{"id":10680,"date":"2013-08-29T14:35:12","date_gmt":"2013-08-29T17:35:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=10680"},"modified":"2015-10-28T02:55:41","modified_gmt":"2015-10-28T05:55:41","slug":"balanco-da-gestao-leda-alves-nas-artes-cenicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/balanco-da-gestao-leda-alves-nas-artes-cenicas\/","title":{"rendered":"Balan\u00e7o da gest\u00e3o Leda Alves nas artes c\u00eanicas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_10717\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2013\/08\/29\/balanco-da-gestao-leda-alves-nas-artes-cenicas\/ledaalves2\/\" rel=\"attachment wp-att-10717\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-10717\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/ledaalves2.jpg\" alt=\"Leda Alves, 82 anos, secret\u00e1ria de Cultura do Recife. Foto: Ivana Moura\" width=\"600\" height=\"600\" class=\"size-full wp-image-10717\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/ledaalves2.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/ledaalves2-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/ledaalves2-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10717\" class=\"wp-caption-text\">Leda Alves, 82 anos, secret\u00e1ria de Cultura do Recife. Foto: Ivana Moura<\/p><\/div>\n<p>H\u00e1 alguns meses tentamos marcar uma entrevista com a secret\u00e1ria de Cultura Leda Alves. Mas o nosso encontro, por motivos v\u00e1rios, ainda n\u00e3o tinha dado certo. Depois de uma reuni\u00e3o do F\u00f3rum de Artes C\u00eanicas, no \u00faltimo dia 14, no entanto, enxergamos o \u00f3bvio com muita clareza: essa conversa era fundamental. Afinal, passados oito meses de gest\u00e3o, a equipe de artes c\u00eanicas n\u00e3o havia sido montada e a classe art\u00edstica estava ali reunida, ouvindo um gestor t\u00e9cnico (Gustavo Catalano, gerente geral de a\u00e7\u00f5es culturais e infraestrutura da Funda\u00e7\u00e3o de Cultura da Prefeitura do Recife) perguntar se seria poss\u00edvel realizar o 18\u00ba Festival Internacional de Dan\u00e7a do Recife e o 16\u00ba Festival Recife do Teatro Nacional juntos. N\u00e3o havia sequer uma resposta segura com rela\u00e7\u00e3o aos or\u00e7amentos destinados aos dois eventos, completamente consolidados na cidade. <\/p>\n<p>Em quase duas horas de conversa com a secret\u00e1ria, na \u00faltima ter\u00e7a-feira (27), fizemos v\u00e1rios questionamos sobre diversos problemas da \u00e1rea de artes c\u00eanicas &#8211; o SIC (Sistema de Incentivo a Cultura), a manuten\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os, a forma\u00e7\u00e3o. Novamente, o \u00f3bvio ululante se instaura: h\u00e1 muito por ser feito e posicionamentos ainda bastante vagos. Leda Alves, pelo que demonstra na entrevista, deposita muita confian\u00e7a e tamb\u00e9m responsabilidade no diretor, dramaturgo, ator e gestor Carlos Carvalho, que assumiu o Centro Apolo-Hermilo.<\/p>\n<p>Aos 82 anos, a atriz e gestora, que j\u00e1 passou pela Fundarpe, Funda\u00e7\u00e3o de Cultura Cidade do Recife, Teatro de Santa Isabel e pela Companhia Editora de Pernambuco, e viu Geraldo J\u00falio e Eduardo Campos engatinhando, tem muitos desafios pela frente. Come\u00e7ou tentando exterminar os ratos e baratas que, explica ela, tomavam conta da sua sala no 15\u00ba andar da Prefeitura do Recife; e dividindo a sua sala noutras tr\u00eas, t\u00e3o grande seria o espa\u00e7o. Teria resolvido tamb\u00e9m os problemas da Orquestra Sinf\u00f4nica do Recife; e agora, finalmente, durante a entrevista, anuncia o novo Chefe da divis\u00e3o de Artes C\u00eanicas (conhecido com gerente de artes c\u00eanicas): o diretor, dramaturgo e ator Romildo Moreira. Est\u00e3o subordinados a ele o chefe do setor de servi\u00e7os de Circo &#8211; Cleiton Osman Ferreira de Oliveira, nome tamb\u00e9m revelado na entrevista, o gestor respons\u00e1vel pela Dan\u00e7a, Fred Salim (que j\u00e1 assumiu o cargo) e o chefe do setor de servi\u00e7os de Teatro. Esse \u00faltimo ainda n\u00e3o foi escolhido. Pelo menos at\u00e9 ter\u00e7a-feira passada. E ah, como o c\u00e9u seria de brigadeiro se a pend\u00eancia fosse s\u00f3 essa! <\/p>\n<p><strong>Entrevista \/\/ Leda Alves<\/strong><\/p>\n<p><strong>Porque voc\u00ea aceitou ser secret\u00e1ria de Cultura do Recife?<\/strong><br \/>\nEu acho que a palavra nem \u00e9 &#8220;aceitou&#8221;. A palavra \u00e9 comparecer, dizer sim. O sim n\u00e3o quer dizer aceito. Quer dizer que acredita. Tenho uma perspectiva na minha vida muito ligada a uma f\u00e9, a um sentido da minha vida, a uma consci\u00eancia de miss\u00e3o, a uma consci\u00eancia de que sou parte de um plano de Deus. N\u00e3o tenho d\u00favidas que Ele pensa em cada um de n\u00f3s e, consequentemente, em mim tamb\u00e9m. E em toda a minha vida eu pe\u00e7o para eu n\u00e3o colocar obst\u00e1culos no plano de Deus sobre mim. Era t\u00e3o fora da minha perspectiva essa secretaria! Porque eu tinha atravessado o momento mais dif\u00edcil na Cepe (Companhia Editora de Pernambuco), que foi logo quando eu cheguei. Mas a\u00ed a gente abriu veredas do ponto de vista da democracia, da cidadania, da justi\u00e7a social, da inser\u00e7\u00e3o e da abertura para outros c\u00f3digos da cultura, muito s\u00e9rias, profundas e bonitas. Nenhuma coisa que estou falando aqui se refere a mim. Eu s\u00f3 fui instrumento ali. S\u00f3 chamei para junto de mim um bando de gente que acredita nas coisas e tem talento e deu no que deu. E a\u00ed eu estava vivendo o momento que o governador um dia me disse: \u201cLeda, quando voc\u00ea colocar esse cargo nos trilhos, voc\u00ea viajar em c\u00e9u de brigadeiro\u201d. E eu brincava dizendo que parecia que o c\u00e9u de brigadeiro estava chegando. N\u00e3o deu duas! Eu estava em Exu, nas festas de Gonzaga, quando recebi o telefonema de Geraldo (J\u00falio), que eu conhe\u00e7o desde menino porque eu era amiga dos pais dele. Ent\u00e3o foi uma pancada t\u00e3o grande na minha cabe\u00e7a, no meu cora\u00e7\u00e3o, que eu estava almo\u00e7ando, bebendo, sa\u00ed da mesa e, quando voltei, n\u00e3o sabia nem em que ch\u00e3o eu estava pisando, voltei meio a\u00e9rea. E \u00e0 noite fui pro show e disse, \u201cGeraldinho\u201d! Eu n\u00e3o entendia o que ele estava me pedindo: \u201ceu?\u201d. Engasguei e disse: \u201cDeixe eu conversar com Dudu (Eduardo Campos)\u201d. \u201cMas \u00e9 com o governador sabendo de tudo que eu estou telefonando\u201d, ele respondeu. A\u00ed eu fui ainda alimentando uma esperan\u00e7a que Eduardo dissesse: \u201cn\u00e3o, eu n\u00e3o estou liberando voc\u00ea n\u00e3o. Quero que voc\u00ea termine meu governo\u201d. Como ele dizia: \u201cenquanto eu for governador, daqui voc\u00ea n\u00e3o sai\u201d. A\u00ed encontrei com ele \u00e0 noite, ele beijou a minha testa e eu disse: \u201cDudu, olha a situa\u00e7\u00e3o!\u201d. A\u00ed ele: \u201cVamos trabalhar? Eu quero voc\u00ea l\u00e1. Vamos trabalhar?\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_10700\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2013\/08\/29\/balanco-da-gestao-leda-alves-nas-artes-cenicas\/leda1\/\" rel=\"attachment wp-att-10700\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-10700\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/leda1.jpg\" alt=\"Espiritualizada, Leda Alves acredita em miss\u00e3o\" width=\"600\" height=\"394\" class=\"size-full wp-image-10700\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/leda1.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/leda1-300x197.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10700\" class=\"wp-caption-text\">Espiritualizada, Leda Alves acredita em miss\u00e3o<\/p><\/div>\n<p><strong>A sua escolha tem uma for\u00e7a pol\u00edtica grande. E voc\u00ea, de certa forma, \u00e9 uma pessoa, assim como Ariano, blindada com rela\u00e7\u00e3o a cr\u00edticas da categoria art\u00edstica. O que voc\u00ea pensa sobre isso?<\/strong><br \/>\nGuardando as devidas propor\u00e7\u00f5es com Ariano! Mas eu pensei sobre muitas coisas, sobre uma saudade do que n\u00e3o fui na minha juventude em rela\u00e7\u00e3o a isso. Cheguei a reclamar dentro de mim: \u201cp\u00f4, isso chegar agora, na minha velhice?\u201d. Eu nunca pretendi, nunca insinuei, nunca desejei. Mas mais ligada ao doutor Arraes (Miguel Arraes de Alencar) do que eu era e depois a Eduardo? Que vi andando, engatinhando? Mas eu nunca insinuei nada disso porque sempre pensei que no balan\u00e7o do mar..n\u00e3o sou eu quem me navego, quem me navega \u00e9 o mar! (cantando). Ent\u00e3o o mar para mim \u00e9 uma for\u00e7a muito poderosa e eu sempre tento boiar na vida. N\u00e3o de apatia, mas eu me largo completamente. E, se voc\u00ea n\u00e3o se largar, voc\u00ea n\u00e3o boia. \u00c9 condi\u00e7\u00e3o de boiar, voc\u00ea largar. Se voc\u00ea fizer uma forcinha, o corpo afunda. Ent\u00e3o eu navego assim. Agora que estou terminando a miss\u00e3o? Chega um tamanho de miss\u00e3o desse? Mas, ao mesmo tempo, reflito: essa \u00e9 a minha praia e eu trabalhei nela de v\u00e1rias maneiras, em v\u00e1rias frentes, desde quando tive minhas decis\u00f5es de vida, de exist\u00eancia e de f\u00e9. Eu nunca tive desvio. Sempre fui desse lado e nesse c\u00f3digo. O capit\u00e3o Ant\u00f4nio Pereira dizia a Hermilo (Borba Filho) um neg\u00f3cio lindo: \u201c\u00f4 Hermilo, s\u00f3 tem um caminho. O resto s\u00e3o veredas.\u201d Eu nunca tomei outra vereda. Fui nesse caminho. Ent\u00e3o agora voc\u00ea vai assumir a secretaria de Cultura. Sofri tanto ao longo desses caminhos vendo as besteiras que eram feitas, os desvios que faziam, a competi\u00e7\u00e3o das vaidades, as trai\u00e7\u00f5es e deslealdades com os outros, a inveja. Mas eu estava muito mais ligada aos artistas, apesar de sempre conviver com o poder. Mas o poder nunca me fez mal n\u00e3o. Eu ia como emiss\u00e1rio. Agora quando eu aportei aqui, eu j\u00e1 vim bem, dessa express\u00e3o, que voc\u00ea usa, que eu senti que a categoria me quis. Eu vindo de Exu para c\u00e1, o telefone n\u00e3o parou um minuto. Das pessoas das mais diferentes linguagens, que me telefonavam, uns dizendo, \u201cconte comigo, agora a coisa vai, a gente tem esperan\u00e7a, toque para frente, a gente ajuda no que puder\u201d. Ent\u00e3o isso \u00e9 oxig\u00eanio. E eu tenho \u00e9 que ouvir essas vozes. E se est\u00e3o querendo, esperando e acreditando, \u00e9 porque eu posso fazer, com eles eu posso. A\u00ed eu vim para a posse. Tamb\u00e9m achei a receptividade da posse, quando meu nome foi anunciado, muito grande. E a\u00ed s\u00e3o as antenas de atriz, uma por\u00e7\u00e3o de coisas. Eu sou meio bicho para esse neg\u00f3cio de: comunico ou n\u00e3o comunico? Misturo pele, misturo uma por\u00e7\u00e3o de coisas&#8230;sinto logo quando a pessoa&#8230;n\u00e3o d\u00e1! H\u00e1 pouco tempo eu tive uma reuni\u00e3o aqui, o sujeito estava sentado nessa cadeira, e eu disse: esse vai trair, esse n\u00e3o vai ser desse grupo. N\u00e3o deu outra. Dez dias depois as coisas estavam virando e ele era o mentor da virada. Ent\u00e3o isso eu sinto. Mas isso n\u00e3o \u00e9 de agora n\u00e3o. Isso \u00e9 de muito tempo! Ent\u00e3o cheguei e tive uma reuni\u00e3o ainda no dia da posse. Eu acho que foi, porque eu cheguei at\u00e9 aos lugares sem pisar no ch\u00e3o, eu acho que \u00e9 capaz de ter sido nessa sala. Quando eu disse a eles, aos funcion\u00e1rios, eu renovei o meu compromisso com eles que eu vivi h\u00e1 28 anos. Se eu tenho hoje 82, eu tinha 54 anos. No auge da energia, j\u00e1 com uma maturidade, de experi\u00eancia. Eu disse a eles que estou do lado deles, do ponto de vista do funcionalismo, do profissionalismo, da capacita\u00e7\u00e3o, das condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas de trabalho, que s\u00e3o p\u00e9ssimas, das condi\u00e7\u00f5es salariais, que ainda s\u00e3o bastante degradantes. E aqui eu cheguei e encontrei uma equipe pequena, mas completamente ap\u00e1tica. A barata \u201ccomia no centro\u201d, quando voc\u00ea saia \u00e0 noite, elas tomavam conta. Puxasse o telefone, saia uma barata de dentro. &#8216;Se botava&#8217; spray para durante \u00e0 noite n\u00e3o invadirem. Tinha rato, tinha barata, tinha tudo aqui dentro. Os roedores se misturavam com a gente. Cada vez que eu fui l\u00e1 dentro e voltei&#8230;eu n\u00e3o sabia por onde come\u00e7ar! Mas fomos devagarzinho. Me pegaram logo, fizeram uma decora\u00e7\u00e3o de carnaval, logo no come\u00e7o, do jeito que eu gosto. Pobre do ponto de vista do custo, mas s\u00f3bria, discreta e de bom gosto. S\u00f3 com o essencial. A\u00ed colocamos um som a\u00ed, s\u00f3 m\u00fasicas de carnaval. Porque eu elogiei? Elogiei porque gostei e o pessoal nunca tinha tido um elogio. A\u00ed eu os reuni aqui nessa sala para conversar sobre a situa\u00e7\u00e3o de cada um, o que cada um fazia. As coisas m\u00ednimas! Muitos foram do meu tempo e outras n\u00e3o. Os mais novos n\u00e3o me conheciam. Olhe, houve gente que chorou, porque nunca tinha entrado nessa sala, nunca tinha sido ouvido, nunca tinha sido chamado pelo nome. Eu fui vendo como \u00e9 f\u00e1cil voc\u00ea administrar pessoas que t\u00eam a sensibilidade de sentir falta. Ent\u00e3o vi que todos estavam vivos, todos estavam com possibilidade de querer alguma coisa. Hoje a gente est\u00e1 com uma equipe entusiasmada, cumprindo as etapas e as tarefas, querendo acertar. A equipe administrativa, que \u00e9 a mais dif\u00edcil, porque \u00e9 meio cru, aquele neg\u00f3cio do papel, do papel, do papel. E eu tenho dado mais aten\u00e7\u00e3o a eles. Tirei umas coisas absurdamente erradas. A\u00ed, para n\u00e3o sentirem muita falta, vai se colocando outras coisas. Estou apertando na disciplina de hor\u00e1rio, coisas que incomodam. Tiramos uns neg\u00f3cios que eram assim j\u00e1 de v\u00edcio.<\/p>\n<p><strong>Houve uma transi\u00e7\u00e3o? Voc\u00ea chegou a conversar com Simone Figueiredo, a secret\u00e1ria da gest\u00e3o anterior?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Simone me entregou dizendo que tinham umas pastas e que, se eu precisasse de alguma coisa, se colocou \u00e0 minha disposi\u00e7\u00e3o, mas fui me virando com o pessoal que est\u00e1 aqui, que era com eles que eu tinha que viver.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea sabe que viemos aqui principalmente para falar sobre as artes c\u00eanicas. Que \u00e9 tamb\u00e9m a sua \u00e1rea. Ent\u00e3o vamos come\u00e7ar: porque a gente n\u00e3o tem um gerente de artes c\u00eanicas? Porque a equipe de artes c\u00eanicas n\u00e3o est\u00e1 estruturada?<\/strong><br \/>\nPassou a ter a partir de ontem (segunda). <\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o anuncie! Que n\u00f3s n\u00e3o estamos sabendo!<\/strong><br \/>\nDanado \u00e9 que eu n\u00e3o sei os nomes&#8230;<\/p>\n<p><strong>Saiu no Di\u00e1rio Oficial?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o saiu ainda. Foram Carlos Carvalho (diretor do Centro Apolo-Hermilo) e Williams Sant\u2019Anna (do Teatro Luiz Mendon\u00e7a). J\u00e1 sei. O gerente de artes c\u00eanicas \u00e9 Romildo (Moreira). Agora a gente est\u00e1 pensando em Romildo. \u00c9 porque mudaram as nomenclaturas. Agora ainda n\u00e3o foi publicado. Eu estou dizendo a voc\u00eas e voc\u00eas aguentem&#8230;Porque a\u00ed o prefeito vai dizer: eu nem assinei ainda a portaria e Leda j\u00e1 est\u00e1 dizendo?\u201d.<\/p>\n<p><strong>Mas voc\u00ea sabe que toda a classe quer essa informa\u00e7\u00e3o!<\/strong><br \/>\nUma coisa que eu acho formid\u00e1vel \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma press\u00e3o do prefeito em empurrar nomes. A gente est\u00e1 fazendo uma mudan\u00e7a agora radical no desenho do carnaval. A conversa da gente toda \u00e9 com as agremia\u00e7\u00f5es. Ontem passamos a tarde com algumas categorias. Amanh\u00e3 de tarde outra, depois de amanh\u00e3 outra. Apresentando uma proposta e discutindo com eles. Para depois eu comunicar ao prefeito.<\/p>\n<p><strong>Mas sobre a sua equipe: eu conversei com Gustavo Catalano (gerente geral de a\u00e7\u00f5es culturais e infraestrutura da Funda\u00e7\u00e3o de Cultura da Prefeitura do Recife) na \u00faltima reuni\u00e3o do F\u00f3rum de Artes C\u00eanicas, no dia 14 de agosto, e ele me disse que ainda n\u00e3o tinha equipe porque n\u00e3o tinha encontrado as pessoas capacitadas.<\/strong><br \/>\nMas j\u00e1 est\u00e1 encontrando. Porque a gente est\u00e1 no fazer das nossas ideias e do que a gente sonha, do que a gente pensa em caminho novo &#8211; e nem sempre caminho novo obrigatoriamente \u00e9 caminhado por jovens, mas por experi\u00eancias renovadas, n\u00e3o \u00e9? A gente est\u00e1 ouvindo muito as pessoas que est\u00e3o na \u00e1rea, trabalhando, caminhando, fazendo ou refazendo. Ent\u00e3o isso tem sido uma hora de muita escuta.<\/p>\n<div id=\"attachment_10703\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2013\/08\/29\/balanco-da-gestao-leda-alves-nas-artes-cenicas\/leda3\/\" rel=\"attachment wp-att-10703\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-10703\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/leda3.jpg\" alt=\"Orquestra Sinf\u00f4nica do Recife foi uma das primeiras bombas que estourou na m\u00e3o da secret\u00e1ria\" width=\"600\" height=\"382\" class=\"size-full wp-image-10703\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/leda3.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/leda3-300x191.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10703\" class=\"wp-caption-text\">Orquestra Sinf\u00f4nica do Recife foi uma das primeiras bombas que estourou na m\u00e3o da secret\u00e1ria<\/p><\/div>\n<p><strong>Esse tempo foi essa escuta? Porque, afinal, s\u00e3o oito meses de gest\u00e3o.<\/strong><br \/>\nTamb\u00e9m. Mas a\u00ed quando a gente est\u00e1 escutando, a gente tamb\u00e9m est\u00e1 operacionalizando muita coisa. Por exemplo, a Orquestra Sinf\u00f4nica do Recife. Fui eu chegar e, um m\u00eas ou dois depois, estourou o neg\u00f3cio. E estourou n\u00e3o foi um fato isolado. E estourou, uma orquestra gritou: &#8220;estamos morrendo&#8221;. E morrendo por dentro. At\u00e9 que vomitaram, de maneira errada ou certa, n\u00e3o quero avaliar a dor de ningu\u00e9m. O fato \u00e9 que Gioia (Osman) entregou o cargo, e a gente ficou: \u201ce agora?\u201d. Uma torre de Babel l\u00e1 dentro. Cada um falava de um jeito, chorava de um jeito e agredia de outro.<\/p>\n<p><strong>Mas a sensa\u00e7\u00e3o que se tinha na \u00e1rea de artes c\u00eanicas, logo que voc\u00ea chegou, uma pessoa da \u00e1rea. E nesse intervalo&#8230;<\/strong><br \/>\nArtes c\u00eanicas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 teatro n\u00e3o. Eu estou falando de \u00f3pera, eu estou falando de m\u00fasica cl\u00e1ssica. E isso est\u00e1 sendo um feito muito bom, que essa Prefeitura est\u00e1 ganhando, rapaz! A gente trouxe Marlos Nobre, cidad\u00e3o acima de qualquer suspeita. Ele n\u00e3o participa de nenhuma corrente art\u00edstica aqui no Recife. Ent\u00e3o ele entrou com muita compet\u00eancia, com um nome internacional. Foi ele quem me procurou para dizer: &#8220;estou acompanhando a agonia da Sinf\u00f4nica. Eu sendo da\u00ed, estou sofrendo pelo Recife\u201d. Eu estava almo\u00e7ando quando ouvi uma frase: \u201cLeda, pode contar comigo\u201d. Isso n\u00e3o foi em v\u00e3o, que eu ouvi essa frase! Ele falou, falou, e eu disse que voltava a ligar. A\u00ed fui para o prefeito. Quando eu falei, contei tudo, ele disse: \u201cvamos chamar esse maestro aqui?\u201d. Levei, sentamos os tr\u00eas e ele ouviu de mim, do prefeito; e ele, naquela hora, Marlos saiu comprometido em cuidar da Sinf\u00f4nica. E ele \u00e9 muito mais do que um maestro. Est\u00e1 sendo um amigo, um irm\u00e3o, um confidente, um psic\u00f3logo. Ent\u00e3o ele restaurou por dentro os m\u00fasicos. Os m\u00fasicos hoje est\u00e3o alegres. E ele pensava que n\u00e3o poderia preparar um concerto antes de tr\u00eas meses de trabalho. De tal maneira, porque ele viu como ela estava desfalcada, instrumentos, plano de cargos e carreira&#8230;Claro que isso \u00e9 o somat\u00f3rio de muitas coisas que vivemos no passado, de muitos n\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o, esquecimento, e tudo. N\u00e3o \u00e9 de valor do pessoal n\u00e3o. E ele investiu, ele apostou. A\u00ed o prefeito disse: \u201cEu estou com voc\u00ea e o que voc\u00ea precisar eu quero fazer\u201d. Pronto. Ele mergulhou dentro do teatro e amanh\u00e3 (quarta \/ na realidade, o concerto foi adiado por conta do apag\u00e3o no Nordeste) ele entrega a Sinf\u00f4nica, que ele acha \u201ceu estou entregando ao Recife uma Orquestra Sinf\u00f4nica, que faz jus ao t\u00edtulo de ser a mais antiga do Brasil\u201d. \u00c9 exerc\u00edcio. A gente n\u00e3o comprou os instrumentos ainda, porque o processo de comprar fora do pa\u00eds \u00e9 coisa para seis meses de burocracia. Mas j\u00e1 est\u00e1 tudo levantado, aprovado por ele, aprovado pelo prefeito, \u00e9 s\u00f3 o tempo de os instrumentos chegarem. Ele ent\u00e3o resolveu, um neg\u00f3cio que eu achei formid\u00e1vel, pegar m\u00fasicos jovens, do Conservat\u00f3rio Pernambucano de M\u00fasica, do antigo Centro de Criatividade Musical, e tamb\u00e9m dos meninos do Coque, tamb\u00e9m era o sonho dele. Mas o juiz Targino (Jo\u00e3o Targino) n\u00e3o concordou e n\u00e3o cedeu um m\u00fasico para se incorporar \u00e0 orquestra! O que eu achei lament\u00e1vel! Ent\u00e3o ele (Marlos Nobre) pegou: s\u00e3o quinze ou dezesseis, que tamb\u00e9m estreiam agora, j\u00e1 ganhando, pouquinho, mas ganham, e de janeiro em diante a gente vai ver. Isso da\u00ed, nessa \u00e1rea, miss\u00e3o cumprida, no sentido de ter limpado o ch\u00e3o, tirado as cascas de ferida, ningu\u00e9m comenta mais o passado, tem gente que j\u00e1 estava se entregando \u00e0 bebida, entendeu? E ele levantou tudo. Ele \u00e9 forte e ao mesmo tempo muito suave.<\/p>\n<p><strong>Mas esse descontentamento \u00e9 o que a senhora vai encontrar, pelo menos se Gustavo conversou com a senhora depois da reuni\u00e3o do F\u00f3rum de Artes C\u00eanicas, nas tr\u00eas \u00e1reas, circo, teatro e dan\u00e7a. Porque as pessoas estavam muito cansadas. Porque estavam com aquela esperan\u00e7a e a\u00ed chegou o m\u00eas de agosto e n\u00e3o tinha ger\u00eancia! Na reuni\u00e3o ouvimos um gestor perguntar: \u201ce a\u00ed, quais s\u00e3o os problemas do festival de teatro e do festival de dan\u00e7a?\u201d. N\u00f3s estamos em agosto, um dos festivais era teoricamente em outubro, o outro em novembro, \u201cquais s\u00e3o os problemas do festival para a gente tentar resolver?\u201d. Como assim? Voc\u00ea n\u00e3o tem nem gerente! Se voc\u00ea tivesse um gerente, ele saberia dos problemas. A gente tem uma avalia\u00e7\u00e3o do festival de teatro todo ano.<\/strong><br \/>\nN\u00e3o&#8230; Foi horr\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o os festivais, isso n\u00e3o \u00e9 nenhuma novidade para quem \u00e9 da \u00e1rea. Isso \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o eu queria saber sobre os principais problemas das artes c\u00eanicas. Por exemplo, nessa reuni\u00e3o, foi levantada a quest\u00e3o do SIC. Como ser\u00e1 resolvida a quest\u00e3o do SIC?<\/strong><br \/>\nVai se resolver. Todas as quest\u00f5es v\u00e3o ser resolvidas primeiro numa mesa, conversando. E aos pouquinhos isso est\u00e1 acontecendo. Voc\u00ea veja a confer\u00eancia da gente, se bem que eu acho que t\u00eam coisas muito deficit\u00e1rias nas confer\u00eancias: por exemplo, a aus\u00eancia de artistas. Na minha opini\u00e3o, ela \u00e9 muito mais um encontro de pol\u00edtica partid\u00e1ria. E a aus\u00eancia de jovens. Acho que discutir partido \u00e9 outra coisa. Participei de tudo. Foram horas dif\u00edceis, por conta das brigas das correntes e das tend\u00eancias. Mas eu achei: classe m\u00e9dia l\u00e1 n\u00e3o pisou. Tudo foi comunidade. Mas fizemos e abrimos a porta para ingresso de outras faixas da sociedade civil. O SIC \u00e9 uma coisa que a gente vai, j\u00e1 come\u00e7amos a pensar, a tratar, e ver como \u00e9 que a gente vai fazer. \u00c9 claro que a gente vai ver como \u00e9 que conduz. Discutindo. H\u00e1 quem pense que a gente deveria deixar o que n\u00e3o foi feito, n\u00e3o foi feito, e come\u00e7ar a pensar e organizar de agora pra diante. Esse \u00e9 um pensamento, com o qual eu me afino mais. Eu n\u00e3o posso dizer a voc\u00eas ainda. O universo \u00e9 muito grande. A Sinf\u00f4nica me pegou muito tempo, porque a gente n\u00e3o tinha um tost\u00e3o no or\u00e7amento. O or\u00e7amento n\u00e3o foi pensado. <\/p>\n<p><strong>Essa foi uma situa\u00e7\u00e3o geral? Todas as secretarias chegaram sem dinheiro?<\/strong><br \/>\nPraticamente.<\/p>\n<p><strong>Por que isso aconteceu?<\/strong><br \/>\nPorque n\u00e3o foi planejado antes. A gente agora j\u00e1 tem que encaminhar todas as verbas para o pr\u00f3ximo ano. E se ela n\u00e3o foi pensada, a LOA (Lei Or\u00e7ament\u00e1ria Anual), e tudo, a gente n\u00e3o tem. Tudo \u00e9 o prefeito que est\u00e1 encaminhando, suplementa\u00e7\u00e3o, suplementa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p><strong>Vamos para os festivais. E os festivais? Como voc\u00ea vai resolver essa pendenga?<\/strong><br \/>\nV\u00e3o acontecer. N\u00e3o \u00e9 pend\u00eancia n\u00e3o. A cada dia basta o seu fardo. Ent\u00e3o cada vez que vem, a gente se senta, pensa, reflete, discute e tenta fazer. Gra\u00e7as a Deus o pessoal do secretariado, a parte de finan\u00e7as, est\u00e1 olhando com muita boa vontade, com muito respeito e credibilidade os pedidos de Cultura, que n\u00e3o s\u00e3o pequenos. A gente saiu com o carnaval. Quanto \u00e9 que a gente gastou no Carnaval? Eu sou p\u00e9ssima para n\u00fameros! Este carnaval vai ter um desenho completamente diferente dos outros. <\/p>\n<p><strong>Qual a diferen\u00e7a?<\/strong><br \/>\nConstru\u00eddo! Vai ser diversificado, vai ser realmente discutido, como a gente fez o S\u00e3o Jo\u00e3o. Eu vou dizer uma coisa que digo sempre. Eu n\u00e3o pensei em viver a experi\u00eancia que vivi no S\u00e3o Jo\u00e3o. Pode para voc\u00eas ser at\u00e9&#8230;at\u00e9 artesanal. Mas n\u00f3s, este ano, eu queria que voc\u00eas ressaltassem isso, a gente passou a usar, nas nossas programa\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e culturais, um instrumento chamado edital. Esse edital \u00e9 uma coisa formid\u00e1vel. Fizemos no S\u00e3o Jo\u00e3o. Esse edital democratiza e evita injusti\u00e7as, abre espa\u00e7o e vez para todos. Se bem, um par\u00eantese, a gente vai ver como reformular as leis que regem um item que se chama presta\u00e7\u00e3o de contas, documenta\u00e7\u00e3o, para os artistas populares. Isso bate no Tribunal de Contas, mas isso a gente ainda pensa em mudar. Mas, fechando o par\u00eantese, com o edital, todo mundo tem acesso. N\u00e3o tem boquinha tamb\u00e9m: eu n\u00e3o recebo pedido seu, pedido seu, pedido seu. Parente, aderente, neto, av\u00f3, compadre, nada! A\u00ed vem: \u201cLeda..\u201d. Eu secret\u00e1ria, ent\u00e3o! \u201cMeu grupo, n\u00e3o sei o que, n\u00e3o sei o que\u201d. Eu digo: \u201cvoc\u00eas se inscreveram no edital?\u201d<\/p>\n<p><strong>Mas isso especificamente para o S\u00e3o Jo\u00e3o?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o! Vou fazer para carnaval, vou fazer para Natal. \u00c9 caminho definido de politiza\u00e7\u00e3o, pol\u00edtica cultural. N\u00e3o h\u00e1 apela\u00e7\u00e3o, quem n\u00e3o estiver inscrito no edital, perdeu! E a\u00ed eu recebo os nomes, a rela\u00e7\u00e3o toda, e a gente vai sentar aqui, uma equipe, e vai decidir.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o existe uma mudan\u00e7a de conceito. Com rela\u00e7\u00e3o ao S\u00e3o Jo\u00e3o, \u00e9 o forr\u00f3 p\u00e9-de-serra? Em detrimento aos outros?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o! Coco, ciranda, aboiador, todas as express\u00f5es concernentes ao nosso S\u00e3o Jo\u00e3o, a gente descobriu, catucou, vem pra c\u00e1! Vamos nos apresentar!<\/p>\n<p><strong>Mas o que n\u00e3o era do nosso S\u00e3o Jo\u00e3o, por exemplo, que estava tendo vez?<\/strong><br \/>\nTinha, tinha muita coisa de fora que vinha para c\u00e1 porque tinha prest\u00edgio. O que todos n\u00f3s vivemos, n\u00e3o precisa eu denunciar. Todos n\u00f3s vivemos e sabemos qual era a receita: era a da amizade, do sujeito que tem nome, da sujeita que tem fama. Se voc\u00ea fosse ao S\u00edtio da Trindade, n\u00e3o precisava eu falar nadinha! Voc\u00ea ia ver a mudan\u00e7a que foi esse S\u00e3o Jo\u00e3o no S\u00edtio da Trindade, em est\u00e9tica, beleza, organiza\u00e7\u00e3o e a qualidade do que se apresentou no palco. E tem mais, viu? N\u00e3o houve uma briga, assalto, furto!<\/p>\n<p><strong>O Carnaval vai seguir essa linha? N\u00e3o precisa ter artista de fora?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o precisa. Este ano teve, mas para o pr\u00f3ximo n\u00e3o. Agora a gente ainda n\u00e3o pode dizer como vai ser a abertura do carnaval, porque o grande homenageado deste carnaval ser\u00e1 o frevo. <\/p>\n<p><strong>Mas vamos voltar ao assunto festival. Os festivais de dan\u00e7a e teatro, que s\u00e3o para agora, como voc\u00ea est\u00e1 pensando em produzir esses eventos?<\/strong><br \/>\nVoc\u00ea usou uma palavrinha que eu n\u00e3o uso. N\u00f3s jamais produzimos. N\u00f3s n\u00e3o somos produtores. Muito menos de eventos. A proposta, o compromisso da secretaria de Cultura \u00e9 fomentar, apoiar, incentivar, dar oportunidade e espa\u00e7o a todas as express\u00f5es de nossa cultura, respeitando a tradi\u00e7\u00e3o, respeitando o novo, respeitando o jeito que o Nordeste tem de brincar e de se alegrar, em todas as linguagens. Para as artes c\u00eanicas, eu pensei muito no Centro Apolo-Hermilo. N\u00e3o foi nem um minuto pelo nome de Hermilo apenas. Mas \u00e9 porque o projeto daquilo \u00e9 que seria um centro de forma\u00e7\u00e3o. Ele foi durante um tempo no come\u00e7o, mas depois os tumultos da vida foram afastando, afastando. E hoje eram dois espa\u00e7os sem nenhuma linha cultural, de compromisso, de nada. Aquele \u201cespontane\u00edsmo\u201d da mediocridade. Ent\u00e3o chamei para l\u00e1 Carlos Carvalho, que estava no Governo do Estado. Conversei com Fernando (Duarte) e pedi Carlos para a gente. Ele \u00e9 um homem de artes c\u00eanicas, escritor, encenador, foi ator. Mas ele \u00e9 um idealizador, um l\u00edder e tamb\u00e9m com muita liga\u00e7\u00e3o com a cultura popular. Por coincid\u00eancia, ele \u00e9 hoje o homem de teatro que mais trabalhou sobre a obra de Hermilo, adaptando at\u00e9 para a dan\u00e7a. Ele seguiu essa est\u00e9tica. Passou seis anos no Governo do Estado, exatamente trabalhando muito com os artistas populares. A\u00ed chamei Carlos. Ele veio para c\u00e1 e est\u00e1 dando tempo integral. E a\u00ed ele est\u00e1 pensando. O projeto dele tem coisas muito boas de forma\u00e7\u00e3o. E os festivais est\u00e3o acontecendo, ir\u00e3o acontecer, j\u00e1 est\u00e3o pensados, todos eles. <\/p>\n<div id=\"attachment_10706\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2013\/08\/29\/balanco-da-gestao-leda-alves-nas-artes-cenicas\/leda4\/\" rel=\"attachment wp-att-10706\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-10706\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/leda4.jpg\" alt=\"Secret\u00e1ria afirma que festivais de dan\u00e7a e de teatro j\u00e1 est\u00e3o pensados\" width=\"600\" height=\"410\" class=\"size-full wp-image-10706\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/leda4.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/leda4-300x205.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10706\" class=\"wp-caption-text\">Secret\u00e1ria afirma que festivais de dan\u00e7a e de teatro j\u00e1 est\u00e3o pensados<\/p><\/div>\n<p><strong>Como assim j\u00e1 est\u00e3o pensados? Se a gente, h\u00e1 menos de um m\u00eas, teve uma reuni\u00e3o com a classe em que n\u00e3o sab\u00edamos nem o or\u00e7amento dos festivais?<\/strong><br \/>\nVoc\u00eas sabem que Carlos Carvalho \u00e9 o coordenador do Centro Apolo-Hermilo? E esses projetos de festival est\u00e3o na m\u00e3o de Carlos.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 que ele vai dar conta de dois festivais e do Centro de Forma\u00e7\u00e3o Apolo-Hermilo?<\/strong><br \/>\nVoc\u00ea vai perguntar a ele. Ele est\u00e1 com esses dois festivais, distribuiu nos outros teatros. <\/p>\n<p><strong>Mas voc\u00ea est\u00e1 falando do Festival Recife do Teatro Nacional? Porque geralmente h\u00e1 uma curadoria, al\u00e9m do coordenador, o que demanda um tempo.<\/strong><br \/>\nMas isso est\u00e1 havendo. Procure Carlos, converse com Carlos.<\/p>\n<p><strong>Est\u00e1 bem. Vamos adiante. Outra quest\u00e3o \u00e9 sobre o fomento de artes c\u00eanicas, que sempre foi alvo de muitos questionamentos, principalmente por conta do valor, que \u00e9 apenas de R$ 100 mil. E h\u00e1 alguns anos ele n\u00e3o sai.<\/strong><br \/>\nDeixa eu dizer uma coisa a voc\u00eas. N\u00e3o est\u00e1 decidido, n\u00e3o foi maturado, mas eu acho que tem que se rever muito esse neg\u00f3cio de dinheiro p\u00fablico, de fomento, de fundo de cultura. Um produtor veio um dia me pedir um apoio para uma viagem para o exterior. E a\u00ed ele disse, agora voc\u00ea me d\u00e1, vamos dizer, R$ 20 mil, para os atores poderem sair, passear, comprar presentes, beber, uma farrinha. Voc\u00ea n\u00e3o tem o despudor de me pedir isso n\u00e3o? Desde quando dinheiro p\u00fablico \u00e9 para isso? Para isso ele bota a m\u00e3o no bolso, do dinheiro dele, que ele leva. E quem n\u00e3o leva porque n\u00e3o pode levar, n\u00e3o faz farra, nem traz presentes. O que \u00e9 isso? Eu vou custear isso? J\u00e1 sabe que n\u00e3o vai. N\u00e3o dou um tost\u00e3o. Ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o sabe o que \u00e9 se sentar nessa mesa e ouvir pedido. Vem as coisas mais absurdas do mundo pedindo dinheiro para voc\u00ea! Porque h\u00e1 uma deforma\u00e7\u00e3o. O sujeito vem com uma s\u00e9rie de apoios e vem, pede R$ 90, pede R$ 80, pede R$ 120 mil. Pede 13 passagens de ida e volta para a Europa, 20 passagens. Ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 nenhuma consci\u00eancia disso. Voc\u00ea foi para o Funcultura (Fundo Pernambucano de Incentivo \u00e0 Cultura), voc\u00ea recebeu? Como tamb\u00e9m a gente sabe que um projeto encaminhado ao Funcultura, um fulano pode ser beneficiado em seis projetos. Quando ele vai somar os dinheiros, botou um bom dinheiro no bolso. Entendeu? Muda s\u00f3 a posi\u00e7\u00e3o dele, o nome do projeto, mas \u00e9 tudo uma mesma cadeia. Essas coisas t\u00eam que ser moralizadas.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea pensa em criar um fundo municipal, como o Funcultura?<\/strong><br \/>\nEu estou dizendo a voc\u00ea que como est\u00e1 n\u00e3o presta. Agora qual \u00e9 o caminho que a gente vai seguir, voc\u00eas tamb\u00e9m t\u00eam que propor. Est\u00e1 na hora de propor. Voc\u00eas sabem quando a coisa n\u00e3o presta. Voc\u00eas sabem quando n\u00e3o est\u00e1 correto o neg\u00f3cio. S\u00f3 n\u00e3o presta quando n\u00e3o vem benef\u00edcio? Quando vem benef\u00edcio para mim eu me calo? N\u00e3o pode! Olhe, facilitar isen\u00e7\u00e3o de pauta no Teatro de Santa Isabel. Eu entrei radical. Eu s\u00f3 dou isen\u00e7\u00e3o quando o ingresso \u00e9 de gra\u00e7a. Chega um sujeito cheio de apoios e cobra R$ 80, R$ 100, R$ 120 por ingresso. E eu vou dar o da gente de gra\u00e7a? N\u00e3o. Agora, se \u00e9 de gra\u00e7a, se vem com pre\u00e7os populares, \u00e0s vezes simb\u00f3licos s\u00f3, se a troca \u00e9, como por exemplo, com Deborah Colker. Esse espet\u00e1culo de hoje (ter\u00e7a) \u00e0 noite, que a gente ajudou, ela deu para a Prefeitura do Recife, para a secretaria de Educa\u00e7\u00e3o. As escolas da gente v\u00e3o todas hoje. O que ela est\u00e1 chamando de ensaio aberto. \u00c9 o espet\u00e1culo. Ent\u00e3o negocio com isso, com uma troca de benef\u00edcios. Se voc\u00ea faz de gra\u00e7a, voc\u00ea tem todo o meu apoio, se voc\u00ea est\u00e1 entregando ao povo um produto de primeira, de gra\u00e7a, eu tamb\u00e9m vou dar ao povo o Teatro de Santa Isabel de gra\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea saberia dizer quanto Deborah Colker recebeu?<\/strong><br \/>\nFoi R$ 20 mil. S\u00f3 para a secretaria de Educa\u00e7\u00e3o a gente entregou 1.200 ingressos. E teve uma oficina de dan\u00e7a. A\u00ed ela deixa um benef\u00edcio aqui.<\/p>\n<p><strong>Vamos adiante. Queria saber sobre a manuten\u00e7\u00e3o dos nossos teatros e a\u00ed, claro, vamos entrar inevitavelmente na quest\u00e3o do Teatro do Parque.<\/strong><br \/>\nQue n\u00e3o \u00e9 da secretaria de Cultura, \u00e9 da Funda\u00e7\u00e3o de Cultura, mas j\u00e1 foi criado um grupo, os projetos j\u00e1 est\u00e3o sendo desenhados. Isso a\u00ed vai para frente. Eu tenho certeza que agora o Teatro do Parque vai. \u00c9 coisa para mais um ano, um ano e tanto, talvez at\u00e9 dois anos.<\/p>\n<p><strong>Daqui a dois anos, quando o Teatro do Parque completar cem anos, ele vai estar aberto? Vamos l\u00e1, o seu compromisso para a c\u00e2mera!<\/strong><br \/>\nVai, vai estar aberto. \u00c9 Roberto Lessa quem est\u00e1 encarregado disso, mas eu participo de algumas reuni\u00f5es. Porque o Teatro do Parque pertence \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o de Cultura. Ele e o Barreto J\u00fanior. Daqui s\u00e3o Teatro de Santa Isabel, Dona Lindu, Apolo-Hermilo, o de Peixinhos. Esses, fizemos um grande projeto pelo Iphan (Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional), encaminhamos ao Minc (Minist\u00e9rio da Cultura), o Iphan liderando isso, e chegou o sinal verde de que tinham sido aprovados os projetos para restaura\u00e7\u00e3o de luz e de som. Dinheiro do Minist\u00e9rio da Cultura. <\/p>\n<p><strong>Para compra de equipamentos de luz e som?<\/strong><br \/>\nExatamente. Eu acredito! Se eu n\u00e3o acreditar, o que \u00e9 que eu fa\u00e7o?<\/p>\n<p><strong>Pensando no Teatro do Parque como um problema que vem desde a outra gest\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o vai gostar da palavra mas, existem outras heran\u00e7as malditas?<\/strong><br \/>\nPalavrinha muito cansada. Mas n\u00e3o. Eu prefiro n\u00e3o falar sobre isso. Porque \u00e9 t\u00e3o contundente, que eu prefiro n\u00e3o falar. Vamos trabalhar, vamos colocar para frente, o pessoal de Carnaval, que diziam tanta coisa, a gente vai pagar os atrasados. Tenham paci\u00eancia, porque tudo agora \u00e9 emergencial!<\/p>\n<p><strong>A sua principal vertente em forma\u00e7\u00e3o \u00e9 o Centro Apolo-Hermilo? E o que voc\u00ea vai fazer com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Escola Jo\u00e3o Pernambuco?<\/strong><br \/>\nMas ela n\u00e3o pertence \u00e0 secretaria de Cultura n\u00e3o. Pertence \u00e0 secretaria de Educa\u00e7\u00e3o. Agora, no af\u00e3 da Sinf\u00f4nica, falamos muito sobre ela. Acho que o maestro at\u00e9 ia visit\u00e1-la. Mas eu ouvi do secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o, numa conversa, que est\u00e1 tirando a Jo\u00e3o Pernambuco do lixo, do ch\u00e3o. Est\u00e1 levantando. <\/p>\n<p><strong>E sobre o Apolo-Hermilo?<\/strong><br \/>\nEu quero dar uma \u00eanfase muito grande ao Apolo-Hermilo. A Semana de Hermilo, que h\u00e1 tr\u00eas anos n\u00e3o acontecia, ela nasceu muito bem, ela foi muito bem, uns quatro, cinco anos, depois ela caiu. Ela caiu e caiu para a mesmice, para a coisa med\u00edocre e morreu. Agora Carlos (Carvalho) deu uma linha dos espet\u00e1culos populares nordestinos, ele trouxe o fil\u00e9 de tudo e, a partir dali, debates com te\u00f3ricos, com estudiosos, com doutores, com especialistas e com os mestres populares. A gente repetiu um modelo que aconteceu com o Teatro do Estudante de Pernambuco no fim dos anos 1940. A gente voltou a reunir os mestres populares para discutir as coisas. Agora, n\u00e3o sei porque, p\u00fablico l\u00e1 n\u00e3o foi. Quinze, vinte pessoas \u00e9 muito pouco.<\/p>\n<p><strong>Falando do Apolo-Hermilo, uma das voca\u00e7\u00f5es do Apolo-Hermilo, por ser um centro de forma\u00e7\u00e3o, \u00e9 o de fomentar o novo&#8230;<\/strong><br \/>\nO que voc\u00ea entende por novo?<\/p>\n<p><strong>\u00c9 o teatro contempor\u00e2neo, instigar o novo, a produ\u00e7\u00e3o, discutir dramaturgia.<\/strong><br \/>\nVoc\u00ea n\u00e3o acha que o contempor\u00e2neo tamb\u00e9m se alimenta do ac\u00famulo de experi\u00eancias do que voc\u00ea viveu? Voc\u00ea transforma, voc\u00ea renova. Ent\u00e3o a gente n\u00e3o pode excluir nada. A pauta do Hermilo est\u00e1 aberta para ocupa\u00e7\u00e3o do teatro, diferente do Santa Isabel. O espa\u00e7o do Santa Isabel n\u00e3o pode ser para um teatro experimental. N\u00e3o pode ser um teatro de comunidade que vem testar. N\u00e3o se estreia espet\u00e1culo no Santa Isabel. Ele \u00e9 um teatro municipal, que tem caracter\u00edsticas, que tem peso, um custo alt\u00edssimo, cada vez que aquela cortininha se abre. Ali s\u00f3 pode vir espet\u00e1culo testado j\u00e1. Quando Carlos Carvalho estreou <em>O inimigo do povo<\/em>, eu disse: \u201cde jeito nenhum. Voc\u00ea v\u00e1 embora para os outros teatros, enxuga esse espet\u00e1culo, amadure\u00e7a. Quando ele tiver vida j\u00e1 testada e tiver pauta no Santa Isabel voc\u00ea traz. Mas aqui n\u00e3o se pode experimentar\u201d. Agora, o Apolo-Hermilo, n\u00e3o quer dizer com isso que venha qualquer porcaria, porque toda pe\u00e7a, h\u00e1 que haver uma avalia\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pode chegar assim. Vamos fazer das coisas um passo para a melhoria. O que voc\u00ea faz numa sala no seu bairro, numa garagem, voc\u00ea dali est\u00e1 caminhando, pensando em um dia levar para a cena mesmo. Para isso voc\u00ea tem que testar o come\u00e7o, acrescentar as coisas, dominar as t\u00e9cnicas e capacitar o elenco. Ningu\u00e9m nasce pronto, n\u00e3o \u00e9? Para um dia chegar l\u00e1. Agora nessa semana (Hermilo) o que eu achei formid\u00e1vel \u00e9 que tinha espet\u00e1culos de dan\u00e7a contempor\u00e2nea e tinha espet\u00e1culos de dan\u00e7a popular. Entendeu? E o debate n\u00e3o foi grande porque o p\u00fablico n\u00e3o dizia nada.<\/p>\n<div id=\"attachment_10709\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2013\/08\/29\/balanco-da-gestao-leda-alves-nas-artes-cenicas\/leda2\/\" rel=\"attachment wp-att-10709\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-10709\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/leda2.jpg\" alt=\"Uma das preocupa\u00e7\u00f5es de Leda \u00e9 com sua equipe de funcion\u00e1rios\" width=\"600\" height=\"355\" class=\"size-full wp-image-10709\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/leda2.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/leda2-300x177.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10709\" class=\"wp-caption-text\">Uma das preocupa\u00e7\u00f5es de Leda \u00e9 com sua equipe de funcion\u00e1rios<\/p><\/div>\n<p><strong>Que tipo de pol\u00edtica cultural voc\u00ea est\u00e1 construindo? Voc\u00ea teria um conceito?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o formulo pensamentos. At\u00e9 porque voc\u00eas falam em sete meses, isso n\u00e3o \u00e9 nada. Isso n\u00e3o \u00e9 nada. Eu s\u00f3 consegui diminuir o meu gabinete, que era muito grande \u2013 do que a gente tirou, eu fiz tr\u00eas salas. A gente n\u00e3o arrumou a casa, o programa de cargos e sal\u00e1rios dos funcion\u00e1rios. Arrumei umas melhorias pequenas, estou moralizando um neg\u00f3cio que se chama di\u00e1ria de evento. Di\u00e1ria de evento surgiu no meu tempo. N\u00e3o fui eu quem inventou n\u00e3o, mas \u00e9 do meu tempo. Para os funcion\u00e1rios que trabalhavam, vamos dizer, nos ciclos culturais. E trabalha, viu? O pessoal administrativo v\u00ea o dia clarear preparando pagamento. \u00c9 incr\u00edvel. Ent\u00e3o h\u00e1 o valor de uma di\u00e1ria, duas, tr\u00eas, dependendo do quanto voc\u00ea trabalhou. Isso seria um nome para gratifica\u00e7\u00e3o. Isso de tal maneira se alastrou, que entra sa\u00fade, entra tudo com di\u00e1ria de evento. E ela se transformou em complementa\u00e7\u00e3o salarial. Eu chamo voc\u00ea para um trabalho e lhe digo: \u201co seu sal\u00e1rio \u00e9 R$ 1,2 mil, mas voc\u00ea tem de di\u00e1ria de evento outro pacot\u00e3o. Isso n\u00e3o incorpora na sua aposentadoria, n\u00e3o incorpora em nada. Ent\u00e3o a gente est\u00e1 acabando com isso. Ela voltar a ser, at\u00e9 haver outra possibilidade, das pessoas que trabalham mais, ganhar mais.. Mas isso \u00e9 uma m\u00e1quina t\u00e3o ronceira, que por mais que a gente esteja tentando impregnar de prazo para poder viver&#8230; A m\u00ednima coisa! Prazo para se cumprir, ningu\u00e9m cumpre! Ent\u00e3o colocar esse neg\u00f3cio para a frente. Voc\u00ea n\u00e3o pode ir para casa tendo um of\u00edcio pra despachar. Volta para a tua mesa, despacha tudo, v\u00e1 para casa, bote a cabe\u00e7a no travesseiro dizendo: \u201cfiz\u201d. E transformar em servidor p\u00fablico um funcion\u00e1rio p\u00fablico \u00e9 um processo de mutila\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes, porque \u00e9 muito dif\u00edcil. Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma frase que vai dizer o que a gente pensa. \u00c9 uma constata\u00e7\u00e3o depois que a gente estiver fazendo. Se daqui a um tempo voc\u00eas disserem: \u201cLeda, em que voc\u00ea acha que voc\u00eas mudaram?\u201d. Que n\u00e3o sou eu! Ou esse bonde vai junto ou n\u00e3o caminha. A\u00ed a gente hoje \u00e9 uma secretaria assim, quero informatizar ela todinha, mas isso n\u00e3o se faz em dois meses, nem com pouco dinheiro. Agora \u00e9 que eu estou colocando uma pessoa para capta\u00e7\u00e3o de recursos. A engrenagem \u00e9 muito dif\u00edcil! Mesmo que todos os secret\u00e1rios n\u00e3o tenham mais do que 45 anos, \u00e9 tudo gente bem jovem, mas \u00e9 fogo! Eu esperneio, perco paci\u00eancia, dif\u00edcil, muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p><strong>Qual o seu sonho? Quando voc\u00ea deixar essa secretaria, o que voc\u00ea quer? Deitar no travesseiro e dizer: \u201cfiz\u201d?<\/strong><br \/>\nSe ela puder ser democr\u00e1tica, se ela puder refletir a vontade do povo, sem demagogia, se ela puder criar espa\u00e7o para todos os artistas terem condi\u00e7\u00f5es de desenvolver o seu talento, o seu of\u00edcio, viver do seu of\u00edcio e ser feliz! Se a secretaria de Cultura puder contribuir para isso, eu me dou por satisfeita.<\/p>\n<p><strong>O prefeito \u00e9 sens\u00edvel \u00e0 cultura?<\/strong><br \/>\nSensibil\u00edssimo. N\u00e3o \u00e9 artista, mas ele \u00e9&#8230;voc\u00ea falou, ele diz: \u201cn\u00e3o posso, agora n\u00e3o d\u00e1\u201d ou diz: \u201cvamos fazer\u201d. N\u00e3o enrola. Esse defeito ele n\u00e3o tem.<\/p>\n<p><strong>Muito obrigada!<\/strong><br \/>\nObrigada por eu ter a chance de falar nas coisas nas quais eu acredito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 alguns meses tentamos marcar uma entrevista com a secret\u00e1ria de Cultura Leda Alves. Mas o nosso encontro, por motivos v\u00e1rios, ainda n\u00e3o tinha dado certo. Depois de uma reuni\u00e3o do F\u00f3rum de Artes C\u00eanicas, no \u00faltimo dia 14, no entanto, enxergamos o \u00f3bvio com muita clareza: essa conversa era fundamental. 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