{"id":11923,"date":"2014-03-12T14:19:30","date_gmt":"2014-03-12T17:19:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=11923"},"modified":"2014-03-12T14:54:23","modified_gmt":"2014-03-12T17:54:23","slug":"criticas-nos-somos-semelhantes-a-esses-sapos-ali","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/criticas-nos-somos-semelhantes-a-esses-sapos-ali\/","title":{"rendered":"Cr\u00edticas: &#8220;N\u00f3s somos semelhantes a esses sapos&#8230;&#8221; + Ali"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_11930\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2014\/03\/12\/criticas-nos-somos-semelhantes-a-esses-sapos-ali\/nos-somos-semelhantes-a-esses-sapos-foto-ligia-jardim1-1\/\" rel=\"attachment wp-att-11930\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-11930\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/nos-somos-semelhantes-a-esses-sapos...-foto-ligia-jardim1.1.jpg\" alt=\"&quot;N\u00f3s somos semelhantes a esses sapos&quot;. Foto: L\u00edgia Jardim\" width=\"600\" height=\"353\" class=\"size-full wp-image-11930\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/nos-somos-semelhantes-a-esses-sapos...-foto-ligia-jardim1.1.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/nos-somos-semelhantes-a-esses-sapos...-foto-ligia-jardim1.1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11930\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;N\u00f3s somos semelhantes a esses sapos&#8221;. Foto: L\u00edgia Jardim<\/p><\/div>\n<p><strong>Deslocamentos e ironias vitais<\/strong><br \/>\n<em>Por Ivana Moura \u2013 Satisfeita, Yolanda?<\/em><\/p>\n<p>Um casal de noivos entra e d\u00e1 uma volta em c\u00edrculo no palco. Do lado direito, um grupo de m\u00fasicos. Na segunda volta, ele coloca a m\u00e3o no ombro dela e fala algo ao seu ouvido. Depois parece b\u00eabado (da festa?). Mudam de posi\u00e7\u00e3o, de ritmo. Outro homem com perna amputada e com muletas vai atr\u00e1s. O barulho met\u00e1lico das muletas grita. Depois de uma volta, ele pisa no vestido da noiva e congela. Continua o percurso. Pisa novamente no vestido dela e paralisa a cena, como numa fotografia. O homem das muletas chuta a mulher. Ela cai. E depois se agarra ao pesco\u00e7o dele. \u00c9 arrastada. Tenta se segurar a outras partes do corpo dele. Ele pula como sapo. Ela sobe no seu ombro.<\/p>\n<p>Lembrei-me da can\u00e7\u00e3o <em>O Quereres<\/em>, de Caetano Veloso (\u201cAh! Bruta flor do querer \/ Ah! Bruta flor, bruta flor\u201d). Esses desejos que se alternam, esses quereres em permanente deslocamento. Deslocamento, ali\u00e1s, \u00e9 uma chave de leitura para o espet\u00e1culo \u201cN\u00f3s somos semelhantes a esses sapos\u2026\u201d, da companhia MPTA \u2013 Les Mains, les Pieds et la T\u00eate Aussi (As M\u00e3os, os P\u00e9s e a Cabe\u00e7a Tamb\u00e9m), que apresentou em seguida o duo <em>Ali<\/em>.<\/p>\n<p>As andan\u00e7as pelo palco, em c\u00edrculos primeiramente e em muitos outros desenhos. O deslocamento do eixo gravitacional provocado pela falta de uma perna de Hedi Thabet e que se expande para os outros dois bailarinos. A provoca\u00e7\u00e3o do deslocamento do olhar do espectador. E ainda a proje\u00e7\u00e3o dos deslocamentos migrat\u00f3rios mundiais e suas quest\u00f5es de identidades, tamb\u00e9m ressaltadas pelo repert\u00f3rio musical (melodias tradicionais tunisianas e gregas \u2013 rebetiko) e a ascend\u00eancia dos artistas.<\/p>\n<p>O corpo mutilado vai \u00e0 luta. Subverte l\u00f3gicas. Desafia o outro. A linguagem f\u00edsica \u00e9 rica de significa\u00e7\u00f5es. Alteridade: um e outro no fluxo do desejo por uma mesma mulher, altern\u00e2ncia equil\u00edbrio\/desequil\u00edbrio dos corpos, desafio \u00e0s leis da gravidade. Acrobacias de tirar o f\u00f4lego. Esses \u201csapos\u201d borram fronteiras. Saem dos eixos em seus giros. Imagens de pot\u00eancia em constante constru\u00e7\u00e3o \u2013 uma rainha gigante com tr\u00eas pernas ou o gozo da noiva l\u00e2nguida, Artemis Stavridi, erguida sobre o corpo de Hedi Thabet. Com os movimentos acrob\u00e1ticos e de dan\u00e7a contempor\u00e2nea, \u201cN\u00f3s somos\u2026\u201d explora a aventura de um tri\u00e2ngulo amoroso plaus\u00edvel, que avan\u00e7a em oposi\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias no deslocamento do desejo.<\/p>\n<p>J\u00e1 em <em>Ali<\/em>, as muletas se transformam em objetos de liga\u00e7\u00e3o entre os dois homens. Cumplicidade, companheirismo, afeto entre Mathurin Bolze e Hedi Thabet. Eles se desafiam e confundem, se desdobram, se encaixam numa plasticidade comovente. O corpo pode ser outro, de outro modo, outro ser vivente. E o humor e a ironia permeiam os dois espet\u00e1culos. Mais grave em <em>&#8220;N\u00f3s somos semelhantes\u2026&#8221;<\/em>, com suas amea\u00e7as de perda e mais vitalizante em <em>Ali<\/em>, com sua for\u00e7a e alegria de viver.<\/p>\n<div id=\"attachment_11936\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2014\/03\/12\/criticas-nos-somos-semelhantes-a-esses-sapos-ali\/nos-somos-semelhantes-a-esses-sapos-foto-ligia-jardim4-1\/\" rel=\"attachment wp-att-11936\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-11936\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/nos-somos-semelhantes-a-esses-sapos...-foto-ligia-jardim4.1.jpg\" alt=\"Companhia MPTA \u2013 Les Mains, les Pieds et la T\u00eate Aussi - leva tr\u00eas bailarinos ao palco\" width=\"300\" height=\"450\" class=\"size-full wp-image-11936\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/nos-somos-semelhantes-a-esses-sapos...-foto-ligia-jardim4.1.jpg 300w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/nos-somos-semelhantes-a-esses-sapos...-foto-ligia-jardim4.1-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11936\" class=\"wp-caption-text\">Companhia MPTA \u2013 Les Mains, les Pieds et la T\u00eate Aussi &#8211; leva tr\u00eas bailarinos ao palco<\/p><\/div>\n<p><strong>Corpos em infinita multiplica\u00e7\u00e3o e muta\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\n<em>Por Soraya Belusi \u2013 Horizonte da Cena<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 algo de espanto em um primeiro momento. Sensa\u00e7\u00e3o logo transformada em beleza a ser admirada. O que antes poderia soar como piedade cede lugar \u00e0 comunh\u00e3o, ao encontro com o outro, \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o. A imagem da mutila\u00e7\u00e3o n\u00e3o se apresenta como obst\u00e1culo, mas sim pot\u00eancia, desviando o olhar da perda para a multiplica\u00e7\u00e3o dos corpos em cena. Juntos, performers e espectadores atravessam a fronteira da defici\u00eancia e da individualidade para chegarem ao territ\u00f3rio da efici\u00eancia s\u00f3 poss\u00edvel de ser alcan\u00e7ada na complementaridade. Movimento compartilhado entre todas as partes.<\/p>\n<p><em>&#8220;N\u00f3s somos semelhantes a esses sapos\u2026&#8221;<\/em> + <em>Ali<\/em>, programa de dois espet\u00e1culos apresentado pela companhia Les Mains, les Pieds et la T\u00eate Aussi (MPTA), da Fran\u00e7a, na Mostra Internacional de Teatro de S\u00e3o Paulo (MITsp), n\u00e3o se resumem a um tratado sobre a defici\u00eancia f\u00edsica ou sua \u201cexplora\u00e7\u00e3o espetacular\u201d. O fato de um dos bailarinos ter perdido uma de suas pernas n\u00e3o \u00e9 ignorado pelo trabalho (nem pelo p\u00fablico), mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 seu ponto principal ou final. \u00c9 a partir desta aus\u00eancia, por\u00e9m, que se estabelecem os jogos de multiplica\u00e7\u00e3o e muta\u00e7\u00e3o dos corpos.<\/p>\n<p>Tendo como ponto de partida um mote at\u00e9 mesmo banal, a rela\u00e7\u00e3o de amor e \u00f3dio que cerca um tri\u00e2ngulo amoroso, nasce uma dramaturgia corporal vigorosa, em que o arqu\u00e9tipo da perfei\u00e7\u00e3o do casal, em sua caminhada nupcial, \u00e9 desestabilizada por um terceiro elemento, uma esp\u00e9cie de intruso que insiste em se fazer presente. Enquanto um a faz girar, o outro a faz flutuar, num jogo de oposi\u00e7\u00e3o que os transforma assim em duplos complementares, que s\u00f3 se definem e existem na compara\u00e7\u00e3o com o outro.<\/p>\n<p>Desestabilizar parece ser um verbo que permeia ambos os espet\u00e1culos: reverter expectativas, romper conven\u00e7\u00f5es, criar outros olhares ainda n\u00e3o experimentados para o que se entende por (e no) corpo.<\/p>\n<p>Em <em>Ali<\/em>, o trio se desfaz e cede lugar a um dueto. Numa esp\u00e9cie de dan\u00e7a-duelo, Mathurin Bolze e Hedi Thabet se perseguem, se chocam, se debatem, se conectam, redescobrem seus pr\u00f3prios corpos.  O que antes era falta, torna-se soma. A presen\u00e7a constante de uma aus\u00eancia. Parte-se das muletas como apoio e suporte para transform\u00e1-las em trampolins para grandes saltos, como extens\u00f5es dos pr\u00f3prios corpos, que, mais que objetos, tornam-se tamb\u00e9m mat\u00e9ria, corpo, carne, membro.<br \/>\nUma perna a menos se transforma em v\u00e1rias pernas a mais, como num milagre da multiplica\u00e7\u00e3o ou uma brincadeira de crian\u00e7a. S\u00e3o partes de um todo que s\u00f3 se constitui na hibridiza\u00e7\u00e3o desses dos corpos perform\u00e1ticos que dividem a cena, num movimento constante de muta\u00e7\u00e3o de formas, imagens, din\u00e2micas, perspectivas.<\/p>\n<p>A quase aus\u00eancia de elementos no palco (apenas um lustre e cadeiras) ressalta ainda mais o foco na escrita que nasce do corpo e para ele retorna. \u00c9 na extrema fisicalidade que o trabalho encontra seu apoio. Assim como os elementos aos quais a pr\u00f3pria companhia recorre para construir sua po\u00e9tica c\u00eanica, que agrega principalmente circo, dan\u00e7a e teatro, os corpos dos performers tamb\u00e9m assumem um car\u00e1ter h\u00edbrido, estilha\u00e7ado, expandido, ampliado. Uma outra anatomia poss\u00edvel se configura no encontro e na metamorfose entre eles.<\/p>\n<p>O virtuosismo em ambos os espet\u00e1culos deixa de ser mera exibi\u00e7\u00e3o das habilidades t\u00e9cnicas dos bailarinos, embora estas sejam incontest\u00e1veis, para se tornar tamb\u00e9m possibilidade de reinven\u00e7\u00e3o e reconfigura\u00e7\u00e3o corporal, na cria\u00e7\u00e3o de formas n\u00e3o mais somente humanas, mas praticamente mitol\u00f3gicas, animalescas, em que os corpos se reorganizam, se fundem, se redefinem. Ao construir um vocabul\u00e1rio de movimentos que busca confrontar a gravidade e reelaborar a no\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio, o grupo franc\u00eas MPTA reconstr\u00f3i a pr\u00f3pria ideia de humano na contemporaneidade, quando o apoio solit\u00e1rio parece n\u00e3o ser mais uma alternativa poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Um trechinho do espet\u00e1culos <em>&#8220;N\u00f3s somos semelhantes a esses sapos&#8221;<\/em>:<\/p>\n<p><object width=\"480\" height=\"360\"><param name=\"movie\" value=\"\/\/www.youtube.com\/v\/pmS-Pq97MQU?hl=pt_BR&amp;version=3&amp;rel=0\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"\/\/www.youtube.com\/v\/pmS-Pq97MQU?hl=pt_BR&amp;version=3&amp;rel=0\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"480\" height=\"360\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\"><\/embed><\/object><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deslocamentos e ironias vitais Por Ivana Moura \u2013 Satisfeita, Yolanda? 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