est\u00e1 menor em n\u00famero. Apesar de a qualidade do festival n\u00e3o ser medida absolutamente por n\u00fameros, o que aconteceu de fato? Tivemos menos dinheiro? Porque a\u00e7\u00f5es como a Cena Bacante e a Gastr\u00f4 n\u00e3o v\u00e3o acontecer?<\/strong><br \/>\nO Palco Girat\u00f3rio \u00e9 um projeto (um dentre centenas) financiado integralmente pelo SESC, gerido pela institui\u00e7\u00e3o at\u00e9 quando ela entender que ele \u00e9 importante, necess\u00e1rio. Minha opini\u00e3o quanto a isso importa bem pouco, eu procuro sempre seguir as diretrizes da institui\u00e7\u00e3o, e estou subordinada a ger\u00eancias e dire\u00e7\u00f5es, em \u00e2mbito regional (jarg\u00e3o do SESC para nos referirmos \u00e0 administra\u00e7\u00e3o nos estados) e nacional. A\u00e7\u00f5es como as que voc\u00ea citou foram cria\u00e7\u00f5es exclusivamente nossas. A Cena Bacante foi inspirada no \u201cHor\u00e1rio Maldito\u201d, que acontecia a partir da meia-noite, na mostra Cariri (CE). J\u00e1 a Gastr\u00f4, uma tentativa minha de criar novos p\u00fablicos para o festival, de explorar as possibilidades po\u00e9ticas e seu di\u00e1logo com os sentidos, al\u00e9m de aproximar os criadores da gastronomia \u2013 arte que pessoalmente admiro bastante-, dos criadores da cena. O percurso de sair do teatro para comer \u2013 geralmente em grupo-, \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o habitual que pode ser encarada como ritual\u00edstica. Afinal, e se os pratos, o vinho, o doce, tamb\u00e9m tivessem rela\u00e7\u00e3o com a cena? Eu sonhei em ver isso potencializado. Ent\u00e3o, essas a\u00e7\u00f5es (assim como o Jornal Ponte Girat\u00f3ria, a Cena Fot\u00f4), foram cria\u00e7\u00f5es nossas, e t\u00eam um custo significativo que n\u00e3o faz parte da esfera c\u00eanica, habitual do projeto.<\/p>\n<p><strong>De que forma voc\u00ea pensa o Palco nos pr\u00f3ximos anos?<\/strong><br \/>\nEu espero que ele continue, porque ainda se faz muito necess\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um circuito de artes c\u00eanicas que engloba 126 cidades nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal. Os n\u00fameros de dimens\u00f5es continentais s\u00e3o do Palco Girat\u00f3rio, programa idealizado e bancado pelo SESC, que se revela n\u00e3o s\u00f3 um quebra-cabe\u00e7as log\u00edstico, mas tamb\u00e9m um recorte significativo do que se produz em artes c\u00eanicas no Brasil. 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