{"id":12054,"date":"2014-03-21T16:45:55","date_gmt":"2014-03-21T19:45:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=12054"},"modified":"2015-10-28T02:55:24","modified_gmt":"2015-10-28T05:55:24","slug":"um-palhaco-magrelo-timido-e-mandao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/um-palhaco-magrelo-timido-e-mandao\/","title":{"rendered":"Um palha\u00e7o magrelo, t\u00edmido e mand\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Ano passado, por conta da<strong> Mostra Aldeia Yapoatan<\/strong>, fizemos uma s\u00e9rie de entrevistas sobre palha\u00e7os com alguns artistas da cidade. Como a Mostra Marco Camarotti de Teatro para a Inf\u00e2ncia e Juventude, que come\u00e7ou nesta quinta-feira (20), resolveu homenagear a linguagem do clown e os palha\u00e7os atuantes em Pernambuco, resgatamos aqui essas conversas. <\/p>\n<p>A primeira foi com Anderson Machado, o palha\u00e7o Cavaco. Al\u00e9m de ser Doutor da Alegria, Anderson tamb\u00e9m tem a companhia Caravana Tapioca, ao lado da esposa Giulia Cooper, a palha\u00e7a Nina. Ontem, Cavaco comandou a Tarde e a Noite dos Palha\u00e7os, show de variedades que reuniu n\u00fameros de v\u00e1rios palha\u00e7os na abertura da Mostra Marco Camarotti.<\/p>\n<div id=\"attachment_12058\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2014\/03\/21\/um-palhaco-magrelo-timido-e-mandao\/andersonmachado-cavaco2\/\" rel=\"attachment wp-att-12058\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-12058\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/AndersonMachado.Cavaco2.jpg\" alt=\"O palha\u00e7o Cavaco\" width=\"600\" height=\"400\" class=\"size-full wp-image-12058\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/AndersonMachado.Cavaco2.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/AndersonMachado.Cavaco2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12058\" class=\"wp-caption-text\">O palha\u00e7o Cavaco<\/p><\/div>\n<p><strong>ENTREVISTA \/\/ ANDERSON MACHADO, o palha\u00e7o CAVACO<\/strong><\/p>\n<p><strong>Todo mundo pode ser clown? Como descobrir o seu pr\u00f3prio clown?<\/strong><br \/>\nCreio que sim. Todos podem ser clowns, palha\u00e7os, exc\u00eantricos, h\u00f3txuas (ind\u00edgena), bobos da corte e outros tantos substantivos criados pela humanidade no decorrer dos anos para dar nome a esse arqu\u00e9tipo do riso. Mas, para alguns, esse processo de descoberta pode ser muito mais doloroso do que para outros. H\u00e1 de se ter coragem para retirar v\u00e9us impostos pela mente coletiva, enfrentar regras que nos espremem em padr\u00f5es de beleza e um sistema que nos cobra estarmos sempre \u201ccertos\u201d enquanto, na verdade, \u201cerrar \u00e9 humano\u201d. \u00c9 por isso e por tantas outras coisas que essa figura do palha\u00e7o \u00e9 t\u00e3o milenar: para mostrar as fragilidades do mundo. A plateia ri aliviada quando se reconhece. O palha\u00e7o, al\u00e9m de brincante, \u00e9 o perdedor, \u00e0s vezes pela inoc\u00eancia, \u00e0s vezes pela imprud\u00eancia. Ele \u00e9 a sombra do homem, o exclu\u00eddo da sociedade, a exemplo do grande Carlitos de Chaplin. \u00c9 um caminho longo de aprendizado, nunca acaba. O palha\u00e7o \u00e9 como o vinho, quanto mais velho melhor. \u00c9 preciso se conhecer muito bem, assumir seus defeitos mais sombrios a ponto de poder rir de voc\u00ea mesmo, poder voltar a ser crian\u00e7a, alcan\u00e7ar estados de pureza, para a\u00ed, ent\u00e3o, depois de estar convencido do que est\u00e1 fazendo, poder convencer a plateia que te v\u00ea. E, ainda assim, entrar no palco ou picadeiro sabendo que sempre h\u00e1 o risco de que n\u00e3o se emocionem e nem riam com voc\u00ea. E, mesmo depois do fracasso, ter coragem de tentar novamente, fracassar, refletir e tentar, fracassar, fracassar, triunfar, fracassar e triunfar, at\u00e9 que os dias de triunfo come\u00e7am a ser mais frequentes. A vida muda naturalmente, ou melhor, voc\u00ea muda o jeito de olhar a vida, problemas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o problemas, s\u00e3o possibilidades. N\u00e3o tenho mais vergonha do meu sorriso largo, das pernas finas entre tantos outros benef\u00edcios que esse caminho me proporcionou. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. \u00c9 preciso dedica\u00e7\u00e3o e saber dar tempo ao tempo. Sorte a nossa \u00e9 que existem grandes mestres do riso que nos servem de guias quando ministram uma oficina aqui, outra l\u00e1, nos motivam a arriscar, da\u00ed conhecemos outros de n\u00f3s e assim vamos entrando no fluxo. <\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as caracter\u00edsticas do seu clown e como elas se mostram dentro da dramaturgia dos espet\u00e1culos?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o muitas caracter\u00edsticas. Acredito que o clown de cada um traz consigo tudo o que a pessoa \u00e9, ou seja, todos n\u00f3s temos nosso lado s\u00e1bio e o lado tolo, o lado infantil e o maduro, o triste e o feliz, enfim, depende da situa\u00e7\u00e3o na qual nos encontramos na vida ou na cena. Com isso, o palha\u00e7o tamb\u00e9m vai reagindo de diversas formas conforme a dramaturgia de um roteiro ou conforme os jogos de improvisos que utilizamos em treinamentos e na cria\u00e7\u00e3o dos espet\u00e1culos. Assim, come\u00e7amos a testar rea\u00e7\u00f5es, dilatar sentimentos e vamos guardando tudo que pode ser interessante. Comecei descobrindo um bobo, t\u00edmido, sorridente, que se acha lindo dan\u00e7ando, que faz malabarismo com a l\u00edngua pra fora, sempre bem musical, tocando meu cavaquinho (que me deu o nome de palha\u00e7o Cavaco) e outros instrumentos experimentais. Era assim que eu brincava. Anos mais tarde tive que trabalhar com outro palha\u00e7o que, de t\u00e3o mais bobo que eu, impulsionou-me  a pesquisar meu rid\u00edculo sendo o mand\u00e3o, o branco, o chefe e acabei descobrindo muitas coisas legais. Hoje em dia tento me colocar em situa\u00e7\u00f5es diferentes em cada espet\u00e1culo. Num trabalho, brinco de ser um bravo domador de circo que \u00e9 um pouco louco, conversando com uma pulga adestrada. Em outro, um vaqueiro frouxo que finge que ser um cangaceiro para conquistar uma mo\u00e7a. Tamb\u00e9m brinco de ser um professor de ingl\u00eas simp\u00e1tico, atrapalhado, noutro um palha\u00e7o mais triste, sempre brincando de ser algo diferente, mais ou menos como a crian\u00e7a que brinca de pol\u00edcia e ladr\u00e3o, mam\u00e3e e filhinha. Mas todos t\u00eam a minha verdade, a minha ess\u00eancia. Creio que, quanto mais vivas forem as diversas emo\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es em cena, mais o clown cativa a plateia.<\/p>\n<p><strong>Como se d\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o entre atua\u00e7\u00e3o e improviso para o clown?<\/strong><br \/>\n\u00c0s vezes atuamos com um roteiro que deve ser seguido \u00e0 risca para que a hist\u00f3ria\/mensagem seja passada, e em outras o roteiro \u00e9 mais flex\u00edvel, permite momentos de improviso que podem at\u00e9 virar cenas \u00fanicas em nosso espet\u00e1culo. Mas, em todos os casos, creio que o que deva prevalecer \u00e9 a verdade. Fico incomodado de deixar passar certos coment\u00e1rios da plateia, um cachorro passando no espa\u00e7o c\u00eanico, uma crian\u00e7a invadindo o palco. Se n\u00e3o interajo com o imprevisto, a cena perde for\u00e7a. Sem falar que s\u00e3o nos momentos de improviso que a plateia mais delira com os risos. Um b\u00eabado que entra em cena, um adere\u00e7o que quebra e a plateia admira a criatividade da solu\u00e7\u00e3o que o palha\u00e7o deu ao problema. Tamb\u00e9m gosto muito de n\u00fameros com volunt\u00e1rios, pois possibilitam que o improviso aconte\u00e7a com algu\u00e9m da plateia que nunca atuou, onde tudo pode acontecer, inclusive nada. E a\u00ed o palha\u00e7o existe, no risco, na corda bamba, entre o roteiro e o improviso, a verdade e a mentira, o acerto e o erro.  <\/p>\n<div id=\"attachment_12061\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2014\/03\/21\/um-palhaco-magrelo-timido-e-mandao\/cavacoenina2\/\" rel=\"attachment wp-att-12061\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-12061\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/CavacoeNina2.jpg\" alt=\"Os palha\u00e7os Cavaco e Nina, da Caravana Tapioca\" width=\"600\" height=\"400\" class=\"size-full wp-image-12061\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/CavacoeNina2.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/CavacoeNina2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12061\" class=\"wp-caption-text\">Os palha\u00e7os Cavaco e Nina, da Caravana Tapioca<\/p><\/div>\n<p><strong>Quando a Caravana Tapioca foi criada? O que ela pesquisa?<\/strong><br \/>\nA Caravana Tapioca tem cinco anos e foi fundada por mim em parceria com Giulia Cooper. Dois paulistas que vieram pra c\u00e1 seduzidos pela riqueza cultural pernambucana. Morando por aqui, decidimos juntar nossas experi\u00eancias na \u00e1rea, a fim de tocar a companhia e pesquisar o circo, o teatro e a m\u00fasica sob a \u00f3tica do palha\u00e7o, combinando assim as habilidades circenses e musicais com dramaturgias teatrais. Hoje em dia temos tr\u00eas espet\u00e1culos e tr\u00eas n\u00fameros que j\u00e1 rodaram por muitos estados brasileiros. Todos as nossas cria\u00e7\u00f5es podem ser apresentadas tanto em espa\u00e7os abertos como em salas de teatro. Presamos manter nesses \u00faltimos trabalhos essa versatilidade para que pud\u00e9ssemos viajar com os espet\u00e1culos de forma mais f\u00e1cil e atingir diversos p\u00fablicos. J\u00e1 fizemos muitas turn\u00eas pelo Recife, Agreste e Sert\u00e3o pernambucanos, ministrando oficinas e nos apresentando atrav\u00e9s de leis de incentivo, recursos pr\u00f3prios ou passando o chap\u00e9u. Acreditamos que a rua \u00e9 uma excelente escola para o ator, j\u00e1 que conta com tantas interfer\u00eancias e desconfortos que n\u00e3o s\u00e3o comuns em salas de teatro. Sem falar tamb\u00e9m que assim asseguramos a democratiza\u00e7\u00e3o da arte, a forma\u00e7\u00e3o de plateia, os encontros, o riso, entre tantos benef\u00edcios, o fato de podermos nos apresentar para pessoas que nunca tiveram oportunidade de ver um palha\u00e7o ao vivo e nunca assistiram a um espet\u00e1culo. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ano passado, por conta da Mostra Aldeia Yapoatan, fizemos uma s\u00e9rie de entrevistas sobre palha\u00e7os com alguns artistas da cidade. 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