{"id":11942,"date":"2014-03-12T15:21:10","date_gmt":"2014-03-12T18:21:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=11942"},"modified":"2014-03-12T15:21:10","modified_gmt":"2014-03-12T18:21:10","slug":"criticas-de-repente-fica-tudo-preto-de-gente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/criticas-de-repente-fica-tudo-preto-de-gente\/","title":{"rendered":"Cr\u00edticas: De repente fica tudo preto de gente"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_11944\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2014\/03\/12\/criticas-de-repente-fica-tudo-preto-de-gente\/de-repente-fica-tudo-preto-de-gente-foto-ligia-jardim3-1\/\" rel=\"attachment wp-att-11944\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-11944\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/de-repente-fica-tudo-preto-de-gente-foto-ligia-jardim3.1.jpg\" alt=\"De repente fica tudo preto de gente tem performers de v\u00e1rios lugares do mundo. Foto: L\u00edgia Jardim\" width=\"600\" height=\"400\" class=\"size-full wp-image-11944\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/de-repente-fica-tudo-preto-de-gente-foto-ligia-jardim3.1.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/de-repente-fica-tudo-preto-de-gente-foto-ligia-jardim3.1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11944\" class=\"wp-caption-text\">De repente fica tudo preto de gente tem performers de v\u00e1rios lugares do mundo. Foto: L\u00edgia Jardim<\/p><\/div>\n<p><strong>O espectador em deslocamento<\/strong><br \/>\n<em>Por Soraya Belusi \u2013 Horizonte da Cena<\/em><\/p>\n<p>\u201cForma um bolo l\u00e1 na frente\u201d, instrui o homem na fila de entrada do teatro, como quem antecipa o que vir\u00e1 adiante. Em vez das cadeiras corretamente alinhadas, da comodidade do lugar marcado, da seguran\u00e7a presente na dist\u00e2ncia que separa palco e plateia, um plat\u00f4 que pode ser ocupado da maneira que o espectador preferir, deslocando-o de sua usual posi\u00e7\u00e3o de passividade. Em <em>De repente tudo fica preto de gente<\/em>, n\u00e3o s\u00e3o apenas os corpos dos performers que se colocam em movimento. Mais que andar pelo espa\u00e7o, o p\u00fablico \u00e9 provocado a mover-se de seu estado habitual, a colocar sua pr\u00f3pria fisicalidade em jogo e a expor-se tamb\u00e9m ao olhar do outro.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de Marcelo Evelin e sua companhia Demolition Inc. n\u00e3o nos faz mais indagar, como sintoma das po\u00e9ticas h\u00edbridas que se afirmam na contemporaneidade, se o que est\u00e1 diante dos nossos olhos \u00e9 dan\u00e7a ou n\u00e3o. Esta pergunta parece n\u00e3o responder outra que se imp\u00f5e de maneira ainda mais potente na frui\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo, ao voltar o questionamento n\u00e3o somente ao artista acerca dos procedimentos escolhidos por ele, mas, principalmente, a n\u00f3s mesmos, espectadores, de como nos relacionamos com o que nos \u00e9 apresentado.<\/p>\n<p>O efeito que a proximidade entre performers e espectadores assume sobre o ato teatral-performativo, j\u00e1 ressaltado em teorias e pr\u00e1ticas c\u00eanicas ao longo da hist\u00f3ria recente, parece ser tamb\u00e9m uma das for\u00e7as de a\u00e7\u00e3o que constituem a explos\u00e3o de percep\u00e7\u00f5es e possibilidades que <em>De repente tudo fica preto de gente <\/em>nos suscita. Em suas ondas de movimento \u2013 da aglutina\u00e7\u00e3o \u00e0 degenera\u00e7\u00e3o, da integra\u00e7\u00e3o \u00e0 individua\u00e7\u00e3o, da estagna\u00e7\u00e3o ao deslocamento -, as massas corp\u00f3reas dos performers mobilizam tamb\u00e9m estados distintos no p\u00fablico, do desejo \u00e0 repulsa, da entrega \u00e0 nega\u00e7\u00e3o, da aproxima\u00e7\u00e3o ao afastamento.<\/p>\n<div id=\"attachment_11952\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2014\/03\/12\/criticas-de-repente-fica-tudo-preto-de-gente\/de-repente-fica-tudo-preto-de-gente-foto-ligia-jardim1-1\/\" rel=\"attachment wp-att-11952\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-11952\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/de-repente-fica-tudo-preto-de-gente-foto-ligia-jardim1.1.jpg\" alt=\"Trabalho suscita diferentes rea\u00e7\u00f5es no p\u00fablico\" width=\"600\" height=\"400\" class=\"size-full wp-image-11952\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/de-repente-fica-tudo-preto-de-gente-foto-ligia-jardim1.1.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/de-repente-fica-tudo-preto-de-gente-foto-ligia-jardim1.1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11952\" class=\"wp-caption-text\">Trabalho suscita diferentes rea\u00e7\u00f5es no p\u00fablico<\/p><\/div>\n<p>N\u00e3o se trata mais apenas de colocar em crise a cogni\u00e7\u00e3o do espectador ou de provocar sua transi\u00e7\u00e3o pelo espa\u00e7o, mas tamb\u00e9m de fazer-lhe assumir uma postura diante dos corpos com os quais compartilha a experi\u00eancia. A ocupa\u00e7\u00e3o compartilhada entre criadores e espectadores no plat\u00f4 coloca em confronto, como num ringue, as tradicionais conven\u00e7\u00f5es de quem age e de quem \u00e9 apenas o alvo da recep\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 posta ao p\u00fablico a possibilidade de, assim como a massa que pode se tornar imprevis\u00edvel, romper o c\u00edrculo da conven\u00e7\u00e3o art\u00edstica e social que o estabelece apenas como observador da a\u00e7\u00e3o do outro, permite que este desestabilize as fronteiras estabelecidas da espera e possa avan\u00e7ar rumo \u00e0 a\u00e7\u00e3o, normalmente delegada somente aos artistas. O lugar institucionalizado do espectador \u00e9 colocado em xeque.<\/p>\n<p><em>De repente tudo fica preto de gente <\/em>demanda do p\u00fablico estabelecer tamb\u00e9m um comportamento f\u00edsico, tornando-se, assim como os performers, uma for\u00e7a propulsora das din\u00e2micas que se estabelecem no espa\u00e7o e no tempo do acontecimento perform\u00e1tico, permitir-se ou n\u00e3o o contato, entregar-se ou n\u00e3o ao cont\u00e1gio, realizar ou n\u00e3o o toque, deixar-se, ou n\u00e3o, perceber a si mesmo e ao mundo atrav\u00e9s da pele e dos rastros que nela ficam.<\/p>\n<div id=\"attachment_11949\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2014\/03\/12\/criticas-de-repente-fica-tudo-preto-de-gente\/de-repente-fica-tudo-preto-de-gente-foto-ligia-jardim4-1\/\" rel=\"attachment wp-att-11949\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-11949\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/de-repente-fica-tudo-preto-de-gente-foto-ligia-jardim4.1.jpg\" alt=\"O diretor Marcelo Evelin \u00e9 do Piau\u00ed, mas mora vive na Europa\" width=\"300\" height=\"450\" class=\"size-full wp-image-11949\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/de-repente-fica-tudo-preto-de-gente-foto-ligia-jardim4.1.jpg 300w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/de-repente-fica-tudo-preto-de-gente-foto-ligia-jardim4.1-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11949\" class=\"wp-caption-text\">O diretor Marcelo Evelin \u00e9 do Piau\u00ed, mas mora vive na Europa<\/p><\/div>\n<p><strong>O campo ampliado das artes c\u00eanicas<\/strong><br \/>\n<em>Por Daniele Avila Small \u2013 Quest\u00e3o de Cr\u00edtica<\/em><\/p>\n<p>A presen\u00e7a da obra de Marcelo Evelin, <em>De repente fica tudo preto de gente<\/em>, na programa\u00e7\u00e3o da MITsp, que \u00e9 uma mostra de teatro, \u00e9 uma quest\u00e3o interessante para se pensar. Os campos do teatro e da dan\u00e7a nem sempre t\u00eam a oportunidade de conv\u00edvio que aqui se desenha. Diante do compromisso de escrever sobre um espet\u00e1culo de dan\u00e7a \u2013 e especialmente tratando-se de uma obra com o n\u00edvel de complexidade da que est\u00e1 em quest\u00e3o \u2013 me vejo diante de um problema para a cr\u00edtica: o paradigma das categorias como campos separados de experi\u00eancia e saber. O fato de a minha forma\u00e7\u00e3o ser em teoria do teatro, sem estudos espec\u00edficos na \u00e1rea de dan\u00e7a, \u00e9 algo que \u00e0 primeira vista me constrange o pensamento. Mas, afinal, o que \u00e9 dan\u00e7a? E o que \u00e9 teatro?<\/p>\n<p>A amplia\u00e7\u00e3o dos campos nas artes \u2013 uma ideia que pode ser vislumbrada com a leitura de <em>A escultura no campo ampliado<\/em>, de Rosalind Krauss \u2013 \u00e9 uma quest\u00e3o para a cr\u00edtica de teatro. O teatro contempor\u00e2neo e a dan\u00e7a contempor\u00e2nea n\u00e3o se definem hoje por aquilo que os definia algumas (muitas?) d\u00e9cadas atr\u00e1s, como por exemplo, no caso da dan\u00e7a, a coreografia, no caso do teatro, o drama; embora o discurso comum n\u00e3o tenha assimilado de fato essa virada de liberdade criativa. Ainda vemos cr\u00edticos escrevendo que algo \u201cn\u00e3o \u00e9 teatro\u201d com uma convic\u00e7\u00e3o constrangedora. N\u00e3o \u00e9 a coreografia que define a dan\u00e7a, nem o drama que define o teatro \u2013 e as no\u00e7\u00f5es mesmas de coreografia e de drama podem ser bem mais amplas do que costumamos pensar. N\u00e3o \u00e9 o caso de tirar de cena a coreografia, nem de superar o drama.<\/p>\n<p>Em uma reflex\u00e3o apressada (uma contradi\u00e7\u00e3o em termos) me parece que a fundamenta\u00e7\u00e3o conceitual do espet\u00e1culo <em>De repente fica tudo preto de gente <\/em>em um princ\u00edpio da f\u00edsica, ou seja, a presen\u00e7a forte de uma ideia orientadora que n\u00e3o est\u00e1 restrita \u00e0 categoria dan\u00e7a, \u00e9 algo que amplia o campo, que liberta a cria\u00e7\u00e3o da repeti\u00e7\u00e3o de um mero exerc\u00edcio do fazer, de uma varia\u00e7\u00e3o sobre procedimentos dados. \u00c9 nesse sentido que me parece que o espet\u00e1culo em quest\u00e3o \u00e9 para qualquer um, porque ele n\u00e3o demanda nenhum conhecimento pr\u00e9vio do espectador, ele simplesmente se d\u00e1 \u00e0 experi\u00eancia. Penso que o contempor\u00e2neo n\u00e3o est\u00e1 em um conjunto de premissas est\u00e9ticas e reflex\u00f5es end\u00f3genas, mas na natureza da rela\u00e7\u00e3o com o espectador.<\/p>\n<p>Com isso em mente, levanto o olhar para o contexto da MITsp para pensar o lugar deste trabalho no contato com outros assistidos at\u00e9 agora \u2013 at\u00e9 porque a ideia de contato e a subsequente contamina\u00e7\u00e3o entre corpos \u00e9 algo que o espet\u00e1culo de Marcelo Evelin nos faz viver. O espectador \u00e9 fisgado para dentro das obras em tr\u00eas inst\u00e2ncias diversas em <em>Sobre o conceito de rosto no filho de Deus<\/em>, <em>Bem-vindo a casa <\/em>e <em>De repente fica tudo preto de gente<\/em>. No primeiro, a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 subjetiva, impalp\u00e1vel e demanda uma disponibilidade de esp\u00edrito do espectador. No segundo, o p\u00fablico \u00e9 convidado a fazer parte da situa\u00e7\u00e3o ficcional que se estabelece. No terceiro, o espectador, sua materialidade corp\u00f3rea, \u00e9 parte indispens\u00e1vel da visualidade e do movimento da cena, tornando-se parte da experi\u00eancia do grupo de espectadores presentes. Fica tudo preto de gente mesmo.<\/p>\n<p>Mas o preto das imagens criadas por Marcelo Evelin n\u00e3o \u00e9 opaco. \u00c9 um preto transl\u00facido que convida o olhar para a beleza do escuro. Na pr\u00e1tica da cr\u00edtica, esse \u00e9 o grande desafio: mais que discorrer sobre o que j\u00e1 se sabe, trabalhar a musculatura do olhar para enfrentar a escurid\u00e3o. E o pensamento, como os olhos no escuro, precisa de tempo para come\u00e7ar a discernir as imagens nas sombras.<\/p>\n<p>Um trecho de <em>De repente fica tudo preto de gente<\/em> em Teresina:<\/p>\n<p><object width=\"560\" height=\"315\"><param name=\"movie\" value=\"\/\/www.youtube.com\/v\/pAuEPD6oDCI?hl=en_US&amp;version=3&amp;rel=0\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"\/\/www.youtube.com\/v\/pAuEPD6oDCI?hl=en_US&amp;version=3&amp;rel=0\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"560\" height=\"315\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\"><\/embed><\/object><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O espectador em deslocamento Por Soraya Belusi \u2013 Horizonte da Cena \u201cForma um bolo l\u00e1 na frente\u201d, instrui o homem na fila de entrada do teatro, como quem antecipa o que vir\u00e1 adiante. 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